12 de maio de 2014

Khnum

۞ ADM Sleipnir
Khnum ( Khnemu , Khenmu , Khenmew , Chnum ) foi um dos mais antigos deuses do Egito, sendo originalmente um deus da água, que se acreditava governar sobre toda a água, incluindo os rios e lagos do submundo. Ele foi descrito como um carneiro, um homem com a cabeça de um carneiro ou um homem com os chifres de um carneiro. Ele era (muito raramente) representado com a cabeça de um falcão, indicando sua conexão com o deus Rá. Ele muitas vezes usa a coroa de plumas brancas do Alto Egito e era por vezes, representado segurando um jarro com água fluindo para fora. Ocasionalmente, Khnum é representado com quatro cabeças de carneiro (representando o deus sol Ra, o deus do ar Shu, o deus da terra Geb e Osíris, o deus do submundo). Nesta forma, ele era conhecido como Sheft -hat.

Khnum era uma divindade associada ao rio Nilo, e fazia com que a sua inundação depositasse lodo preto suficiente nas margens do rio para torná-las férteis. O lodo também formava o barro, a matéria-prima necessária para fazer cerâmica. Como resultado, ele estava intimamente associado com a arte da cerâmica. 

Khnum é responsável pela criação da raça humana e de todos os outros deuses, devido à sua grande habilidade na roda do oleiro, onde ele cuidadosamente criou e moldou cada ser.  Também é atribuída a ele a criação do "Ovo Primordial",  a partir do qual Rá surgiu. Além de criar o corpo e o "ka" (espírito) de cada recém-nascido, ele os abençoava para que fossem saudáveis. 


Khnum também era uma divindade protetora dos mortos, semelhante à Anúbis. Magias invocando a ajuda de Khnum podem ser encontradas no Livro dos Mortos e em muitas das coração- escaravelhos enterrados com os mortos, porque acreditava-se que ele poderia ajudar o falecido a obter uma sentença favorável no Julgamento de Ma'at .

Khnum é um dos deuses que auxiliavam Rá em sua jornada noturna através do submundo. Ele teria criado o barco que transportava Rá e ajudou a defender o deus do sol contra a serpente Apep. No entanto, ele às vezes era considerado o "ba" de Ra, porque a palavra para " carneiro " em egípcio também foi "ba" . Quando Khnum foi fundido com Ra para formar a divindade composta Khnum-Ra, esta divindade foi associada à Nun ( que representava as águas primevas) , e recebeu o epíteto Hap-ur (" grande Nilo " ou " Nilo do céu ") .



Culto

O culto de Khnum estava centrado na ilha de Abu ( Elefantina primeiro nomo do Alto Egito ), onde ele foi adorado desde o período Dinástico. Durante o Novo Império, ele era adorado lá como o líder de uma tríade formada por ele, sua esposa Satet e sua filha Anuket . Ele também era adorado em Esna (Iunyt), onde ele foi pensado ser casado com  Menhet e Nebtu ( uma deusa local) e era o pai de Heka (deus da magia conhecido como "Aquele que Ativa o Ka ") . Ele também foi pensado ser o marido de Neith em Esna. Em Antinoe (Her-wer), ele era casado com Heqet, a deusa-sapo associada ao parto e concepção. Ele foi associado com Her-shef em Herakleopolis Magna, e era frequentemente associado com Osíris. Khnum às vezes era associado com Isis para representar o Alto Egito, assim como Ptah- Tanen foi associado com Néftis para representar o Baixo Egito.




Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

10 de maio de 2014

A Edda Poética: Parte XV (FINAL) - Rígsþula

۞ ADM Sleipnir

Traduçaõ e notas de Márcio Alessandro Moreira.


O Rígsþula ("A Canção de Rígr") é um poema Eddico encontrado apenas no Codex Wormianus que é um dos manuscritos da Edda em Prosa de Snorri Sturlusson. Infelizmente esse poema hoje está incompleto e narra à saga sobre como Rígr (Heimdallr) fundou as bases da sociedade humana. Embora muitos estudiosos especulassem que Rígr talvez não seja Heimdallr, o poema Völuspá parece confirmar essa associação, onde os homens são chamados de "filhos de Heimdallr" (Völuspá 01/4). Rígsþula também é conhecido como Rígsmál ("Os Dizeres de Rígr").

Rígsþula

Assim dizem os homens em antigas sagas, que um dos Æsir, que é chamado Heimdallr, viajando em suas jornadas duma certa praia do mar, chegou a uma fazenda e se chamou Rígr*. Depois essa saga é cantada assim:

01-Em tempos antigos dizem que passou
por caminhos verdes,
poderoso e antigo,
o sábio Áss,
forte e bravo,
Rígr, caminhando.

02-Ele foi ao
meio do caminho*;
ele chegou a uma casa,
a porta estava no batente;
ele foi para dentro,
o fogo estava no chão;
um homem e uma mulher se sentavam ali,
grisalhos, na lareira,
Ái e Edda*,
cobertos com um capuz*.

03-Rígr sabia que
conselhos dizer;
ali se sentou
no meio,
e em ambos os lados
estavam o casal domestico.

04-Então Edda pegou
um pedaço de pão,
grande e grosso,
com farelos;
ela trouxe, além disso,
para o meio da mesa,
caldo* numa tigela,
ela sentou-se a mesa;
o bezerro cozido estava
o mais delicioso.

05-Rígr sabia que
conselhos dizer;
então ele se levantou dali,
pronto para dormir*;
ele logo foi
para o meio da cama,
e em ambos os lados
estavam o casal domestico.

06-Ali ele ficou
junto por três noites,
então ele foi
para o meio do caminho;
nisso se passaram
nove meses.

07-Uma criança gerou Edda,
na água o mergulharam*,
-- -- --
-- -- --*
de pele escura*,
e o chamaram de Þræll*.
08-Ele cresceu
e floresceu bem;
ali estavam rugas
em suas mãos,
articulações tortas,
-- -- --*
dedos robustos,
face medíocre,
costas encurvadas,
longos calcanhares.

09-Ele começou com isso,
a tentar sua força,
amarrou cordas*,
carregou cargas;
com isso ele carregava para lar
arbustos ao longo do dia.

10-Lá na habitação veio
uma serva andando,
ela estava com barro na sola dos pés,
braços queimados pela Sól*,
o nariz era curvado,
denominada Þír*.

11-No meio,
ela se sentou;
ela se sentou ao lado
do filho da casa;
falando e conversando,
prepararam a cama
Þræll e Þír,
em melancólicos dias.

12-Eles tiveram crianças,
- e eles viveram felizes, -
eu creio que as crianças se chamavam
Hreimr e Fjósnir,
Klúrr e Kleggi,
Kefsir, Fúlnir,
Drumbr, Digraldi,
Dröttr e Hösvir,
Lútr e Leggjaldi*;
eles faziam cercas,
colocavam estrume no campo,
alimentavam os porcos,
guardavam as cabras,
escavavam a turfa.

13-Suas filhas eram
Drumba e Kumba,
Ökkvinkalfa
e Arinnefja,
Ysja e Ambátt,
Eikintjasna,
Tötrughypja
e Trönubeina*.
Daí veio
à família dos escravos*.

14-Nisso Rígr foi
a caminhos retos,
ele chegou a um salão,
a porta estava semi-aberta,
ele foi para dentro,
havia fogo sobre o pavimento,
um casal se sentava ali,
ocupados com o trabalho.

15-O homem fazia ali
uma vara de tear de madeira;
a barba estava formada,
o cabelo estava volumoso em sua testa,
sua túnica apertada,
uma arca estava no chão.

16-Ali se sentava uma senhora,
girando uma roca de fiar,
com braços estendidos,
fazendo roupas;
um capuz estava sobre sua cabeça,
usando um guarda-pó sobre o peito,
um manto estava sobre o pescoço,
e um broche sobre os ombros.
Afi e Amma*
eram os donos da casa.

17-Rígr sabia que
conselhos dizer;
[ele se sentou
no meio,
e em ambos os lados
estavam o casal domestico].

18-[Então Amma pegou
-- -- --*
o bezerro cozido estava
o mais delicioso.]

19-[Rígr sabia que
conselhos dizer;]
ele se levantou da mesa,
pronto para dormir;
ele logo foi
para o meio da cama,
e em ambos os lados
estavam o casal domestico.

20-Ali ele ficou
junto por três noites;
[então ele foi
para o meio do caminho;]
nisso se passaram
nove meses.

21-Uma criança gerou Amma,
na água o mergulharam,
chamando-o Karl*,
a mulher agasalhou-o com roupas,
ele era [de rosto] avermelhado e ruivo,
com olhos trêmulos*.

22-Ele cresceu
e floresceu bem,
domesticou bois,
construiu o arado,
edificou casas de madeira
e construiu celeiro,
construiu a carroça
e conduzia o arado.

23-Então para essa casa se dirigiu
uma noiva com chaves balançado no cinto*,
com túnica de pele de cabra,
e se deu [em casamento] para Karl;
ela se chamava Snör*,
e se sentava coberta com um véu;
o casal viveu junto,
trocaram anéis,
cobriram-se com lençóis
e fizeram um lar.

24-Eles tiveram crianças,
- e viveram felizes, -
chamados de Halr e Drengr,
Hölðr, Þegn e Smiðr,
Breiðr, Bóndi,
Bundinskeggi,
Búi e Boddi,
Brattskeggr e Seggr*.

25-Mas assim que se chamavam
os nomes das outras,
Snót, Brúðr, Svanni,
Svarri, Sprakki,
Fljóð, Sprund e Víf,
Feima, Ristill*.
Daí veio
à família dos homens rústicos*.

26-Nisso Rígr foi
a caminhos retos;
ele chegou a um salão,
com a porta em direção ao sul,
a porta estava semi-fechada,
havia um anel no batente da porta.

27-Nisso ele entrou,
o pavimento estava coberto com palha;
o casal estava sentado,
olhando-se com os olhos,
Faðir e Móðir*,
que brincava com os dedos.

28-O homem da casa estava sentado
e enrolava o fio,
na curva do arco,
e preparava flechas;
mas a esposa
olhava em seus próprios braços,
alisando as roupas,
dobrando as mangas.

29-Ela tinha um véu,
havia um broche em seu peito,
um longo vestido,
uma camisa azul;
sobrancelhas brilhantes,
seios iluminados,
e pescoço branco,
mais puro do que a neve.

30-Rígr sabia que
conselhos dizer;
ele se sentou
no meio,
e em ambos os lados
estavam o casal domestico.

31-Então Móðir pegou
um pano bordado,
de linho branco,
cobriu a mesa,
nisso ela pegou
um pão fino,
de trigo branco,
e colocou sobre o pano da mesa.

32-Adiante ela trouxe
pratos cheios,
cobertos* com prata,
--* na mesa
com presunto branco
e pássaros assados,
o vinho estava no jarro,
os copos eram trabalhados;
bebiam e conversava,
o dia estava no fim.

33-Rígr sabia que
conselhos dizer;
nisso ele se levantou,
e preparou a cama.
Ali ele ficou
junto por três noites;
então ele foi
para o meio do caminho;
nisso se passaram
nove meses.

34-Um garoto gerou Móðir,
em seda embrulhou-o,
na água o mergulharam,
colocaram-lhe o nome de Jarl*;
louro* era o seu cabelo,
sua face brilhante,
e olhos penetrantes
como as das jovens serpentes.

35-Ali cresceu
Jarl, no salão,
aprendeu a sacudir o escudo,
colocar corda,
em arcos curvados,
pontas nas flechas,
atirar dardos,
sacudir a lança,
cavalgar cavalos,
caçar com cães*,
manejar a espada,
e a nadar.

36-Ali do bosque veio
Rígr andando,
Rígr andando,
ensinou-lhe runas,
transmitiu-lhe o seu nome*,
chamou-o de seu próprio filho;
ele pediu para este para que possuísse
seu patrimônio,
o patrimônio
de antigas habitações.

37-Dali ele cavalgou
através da Myrkviðr*,
sobre montanhas cinzentas,
até que ele chegou em um salão;
ele sacudiu a lança,
brandiu seu escudo,
cavalgou seu cavalo
e atirou sua espada,
guerras ele levantou,
planícies avermelhou*,
derrubou corpos,
lutou por terras.

38-Nisso ele governou sozinho
dezoito salões,
riquezas conseguiu acumular,
doou a todos
os tesouros e preciosidades,
e belos cavalos;
anéis ele distribuiu,
e cortou em pedaços os braceletes*.

39-Seus mensageiros se dirigiram
para úmidos caminhos,
chegando a um salão,
onde habitava Hersir*,
ele tinha uma filha
de dedos finos,
branca e sábia,
chamada Erna*.

40-Pediram por ela*
e se dirigiram ao lar,
e a deram [em casamento] para Jarl,
ela foi coberta com linho;
eles viveram juntos
e estavam felizes,
tiveram uma família
e viveram felizes.

41-Burr era o mais velho,
e Barn o segundo,
Jóð e Aðal,
Arfi, Mögr,
Niðr e Niðjungr,
- que se ocupavam com jogos, -
Sonr e Sveinn,
- nadavam e jogavam, -
um se chamava Kundr,
Konr* era o mais jovem.

42-Ali cresceram
os filhos de Jarl,
treinando cavalos,
empunhando escudos,
cortando flechas,
e sacudindo os freixos*.

43-Mas o jovem Konr
conhecia as runas,
runas eternas
e runas da vida;
ele conhecia mais,
que ajudavam os homens,
embotava as espadas,
e acalmava o mar.

44-Conhecia o canto dos pássaros,
aquietava o fogo,
adormecia as mentes*,
acalmava as tristezas,
ele tinha a força e resistência
de oito homens*.

45-Ele e Rígr Jarl
compartilharam runas,
mediram-se suas habilidades com ele
e sabia mais,
então venceu
e pode se dar
o nome de Rígr*,
o conhecedor das runas.

46-O jovem Konr cavalgou
pelos bosques e florestas,
atirou dardos,
aquietou pássaros.

47-Então um corvo disse isso,
que estava pousado num galho:
"Por que, jovem Konr,
tu aquieta pássaros?
Em vez disso tu poderias
cavalgar cavalos,
[manejar espadas]
e matar heróis*."

48-"Danr e Danpr*
possuem um querido salão,
altas propriedades,
mais do que tu tens;
eles sabem bem
conduzir um navio,
a usar a lâmina,
e fazer feridas*."


Notas do Rígsþula:

  • *Rígr possivelmente significa "Rei" e está certamente associado com a palavra em irlandês arcaico "ri" ou "rig" com o mesmo significado. A palavra "ríkr" em nórdico arcaico também pode ter relação, pois significa "governante" ou "poderoso".
  • 02/2* Miðgarðr.
  • 02/9* Ambos significam "Bisavô" e "Bisavó".
  • 02/10* Edda, Amma e Móðir aparecem todas cobertas com um capuz ou véu.
  • 04/7* Esse caldo era feito com a água que era cozinhada com a carne.
  • 05/4* O manuscrito tem a ordem dessas estrofes invertidas e aqui elas estão rearranjadas.
  • 07/2* Essa prática é o Ausa Vatni ("Mergulhar nas Águas"), que é um tipo de batismo pagão.
  • 07/4* O manuscrito parece indicar uma lacuna.
  • 07/5* Pele e cabelos escuros parecem indicar origem estrangeira entre os escandinavos. Saxo Grammaticus na Gesta Danorum relata que Haddingus ofertava vítimas negras em honra de Freyr. Esse festival anual era conhecido como Frøblót ("Sacrifício de Freyr").
  • 07/6* Significa "Escravo".
  • 08/6* O manuscrito parece indicar uma lacuna.
  • 09/3* Cordas feitas de certas árvores.
  • 10/4* O Sol ("Sól") é feminino no norte e a Lua ("Máni") é masculino.
  • 10/6* Þír significa "Mulher Servente".
  • 12/9* Os nomes significam: Hreimr ("Aquele Que Fala Alto"), Fjósnir ("Homem do Gado"), Klúrr ("Grosseiro"), Kleggi ("Mosca de Cavalo?"), Kefsir ("Guardião de Concubina"), Fúlnir ("Fedorento"), Drumbr ("Tronco"), Digraldi ("Gordo"), Dröttr ("Preguiçoso"), Hösvir ("Cinzento"), Lútr ("Aquele Que Está Sentado") e Leggjaldi ("Perna Longa").
  • 13/8* Os nomes significam: Drumba ("Tora"), Kumba ("Toco"), Ökkvinkalfa ("Pernas Gordas"), Arinnefja ("Que Cheira a Simples"), Ysja ("Barulhenta"), Ambátt ("Servente"), Eikintjasna ("Cavilha de Carvalho?"), Tötrughypja ("Vestida em Trapos") e Trönubeina ("A Que Estica as Pernas?").
  • 13/10* Em nórdico arcaico "Þræla Ættir".
  • 16/9* Ambos significam "Avô" e "Avó".
  • 18/2* O manuscrito está incompleto.
  • 21/3* Significa "Homem (Rústico)" ou "Camponês".
  • 21/6* É de se notar uma leve semelhança na descrição de Karl com o Deus Ruivo Þórr. Ambos possuem pele avermelhada, cabelos ruivos e modos rústicos.
  • 23/2* No poema Þrymskviða é dito que quando Þórr se disfarçou de Freyja usou chaves em seu cinto quando foi para Jötunheimr.
  • 23/5* Significa "Nora".
  • 24/8* Os nomes significam: Halr ("Homem"), Drengr ("O Forte"), Hölðr ("Proprietário"), Þegn ("Homem Livre"), Smiðr ("Artesão"), Breiðr ("O De Amplos Braços"), Bóndi ("Fazendeiro"), Bundinskeggi ("O De Barba Dividida"), Búi ("Vizinho"), Boddi ("Proprietário de Fazenda"), Brattskeggr ("O Que Carrega Grande Barba") e Seggr ("Homem").
  • 25/6* Os nomes significam: Snót ("Digna"), Brúðr ("Noiva"), Svanni ("A Esbelta"), Svarri ("A Orgulhosa"), Sprakki ("A Bela"), Fljóð ("Mulher?"), Sprund ("A Orgulhosa"), Víf ("Esposa"), Feima ("A Tímida") e Ristill ("A Graciosa").
  • 25/8* Em nórdico arcaico "Karla Ættir".
  • 27/5* Ambos significam "Pai" e "Mãe".
  • 32/3* Trabalhados.
  • 32/4* O manuscrito está danificado, mas acredita-se que a estrofe começava assim: "... os colocou..."
  • 34/4* Significa "Nobre". É de se notar que os chefes eram associados com a sabedoria das runas e ao culto de Óðinn.
  • 34/5* Os cabelos são um tom louro esbranquiçado.
  • 35/10* Estrofe meio difícil de se interpretar, pode ser uma alusão ao treinamento do cão para a caça ou de puxar o trenó.
  • 36/5* Heimdallr dá seu título de Rígr para seu filho Jarl.
  • 37/2* Significa "Floresta Negra".
  • 37/10* Com o sangue dos inimigos.
  • 38/8* Isso servia como dinheiro em tempos antigos na Escandinávia.
  • 39/4* Significa "Senhor". Em antigos dias antes do estabelecimento de um reino na Noruega, Hersir era tido como um chefe local e possuía grande autoridade.
  • 39/8* Significa "A Capaz".
  • 40/1* Pediram o consentimento para o pai dela (ou dela própria) para poder se casar
  • com Jarl.
  • 41/10* Os nomes significam: Burr ("Filho"), Barn ("Criança"), Jóð ("Criança"), Aðal ("Descendência"), Arfi ("Herdeiro"), Mögr ("Filho"), Niðr ("Descendente"), Niðjungr ("Filho"), Sonr ("Filho"), Sveinn ("Garoto"), Kundr ("Parente") e Konr ("Filho").
  • 42/6* Lanças.
  • 44/3* Também é traduzido como "adormecer o mar".
  • 44/6* Esses encantamentos são muitos semelhantes aos que são descritos no Hávamál.
  • 45/7* Konr e seu pai Rígr-Jarl mediram conhecimentos rúnicos e terminou com a vitória de Konr. Com isso ele passou a usar o título de Rígr depois de seu pai. Isso talvez indique que o filho era capaz de suceder o pai e que a herança era passada de pai
  • para filho.
  • 47/8* Também pode ser traduzido como guerreiros ou exércitos.
  • 48/1* Acredita-se que o Rígsþula possa ter sido redigido na Dinamarca. Fragmentos da Skjöldunga Saga afirmam que Rígr (ou Rigus) era casado com Dana, a filha de Danpr, o senhor de Danpsted. Conta-se que quando ele ganhou o título real de sua província, ele deixou isso como herança para Danr (ou Danum), seu filho com Dana, de onde vieram os Dinamarqueses.
  • 48/8* É uma pena, mas o manuscrito termina abruptamente.



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

9 de maio de 2014

Erchitu

۞ ADM Sleipnir


O Erchitu (ou Boe Mulliache) é uma criatura lendária da tradição da Sardenha. De acordo com as antigas lendas da região, um homem que cometeu um grave pecado se transformaria durante as noites de lua cheia em um enorme touro branco com dois grandes chifres. A criatura vaga pelas ruas até parar em frente a uma casa, onde ela ruge três vezes. Seu rugido é tão alto que pode ser ouvido por todos os habitantes da ilha, e de acordo com a tradição, o dono da casa onde o Erchitu rugiu está condenado a morrer dentro de um ano. 

Às vezes, o Erchitu é dito ser acompanhado por demônios, que acendem duas velas sobre os seus chifres e também o espetam com espetos quentes. 

Com o nascer do sol, o Erchitu volta a sua forma original, porém volta a se transformar na próxima lua cheia. Um Erchitu só pode libertar-se de sua maldição quando alguém corajoso e forte for capaz de apagar as velas em seu chifre com um sopro, ou capaz de cortar os chifres de sua cabeça com um golpe preciso.

Uma história popular conta que certa vez um grupo de pessoas capturaram um Erchitu e o prenderam em um celeiro, prendendo-o à gancho de ferro. Na manhã seguinte, para se certificar de que o touro não havia escapado, foram até o celeiro verificar, e ao invés de encontrarem o touro, encontraram apenas um homem chorando pendurado ao gancho.



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

8 de maio de 2014

Pérák, o "Homem Mola" de Praga

۞ ADM Sleipnir




Pérák, o "Homem Mola" de Praga, é um personagem de uma lenda urbana proveniente da cidade de Praga, durante a ocupação Alemã da Tchecoslováquia na Segunda Guerra Mundial. Nas décadas seguintes a guerra, Pérák também foi retratado como um super-herói Tcheco. Sua aparência e comportamento são muito similares ao Spring-Heeled Jack ("Jack calcanhar de mola") das lendas britânicas. A razão para a sua alcunha de Homem Mola era a sua capacidade de saltar por cima de estruturas altas, supostamente com a ajuda de molas ou algum outro dispositivo.

História

Durante os dias mais sombrios da ocupação nazista da Tchecoslováquia , um estranho rumor surgiu na capital: O misterioso Pérák era dito assombrar os becos e telhados da cidade de Praga, atacando soldados nazistas e fugindo logo em seguida.



Alguns relatórios afirmavam que Pérák tinha sido visto pulando de um lado para o outro sobre trens em alta velocidade e até mesmo atravessar o rio Vitava, voando pelo ar "como uma peteca", antes de desaparecer na noite ao som de um assobio agudo e sobrenatural. Grafites anti-nazistas atribuídos à Pérák começaram a surgir por toda a cidade, muitas vezes pintados em pontos destacados, mas aparentemente inacessíveis para pessoas comuns.

Temendo um encontro com o misterioso homem, operários se tornaram relutantes a trabalhar em turnos noturnos, diminuindo assim a produção de munições dos  alemães. Gradualmente, em um ambiente de paranóia e desconfiança da mídia oficial, os rumores transformaram a figura de Pérák em um símbolo da resistência tcheca e de sabotagem contra o regime nazista. Essas histórias se espalharam inexoravelmente através de cidades periféricas e aldeias rurais, ganhando magnitude e força.

Enquanto a maioria das pessoas aceitavam que Pérák era simplesmente uma manifestação do medo tcheco e do ressentimento contra os invasores nazistas - um produto do imaginário coletivo - alguns insistiam que ele era uma pessoa real, talvez um acrobata de circo, um pára-quedista britânico ou agente secreto americano. Ainda haviam outros que acreditavam que ele fosse um fantasma.



Logo após a libertação de Praga pelas forças russas em maio de 1945, os cartunistas tchecos Jiri Brdečka e Jiří Trnka produziram um filme de animação de 14 minutos chamado Pérák a SS ( "Homem Mola e a SS" ). Este filme inovador e surrealista retrata Pérák como um heróico limpador de chaminés vestido de preto, e equipado com sapatos da mola, desafiando tanto a Gestapo quanto um colaborador aleatório de Hitler. A mesma equipe criativa seguiu com uma popular série de quadrinhos de jornal chamada Pérákovi osudy další ("Os Outros Destinos de Pérák").

Conforme as representações de Pérák na cultura pop foram desencorajadas sob o novo regime comunista na Tchecoslováquia, o Homem Mola tornou-se um assunto de curiosidade acadêmica. Em seu estudo no ano de 1960 sobre o caso de Pérák como folclore urbano, o etnógrafo Dr. Miloš Pulec descobriu que uma história sobre um  "fantasma saltitante", pré-datava a ocupação alemã de Praga, estendendo-se, pelo menos, já em 1920 e, possivelmente, originada no século 19 .

Curiosamente, essa tradição foi primeiramente associada a uma série de rumores fraudulentos propagados por sacristões da Igreja Católica Romana, no noroeste da Boêmia. Preocupados com um "surto de ateísmo " entre as comunidades mineiras, alguns sacristões teriam se disfarçado de "demônios saltitantes" , ou até mesmo empregado "lanternas mágicas" com projeções de demônios voadores, de modo a assustar seus paroquianos.



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!
Ruby