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| Arte de Javier Bahamonde |


- WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Takhar. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Takhar>;
- VARNER, J. Mythology World Tour: The Serer. Disponível em: <http://jeremyvarner.com/blog/2015/03/mythology-world-tour-the-serer/>.
Takhar
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| Arte de Javier Bahamonde |



O "Gaseador Louco" de Mattoon
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| Arte de John Simcoe |

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| Arte de Rob Morphy |

Knockers
۞ ADM Sleipnir

Os Knockers são criaturas míticas do folclore britânico, associadas principalmente às minas subterrâneas do País de Gales, da Cornualha e de partes da Inglaterra. Tradicionalmente descritos como espíritos semelhantes a gnomos, eles ocupam um lugar importante nas crenças de comunidades mineradoras, sendo vistos tanto como presságios de perigo quanto como possíveis guias para a descoberta de veios minerais. Com a migração de mineiros britânicos para a América do Norte, tornaram-se conhecidos nos Estados Unidos pelo nome de Tommyknockers.
Origem e interpretações
As origens da crença nos Knockers remontam ao folclore galês, de onde se difundiram para a Cornualha e outras regiões mineradoras do Reino Unido. Acreditava-se que os sons característicos produzidos por essas entidades, percebidos como batidas rítmicas nas paredes das minas, indicavam a presença de depósitos ricos de estanho ou serviam como avisos sobrenaturais. Uma interpretação amplamente difundida afirma que os Knockers seriam os espíritos de mineiros mortos em acidentes subterrâneos. Na Cornualha, em particular, existia a crença de que seriam os fantasmas de mineiros judeus que trabalharam nas minas entre os séculos XI e XII. Outras tradições os descrevem simplesmente como espíritos das minas, sem uma origem humana definida.
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| Arte de Joey Barton |
Aparência
Fisicamente, os Knockers são descritos como criaturas de pequena estatura, medindo cerca de dois pés de altura, com cabeças desproporcionalmente grandes e braços longos que quase tocam o chão. Sua pele é frequentemente retratada como enrugada ou desgastada, conferindo-lhes a aparência de pequenos homens idosos. Vestem versões reduzidas das roupas tradicionais de mineiros e costumam portar ferramentas como picaretas e lampiões, reforçando sua ligação direta com o ambiente subterrâneo e o trabalho mineral.
Comportamento
O comportamento atribuído aos Knockers varia conforme a tradição local. Entre os mineiros, havia divergência quanto às intenções dessas entidades. Alguns acreditavam que suas batidas eram tentativas de provocar desabamentos, enquanto outros afirmavam que os sons indicavam locais mais promissores para a mineração. Uma visão bastante difundida sustenta que as batidas serviam como alertas de colapsos iminentes, funcionando como um sistema sobrenatural de aviso. Em geral, os Knockers eram considerados inofensivos ou até benevolentes, embora conhecidos por suas travessuras, como esconder ferramentas, roubar comida ou apagar velas. Em versões mais sombrias do mito, dizia-se que podiam provocar incêndios nos túneis.
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| Arte de Rather-Drawn |
Crenças religiosas e oferendas
Também se acreditava que os Knockers não suportavam símbolos cristãos, especialmente o sinal da cruz, desaparecendo quando confrontados com ele, desde que estivessem fora da vista direta dos humanos. Para manter essas entidades satisfeitas e evitar infortúnios, os mineiros costumavam fazer pequenas oferendas, como lançar o último pedaço de comida nas minas, frequentemente um pastel típico conhecido como pasty. Esse gesto era interpretado como uma forma de respeito e gratidão pela proteção ou pelos avisos recebidos.
Equivalentes em outros folclores
Os Knockers possuem equivalentes em outros folclores europeus, como os coblynau do País de Gales, os brownies da Escócia e da Inglaterra e os leprechauns da Irlanda, além de espíritos mineradores do folclore germânico. Todos compartilham características semelhantes, como a pequena estatura, a associação com o trabalho humano e um comportamento ambíguo, alternando entre auxílio e travessura.


Dragão da Caverna dos Suspiros



Tulevieja
۞ ADM Sleipnir

Tulevieja (também grafada Tulivieja; conhecida como Tepesa entre o povo indígena Ngäbe-Buglé) é uma entidade sobrenatural do folclore da Costa Rica e do Panamá. Seu nome vem do espanhol e pode ser traduzido como “velha do tule”, em referência ao chapéu tradicional feito dessa planta que a personagem costuma usar.
A Tulevieja é geralmente descrita como um espírito feminino ligado à natureza, especialmente a rios, florestas e áreas rurais, sendo uma figura comum em narrativas orais dessas regiões.
Aparência
A aparência da Tulevieja varia conforme a região, mas apresenta elementos recorrentes e perturbadores. Ela costuma ser descrita como uma mulher de baixa estatura e corpo robusto, com cabelos desgrenhados e seios grandes, que em muitas histórias escorrem leite constantemente.
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| Arte de Mato Klaric |
Diversos relatos atribuem a ela asas de ave ou de morcego, semelhantes às de uma harpia, além de pernas deformadas ou invertidas, lembrando as de uma ave de rapina. Um detalhe marcante em várias versões da lenda é a presença de formigas que a seguem, alimentando-se do leite que cai no chão enquanto ela caminha.
Lenda
A lenda da Tulevieja geralmente envolve temas de culpa, punição e transformação sobrenatural. Segundo as versões mais conhecidas, a lenda fala de uma jovem considerada bela que manteve um relacionamento secreto dentro de sua comunidade e acabou engravidando. Após o nascimento da criança, ela teria cometido infanticídio, afogando o bebê em um rio.
Como castigo divino ou sobrenatural, a mulher foi transformada em uma criatura monstruosa. Em algumas variantes, ela também se afoga antes de retornar como espírito. Após essa transformação, a Tulevieja passa a vagar eternamente, espalhando medo entre os moradores das áreas por onde aparece.

Relação com La Llorona
Em certas regiões, a Tulevieja foi associada ou misturada à figura de La Llorona, personagem famosa do folclore latino-americano. Nessas versões, ela procura crianças para amamentar e, por vezes, chega a raptá-las.
Outras interpretações a veem como um espírito vingador, que pune homens considerados irresponsáveis, sedutores ou maus pais. De acordo com a tradição oral, uma das poucas formas de escapar de seus ataques é recitar uma oração específica, cujo conteúdo varia conforme a localidade.
Influências mitológicas indígenas
A lenda da Tulevieja apresenta fortes influências da cosmologia talamanquenha, especialmente de Itsö, um espírito associado às montanhas, ao vento, à chuva e às forças da natureza. Em algumas tradições indígenas, Itsö exigia o direito de devorar os primeiros seres humanos como recompensa pela ajuda dada a Sibú, a principal divindade criadora dessa cosmologia.
Com o passar do tempo, esses elementos indígenas se misturaram a valores morais introduzidos após a colonização, dando origem à figura atual da Tulevieja. Assim, a entidade pode ser entendida como o resultado de um processo de sincretismo, combinando crenças pré-colombianas com narrativas morais do folclore cristianizado.
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| Arte de @fann_angels |
fontes:

Jimeng

