21 de abril de 2015

Chibamba

۞ ADM Sleipnir

Arte de Filipe Sant'ana

O Chibamba é uma entidade do folclore do sul de Minas Gerais, frequentemente descrita como uma variação regional do Bicho-Papão. Segundo a tradição oral, trata-se de uma figura assustadora que surge para intimidar crianças desobedientes ou que resistem a dormir. A lenda afirma que o Chibamba força essas crianças a dormirem e as perturba durante a noite, provocando pesadelos.

Dizem que ele é o espírito das bananeiras e, por isso, veste uma longa esteira feita de folhas de bananeira. Enquanto caminha, dança de maneira compassada, rodopiando e emitindo um som semelhante ao ronco de um porco.

Origens

A lenda do Chibamba teve origem na África e chegou ao Brasil por intermédio dos povos africanos trazidos durante o período escravista. Em diversos rituais ligados à pesca, à caça, à colheita, às cerimônias religiosas e até aos casamentos, alguns participantes vestiam-se com folhas de bananeira e utilizavam máscaras assustadoras. Esses figurantes simbolizavam a reencarnação de antepassados que retornavam para abençoar as festividades.

Os africanos realizavam essas apresentações em seus terreiros festivos, ambientes frequentados também pelas amas de leite negras, responsáveis por cuidar tanto de crianças negras quanto de crianças brancas. Desse contexto teria surgido a figura do Chibamba como criatura assustadora. As crianças eram amedrontadas pelos homens mascarados e cobertos de folhas, apresentados como entidades que atormentariam aquelas que se recusassem a dormir.


Alguns estudiosos e pesquisadores do folclore também apontam possíveis influências indígenas na formação da lenda. Entre certos povos indígenas brasileiros, como os Pankararu e os Xerentes, pajés e participantes de cerimônias tradicionais realizavam danças utilizando vestimentas feitas de folhas, o que pode ter contribuído para a associação da figura do Chibamba com seres sobrenaturais ligados à natureza.

Variações da lenda

Como ocorre com muitas personagens do folclore brasileiro, o Chibamba apresenta variações regionais. Em algumas localidades do estado de São Paulo, ele é descrito como um velho escravo que, após sofrer intensamente os castigos impostos pelos senhores de engenho, passou a auxiliar outros escravos submetidos à mesma condição. Nessa versão, a figura assume um caráter mais protetor do que ameaçador.

Outras tradições paulistas apresentam interpretações bastante diferentes. Há relatos que identificam o Chibamba como uma espécie de Saci-Pererê ou como um misterioso cabrito sobrenatural que surge repentinamente durante festas e celebrações para assustar os participantes. 

fontes:
  • JANUÁRIA CRISTINA ALVES. Abecedário de personagens do folclore brasileiro.
  • LUÍS DA CÂMARA CASCUDO. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global Editora, 2012.
  • ‌FRANCHINI, A. S. As 100 Melhores Lendas do Folclore Brasileiro. [s.l.] L&PM Editores, 2011.



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Postagem revisada e atualizada em 02/06/2026


2 comentários:



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