3 de fevereiro de 2026

Tulevieja

۞ ADM Sleipnir

Tulevieja (também grafada Tulivieja; conhecida como Tepesa entre o povo indígena Ngäbe-Buglé) é uma entidade sobrenatural do folclore da Costa Rica e do Panamá. Seu nome vem do espanhol e pode ser traduzido como “velha do tule”, em referência ao chapéu tradicional feito dessa planta que a personagem costuma usar.

A Tulevieja é geralmente descrita como um espírito feminino ligado à natureza, especialmente a rios, florestas e áreas rurais, sendo uma figura comum em narrativas orais dessas regiões.

Aparência

A aparência da Tulevieja varia conforme a região, mas apresenta elementos recorrentes e perturbadores. Ela costuma ser descrita como uma mulher de baixa estatura e corpo robusto, com cabelos desgrenhados e seios grandes, que em muitas histórias escorrem leite constantemente.

Arte de Mato Klaric


Diversos relatos atribuem a ela asas de ave ou de morcego, semelhantes às de uma harpia, além de pernas deformadas ou invertidas, lembrando as de uma ave de rapina. Um detalhe marcante em várias versões da lenda é a presença de formigas que a seguem, alimentando-se do leite que cai no chão enquanto ela caminha.

Lenda

A lenda da Tulevieja geralmente envolve temas de culpa, punição e transformação sobrenatural. Segundo as versões mais conhecidas, a lenda fala de uma jovem considerada bela que manteve um relacionamento secreto dentro de sua comunidade e acabou engravidando. Após o nascimento da criança, ela teria cometido infanticídio, afogando o bebê em um rio.

Como castigo divino ou sobrenatural, a mulher foi transformada em uma criatura monstruosa. Em algumas variantes, ela também se afoga antes de retornar como espírito. Após essa transformação, a Tulevieja passa a vagar eternamente, espalhando medo entre os moradores das áreas por onde aparece.

Relação com La Llorona

Em certas regiões, a Tulevieja foi associada ou misturada à figura de La Llorona, personagem famosa do folclore latino-americano. Nessas versões, ela procura crianças para amamentar e, por vezes, chega a raptá-las.

Outras interpretações a veem como um espírito vingador, que pune homens considerados irresponsáveis, sedutores ou maus pais. De acordo com a tradição oral, uma das poucas formas de escapar de seus ataques é recitar uma oração específica, cujo conteúdo varia conforme a localidade.

Influências mitológicas indígenas

A lenda da Tulevieja apresenta fortes influências da cosmologia talamanquenha, especialmente de Itsö, um espírito associado às montanhas, ao vento, à chuva e às forças da natureza. Em algumas tradições indígenas, Itsö exigia o direito de devorar os primeiros seres humanos como recompensa pela ajuda dada a Sibú, a principal divindade criadora dessa cosmologia.

Com o passar do tempo, esses elementos indígenas se misturaram a valores morais introduzidos após a colonização, dando origem à figura atual da Tulevieja. Assim, a entidade pode ser entendida como o resultado de um processo de sincretismo, combinando crenças pré-colombianas com narrativas morais do folclore cristianizado.

Arte de @fann_angels

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2 de fevereiro de 2026

Jimeng

۞ ADM Sleipnir


Jimeng (chinês 計蒙) é uma divindade da mitologia chinesa, associada às águas profundas e a fenômenos climáticos intensos, como tempestades e redemoinhos. Ele é descrito no Shan Hai Jing (chinês: 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como um ser de forma híbrida, com corpo humano e cabeça de dragão, sendo tradicionalmente apresentado como habitante do monte Guangshan (chinês 光山).

Além de sua morada montanhosa, Jimeng também é descrito como frequentador das profundezas do rio Zhang, conhecido em algumas fontes como Zhangshui (chinês 漳水). Segundo os relatos, sua movimentação nas águas — seja ao emergir, submergir ou circular em áreas profundas do rio — está sempre associada à ocorrência de ventos fortes, redemoinhos e tempestades.



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1 de fevereiro de 2026

Kayeri

۞ ADM Sleipnir

Os Kayeri (também Kayéri ou Cayerisão uma espécie de criatura pertencente ao folclore do povo Cuiba (ou Cuiva), da Colômbia e da Venezuela. São geralmente descritos como seres humanoides dotados de características que remetem a cogumelos, especialmente o “chapéu” (píleo). Produzem ainda um único som característico, descrito como “mu”.

Os Kayeri são criaturas sazonais, podendo ser vistos principalmente durante as estações chuvosas, sobretudo logo após chuvas recentes. Nos períodos mais secos, permanecem no subsolo ou sob as raízes das árvores, utilizando os túneis escavados por formigas para alcançar a superfície. A presença incomum de formigueiros durante a estação chuvosa é considerada um sinal claro da atuação de um Kayeri na região.

Descritos como seres extremamente fortes e velozes, os Kayeri alimentam-se exclusivamente de gado bovino. São capazes de capturar uma vaca inteira e fugir com ela com facilidade. Durante a alimentação, consomem a carne, as entranhas, os chifres, os cascos e até os ossos em uma única refeição, não deixando quaisquer restos.

Arte de Francesco Mazziotta

Os Kayeri machos são descritos como bigâmicos por natureza, possuindo duas esposas cada. Além disso, demonstram predileção por mulheres humanas, que encantam e enfeitiçam para atraí-las. Para além de dizimarem rebanhos de gado, são associados a roubos, assassinatos, sequestros, estupros e a diversos outros atos maléficos.

Segundo a tradição, a forma mais eficaz de matar um Kayeri é atingindo seus rins com uma flecha cuja ponta seja feita de osso, uma vez que a criatura é considerada amplamente invulnerável em outras partes do corpo. Após a morte, o Kayeri transforma-se em uma pedra inofensiva.

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31 de janeiro de 2026

Teliavelis

۞ ADM Sleipnir

Teliavelis (ou Televelis, também conhecido como Telavel, Teljavel, Kalvis, Kalvaitis, Kalvelis ou Kalējs) é um deus ferreiro da mitologia lituana e báltica. Ele é conhecido principalmente por seu papel na forja do Sol, que, segundo relatos antigos, teria sido moldado a partir de um metal incandescente e lançado ao céu, devolvendo a luz ao mundo.

Na tradição pagã lituana, Teliavelis não é um deus solar propriamente dito, mas um artesão divino associado à criação do Sol e ao poder transformador da forja. Ele aparece como auxiliar de Perkūnas, o deus do trovão, para quem fabrica objetos sagrados, como um cinto de prata e estribos de ouro destinados aos Dievo sūneliai (“filhos de Dievas”). Seu culto permaneceu ativo até aproximadamente o século XV, período da cristianização da Lituânia.

A figura de Teliavelis está intimamente ligada ao surgimento da metalurgia na região báltica, especialmente durante a Idade do Bronze. O ferreiro, capaz de dominar o fogo e transformar a matéria, era visto como um agente quase cósmico, o que explica sua associação com a criação de um dos elementos centrais da ordem do mundo: o Sol.

Nome e significado

O nome Teliavelis aparece em fontes escritas do século XIII. Na mitologia lituana, seres conhecidos como velniai teriam sido os primeiros a dominar a arte da forja antes dos humanos. Um deles, Velnias, está associado à terra, ao mundo subterrâneo e à criação por meio do trabalho do metal, o que levou alguns estudiosos a interpretar Teliavelis como um ferreiro de caráter ctônico.

As interpretações etimológicas do nome variam: ele já foi entendido como “deus da Terra”, “deus do caminho” ou como um nome influenciado por tradições escandinavas. No lituano moderno, kalvis significa “ferreiro” e deriva do verbo kalti (“martelar”), preservando na língua a memória dessa antiga divindade.

Na mitologia

Relatos antigos associam Teliavelis a histórias sobre a perda e a recuperação da luz do Sol. O teólogo Jerônimo de Praga registrou que certos povos lituanos veneravam o Sol e um grande martelo. Segundo essas tradições, o Sol teria sido aprisionado por um rei poderoso, fazendo o mundo permanecer na escuridão por vários meses. Para restaurar a luz, forças cósmicas usaram o grande martelo para libertar o Sol de uma torre e devolvê-lo ao céu.

Uma lenda parecida, registrada por Marija Andziulytė-Ruginienė, conta a história de um jovem aprisionado por um dragão em um reino escuro. Nesse lugar, ele descobre uma família real trancada dentro de um baú com várias fechaduras. Usando um martelo, o jovem quebra as fechaduras e liberta os prisioneiros. Ao abrir o baú, uma luz intensa do Sol se espalha, e o jovem acaba ficando cego devido ao brilho.

Teliavelis é frequentemente comparado a outros ferreiros míticos, como Hefesto na mitologia grega, Völundr nas tradições germânicas e Ilmarinen na mitologia fino-careliana. Sua relação com Perkūnas, o deus do trovão, lembra a relação entre Hefesto e Zeus na Grécia Antiga.



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29 de janeiro de 2026

Tandayag Na Opon

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Tandayag na Opon (também grafado Tandayag sa Opon) é uma criatura lendária do Ibalong, poema épico da região de Bicol, nas Filipinas. Representado como um gigantesco javali negro, Tandayag aterrorizava as planícies de Ibalong até ser derrotado pelo herói Baltog.

Narrativa no Ibalong

Segundo a tradição, Tandayag era um javali colossal, com presas tão grandes quanto os braços de um homem. Habitava as colinas de Lingyon e era visto como o guardião das terras antes da chegada dos primeiros colonos humanos. Dotado de força descomunal, devastava plantações por onde passava, especialmente os campos de linsa (taro) cultivados por Baltog na região de Tondol, área correspondente à atual Kamalig.

Arte de delorarts

Baltog, um guerreiro ariano vindo de Boltavara — região que hoje corresponde à Índia —, foi o primeiro grande herói a se estabelecer em Ibalong. Ao encontrar sua plantação destruída por Tandayag, decidiu enfrentar a criatura sozinho, sem armas. Após um combate feroz, conseguiu matá-la com as próprias mãos. Como prova de sua vitória, arrancou as mandíbulas do javali e as pendurou em uma árvore talisay (Terminalia catappa) diante de sua casa.

Esse feito extraordinário consolidou Baltog como líder local e lhe rendeu grande prestígio. Clãs vizinhos, como os de Panicuason e Asog, viajaram até Ibalong apenas para ver os restos do terrível monstro e testemunhar a façanha do herói.

Monumento representando Baltog, localizado na cidade  de Legazpi, em Albay, Filipinas.



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28 de janeiro de 2026

Goslandariu

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Goslandariu é uma criatura lendária do folclore do norte do estado do Piauí. A lenda é mais conhecida nos municípios de Luzilândia e Joaquim Pires, onde se localiza a Lagoa dos Cajueiros, mas também apresenta registros na tradição popular da cidade de Barras. A criatura está diretamente associada a essa lagoa de água doce, que possui cerca de 17 km² de extensão e é alimentada pelos rios Cajueiro e São Nicolau.

Segundo as histórias transmitidas oralmente ao longo das gerações, a região onde hoje se encontra a Lagoa dos Cajueiros teria sido coberta pelo mar em tempos muito antigos. Com o recuo das águas, formou-se o lago, que passou a ser a morada de Goslandariu, visto como uma lembrança viva desses tempos remotos. Descrito como um monstro marinho imortal, de tamanho colossal e aparência assustadora, Goslandariu possui força descomunal, aspecto grotesco e comportamento cruel e predatório.

De acordo com a tradição popular, Goslandariu passa a maior parte do tempo adormecido, despertando apenas a cada cem anos. Quando acorda, permanece ativo por cerca de trinta anos, período em que percorre as águas da lagoa em busca de pessoas e animais para devorar, demonstrando uma fome considerada insaciável. Entre os poderes atribuídos à criatura está a capacidade de lançar raios hipnóticos pelos olhos, capazes de atrair pessoas para dentro da lagoa, mesmo quando se encontram fora da água. Diz-se que a única forma de reduzir esse efeito, caso alguém já esteja nadando, é virar de costas e evitar olhar diretamente para o monstro.

Além disso, Goslandariu possui outras maneiras de capturar suas vítimas. Uma delas seria a liberação de uma substância oleosa na água, que se move rapidamente sob a superfície, paralisa quem tenta fugir e arrasta a vítima até sua boca. Também se conta que a criatura é capaz de virar barcos e canoas com facilidade, utilizando apenas seu tamanho colossal e sua força extraordinária.

Goslandariu é geralmente descrito como um ser cruel, que sente prazer em devorar suas vítimas lentamente, ouvindo seus gritos de medo e dor. Outro aspecto marcante da criatura é seu poder de transformação: ela poderia assumir a forma de outros animais aquáticos, como cobras e jacarés, ou até mesmo de elementos da própria lagoa, como flores aquáticas. Essa capacidade torna o monstro ainda mais perigoso, pois suas vítimas dificilmente perceberiam sua presença antes do ataque. Diz-se que ele vive escondido nas profundezas da Lagoa dos Cajueiros, sob uma pequena ilha existente no local. Atualmente, a criatura estaria em sono profundo, aguardando o momento inevitável de seu próximo despertar, mantendo o ciclo que alterna longos períodos de silêncio com fases de terror e destruição.


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Ruby