21 de maio de 2026

Gawigawen

۞ ADM Sleipnir

Arte de Elartwyne Estole

Gawigawen (Gawīgawen, pronuncia-se ga-UÍ-ga-uén) é um mítico gigante de seis cabeças pertencente à mitologia do povo Tinguian, habitantes da província montanhosa de Abra, no noroeste de Luzon, nas Filipinas. Ele é comumente conhecido por sua incrível força e pelo seu domínio de armas tão grandes quanto ele ou ainda maiores. 

Embora tenha seis cabeças, Gawigawen possui somente um cérebro, o qual não está armazenado dentro de nenhuma delas, mas sim dentro da grande corcunda na qual suas seis cabeças se apoiam. Essa corcunda é na verdade um grande recipiente reforçado com ossos que envolve e protege o seu cérebro. As seis cabeças do Gawigawen, portanto, são mais como partes externas do seu corpo que transmitem os sentidos ao cérebro.

Gawigawen de Adasen

O conto a seguir foi coletado pelo antropologista Fay-Copper Cole entre 1907 e 1908, durante uma estadia de dezesseis meses com os tinguianos de Luzon. O material, em sua maior parte reunido em textos, foi parcialmente traduzido nas ilhas, enquanto o restante foi trabalhado durante uma breve visita à América em 1909. Nessa tarefa Cole foi auxiliado por Dumagat, um tinguiano de sangue puro, que o acompanhava. 

Certo dia, uma mulher chamada Aponibolinayen estava com uma forte dor de cabeça, e repousava sozinha sobre uma esteira em sua cabana. Enquanto repousava sobre a esteira, lembrou-se de uma fruta extraordinária sobre a qual ouvira falar, mas que jamais tinha visto. Então murmurou para si mesma:

— Ah, como eu gostaria de provar as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Sem perceber, ela havia falado em voz alta. Do lado de fora, na casa espiritual (1), seu marido Aponitolau ouviu suas palavras e perguntou:

— O que foi que você disse?

Temendo que ele colocasse a própria vida em risco para atender seu desejo, Aponibolinayen mentiu:

— Eu disse que queria comer biw (2).

Imediatamente, Aponitolau pegou um saco e saiu em busca da fruta para agradar a esposa. Quando voltou com o saco cheio, ela disse:

— Pendure-as no suporte de bambu acima do fogo. Quando minha cabeça melhorar, eu comerei.

Ele fez como ela pediu e retornou para a casa espiritual. Porém, quando Aponibolinayen tentou comer a fruta, sentiu enjoo e a jogou fora.

Ao ouvir o barulho, Aponitolau perguntou:

— O que aconteceu?

— Apenas deixei uma cair — respondeu ela, voltando para sua esteira.

Algum tempo depois, ela voltou a murmurar:

— Ah, como eu queria as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Mais uma vez Aponitolau ouviu.

— O que você deseja?

— Ovas de peixe — respondeu ela rapidamente, escondendo a verdade.

Determinando-se a satisfazer a esposa, Aponitolau pegou sua rede e foi até o rio. Capturou um belo peixe, abriu-o com a faca e retirou as ovas. Depois cuspiu sobre o corte, que imediatamente cicatrizou, permitindo que o peixe voltasse a nadar.

Feliz por poder agradá-la, retornou para casa trazendo as ovas. Enquanto ela as assava no fogo, ele voltou para a casa espiritual. No entanto, o sabor também lhe causou repulsa, e ela acabou jogando tudo para os cães debaixo da casa.

— O que houve? — perguntou Aponitolau ao ouvir os cachorros latindo. — Por que eles estão fazendo tanto barulho?

— Algumas ovas caíram — respondeu ela antes de voltar a se deitar.

Mais tarde, Aponibolinayen suspirou novamente:

— Ah, como eu queria as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Quando o marido perguntou o que ela desejava, respondeu:

— Quero comer fígado de veado.

Então Aponitolau levou seus cães para as montanhas. Depois de uma longa caçada, conseguiram capturar um veado. Ele retirou o fígado do animal e, mais uma vez, cuspiu sobre o ferimento, que cicatrizou imediatamente, permitindo que o veado fugisse ileso.

Mas Aponibolinayen também não conseguiu comer o fígado. Ao ouvir novamente os cães latindo, Aponitolau percebeu que ela havia jogado a comida fora. Desconfiado, transformou-se em uma centopeia e se escondeu em uma fresta do assoalho.

Foi então que ouviu a esposa repetir mais uma vez:

— Ah, como eu queria as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Saindo do esconderijo, ele perguntou:

— Por que você não me contou a verdade, Aponibolinayen?

Ela respondeu:

— Porque ninguém que vai até Adasen retorna vivo. Eu não queria que você arriscasse sua vida.

Mesmo assim, Aponitolau decidiu partir em busca das lendárias laranjas.

Mandou que a esposa trouxesse palha de arroz. Depois de queimá-la, misturou as cinzas à água com que lavou os cabelos. Aponibolinayen então passou óleo de coco em seus fios, entregou-lhe um pano escuro, um belo cinturão e uma faixa para a cabeça. Também preparou bolos de viagem para ele levar.

Antes de partir, Aponitolau cortou uma videira e a plantou ao lado do fogão.

— Se as folhas murcharem, você saberá que eu morri.

Então pegou sua lança e seu machado de guerra e iniciou a longa jornada.

Quando chegou ao poço de uma gigante, todas as árvores de bétele se curvaram. A gigante soltou um grito tão poderoso que o mundo inteiro estremeceu.

— Como é estranho  pensou Aponitolau— que o mundo trema apenas com a voz daquela mulher.

Mesmo assim, seguiu viagem. Mais adiante passou pela morada da velha Alokotan. Ela soltou seu pequeno cão, que mordeu a perna do viajante.

Não prossiga — advertiu a anciã. — Um grande infortúnio o aguarda. Se continuar, jamais voltará para casa.

Mas Aponitolau ignorou o aviso.

Depois chegou ao lugar onde vivia o Relâmpago.

— Para onde vai? — perguntou o espírito.

— Vou buscar as laranjas de Gawigawen de Adasen.

— Suba naquela pedra alta para que eu veja o seu presságio.

Aponitolau obedeceu. Mas, quando o relâmpago brilhou, ele se assustou e desviou o corpo.

— Não vá — advertiu o Relâmpago. — Seu sinal é ruim. Você nunca retornará.

Ainda assim, ele continuou.

Logo alcançou o domínio de Silit, o Trovão.

— Para onde vai, Aponitolau?

— Buscar as laranjas de Gawigawen de Adasen.

— Então fique sobre aquela pedra para que eu veja seu destino.

Quando o trovão rugiu, Aponitolau saltou de susto.

— Não prossiga — alertou Silit. — Seu presságio é desfavorável.

Mas nenhuma advertência foi capaz de fazê-lo desistir.

Ao chegar ao oceano, Aponitolau usou magia: colocou-se sobre o próprio machado, e a arma deslizou pelas águas como uma embarcação, levando-o através do mar até a outra margem.

Depois de caminhar um pouco, encontrou uma nascente onde algumas mulheres enchiam potes de água.

— Que fonte é esta? — perguntou.

— É a fonte de Gawigawen de Adasen — responderam elas. — E quem é você para ousar vir aqui?

Sem responder, ele seguiu em direção à cidade. Porém descobriu que ela era cercada por uma muralha tão alta que parecia tocar o céu.

Enquanto refletia sobre como entrar, o rei das aranhas aproximou-se e perguntou:

— Por que está tão triste?

— Porque não consigo subir essa muralha.

A aranha então teceu um fio até o topo, e por ele Aponitolau conseguiu escalar a barreira e entrar na cidade.

Gawigawen dormia em sua casa espiritual. Ao despertar e ver um estranho sentado próximo dali, correu furioso para apanhar sua lança e seu machado. Mas Aponitolau o chamou:

— Bom dia, primo Gawigawen. Não fique zangado. Vim apenas comprar algumas de suas laranjas para minha esposa.

Gawigawen então o levou para dentro e trouxe um carabau inteiro para ele comer.

— Se não conseguir comer tudo, não levará as laranjas.

Aponitolau desesperou-se, pois sabia ser impossível devorar toda aquela carne. Nesse momento, porém, surgiram o rei das formigas e o rei das moscas.

— O que o preocupa? — perguntaram.

Quando ouviram a situação, convocaram todos os insetos, que rapidamente consumiram o animal inteiro.

Aliviado, Aponitolau voltou até Gawigawen e disse:

— Já terminei de comer.

Espantado, Gawigawen o conduziu até o pomar das laranjeiras.

— Suba e pegue quantas quiser.

Mas ao se aproximar da árvore, Aponitolau percebeu que os galhos eram feitos de lâminas afiadas. Mesmo subindo com cuidado, acabou cortando-se gravemente ao colher duas laranjas.

Antes de cair, amarrou as frutas à sua lança. Imediatamente, a arma voou pelos céus em direção à sua cidade e entrou pela casa de Aponibolinayen.

Ao ouvir algo cair no chão, ela voltou correndo e encontrou as laranjas de Adasen. Feliz, comeu a fruta tão desejada. Mas então lembrou-se da videira perto do fogão. Suas folhas estavam murchas.

Assim ela soube que o marido havia morrido.

Algum tempo depois, nasceu seu filho, chamado Kanag. O menino cresceu rapidamente, tornando-se o mais valente entre todos os jovens.

Certo dia, enquanto brincava no quintal, lançou seu pião com tanta força que atingiu o pote de lixo de uma velha, que gritou furiosa:

— Se fosse realmente corajoso, iria buscar seu pai, morto por Gawigawen!

Kanag correu para casa chorando e perguntou à mãe o que aquilo significava. Ao ouvir toda a história, decidiu imediatamente partir em busca do pai. Aponibolinayen tentou impedi-lo, mas nada pôde fazer.

Armado com lança, escudo e machado, Kanag deixou a cidade. Quando bateu o escudo, o som ecoou como o exército de mil guerreiros.

— Como esse garoto é valente! — diziam as pessoas. — É ainda mais bravo que o pai.

Ao chegar ao poço da gigante, golpeou o escudo e soltou um grito tão poderoso que o mundo inteiro tremeu.

— Alguém está indo para a batalha — disse a gigante. — E terá sucesso.

Quando passou pela casa de Alokotan, ela soltou novamente o cão contra ele. Mas Kanag decapitou o animal com um único golpe de machado.

— Seu pai morreu — disse a velha —, mas você o encontrará, pois possui um bom presságio.

O Relâmpago também o testou. Kanag permaneceu imóvel diante do clarão. O Trovão rugiu, e o garoto não se moveu.

— Vá em frente — disseram ambos. — Seu destino é favorável.

Quando chegou à fonte de Adasen, as mulheres se assustaram com o estrondo de seu escudo.

— Avisem Gawigawen — declarou Kanag — que estou vindo enfrentá-lo.

As mulheres correram para avisar o gigante.

— Digam a ele que, se for realmente valente, conseguirá entrar na cidade — respondeu Gawigawen.

Ao chegar diante da enorme muralha, Kanag saltou como um pássaro e atravessou o obstáculo de uma só vez.

Na cidade, viu telhados cobertos de cabelos humanos e inúmeras cabeças penduradas ao redor das casas.

—  Agora entendo por que meu pai não voltou  pensou.

Assim que viu o garoto, Gawigawen riu:

— Como é ousado, pequeno guerreiro. Por que veio aqui?

— Vim buscar meu pai. Se não o devolver, eu matarei você.

Gawigawen gargalhou.

— Um único dedo meu já seria suficiente para lutar contra você!

— Veremos — respondeu Kanag. — Pegue suas armas.

Tomado pela fúria, o gigante lançou primeiro seu enorme machado. Mas Kanag usou magia e transformou-se em formiga, escapando do golpe. Depois reapareceu sobre o próprio machado do inimigo.

Enlouquecido, Gawigawen atirou sua lança, mas novamente Kanag desapareceu.

Então chegou a vez do garoto atacar.

Sua lança atravessou o corpo do gigante. Kanag correu e cortou cinco das seis cabeças de Gawigawen, poupando apenas a última até encontrar o pai.

Percorrendo a cidade, descobriu algo horrível: a pele de Aponitolau havia sido transformada em couro de tambor; seus cabelos decoravam as casas; sua cabeça estava presa ao portão da cidade, e o restante do corpo permanecia enterrado sob uma casa.

Depois de reunir todas as partes, Kanag utilizou magia para restaurar o pai à vida.

— Quem é você? — perguntou Aponitolau, despertando. — Quanto tempo dormi?

— Eu sou seu filho — respondeu Kanag. — Você não dormia. Estava morto. Agora pegue meu machado e corte a última cabeça de Gawigawen.

Aponitolau tentou, mas não conseguiu ferir o gigante.

— O que houve, pai?

Então Kanag tomou o machado e decepou a sexta cabeça de Gawigawen.

Pai e filho então usaram magia para fazer lanças e machados voarem pela cidade, exterminando todos os habitantes de Adasen. As riquezas e troféus do lugar seguiram voando até sua terra natal.

Quando Aponibolinayen viu tudo aquilo aparecer dentro de casa, correu até a videira junto ao fogão. Agora ela estava verde e exuberante como uma floresta. Então soube que marido e filho estavam vivos.

Quando ambos retornaram, todos os parentes se reuniram para uma grande celebração. E a felicidade foi tão grande que parecia que o próprio mundo sorria junto deles.

Notas:

  1. Pequeno santuário tradicional do Sudeste Asiático dedicado aos espíritos protetores de um lugar. Geralmente construído sobre pilares ou plataformas, recebe oferendas e imagens votivas para apaziguar entidades espirituais e garantir proteção e harmonia aos habitantes locais.
  2. Uma fruta, sobre a qual não consegui encontrar nada a respeito.

fontes:


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog

20 de maio de 2026

Guajara

۞ ADM Sleipnir

O Guajara é uma entidade do folclore dos povos Tremembé, grupo indígena presente em regiões litorâneas do estado do Ceará, especialmente na área de Almofala. Também conhecido pelos nomes de Duende dos Manguezais, Guari e Pajé do Rio, o ser é associado aos manguezais e às crenças tradicionais ligadas à pesca e à coleta de recursos nesses ambientes.

Segundo a tradição oral, o Guajara é descrito como uma entidade zombeteira e travessa, responsável por provocar medo e confusão entre pescadores, caçadores e moradores das áreas costeiras. Entre suas manifestações mais comuns estão a imitação de sons variados, como vozes de animais, assobios, gritos, ruídos de machado, árvores sendo derrubadas e barulhos associados a caçadores ou coletores de mel. Essas manifestações teriam como objetivo enganar e assustar aqueles que circulam pelos manguezais. Relatos populares afirmam ainda que o Guajara pode assumir a forma de um pato para entrar nas casas e pregar peças nos habitantes locais. Em algumas narrativas, a entidade aparece carregando galhos de mangue, utilizados simbolicamente para castigar aqueles que desrespeitam seus avisos.

Entre os pescadores Tremembé, existe a crença de que sons incomuns ou repentinos no manguezal representam um sinal de mau agouro enviado pelo Guajara. Nessas situações, recomenda-se abandonar a pescaria e retornar para casa, pois insistir na atividade poderia trazer má sorte, febre intensa e dores pelo corpo, descritas como semelhantes às marcas deixadas por açoites. Como forma de proteção, pescadores e caranguejeiros costumam deixar pequenas oferendas de fumo entre as raízes do mangue, prática vista como um gesto de respeito à entidade e uma maneira de evitar seus castigos. 


fontes:
  • FREITAS, A.C.; CARDOSO, I.S.; JOÃO, M.C.A.; KRIEGLER, N. & PINHEIRO, M.A.A. 2018. Lendas, misticismo e crendices populares sobre manguezais, Cap. 5: p. 144-165. In: Pinheiro, M.A.A. & Talamoni, A.C.B. (Org.). Educação Ambiental sobre Manguezais. São Vicente: UNESP, Instituto de Biociências, Câmpus do Litoral Paulista, 165 p;
  • LUÍS DA CÂMARA CASCUDO. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global Editora, 2012.

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog

19 de maio de 2026

Brown Man of the Muirs

۞ ADM Sleipnir

O Brown Man of the Muirs (“Homem Marrom dos Charnecos”) é uma criatura do folclore da fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, especialmente ligada às regiões montanhosas e aos charnecos da Nortúmbria. Nas tradições locais, ele é descrito como um espírito selvagem que protege os animais e as terras isoladas da região. Sua figura está associada ao medo da natureza indomada e à ideia de punição para quem caça ou invade lugares proibidos.

Descrição

O Brown Man of the Muirs costuma ser retratado como um anão forte e atarracado, de cabelos ruivos e crespos, olhos brilhantes e expressão feroz. Suas roupas marrons lembram a vegetação seca dos charnecos, fazendo com que ele quase se confunda com a paisagem. Em algumas histórias, ele é descrito como um ser agressivo e perigoso; em outras, como um guardião severo que apenas reage contra aqueles que desrespeitam a natureza.

Folclore

O relato mais conhecido sobre o Brown Man foi registrado no século XIX pelo escritor William Henderson, a partir de uma carta enviada pelo historiador Robert Surtees a Walter Scott. Segundo a história, dois jovens de Newcastle estavam caçando nos charnecos próximos de Elsdon. Depois de algum tempo, eles pararam para descansar perto de um riacho de montanha. O mais jovem foi beber água sozinho e, ao levantar a cabeça, viu uma figura estranha do outro lado da correnteza. Era o Brown Man of the Muirs. O ser repreendeu o rapaz por matar os animais que viviam sob sua proteção e por invadir seu território. Durante a conversa, afirmou que sobrevivia apenas de alimentos silvestres, como mirtilos, nozes e maçãs. Em seguida, convidou o jovem para atravessar o riacho e conhecer sua morada.

Antes que ele aceitasse o convite, o outro caçador chamou por seu companheiro. Quando o rapaz voltou a olhar, a criatura havia desaparecido. A tradição popular dizia que, se ele tivesse atravessado a água, teria sido morto pelo espírito. Mesmo após o encontro, os dois continuaram caçando. Menos de um ano depois, o mais jovem morreu após adoecer, fato interpretado como uma vingança sobrenatural do Brown Man.

Interpretações e associações

Walter Scott sugeriu que o Brown Man of the Muirs poderia ter relação com os duergar, anões sobrenaturais presentes no folclore do norte da Inglaterra. Ele também apresenta semelhanças com espíritos protetores da natureza encontrados em outras tradições europeias, especialmente aqueles ligados a florestas, montanhas e animais selvagens.

Com o tempo, escritores de contos fantásticos passaram a retratar o Brown Man não como um ser solitário, mas como parte de uma raça de criaturas conhecidas como “Brown Men of the Moors and Mountains” (“Homens Marrons dos Charnecos e Montanhas”). Nessas versões, eles vivem em cavernas subterrâneas, extraem ouro e pedras preciosas das montanhas e saem à noite para festejar ou dançar pelos campos. Eles sequestram crianças humanas e matam qualquer homem que encontram sozinho na natureza. No entanto, podem ser tornados submissos repetindo a invocação "Munko tiggle snobart tolwol dixy crambo"

PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog

18 de maio de 2026

Mafdet

۞ ADM Sleipnir


Mafdet (também conhecida como Mefdet ou Maftet) foi uma antiga deusa da mitologia egípcia ligada à justiça, à punição dos criminosos e à proteção contra criaturas venenosas. Considerada uma das primeiras divindades felinas do Egito Antigo, ela já era venerada nos tempos da Primeira Dinastia, muitos séculos antes de deusas mais famosas como Bastet e Sekhmet ganharem destaque.

Os egípcios acreditavam que Mafdet protegia o faraó, os palácios reais e os locais sagrados contra forças perigosas e malignas. Cobras e escorpiões eram vistos como símbolos do caos e da desordem, e a deusa era chamada de “Matadora de Serpentes” por sua capacidade de derrotar essas criaturas.

Iconografia

Nas representações artísticas, Mafdet costumava aparecer como uma mulher com cabeça de felino. Dependendo da época e da região, esse felino podia lembrar um gato, um guepardo, um serval, uma pantera ou até um leão. Algumas imagens também mostram a deusa com corpo felino e cabeça humana. Em certos relatos, ela podia assumir a forma de um mangusto, animal conhecido por combater serpentes.

Escultura de Mafdet representada como um mangusto

Mitologia e funções

Mafdet era vista como uma divindade severa. Segundo antigas crenças egípcias, ela punia os inimigos da ordem divina arrancando o coração dos malfeitores e entregando-o ao faraó. Por isso, além de protetora, também era associada à execução e à justiça divina.

Nos Textos das Pirâmides, um dos mais antigos conjuntos de escritos religiosos do Egito, Mafdet aparece protegendo o deus solar contra serpentes venenosas durante sua jornada pelo céu. Já no Livro dos Mortos, ela ajuda a combater Apep, a gigantesca serpente do caos que tentava impedir a passagem da barca solar durante a noite. Ao derrotar Apep, Mafdet ajudava a garantir o nascimento de um novo amanhecer.

A deusa também tinha ligação com o mundo dos mortos. Algumas tradições afirmam que ela ajudou a proteger o corpo de Osíris depois que o deus foi despedaçado. Em outras crenças, Mafdet guiava e protegia as almas em sua viagem para o submundo.


Culto

Seu principal centro de culto ficava em Bubástis, cidade do Delta do Nilo conhecida pela veneração das divindades felinas. Ali, Mafdet era cultuada ao lado de Bastet, outra importante deusa associada aos gatos.

Embora tenha perdido importância ao longo dos séculos para outras deusas egípcias mais populares, Mafdet continuou presente em textos religiosos e funerários como símbolo de proteção, justiça e combate às forças do caos. Até hoje, ela é lembrada como uma das mais antigas e misteriosas deusas felinas do Egito Antigo.

Arte de Red Serpent

fontes:

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog

17 de maio de 2026

Bendis

۞ ADM Sleipnir

Bendis (em grego antigo: Βενδις) foi uma antiga deusa adorada pelos trácios, povo que viveu na região dos Bálcãs na antiguidade. Ela era ligada à lua, à caça, à noite e às florestas selvagens. Seus cultos aconteciam principalmente em áreas afastadas das cidades e eram marcados por celebrações intensas, com música, dança e rituais noturnos que os gregos comparavam aos cultos de Dioniso.

Iconograficamente, Bendis era representada de forma semelhante a Ártemis, usando vestes trácias, botas de caça e frequentemente carregando arco, lanças ou tochas. Sua figura simbolizava a conexão entre a lua, a noite, os mistérios religiosos e a natureza selvagem.

Autores gregos frequentemente identificavam Bendis com diferentes divindades do panteão helênico, principalmente Ártemis, devido à sua associação com a caça e a vida selvagem. Em alguns contextos, também era relacionada a Hécate e Selene por seus atributos lunares e noturnos. Certas tradições ainda sugerem que Bendis poderia ser equivalente à deusa trácia Cotys.


Segundo Hesíquio, o poeta Cratino teria chamado a deusa de dilonchos, termo interpretado de diferentes maneiras pelos antigos: poderia significar que Bendis exercia funções tanto celestes quanto terrestres, que portava duas lanças ou ainda que possuía duas luzes — uma própria e outra refletida do sol. Essas interpretações reforçam o caráter dual e lunar da divindade.

O culto de Bendis foi introduzido na Grécia durante o período clássico, provavelmente vindo da Trácia ou da ilha de Lemnos. Em Atenas, sua veneração tornou-se particularmente importante no porto do Pireu, onde eram realizadas anualmente as festividades conhecidas como Bendideias (Bendideia). Platão menciona essa celebração na abertura de sua obra A República, descrevendo uma procissão dedicada à deusa.

Bendis (à direita, usando um barrete frígio, uma túnica curta, botas altas e uma pele de animal) e seus seguidores, possivelmente atletas participando da corrida de revezamento da tocha em homenagem à deusa. Relevo votivo em mármore, feito em Atenas , por volta de 400-375 a.C.

fonte:

PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog

16 de maio de 2026

Kolisao

۞ ADM Sleipnir

O Kolisao (kolisáo), também conhecido como ong-ong, é uma criatura do folclore da província de Negros Oriental, nas Filipinas. Ela é descrita como um grande lagarto-monitor dotado de uma cabeça semelhante à de um macaco e longos cabelos. Segundo a tradição popular, ela habita áreas próximas a nascentes e fontes de água.

De acordo com as crenças locais, pessoas que perturbam o Kolisao podem desenvolver bolhas por todo o corpo como forma de maldição ou punição. Algumas tradições afirmam ainda que a criatura pode ser afugentada de seu território caso um pedaço de ferro seja enterrado próximo ao local onde vive.

fontes:


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog
Ruby