16 de julho de 2014

Ptah

۞ ADM Sleipnir



Ptah (Pteh, Peteh) é um deus egípcio primordial da criação, segundo a cosmogonia de Mênfis. Era o deus dos artesãos e arquitetos. A origem de seu nome não é clara, mas supõe-se que a tradução correta seja "abridor" (por causa de sua ligação com a Cerimônia de Abertura da Boca) ou "escultor" (por ele ser o deus dos artesãos). Ptah é associado somente a construção de materiais físicos e sem vida, e por isso era comparado com o deus grego Hefesto.

Características


Ptah é descrito como um homem mumificado, com as mãos segurando um cetro formado pelos símbolos ankh, was e djed (vida, força e estabilidade, respectivamente). Ele geralmente fica sobre um pedestal que também era um dos símbolos hieróglifos usados ​​para escrever o nome de Ma'at (que representava a justiça) e era a mesma forma que uma ferramenta usada por pedreiros e arquitetos para formar uma borda reta. Quando ele é retratado como Ptah-Sokar-Osíris, ele usa um disco solar com chifres de carneiro retorcidos e plumas longas ou a coroa atef. Estátuas dele nesta forma freqüentemente incluem uma cópia de magias do Livro dos Mortos. 



Atributos

Ptah é frequentemente descrito como uma divindade auto-criada, que concebeu o mundo em sua mente e o criou a partir de sua fala (identificando-o com Thoth). Ele era o patrono dos escultores, pintores, pedreiros e carpinteiros, dentre outros artesãos e acreditava-se que ele inventou a alvenaria. É provável que Ptah seja o modelo para a idéia de Deus como o grande arquiteto, tão popular na mitologia maçônica e alguns ramos da teologia cristã, ou como o Livro dos Mortos coloca, "um mestre arquiteto e criador de tudo no universo ". 

Ptah também era um deus do renascimento que, por vezes, foi creditado como o criador da Cerimônia de Abertura da Boca,  ritual religioso praticado no Antigo Egipto através do qual se acreditava poder devolver os sentidos a uma múmia ou fazer de uma estátua ou de um templo um objeto detentor de vida. Ele também foi o patrono do segundo mês do calendário egípcio, chamado Paopi pelos gregos. 



Ptah era um grande protetor do Egito. De acordo com um mito, ele salvou a cidade de Pelúsio dos invasores assírios. Ele ordenou que todos os vermes nos campos roessem as cordas dos arcos dos inimigos e também as alças de seus escudos, destruindo assim suas armas e fazendo os mesmos fugirem em pânico. Na Pedra de Shabaka (onde está gravada a teologia menfita, segundo a qual Ptah é o deus supremo, criador do mundo e dos demais deuses) está registrado que Ptah ajudou a resolver a briga entre Hórus e Seth, estabelecendo Seth como o senhor do Alto Egito, enquanto Geb fez de Hórus o senhor do Baixo Egito. Assim, ele foi fundamental na manutenção da dualidade do Alto e do Baixo Egito. 

Relações

Em Mênfis, ele era dito ser o consorte de Bastet ou Sekhmet. No entanto, ele também foi descrito como o marido de Uadjit e de inúmeras divindades locais menores. Ele era o pai de Nefertum Maahes (com Bastet ou Sekhmet). Era também o pai adotivo de Imhotep (o polímata deificado que arquitetou a Pirâmide de Saqqara/Djoser). Ele estava ligado a Ta-tenen (Colina Primordial), um deus da terra conectado com o monte primordial no qual a criação teve início. Nesta forma, ele foi por vezes associado a Néftis na representação do Baixo Egito. 


Pirâmide de Saqqara
Ptah se fundiu com Sokar (um deus da necrópole) como Ptah-Sokar, a personificação do sol durante a noite. Ptah-Sokar foi associado com Osíris, tornando-se Ptah-Sokar-Osíris. Ele também estava ligado a Min, o deus da fertilidade. 

O touro Ápis era considerado um "Ba" (uma das partes da alma) de Ptah. Em tempos posteriores, Ápis passou a ser associado com Ptah como sendo sua reencarnação enquanto vivo e associado à Osíris após sua morte.

Culto

Ptah era adorado por toda a Egito, mas seus centros de culto principais estavam em Mênfis e Heliópolis. Em Mênfis, ele fazia parte de uma tríade formada por Sekhmet (ou Bastet) e Nefertum
. Após Mênfis se tornar a capital do Egito, Ptah se tornou um deus criador de todas as coisas, inclusive os deuses membros da Ogdóade de Hermópolis e da Enéade de Heliópolis e a ele foi dado o epíteto de "Aquele que definiu todos os deuses em seus lugares e deu a todas as coisas o sopro da vida".

Ptah era uma divindade tão popular no Egito, que diz-se que o nome de "Egito" em si deriva de uma ortografia grega do nome de um templo em Mênfis, Hwt-ka-PTH, que significa "o templo da alma de Ptah". 


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15 de julho de 2014

Itzamná

 ۞ ADM Sleipnir

Itzamná, também conhecido como Deus D, é um dos deuses mais importantes do panteão maia, identificado como o filho do deus criador Hunab Ku. Seu nome na língua maia significa "Casa dos Lagartos", e seu correspondente na mitologia asteca é o deus Tonacatecuhtli. Itzamná era conhecido como o Senhor dos Céus, e o Senhor da Noite e do Dia. Era também considerado um deus criador e o inventor da escrita, e adivinhação. Ele foi o criador do mundo e das outras divindades. Por esta razão, ele é muitas vezes descrito como um rei entronizado, supervisionando os deuses menores.

Em vários mitos, Itzamná aparece como um herói da cultura maia, que lhes forneceu as bases de sua civilização. Segundo a lenda, ele os ensinou a cultivar a terra, a escrita, o uso de calendários e a prática da medicina. Ele também introduziu um sistema de divisão de terras e estabeleceu rituais de culto religioso. Diferente de outras divindades maias, Itzamná era um deus não associado a guerras, mortes ou a destruição.


Características

Itzamná tinha muitas formas. Ele aparece representado em códices e vasos com características répteis. Ele também se manifesta como o Pássaro do Céu, que habita o topo da Árvore do Mundo, que para os maias liga o céu, a terra e Xibalba (o submundo maia) Este pássaro é geralmente identificado com Vucub Caquix, o monstro mítico morto pelos heróis gêmeos Hunapuh e Xbalanque no Popol Vuh.

Em sua forma humana, Itzamná é muitas vezes retratado como um escriba idoso e desdentado, com um nariz afilado e o rosto afundado. Ele é muitas vezes representado usando um cocar elaborado com um espelho de contas em sua testa. 


Com sua consorte Ixchel, Itzamná foi o pai dos Bacabs, os 4 deuses que sustentam o céu. Seus nomes são: 
  • Kanal-Bacab ( representante do Sul, corresponde a cor amarela e rege os anos Muluc);
  • Ekel-Bacab (representante do Oeste, corresponde a cor preta e rege os anos Cauac);
  • Chacal-Bacab ( representante do Leste, corresponde a cor vermelha e rege os anos Kan);
  • Zacal-Bacab ( representante do Norte, corresponde a cor branca e rege os anos Ix). 
As vezes estes deuses são incorporados à figura de Itzamná, formando uma divindade de quatro cabeças. Itzamná teve ainda com Ixchel  Yum Kaax, Ek Chuah, e outros deuses responsáveis pela criação do céu, da terra e de tudo que há nela.

Culto

Itzamná era venerado principalmente em Tazmal, mas seu culto se estendia por todo o território maia. Os sacerdotes maias, muitas vezes recolhiam o orvalho, que acreditavam ser as lágrimas de Itzamna, para usá-lo em seus rituais religiosos. Como deus criador, Itzamna era invocado durante muitos festivais diferentes ao longo do ano maia - especialmente durante o último mês, a fim de prevenir desastres no ano seguinte. 


fontes de pesquisa:
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14 de julho de 2014

Hugh Glass

۞ ADM Sleipnir



A história de Hugh Glass é certamente uma das histórias mais marcantes de sobrevivência da história americana, tanto que o mesmo se tornou uma lenda em seu próprio tempo. Apesar de sua história ser bastante famosa, pouco se sabe sobre sua vida. Hugh Glass teria sido um ex-pirata que deixou a vida no mar e viajou pelo oeste americano como um escuteiro e peleiro. Sua idade também é desconhecida, mas acredita-se que ele tenha nascido na Filadélfia em torno de 1780.

A aventura mais famosa de Glass, e inspiração dessa postagem teve início em 1822, quando ele respondeu a um anúncio no Missouri Gazette and Public Adviser, publicado pelo general William Ashley, que procurava um grupo de 100 homens para "subir o rio Missouri", como parte de um comércio de peles. Esses homens mais tarde seriam conhecidos como The Ashley Hundred ("Os 100 de Ashley").  Além de Glass, outros homens notáveis que se juntaram a empreitada foram: Jim Beckwourth, Thomas Fitzpatrick (caçador), David Jackson, John Fitzgerald, William Sublette, Jim Bridger, e Jedediah Smith.

Logo no início da jornada, Hugh Glass estabeleceu-se como um exímio caçador de peles. Ele aparentemente foi ferido durante esta jornada, em uma batalha contra índios Arikaras, e mais tarde viajou com um grupo de 13 homens para render os comerciantes no Forte Henry, localizado na foz do rio Yellowstone. Esta expedição, liderada por Andrew Henry, planejava seguir do Missouri, até o vale do Rio Grande (hoje Dakota do Sul), e então atravessar para o outro lado do vale do rio Yellowstone. 

Em agosto de 1823, perto da bifurcação do Rio Grande, afluente do Rio Missouri, onde atualmente fica a região de Perkins CountyHugh Glass foi surpreendido por um urso e seus dois filhotes, enquanto andava sozinho bem à frente de seu grupo. O urso partiu para cima de Glass e o jogou no chão antes que pudesse disparar seu rifle. Usando apenas uma faca, Glass lutou contra o urso no chão e o matou, mas durante a luta ele foi gravemente ferido.

Seus companheiros ouviram seus gritos, e ao chegarem ao local o encontraram seriamente ferido e ensanguentado, mais ainda vivo, com o corpo do urso caído sobre ele. Eles atiraram na cabeça do urso e removeram o corpo mutilado de Glass. Eles enfaixaram suas feridas o melhor que puderam e esperaram ele morrer. O grupo estava com pressa para chegar em Yellowstone, então Andrew Henry indicou dois voluntários, John Fitzgerald e Jim Bridger, para ficarem ao lado de Glass até que estivesse morto e depois o enterrassem. Os dois imediatamente começaram a cavar uma sepultura. Mas depois de três dias, Glass ainda estava vivo e Fitzgerald e Bridger começaram a entrar em pânico, pois tinham avistado um bando de índios hostis se aproximando do local. 

Abandonado para Morrer



Os dois homens pegaram o rifle, a faca e outros equipamentos de Glass e o jogaram dentro do túmulo aberto previamente. Eles jogaram a pele do urso em cima dele e  também uma pá de sujeira e folhas, abandonando Glass ali para morrer. Mas, apesar das circunstâncias, Glass não morreu. Ele recobrou a consciência após um tempo desconhecido, e se viu numa situação crítica. Ele estava sozinho e desarmado dentro de um território indígena hostil. Um de suas pernas estava quebrada e seus ferimentos estavam purulentos. Seu couro cabeludo foi quase todo arrancado e a carne em suas costas tinha sido arrancada de uma forma que suas costelas estavam expostas. A ajuda mais próxima estava à 320 quilômetros de distância, no Forte Kiowa. Sua única proteção era o couro de pele de urso .

A Jornada até o Forte Kiowa

Glass fixou sua perna quebrada, se cobriu com a pele de urso que seus companheiros haviam colocado sobre ele como uma mortalha e em 9 de setembro de 1823, começou a rastejar ao sul em direção ao Rio Cheyenne, cerca de 100 quilômetros de distância. Febre e infecções o afligiam e freqüentemente o deixavam inconsciente. Certa vez após acordar de um de seus desmaios, ele se deparou com um enorme urso sobre ele. Segundo a lenda, o animal lambeu suas feridas já infestadas de larvas e foi embora. Essas lambidas certamente livraram Glass de novas infecções. Glass  sobreviveu a jornada se alimentando de frutos silvestres e raízes, e numa certa ocasião, ele ainda enfrentou dois lobos pela carcaça de um bisão abatido. Glass derrotou os lobos e se alimentou da carne crua do bisão. De acordo com o relato do próprio Glass, ele era movido pela vingança. A única coisa que o fazia seguir em frente era o desejo de matar os homens que o haviam abandonado para morrer.


Trajeto percorrido por Hugh Glass até o Ft. Kiowa

Glass levou seis semanas se rastejando até o Rio Cheyenne. Ao alcançar o rio, ele construiu uma balsa rudimentar a partir de uma árvore caída, e desceu o rio permitindo que a corrente o levasse ao Missouri. Durante o trajeto, Glass foi ajudado por nativos amigáveis ​​que costuraram a pele de urso em suas costas para cobrir suas feridas expostas, e também forneceram-lhe comida e um par de armas para se defender. Eventualmente, Glass chegou em segurança ao Forte Kiowa. 

Conclusão

Assim que ele recuperou sua saúde (o que levou muitos meses), Glass saiu para procurar se se vingar dos  dois homens que o haviam deixado para morrer. Glass encontro o jovem Bridger na noite de 31 de dezembro de 1823, quando o grupo do maior Henry estava comemorando o Ano Novo dentro do Forte Henry. Glass entrou com passadas firmes na sala onde os homens se divertiam. Fez-se silêncio mortal, e ele encarou o homem que havia perseguido por quase 1.500 km. 

-“Sou Glass, Bridger.. o homem que voce abandonou para morrer... e a quem roubou as coisas que poderiam ajuda-lo a sobreviver, sozinho e machucado, nas planícies. Voltei porque jurei que ia matar você.

Bridger tinha o aspecto de um homem pronto a ser morto e a penar no inferno por seu pecado mortal. Não tinha nada a dizer. Ficou com um ar patético e parecia estranhamente infantilizado. Glass hesitou. “Você está envergonhado e arrependido”, disse. “Acho que teria ficado comigo se Fitzgerald não o tivesse convencido. Não precisa ter medo de mim. Eu o perdôo. Você não passa de um garoto.”

Glass sentiu-se mais aliviado e mais à vontade por haver despejado aquelas palavras de uma vez só. Sentou-se, alguém lhe passou um copo de uísque e minutos depois ele havia desmaiado. Bridger sentia-se quase nauseado de culpa e vergonha. Havia sido poupado porque era um menino. Preferia ter sido morto. Bridger, que morreu em 1881, viria a tornar-se o mais famoso dos caçadores das montanhas, comerciando desde o Novo México até a fronteira do Canadá. Acredita-se que tenha sido o primeiro branco a avistar o Grande Lago Salgado, e as trilhas que ele abriu em busca de peles seriam de imenso valor para os colonizadores que vieram depois.

Passados seis meses e mais 1.500 km, Glass encontrou John Fitzgerald. Descobriu-o em Fort Atkinson, em Council Bluffs. Exultou ao encontrar Fitzgerald, mas só até descobrir uma coisa. Fitzgerald pertencia agora ao exército dos Estados Unidos, e mata-lo significaria assinar sua própria sentença de morte. Glass entrou como um furacão no gabinete do capitão Riley, exigindo justiça. O oficial trouxe Fitzgerald. Finalmente ali estava Fitzgerald, arrependido como queria Glass. O engraçado, pensou, era que ele não conseguia odiá-lo tanto quanto desejava. 

-“Você fugiu e me deixou morrendo”, acusou Glass. “Você ficou com medo e fugiu; e roubou as coisas que me ajudariam a viver. Acho que você tem uma coisa em que pensar o resto de sua vida.

Riley mandou Fitzgerald sair e fez uma proposta a Glass. Se ele fosse embora, Riley lhe daria de volta a arma e os outros pertences e o aprovisionaria com tudo de que necessitasse para recomeçar. Glass aceitou.

 Durante nove anos Glass caçou nos rios do Sudoeste norte-americano e na região de Yellowstone. Em 1833, os índios o mataram e o escalpelaram. Glass porém havia-se tornado um personagem lendário. Recusando-se a morrer, havia demonstrado aptidão, resistência e uma coragem inacreditáveis. Sobreviveu a seu infortúnio e até hoje vive nas lendas dos Estados Unidos. Um monumento em homenagem a Hugh Glass foi erguido próximo ao local onde confrontou o urso, na costa sul do Reservatório de Shadehill, na Dakota do Sul.




Livros e Filmes

A história de Hugh Glass foi retratada no filme "A Man in the Wilderness", em 1971, encarando Richard Harris e John Huston. Um romance chamado "Senhor Grizzly " também relata e embeleza a história. Um novo filme baseado em sua história e estrelado por Leonardo Di Caprio está previsto para estrear em 2015. 

Livros sobre Hugh Glass incluem: "Hugh Glass", por Bruce Bradley (1999 ISBN 0966900502 ) e "The Saga of Hugh Glass: Pirate, Pawnee and Mountain Man", de John Myers Myers (1976 ISBN 0803258348 ) .


Fontes:
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11 de julho de 2014

Humbaba

۞ ADM Sleipnir



Humbaba (para os assírios) ou Huwawa (para os sumérios) era um gigante e monstruoso demônio presente na mitologia mesopotâmica. Uma criatura de idade imemorial, Humbaba era filho do maligno deus Hanbi, e irmão do rei dos demônios dos ventos, Pazuzu

Enlil, o deus sumério do ar, nomeou Humbaba como o Guardião da Floresta dos Cedros, a morada dos deuses. Outros relatos afirmam que os deuses confiaram à Humbaba a floresta como seu domínio. De qualquer maneira, ele era o monstro e senhor das montanhas de cedros do líbano. Dado seus epítetos e sua lendária valentia, Humbaba pode ter sido originalmente uma divindade da natureza. Historicamente, os elamitas adoravam um deus chamado Terra Humba ou Hubaba, que se tornou Humbaba para os sumérios. 

Características


Humbaba é descrito como um humanóide monstruoso e gigantesco, com características de vários animais, como face de leão, chifres de touro, pernas de leão e pés de abutre. Outras descrições relatam que Humbaba se assemelhava a um dragão, com o corpo coberto por escamas, e capaz de cuspir fogo. Ele também é dito ter cabeças de serpente no final de sua cauda e de seu pênis. Em várias fontes, sua face se mostra repleta de entranhas encaracoladas, e por isso recebeu o título de "Guardião da Fortaleza dos Intestinos".


Máscara de argila de Humbaba, 1800-1600 aC. Um método para prever o futuro na antiga Mesopotâmia era o estudo da forma e da cor dos órgãos internos de um animal sacrificado. A inscrição cuneiforme na parte de trás desta máscara sugere que os intestinos têm a forma do rosto de Humbaba. 
Conta-se que quando ele olhava para alguém, é como se fosse o próprio olhar da morte. O rugido de Humbaba era dito causar inundações e tempestades, sua respiração é flamejante e sua boca personifica a morte. Sua audição apurada permite ouvir ruídos a uma centena de léguas de distancia. Humbaba ainda possui sete auras místicas, que o protegem como uma armadura e aumentam também o seu poder ofensivo.

Epopéia de Gilgamesh

O herói mítico Gilgamesh, entre suas muitas façanhas, enfrentou Humbaba. A razão para a batalha varia muito, mas por alguma razão, Gilgamesh tornou-se determinado a lutar contra Humbaba. Em uma versão da história, Gilgamesh alega que, mesmo que ele não conseguisse derrotá-lo, o seu nome seria sempre lembrado como o homem que morreu pelas mãos do terrível guardião. Enkidu, amigo de Gilgamesh, não queria ir e protestou,  mas nada dissuadiu Gilgamesh da idéia. Na antiga versão babilônica da Epopéia de Gilgamesh, ele afirma:

Para a humanidade, numerosos são os seus dias;
O que eles conseguem é mas o vento! [...]
Se eu cair, terei feito meu nome:
"Gilgamesh" - eles dirão - contra o feroz Huwawa
Caiu! Muito depois
Minha prole nasceu em minha casa.

- Epopéia de Gilgamesh 

Outras versões da história atribuem diferentes razões para a incursão de Gilgamesh na Floresta dos Cedros. Em uma versão, Enkidu sonhou que ele foi atirado no submundo, e Gilgamesh buscou a orientação do deus do sol  Shamash, que prometeu aos dois protegê-los e os instruiu sobre como superar Humbaba. Uma outra versão afirma que Gilgamesh queria cortar os cedros sagrados da floresta para conquistar a glória e para construir um portão para o templo da divindade Enlil, localizado em Nippur.


Enkidu concordou em ser o guia, por sua familiaridade não só com a floresta, mas também com os truques de Humbaba. Assim, Enkidu e Gilgamesh partiram numa longa viagem, que durou cerca de 17 dias e noites. Durante este tempo, Gilgamesh teve vários sonhos sinistros, todos eles manifestações do poder de Humbaba. Ao chegar na Floresta dos Cedros, eles encontraram o gigantesco demônio. Humbaba cumprimentou os dois com desdém, insultando-os e afirmando que ele iria morder seus pescoços e depois deixaria seus corpos para serem devorados por aves de rapina.



Nas versões sumérias da história, Gilgamesh consegue ludibriar Humbaba e remover suas sete auras de armadura, diminuindo seu poder. Já nas versões babilônicas posteriores, Gilgamesh derrubou árvores enormes e as utilizou para capturar Humbaba. Há ainda outras versões que relatam uma furiosa batalha, acompanhada por terríveis tempestades e terremotos, levando o herói ao limite, mas com o incentivo de Enkidu, Gilgamesh supera o guardião. Independente da versão da história, o desfecho é o mesmo para todas: Humbaba é derrotado e pede a clemência de Gilgamesh, mas Enkidu convence Gilgamesh a matar o monstro. Em um último esforço, Humbaba tenta escapar, mas é decapitado por Enkidu, ou em outras versões, pelos dois heróis juntos. 

Enkidu e Gilgamesh lamentariam esta ação depois. Por terem matado Humbaba, e posteriormente o Touro do Céu enviado por Ishtar, Enkidu foi condenado a morte pelos deuses. Mesmo com a intercessão de Shamash perante o concilio dos deuses, alegando que os dois tinham cumprido apenas as suas ordens, nada pode ser feito. Enkidu foi acometido por uma doença debilitante, definhando lentamente, morrendo na décima segunda noite. Gilgamesh orou aos deuses para tentar salvar Enkidu, mas em vão. Assim, a morte de Humbaba foi expiada.



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10 de julho de 2014

O Disco Genético

۞ ADM Sleipnir


O chamado Disco Genético é um artefato descoberto nas proximidades da cidade de Bogotá, Colômbia pelo arqueólogo Jaime Gutierrez-Lega e tem sido alvo de curiosidade, assim como um mistério para a ciência moderna desde a sua descoberta. O disco retrata homens e mulheres sexualmente, e em suas bordas exteriores exibe a progressão da vida, desde a gestação até a infância. Ele é considerado um dos achados mais interessantes dentre os Ooparts ("Objetos Fora de Lugar" - termo aplicado a quaisquer artefatos que não podem ser classificados em qualquer sistema conhecido da cultura. Eles também costumam exibir tecnologia científica que excedem em muito o que teria existido no momento em que o artefato é datado).

O disco foi feito com lydite, uma pedra com uma dureza similar à do granito, porém de estrutura tão frágil quanto uma folha, tornando impossível reproduzir esse disco utilizando o mesmo material, apesar de nossa tecnologia atual. O disco mede cerca de 27 centímetros de diâmetro e pesa 2 quilos.  Quanto à datação da pedra, mesmo não sendo possível atribuir-lhe um período histórico preciso, parece ter sido manufaturada aproximadamente 6000 anos atrás. No entanto, esse disco não se encaixa em qualquer cultura pré-colombiana existente.

A Simbologia do Disco

Os símbolos gravados no disco são separados por listras verticais individuais, e representam várias coisas que normalmente só podem ser visualizadas com o auxílio de um microscópio


Em um lado do disco (imagem acima), temos, na parte superior, várias representações de fetos em tamanhos e idades diferentes, terminando com o que parece ser uma criança pequena. Na parte de baixo podemos ver o que parece representar um homem e uma mulher. No lado direito, pode-se ver a representação de um homem, uma mulher e uma criança. Estranho porém  é a forma como as cabeças humanóides são representadas.

O outro lado do disco genético (imagem abaixo) mostra cenas de uma divisão celular. Pesquisadores foram claramente capazes de reconhecer as diferentes fases da gestação humana no disco. Muito significante são os olhos distantes e o nariz largo do zigoto. Esta é uma característica da estrutura embrionária da cabeça. 



No lado esquerdo da imagem, podemos ver um óvulo fecundado e outro não fecundado. No lado direito, podemos observar a representação de alguns espermatozóides. No disco existem ainda várias representações muito estranhas que não podemos explicar.

Hoje o disco se encontra no Museu de Ciências Naturais de Viena, na Áustria, sendo analisado ​​pelo Dr. Vera M.F. Hammer (www.nhm-wien.ac.at) e há ainda possui muitos enigmas para serem resolvidos. 


fontes:
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9 de julho de 2014

Rostam

۞ ADM Sleipnir



Rostam ou Rustam (do persa رستم, Rostæm) é um dos maiores heróis da mitologia persa, filho de Zal e Rudabeh. Ele foi imortalizado pelo poeta do século X Ferdosi em sua obra Shahnameh ("O Épico dos Reis"), que narra a história e a mitologia do Irã, desde a criação do mundo até a sua conquista pelos árabes no século VII. 

Ao longo de sua jornada, Rostam presta serviços a uma série de reis, tornando-se um exemplar de herói, abnegado, que cumpre o seu dever, sem nunca buscar poder, mesmo quando o próprio povo desejava destronar seu rei em favor de Rostam. No Shahnameh, Rostam é o campeão dos campeões e está envolvido em numerosas histórias, que constituem algumas das mais populares e magistrais partes da obra.

O Nascimento de Rostam

O trabalho de parto de Rudabeh foi demorado e difícil, devido ao tamanho extraordinário de seu bebê. Como sua esposa e seu filho estavam à beira da morte, Zal decidiu convocar Simurgh, queimando uma das penas que havia recebido do mesmo. O pássaro místico atendeu o chamado e lhe deu instruções sobre como executar uma " Rostamzad " (o equivalente persa para cesariana), salvando assim Rudabeh e a criança e curando-a com suas penas mágicas. Rostam era saudável e tinha os cabelos avermelhados.

Com apenas 5 dias de vida, Rostam atingiu o tamanho de um menino, e dentro de semanas, ele atingiu a altura e a força de um homem jovem. Com 3 anos, ele mata o elefante branco enlouquecido do rei Manoochehr com apenas um golpe da maça de propriedade de seu avô Sam, filho de Nariman. Em seguida, ele doma seu lendário garanhão, Rakhsh.




Os Sete Trabalhos

Kay Kavus (Xá do Irã na época) e seu exército sofrem uma emboscada durante uma expedição até Mazandaran. Div'e Sepid, o "Demônio Branco", destrói o exército de Kay Kavus conjurando uma tempestade de granizo, pedras e troncos de árvores, usando suas habilidades mágicas. Ele, então, captura Kay Kavus, seus comandantes e paladinos, os cega e os aprisiona em um calabouço.  Rostam toma conhecimento da situação e compromete-se a libertá-los,dando início aos chamados Sete Trabalhos de Rostam (ou Haft-Khan-e-Rostam, persa: هفت خوان رستم), e essa história é um ponto crucial na vida de Rostam. A ordem tradicional dos trabalhos é a seguinte:

1. Rostam parte e algum tempo depois encontra um matagal, onde ele resolve montar um acampamento para passar a noite. Rostam se deita para descansar e pouco tempo depois, um leão feroz surge e ataca seu cavalo Rakhsh com violência. Rakhsh mostra ser um oponente formidável e mata o leão. Rostam, despertado pela confusão, encontra o leão morto e Rakhsh ferido. Rostam cuida de seu companheiro, e então prossegue sua jornada em direção a Mazandaran.



2. Rostam e Rakhsh adentram um deserto, onde parecia não haver nenhuma fonte de água. Tanto o cavalo quanto o herói estavam com bastante sede, e portanto, Rostam resolve orar a Ahura Mazda. Sob a influência de um sol feroz, Rostam vê uma ovelha passar, e a interpreta como o prenúncio de algo bom. Erguendo-se e segurando a espada na mão, ele segue o animal, e acaba encontrando uma fonte de água. Rostam agradece a Ahura Mazda pela bênção que salvou sua vida.



3. À meia-noite, enquanto Rostam dormia, um dragão monstruoso emerge da floresta. Rakhsh se aproxima de seu mestre, relinchando e batendo no chão furiosamente, tentando acordá-lo. Rostam acorda e olha para todos os lados, no entanto, não consegue ver nada pois o dragão já havia desaparecido, e então  volta a dormir. O dragão então reaparece e o cavalo fiel tenta despertar seu mestre novamente. Rostam acorda, e desta vez há luz suficiente para ele ver a prodigiosa causa do alarme. Rostam enfrenta e mata o dragão .



4. Rostam continua sua jornada através de um território encantado e ao anoitecer chega em um lugar com uma bela vegetação e refrescado por riachos. Para sua surpresa, ele encontra um veado assado, pão e sal e, mais tarde, um tamborim e um frasco de vinho. Ao pegar o instrumento, ele começou a tocá-lo enquanto cantava sobre suas aventuras e sobre as façanhas que ele mais ama. A cantoria de Rostam chega aos ouvidos de uma feiticeira, que, vestida de todos os encantos da beleza, se aproxima dele e se senta ao seu lado. O campeão erige uma oração de gratidão por ter sido alimentado com comida, vinho, e música enquanto estava no deserto de Mazandaran, e sem saber que a feiticeira era na verdade um demônio disfarçado, ele colocou em suas mãos um copo de vinho em nome de Deus, mas com a menção do Criador, a feiticeira se converteu em um demônio negro. Ao ver isso, Rostam joga seu laço e com ele prende o demônio. Logo após, Rostam usa sua espada para cortar o demônio ao meio.




5. Rostam atravessa passa sem intercorrências através de um lugar onde só há escuridão, conseguindo chegar à Mazandaran. Exausto, Rostam deixa Rakhsh livre para pastar no campos próximos cultivada, e  se deita para descançar. Um agricultor local, furioso pela imprudencia de Rostam, golpeia seus pés com um pedaço de madeira. Rostam acorda, arranca as orelhas do fazendeiro fora, as entrega a ele e volta a dormir. O fazendeiro reclama com o aristocrata local,  Olad, que vai imediatamente até a presença de Rostam, acompanhado por uma pequena força de demônios. Rostam  derrota todos eles, captura Olad e poupa sua vida sob a condição de que ele o ajude a encontrar Div'e Sepid.



6. Rostam enfrenta o castelão de Div'e Sepid, Arzang Div, e o mata. Rostam consegue recuperar a chave para a fortaleza de Div'e Sepid, e lá encontra Kay Kavus e os outros prisioneiros, ainda cegos pela magia do demônio. Kay Kavus lhe conta que somente o sangue de Div'e Sepid poderia curar a sua cegueira e a de seus homens.



7. Rostam finalmete encontra Div'e Sepid e os dois travam uma batalha épica. No final, Rostam mata Div'e Sepid e usa seu coração e seu sangue para curar a cegueira do rei e dos heróis persas capturados. Rostam também toma a cabeça do demônio como um capacete e é frequentemente retratado usando-o.




Rostam e Sohrab

De longe, a mais famosa e popular história de Rostam contida no Shahnameh é Rostam e SohrabCerta vez, Rostam seguia os rastros de seu cavalo que havia perdido, e acaba chegando ao reino de Samangan, onde ele é convidado pelo rei a visitar seu castelo. Lá, Rostam conhece a princesa Tahmina. Ela admira Rostam e sabe de sua reputação. Ela entra em seu quarto à noite e pergunta se ele pode lhe dar um filho e, em troca, ela irá trazer o seu cavalo de volta. Rostam aceita a proposta de Tahmina, e os dois tem uma noite de amor. Rostam deixa o reino e seu cavalo volta, como prometido pela princesa. Antes de ir embora, Rostam entrega a Tahmina um bracelete, e pede para que ela o entregue ao seu filho, de forma que ele possa reconhecê-lo no futuro. Nove meses depois,Tahmina deu à luz a seu filho e lhe dá o nome de Sohrab.

Sohrab cresce e fica conhecido como o melhor lutador do exército turaniano. Como ninguém mais se atrevia a lutar contra Rostam, Sohrab acabou sendo enviado para lutar contra o lendário herói. No entanto, o nome do herói foi mantido em segredo, como Sohrab sabia que Rostam era seu pai. No campo de batalha, Sohrab diz ao seu rival que ele não lutaria contra Rostam, sem dizer o motivo. Assim, Rostam não revelou seu nome. Depois de 3 dias de combate, Rostam consegue derrubar Sohrab e o esfaqueia no coração. Ao ver o bracelete, Rostam se dá conta de que matou o próprio filho, então se ajoelha, toma nos braços o corpo do filho e chora.


Outros Filhos

Rostam mais tarde teve uma filha chamada Banu Goshasp, e um filho chamado Faramarz, e ambos se tornaram heróis renomados em Turan e na Índia. Goshasp, através de seu casamento com Giv teve um filho, chamado Bijan.

Rostam e Esfandiar


Esfandiar (também conhecido como Esfandyar ou Asfandyar; em persa: اسفنديار) é um herói lendário do Irã, filho do rei Goshtasp, da dinastia Kayanian. Ele é mais conhecido pela trágica história da batalha com Rostam, assim como descrito num dos episódios mais longos do Shahnameh. Seu pai Goshtasp lhe oferece o trono, contanto que ele consiga expulsar invasores em províncias distantes. Ele consegue o feito, mas seu pai o envia para outra missão para eliminar uma rebelião em Turan. Ele consegue novamente, mas seu pai o envia para nova missão, mesmo após uma previsão sobre a morte do filho nas mãos de Rostam. Ele ordena o jovem a aprisionar Rostam por sua arrogância e desrespeito contra o rei. Esfandiar protesta, lembrando ao pai sobre a fama e o histórico do velho homem com a dinastia, mas cede e parte para o encontro do sujeito.

Ao chegar à residência de Rostam, Esfandiar anuncia a mensagem, mas Rostam se recusa a ser aprisionado, aceitando somente acompanhar o príncipe até a presença de seu pai. Esfandiar insiste, mas Rostam não cede, e os dois acabam iniciando um combate. Rostam não sabia, mas Esfandiar havia se banhado em invencibilidade, e essa vantagem resultou em sérios danos para Rostam, que desiste para poder colocar curativos. Entretanto, Rostam toma conhecimento da vantagem do jovem e do seu ponto fraco: quando Esfandiar nadou na piscina da invulnerabilidade, ele o fez de olhos fechados. Quando o combate reinicia na manhã seguinte, Rostam acerta o jovem nos olhos com um estilingue rústico.



A Morte de Rostam

Zal, pai de Rostam, teve durante sua velhice um filho de beleza singular com uma de suas escravas. Ele manda chamar astrólogos para lerem o horóscopo da criança, e os mesmos ficaram perplexos e aterrorizados com o que descobriram. Eles contam a Zal que essa criança será a ruína de sua casa e que sua linhagem irá cair por meio de suas ações. Angustiado, Zal nomeou a criança como Sheghad, e mandou-a ainda quando criança ao Rei de Cabul. Quando o rei viu que ele era alto e bonito, e se encaixava em todos os aspectos para se sentar em um trono, ele lhe mostrou grande bondade, e também deu-lhe sua filha em casamento.

Rostam estava acostumado a receber todos os anos o couro de um touro, enviado pelo rei de Cabul como um símbolo de soberania; e o rei considerava que era justo ser aliviado deste fardo, já que Sheghad havia se tornado seu filho-de-lei. Porém, na hora adequada, Rostam enviou o seu mensageiro como de costume, e exigiu o couro do touro. Tanto o Rei quanto Sheghad, ficaram muito ofendidos com esta conduta.

"Por que eu deveria respeitar o meu irmão mais velho, disse ele, "quando ele não se envergonha de ser tão maldoso comigo?  Não devo tratá-lo melhor do que trato um estranho." À noite, Sheghad e o rei não conseguiam dormir, pensando no assunto, então passaram a noite pensando sobre como eles poderiam eliminar Rostam. E Sheghad disse:

"Ouça meu plano. Faça uma grande banquete, e convide todos os nobres para comparecem ao mesmo. Enquanto estivermos todos bebendo vinho, diga algo insultuoso para mim, e eu  irei deixar a mesa, como se estivesse com raiva, e então irei ao Zabulistão e farei queixa ao meu pai e meu irmão sobre você. Então Rostam tomara minhas dores e virá até aqui. Enquanto eu estiver lá, você deve encontrar um local e cavar uma série de poços no mesmo. Eles devem ser grandes o suficiente para caberem Rostam e Rakhsh, seu cavalo. Preencha os mesmos com lanças e espadas afiadas, depois cubra-os com terra e tome cuidado para não dizer nada sobre o assunto, nem mesmo para o sol ou a lua ".
Então o rei realizou o banquete, e convidou a todos os nobres do reino. Quando todos já estavam embriagados pelo vinho, Sheghad começou a gabar-se de sua filiação. "Não há ninguém igual a mim neste banquete", ele gritou. "Zal é meu pai, e Rostam meu irmão." O rei disse: "Você não é irmão de Rostam! Você é  filho de uma escrava".

Então Sheghad teve um acesso de raiva, e deixou o salão do banquete, e em seguida partiu para o Zabulistão. Quando ele chegou ao palácio, seu irmão lhe perguntou: "Como vai sua estadia em Cabul?Sheghad lhe diz: "Não me fale de Cabul! O rei me insultou além do suportável, sim, e a você também. Você não é filho de Zal, ele disse, e, se fosse, isso não seria nada comparável a sua honra. Então eu vim embora com raiva". Rostam diz: "Meu irmão, não se incomode sobre esse sujeito. Irei humilhá-lo e darei  sua coroa para ti".

Rostam ordena seus tenentes a montarem um exército, mas Sheghad disse: "Não se incomode em liderar um exército contra Cabul O mero som de seu nome será suficiente, tenho certeza. O Rei se arrependerá de sua loucura, e ele enviará os seus chefes para suplicar-lhe perdão... ". "Você está certo", disse Rostam, "Não é necessário  enviar um exército contra Cabul. Cem cavaleiros serão o suficiente.Enquanto isso, o Rei de Cabul havia cavado os poços, de acordo com o conselho de Sheghad. Eles foram tão habilmente ocultados, que nem homens e nem cavalos poderiam descobri-los.

Assim que Rostam partiu, Sheghad enviou uma mensagem ao rei. "Rostam partiu sem um exército. Receba-o e finja  estar arrependido.Então, o rei foi ao encontro de Rostam com sua língua coberta com mel, mas com o coração cheio de veneno. E assim que o rei avistou-o, ele desceu de seu cavalo, descobriu sua cabeça, tirou os sapatos de seus pés, e, jogando-se no chão, pediu desculpas pelas palavras injuriosas que ele tinha proferido contra Sheghad. Então Rostam o perdoou, e o acompanhou em seu retorno a capital.

Próximo a cidade, o rei havia preparando um banquete em um belo jardim; e, algum tempo depois de se sentarem para beber, o rei lhe diz: "Se você tem qualquer desejo de caçar, eu tenho um parque onde as planícies e colinas são repletas de animais selvagens Há leões entre as colinas, e nas planícies há corças e asnos selvagens ".

Rostam ouviu isso com prazer, e aceitou o convite do rei. Assim, no dia seguinte, o rei preparou uma grande caçada, e ele o levou até o local onde os poços foram escondidos. E Sheghad correu ao lado de Rostam, e mostrou-lhe o caminho. Conforme Rostam seguia a caça, todos os seus companheiros o deixaram, inclusive Sheghad, e ele se aproximou do lugar onde os poços foram cavados. Rakhsh farejou a terra recém-mexida, e acuado, decidiu não avançar. Mas Rostam estava determinado a seguir em frente, e cegado por seu destino, ergueu o chicote contra Rakhsh, sendo que até dia ele nunca havia levantado a mão contra seu corcel. Então Rakhsh entristeceu-se em sua alma, e ele fez o que Rostam desejava. Rakhsh saltou para a frente e caiu juntamente com Rostam na armadilha. Os dois foram empalados pelas lanças que haviam sido escondidas pelo rei. Rakhsh morreu na hora, mas Rostam, com o peito e pernas seriamente feridos, reuniu toda a sua força, desembaraçou-se da armadinha e se levantou.



Quando abriu os olhos, viu Sheghad, e pela expressão de seu rosto, soube que ele tinha tramado essa traição. "Você vai se arrepender disso!", gritou Rostam, mas Sheghad disse: "Você mereceu o seu fim por todo o sangue que derramou."

Nesse momento, o rei chegou, e quando ele viu o quão sério Rostam tinha se ferido, ele fingiu estar entristecido, e disse: "Como aconteceu esta desgraça? Eu irei imediatamente buscar médicos para curar suas feridas"

"O tempo terá passado quando os médicos chegarem para me ajudar", disse-lhe Rostam. "Estou morrendo, como bons homens morreram antes de mim. Mas não se esqueça, o meu filho irá vingar minha morte."

Então Rostam se virou para Sheghad e pediu: "Dê-me o seu arco, e coloque diante de mim duas flechas, pois eu não quero ser feito em pedaços por um leão enquanto espero aqui impotente por minha morte".

Sheghad sacou o seu arco e o colocou na mão de Rostam, sorrindo ao ver que seu irmão estava morrendo. Rostam agarrou o mesmo com muita força, mesmo enfraquecido pela dor de seus ferimentos. Quando Sheghad viu o quão forte Rostam era, ele foi tomado pelo terror, e imediatamente correu tentando se esconder. Rostam viu Sheghad se esconder atrás de uma árvore, embora sua visão começasse a se apagar. Em sua agonia, Rostam retesou o arco e com suas ultimas forças, atirou uma flecha na direção de Sheghad. O tiro foi tão potente que a flecha atravessou a árvore e atingiu o coração de Sheghad, que morreu na hora. O herói se alegrou e disse: "Graças a Deus eu fui capaz de me vingar deste traidor". E enquanto ele falava, seu espírito o deixou. Este foi o fim de Rostam.

Um dos guerreiros que acompanharam Rostam cavalgou a toda velocidade até Zaboulistão, e contou a Zal sobre o triste acontecimento. Enquanto ele lamentava, Faramarz, filho de Rostam, reuniu um exército para vingar seu pai. Ele entrou em Cabul, e matou todos os homens que encontrou pela frente, incluindo o rei de Cabul e toda a sua família. Faramarz transformou aquela terra em um deserto, e ao terminar, procurou o corpo de Rostam e de Rakhsh, e ele prestou-lhes toda a honra, conduzindo seus corpos até Zabulistão, onde foram enterrados lado a lado.



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Ruby