9 de maio de 2014

Erchitu

۞ ADM Sleipnir


O Erchitu (ou Boe Mulliache) é uma criatura lendária da tradição da Sardenha. De acordo com as antigas lendas da região, um homem que cometeu um grave pecado se transformaria durante as noites de lua cheia em um enorme touro branco com dois grandes chifres. A criatura vaga pelas ruas até parar em frente a uma casa, onde ela ruge três vezes. Seu rugido é tão alto que pode ser ouvido por todos os habitantes da ilha, e de acordo com a tradição, o dono da casa onde o Erchitu rugiu está condenado a morrer dentro de um ano. 

Às vezes, o Erchitu é dito ser acompanhado por demônios, que acendem duas velas sobre os seus chifres e também o espetam com espetos quentes. 

Com o nascer do sol, o Erchitu volta a sua forma original, porém volta a se transformar na próxima lua cheia. Um Erchitu só pode libertar-se de sua maldição quando alguém corajoso e forte for capaz de apagar as velas em seu chifre com um sopro, ou capaz de cortar os chifres de sua cabeça com um golpe preciso.

Uma história popular conta que certa vez um grupo de pessoas capturaram um Erchitu e o prenderam em um celeiro, prendendo-o à gancho de ferro. Na manhã seguinte, para se certificar de que o touro não havia escapado, foram até o celeiro verificar, e ao invés de encontrarem o touro, encontraram apenas um homem chorando pendurado ao gancho.



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8 de maio de 2014

Pérák, o "Homem Mola" de Praga

۞ ADM Sleipnir




Pérák, o "Homem Mola" de Praga, é um personagem de uma lenda urbana proveniente da cidade de Praga, durante a ocupação Alemã da Tchecoslováquia na Segunda Guerra Mundial. Nas décadas seguintes a guerra, Pérák também foi retratado como um super-herói Tcheco. Sua aparência e comportamento são muito similares ao Spring-Heeled Jack ("Jack calcanhar de mola") das lendas britânicas. A razão para a sua alcunha de Homem Mola era a sua capacidade de saltar por cima de estruturas altas, supostamente com a ajuda de molas ou algum outro dispositivo.

História

Durante os dias mais sombrios da ocupação nazista da Tchecoslováquia , um estranho rumor surgiu na capital: O misterioso Pérák era dito assombrar os becos e telhados da cidade de Praga, atacando soldados nazistas e fugindo logo em seguida.



Alguns relatórios afirmavam que Pérák tinha sido visto pulando de um lado para o outro sobre trens em alta velocidade e até mesmo atravessar o rio Vitava, voando pelo ar "como uma peteca", antes de desaparecer na noite ao som de um assobio agudo e sobrenatural. Grafites anti-nazistas atribuídos à Pérák começaram a surgir por toda a cidade, muitas vezes pintados em pontos destacados, mas aparentemente inacessíveis para pessoas comuns.

Temendo um encontro com o misterioso homem, operários se tornaram relutantes a trabalhar em turnos noturnos, diminuindo assim a produção de munições dos  alemães. Gradualmente, em um ambiente de paranóia e desconfiança da mídia oficial, os rumores transformaram a figura de Pérák em um símbolo da resistência tcheca e de sabotagem contra o regime nazista. Essas histórias se espalharam inexoravelmente através de cidades periféricas e aldeias rurais, ganhando magnitude e força.

Enquanto a maioria das pessoas aceitavam que Pérák era simplesmente uma manifestação do medo tcheco e do ressentimento contra os invasores nazistas - um produto do imaginário coletivo - alguns insistiam que ele era uma pessoa real, talvez um acrobata de circo, um pára-quedista britânico ou agente secreto americano. Ainda haviam outros que acreditavam que ele fosse um fantasma.



Logo após a libertação de Praga pelas forças russas em maio de 1945, os cartunistas tchecos Jiri Brdečka e Jiří Trnka produziram um filme de animação de 14 minutos chamado Pérák a SS ( "Homem Mola e a SS" ). Este filme inovador e surrealista retrata Pérák como um heróico limpador de chaminés vestido de preto, e equipado com sapatos da mola, desafiando tanto a Gestapo quanto um colaborador aleatório de Hitler. A mesma equipe criativa seguiu com uma popular série de quadrinhos de jornal chamada Pérákovi osudy další ("Os Outros Destinos de Pérák").

Conforme as representações de Pérák na cultura pop foram desencorajadas sob o novo regime comunista na Tchecoslováquia, o Homem Mola tornou-se um assunto de curiosidade acadêmica. Em seu estudo no ano de 1960 sobre o caso de Pérák como folclore urbano, o etnógrafo Dr. Miloš Pulec descobriu que uma história sobre um  "fantasma saltitante", pré-datava a ocupação alemã de Praga, estendendo-se, pelo menos, já em 1920 e, possivelmente, originada no século 19 .

Curiosamente, essa tradição foi primeiramente associada a uma série de rumores fraudulentos propagados por sacristões da Igreja Católica Romana, no noroeste da Boêmia. Preocupados com um "surto de ateísmo " entre as comunidades mineiras, alguns sacristões teriam se disfarçado de "demônios saltitantes" , ou até mesmo empregado "lanternas mágicas" com projeções de demônios voadores, de modo a assustar seus paroquianos.



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7 de maio de 2014

Nephilim

۞ ADM Berserker



"Quando os homens começaram a se multiplicar na terra e lhes nasceram filhas, os seres divinos viram o quão belas eram as filhas dos homens e tomaram esposas dentre aquelas que os agradavam. Foi então, e também depois, que os Nephilim apareceram sobre a terra – quando os seres divinos coabitaram com as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Eles foram os heróis de antigamente, os homens de renome." (Torah / Livro do Gêneses 6.2-4)
Os Nephilim são uma raça hibrida nascida provavelmente da união de humanos e anjos. Geralmente retratadas como pessoas gigantes e/ou dotadas de grandes poderes sobrenaturais, eles habitaram a Terra no período antediluviano reinando sobre os humanos comuns. A origem da palavra Nephilim é desconhecida, mas pode derivar dos termos hebraicos naphal (cair) e phala (extraordinário). Então Nephilim pode significar literalmente "Os decaídos" ou “Os que caem”.

Aceitando esse significado como correto, tal denominação estaria intimamente ligada à origem dessas criaturas. Na passagem bíblica do Livro de Gênesis 6:4 ("Haviam naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Elohim adentraram as filhas dos homens e delas geraram filhos; estes gigantes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama") a sentença "os filhos de Elohim (Deuses e Deusas)" refere-se claramente a seres celestiais, chamados de “seres divinos” na tradução judaica do inicio desse post. Estes anjos-caídos teriam entrado em união sexual com mulheres humanas e seus descendentes foram seres gigantescos, os Nephilim. 



Nephilim seriam, portanto, análogos a semideuses gregos como Héracles e Aquiles (Também considerados de porte gigantesco pelos gregos clássicos) e do herói sumério Gilgamesh (Tido como parte deus, parte mortal).

De acordo com a tradição judaico-cristã, os Nephilim eram extremamente fortes, mediam mais de 3 metros (alguns historiadores chegam a dizer que na verdade eram os filhos dos Nephilim com humanos que mediam cerca de 3 metros, pois os de “sangue-puro” chegavam a medir muito mais que isso), possuíam uma enorme capacidade psíquica e poderes alguns místicos. Eles realizavam experiências fora do corpo, levitação, controle da mente, leitura da mente e visão remota. Eles tinham o poder de pronunciar e remover maldições e tinham formas de conhecer e predizer o futuro.



Quando os Nephilim fixaram seu devido lugar na sociedade humana, como seres superiores e dignos de liderar, foi então que o potencial destrutivo e a natural malignidade humana se potencializaram usando o imenso poder dos Nephilim como catalizador.

Irritado com o caos e a destruição que se espalhavam desenfreadamente pelo mundo, Deus se arrependeu de sua criação e iniciou o processo de extermínio da humanidade e de todos os demais monstros que habitavam a Terra. Por meio de forças naturais, o grande Diluvio, o mundo humano se findou.



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6 de maio de 2014

Balaur

۞ ADM Sleipnir



O Balaur (plural: Balauri) é uma fantástica e poderosa criatura da mitologia romena, vista como a personificação do mal. A maioria das histórias o descrevem como um dragão com asas de morcego e com várias cabeças, que variam em número de três a doze, mas alguns contos retratam-lo com uma única cabeça ou uma cabeça na frente e outra no final de sua cauda. Muitas vezes, o Balaur foi descrito como uma criatura de proporções épicas, que "planta seus passos na montanha e toca o céu violeta com sua crista elevada. "

Em muitas histórias, os Balauri são descritos como serpentes que sofreram uma transformação após passarem por longos períodos de isolamento subterrâneo. Essas serpentes transformadas em Balauri possuem uma cabeça extra para cada ano que permaneceram em isolamento. Algumas lendas atribuem a eles a habilidade comum aos dragões de cuspir fogo, mas outras atribuem a eles a capacidade de influenciar o tempo e conjurar trovões, relâmpagos e granizo. Ainda mais incomum é sua habilidade de produzir pedras preciosas a partir de sua saliva. Embora ajam de acordo com a sua natureza bestial, em muitos contos os Balauri possuem a capacidade de falar e raciocinar.

Enquanto lendas de dragões aparecem em muitas culturas, os Balauri são distintos do folclore romeno. Como tal, as primeiras histórias sobre eles eram transmitidas através da tradição oral. Somente anos mais tarde esses contos começaram a ser escritos e impressos. Coleções de Mitologia por Petre Ispirescu no século 19 reuniram muitos dos mitos romenos, incluindo os dos balauri, e outros escritores seguiram os passos de Ispirescu, criando  livros sobre várias lendas romenas.



A maioria das histórias envolvendo um Balaur retratam o conflito contra seu inimigo, Făt Frumos, uma espécie de "Príncipe Encantado" romeno. Ele é uma figura heróica, bondosa e bela, e juntamente com os balauri, figuram em muitos contos diferentes. Esses contos possuem várias interpretações seguidas de temas semelhantes, com o Balaur trazendo perigo para a terra e Făt Frumos atuando como defensor do povo. Făt Frumos na maioria das vezes luta para defender a bela donzela que se tornará sua noiva e, geralmente, derrota o Balaur em questão. 

Curiosidades

  • Assim como muitos dragões da mitologia mundial, os Balauri muitas vezes guardam um grande tesouro;
  • Algumas lendas contam que todo aquele que conseguir matar um Balaur terá seus pecados perdoados;
  • Seja intencional ou não, existem alguns elementos cristãos interessantes presentes nas lendas dos balauri, com a serpente do mal, o herói valente, e a noiva escolhida, bem como paralelos com outros contos presentes em várias partes do mundo;
  • Cientistas romenos encontraram no ano de 2009 fósseis pertencentes à um novo tipo de dinossauro, que foi batizado com o nome "Balaur bondoc" , em homenagem ao mítico dragão. Embora fosse relativamente pequeno, o Balaur dinossauro era uma besta poderosa e destrutiva.


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5 de maio de 2014

Ratatoskr

۞ ADM Sleipnir



Na mitologia nórdica, Ratatoskr (ou "dente perfurador"), algumas vezes anglicizado como Ratatosk, é um esquilo que corre acima e abaixo na árvore mundo Yggdrasil.. Em particular, ele transporta mensagens entre a águia Hresvelgr (ou Vedrfolnir, segundo a Edda em Prosa), que fica no topo de Yggdrasil e o dragão Nidhogg que fica sob suas raízes. No entanto, Ratatoskr é displicente com suas mensagens e tende a relatar algo bem diferente do que lhe foi dito, criando desarmonia entre a águia e o dragão.

Ratatoskr é citado na Edda Poética: Grímnismál, onde o deus Odin (disfarçado como Grímnir) explica:

"Ratatoskr se chama o esquilo,
que correrá
no freixo Yggdrasill;
as palavras da águia
ele deverá carregar de cima
e relatar para Niðhöggr abaixo."


Ratatoskr também é descrito no capítulo 16 da Edda em Prosa Gylfaginning:

Uma águia está no topo do freixo, e tem conhecimento de muitas coisas. Entre seus olhos se senta o falcão chamado Vedrfolnir [...]. O esquilo chamado Ratatosk [...] corre para cima e para baixo dos freixos. Ele conta fofocas e insultos, provocando a águia e Nidhogg. 



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3 de maio de 2014

A Edda Poética: Parte XIV - Baldrs Draumar

۞ ADM Sleipnir

Tradução e notas de Márcio Alessandro Moreira.


Baldrs Draumar ("Os Sonhos de Baldr") ou Vegtamskviða ("A Canção de Vegtamr") é um poema Eddico, contido no manuscrito AM 748 I 4to. Esse mito tem estreita ligação com a morte de Baldr, no Gylfaginning. Esse poema contém 14 estrofes, mais outros manuscritos tardios acrescentam mais 5 estrofes.


Baldrs Draumar


01-Logo todos os Æsir
estavam juntos na Þing*
e todas as Ásynjur*
em debate,
os poderosos Tívar*
debatiam
por que Baldr
tinha sonhos funestos.

02-Óðinn, o velho Gautr*,
se levantou,
e colocou a sela
sobre Sleipnir;
ele cavalgou para abaixo
de Niflhel;
ele encontrou o cão,
que está na entrada de Hel*.

03-O seu peito estava
avermelhado de sangue
e ele latiu por muito tempo
para o pai dos Galdrar*;
Óðinn cavalgou adiante,
a terra trovejava,
e ele chegou ao alto
salão de Hel.

04-Então Óðinn cavalgou
para a porta oriental,
porque ele sabia que
a [tumba da] Völva* estava ali;
sábio em feitiçaria,
ele começou a cantar Valgaldr*
até o corpo ser forçado
a se levantar e falar.

05-"Que homem é esse
quem eu não conheço
que tem aumentado
meu sofrimento por sua jornada?
Eu estava coberta de neve,
e batida pela chuva,
e encharcada com orvalho,
eu á muito tempo estava morta."
Óðinn disse:

06-"Eu sou chamado Vegtamr,
sou filho de Valtamr*;
diga-me de Hel,
eu sou um homem da terra:
para quem é o banco
coberto com anéis,
na bela câmara que flui
com ouro?"

A Völva disse:
07-"Aqui está o hidromel
preparado para Baldr,
um escudo se deita
sob a clara bebida,
o povo Æsir
está em desespero*;
eu falo por necessidade,
mas agora eu estou calada."

Óðinn disse:
08-"Não ti silencie Völva,
eu ti questionarei
até eu aprender tudo
que eu quero saber:
quem será
a ruína de Baldr
e roubará a vida
do filho de Óðinn?"

A Völva disse:
09-"Höðr disparará o grande
galho fatal,
ele será a ruína
de Baldr
e roubará a vida
do filho de Óðinn;
eu falo por necessidade,
mas agora eu estou calada."

Óðinn disse:
10-"Não ti silencie Völva,
eu ti questionarei
até eu aprender tudo
que eu quero saber:
quem combaterá Höðr,
e mortalmente se vingará
da ruína de Baldr*
e o enviará para a pira?"

A Völva disse:
11-"De Rindr nascerá Váli,
nos salões ocidentais,
este será o filho de Óðinn,
que irá matá-lo com uma noite de idade:
ele não lavará suas mãos,
nem penteará seu cabelo,
até colocar sobre a pira
o inimigo de Baldr*;
eu falo por necessidade,
mas agora eu estou calada."

Óðinn disse:
12-"Não ti silencie Völva,
eu ti questionarei
até eu aprender tudo
que eu quero saber:
quem são as donzelas
que chorarão
e para o céu
lançarão os seus véus*?"

A Völva disse:
13-"Tu não és Vegtamr,
como eu pensava,
mas tu és Óðinn,
o velho Gautr."
Óðinn disse:
"Tu não és Völva,
nem mulher sábia,
mas tu és a mãe
dos três Þursar*."

A Völva disse:
14-"Cavalgue para o lar Óðinn,
e seja orgulhoso,
nenhum homem virá mais
me chamar novamente,
até Loki se libertar,
e se soltar das amarras,
e a destruição
do Ragnarökr virá."


Notas do Baldrs Draumar:
  • 01/2* Þing é a assembleia dos povos nórdicos.
  • 01/3* Ásynjur são as Deusas.
  • 01/5* Tívar são os Deuses.
  • 02/1* Gautr é traduzido como "Deus", em varias versões desse texto, mas é outro nome de Óðinn.
  • 02/8* O cão de Hel é Garmr.
  • 03/4* Galdrar significa "Feitiços", Óðinn é o "Pai dos Feitiços".
  • 04/4* Völva significa "Vidente" ou "Profetisa".
  • 04/6* Valgaldr significa "Canções da Morte".
  • 06/2* Vegtamr é outro nome de Óðinn, Valtamr aparentemente é outro nome de Burr ou Borr (o pai de Óðinn).
  • 07/6* Outra tradução é possível: "... está orgulhoso". Provavelmente indicando a recente habilidade adquirida de Baldr, ou seja, a sua invulnerabilidade.
  • 10/7* A ruína de Baldr é Höðr.
  • 11/8* O matador de Baldr é Höðr.
  • 12/8* Possivelmente se refere às Ásynjur ou Dísir ou Nornir ou outras divindades femininas.
  • 13/8* Essa referência parece confirmar que ela é Angrboða que é a mãe de Fenrir,
  • Jörmungandr e Hel.
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Ruby