23 de julho de 2021

Oboroguruma

۞ ADM Sleipnir


Oboroguruma (japonês: 朧車 ou ぼろぐるま, literalmente "carro sombrio") é um yokai do tipo tsukumogami (付喪神,  "espírito artefato") presente no folclore japonês, descrito como um carro de bois meio transparente e com um enorme rosto grotesco e demoníaco em sua dianteira. De acordo com algumas lendas, quando o Oboroguruma aparece, ele sai atropelando tudo e todos que estiverem em seu caminho. Já de acordo com uma lenda em Kyoto, em noites de neblina, as pessoas podem ocasionalmente ouvir o guincho de um carro de bois na rua, e ao sair para verificar a origem do som, acabam se deparando com o carro yokai estacionado ao lado de fora de suas casas.


Imagens desse yokai figuram em pergaminhos de imagens japoneses há centenas de anos, porém ao que parece sem nenhuma lenda associada a ele. O primeiro registro de história associada ao Oboroguruma ocorreu no séc XVIII através de Toriyama Sekien no segundo volume de seu livro Konjaku Hyakki Shūi (今昔百鬼拾遺, "Apêndice aos Cem Demônios do Presente e do Passado"). Pelos seus escritos, os nobres (e seus motoristas) de Kyoto entravam constantemente em conflito para estacionar seus carrinhos, e o sentimento de ódio daqueles que não conseguiam sua vaga contaminavam o próprio carro de boi, que acabava se tornando um yokai.

Cultura Popular
  • Monstros baseados no Oboroguruma aparecem nas franquias de Super Sentai Ninja Sentai KakurangerSamurai Sentai ShinkengerShuriken Sentai Ninninger, e em suas respectivas adaptações para a franquia Power Rangers;
  • No mangá e anime Nurarihyon no Mago, um Oboroguruma é um dos moradores da Casa Nura e é usado como meio de transporte para a família Nura e seus aliados;
  • No cardgame Yu-Gi-Oh!, duas cartas ("Oboro-Guruma, o Mayakashi com Rodas" e "Shafu, o Mayakashi com Rodas") foram baseadas no yokai;
  • Em Yo-kai Watch, Mayoiguruma/No-Go Kart foi baseado no yokai;
  • Oboroguruma é ainda um inimigo no jogo Nioh 2, para Playstation 4.

fontes:
  • yokai.com
  • https://arcanebeastsandcritters.wordpress.com
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21 de julho de 2021

Proteu

۞ ADM Sleipnir

Proteu (grego Πρωτευς) é um antigo deus profético dos mares pertencente à mitologia grega. Seus pais eram o deus Poseidon e a princesa Fenícia, irmã de EuropaOs autores clássicos atribuem duas esposas a ele: a nereida Psamathe e Torone, esta última que também era sua irmã (também filha de Poseidon e Fenícia). Com Psamathe, Proteu foi pai de Teoclímeno e Eidotéia, e com Torone, foi o pai de Tmolos (ou Polígono) e Telégono. Proteu é ainda descrito como pai de Cabeiro, ninfa marinha que se relaciona com Hefesto e dele gera os Cabiros, irmãos gêmeos que serviam ao deus em sua forja. 

Proteu estava especificamente associado à ilha de Lemnos, a vizinha península trácia de Palene e à ilha egípcia de Faros. Ele pode ter sido o equivalente grego do deus marinho fenício Melkart. A ilha de Faros, que é seu lar na Odisséia, possuía uma colônia comercial fenícia em tempos históricos.

Mitos

Recebendo o dom da profecia

Uma lenda conta que Proteu era originalmente de origem egípcio (e chamado de Cetes), mas ao viajar para a região da Trácia, conheceu Torone e se casou com ela. Porém, seus filhos com ela (Tmolos e Telégono) eram seres cruéis e que atacavam estranhos covardemente e os matavam. Incapaz de mudar o comportamento de seus filhos, Proteu clamou à Poseidon para que o levasse de volta para o Egito. Consequentemente, Poseidon abriu um abismo na terra em Palene, e através de uma passagem que ia da terra sob o mar, ele conduziu Proteu de volta ao Egito. Lá, Proteu passou a atuar como uma espécie de guardião dos rebanhos de Poseidon, cuidando dos peixes, focas e demais seres que pertenciam ao deus dos oceanos e mares. 

 Proteu, de N.C. Wyeth (1929)

Pelo bom trabalho que desempenhava, Proteu foi abençoado com o dom da profecia, dando-lhe conhecimento sobre o futuro. Quanto aos seus filhos, acabariam esbarrando com Héracles e sendo mortos por ele.

O encontro com Menelau

Uma vez possuidor do dom da profecia, Proteu passou a ser procurado por muitas pessoas que desejavam obter conhecimento sobre o próprio futuro, mas o deus não gostava de fazer essas revelações. Sempre que alguém tentava se aproximar dele, Proteu se metamorfoseava assumindo formas monstruosas para afugentar os que o procuravam. Eidotéia, uma de suas filhas, era uma das poucas pessoas que conheciam a tática do pai.

Certo dia, Menelau, o rei de Esparta, tentava regressar para sua casa após a Guerra de Troia, quando ventos contrários (obra dos deuses) acabaram levando seu navio até a ilha de Faros, nas costas do Egito, mantendo ele preso em uma calmaria por cerca de vinte dias. Suas provisões estavam acabando e seus homens já estavam desanimados. Num momento quando Menelau havia deixado a embarcação para dar uma volta na ilha e talvez pescar algum alimento, ele foi abordado por Eidotéia, que compadecida da situação dele e de seus homens, revelou que havia na ilha alguém que poderia lhe dizer o que fazer para sair dessa situação.

Menelau precisaria emboscar Proteu durante o seu sono e prendê-lo para que não pudesse escapar e assim conseguir fazer-lhe as perguntas que precisava fazer. Seguindo as instruções de Eidotéia, Menelau e três de seus homens se esconderam na gruta onde Proteu costumava descansar com seu rebanho após as refeições. Assim que o deus chegou, buscou um local cômodo para se deitar e dormir, e assim que fechou seus olhos, Menelau e seus homens pularam sobre ele e o prenderam, segurando seus braços com toda a força que podiam. Enquanto isso Proteu se metamorfoseava em animais, em uma árvore e até em um dragão, mas Menelau e seus homens o apertavam com ainda mais força. Esgotado, Proteu voltou à sua forma normal e concordou em dar a Menelau as respostas que ele precisava para poder retornar a sua terra natal.


Auxiliando Aristeu

Aristeu era uma divindade rústica, filho do deus Apolo com a ninfa Cirene, e associado a apicultura, dentre outras produções. Ao tentar seduzir Eurídice, esposa de Orfeu, acabou sendo responsável indiretamente por sua morte, pois ao fugir dele, acabou sendo picada por uma serpente venenosa.

Após ouvirem o triste canto de Orfeu, as ninfas resolveram se vingar por ele, matando todas as abelhas cultivadas por Aristeu. Sem associar o fato ao que havia ocorrido com Eurídice, Aristeu buscou a ajuda de sua mãe, que era uma ninfa dos rios, e ela lhe contou sobre a existência de Proteu, que tinha o dom da profecia e que poderia lhe revelar o porquê da morte de suas abelhas e como remediar o problema. Cirene também conhecia o truque de Proteu para evadir de seus visitantes, revelando-o a Aristeu e também instruindo-o a prendê-lo para que não fugisse. Da mesma forma como ocorreu com Menelau, Aristeu abordou Proteu enquanto este dormia em sua caverna, e como estava sozinho, o amarrou com correntes. Ao acordar, Proteu se viu preso e logo começou a transmutar-se, sem causar nenhum medo ou espanto em Aristeu. 

Aristeu prendendo Proteu, Sébastien Slodtz (1655–1726)

Vendo seus esforços serem em vão, Proteu retoma sua forma original e se coloca a disposição de Aristeu, que lhe pergunta o que provocou a morte de suas abelhas e o que ele poderia fazer para que isso não voltasse a acontecer. Proteu então revela-lhe que o ocorrido era resultado do seu ato imprudente contra Eurídice e que acabou guiando-a a morte. Revelou-lhe também que a morte das abelhas foram obra das ninfas, e que elas precisavam ter sua ira apaziguada. Aristeu deveria realizar um sacrifício de bois e vacas para as ninfas, e também prestar homenagens fúnebres para Eurídice. Segundo Proteu, nove dias após o sacrifício, ele obteria uma resposta se ele deu certo ou não. Aristeu retornou para seu lar e seguiu as instruções de Proteu. Sacrificou os animais, prestou honras a Orfeu e Eurídice e, ao voltar ao local dos sacrifícios após nove dias, observou uma maravilha: um enxame de abelhas havia tomado posse das carcaças e trabalhava como numa colmeia.

Aristeu

fontes:

  • theoi.com;
  • http://eventosmitologiagrega.blogspot.com;
  • Greek Mythology A to Z, 3º Edição, de Kathleen N. Daly;
  • https://pt.wikipedia.org

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19 de julho de 2021

Cindaku

۞ ADM Sleipnir

Arte de DilaNeko

Os Cindaku (ou Tjindaku) são, de acordo com lendas da comunidade de Kerinci (localizada na ilha de Sumatra, na Indonésia) homens capazes de se transformarem em criaturas híbridas entre homem e tigre. Diferente dos lobisomens, que de acordo com o folclore se transformam apenas em noites de lua cheia, os Cindaku podem se transformar sempre que quiserem, porém estão presos a sua terra natal, perdendo o dom de se transformar assim que a deixam. Para se transformarem, eles precisam se deitar no solo de sua terra natal, encostando o peito no chão.

Arte de Piqri Arqam

Segundo alguns relatos, a capacidade de se transformar em um Cindaku é uma espécie de "ciência da mente", herdada dos ancestrais da sociedade kerinci e passada de pessoa para pessoa dentro de determinadas famílias. Somente um sangue puro, aliado à um grande talento espiritual, garantem que o usuário seja capaz de desenvolver esse poder. 

De acordo com uma história, no entanto, o poder de se tornar homem tigre teria surgido através de um pacto feito entre ancestrais do povo Kerinci com tigres da região, visando manter um limite entre a sociedade dos homens e a dos tigres. Graças a esse pacto, tigres não atacariam mais os humanos, que poderiam viver em paz na região desde que também não atacassem os tigres. Aqueles que obtiveram o poder de se tornar meio humanos, meio tigres, tornaram-se responsáveis por moderar esse pacto. Eventuais casos de tigres atacando e devorando humanos são, por alguns, interpretados como consequências da violação desse antigo pacto.


fontes:
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16 de julho de 2021

Muma Pădurii

۞ ADM Sleipnir

Arte de Raluca Iosifescu

Muma Pădurii (literalmente "Mãe da Floresta" em romeno,  também conhecida como Pădureanca ou Muma Huciului) é uma espécie de bruxa ou criatura das florestas presente no folclore romeno, dita habitar em uma cabana escura e tenebrosa oculta no coração de florestas virgens. Sua aparência é geralmente descrita como a de uma mulher muito velha e feia, porém ela possui a capacidade de mudar de forma, assumindo imagens mais agradáveis conforme a ocasião.

Muma Pădurii é capaz de produzir poderosas poções capazes de ajudar animais feridos e também restaurar uma floresta inteira que esteja morrendo. Além disso, ela mantém invasores indesejados afastados, assustando-os, deixando-os loucos ou até mesmo matando-os.

Segundo algumas histórias, ela seria uma entidade neutra que apenas age contra aqueles que ameaçam as florestas de alguma forma. Porém, outras afirmam que ela gosta de sequestrar e escravizar crianças. Uma tradição popular diz que Muma Pădurii pode roubar crianças de seus berços ou fazê-las adoecer. Para protegê-las, as mães costumam colocar uma vassoura e uma tesoura ao lado do berço do bebê, os quais atuam como um amuleto que mantêm a Muma Pădurii afastada.Em uma história popular e idêntica à do conto de fadas João e Maia, Muma Pădurii tenta ferver uma menina viva em uma sopa. No entanto, o irmão da menina é mais esperto que Muma Pădurii e empurra a mulher-monstro no forno.

Em muitos aspectos, Muma Pădurii se assemelha à Baba Yaga do folclore russo/eslavo, podendo se tratar apenas uma variação romena da mesma.

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14 de julho de 2021

Skidbladnir

۞ ADM Sleipnir

Arte de Mateusz Komada

Skidbladnir (ou Skithblathnirnórdico antigo Skíðblaðnir,  "montado a partir de pedaços finos de madeira") é na mitologia nórdica um navio mágico pertencente ao deus FreyDescrito como o melhor dos navios, Skidbladnir foi um dos três itens mágicos criados pelos anões filhos de Ivaldi (os outros foram a lança Gungnir e os cabelos dourados de Sif) em sua disputa contra os anões irmãos Brokk e Eitri (ou Sindri), disputa essa orquestrada pelo deus da trapaça Loki

Skidbladnir era um navio capaz de ficar grande o suficiente para abrigar todos os deuses, seus cavalos e equipamentos, mas também pequeno o suficiente para ser dobrado e guardado em uma bolsa quando não estiver em uso. Outra característica que o tornava excepcional era a capacidade de locomover não só pelo mar, mas também pela terra e pelo céu.

Arte de Nathan Deregnaucourt

O navio é atestado na Edda Poética, compilada no século XIII a partir de fontes tradicionais anteriores, e na Edda em Prosa e no Heimskringla, ambos escritos no século XIII por Snorri Sturluson. No capítulo 43 do Gylfaginning, primeira parte da Edda em Prosa, a figura entronizada de Hár informa a Gangleri (que era na verdade o rei Gylfi disfarçado) que embora Skidbladnir seja o melhor e o mais engenhoso navio dentre todos, o maior navio (em tamanho) é Nagflar, o navio construído com as unhas dos mortos.

Já no capítulo 7 do Heimskringla, um Odin evemerizado é dito ter possuído várias habilidades mágicas, incluindo que "ele também era capaz com meras palavras de extinguir incêndios, acalmar o mar e virar os ventos da maneira que quisesse. Ele também tinha um navio chamado Skíthblathnir com o qual navegou sobre grandes mares, e que podia ser dobrado como um pano.

Skidbladnir na HQ Loki Vol 2

fontes:

  • Wikipédia
  • Norse Mythology A to Z, 3ª edição, de Kathleen N. Daly

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13 de julho de 2021

Laevateinn

۞ ADM Sleipnir

Arte do card "Relíquia Nórdica Laevateinn" em Yu-Gi-Oh!

Laevateinn (nórdico antigo Lævateinn, "galho danoso") é na mitologia nórdica uma arma brevemente mencionada no poema Fjölsvinnsmál (nórdico antigo, "A balada de Fjölsvinn"), o segundo de dois poemas nórdicos antigos comumente publicados sob o título Svipdagsmál (nórdico antigo, "A balada de Svipdagr") e às vezes incluído em edições modernas da Edda Poética. Criada pelo deus da trapaça Loki, essa arma é descrita como sendo a única capaz de matar Vidofnir (Viðofnir), o galo que habita no topo da árvore Mimameid (Mímameiðr). Vidofinir e Mimameid também são atestados somente nesse poema, e geralmente são considerados outros nomes para a águia Hraesvelgr e a árvore do mundo Yggdrasil

Laevateinn tem sido referida de várias formas por diferentes autores e tradutores; normalmente é referida como sendo uma espada (geralmente flamejante), uma adaga, um dardo ou arma para atirá-lo, uma varinha ou um cetro mágico. Ela foi criada com um galho retirado por Loki da entrada do mundo dos mortos, e encantado com runas mágicas. Ela é ainda guardada por Sinmara, uma giganta, geralmente considerada uma consorte do gigante de fogo Surtur, senhor de Muspelheim.

Nos escritos originais, Laevateinn era chamada de Haevateinn, sendo essa pequena alteração na grafia de H para L obra do linguista norueguês Sophus Bugge (1833-1907).

Cultura Popular

Sob a forma de uma espada flamejante, Laevateinn apareceu no quinto capítulo da série Loki, da Marvel/Disney, sendo entregue ao Loki protagonista por sua variante Loki criança. Antes já havia aparecido em diversas ocasiões nos quadrinhos. A arma também aparece em outras mídias, como no card game Yu-Gi-Oh!, nos mangás/animes Kuroshitsuji e Black Clover, na série de games Touhou Project e como o nome de um personagem do mobile game Phantom of the Kill.


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Ruby