31 de agosto de 2015

Kumakatok

۞ ADM Sleipnir


No folclore filipino os Kumakatok ("batentes da porta") são um trio de sinistras figuras encapuzadas que viajam por toda as Filipinas visitando residências, igrejas e hospitais e batendo em suas portas na calada da noite. Após a macabra visita, um dos ocupantes da residência morre, geralmente o mais velho ou o mais doente. Tudo o que se sabe sobre eles é que dois são homens mais velhos e um é uma mulher mais jovem. Diz a lenda que ninguém jamais se atreveu a conversar com estas figuras misteriosas. Ninguém sabe se eles são humanos, ou demônios, ou talvez a versão filipina de anjos da morte. Tudo o que se sabe é que nada pode impedi-los de bater nas portas e fazer o seu trabalho.


Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

27 de agosto de 2015

O Templo de Ártemis em Éfeso

۞ ADM Dama Gótica



 "Eu já toquei meus olhos na parede de a Babilônia doce, que é uma estrada para carruagens e a estátua de Zeus de alfeos e os jardins suspensos e o Colosso do sol e o enorme trabalho de altas pirâmides e o grande túmulo de Mausolo;"", mas quando vi a casa de ARTEMIS, empoleirada lá nas nuvens, esses outros mármores perderam seu brilho, e eu disse: além de Olympus, o sol nunca pareceu tão grande"
Antípatro de Sídon - antologia grega (IX.58)

O Templo de Ártemis (ou templo de Diana) foi uma das sete maravilhas do Mundo Antigo, localizado em Éfeso, atual Turquia. Construído no século VI a.C., foi o maior templo do mundo antigo, e durante muito tempo o mais significativo feito da civilização grega e do helenismo. No templo, chegaram a trabalhar centenas de sacerdotisas virgens, as quais praticavam a abstinência sexual e artes mágicas, acreditando na superioridade feminina.

Os colonizadores gregos encontraram os habitantes da Ásia Menor cultuando uma deusa que identificaram como Ártemis (Diana para os romanos), deusa da caça, da vida selvagem e do nascimento. Então construíram um pequeno templo em homenagem a essa deusa, que foi reconstruído e aumentado outras vezes. 



Durante o Período Arcaico da Grécia Antiga, no século VI a.C., o conquistador Creso, então rei da Lídia, ordenou a construção de um grande templo, em Éfeso, para ampliar o pequeno templo anterior que já havia passado por uma série de avarias. Sua construção se deu no porto mais rico da Ásia Menor pelo arquiteto cretense Quersifrão e por seu filho, Metagenes. Essa foi a quarta expansão o templo, que levou mais 120 anos para ser terminada e incluída na lista das sete maravilhas do mundo antigo. 

Ao fim da obra o templo era composto por 127 colunas de mármore, em estilo jônico dispostas em filas duplas, todas decoradas com obras de arte, tendo cada uma 20 metros de altura. Tinha 138 metros de comprimento e 71,5 metros de largura. E entre as obras de arte existia uma escultura da deusa Artemins em ébano, ouro, prata e pedra preta, cercada por esculturas em bronze de Praxíteles. A escultura da deusa tinha uma saia comprida coberta com relevos de animais cobrindo suas pernas e quadris. Era caracterizada ainda pelas três fileiras de seios que possuía, simbolizando sua fertilidade. Na cabeça havia um ornamento em forma de pilar.



O templo foi destruído duas vezes: a primeira em 21 de julho do ano de 356 a.C. (na noite do nascimento de Alexandre) num incêndio causado por Heróstrato (um incendiário grego que cometeu esse ato para que seu nome fosse imortalizado na historia). Vinte anos depois foi reerguido por Alexandre, o Grande, mas acabou sendo pilhado e parcialmente destruído em 260 d.C. por um ataque dos godos.

Documentos registram que o templo encontrava-se em razoável estado de conservação no século VI d.C., mas muito do material utilizado em sua estrutura já estava sendo utilizado para a construção de igrejas em Éfeso, fazendo com que a destruição do templo tenha se intensificado. A depredação foi completada com a invasão otomana, quando alguns de seus últimos vestígios foram aproveitados em mesquitas. Atualmente, após sucessivos terremotos e saques, apenas uma solitária coluna do templo reerguida por arqueólogos alemães no século XIX encontra-se de pé no local, e restam algumas esculturas e objetos, expostos no Museu Britânico em Londres.



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

26 de agosto de 2015

Sheela-na-gig

۞ ADM Sleipnir



As Sheela-na-Gigs (Síla na Géige, Sheela no Gig) são esculturas figurativas de mulheres nuas exibindo uma exagerada vulva. Dizia-se que estas esculturas protegiam contra a morte e o mal, e por isso,  eram colocadas sobre portas ou janelas para proteger essas aberturas. A vulva também simbolizaria a entrada para o submundo. Usadas juntamente com outras figuras exibicionistas e bestiais na decoração das igrejas, tinham o propósito religioso de advertir contra os pecados da carne e alertar para os castigos infernais.

A Irlanda conta com o maior número de talhas Sheela na Gig conhecidas: em The Sheela-na-Gigs of Ireland and Britain: The Divine Hag of the Christian Celts – An Illustrated Guide, Jack Roberts e Joanne McMahon citam 101 exemplos na Irlanda frente a 45 na Grã-Bretanha. 

Origem



Existe controvérsia a respeito da origem das Sheela-na-gigs. Um ponto de vista, sustentado por Anthony Weir e James Jerman, é que elas foram talhadas pela primeira vez na França e na Espanha no século XI, e chegaram depois à Grã-Bretanha e Irlanda no século XII. A obra de Weir e Jerman foi uma continuação da investigação iniciada por Jørgen Andersen, quem escreveu The witch on the wall (1977), o primeiro livro sério sobre as Sheela na Gigs. Eamonn Kelly, Conservador de Antiguidades Irlandesas do Museu Nacional da Irlanda em Dublin, fala no seu livro Sheela-na-gigs: origins and functions sobre a distribuição das Sheelas na Irlanda para apoiar a teoria de Weir e Jerman: quase todas as Sheelas conservadas in situ estão em regiões conquistadas pelos anglonormandos (século XII), enquanto nas zonas que permaneceram "irlandesas nativas" aparecem só umas pocas. Weir e Jerman também argumentam em Images of lust que a sua localização nas igrejas e a sua fealdade com respeito aos standards medievais sugerem que foram usadas para representar a luxuria feminina como horrível e pecaminosamente corrompedora.

Uma outra teoria, exposta por Jack Roberts e Joanne McMahon, é que as talhas são vestígios dum culto pré-cristão de fertilidade ou à Deusa Mãe. Roberts e McMahon assinalam ao que afirmam que são diferenças em materiais e estilos de algumas Sheelas respeito às suas estruturas circundantes, e que algumas aparecem giradas, para apoiar a ideia de que foram incorporadas desde estruturas anteriores a edifícios cristãos primitivos. Há diferencias entre as típicas figuras exibicionistas "continentais" e as Sheelas irlandesas, incluindo a escasseza de figuras masculinas na Irlanda e Grã-Bretanha, mais frequentes no continente, onde também aparecem posturas mais "contorcionistas".



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

25 de agosto de 2015

Onça-boi

۞ ADM Sleipnir


Arte de  Yuri Saluceste 
A Onça-boi (ou Onça Pé-de-boi) é um animal fantástico presente no folclore amazônico, que muitos pescadores, caçadores e mateiros que se aventuram pelas florestas juram já ter visto. Segundo os relatos, ela seria uma espécie de onça que possui cascos de boi no lugar de suas patas. 

De acordo com o folclore, ela caça sua presa sempre em pares (em contraste com as onças reais, que sempre caçam sozinhas e não formam casais permanentes, unindo-se somente para as relações sexuais). Dessa forma, elas encurralam sua presa (geralmente caçadores), fazendo com que ela sua uma árvore na tentativa de escapar. Elas iram se revezar na vigilância da presa, até que a mesma caia da árvore, devido ao sono ou fome. 

O único meio de sobreviver ao ataque da Onça-boi é matar uma delas, tão logo sejam avistadas. Alguns dizem que deve-se matar o macho, e assim a fêmea fugirá. Outros dizem que a fêmea deve ser morta, e então o macho fugirá. 


Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

24 de agosto de 2015

Campe

۞ ADM Sleipnir


Campe (ou Kampê, em grego Κάμπη, chamada de "NInfa do Tártaro") foi na mitologia grega uma horrenda e poderosa criatura a quem Cronos designou a tarefa de vigiar o Tártaro, onde ele havia aprisionado os seus irmãos Cíclopes e Hecatônquiros. Ela acabou sendo morta por Zeus, que desejava contar com a ajuda deles em sua batalha contra os Titãs.

Campe é geralmente descrita como uma criatura com a parte superior do corpo de uma mulher e a parte inferior de um dragão. Suas pernas e seus cabelos são envoltos por serpentes cuspidoras de veneno, e de sua cintura saíam cinquenta cabeças de vários tipos de bestas selvagens. De suas costas brotavam um par de asas negras e de seu pescoço, uma cauda de escorpião.






Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

21 de agosto de 2015

Anchin e Kiyohime

۞ ADM Sleipnir


Anchin e Kiyohime é um velho conto japonês que inspirou gerações de poetas, e é uma das histórias mais encenadas no Japão. É uma antiga lenda a respeito do sino de Dojoji, um templo budista na província de Kishu, hoje Wakayama, que muitas centenas de anos atrás abrigou um belo monge chamado Anchin, irmão do imperador Suzyaku. Existem muitas versões literárias deste trágico conto, em que o jovem monge se envolve com uma delicada menina, provocando seu ódio a ponto de transformá-la em uma terrível e vingativa serpente.

História

Há muitos e muitos anos, havia um jovem monge chamado Anchin. Todos os anos, ele fazia uma peregrinação nos Caminhos de Kumano. Certa ocasião, quando se dirigia a um dos templos, começou a escurecer, precavido, procurou abrigo onde pudesse passar a noite. O religioso encontrou uma aldeia chamada Hidaka e bateu à porta de uma de suas habitações. Foi atendido pelo senhorio Kiyotsugu que era o administrador da aldeia. Lá, o monge teve uma recepção calorosa, e foi convidado a passar a noite.  Kiyotsugu tinha uma bela filha adolescente chamada Kiyohime.

Anchin elogiou a beleza da garota e disse brincando que um dia viria buscá-la para se casarem. Kiyohime acreditou nele. Na manhã seguinte, Anchin seguiu em peregrinação.

Na casa de seu pai, Kiyohime esperou pacientemente pelo retorno de seu prometido amor. O tempo passou. As estações mudaram, e os crisântemos no jardim de flores desapareceram novamente, mas Anchin não retornou.

Três anos se passaram e Anchin novamente estava fazendo a peregrinação pelos Caminhos de Kumano. Por coincidência, quando passava próximo da aldeia, o tempo fechou e começou a escurecer. Lembrando que já conhecia o administrador local, foi pedir hospedagem.

O monge já nem se lembrava da menina Kiyohime, mas, ao vê-la na casa do administrador, a lembrança voltou à mente do monge. Ao mesmo tempo, o religioso ficou  surpreso ao constatar que ela havia se transformado em uma bela mulher.

O coração de Anchin ansiava pela calma do templo ao som dos sinos da noite e o canto suave dos sutras. Mas a noite caía rapidamente e ele estava cansado. Então Anchin retirou-se para o quarto ofertado pelo senhorio.

Anchin já havia pegado no sono quando foi despertado pela presença de Kiyohime ao lado de seu leito. Ela se atirou em seus braços e disse emocionada: – Obrigada por ter vindo me buscar. Esperei tanto por esse momento que, durante três longos anos, fiquei contando os dias à sua espera. O monge não protestou… foi uma noite de volúpia.

Ao despertar, na manhã seguinte, Anchin, caiu em si. Como bonzo (Sacerdote budista), estava proibido de se casar. Mas não teve coragem de contar a verdade para a inocente Kiyohime. Prometeu a ela que iria até o templo em Kumano e na volta passaria em sua casa para assumir seu compromisso matrimonial.

Na tarde deste dia, Anchin chegou ao templo. Como estava com a cabeça nas nuvens, Osho-san, o monge superior, logo percebeu que ele poderia estar pensando em alguma mulher. Por isso, aconselhou-o que meditasse bastante antes de fazer alguma bobagem. Anchin meditou muito e finalmente disse para si mesmo: – Eu sou um bonzo. Não posso querer Kiyohime. Regressarei por outro caminho para não me encontrar com ela. E assim fez.


Enquanto isso, Kiyohime, preocupada, se perguntava: – Por que Anchin não volta do templo? Ela decidiu ir ao seu encontro. Perguntou para um peregrino que passava por ali se ele não havia visto um monge e fez a descrição de seu tipo físico. – Sim, eu o vi no templo, ele tomou outro caminho para retornar a sua cidade.

– Não posso crer! Ele havia prometido que viria ao meu encontro – disse Kiyohime surpresa e quase chorando.

Ela então correu muito para alcançar Anchin e chegou a vê-lo na travessia do Rio Hidaka.

– Anchin, me espere! Anchin, me espere! – ela gritou com toda a força de seus pulmões.

Ao vê-la, Anchin disse: – Remador, rápido, zarpe o bote!

Kiyohime surpreendeu-se e ficou sem entender porque ele estava fugindo. Ela ficou muito triste, desesperada e cega de raiva, seu amor transformou-se em ódio. – O rato entrou no rio e desapareceu. Somente uma serpente aquática pode acabar com um rato da água.

Kiyohime estava com tanto ódio, que mergulhou no rio para tentar atravessá-lo a nado. Pessoas que estavam na beira do rio ficaram pasmas com o gesto impensado de Kiyohime. Naquele rio, a correnteza era tanta que era impossível atravessá-lo nadando. Testemunhas contaram mais tarde que a moça atravessou o rio nadando e, quando surgiu na outra margem, havia se transformado em uma enorme serpente. 


Dizem que o desejo de sua mente moldou seu corpo, transformando-a numa serpente aquática. A jovem transformada pela ira, mergulhou no rio e foi nadando atrás do bote onde estava o monge.

Anchin desembarcou do bote e refugiou-se no Templo Dodoji. – Socorro, socorro, escondam-me por favor! Os monges do templo, mesmo sem saber de que se tratava, abaixaram um enorme e pesado sino, ocultando Anchin em seu interior. A serpente subiu a escadaria e encontrou o sino. Anchin rezava desesperadamente. Enfurecida, ela se enrolou no grande sino, jorrando chamas de sua enorme boca como um dragão serpente.

O sino começou a esquentar, esquentar, até que o metal avermelhou completamente e deformou-se, derretendo um dos lados, matando Anchin  em seu interior. Os monges de Dodoji fizeram o enterro do jovem Anchin. Após a tragédia, encomendaram a fundição de um novo sino e determinaram que nenhuma mulher poderia se aproximar novamente de sua plataforma.

O tempo passou, e o novo sino chegou ao Templo Dodoji. Foi preparada uma grande festa para instalação do sino com a participação da comunidade local, porém a cerimônia de entronização estava proibida para mulheres. Entretanto, durante a cerimônia, uma encantadora jovem finamente vestida aproximou-se, e se atirou-se tocando o sino e, para espanto de todos reunidos, desapareceu sem deixar vestígios, como se engolida pelo gongo.

A partir desse acontecimento, o sino ao ser tocado, não soava  como os sinos dos templos, mas gemia como uma voz terrível. E cada vez que ele tocava, desastres aconteciam. Até finalmente, por não mais suportarem, o sino foi levado para baixo, e enterrado.

Ele permaneceu enterrado durante 200 anos, até que Toyotomi Hideyoshi ordenou que fosse cavado e levado para o santuário Myomanji, onde as cinzas de “Sakyamuni Buddha” foram consagradas pelo Imperador Asoka. E lá, dizem que o som da “Sutra de Lótus” incessantemente entoada pelos monges do templo, finalmente trouxe o descanso para as almas atormentadas de Kiyohime e Anchin.

Com o tempo, o som do sino adquiriu uma beleza irresistível, tingida com sabedoria e consciência de dukkha (o sofrimento necessário à mudança).

Ainda hoje, o sino permanece em Myomanji, como um tesouro do templo, junto com as cinzas sagradas de Sakyamuni.

Dizem que, muito tempo depois, Anchin e Kiyohime apareceram abraçados e felizes em sonhos dos monges do Templo Dodoji, eles finalmente encontraram seu destino nos caminhos da Sutra de Lótus.


fonte: 
Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!
Ruby