۞ ADM Sleipnir
25 de setembro de 2026
A Jornada ao Oeste: Capítulo LXXV
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24 de setembro de 2026
Kukunochi
۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Kenji Iwasaki |
Kukunochi (japonês 久々能智神, também chamado Kukunochi no kami ou Ki no kami), é um kami (divindade) da mitologia japonesa associado às árvores. Seu nome aparece em antigos textos japoneses, especialmente no Kojiki e no Nihon Shoki, obras fundamentais para o estudo dos mitos de origem do Japão. Nessas fontes, Kukunochi aparece entre as divindades geradas por Izanagi e Izanami durante a criação do mundo. Ele também está associado a tradições religiosas relacionadas à madeira e à proteção das edificações.
Origem mitológica
No Kojiki, compilado em 712, Kukunochi nasce durante o Kamiumi, o ciclo mitológico que descreve o nascimento das divindades. Depois de gerarem as terras e as ilhas do Japão, Izanagi e Izanami dão origem a diversos kami associados aos elementos da natureza.
Kukunochi é apresentado como a divindade das árvores. Seu nascimento ocorre depois do deus do vento, Shinatsuhiko, e antes do deus das montanhas, Ōyamatsumi. Na sequência, nasce Kayanohime, também chamada Notsuchi, divindade associada aos campos e à vegetação.
O Nihon Shoki, compilado em 720, também menciona Kukunochi no relato da geração das divindades. Na narrativa principal, ele é identificado como o ancestral das árvores. Uma das versões alternativas preservadas na mesma obra utiliza seu nome para designar os deuses das árvores.
Nome e significado
O nome Kukunochi apresenta diferentes grafias nos textos antigos. No Kojiki, aparece como 久々能智神 (Kukunochi no Kami), enquanto o Nihon Shoki registra a forma 句句廼馳 (Kukunochi). Na tradição ritual associada à proteção das edificações, encontra-se a denominação 屋船久久遅命 (Yafune Kukuchi no Mikoto).
O significado do nome não é estabelecido de maneira definitiva. Motoori Norinaga, estudioso japonês do período Edo, interpretou o elemento kuku como uma referência ao caule de uma planta e chi como um honorífico masculino. Outras interpretações relacionam kuku a uma forma antiga da palavra árvore. O elemento chi também pode ser entendido como uma referência a um espírito ou como um título honorífico aplicado a entidades dotadas de poder espiritual.
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| Arte de Daisuke Mochida |
Características e associação com as árvores
Kukunochi é identificado principalmente por sua relação com as árvores. As passagens mitológicas que mencionam seu nascimento não apresentam uma descrição detalhada de sua aparência física, nem lhe atribuem uma forma humana, animal ou vegetal específica.
A Encyclopedia of Shinto, da Universidade Kokugakuin, registra a denominação Ki no kami, que significa divindade das árvores. A mesma fonte relaciona Kukunochi ao termo kodama, utilizado para designar os espíritos das árvores na tradição religiosa e no folclore japonês. Essa associação também aparece na tradição ritual preservada no Engishiki, compilação de normas administrativas e práticas cerimoniais concluída em 927.
No xintoísmo, determinadas árvores são consideradas sagradas e podem estar associadas à presença dos kami. Algumas são chamadas shinboku, expressão utilizada para designar árvores sagradas, enquanto outras podem servir como yorishiro, objetos ou lugares nos quais se acredita que uma divindade possa manifestar-se.
Tradições associadas às edificações
Além de sua presença nos mitos de criação, Kukunochi está relacionado aos yafunegami, divindades protetoras das casas. Nessa tradição, é associado à madeira utilizada nas construções e aparece sob o nome Yafune Kukuchi no Mikoto.
Uma das principais referências a essa divindade encontra-se no Ōtono-hogai, também chamado Ōtono-sai, um ritual da corte japonesa destinado à proteção do palácio contra calamidades. Sua liturgia, denominada norito, está preservada no Engishiki. O ritual invoca três divindades: Yafune Kukuchi no Mikoto, associado ao espírito da madeira; Yafune Toyoukehime no Mikoto, relacionado ao espírito do arroz; e Ōmiyanome no Mikoto, divindade vinculada à proteção do palácio. A cerimônia era realizada em diferentes ocasiões, incluindo mudanças da residência imperial e celebrações relacionadas à sucessão do imperador.
A relação entre Kukunochi e Yafune Kukuchi apresenta diferentes interpretações. Uma delas considera a divindade doméstica uma personificação da madeira empregada nas edificações. Outra entende que Kukunochi, originalmente associado às árvores, passou a ser venerado como uma divindade presente nos pilares sagrados das construções. Ambas as interpretações são registradas nos estudos da Universidade Kokugakuin.
Essa associação religiosa também aparece nas cerimônias de levantamento de telhados e nas bênçãos de novas residências, nas quais Kukunochi continua a ser venerado como uma divindade ligada à madeira e à proteção das construções.
Cultura popular
Kukunochi aparece em diferentes jogos eletrônicos japoneses, frequentemente como personagem inspirado na divindade das árvores. Na franquia Shin Megami Tensei, da Atlus, é representado como um demônio da categoria Árvore.
No RPG Ayakashi Rumble!, Kukunochi é retratada como uma personagem feminina ligada à natureza, capaz de ouvir as árvores e controlar trepadeiras. Essa versão também aparece em Legend Clover e Techcronoss, jogos que reúnem personagens de diferentes produções da desenvolvedora Techcross. A personagem também foi escolhida para protagonizar o primeiro episódio de uma adaptação em mangá de Ayakashi Rumble!, anunciada pela desenvolvedora nas comemorações do quinto aniversário do jogo, em 2024.
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| Kukunochi (Shin Megami Tesei) |
fontes:
- ASTON, William George. Shinto: the way of the gods. London: Longmans, Green, and Co., 1905. Disponível em: <https://www.gutenberg.org/files/46038/46038-h/46038-h.htm>;
- KAMIUMI. In: Encyclopedia of Shinto. Tokyo: Kokugakuin University, [20--?]. Disponível em: <https://d-museum.kokugakuin.ac.jp/eos/detail/?id=8995>;
- KOJIKI. Section VI: Birth of the Various Deities. Tradução de Basil Hall Chamberlain. In: Internet Sacred Text Archive. [S. l.: s. n.], 1906. Disponível em: <https://sacred-texts.com/shi/kj/kj013.htm>;
- KUKUNOCHI. In: Encyclopedia of Shinto. Tokyo: Kokugakuin University, [20--?]. Disponível em: <https://d-museum.kokugakuin.ac.jp/eos/detail/?id=9371>;
- KUKUNOCHI NO KAMI (久々能智神). In: Kojiki Divine Name Database. Tokyo: Kokugakuin University, [20--?]. Disponível em: <https://kojiki.kokugakuin.ac.jp/shinmei/kukunochinokami/>;
- NIHONGI: Chronicles of Japan from the Earliest Times to A.D. 697. Book I. Tradução de W. G. Aston. In: Wikisource. [S. l.]: Wikimedia Foundation, 1896. Disponível em: <https://en.wikisource.org/wiki/Nihongi/Book_I>;
- ŌTONO HOGAI. In: Encyclopedia of Shinto. Tokyo: Kokugakuin University, [20--?]. Disponível em: <https://d-museum.kokugakuin.ac.jp/eos/detail/?id=9120>;
- SHINBOKU, SHINJU. In: Encyclopedia of Shinto. Tokyo: Kokugakuin University, [20--?]. Disponível em: <https://d-museum.kokugakuin.ac.jp/eos/detail/?id=9662>;
- YORISHIRO. In: Encyclopedia of Shinto. Tokyo: Kokugakuin University, [20--?]. Disponível em: <https://d-museum.kokugakuin.ac.jp/eos/detail/?id=9657>.
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21 de setembro de 2026
Galley-trot
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Galley-trot (também grafado Gally Trot) é uma aparição sobrenatural do folclore de Suffolk, na Inglaterra, associada principalmente à região de Woodbridge. Segundo um registro de Major Edward Moor, publicado em 1823, a criatura podia assumir a forma de um cão de grande porte, geralmente branco e comparável em tamanho a um boi. Sua aparência era descrita como pouco definida, e ela perseguia pessoas que, assustadas, tentavam fugir. Moor também associou a entidade a Bath-slough, um local que identificou como um terreno alagadiço, embora tenha manifestado dúvidas sobre sua localização e sobre a própria existência do pântano mencionado.
Em relatos posteriores, o Galley-trot também é associado a Dunwich, uma antiga cidade costeira de Suffolk, na Inglaterra. Nesses registros, a criatura aparece com o nome alternativo de Gilitrutt e apresenta variações na aparência, sendo descrita, em algumas versões, como um cão negro. Também é comparada a outros cães sobrenaturais do folclore britânico, como o Black Shuck, embora não esteja estabelecido que sejam a mesma entidade.

fontes:
- ROSE, C. Giants, monsters, and dragons : an encyclopedia of folklore, legend, and myth. New York: Norton, 2001;
- ARCHAEOLOGY DATA SERVICE. Archaeological report on Burgh, Suffolk: incorporating folklore notes by Edward Moor (1823). York: University of York, [20--?]. Disponível em: <https://archaeologydataservice.ac.uk/catalogue/adsdata/arch-2304-1/dissemination/pdf/eaa/vol_040/EAA_REPORT_40.pdf>;
- MOOR, Edward. Suffolk Words and Phrases: or, an attempt to collect the lingual localisms of that county. Woodbridge: J. Loder, 1823. p. 141–142.
- SHUCKSTACK #40. In: Shuck Zine. [S. l.: s. n.], [20--?]. Disponível em: <https://shuckzine.substack.com/p/shuckstack-40>;
- THE PARANORMAL DATABASE. Galley Trot: folklore records from Suffolk. [S. l.: s. n.], [20--?]. Disponível em: <https://paranormaldatabase.com/suffolk/sufpages/suffdata.php?pageNum_paradata=19&totalRows_paradata=495>.
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16 de setembro de 2026
Kurangaituku
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| Arte de PookaPuck |
Kurangaituku é uma personagem sobrenatural das tradições Māori da Nova Zelândia, especialmente conhecida por sua relação com Hatupatu, herói associado ao povo Te Arawa e à região de Rotorua. Em alguns relatos, aparece como uma mulher com características de ave; em outros, como uma mulher capaz de assumir a forma de um pássaro.
A grafia Kurungaituku também é encontrada, especialmente na tradição publicada pela Raukawa Charitable Trust. As diferenças vão além do nome: enquanto algumas versões apresentam Kurangaituku como uma figura temível que captura Hatupatu e o persegue durante sua fuga, a tradição de Raukawa a descreve como uma guardiã da floresta e dos animais.
Kurangaituku e Hatupatu
Uma das versões mais antigas da história publicadas em forma impressa aparece em 1855, na obra Polynesian Mythology and Ancient Traditional History of the New Zealanders, de George Grey. Nessa versão, Hatupatu encontra Kurangaituku, que consegue capturá-lo e levá-lo para sua morada. A personagem possui características incomuns. O relato menciona asas nos braços e uma forma peculiar de caçar: Kurangaituku atingia os pássaros com os próprios lábios.
Em sua morada havia numerosos pássaros e outros animais mantidos por ela, além de mantos e objetos que despertam o interesse de Hatupatu. Quando Kurangaituku sai para caçar, o jovem permanece sozinho. Ele começa a matar os animais e reúne objetos que pretende levar consigo. Um pequeno pássaro consegue escapar e procura Kurangaituku para avisá-la do ocorrido. Ao retornar e encontrar seus animais mortos, ela parte imediatamente em perseguição a Hatupatu.
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| Arte de Munro Te Whata (@munro.tw) |
A fuga e a rocha de Hatupatu
Durante a perseguição, Hatupatu percebe que Kurangaituku está se aproximando rapidamente. Diante do perigo, recorre a um encantamento para pedir abrigo a uma rocha. A pedra se abre, permitindo que ele entre em seu interior, e volta a se fechar enquanto Kurangaituku o procura do lado de fora.
A fuga é tradicionalmente relacionada à paisagem de Rotorua. Uma formação conhecida como Hatupatu's Rock, ou Rocha de Hatupatu, é identificada como o lugar onde o herói teria se escondido. Algumas versões também associam à pedra marcas atribuídas às garras de Kurangaituku.
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| A chamada Rocha de Hatupatu |
Depois de deixar seu esconderijo, Hatupatu continua fugindo. A perseguição chega à área geotérmica de Whakarewarewa, conhecida por suas fontes e águas quentes. Hatupatu atravessa o local evitando as áreas perigosas, enquanto Kurangaituku tenta acompanhá-lo. Na versão difundida pela tradição de Te Arawa e registrada por Grey, ela acaba caindo nas águas escaldantes e morre.
A guardiã da floresta
Outra tradição apresenta Kurungaituku de maneira bastante diferente. Em Kurungaituku, The Guardian of the Forest, publicação da Raukawa Charitable Trust baseada na tradição de Raukawa, ela é apresentada como uma mulher idosa associada à proteção das florestas e dos animais na região entre Ātiamuri e Te Pae-o-Raukawa. Kurungaituku cuida dos seres pertencentes ao domínio de Tāne, incluindo pássaros feridos ou doentes, e possui a capacidade de assumir a forma de uma ave.
Nessa versão, ela encontra Hatupatu gravemente ferido. Kurungaituku o leva para sua caverna, trata seus ferimentos, inclusive com folhas de kawakawa, e fornece alimento durante sua recuperação. Hatupatu, porém, captura e mata alguns dos pássaros protegidos por sua anfitriã para se alimentar. Ao descobrir o ocorrido, Kurungaituku transforma-se em pássaro e passa a persegui-lo. Mais uma vez, Hatupatu procura proteção na rocha, que se abre para escondê-lo. Ele consegue escapar, mas, ao contrário do relato anterior, Kurungaituku não morre nas fontes termais.
A tradição publicada por Raukawa registra ainda a crença de algumas pessoas de que seu espírito permanece nas florestas próximas de Ātiamuri, onde continua a proteger os seres daquele território.
Uma personagem com diferentes versões
A aparência de Kurangaituku varia de acordo com a tradição. Na versão publicada por George Grey, ela possui asas nos braços e consegue alcançar Hatupatu durante a perseguição. Outras descrições históricas mencionam características associadas às aves, como garras e plumagem. Na tradição de Raukawa, porém, Kurungaituku é apresentada como uma mulher capaz de assumir a forma de um pássaro.
Algumas obras antigas em língua inglesa também descrevem Kurangaituku como uma “ogressa”. O termo, porém, pertence à forma como determinados autores europeus interpretaram a personagem. Para abranger melhor as diferentes tradições, “mulher-pássaro” ou “entidade sobrenatural” são descrições mais adequadas.
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| "Hatupatu e a mort e de Kurangaituku" (2007), gravura em linóleo criada pelo artista maori neozelandês Cliff Whiting. |
- GREY, George. The legend of Hatupatu and his brothers. In: GREY, George. Polynesian Mythology and Ancient Traditional History of the New Zealanders. London: John Murray, 1855. Disponível em: <https://sacred-texts.com/book/polynesian-mythology-and-ancient-traditional-history-of-the-new-zealanders/read/the-legend-of-hatupatu-and-his-brothers>;
- RICHTER-GRAVIER, Raphael. Manu narratives of Polynesia: a comparative study of birds in 300 traditional Polynesian stories. 2019. Thesis (Doctor of Philosophy) – Department of Languages and Cultures, University of Otago, Dunedin, 2019. Disponível em: <https://ourarchive.otago.ac.nz/esploro/outputs/doctoral/Manu-narratives-of-Polynesia-a-comparative/9926478190601891>;
- ROADSIDE stories – Hatupatu's Rock. In: Te Ara: The Encyclopedia of New Zealand. Wellington: Manatū Taonga Ministry for Culture and Heritage, 2012. Disponível em: <https://teara.govt.nz/en/interactive/35251/roadside-stories-hatupatus-rock>;
- TAPSELL, Paora. Hatupatu and Kurangaituku. In: Te Ara: The Encyclopedia of New Zealand. Wellington: Manatū Taonga Ministry for Culture and Heritage, 2005. Disponível em: <https://teara.govt.nz/en/photograph/1519/hatupatu-and-kurangaituku>;
- TE HIKO, Huirama; TE HIKO, Nigel. Kurungaituku, The Guardian of the Forest. Tokoroa: Raukawa Charitable Trust, 2023. Disponível em: <https://www.raukawa.org.nz/wp-content/uploads/2023/06/Pukapuka-S3-English-Kurungaituku-Te-Kaitiaki-o-te-Ngahere.pdf>.
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14 de setembro de 2026
14 Anos de Portal dos Mitos!

Hoje o Portal dos Mitos completa 14 anos de existência.
Embora atingir essa marca me deixe muito feliz — afinal, não é tão fácil quanto alguns pensam —, não estou tão feliz quanto gostaria. Neste mês em particular, quando todos os anos me esforço para trazer posts todos os dias, não pude fazê-lo como de costume, tanto por conta do meu trabalho, que tem exigido muito da minha atenção, quanto por estar me sentindo desmotivado a continuar.
Tem sido muito trabalho e os tempos são outros. Ninguém quer ler mais; querem tudo mastigado em vídeos que falam acelerado e ficam piscando imagens e letras na cara. Eu não sei fazer isso e, sinceramente, também não gosto de consumir esse tipo de conteúdo.
Sigo fazendo este trabalho porque realmente gosto e já não espero obter algum ganho com ele. Vez ou outra, alguns leitores contribuem com um Pix, e aproveito para agradecer a cada um deles. Agradeço também a todos que acompanham o blog, independentemente de colaborarem ou não, seja desde o começo ou há menos tempo.
As visualizações do blog chegam a picos de 10 mil a 12 mil visitas por dia, mas, infelizmente, não vejo isso se convertendo de forma positiva, seja na forma de auxílio ou de comentários.
Outra coisa que tem me deixado chateado é o projeto de tradução de A Jornada ao Oeste estar parado. Faz tempo que não posto nada novo, e não é porque eu não quero. A tradução realmente toma muito tempo e, como já disse, tenho um emprego que tem demandado muito do meu tempo e dedicação. Afinal, é de onde realmente tiro o meu sustento.
Mas isso não significa que o projeto não terá continuidade. O próximo capítulo deve sair em breve; a tradução já está bem encaminhada.
Deixando a negatividade de lado, espero continuar com este trabalho e ter forças para chegar ao próximo ano mais ativo do que nunca.
E espero que todos vocês venham comigo.
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9 de setembro de 2026
Opletai
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| Arte de Ruslan Svobodin |
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| Arte de Misha Tarasov |
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| Créditos ao /LandOfDiffusion |
- GULYAEV, Stepan Ivanovich. Этнографические очерки Южной Сибири [Ensaios etnográficos da Sibéria Meridional]. 1848. Biblioteca da Sociedade Geográfica Russa. Disponível em: <https://elib.rgo.ru/handle/123456789/216914>;
- POTANIN, Grigori Nikolaevich. Юго-Западная часть Томской губернии в этнографическом отношении. In: Этнографический сборник, v. 6. São Petersburgo, 1864, p. 1–154. Disponível em: <https://www.prlib.ru/item/799261>;
- VLASOVA, Marina Nikitichna. Verbete “Оплетай”, em obra sobre superstições e crenças populares russas. Disponível em: <https://libcat.ru/knigi/starinnaya-literatura/422595-219-marina-vlasova-russkie-sueveriya.html>.
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8 de setembro de 2026
Nkala
۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Veronica Mazzaro |
O Nkala é uma entidade sobrenatural das tradições dos Lunda e de povos relacionados da atual Zâmbia. É descrito como uma criatura semelhante a um enorme caranguejo, associada à feitiçaria e ligada a uma pessoa que poderia utilizá-la para causar a morte de outras.
Uma das descrições mais detalhadas do Nkala foi registrada em 1923 por Frank Hulme Melland, a partir das informações fornecidas por um ng'anga, especialista ligado a práticas rituais e de adivinhação. Embora a obra de Melland trate principalmente dos Kaonde, o autor atribui especificamente essa crença aos Lunda. Segundo o relato, o Nkala viveria nos rios e seria capaz de matar uma pessoa ao devorar sua sombra.
Aparência e comportamento
De acordo com Melland, o Nkala teria cerca de 1,2 metro de comprimento e seria quase tão largo quanto comprido. Apesar de ser comparado a um caranguejo, possuiria características incomuns. A criatura teria uma cabeça em cada extremidade do corpo, semelhantes às de um hipopótamo e com protuberâncias próximas aos olhos, além de grandes pinças.
Os Nkala viveriam nos rios e poderiam ser usados para matar pessoas por meios sobrenaturais. Ao encontrar uma vítima, a criatura utilizaria suas duas cabeças para devorar sua sombra pelas duas extremidades. A pessoa morreria depois que a sombra fosse consumida. Os detalhes desse ataque são conhecidos principalmente pelo relato recolhido por Melland.
Relação com a feitiçaria
Nas fontes, o Nkala aparece como uma entidade ligada a uma pessoa que poderia utilizá-la para praticar magia destrutiva. Alguns pesquisadores classificaram seres desse tipo como “familiares”, termo usado para entidades sobrenaturais vinculadas a alguém e capazes de agir em seu benefício ou cumprir suas ordens.
Em 1948, C. M. N. White mencionou o Nkala em um estudo sobre crenças relacionadas à feitiçaria e à magia entre povos da região de Balovale. O antropólogo Victor Turner também o associou a esse tipo de familiar sobrenatural. Segundo as crenças descritas por Turner, entidades como o Nkala poderiam ser criadas por meios mágico-rituais e depois adquirir existência própria, mantendo uma ligação estreita com a vida de seu proprietário.
Como o Nkala era combatido
Melland também registrou uma forma de localizar e matar um Nkala. Segundo o ng'anga consultado por ele, eram preparadas substâncias contendo partes de outros Nkala e colocadas dentro de chifres de duíquer, um pequeno antílope africano. Um dos chifres seria fechado com cera, enquanto outro, preenchido apenas parcialmente, seria utilizado como uma espécie de instrumento de sopro. O som produ
zido serviria para atrair o Nkala para fora do rio.
Quando a criatura aparecesse, os homens que acompanhavam o especialista deveriam matá-la. Depois disso, partes de seu corpo, especialmente as grandes pinças e algumas protuberâncias das cabeças, seriam recolhidas e utilizadas na preparação de substâncias destinadas a localizar outros Nkala.

fontes:
- MELLAND, Frank Hulme. In Witch-bound Africa: An Account of the Primitive Kaonde Tribe and Their Beliefs. 1923. Disponível em: <https://archive.org/details/inwitchboundafri00mell>;
- WHITE, C. M. N. “Witchcraft, Divination and Magic among the Balovale Tribes”. Africa: Journal of the International African Institute, v. 18, n. 2, p. 81–104, 1948. Disponível em: <https://www.cambridge.org/core/journals/africa/article/abs/witchcraft-divination-and-magic-among-the-balovale-tribes1/2B3090070ECDFC0FF7F6BE90ED994847>;
- TURNER, Victor. The Forest of Symbols: Aspects of Ndembu Ritual. Cornell University Press, 1967. Disponível em: <https://books.google.com/books/about/The_Forest_of_Symbols.html?id=62bKQB5xEo0C>.
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7 de setembro de 2026
Atalanta
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| Arte de stevce lazarevski |
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| Meleagro oferece a cabeça do Javali Calidônio a Atalanta, por Giovanni Battista Crosato, c. 1747 |
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| Atalanta e Meleagro, arte de Ivan-Laio Ruíz - Díaz Dausà |
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| A Corrida entre Hipómenes e Atalanta, por Noël Hallé, 1765, Museu do Louvre |
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| Arte de Arthur Le Normand |
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| Atalanta e Hipômenes transformados em leões (1732), pintura de Jean-Baptiste Oudry (1686-1755) |
- APOLÔNIO DE RODES. Argonáutica. Livro I. Tradução de R. C. Seaton. In: Theoi Classical E-Texts Library. London: William Heinemann, 1912. Disponível em: <https://www.theoi.com/Text/ApolloniusRhodius1.html>;
- CALÍMACO. Hino a Ártemis. Tradução de A. W. Mair. In: Hymns and Epigrams. London: William Heinemann, 1921. Disponível em: <https://www.theoi.com/Text/CallimachusHymns1.html>;
- DIODORO SÍCULO. Biblioteca Histórica. Livro IV. Tradução de C. H. Oldfather. In: Theoi Classical E-Texts Library. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1935. Disponível em: <https://www.theoi.com/Text/DiodorusSiculus4B.html>;
- HOMERO. Ilíada. Livro IX. Tradução de A. T. Murray. In: Perseus Digital Library. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1924. Disponível em: <https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.01.0134:book=9>;
- OVÍDIO. Metamorfoses. Livros VIII e X. Tradução de Brookes More. In: Theoi Classical E-Texts Library. Boston: Cornhill Publishing Co., 1922. Disponível em: <https://www.theoi.com/Text/OvidMetamorphoses8.html>;
- PAUSÂNIAS. Descrição da Grécia. Livros V e VIII. Tradução de W. H. S. Jones. In: Theoi Classical E-Texts Library. London: William Heinemann; New York: G. P. Putnam's Sons, 1918–1935. Disponível em: <https://www.theoi.com/Text/Pausanias5B.html>;
- PLATÃO. República. Livro X. Tradução de Paul Shorey. In: Perseus Digital Library. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1935. Disponível em: <https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.01.0168:book=10>;
- PSEUDO-APOLODORO. Biblioteca. Livros I e III. Tradução de James George Frazer. In: Apollodorus Library. Cambridge, MA: Harvard University Press; London: William Heinemann, 1921. Disponível em: <https://www.theoi.com/Text/Apollodorus1.html>.
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