12 de junho de 2013

Píramo e Tisbe

۞ ADM Sleipnir



Píramo e Tisbe são dois personagens da mitologia romana, cuja história de amor dos amantes malfadados também é um romance sentimental. O conto é narrado por Ovídio em sua Metamorfose. O casal vivia na Babilônia. Eram jovens e vizinhos, e brincavam juntos diariamente desde crianças e se apaixonaram à medida que cresceram. Embora vizinhas, suas famílias eram hostis umas as outras, de modo que o amor entre Píramo e Tisbe permaneceu em segredo. 

Eles tinham um ponto de encontro especial em uma parede entre suas casas. Esta parede em particular, tinha uma cicatriz. Uma grande rachadura marcava sua suave superfície como um resultado de um tremor de terra de muito tempo atrás. Píramo e Tisbe comunicavam-se através desta rachadura, porque era arriscado para um ver ao outro. “Parede cruel”, diziam, “porque manténs dois amantes separados? Mas não seremos ingratos. Devemos-te, confessamos, o privilégio de transmitir palavras de amor a ouvidos desejosos de as escutar” - tais palavras eram proferidas pelo casal, que ao final da noite, tinham que se despedir, e beijavam as paredes, cada um no seu lado, pois não podiam se aproximar mais.




Um belo dia, eles estavam em seu ponto de encontro habitual, e a beleza do dia os fez lamentar ainda mais a sua situação. Eles choraram quando viram dois colibris sobrevoarem a parede juntos. De repente, eles chegaram à decisão de que eles não seriam impedidos de ficar juntos por mais tempo. Eles decidiram se encontrar naquela noite, fora dos portões da cidade sob um amoreira cheia de frutas brancas. Esta árvore especial cresceu perto de um riacho próximo ao cemitério local.


Tisbe, coberta por um véu, chegou primeiro ao local designado e esperou ansiosamente pela chegada de Píramo. De repente, uma leoa que acabra de matar sua presa, com suas mandíbulas cobertas de sangue, esgueirava-se afim de satisfazer sua sede no córrego. Tisbe, assustada com esta perturbação, correu para uma caverna nas proximidades. Na pressa, ela deixou cair o véu e a leoa pegou e rasgou-o com suas garras sangrentas

Enquanto isso, Píramo chegou ao ponto de encontro. Ao se aproximar da árvore, ele não pôde deixar de notar as grandes pegadas da leoa. Seu coração começou a bater mais rápido. Quando ele se aproximou do riacho, seus temores se confirmaram ao ver o véu de Tisbe, rasgado e manchado de sangue. Não conseguindo encontrar Tisbe e temendo que ela estivesse morta, Píramo foi incapaz de conter sua tristeza. Ele declara essas palavras: 

“Oh, rapariga infeliz”, disse, “fui a causa da tua morte! Tu, mais digna de viver do que eu, tombaste como primeira vítima. Seguir-te-ei. Eu sou o culpado causador ao te tentar a um lugar de tal perigo sem que aqui estivesse para te guardar. Vinde vós leões, vinde das rochas e rompei este corpo culpado com os vossos dentes."


Em um ato de desespero ele sacou a espada e a enterrou em seu peito. Quando ele tirou a espada de seu peito, o sangue pulverizou os frutos brancos da árvore, transformando-os numa cor roxa escura.


Enquanto isso, Tisbe, recuperada de seu susto, voltou para o ponto de encontro com cautela, e ansiosa para contar ao amado sobre o perigo que passara. Ao chegar no local, viu os frutos da amoreira com uma tonalidade escura, e duvidou que estivesse no mesmo lugar, porém, ela logo encontra o corpo de Píramo estirado no chão. Reconhecendo-o, Tisbe agarra o corpo desfalecido do amado e entre beijos e lágrimas diz:


“Oh, Píramo! o que fez isto? Responde-me Píramo. É a tua Tisbe que fala. Ouve-me querido e levanta essa cabeça caída!”


Píramo abre os olhos mas os fecha em seguida, falecendo de vez. Atormentada e com uma agonia incontrolável, ela pegou sua espada e disse: 

“A tua própria mão te matou e por minha causa. Também eu posso ser corajosa por uma vez e o meu amor é tão forte como o teu. Seguir-te-ei na morte pois eu fui a causa; e a morte, a única coisa que nos pôde separar, não me impedirá de juntar a ti. E vós, pais infelizes de nós os dois, não nos negueis o nosso pedido unido. Assim como o amor e a morte nos uniram, que um só túmulo nos contenha. Quanto a ti, árvore, mantém as marcas do massacre. Que as tuas bagas sirvam de memorial ao nosso sangue.”


Ao terminar de dizer essas palavras, Tisbe enterrou a espada em seu peito, partindo ao encontro de seu amado. Os pais do casal atenderam ao seu último desejo e os deuses também. Os dois corpos foram enterrados no mesmo sepulcro e a amoreira desde então produz frutos da cor púrpura.





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3 comentários:

  1. história triste, parece a história de Romeu & Julieta!!!!!

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    Respostas
    1. William Shakespeare usou esse mito como inspiração.

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  2. Bem resumido...
    Mas, como sabemos que a grande maioria dos brasileiros não gostam de ler, esse texto está de bom tamanho.

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