13 de dezembro de 2017

Lugalbanda

۞ ADM Sleipnir

Arte de Christoph Peters
Lugalbanda, conhecido pela alcunha de "O Pastor", foi um lendário rei semi-divino da Suméria, cujo reinado ocorreu no terceiro milênio a.C. De acordo com a Lista de reis da Suméria, ele foi o segundo rei da cidade de Uruk (onde atualmente fica o Iraque), e o seu reinado teria durado 1200 anos. Lugalbanda era filho do deus solar Utu (correspondente ao deus acadiano/babilônico Shamash). De acordo com a Epopéia de Gilgamesh, ele e sua consorte, a deusa Ninsun, foram os pais do grande herói Gilgamesh.


Lugalbanda ocupa um lugar proeminente como herói em dois contos sumérios datadas da terceira dinastia de Ur (séc XXI a.C)., chamados pelos estudiosos de "Lugalbanda na Caverna das Montanhas" (ou Lugalbanda I) e "Lugalbanda e o Pássaro Anzu'' (ou Lugalbanda II). Estes contos fazem parte de uma série de histórias que descrevem os conflitos entre Enmerkar, rei de Uruk e Ensuhkeshdanna, senhor de Aratta, uma região provavelmente localizada no planalto iraniano. Nessas duas histórias, Lugalbanda é um soldado no exército de Enmerkar, cujo nome também aparece na Lista de Reis Sumérios como o primeiro rei de Uruk e predecessor de Lugalbanda. 

No conto "Lugalbanda na Caverna das Montanhas", enquanto Enmerkar e seu exército marchavam em direção a terra de Aratta, Lugalbanda acaba adoecendo, e seus companheiros o abandonam para morrer em uma caverna junto com algumas provisões. Lá, Lugalbanda roga aos deuses Utu/Shamash, Inanna e Nanna para que ele seja curado, e acaba obtendo o auxílio deles. Poucos dias depois, ele captura um touro selvagem e duas cabras selvagens antes de se deitar e dormir. Durante o sono, Lugalbanda recebe um sonho instruindo-o a sacrificar os animais que ele havia capturou, e assim que ele acorda, sacrifica os animais conforme instruído pelo sonho. O restante do conto é fragmentado e de difícil compreensão, mas lança luz no comportamento dos deuses, que embora fossem poderosos, exibiam um caráter sombrio.


Já no conto "Lugalbanda e o Pássaro Anzu"', Lugalbanda encontra um filhote do pássaro divino Anzu, e o alimenta. Ao retornar ao ninho, o pássaro Anzu chama seu filhote mas este não responde. Uma vez que ele descobre que o seu filhote não atendeu seu chamado por já ter sido alimentado, Anzu agradece a Lugalbanda e lhe presenteia com a habilidade de viajar em altas velocidades. Assim Lugalbanda consegue chegar rapidamente a Aratta, para acompanhar seu rei e seus companheiros, que naquele momento cercavam a cidade de Aratta. Mas seu rei Enmerkar estava enfrentando problemas com o cerco e depois de um ano de reveses sem sucesso, decide buscar o auxílio da deusa Inanna que estava em Uruk. Lugalbanda se oferece para ir até Uruk, e graças ao dom recebido do pássaro Anzu, ele foi capaz de atravessar uma distância de sete cadeias de montanhas em apenas um dia, chegando até o local onde Inanna se encontrava. Inanna atende ao pedido de Lugalbanda, lhe entregando uma parábola instruíndo Enmerkar como tomar o controle de Aratta e de seus recursos. Graças a ajuda de Inanna, e ao protagonismo de Lugalbanda, Enmerkar finalmente vence a guerra contra Ensuhkeshdanna, e toma a terra de Aratta.

Em algum ponto da história, Lugalbanda torna-se rei de Uruk e inicia um relacionamento com a deusa Ninsun, com quem mais tarde teria um filho, Gilgamesh. Seu reinado, segundo a lista real sumeriana, teria durado 1200 anos.

Gilgamesh, Arte de Mateusz Ozminski
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11 de dezembro de 2017

Jentilak

۞ ADM Sleipnir



Os Jentilak (plural, singular: Jentil, "gentil" ou "pagão") eram uma raça de gigantes que de acordo com a mitologia basca viveram ao lado do povo basco durante a era pré-cristã. Eles eram descritos como seres cobertos de pelos e tão altos que podiam andar dentro do mar. Dotados de uma incrível força, eram capazes de levantar e arremessar rochas enormes de uma montanha para outra. Eles também usavam as rochas para construir monumentos estranhos, tendo muitas estruturas neolíticas antigas atribuídas a eles. 


Os Jentilak também são reconhecido pelos bascos como os criadores da metalurgia, agricultura e também de um jogo de bola chamado Pelota valenciana. Alguns atribuíram aos Jentilak a derrota de Rolando na Batalha de Roncesvales, onde os bascos derrotaram o exército franco atirando pedras sobre eles. 

Uma lenda conta que os Jentilak desapareceram da face da terra um dia quando alguns deles viram uma estranha luz no céu. Não sabendo o que poderia significar, procuraram o mais velho e sábio entre eles e este, após ver o fenômeno, disse: "Essa luz anuncia a chegada de Kixmi (Cristo), é o fim de nossa raça". Dito isso, todos os Jentilak correram para um abismo, onde entraram e se esconderam no subsolo. Uma outra lenda conta que um dos Jentilak permaneceu e se converteu ao cristianismo: este é o Olentzero, um personagem tradicional do Natal do país basco, conhecido por trazer presentes para as crianças bascas no Natal.

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8 de dezembro de 2017

Sha

۞ ADM Sleipnir

Sha, também conhecido como animal-seth, é na mitologia egípcia um estranho animal associado a Seth, o deus da destruição, do caos e do deserto. Ele também era chamado de besta tifônica, pelo fato de Seth ser identificado com a monstruosa deidade grega Tifão.

O animal era geralmente ilustrado como um canino muito magro semelhante a um lébrelcom uma cauda rígida com a ponta no formato de uma flecha ou bifurcada. Também possui orelhas eretas com um formato quadrada ou triangular, com a base mais fina do que as pontas, terminando a cabeça com um focinho alongado com uma leve curva para baixo. Geralmente era descrito como preto ou avermelhado, e era comum vê-lo representado de pé, sentado ou deitado.


Ao contrário dos animais associados a outros deuses egípcios, o animal-seth a não é fácil de identificar com qualquer animal da natureza. Entre os egiptólogos, existe uma concordância geral de que ele nunca foi real e que só existia na imaginação do antigo povo egípcio. Possivelmente, sua presença em hieróglifos servia para indicar eventos relacionados ao caos, como tempestades, violência ou sofrimento.


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6 de dezembro de 2017

Céos

۞ ADM Sleipnir


Arte de chamakoso

Céos
(também Ceo ou Coios; do grego Κοῖος, "questão", em latim Coeus, ou ainda Polos ("Eixo Celeste")) foi um dos doze titãs filhos de Urano e Gaia
Ele era o titã da inteligência e era associado ao eixo celestial em torno do qual as constelações parecem girar e aos oráculos celestiais, enquanto sua irmã e esposa Febe ("Brilho") estava relacionada a Delfos, tida como eixo e centro da Terra, e a seu oráculo terrestre.


Céos e Febe tiveram duas filhas, Leto Astéria, ambas também associadas à profecia. Leto e seu filho Apolo herdaram o aspecto celeste ou olímpico das práticas de adivinhação (inclusive a astrologia), enquanto Astéria e sua filha Hécate estavam ligadas a seu lado terrestre ou ctônico (ou seja, a necromancia). Apolo também herdou a associação do avô com o Pólo Norte, através de sua ligação com os hiperbóreos.


A única participação conhecida de Céos na mitologia grega foi na conspiração de Cronos, para destronar seu pai Urano. Liderados por Cronos, os irmãos prepararam uma emboscada para o seu pai enquanto ele descia para deitar-se com Gaia. Céos, Crio, Hipérion e Jápeto se posicionaram nos quatro cantos do mundo e quando Urano finalmente desceu, eles o agarraram e o seguraram firmemente, enquanto Cronos, escondido no centro, castrou-o com uma foice. Neste mito, os quatro irmãos provavelmente representam os quatro pilares cósmicos encontrados no cosmogonias do Oriente Próximo, que separavam o céu e a terra. Neste caso, Céos foi certamente o titã do pilar do norte, enquanto seus irmãos Crio, Hipérion e Jápeto eram deuses dos pilares do sul, oeste e leste, respectivamente.

Apesar de seu nome não ser citado, Céos também participa da Titanomaquia, mas ele e demais titãs são derrotados por Zeus e os olimpianos, sendo lançados no poço do Tártaro. Segundo Píndaro e Ésquilo (em sua peça perdida, "Prometeu Acorrentado") os titãs acabaram sendo posteriormente libertados do poço, através da clemência de Zeus.


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4 de dezembro de 2017

Velha Do Peito Só

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rafael Nolêto

A Velha Do Peito Só, também conhecida como "Anciã da Fartura", é uma assombração pertencente ao folclore piauiense, cujo relatos sobre aparições surgiram no século XIX na cidade de Oeiras. Trata-se de uma figura com a aparência de uma mulher idosa, com somente um seio enorme no peito e dotada de uma força incomum. De acordo com a lenda, ela costumava atacar viajantes solitários durante a madrugada em estradas ou em trilhas na mata, derrubando-os no chão e forçando-os a mamarem em seu único seio.

Quando a sua vítima se recusava a mamar, a velha dizia: -" Ou mama por gosto meu filho, ou contra vontade!". Se mesmo assim a vítima continuasse a rejeitar o seio da velha, ela pegava as orelhas da pessoa e as torcia com força, como se estivesse torcendo pano molhado. Depois disso, encostava o peito na boca do infeliz e fazia com que ele mamasse até não aguentar mais, chegando ao ponto de sair espuma pelos cantos da boca do pobre coitado. 

Até hoje, existem relatos afirmando que ela vaga durante a madrugada pelas ruas desertas de Oeiras. Dizem que apesar de vitimar alguém volta e meia na zona urbana da antiga capital, prefere atacar aqueles que se aventuram altas horas da noite nas matas das redondezas de Oeiras, principalmente na região da localidade Tranqueira, onde acontecem a maior parte de seus ataques, sendo muitos os homens por ali que dizem já ter mamado em seu seio.


fontes:



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1 de dezembro de 2017

Millalobo

۞ ADM Sleipnir


Arte de Hugo Espinosa

O Millalobo (do mapugundun milla, "ouro" e do espanhol lobo) é uma importante entidade da mitologia chilota, considerado o ser mais poderoso dos mares depois da serpente Cai Cai Vilu. Ele é uma espécie de ser semelhante a um tritão, possuindo a metade superior do corpo de um homem e a metade inferior de um leão-marinho, e o seu rosto é a mistura de ambos. É dito que ele não pode falar, porém se comunica por uma espécie de balido semelhante ao de um leão marinho, e o significado de seu balido é facilmente compreendido pelos seres humanos.

Arte de NobunagaVIII
De acordo com a mitologia, Millalobo nasceu do acasalamento de uma mulher humana com um leão marinho, o qual a salvou de morrer afogada, na época do confronto entre as serpentes Cai Cai Vilu e Ten Ten ViluAo vê-lo, Cai Cai Vilu o achou de seu agrado, e após o término de sua batalha contra Ten Ten Vilu, concedeu seus poderes a ele, tornando-o o governante dos mares.

Millalobo habita o fundo do mar junto de sua esposa Huenchula e de seus três filhos, Pincoya, Pincoy e a Sirena Chilota, que o ajudam no dever de administrar os mares. Além de sua família, Millalobo possui ainda inúmeras criaturas marinhas mitológicas subordinadas a ele,  e responsáveis por diversas tarefas como cuidar do desenvolvimento de frutos do mar e de peixes, gerenciar o clima marinho e ainda orientar e cuidar das almas daqueles que morrem no mar.

Arte de Argus Del Norte

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29 de novembro de 2017

Catacano

۞ ADM Sleipnir



Catacano (também conhecido como Catacani, Catakano, Kathakano) é uma espécie de vampiro oriunda das ilhas gregas de Creta e de Rodes. Ele é conhecido como o "Vampiro Feliz", pois segundo as lendas sorri o tempo todo, sempre mostrando suas presas.

Catacanos são seres fortes e rápidos, e conta-se que são capazes de infundir confiança em suas presas humanas, tornando-as arrogantes. Essa espécie de vampiro possui uma maneira única de criar outros como eles: eles cospem sangue regurgitado sobre as pessoas, que ao atingi-las, provoca queimaduras letais na pele delas, e no fim, as transforma em vampiros.

Catacanos podem ser mortos de várias formas, dentre as quais estão decapitá-los e ferver suas cabeças em vinagre ou queimar suas unhas.


fontes:
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27 de novembro de 2017

Jakotsu-baba

۞ ADM Sleipnir



Jakotsu-baba (em japonês 蛇骨婆 ou じゃこつばばあ, algo como "Bruxa Óssea das Cobras", também conhecida como Jagoba (em jap:  蛇五婆, "Mulher das Cinco Serpentes")) é um yokai do folclore japonês, ilustrado pela primeira vez por Toriyama Sekien em seu 3º livro, Konjaku Hyakki Shūi (今昔百鬼, "Apêndice Aos Cem Demônios Do Presente e Do Passado"). No livro, ele é descrito como uma mulher idosa e de aparência esquelética, com o corpo envolto por duas serpentes. 

De acordo com Toriyama Sekien, Jakotsu-baba era uma mulher idosa que vivia na região de Funkan-koku, na China e era a esposa de um homem chamado Jagoemon ou Jakoemon. Após a morte do marido, mulher tornou-se um yokai e passou a vigiar o túmulo do marido, atacando todos que se aproximassem dele com suas serpentes. Uma das serpentes possui a cor azul, e é dita congelar suas vítimas com seu sopro. A outra, de cor vermelha, é dita lançar chamas contra suas vítimas, poderosas o suficiente para torná-las cinzas.

Arte de Matthew Meyer
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24 de novembro de 2017

Werecats, os "Homens-Gatos"

۞ ADM Sleipnir


Um Werecat (ou Were-cat, literalmente "Homem-gato") é uma criatura folclórica presente em muitas culturas ao redor do mundo. Trata-se de uma criatura metamorfa semelhante ao lobisomem, porém, ao invés de se transformar em um lobo ou em um híbrido humano-lobo, o werecat se transforma em algum tipo de felino, desde gatos até tigres ou leões, ou em algum ser que combine características felinas e humanas.

Folclore

Europa

O folclore europeu geralmente retrata werecats como pessoas que se transformam em gatos domésticos. Alguns werecats europeus tornaram-se gigantes gatos domésticos gigantes ou panteras. Eles geralmente são rotulados de bruxas, mesmo que não tenham nenhuma habilidade mágica além da auto-transformação. Durante os julgamentos das bruxas, todos os metamorfos, incluindo lobisomens, eram considerados bruxas, independente se fossem do sexo masculino ou feminino.

África

Lendas africanas falam sobre werelions (homens-leões), werepanthers (homens-panteras) werehyenas (homens-hienas) ou wereleopards (homens-leopardos). No caso dos wereleopards, a criatura é geralmente um deus ou deusa leopardo que se disfarça como um humano. Esses deuses podem se relacionar e ter filhos com seres humanos, e essas crianças ou terão a habilidade de se transformar em leopardo ou herdarão outros tipos de poderes.
Wereleopard
Em relação aos werecats que se transformam em leões, a habilidade é freqüentemente associada à realeza. Tal ser pode ter sido um rei ou uma rainha em uma vida anterior, ou pode ser destinado a liderança nesta vida. Esta qualidade pode ser vista nos Leões de Tsavo, que eram reputados como reis em forma de leões, tentando repelir os europeus invasores parando a construção de uma ferrovia com ataques a humanos. 


Ásia

Os werecats asiáticos geralmente se tornam tigres. Na Índia, o weretiger (homem-tigre) é muitas vezes um feiticeiro perigoso, retratado como uma ameaça para o gado, que pode, em qualquer momento, se transformar em um devorador de homens. Essas histórias viajaram por toda a Índia e também para a Pérsia através dos viajantes que encontraram os reais tigres de Bengala da Índia e depois para o oeste asiático. 

As lendas chinesas muitas vezes descrevem os weretigers como vítimas de uma maldição hereditária ou de um fantasma vingativo. Ensinamentos antigos sustentavam que todas as raças, exceto os chineses da etnia Han, eram realmente animais disfarçados, de modo que não havia nada de extraordinário sobre alguns desses falsos seres humanos retornarem a suas verdadeiras naturezas. Alternativamente, os fantasmas de pessoas que haviam sido mortas pelos tigres poderiam se tornar um ser sobrenatural malévolo conhecido como Chang (伥) dedicando toda a sua energia para garantir que os tigres matassem mais humanos. Alguns desses fantasmas eram responsáveis ​​por transformar os seres humanos comuns em homens-tigre.

Weretiger
Na Tailândia, é dito que um tigre que come muitos seres humanos pode tornar-se um weretiger. Há também outros tipos de weretigers, como feiticeiros com grandes poderes que podem mudar sua forma para se tornarem animais.


Na Indonésia e na Malásia existe um outro tipo de weretiger, conhecido como Harimau jadian. A sua transformação é atribuída a muitos fatores, como herança hereditária, ao uso de feitiços, ao jejum e à força de vontade, ao uso de encantos, etc. Exceto quando está com fome ou por motivo de vingança, não é hostil aos humanos; na verdade,conta-se que ele toma sua forma animal apenas à noite e protege as plantações contra o ataque de porcos selvagens. 



Um pouco semelhante é a crença dos Khonds, uma tribo aborígine da Índia. Para eles, o weretiger é amigável, e reserva sua ira para seus inimigos. Também na Malásia, existem os Bajangs, que são descritos como werecats vampíricos ou demoníacos.


América

Werejaguar
O principal werecat encontrado nas culturas pré-colombianas da meso-américa foi o were-jaguar (homem-jaguar). Ele era associado à veneração do jaguar, com sacerdotes e xamãs entre os vários povos que seguiram esta tradição vestindo as peles de jaguares para se tornarem um were-jaguar. Entre os astecas, uma classe inteira de guerreiros especiais vestidos com máscaras de jaguar eram chamados de "guerreiros jaguar" ou "cavaleiros jaguar". Representações de jaguares e de were-jaguares estão entre as mais comuns entre os artefatos das antigas civilizações mesoamericanas. Os balams (feiticeiros) de Yucatán foram ditos proteger os campos de milho na forma de jaguares. Eles também podiam se transformar durante a lua cheia.


Nos Estados Unidos, algumas lendas urbanas falam sobre encontros com bípedes felinos; seres semelhantes ao Pé-grande com cabeça, caudas e patas de gato. Os bípedes felinos às vezes são classificados como parte da criptozoologia, mas, mais frequentemente, são interpretados como werecats.


Ocultismo e Teologia


Declarações de que werecats realmente existem e têm origem em realidades sobrenaturais ou religiosas têm sido comuns há séculos, com essas crenças muitas vezes difíceis de serem separadas completamente do folclore. No século XIX, o ocultista J.C. Street afirmou que as transformações de seres humanos em gatos e cães poderiam ser produzidas através da manipulação do "fluido etéreo"  existente dentro dos corpos humanos. O Malleus Maleficarum, famoso manual católico de caça às bruxas, afirma que as bruxas podem se transformar em gatos, mas que suas transformações são ilusões criadas por demônios. O autor da Nova Era John Perkins afirmou que toda pessoa tem a capacidade de se transformar em "jaguares, arbustos ou qualquer outra forma" usando o poder da mente. 


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22 de novembro de 2017

Goemon, o Ladrão Ninja

۞ ADM Sleipnir


Ishigawa Goemon (japonês 石川 五 右衛門, 1558-1594) foi um lendário criminoso japonês, visto pelo povo como um verdadeiro herói, pois roubava ouro e outros objetos de valor e os dava aos pobres, ao melhor estilo Robin Hood. Considerado por muitos um herói, sua história vive na cultura pop japonesa contemporânea.

Existem várias histórias diferentes sobre a vida de Goemon. A mais famosa conta que ele nasceu no ano de 1558, com o nome de Sanada Kuranoshin. Sua família estava a serviço do  poderoso clã de samurais Miyoshi, da província de Iga. Em 1573, seu pai, Ishikawa Akashi, foi morto por homens do xogunato Ashikaga (em algumas versões, sua mãe também é morta). Sanada, então com quinze anos, jurou vingança e começou a treinar ninjutsu na Escola de Iga, sob a tutela de Momochi Sandayu. Ele foi forçado a fugir quando seu professor descobriu um romance entre Sanada e sua esposa, e na fuga, Sanada roubou a espada de seu professor. 

Após a fuga da Escola de Iga, Sanada mudou de nome para Ishikawa Goemon e tornou-se líder de um grupo de ladrões, que roubavam ricos senhores feudais, clérigos e comerciantes, e depois compartilhavam o seu despojo com os pobres.


A primeira menção feita à Ishikawa Goemon aparece na biografia sobre Toyotomi Hideyoshi, publicada em 1642. Nela, Goemon é referido simplesmente como um ladrão. Conforme a lenda de Goemon tornou-se mais popular, ele foi creditado com as façanhas anti-autoritárias mais notáveis ​​na história do Japão. Algumas delas incluem as tentativas de assassinato contra o xogum Oda Nobunaga e contra o seu sucessor Toyotomi Hideyoshi.

Sua morte ressoa nos anais da história por sua crueldade. Após sua tentativa frustrada de assassinar o xogum Toyotomi Hideyoshi, Goemon foi fervido publicamente dentro de um caldeirão. Uma história conta que o motivo de Goemon atentar contra a vida de Hideyoshi foi porque este havia matado sua esposa, Otaki, e sequestrado seu filho, Gobei. Ele entrou escondido no castelo de Hideyoshi, e ao entrar em seu quarto, Goemon esbarrou num sino. O barulho acordou os guardas e Goemon acabou sendo capturado. Ele foi sentenciado até morte em um caldeirão de ferro cheio de óleo fervente juntamente com seu filho. No momento da execução, Goemon, já dentro do caldeirão, segurou seu filho acima de sua cabeça, protegendo-o da morte. Assistindo a cena, Hideyoshi acabou perdoando o filho de Goemon.

Outra história conta que Goemon queria matar Hideyoshi porque ele era um déspota. Quando ele entrou no quarto de Hideyoshi, Goemon foi detectado pela fumaça de incenso místico e capturado pelos guardas. Ele foi executado em 24 de agosto, juntamente com sua família em um caldeirão de óleo fervente. Goemon tentou primeiro salvar seu filho da morte, segurando acima da cabeça. De repente, ele decidiu mergulhar seu filho no óleo para matá-lo o mais rápido possível. Em seguida, ele ficou de pé, suspendendo o corpo do menino acima de sua cabeça, em desafio aos seus inimigos, até que sucumbiu à dor e as lesões e afundou no caldeirão.


Uma lápide em sua memória está localizada no Templo Daiunin em Kyoto.

Cultura popular

  • Goemonburo (Banho de Goemon) é como é chamado o típico banho japonês realizado em uma enorme banheira de ferro;
  • Goemon figura em inúmeros games, sendo o principal a série auto-intitulada "Goemon", da Konami. Ele também dá as caras na franquia Samurai Warriors;
  • Em Naruto, Goemon é o nome de uma técnica do personagem Jiraya, onde o mesmo utiliza óleo e os elementos Katon (fogo) e Fuuton (vento). 

Arte Sábia: Goemon
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20 de novembro de 2017

Uchchaihshravas

۞ ADM Sleipnir


Uchchaihshravas (em sânscrito: उच्चैःश्रवस्, "Orelhas longas" ou "Aquele que relincha alto") é um cavalo branco de sete cabeças da mitologia hindu, considerado o rei dos cavalos. Ele é frequentemente descrito como um vahana (montaria) de Indra, o deus rei dos céus, mas também é dito ser o cavalo de Bali, o rei dos demônios. 

De acordo com o Bhagavad Purana, Uchchaihshravas surgiu durante o episódio do Samudra Manthan ("a agitação do oceano de leite"), juntamente com outros tesouros como a deusa da fortuna, Lakshmi, consorte do deus Vishnu e Amrita, o elixir da vida. A história também aparece em outras obras védicas, como o Vishnu Purana, RamayanaMahabharataMatsya Purana e Vayu Purana.


O épico Mahabharata menciona uma aposta entre Vinata (mãe de Garuda) e Kadru (mãe das serpentes (nagas)), irmãs e esposas do sábio Kashyapa, a respeito de qual seria a cor de sua cauda. Um dia, enquanto avistavam Uchchaihshravas à distância, Kadru perguntou à irmã sobre qual era a cor dele. Vinata respondeu-lhe que Uchchaihshravas era branco, e Kadru concordou, porém disse a Vinata que a cauda dele era preta, e propôs a ela uma aposta: elas observariam o cavalo de perto e se a cauda dele fosse realmente branca Vinata venceria, caso contrário, Kadru venceria. A perdedora se tornaria escrava da vencedora.

As irmãs decidiram esperar até o dia seguinte, quando observariam o cavalo a uma distância próxima para decidir quem ganhou. Kadru queria ganhar a aposta a qualquer custo, então chamou seus mil filhos serpentes e ordenou que cobrissem a cauda de Uchchaihshravas de modo que ela parecesse ser preta.

Kadru e Vinata passaram a noite inquietas, e assim que amanheceu, foram até o local onde Uchchaihshravas estava passando. Ao se aproximarem, viram que o corpo dele era tão branco quanto a luz da lua, mas sua cauda era preta. Completamente pálida, Vinata aceitou a derrota, e tornou-se escrava de Kadru.

O Devi Bhagavata Purana narra que, uma vez Revanta, filho do deus-sol Surya, foi até a residência do deus Vishnu, montando Uchchaihshravas. Ao ver o cavalo, Lakshmi ficou completamente encantada por ele, tanto que ignorou uma pergunta feita por Vishnu. Vishnu então pune Lakshmi, amaldiçoando-a a renascer como uma égua em sua próxima vida.

Arte de megrar
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17 de novembro de 2017

Yanagi-baba

۞ ADM Sleipnir



Yanagi-baba (japonês: 柳 婆, "bruxa do salgueiro") é um yokai do folclore japonês, surgido de um salgueiro que viveu por mais de mil anos. Ele se assemelha a uma idosa com cabelos longos e verdes que lembram os ramos de folhas de salgueiro e com uma pele enrugada como uma casca de árvore. Em suas mãos ela carrega uma bengala feita com a madeira do salgueiro e um saco onde ela armazena a seiva da árvore. Seu estômago é conectado às raízes do salgueiro, e leva alimento diretamente a elas.

Embora seja um yokai relativamente inofensivo, Yanagi-baba é conhecida por assediar transeuntes, pegando seus guarda-chuvas e colocando-os em seus cabelos, soprando sobre eles uma espécie névoa através de seu nariz ou cuspindo a seiva da árvore neles.


Yanagi-baba possui um equivalente belo e de aparência mais jovem chamado Yanagi-onna (jap: (柳 の 女, "mulher de salgueiro"). Este yokai aparece no Ehon Hyaku Monogatari, um bestiário yokai publicado em 1841 pelo artista Takehara Shunsen, e que possui um estilo muito parecido com a série Gazu Hyakki Yakõ de Toriyama Sekien. 


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15 de novembro de 2017

Gloson

۞ ADM Sleipnir


Gloson (também chamado  Gravson ou Gluffsuggan) é um monstro pertencente ao folclore sueco, dito habitar em cemitérios e em suas redondezas. Ele é descrito como um grande porco ou javali com olhos incandescentes e dotado de cerdas afiadas em suas costas e de enormes presas, que ele afia nas lápides dos túmulos.

É uma criatura bastante perigosa e mortal, pois ao ver um ser humano caminhando em seu território, ele corre em sua direção passando por baixo de suas pernas e partindo-o ao meio. Ele também pode derrubá-lo usando seus cascos para golpear o chão e criar um grande tremor de terra.

Alguns historiadores teorizam que o Gloson seja um remanescente folclórico do javali pertencente ao deus nórdico Frey, Gullinbursti.


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13 de novembro de 2017

Panacéia

۞ ADM Sleipnir


Arte de Kathryn

Panacéia
(do grego Πανάκεια, "que tudo cura") era uma deusa da cura da mitologia grega, filha do deus da medicina Asclépio e de Epione, a deusa do alívio das dores.
 
O seu nome é muito utilizado com o significado de "remédio para todos os males". Conta-se que ela possuía um cataplasma ou uma poção capaz de curar todos os tipos de doenças.

Panacéia possuía quatro irmãs que juntamente com ela auxiliavam Asclépio em seu trabalho: Higéia (deusa da saúde), Iaso (deusa da recuperação), Aceso (deusa do processo de cicatrização) e Aglaea ou Aegle (deusa da magnificência e esplendor). Ela também possuía três irmãos: Macaão e Podalírio, que herdaram o dom de cura de Asclépio e  prestaram serviço como médicos do exército grego durante a Guerra de Tróia, e Telésforo, um anão cuja cabeça estava sempre coberta com um capuz e frequentemente acompanhava Higéia. 

A tradição médica fez com que o nome de Panacéia, o de sua irmã Higéia, o de seu pai Asclépio e o de seu avô Apolo figurassem no juramento de Hipócrates, que ainda é formulado por alguns médicos no momento da sua graduação:

“ Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo o meu poder e a minha razão, a promessa que se segue (...) ”

Este juramento, que data do século V antes de Cristo, começou a ser deixado de lado por volta da metade do século XX, porque muitos médicos consideraram que não tinha sentido formular um juramento em que se evoca deuses gregos. No congresso da Associação Médica Mundial, em 1948, estabeleceu-se um juramento alternativo, conhecido como Declaração de Genebra, que vem sendo adotado por um número crescente de países embora outros ainda continuem com o juramento de Hipócrates.




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10 de novembro de 2017

Kludde

۞ ADM Sleipnir


O Kludde (também conhecido como Kleure, Klerre, Kledde ou Waterkledde) é uma criatura metamorfa presente no folclore belga, dita assombrar o interior flamengo em busca de viajantes solitários para atacar. Geralmente aparece na forma de um monstruoso cão negro, às vezes alado e que anda sobre as patas traseiras, mas pode assumir a forma de inúmeros animais como gatos, cavalos, serpentes e corvos, e até mesmo de árvores e arbustos. Eventualmente ele pode até mesmo se transformar em um ser humano.

Por vezes, ele foi descrito como uma besta aquática ou goblin, e outras vezes como um demônio fugido do inferno, um lobisomem, ou até mesmo uma manifestação do próprio Diabo.



Como um metamorfo, o Kuddle pode assumir muitas formas diferentes, dependendo do que ele deseja fazer ou de como pretende pregar peças em suas vítimas. Ele pode desaparecer ou reaparecer à vontade para surpreender suas vítimas e é capaz de correr em velocidades sobrenaturais para alcançar qualquer um que tente fugir dele, tornando impossível escapar. Ao atacar, ele pode mudar o seu próprio peso e altura. Independentemente da forma em que se encontra, o Kludde é capaz de falar.

Kludde é um espírito malandro, embora seus truques variem de simples travessuras à assassinatos. Ele se esconde em meio a escuridão da noite, esperando o momento certo para atacar as pessoas. Um sinal de que ele está nas proximidades é o barulho de correntes batendo, que dizem cobrir o seu corpo. Ele também pode ser identificado por chamas azuis que flutuam na frente dele ou ardem em seus olhos.



Em algumas histórias, o Kludde é retratado como uma figura mais "brincalhona" do que como uma ameaça real. Sob a forma de um cavalo desnutrido, o Kludde, assim como um Púca ou um Kelpie, às vezes se oferece aos viajantes para que o montem e uma vez que é montado, dispara em um ritmo alucinante, conduzindo o seu passageiro em um passeio aterrorizante. No fim, ele  derruba suas vítimas em alguma fonte de água e ri de sua desgraça, deixando-as humilhadas e irritadas, porém ilesas. 

Às vezes, ele transforma-se em uma árvore para confundir os viajantes que dependem de pontos de referência, ou em um arbusto no meio do caminho para fazê-los tropeçar e cair. 

O Kludde é mais perigoso sob a forma de um cão preto, pois dessa forma ele é capaz de causar danos reais as suas vítimas. Ele pode caminhar ao lado de pessoas caminhando em uma estrada ou em outro trajeto, antes de saltar sobre suas costas e esmagá-las, assim como outra criatura do folclore belga, o Osschaart. Ele às vezes deixa suas vítimas viverem, ficando satisfeito com o medo que criou e desaparecendo, deixando os transeuntes em estado de choque. Outras vezes, ele fica de pé sob as pernas traseiras, levantando-se até que ele possa rasgar a garganta da vítima. Nessas circunstâncias, apenas o amanhecer ou o som dos sinos de uma igreja podem espantar um Kludde para longe e salvar sua vítima de uma morte horrível.



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Ruby