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| "Jupiter e Calisto", por Cornelis Bos |
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| Arte de markus-stadlober |

- CALLISTO (Kallisto) - Arcadian Princess of Greek Mythology. Disponível em: <https://www.theoi.com/Heroine/Kallisto.html>.
Calisto

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| "Jupiter e Calisto", por Cornelis Bos |
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| Arte de markus-stadlober |


Nekhbet
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| Arte de Candida Corsi |
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| O abutre e a cobra representados em uma das coroas usadas pelo faraó Tutancamon |

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| Nekhbet em forma de abutre, trazendo o símbolo shen nas garras |
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| Arte de YunaXD |
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| Arte de Raphaëlle Ellehar Bieuville |

Kalai-pahoa

Origem e natureza
Kalai-pahoa não era entendido apenas como uma entidade espiritual, mas também como uma presença material. Sua imagem era esculpida em madeira proveniente de uma árvore considerada mortal, e o seu próprio nome é geralmente explicado como “aquele talhado pelo machado de pedra”, em referência ao modo como teria sido produzido. Segundo a tradição, essa árvore crescia nas florestas elevadas de Molokai (a quinta maior ilha do Havaí). O poder do deus estaria concentrado na própria madeira, de modo que a imagem talhada não funcionava apenas como representação simbólica, mas como suporte material de uma força perigosa e destrutiva.
Culto e rituais

Segundo algumas narrativas, sacerdotes raspavam pequenas porções da madeira e as misturavam à bebida ritual. O participante que a consumia entrava rapidamente em um estado semelhante ao da morte, com o rosto ruborizado, olhos vítreos e respiração curta. Esse estado era revertido por meio do contato com um objeto sagrado ligado a Mai-ola, divindade apresentada na tradição como uma força oposta a Kalai-pahoa e restauradora da vida.
O ritual pule-ana-ana
Kalai-pahoa estava intimamente associado ao ritual conhecido como pule-ana-ana, ou “oração para a morte”. Segundo relatos tradicionais, seus sacerdotes eram capazes de provocar a morte de inimigos por meios rituais, especialmente ao introduzir raspas da madeira sagrada em alimentos ou bebidas. Essas substâncias podiam ser misturadas discretamente em itens como banana ou taro, ou mesmo dispersas com o uso de leques de penas (kahili), espalhando o que era considerado o “pó da morte”. Em todas essas ações, acreditava-se que o espírito da morte residia na madeira do deus, tornando qualquer contato potencialmente fatal.
Tradições associadas
A origem dos poderes medicinais e venenosos das plantas é explicada por uma tradição que remonta à morte de Milu, uma figura que se tornou o rei dos espíritos. Após esse evento, os deuses deixaram a ilha do Havaí e migraram para Maui, onde passaram a habitar árvores em uma grande floresta.
Nesse contexto surge a figura de Kane-ia-kama, um chefe que, após perder todos os seus bens em jogos, foi guiado por uma misteriosa voz divina que o levou a recuperar sua riqueza e, posteriormente, a descobrir os segredos das árvores habitadas pelos deuses. Instruído por essa voz — por vezes identificada como pertencente a Kane-kulana-ula — ele realizou oferendas e aprendeu a reconhecer as árvores sagradas. Em seguida, ordenou que fossem cortadas para a criação de imagens divinas, apesar do perigo, já que a seiva e os fragmentos dessas árvores eram considerados letais. Desse processo surgiram diversas imagens de deuses, sendo Kalai-pahoa considerada a mais poderosa entre elas, diretamente associada à árvore mais perigosa e ao poder destrutivo nela contido.
Perigo e proibições
A madeira associada a Kalai-pahoa era temida por seu caráter mortal. Segundo relatos tradicionais, um fragmento dessa árvore teria contaminado uma fonte em Molokai, causando a morte de quem bebeu de suas águas. Em resposta, teria sido proibida a posse de pedaços da madeira, sob pena de morte. Apenas imagens esculpidas com finalidade ritual poderiam ser preservadas, por serem consideradas objetos sagrados e controlados.
História e transmissão
Uma tradição afirma que Kalai-pahoa esteve sob a posse do rei Kahekili II, de Maui, antes de chegar às mãos de Kamehameha I. Quando Kamehameha enviou um profeta para solicitar a divindade, Kahekili recusou-se a entregá-la, mas declarou que, no futuro, ele não apenas obteria o deus do veneno, como também o domínio sobre todas as ilhas. Algumas versões mencionam que uma pequena parte da imagem chegou a ser concedida. Após a morte de Kahekili, a previsão se concretizou, e Kamehameha conquistou o arquipélago havaiano, incorporando Kalai-pahoa ao seu conjunto de deuses.
Declínio e preservação
Com a abolição do sistema religioso tradicional havaiano em 1819, marcada pelo fim do sistema kapu, muitas imagens de deuses foram destruídas, queimadas ou lançadas em rios e lagos. Ainda assim, algumas foram secretamente preservadas por seus guardiões. Entre essas sobreviventes estão representações de Kalai-pahoa atualmente conservadas no Bishop Museum, localizado em Honolulu, onde permanecem como importantes testemunhos da antiga religião havaiana.
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| Imagem de Kalai-pahoa (à direita), preservada no Bishop Museum. |
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Ji Gong, o "Monge Louco"
۞ ADM Sleipnir
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| Arte de kimchifuwa |







Sunakake-babā
| Arte de Taro Aima |
Sunakake-babā (japonês: 砂かけ婆, “velha que joga areia”) é uma yokai do folclore japonês, associada sobretudo às tradições das antigas províncias de Nara, Hyōgo e Shiga. Ela é conhecida por lançar areia ou poeira sobre pessoas, especialmente em locais isolados, como trilhas, florestas pouco frequentadas e arredores de santuários.
Descrição e aparência
A Sunakake-babā é tradicionalmente descrita como uma presença invisível, percebida sobretudo pelo som de areia sendo espalhada ou pela sensação de partículas atingindo o corpo. Em muitos relatos, não há contato físico direto, mas apenas uma impressão auditiva ou sensorial do fenômeno. A ausência de registros consistentes em pergaminhos ou pinturas antigas reforça essa característica, indicando que, nas tradições mais antigas, a entidade não possuía uma forma definida ou visível, havendo inclusive crenças de que evitaria se mostrar.
A partir do século XX, contudo, consolidou-se na cultura popular a representação de uma mulher idosa vestida com trajes tradicionais japoneses, amplamente difundida pelo mangá GeGeGe no Kitarō, de Shigeru Mizuki. Segundo o pesquisador Natsuhiko Kyōgoku, essa imagem pode ter sido inspirada nas máscaras do folguedo Ondeko, da ilha de Sado. Embora o nome sugira uma “velha” (babā, 婆), interpretações dialetais ligam o termo a impureza ou sujeira, sem fixar uma figura idosa.
| Arte de Taro Aima |
Tradições regionais e interpretações
As histórias sobre a Sunakake-babā variam bastante de uma região para outra, tanto na forma como o fenômeno é descrito quanto nas explicações dadas a ele. Em geral, os relatos falam de areia ou poeira sendo lançada por algo invisível, quase sempre em lugares isolados ou próximos a áreas consideradas sagradas. Na antiga província de Nara, essas ocorrências costumam ser associadas a florestas e arredores de santuários, onde viajantes seriam surpreendidos por areia surgindo sem origem aparente. Em Hyōgo, especialmente em Nishinomiya, há relatos do som de areia vindo de pinheiros, mesmo quando nada pode ser visto. Já em Amagasaki, contam-se histórias de areia caindo sobre pessoas que atravessam torii à noite, principalmente em santuários dedicados a Inari, além de casos parecidos em regiões próximas a rios.
Na região de Shiga, as explicações tendem a dar uma forma mais concreta ao fenômeno. Em Kusatsu, fala-se de uma idosa que viveria em bambuzais e jogaria areia nos moradores. Em Rittō, a causa é atribuída ao tenkoro, descrito como uma criatura semelhante a um cruzamento entre tanuki e doninha. Em Higashiōmi, há relatos de areia sendo lançada a partir de rios, às vezes acompanhada de uma sensação de mal-estar.
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| Gravura de Shigeru Mizuki |
Narrativas semelhantes e interpretações
Histórias semelhantes aparecem em várias partes do Japão, indicando que esse tipo de fenômeno não é exclusivo dessas regiões. Em locais como Kurume, na província de Fukuoka, Aichi, Tsugaru (em Aomori) e a ilha de Sado (em Niigata), há relatos de tanukis que lançariam areia ou criariam ilusões em trilhas noturnas. Na região do rio Tone, em Chiba, essas criaturas seriam capazes de subir em árvores e dispersar areia sobre transeuntes. Em Tokushima, o fenômeno conhecido como sunafurashi é associado à desorientação e a acidentes próximos à água. Já em Niigata, doninhas são apontadas como responsáveis tanto por lançar areia quanto por apagar fontes de luz. Em Tenri, na província de Nara, há ainda o relato de um “monge que joga areia”.
As interpretações também variam. Em muitos casos, acredita-se que animais como guaxinins ou doninhas sejam os responsáveis, levantando areia ao se mover. Outras explicações sugerem causas naturais, como detritos que caem de árvores ou partículas transportadas por aves. Há ainda interpretações ligadas a práticas rituais, especialmente em pedidos de chuva, nos quais a areia teria um papel simbólico.
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| Sunakake-babā no game Nioh 3 |
fontes:
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Tominikáre

Tominikáre (também grafado Tuminkar, Tuminkare, ou Tominicare) é uma figura central na mitologia dos povos Vapidiana (ou Wapichana), indígenas da região amazônica ao norte do Brasil e áreas vizinhas. Ele é descrito como o criador do mundo e uma autoridade superior na ordem do universo. Nas narrativas em que aparece, atua não apenas na origem da vida, mas também na reorganização do mundo após eventos de destruição, estando associado à criação, ao estabelecimento de normas, como a obrigatoriedade do trabalho e à recriação dos seres humanos.
Criação do mundo
As narrativas vapidianas não apresentam, de forma detalhada, um mito único e sistemático sobre a formação do mundo. Ainda assim, afirmam que Tominikáre foi o responsável por sua criação. Após esse ato inicial, ele confiou a seus irmãos, DuÍdi e Mauáre, a tarefa de concluir e organizar o mundo. Os dois, no entanto, não cumpriram adequadamente essa função, distraindo-se com atividades consideradas fúteis.
Diante disso, Tominikáre reagiu com indignação e tentou destruí-los. Apesar da tentativa, Duídi e Mauáre conseguiram sobreviver e, posteriormente, passaram a ocupar uma posição ativa no mundo, sendo descritos em algumas versões como governadores ou responsáveis por sua condução. Em relatos influenciados por contato cultural externo, Duídi chega a ser identificado com a figura do diabo, o que não corresponde necessariamente à concepção original indígena.
A árvore da vida e a origem do trabalho
Em uma narrativa relacionada à abundância e à transformação das condições humanas, Tominikáre aparece associado à chamada árvore da vida, cujo tronco é identificado como Tamoromu (ou Tomoromu).
Segundo o relato, um homem havia criado uma cotia que, certa manhã, recusou alimento e fugiu de casa. O homem a seguiu e chegou a uma árvore carregada de frutos. Ele então derrubou a árvore e, em seguida, plantou suas sementes. No entanto, o rio encheu e carregou o tronco da árvore. É nesse contexto que Tominikáre intervém e estabelece uma nova condição para a humanidade, declarando que, a partir daquele momento, todos seriam obrigados a trabalhar diariamente.
A árvore da vida e o dilúvio
Outra narrativa, conhecida em alguns registros como Uayana Kadefia, trata do mesmo tronco mítico, o Tamoromu, desta vez como ponto de partida para um grande dilúvio. Segundo esse relato, Tominikáre cria, em um tempo primordial, uma árvore extraordinária da qual provinham todos os alimentos. Nessa época, existiam apenas quatro irmãos e uma irmã. A irmã colheu frutos dessa árvore e, quando os irmãos retornaram, ela já havia crescido muito, tornando-se extremamente alta e abundante. Diante disso, decidiram derrubá-la.
No interior do tronco havia água doce. Após cortá-la, os irmãos vedaram o tronco, mas o mais jovem, movido pela curiosidade, abriu-o para verificar seu interior. Ao fazê-lo, a água se espalhou com força, inundando o mundo. A inundação destruiu tudo, causando a morte dos seres existentes. Após o desastre, Tominikáre recriou os seres humanos e os animais, restabelecendo a ordem do mundo.
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