21 de abril de 2026

Hyel

۞ ADM Sleipnir

Hyel é uma divindade lunar considerada o deus supremo e criador na mitologia do povo Pabir/Bura, grupo étnico da região do atual nordeste da Nigéria. Nas tradições orais desse povo, Hyel desempenha um papel central na origem da humanidade e na explicação da mortalidade humana.

De acordo com o mito, pouco tempo após a criação, quando a população humana começou a crescer, ocorreu a primeira morte: um homem deixou de respirar, evento até então desconhecido. Diante da situação, a comunidade decidiu enviar um mensageiro a Hyel em busca de orientação. Um verme foi escolhido para a missão, sendo seguido por um lagarto chamado Agadzagadza.

Após ouvir o relato do verme, Hyel instruiu que o corpo do morto deveria ser pendurado em uma árvore e coberto com mingau, o que faria com que o homem revivesse. No entanto, Agadzagadza, que havia escutado as instruções, correu à frente do mensageiro e transmitiu deliberadamente uma versão falsa da mensagem, afirmando que Hyel ordenara que o corpo fosse enterrado.

Acreditando na informação do lagarto, os humanos enterraram o cadáver. Quando o verme finalmente chegou e comunicou as instruções corretas, já era tarde. Apesar de alertados, os humanos optaram por não desfazer o enterro. Como consequência desse erro, segundo a tradição, a humanidade perdeu definitivamente a capacidade de restaurar a vida, estabelecendo assim a condição irreversível da morte.


fontes:


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20 de abril de 2026

Ādi

۞ ADM Sleipnir

Ādi (sânscrito: आडि, "início"; pronuncia-se Aadi) é um asura da mitologia hindu, mencionado no Matsya Purana (um dos 18 principais textos do hinduísmo). É descrito como filho de Andhaka, outro asura, que foi morto pelo deus ShivaSegundo a narrativa, após a morte do pai, Ādi realizou severas austeridades (tapas) para agradar a Brahma. Quando Brahma lhe concedeu uma dádiva, ele pediu a imortalidade, mas o pedido foi recusado sob o argumento de que todos os seres estão sujeitos à morte. Diante disso, Ādi reformulou seu desejo, declarando que só poderia morrer ao mudar de forma. Aproveitando a ambiguidade da formulação, Brahma concedeu-lhe o poder de transformação, o que, na prática, o tornava invulnerável apenas enquanto permanecesse em sua forma original.

Convencido de sua invencibilidade, Ādi decidiu vingar a morte de Andhaka e dirigiu-se ao Monte Kailasa, a morada celestial de Shiva. Para infiltrar-se, assumiu a forma de uma serpente — animal associado ao deus — e conseguiu acesso aos seus aposentos. Em seguida, transformou-se na aparência de Parvati, esposa de Shiva, com a intenção de enganá-lo e atacá-lo. Shiva, porém, percebeu o disfarce por meio de seu conhecimento espiritual (yoga) e reconheceu a verdadeira natureza do invasor. Uma vez desmascarado, Ādi perdeu a proteção de sua dádiva e acabou sendo morto pelo deus.

Relatos alternativos apresentam variações desse episódio. Em uma dessas versões, Ādi teria recebido de Brahma a oportunidade de aprender artes de combate sob a orientação de Shiva. Após algum tempo de treinamento, passou a perturbar os habitantes do Monte Kailasa. Mais tarde, ao tentar novamente enganar Shiva assumindo a forma de Parvati, foi morto pelo deus com seu Trishula. Em certas interpretações, antes de morrer, Ādi teria implorado por perdão, obtendo de Shiva o moksha (libertação espiritual). Essa versão, contudo, não é amplamente atestada nas fontes purânicas, sendo a narrativa da morte decorrente da limitação da dádiva a mais difundida.


fontes:
  • WILLIAMS, G. M.; ABC-CLIO INFORMATION SERVICES. Handbook of Hindu mythology. Santa Barbara, Calif.: Abc Clio, 2003.
  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Adi (asura). Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Adi_(asura)>;
  • PURANA. The Matsya puranam. Part 2, Translation. New York: Ams Press, 1974.

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19 de abril de 2026

Zadquiel

۞ ADM Sleipnir

Arte de Feig

Zadquiel (em hebraico צָדְקִיאֵל, geralmente interpretado como “justiça/retidão de Deus” ou “Deus é minha justiça”) é um arcanjo tradicionalmente associado à misericórdia, à benevolência e ao perdão. Seu nome aparece em diversas variantes, como Tzadkiel, Zidekiel, Zadakiel, Zedekiel e Hesediel. Em algumas tradições posteriores, também é aproximado de Sachiel, embora nem todas as fontes considerem ambos como a mesma entidade.

Posição nas hierarquias angelológicas

Nas tradições rabínicas e cabalísticas, Zadquiel é frequentemente associado à ordem dos Hashmallim, que, em certos sistemas angelológicos, correspondem às Dominações da hierarquia cristã. Sua posição dentro dessa ordem, no entanto, varia conforme a fonte: algumas o apresentam como chefe ou uma de suas principais figuras, enquanto outras atribuem a liderança a nomes como Hashmal ou Zeraquiel

Na obra cabalística anônima Maseket Azilut (século XIV), Zadquiel — sob o nome Hesediel — é mencionado como co-chefe, ao lado de Gabriel, da ordem dos Shinanim (ou Shinnanim).


Zadquiel e o sacrifício de Isaque

Devido à sua associação com a misericórdia, algumas tradições identificam Zadquiel com o anjo bíblico sem nome que impede Abraão de sacrificar seu filho Isaque (Gênesis 22). Entretanto, essa identificação não é consensual. Outras tradições atribuem esse papel a Miguel, Tadiel ou a outro mensageiro celestial. á ainda interpretações que entendem o “Anjo do Senhor” desse episódio como uma teofania, isto é, uma manifestação direta de Deus, e não como um anjo distinto.

Abraão sacrificando Isaque, por Gerhardt Wilhelm von Reutern (1849)

Funções e atributos simbólicos

Em textos zoháricos e comentários posteriores, Zadquiel é descrito como um dos dois porta‑estandartes que seguem atrás do arcanjo Miguel em batalha, sendo o outro geralmente identificado como Jofiel. 

Na iconografia e nas tradições esotéricas, Zadquiel é associado à cor violeta, símbolo de espiritualidade, transformação e graça, e é frequentemente representado segurando uma lâmina curta, como faca ou punhal.

No misticismo judaico e na magia ritual ocidental, Zadquiel é tradicionalmente ligado ao planeta Júpiter, cuja simbologia envolve expansão, justiça e benevolência. Ele também é associado à quarta sefirá da Árvore da Vida, Chesed, que representa a misericórdia, a graça e o amor divino em sua dimensão mais generosa.


fontes:
  • Zadiel. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Zadiel>;
  • Zadkiel. Disponível em: <https://thegospelchurch.weebly.com/zadkiel.html>. Acesso em: 6 abr. 2026.
  • GUSTAV DAVIDSON. A dictionary of angels : including the fallen angels. [s.l.] Simon & Schuster, 1994.
  • GUILEY, R. The Encyclopedia of Angels. [s.l.] Infobase Publishing, 2004.
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18 de abril de 2026

Ceasg

۞ ADM Sleipnir


Ceasg é uma espécie de sereia do folclore escocês, descrita como tendo a parte superior do corpo de uma mulher e a inferior de um grilse (salmão jovem) Nas Terras Altas da Escócia, também é conhecida pelos nomes gaélicos maighdean na tuinne (“donzela da onda”) e maighdean mhara (“donzela do mar”). Diferentemente de muitas sereias associadas exclusivamente ao oceano, as ceasg são consideradas anfíbias, habitando o mar, rios, riachos e lagoas. Em várias tradições, podem ser capturadas por humanos e, nesse caso, são obrigadas a conceder três desejos antes de serem libertadas — um motivo recorrente no folclore feérico. O encontro com essas criaturas, porém, não é necessariamente benéfico: em alguns relatos, elas atraem ou matam humanos que entram em seu domínio aquático.


Certas histórias atribuem às ceasg características monstruosas. Há versões em que ela engole o herói, que permanece vivo até conseguir escapar com auxílio externo. Nesses relatos, sua vida não reside no corpo, mas em um objeto oculto — geralmente um ovo ou uma concha — cuja destruição é a única forma de matá-la. Também existem narrativas de uniões entre as ceasg e humanos. A criatura pode assumir forma humana e viver em terra, sendo associada à origem de linhagens de pescadores e navegadores. Mesmo após retornar ao mar, ela mantém ligação com seus descendentes, protegendo embarcações e indicando áreas de pesca.

O folclorista Donald MacKenzie (1873-1936) sugeriu que a ceasg pode derivar de uma antiga divindade marinha associada a sacrifícios humanos, hipótese essa baseada em paralelos com outras tradições.


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16 de abril de 2026

Kage-nomi no Ryū

۞ ADM Sleipnir

Kage-nomi no Ryū (japonês 影呑みの竜, “dragão devorador de sombras”) é um yokai do folclore japonês, associado a presságios de morte, e originário da antiga cidade de Shirotori, hoje parte de Higashikagawa, na província de Kagawa, na ilha de Shikoku. Segundo a tradição local, ele habita um lago situado no templo Senkō-ji, conhecido como o lago de BenzaitenDiz-se que, quando uma pessoa se aproxima da água e sua sombra aparece refletida na superfície, o Kage-nomi no Ryū pode engoli-la. A vítima não sofre nenhum efeito imediato, mas passa a estar destinada a morrer prematuramente. 

Não existem descrições claras sobre a aparência do Kage-nomi no Ryū. Ele raramente é visto, permanecendo oculto sob a água. Sua presença é percebida apenas pelo desaparecimento da sombra refletida.

A crença por trás da lenda está ligada à ideia de que a sombra representa parte da essência vital de uma pessoa. Perdê-la seria, portanto, um sinal de que sua vida foi encurtada. Como em muitas histórias desse tipo, o relato também pode ter servido como alerta para evitar que pessoas se aproximassem de lagos profundos, especialmente em áreas consideradas sagradas.


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15 de abril de 2026

O Lenhador Fantasma da Ilha Redonda

۞ ADM Sleipnir

O Lenhador Fantasma da Ilha Redonda é uma lenda do folclore de São Francisco do Sul, no estado de Santa Catarina. A narrativa está associada à chamada Ilha Redonda, assim denominada por pescadores em razão de seu formato circular. Segundo a tradição oral, a Ilha Redonda era conhecida por ser extremamente piscosa, atraindo pescadores de diversas localidades. Apesar da abundância de peixes, poucos se arriscavam a permanecer no local durante a noite. Ao anoitecer, o clima de mistério e apreensão levava muitos a deixar a ilha às pressas, retornando ao mar antes que a escuridão se intensificasse.

Os que decidiam permanecer relatavam experiências incomuns. Em noites de lua cheia, exatamente à meia-noite, quando o silêncio se tornava quase absoluto, ouvia-se ao longe o som de um machado golpeando árvores. O ruído, descrito como firme e ritmado, sugeria a presença de um solitário lenhador trabalhando na mata. Após cerca de trinta minutos, o som cessava repentinamente, e o silêncio voltava a dominar a ilha.

O fenômeno tornava-se ainda mais intrigante ao amanhecer. Esperava-se que, após uma atividade tão intensa, houvesse sinais claros de desmatamento. No entanto, não se encontrava qualquer árvore derrubada ou indício de intervenção humana, permanecendo a vegetação completamente intacta. Mesmo indivíduos céticos, que se dirigiam à ilha com o objetivo de comprovar ou desmentir os relatos, afirmavam ter ouvido o som do machado durante a noite, o que contribuiu para a difusão e permanência da lenda na região.

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Ruby