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3 de julho de 2026

A Jornada ao Oeste: Capítulo LXXIV

۞ ADM Sleipnir


CAPÍTULO LXXIV:

LI CHANGGENG FALA SOBRE O PERIGO QUE OS DEMÔNIOS REPRESENTAM. O PEREGRINO EXIBE OS SEUS PODERES DE METAMORFOSE.

Desejos e sentimentos nascem da mesma fonte. Embora sejam naturais ao ser humano, aqueles que abraçaram a pobreza e seguiram o caminho do Zen devem aprender a abandoná-los. Só assim poderão alcançar a pureza da lua que brilha no alto do céu. Quanto maiores forem os méritos acumulados, maior deve ser o cuidado para evitar erros. É preciso lembrar sempre que apenas a perfeição absoluta conduz à iluminação eterna.
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2 de julho de 2026

Telepinu

۞ ADM Sleipnir

Telepinu (também escrito como Telipinu, Telepinus, Talipinu ou Talapinu) foi uma divindade da antiga Anatólia, cultuada no contexto religioso dos hititas. Ele é mais conhecido como um deus ligado à fertilidade, à agricultura, ao crescimento das plantações e à reprodução dos rebanhos. Seu mito mais famoso conta como sua ausência mergulhou o mundo em fome, seca e esterilidade, até que os deuses conseguissem encontrá-lo e acalmar sua ira.

Telepinu fazia parte do conjunto de divindades herdadas ou assimiladas pelos hititas a partir de tradições religiosas mais antigas da Anatólia, especialmente do ambiente hático. Em alguns textos, aparece como filho de Taru, o deus da tempestade e do clima e uma das principais divindades do mundo hitita. Essa ligação com Taru ajuda a explicar sua relação com a fertilidade da terra, já que a vida agrícola dependia das chuvas, das estações e da estabilidade da natureza.

Características

Telepinu era associado à força vital que permite à terra produzir alimento. Sua presença garantia o crescimento do trigo e da cevada, a multiplicação dos animais, a abundância dos campos e a continuidade da vida. Por isso, embora seja lembrado principalmente como um deus agrícola, sua função era mais ampla: ele representava a prosperidade da comunidade e o equilíbrio entre os deuses, os seres humanos e a natureza.

Nos textos hititas, Telepinu não aparece como um deus guerreiro ou criador do mundo, mas como uma divindade cuja ausência ameaça toda a ordem existente. Quando ele se afasta, a vida deixa de seguir seu curso normal. Quando retorna, a fertilidade e a estabilidade são restauradas.

O mito do desaparecimento

O principal mito envolvendo Telepinu é conhecido como Mito de Telepinu ou Mito do Deus Desaparecido. No catálogo moderno dos textos hititas, essa narrativa é identificada como CTH 324. O início do texto chegou até nós danificado, por isso não se sabe com certeza o motivo que levou o deus a ficar furioso. O que se preservou, porém, mostra que sua raiva teve consequências desastrosas.

Tomado pela ira, Telepinu abandona sua terra. Em algumas versões, ele parte de maneira confusa, chegando a calçar os sapatos nos pés errados, detalhe que reforça o estado de desordem causado por sua cólera. Ao desaparecer, ele leva consigo a fertilidade do mundo. Os campos deixam de produzir, os cereais não crescem, os rios e fontes secam, os animais não se reproduzem e mães passam a rejeitar seus filhos. A crise atinge tanto os seres humanos quanto os deuses, pois a ausência de Telepinu rompe o equilíbrio natural e religioso.

Os deuses tentam encontrá-lo. Primeiro, o deus Sol envia uma águia para procurar Telepinu, mas a ave não consegue localizá-lo. Depois, outros deuses também participam da busca, sem sucesso. Por fim, a deusa-mãe Hannahanna envia uma pequena abelha. Apesar de sua fragilidade, é ela quem encontra Telepinu adormecido sob a vegetação. A abelha o desperta picando suas mãos e seus pés, além de ungir seus olhos e membros com cera.

O despertar, porém, não resolve imediatamente o problema. Telepinu fica ainda mais irritado e sua raiva ameaça causar novas destruições. Para que a ordem seja restaurada, é necessário realizar rituais de purificação e encantamentos. Nesse momento, entra em cena Kamrušepa, deusa associada à magia e à cura. Por meio de fórmulas rituais, ela afasta a ira de Telepinu e a envia para o mundo subterrâneo, onde não poderá mais prejudicar a terra.

Depois que a cólera do deus é removida, a vida volta ao normal. Os campos tornam a produzir, os animais reconhecem seus filhotes, os altares recuperam sua função e a prosperidade retorna. O mito termina com a restauração da abundância e da ordem.

Culto

Telepinu foi mencionado em textos rituais e orações hititas. Uma das composições conhecidas é a Oração de Muršili II a Telepinu, na qual o rei pede a proteção do deus para si, para seus súditos e para a terra de Hatti. A oração associa Telepinu à saúde, à prosperidade do reino e à vitória contra inimigos. Esse ripo de registro indica que Telepinu era mais do que um personagem mítico. Ele era uma divindade cultuada e invocada em situações ligadas ao bem-estar do reino, à fertilidade da terra e à estabilidade política. Em uma sociedade dependente da agricultura, uma divindade associada à abundância possuía grande importância religiosa.

Telepinu e os deuses desaparecidos

O mito de Telepinu pertence a um grupo maior de narrativas hititas sobre deuses que desaparecem. Nessas histórias, a ausência de uma divindade provoca uma crise no mundo, seguida por uma busca e por rituais destinados a restaurar a ordem. Esse tema aparece em outros textos da tradição hitita, mas o caso de Telepinu é o mais conhecido e um dos mais bem preservados.

A recorrência desse tipo de narrativa mostra como os hititas concebiam a relação entre religião e natureza. A fertilidade dos campos, o nascimento dos animais, a estabilidade do rei e o funcionamento dos cultos faziam parte de uma mesma ordem. Quando essa ordem era rompida, era preciso restabelecê-la por meio da ação divina e ritual.

Não confundir com o rei Telipinu

Telepinu, o deus, não deve ser confundido com Telipinu ou Telepinus, rei hitita do Antigo Reino. O rei Telipinu governou no século XVI a.C. e ficou conhecido pelo chamado Edito de Telipinu, documento importante para a organização política e sucessória do reino hitita. Apesar da semelhança do nome, trata-se de uma figura histórica diferente da divindade agrícola da mitologia hitita.

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1 de julho de 2026

Fura-pés

۞ ADM Sleipnir

O Fura-pés é uma criatura cuja lenda é atribuída à região de Dom Inocêncio, no sul do Piauí. Segundo a tradição local, trata-se de um pequeno diabrete que vive debaixo da terra, abrindo passagens subterrâneas por onde se move sem ser visto. Ele é descrito como um ser malicioso, que se diverte causando sofrimento aos desavisados. Suas principais vítimas são aqueles que caminham descalços, especialmente em áreas abertas, trilhas ou terrenos afastados. Ao perceber a aproximação de alguém, o Fura-pés ergue as pontas dos chifres para fora da terra e perfura os pés da pessoa. Depois do ataque, desaparece novamente em suas passagens subterrâneas. 

O ferimento causado pelo Fura-pés não seria um machucado comum. Segundo o relato popular, o furo provocado por seus chifres poderia infeccionar, causando febre, tremores, delírios e alucinações. Em versões mais assustadoras, a vítima poderia até morrer. Por isso, a lenda também pode ser entendida como uma advertência contra o hábito de andar descalço. Em terrenos rurais ou de solo exposto, cortes, espinhos, pedras, insetos e infecções representam perigos reais. Assim, a história do Fura-pés transforma esse risco cotidiano em uma assombração fácil de lembrar.

Há quem diga que tudo não passa de uma história inventada pelos mais velhos para convencer as crianças a usarem calçados. Ainda assim, como acontece em muitas lendas populares, existem pessoas que afirmam conhecer vítimas da entidade e até relatam marcas nos pés como prova do encontro.


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30 de junho de 2026

Kōrobesama

۞ ADM Sleipnir

Kōrobesama (japonês  首様 ou こうろべさま, “Venerável Cabeça de Cavalo” ou “Senhor da Cabeça de Cavalo”), também chamado de Kōbesama, Umano-kōbe (“cabeça de cavalo”) e, em contextos religiosos, Komyōjin, é um yokai do folclore japonês associada à ilha de Miyake, no arquipélago de Izu. Sua forma mais conhecida é a de uma cabeça de cavalo que aparece de maneira misteriosa e está ligada a antigas crenças sobre tabus, castigos divinos e cultos locais.

Tradições e crenças

Na região de Kamitsuki, existia o costume de observar um dia de tabu no vigésimo quarto dia do Ano Novo. Nessa data, os moradores limpavam suas casas e, ao cair da noite, fechavam as portas, evitavam fazer barulho e se recolhiam cedo. Segundo a tradição, era nessa noite que o Kōrobesama descia do Monte Kōrobe para percorrer a aldeia. As mulheres eram especialmente aconselhadas a permanecer dentro de casa, e a simples menção da criatura bastava para assustar as crianças e fazê-las obedecer.

Os moradores diziam que o Kōrobesama surgia na forma de uma cabeça de cavalo rolando pelas ruas do vilarejo. Enquanto se movia, produzia um som estranho, comparado ao barulho do arroz sendo lavado.

Arte de TYZ yokai

Origem da lenda

A origem do Kōrobesama está ligada à família sacerdotal Mibu, responsável pelo culto do santuário Mishima Myōjin. De acordo com um antigo registro genealógico da família, no ano de 898 nasceu um cavalo com um único chifre. O animal teria sido posteriormente divinizado sob o nome de Komyōjin e venerado em um santuário localizado no Monte Kōrobe.

Uma das versões mais conhecidas da lenda conta que o cavalo sagrado do santuário Mishima se apaixonou por uma jovem da família Mibu. Obcecado por ela, o animal tornou-se agressivo e passou a exigir que a moça lhe fosse entregue. Tentando evitar isso, o pai da jovem declarou que só aceitaria o pedido se o cavalo conseguisse fazer nascer um chifre em sete dias e sete noites. Para surpresa de todos, o animal retornou no sétimo dia com um chifre na testa. 

Sem poder voltar atrás na promessa, a família envolveu a jovem em panos brancos e a ofereceu ao cavalo. Porém, em vez de levá-la consigo, o animal a matou ao perfurá-la com o chifre. Depois da tragédia, a cabeça do cavalo foi consagrada como Kōrobesama, enquanto a jovem passou a ser venerada como uma divindade local.

Outra narrativa afirma que o cavalo se apaixonou pela esposa de um membro da família Mibu após vê-la em um momento de intimidade. Assim como na versão anterior, o animal tornou-se violento e exigiu que a mulher lhe fosse entregue. A família tentou escondê-la, mas a insistência do cavalo acabou tornando impossível manter a situação sob controle. Por fim, a mulher foi envolta em tecidos e oferecida ao animal. Mesmo assim, ele rasgou as suas vestes e a matou. Depois do ocorrido, os membros da família mataram o cavalo, removeram seu chifre e o consagraram como objeto de culto. Essa versão inclui ainda um detalhe curioso: quando era criança, a mulher costumava ser ameaçada pela mãe com a frase: “Se não obedecer, será entregue a um cavalo.”

Relatos posteriores

Histórias envolvendo o Kōrobesama continuaram a circular na ilha mesmo em tempos mais recentes. Uma delas tem como protagonista um morador chamado Asanuma EtsutarōCerta madrugada, durante um dos dias de tabu, ele voltava para casa quando ouviu um som incomum vindo do lado de fora. O ruído chamou sua atenção porque não havia vento nem qualquer outra explicação aparente. Ao chegar em casa, descobriu que sua esposa também havia escutado o mesmo barulho.

O casal procurou uma anciã da comunidade, que afirmou tratar-se da passagem do Kōrobesama. Mais tarde, uma sacerdotisa realizou uma adivinhação e concluiu que a entidade estava descontente com o estado de conservação de seu santuário. Segundo a interpretação, o Kōrobesama desejava que o local fosse restaurado e purificado.

fonte:

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29 de junho de 2026

Mok-yeo-geo

۞ ADM Sleipnir

Mok-yeo-geo (coreano: 목여거; hanja: 目如炬, “olhos como tochas”) é uma aparição monstruosa da literatura coreana do período Joseon. A criatura é descrita como uma figura gigantesca, vestida com chapéu e capa de palha, dotada de um rosto enorme e olhos brilhantes como tochas. Seu relato aparece no Yongjae Chonghwa (용재총화 / 慵齋叢話), coletânea de anedotas, costumes e histórias curiosas escrita pelo erudito Seong Hyeon (성현 / 成俔, 1439–1504).

A criatura é descrita como uma figura gigantesca, de aparência humanoide, vestida com chapéu e capa de palha. Seu nome parece derivar da expressão chinesa 目如炬, usada no próprio texto para descrever seus olhos brilhantes, semelhantes a tochas acesas. Por isso, Mok-yeo-geo provavelmente não era o nome tradicional de uma criatura popular, mas uma designação posterior baseada em sua característica mais marcante.

Lenda

Segundo o relato registrado no Yongjae Chonghwa, Seong Hyeon encontrou a aparição quando ainda era jovem. Depois de acompanhar um visitante até Namgang, ele voltava para casa sob uma chuva fina. Ao passar por uma região ao sul do Jeonseongseo, órgão responsável pela criação de animais usados em rituais da corte, deparou-se com uma figura gigantesca. A criatura usava um chapéu tradicional de palha e uma capa de palha contra a chuva. Seu rosto era grande e redondo, comparado a uma bacia, e seus olhos brilhavam como tochas. A presença da aparição causou grande perturbação: o cavalo de Seong Hyeon espumava e se recusava a avançar, enquanto ele sentia um calor intenso no rosto e percebia um odor insuportável no ambiente.

Apesar do medo, Seong Hyeon manteve a calma. Ele concluiu que, se perdesse o controle, poderia ser enganado pela aparição. Em vez de fugir, permaneceu firme e encarou a criatura. Depois de algum tempo, a figura voltou a cabeça para o céu, desapareceu gradualmente e subiu pelos ares.

fontes:


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28 de junho de 2026

Aquenáton

۞ ADM Sleipnir


Aquenáton, também conhecido como Akhenaton ou Akhenaten, foi um faraó da XVIII dinastia do Egito Antigo, famoso por promover uma das reformas religiosas mais radicais da história egípcia. Antes de adotar esse nome, governou como Amenófis IV ou Amenhotep IV, nome que significa “Amon está satisfeito”. Seu novo nome, geralmente traduzido como “eficaz para Áton” ou “útil a Áton”, refletia sua devoção ao disco solar Áton, divindade que passou a ocupar o centro da religião oficial durante seu reinado.

Filho de Amenófis III e da rainha Tiy, Aquenáton herdou um Egito rico, poderoso e influente no cenário diplomático do Oriente Próximo. Seu pai havia governado em um período de grande prosperidade, marcado por intensa atividade monumental, contatos internacionais e fortalecimento da imagem real. Nesse contexto, a ascensão de Amenófis IV ao trono ocorreu dentro de uma tradição já consolidada, mas seu reinado logo assumiria um rumo profundamente diferente.

Primeiras reformas

Nos primeiros anos de governo, Amenófis IV ainda se apresentava dentro do quadro religioso tradicional do Egito, mas já demonstrava uma devoção crescente a Áton, divindade ligada à luz visível do sol. Em Karnak, um dos principais centros do culto de Amon, o faraó mandou erguer construções dedicadas ao novo culto solar. Esses templos se diferenciavam dos santuários egípcios tradicionais por valorizarem espaços abertos, nos quais os rituais eram realizados diretamente sob a luz do sol.

Templo de Karnak

A mudança religiosa veio acompanhada de uma transformação artística. As representações da família real passaram a exibir corpos alongados, rostos estreitos, ventres salientes, quadris largos e gestos mais íntimos do que aqueles comuns na arte faraônica anterior. Essa estética, característica do chamado período de Amarna, expressava a nova visão religiosa do reinado, centrada na luz solar, na fertilidade e na relação entre Áton, o faraó e sua família.

A fundação de Aquetáton

Por volta do quinto ano de seu reinado, Amenófis IV mudou seu nome para Aquenáton. Pouco depois, fundou uma nova capital: Aquetáton, “Horizonte de Áton”, situada na região hoje conhecida como Amarna ou Tell el-Amarna. A escolha do local tinha forte significado religioso, pois se tratava de uma área sem ligação dominante com os grandes cultos tradicionais do Egito.

Aquetáton foi planejada como centro político, administrativo e religioso do novo regime. A cidade abrigava palácios, templos, oficinas, bairros residenciais, edifícios administrativos e tumbas destinadas aos membros da corte. Nas falésias ao redor da região, estelas de fronteira registravam os limites sagrados da nova capital e a dedicação do território a Áton.

A religião de Áton

A reforma religiosa de Aquenáton foi uma das mudanças mais radicais da história egípcia. O faraó elevou Áton acima das demais divindades e transformou o disco solar no principal foco da religião oficial. Áton era representado como um disco do qual partiam raios terminados em pequenas mãos, muitas vezes oferecendo o sinal da vida ao faraó, à rainha e às princesas.

Arte de Larry Springfield Jr.

Diferentemente de muitos deuses egípcios, Áton não era representado em forma humana ou animal. Sua presença era expressa por meio da luz solar, fonte de vida, calor e fertilidade. No centro dessa religião estava a figura do próprio faraó, apresentado como o principal intermediário entre o deus e a humanidade. A família real, especialmente Nefertiti e as filhas do casal, também ocupava posição central nas imagens e rituais do período.

Com o avanço da reforma, o culto de Amon perdeu espaço e passou a ser alvo de perseguição oficial. O nome e as imagens desse deus foram apagados de monumentos e inscrições, e outros elementos da religião tradicional também foram reduzidos ou suprimidos. Essa política atingiu profundamente a estrutura religiosa egípcia, já que templos, sacerdotes e cultos locais exerciam grande influência social, econômica e simbólica.

Nefertiti e a família real

Nefertiti, Grande Esposa Real de Aquenáton, foi uma das rainhas mais importantes do Egito Antigo. Durante o período de Amarna, ela aparece com frequência em cenas de culto, oferecendo diretamente a Áton, acompanhando o faraó em cerimônias e participando da iconografia oficial em uma escala incomum para uma rainha egípcia.


O casal teve seis filhas conhecidas: Meritaton, Meketaton, Anquesenpaaton, Neferneferuaton Tasherit, Neferneferuré e Setepenré. A presença constante das princesas nas cenas oficiais reforça a importância da família real na religião de Áton. Em muitas representações, o faraó, a rainha e suas filhas aparecem sob os raios do disco solar, em cenas que misturam solenidade religiosa e intimidade familiar.

A importância de Nefertiti no reinado de Aquenáton continua sendo tema de estudo. Sua imagem aparece em contextos religiosos e políticos de grande destaque, o que indica que ela exerceu papel muito superior ao de uma consorte comum. No final do período de Amarna, os nomes Semencaré e Neferneferuaton aparecem ligados à sucessão real, mas a ordem exata dos acontecimentos ainda é uma das questões mais difíceis da egiptologia.

Arte de Amarna

A arte de Amarna é uma das marcas mais reconhecíveis do reinado de Aquenáton. Ela rompeu com vários padrões tradicionais da arte egípcia, ainda que continuasse ligada a convenções religiosas e políticas próprias do Egito Antigo. Suas figuras alongadas, expressões particulares e cenas familiares criaram uma linguagem visual única dentro da história faraônica.

Um dos exemplos mais conhecidos dessa estética é a imagem da família real sob os raios de Áton. Nessas cenas, Aquenáton, Nefertiti e suas filhas aparecem recebendo diretamente a luz e a vida do deus solar. O estilo reforçava a ideia de que a família real ocupava uma posição especial na ordem cósmica, funcionando como ponto de contato entre Áton e o mundo humano.

Durante muito tempo, a aparência incomum de Aquenáton nas obras de arte levou a diversas interpretações médicas. Hoje, porém, a leitura mais cautelosa é compreender essas imagens dentro do contexto simbólico e religioso do período. A arte egípcia não tinha como objetivo principal reproduzir a aparência física real de uma pessoa, mas expressar ideias de poder, divindade, fertilidade e ordem.

Política externa

O período de Amarna também é conhecido pelas chamadas Cartas de Amarna, um conjunto de tábuas de argila escritas em cuneiforme, principalmente em acádio, a língua diplomática do Oriente Próximo na época. Essas cartas registram a correspondência entre a corte egípcia, governantes vassalos do Levante e grandes potências como Babilônia, Assíria, Mitani e Hatti.

As cartas revelam um cenário diplomático complexo, com pedidos de ajuda, disputas locais, negociações políticas, trocas de presentes e queixas de governantes aliados ao Egito. Elas mostram que o Egito continuava integrado às redes internacionais do período, embora algumas regiões sob sua influência enfrentassem instabilidade. A documentação não permite reduzir a política externa de Aquenáton a uma simples negligência, mas indica que seu reinado ocorreu em um momento de tensões crescentes no Oriente Próximo.

Crise e sucessão

Aquenáton morreu provavelmente no décimo sétimo ano de seu reinado. As circunstâncias de sua morte são desconhecidas. O fim do período de Amarna foi marcado por instabilidade sucessória, mortes na família real e mudanças rápidas no governo. Após Aquenáton, aparecem os nomes de Semencaré e Neferneferuaton, figuras ainda debatidas pelos estudiosos, seguidos pelo jovem Tutancáton.

Tutancáton, que mais tarde adotou o nome Tutancâmon, governou em um período de restauração religiosa. Durante seu reinado, a corte abandonou Aquetáton e o culto de Amon foi oficialmente restabelecido. Os antigos deuses voltaram a ocupar o centro da religião egípcia, e a experiência religiosa de Amarna foi progressivamente rejeitada.

Esse processo foi aprofundado por sucessores como Ay e Horemheb. Monumentos de Aquenáton foram desmontados, seus nomes foram apagados e sua memória foi omitida de listas reais posteriores. Para os egípcios que restauraram a ordem tradicional, o período de Amarna passou a ser visto como uma ruptura indesejada na continuidade religiosa e política do Egito.

A múmia KV55


Uma das questões mais discutidas sobre Aquenáton envolve a múmia encontrada na tumba KV55, no Vale dos Reis. Estudos modernos indicam que o indivíduo ali sepultado pertencia à família real de Amarna e tinha relação direta com Tutancâmon. Por isso, muitos pesquisadores consideram possível ou provável que essa múmia seja a de Aquenáton.

A identificação, porém, ainda exige cautela. A tumba KV55 continha objetos associados ao período de Amarna e sinais de perturbação antiga, o que combina com o destino da memória de Aquenáton após a restauração dos cultos tradicionais. Mesmo assim, a condição da múmia, a idade estimada da morte e a complexidade da sucessão amarniana mantêm o tema em aberto.

Legado

Aquenáton permanece como uma das figuras mais enigmáticas do Egito Antigo. Seu reinado rompeu tradições religiosas profundamente enraizadas, transferiu a capital para uma cidade recém-fundada e produziu uma das linguagens artísticas mais originais da história egípcia. Apesar disso, suas reformas não sobreviveram por muito tempo após sua morte.

A experiência de Amarna foi rapidamente abandonada, mas deixou um legado duradouro para a arqueologia, a história da arte e o estudo das religiões antigas. A cidade de Aquetáton, as Cartas de Amarna, os hinos dedicados a Áton, as imagens de Nefertiti e os debates sobre a sucessão real continuam a fazer de Aquenáton um dos personagens mais estudados e discutidos do mundo antigo.


Arte de ASynfulSoul

fontes:
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27 de junho de 2026

A Mitologia Grega em "Sangue de Zeus" - Parte II

۞ ADM Sleipnir

Arte de Hanwoul228

A primeira temporada de Sangue de Zeus apresentou uma história inspirada livremente na mitologia grega, tendo como base principal a Gigantomaquia, isto é, a guerra entre os deuses olímpicos e os Gigantes. Ao mesmo tempo, a série criou personagens próprios, como Heron e Serafim, e reorganizou diversos elementos dos mitos para construir uma narrativa original. A segunda e a terceira temporadas seguem esse mesmo caminho, mas ampliam bastante o escopo da trama. Se antes o centro da história era o conflito entre Zeus, Hera, Heron, Serafim e os Gigantes, agora a série passa a explorar com mais força o Submundo, Hades, Perséfone, Deméter, as Moiras, Tifão, Cronos e os Titãs. Com isso, a animação se distancia ainda mais de uma adaptação direta dos mitos, mas continua usando muitos elementos reconhecíveis da tradição grega.

Nessa publicação, trago os principais pontos em que a segunda e a terceira temporadas de Sangue de Zeus se aproximam ou se afastam da mitologia original. Para quem ainda não assistiu às temporadas, recomendo que veja os episódios antes da leitura, pois haverá SPOILERS.

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25 de junho de 2026

Pinguins de Leng

۞ ADM Sleipnir

Arte de Bilberry Cat

Os Pinguins de Leng, também conhecidos como pinguins albinos gigantes, são uma espécie fictícia dos Mitos de Cthulhu, apresentada por H. P. Lovecraft na obra Nas Montanhas da Loucura (em inglês: At the Mountains of Madness), escrita em 1931 e publicada originalmente em três partes na revista Astounding Stories, entre fevereiro e abril de 1936.

Na narrativa, os animais são encontrados por membros de uma expedição científica da fictícia Universidade Miskatonic, que descobre ruínas pré-humanas e vastos sistemas subterrâneos ocultos sob a Antártida. Embora sejam frequentemente chamados de “Pinguins de Leng” em bestiários e materiais derivados dos Mitos de Cthulhu, esse nome não é usado diretamente por Lovecraft. No texto original, eles são descritos como pinguins albinos de tamanho extraordinário. A associação com Leng vem do fato de que a região explorada na obra é comparada ao lendário e temido planalto de Leng, mencionado em textos fictícios como o Necronomicon

Descrição

Os pinguins albinos gigantes são aves não voadoras que alcançam cerca de 1,80 metro de altura, superando em tamanho qualquer espécie de pinguim atualmente conhecida. Lovecraft os descreve como animais brancos, corpulentos, de andar cambaleante e pertencentes a uma espécie desconhecida. Seus olhos são atrofiados, reduzidos a fendas praticamente inúteis, resultado de sua adaptação a um ambiente subterrâneo de escuridão permanente.

Apesar de seu aspecto monstruoso, essas criaturas não são apresentadas como agressivas. Quando encontradas pelos exploradores, parecem indiferentes à presença humana e continuam se movendo pelas galerias sem demonstrar hostilidade. Sua estranheza vem menos de um comportamento ameaçador e mais do contraste entre sua aparência familiar, por serem pinguins, e o ambiente impossível em que vivem.

Arte de Chris Thompson

Aparição em Nas Montanhas da Loucura

Na narrativa, os pinguins são encontrados por William Dyer, professor de geologia da fictícia Universidade Miskatonic e narrador da história, e por Danforth, um dos membros mais jovens da expedição antártica. Os dois exploram as galerias localizadas abaixo da antiga cidade dos Antigos, também chamados de Coisas Antigas em algumas traduções.

Antes de vê-los, Dyer e Danforth ouvem gritos semelhantes aos de pinguins vindos das profundezas, algo perturbador em um lugar que, à primeira vista, parecia completamente incompatível com a presença de vida animal comum. Ao avançarem pelas passagens subterrâneas, os dois encontram vários desses pinguins albinos gigantes.

A partir das esculturas deixadas pelos Antigos, os exploradores concluem que os animais descendem de pinguins arcaicos que já existiam na região em eras remotas. Com o avanço das mudanças climáticas e o congelamento da Antártida, parte dessa fauna teria sobrevivido em regiões internas mais quentes, isoladas da superfície. Segundo essa interpretação, o longo período de vida em cavernas escuras teria eliminado a pigmentação dos animais e levado à atrofia de seus olhos. O habitat atual da espécie seria um vasto abismo subterrâneo, quente e habitável, ligado às ruínas da cidade abandonada.

Arte de Nord-Sol

Relação com os Antigos e os shoggoths

Os pinguins parecem ter convivido com os Antigos durante um longo período. Dyer e Danforth supõem que seus ancestrais mantiveram uma relação relativamente pacífica com essa civilização pré-humana, o que explicaria a ausência de reação diante de vestígios ou odores ligados a essas entidades.

A situação muda quando os exploradores se aproximam das regiões mais profundas do abismo. Ali, os pinguins demonstram sinais de medo e confusão diante da aproximação de uma criatura associada aos shoggoths. Essas entidades, criadas originalmente pelos Antigos como servos moldáveis, haviam se rebelado em eras antigas e passado a habitar as profundezas subterrâneas. A presença dos pinguins em pânico reforça a tensão da cena e antecipa o encontro dos exploradores com uma das criaturas mais temidas da obra.

Arte de Onychuk

Função na narrativa

Os Pinguins de Leng cumprem uma função curiosa dentro de Nas Montanhas da Loucura. Por um lado, são criaturas quase cômicas em sua familiaridade: ainda são pinguins, com gritos, movimentos e comportamento reconhecíveis. Por outro, sua altura anormal, sua cegueira, seu albinismo e seu ambiente subterrâneo transformam essa familiaridade em algo inquietante.

Eles também reforçam uma das ideias centrais da obra: a Antártida de Lovecraft não é apenas um deserto gelado, mas a superfície congelada de um mundo muito mais antigo, habitável e desconhecido. A existência dos pinguins sugere que a vida persistiu nas profundezas por milhões de anos, longe da observação humana.

Arte de HarHon

Mito expandido

Autores e obras posteriores incorporaram os pinguins albinos gigantes ao universo expandido dos Mitos de Cthulhu. No conto “The Fillmore Shoggoth”, de Harry Turtledove, eles recebem o nome científico fictício Aptenodytes miskatonensis. Nessa história, exemplares capturados na Antártida são levados aos Estados Unidos e mantidos em cativeiro, em um contexto que mistura horror lovecraftiano, história alternativa e cultura pop dos anos 1960.

Uma possível referência à espécie também aparece na visual novel Deus Machina Demonbane, na qual é mencionada a carne de pinguim antártico como alimento de um shoggoth domesticado.

Na cultura popular lovecraftiana, os Pinguins de Leng permanecem como uma das criaturas mais incomuns associadas a Nas Montanhas da Loucura. Eles não possuem a grandeza cósmica de Cthulhu, Nyarlathotep ou dos shoggoths, mas se destacam justamente por sua estranha simplicidade: são animais reconhecíveis, quase comuns, que sobreviveram em um ambiente impossível e se tornaram testemunhas vivas de uma era anterior à humanidade.

Arte de Tygriffin

fontes:

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