17 de fevereiro de 2015

Huginn & Muninn

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia nórdica, Huginn ("pensamento" em nórdico antigo) e Muninn ("memória" ou "mente" em nórdico antigo), modernamente anglicizados como Hugin Munin, são um par de corvos à serviço do deus Odin. Eles sobrevoam os nove mundos durante todo o dia e, ao retornarem à Asgard a noite, pousam nos ombros de Odin e reportam a ele tudo o que viram durante sua viagem.

Na Edda Poética


No poema Grímnismál, Odin (disfarçado de Grímnir) fornece ao jovem Agnarr informações sobre os companheiros de Odin. Ele conta ao príncipe sobre os lobos Geri e Freki, e na estrofe seguinte do poema, declara que Huginn e Muninn voam diariamente por toda a Midgard. Grímnir diz também que se preocupa com a hipótese de Huginn nunca mais voltar e ainda teme por Muninn:


20-"Huginn e Muninn
voam todo dia
acima de Jörmungrundr*;
eu temo por Huginn
que ele possa não voltar,
embora eu tema mais por Muninn."

*(outro nome para Midgard, a Terra)


Baseando-se na estrofe acima, alguns estudiosos teorizam que Odin era adepto da prática xamânica. Segundo essas teorias, Odin entrava em uma especia de transe e enviava seu pensamento (Huginn) e mente (Muninn) até o local desejado, e lá, sua presença tomava a forma de dois corvos. John Lindow, um dos estudiosos do assunto, disse que o temor de Odin pelo não retorno de Huginn e Muninn "seria consistente com o perigo que o xamã enfrenta na jornada do estado de transe."

Citações em outras obras

O Edda em prosa explica que Odin é conhecido como “deus-corvo” devido à sua associação com Huginn e Muninn. No Edda em prosa e no Terceiro Tratado Gramatical, os dois corvos são descritos empoleirando os ombros de Odin. No Heimskringla, detalha que Odin deu a Huginn e a Muninn a capacidade de falar.









Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

16 de fevereiro de 2015

Papa & Rangi

۞ ADM Sleipnir



Papa (ou Papatuanuku, "Mãe-Terra") e Rangi (ou Ranginui, "Pai-Céu") são o casal de deuses supremos da criação na mitologia dos povos maori, na Nova Zelândia. De acordo com essa mitologia, eles são a fonte a partir da qual todas as coisas do universo se originaram, incluindo outros deuses, humanos e as várias criaturas e recursos da terra. 

Rangi e Papa foram criados a partir de dois seres primordiais - Te Po (noite) e Te Kore (vazio) - que existiam em uma escuridão de caos antes da criação do universo. Desde o início, Rangi e Papa estavam unidos por meio de um abraço apertado e contínuo. Dentro da escuridão entre seus corpos, surgiram muitos descendentes, incluindo numerosos deuses.



Presos entre os corpos de seus pais, as divindades tinham pouco espaço para se movimentarem, além de não poder enxergarem nada devido a total escuridão. Cansados desta situação, eles discutiram sobre como poderiam escapar dos limites de sua existência. Tu, o deus da guerra, sugeriu que eles matassem Rangi e Papa, mas Tane, o deus das matas, tinha uma solução diferente. Tane sugeriu que eles aumentassem o espaço, separando seus pais. Os outros deuses concordaram com este plano, exceto Tawhiri-matea, o deus dos ventos e das tempestades. 

Um por um, os deuses tentaram separar Rangi e Papa. O primeiro a tentar foi Rongo, o deus das plantas cultivadas. Embora ele empurrasse com toda a força, ele foi incapaz de separar o casal. O próximo a tentar foi Tangaroa, o deus do mar, porém falhou como Rongo. Tentaram também Haumia, o deus das plantas e vegetais silvestres, e Tu, o deus da guerra. Por fim, era a vez de Tane, o deus das florestas, tentar. Tane firmou bem os pés em Papa, encaixou os ombros no corpo de Rangi e o empurrou para cima com toda a força. Desta forma, Tane finalmente separou Papa e Rangi, e o espaço entre eles foi preenchido pela luz. Assim que isso aconteceu, Tawhiri-matea, que tinha sido contra a separação de seus pais, partiu para o céu para se juntar ao pai. 



Rangi e Papa estavam nus e, longe um do outro, sentiam muito frio. Comovido com a situação, Tane abrigou o pai com o negro manto da noite. Para a mãe fez um vestido com as mais verdes e tenras folhas e as flores mais coloridas. Em torno dela fez ondular as águas azuis dos mares e rios de Tangaroa. 

Desolado por ter sido separado de sua amada, Rangi chorou. Suas lágrimas caíram do céu sobre a terra, causando uma grande inundação. Somado a isso, os deuses e os humanos tiveram que enfrentar a fúria de Tawhiri-matea, que enviou tempestades e ventos para bater a terra, causando grande destruição das florestas, mares e campos. A devastação causada por todos esses eventos climáticos foi o que formou as ilhas polinésias.


Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

13 de fevereiro de 2015

Alamoa

۞ ADM Sleipnir


A Alamoa (ou Dama Branca) é uma lenda pertencente ao folclore da ilha de Fernando de Noronha. Ela é a aparição de uma mulher branca, loura e nua, que seduz os pescadores ou caminhantes que voltam tarde e depois se transforma num esqueleto, endoidecendo aqueles que a seguirem. Aparece também como uma luz ofuscante, multicor, a perseguir quem foge dela. 

Seu nome é derivado da maneira como os moradores da ilha pronunciavam o feminino de alemão ("Alemoa"). Os mesmos achavam que o fantasma da mulher loira deveria ser de origem alemã. Acredita-se que ela mora no Pico da ilha, uma elevação rochosa com mais de 300 metros de altura. 

Morro do Pico - Fernando de Noronha
Segundo Olavo Dantas (Sob o Céu dos Trópicos, 28, Rio de Janeiro, 1938):
Às sextas-feiras a pedra do Pico se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz. A Alamoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viandantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. Os habitantes de Fernando chamam-na alamoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só pode ser alemã... O enamorado viandante entra na porta do Pico, crente de ter entrado num palácio de Venusberg, para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana.
Os seus lindos olhos que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre.
Origem da lenda

Para Pereira da Costa, a lenda da Alamoa trata-se de uma reminiscência do tempo dos holandeses. Luís da Câmara Cascudo a caracteriza como uma convergência de várias lendas de sereias e iaras estrangeiras. O tema da mulher sobrenatural que atrai e seduz os homens, transformando-se a seguir, é comum e recorrente no imaginário popular, sendo, por isso, impossível determinar sua origem com precisão.


fontes:


Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

12 de fevereiro de 2015

Morana

۞ ADM Sleipnir



Morana (Morena, Marzanna, Moraé uma deusa eslava associada ao inverno, aos pesadelos e a morte. Como a deusa do inverno, Morana nunca foi popular entre os antigos eslavos, o que é fácil de compreender se analisarmos o clima em que eles viviam. Morana personificava um longo e frio inverno, capaz de trazer a morte devido à fome e frio extremos e assim causar doenças e a morte maciça do gado. Sua chegada era, portanto, sempre esperada com muito temor e sua partida era comemorada com muita festa e alegria. 

Seu oposto era a deusa Vesna, à quem os eslavos costumavam acolher com festivais e júbilo, ao mesmo tempo em que alegremente testemunhavam a partida de Morana. Os eslavos confeccionavam uma boneca de palha e em seguida batiam nela com suas enxadas. Após malharem a boneca, a afogavam ou queimavam. Essa tradição é um costume popular que ainda sobrevive na Polônia, Eslováquia e República Checa. O ritual representa o fim dos dias escuros do inverno, a vitória sobre a morte, e as boas-vindas à chegada da primavera.

Características

Morana é geralmente descrita como uma mulher de cabelos escuros e uma aparência aterrorizante. Uma descrição semelhante é utilizada para uma outra criatura da mesma natureza - Kuga ("a praga"). Kuga é provavelmente um dos aspectos da Morana. Outro aspecto dela é Mora, um demônio feminino que ataca as pessoas à noite e senta sobre o peito delas, causando-lhes pesadelos. As bruxas também estavam ligadas à Morana, assim como muitos outros seres demoníacos. Morana normalmente aparece como uma mulher feia e velha chamada Baba Marta (Avó de Março), mas para aqueles que não demonstram medo diante dela, ela aparece como uma bela jovem. 

Apesar de todas essas descrições, não se pode afirmar que Morana era uma deusa inteiramente negativa. Nenhum sistema pagão possui uma divindade com características totalmente más, uma vez que a divisão dualista entre o bem e o mal absoluto veio somente com o advento do cristianismo. 



Mitos

Inicialmente, Morana era apenas a deusa do inverno. Certa vez, apaixonou-se pelo deus da vegetação e primavera Yarilo. Os dois se casaram algumas semanas depois e Morana estava cegamente apaixonada por ele. Ela fazia tudo o que ele lhe pedia, inclusive chegou a encurtar a duração de três invernos por ele. Alguns anos depois Yarilo foi morto por Perun. O motivo da morte foi porque Yarilo traía Morana constantemente com as mortais. Quando Morana tomou conhecimento das traições, ela ficou dividia entre a tristeza e ódio. Por mais que Perun tenha dito que a morte de Yarilo traria justiça à deusa, Morana ainda sentia-se injustiçada. Com a morte do deus da vegetação, Morana ficou com a responsabilidade sobre as colheitas. Ganhou também o poder da morte, já que a própria matou as amantes e os filhos bastardos que seu esposo gerou. E mesmo assim tinha pesadelos com as amantes dele (por isso a associação à pesadelos). 

Morana e Dazbog

De acordo com uma dessas histórias, Dazbog, o deus Sol, foi até Nav (o submundo eslavo) em busca de sua esposa Zlata Maja, mas ao invés de encontrá-la, acabou encontrando com Morana, que o seduziu. Após Morana se entediar com Dazbog e encontrar outro amante - Jula Crnobog, ela decidiu envenenar Dazbog, mas o mesmo foi salvo por Ziva. Então Dazbog queimou Morana e baniu-a de volta para Nav . 

Esta história se encaixa perfeitamente no processo de movimento do Sol ao longo do ano, pois o Sol, de acordo com a crença de todos os povos pagãos, passa o inverno no submundo. O inverno é sua amante e ela tenta impedi-lo de sair do submundo, dando-lhe a bebida do esquecimento. Mas Morana não pode governar para sempre, então, no final da história Dazbog é libertado e ela é destruída. 


Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

11 de fevereiro de 2015

Tabuletas de Glozel

۞ ADM Sleipnir


Tabuletas de Glozel contendo inscrições alfabetiformes. Acredita-se que pertençam a uma cultura pré-celta que influenciou as escritas grega, latina e mesmo o sistema fenício consonantal.


Glozel é uma pequeníssima aldeia a sudeste de Vichy, na França. No dia 1º de março de 1924, o jovem de 17 anos Émile Fradin, juntamente com seu avô, lavrava uma área de pastagem quando um dos animais que puxava o arado se atolou devido ao brusco afundamento do terreno. Ao desenredar o animal, Fradin constatou a existência de uma construção, afundada no terreno. Escavando, encontrou pedras assentadas, tijolos, cacos de cerâmica, uma tábua coberta de curiosos sinais e alguns instrumentos de pedra.
Os achados começaram a ser analisados por um médico de Vichy e também arqueólogo amador, o Dr. Antonin Morlet, que em seu primeiro relatório afirmou que o achado não tinha qualquer ligação com os estabelecimentos romanos ou gauleses conhecidos. As escavações continuaram, e começaram a sair vasos de cerâmica, pedras com inscrições e diversos implementos de pedra e osso de rena. Dois anos após o primeiro achado, o número de objetos retirados era da ordem de dois mil, bem como ossos humanos, uma parte dos quais se apresentava fossilizada. [NOTA: As escavações continuaram até 1941, e muitas outras tabuletas com inscrições foram encontradas].

Mesmo assim, devido à política nada científica dos cientistas oficiais, o achado foi considerado uma fraude. O conservador chefe do Museu de Saint Germain, professor Salomon Reinach, de sólida reputação, escavou no local, e no tocante às inscrições afirmou aceitar a existência de uma escrita, bem como sua originalidade, sem qualquer ligação com as identificadas até então. Ao mesmo tempo, pesquisadores portugueses chegaram à conclusão de que também em seu país havia um sítio com material similar em Alvão (região de Trás-os-Montes), que foi localizado em 1894 [são as famosas “Pedras do Alvão”, atualmente em um museu daquela cidade e não abertas à visitação pública].

Fradin chegou a ser processado por falsificação em 1930, mas foi absolvido, por total falta de provas (era muito material para ser falsificado por um homem só, ignorante em arqueologia e sistemas de escrita). Com o início da Segunda Guerra Mundial e a morte do Dr. Morlet, o silêncio caiu sobre o assunto, para somente ser ressuscitado nos anos de 1970.

Émile Fradin, que se tornou um eminente arqueólogo, com muito esforço veio a formar um importante museu com o material recolhido em Glozel (ver o website oficial do museu - www.museedeglozel.com), no qual encontram-se quase duas mil e quinhentas peças, entre cerâmicas, pedras trabalhadas e gravadas, ossos humanos e de animais, sendo que os ossos mostram uma tendência generalizada para a fossilização, o que pode indicar grande antigüidade.

Os ossos de animais apresentam-se com desenhos, similares ao do período pré-histórico denominado Magdalenense, pois mostram lobos, caçadores, renas, e diferem daqueles pelo fato de existirem alguns com sinais de escritura, do tipo denominado “glozeliano”. Isso não significa que o material seja do período Magdalenense, mas é um fato intrigante!

Depois de décadas, uma parte do material de Glozel terminou por ser autenticado. Assim, o Museu Nacional de Antigüidades da Escócia, a Comissão de Energia Atômica Dinamarquesa de Risö e o Centro Francês de Estudos Nucleares de Fontenay-aux-Roses, em exames paralelos de termoluminescência, concluíram que as peças eram autênticas, datadas de pelo menos 2500 anos (cerca de 500 a.C.). Posteriormente foram realizados testes de carbono-14 em diversos ossos com inscrições; obteve-se uma datação de pelo menos 8 mil anos, havendo inclusive algumas peças que atingiram 12 mil anos (tais peças foram descartadas depois, sendo consideradas como “contaminadas” por substâncias que interferiram na datação).

As ossadas humanas revelaram datas bem diferenciadas, sendo algumas contemporâneas dos ossos com inscrições, outras medievais e outras bem mais antigas, com até 18 mil anos (contudo, podem não ter relação direta com a cultura que produziu as inscrições).

Devido a essa confusão de datas, e pelo fato de as descobertas não se encaixarem nos paradigmas caducos da ciência oficial, não é de admirar que ainda não exista uma conclusão “oficial” para a questão de Glozel. A hipótese de falsificação, felizmente, foi abandonada.



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

10 de fevereiro de 2015

Moiras

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia grega, as Moiras (grego Μοῖραι) eram uma tríade de deusas irmãs que determinavam o destino, tanto de deuses quanto de humanos. Eram filhas da deusa primordial Nix, mas também costumam ser referidas como filhas de Zeus e Têmis . Seu equivalente romano eram as Parcas ou Fadas e seu equivalente germânico eram as Nornas

As Moiras eram as responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida dos mortais. Durante o seu trabalho, as Moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios. As voltas da roda posicionam o fio de cada pessoa em sua parte mais privilegiada, o topo; ou em sua parte menos desejável, o fundo, explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos. O poder das Moiras de determinar o destino era absoluto e impossível de ser burlado. 

As Três Moiras


As Moiras eram geralmente descritas pelos poetas da antiguidade como frias, impiedosas e insensíveis, e representadas como velhas ou bruxas com dentes grandes e unhas longas. Já nas artes plásticas, ao contrário, elas aparecem representadas como lindas donzelas. 

As Moiras são:
  • Cloto (do grego Κλωθώ – "fiandeira") que fia o fio da vida do seu fuso para o seu carretel. Seu equivalente romano era Nona, originalmente a deusa do nono mês da gravidez.
  • Láquesis (do grego Λάχεσις – "distributriz") media o fio da vida concedido a cada pessoa com sua vara de medir. Seu equivalente romano era Décima.
  • Átropos (do grego Ἄτροπος – "inflexível", literalmente "a que não muda de direção", às vezes chamada Aisa) era quem cortava o fio da vida. Ela escolhia a maneira e o momento da morte de cada pessoa. Quando ela cortava o fio com "sua abominável tesoura", alguém morria na Terra. Seu equivalente romano era Morta (Morte). 
Supunha-se que as Moiras apareciam três noites após o nascimento de uma criança para determinar o curso de sua vida. 

Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!
Ruby