4 de junho de 2026

Begtse

۞ ADM Sleipnir

Begtse (tibetano: བེག་ཚེ་, Wylie: beg tse; chinês: 贝泽), também conhecido como Begtse Chen (“Grande Begtse”), Jamsaran (mongol: Жамсран) ou Sogdag Yamshi Marpo, é uma importante divindade protetora do budismo tibetano. Classificado como um dharmapala — termo usado para designar os guardiões dos ensinamentos budistas —, ele é especialmente venerado na Mongólia e na tradição Gelug do budismo tibetano. Antes de sua incorporação ao universo budista, era cultuado como uma divindade guerreira dos povos mongóis.

Begtse é considerado o principal protetor do ciclo tântrico de Hayagriva, uma das práticas meditativas mais importantes do budismo vajrayana. Em razão de sua aparência avermelhada e de suas funções protetoras, também é frequentemente chamado de “Mahakala Vermelho”, embora possua características próprias que o distinguem das demais manifestações de Mahakala.

Nomes e etimologia

O nome Begtse deriva de uma palavra mongol relacionada à cota de malha, uma armadura formada por anéis metálicos entrelaçados. Essa associação está diretamente ligada à sua iconografia, que o representa como um guerreiro protegido por armadura.

Na Mongólia, a divindade é mais conhecida pelo nome Jamsaran, enquanto fontes tibetanas também o identificam como Sogdag Yamshi Marpo. Em algumas tradições, recebe ainda os nomes Trichapa Chamsing (tibetano) e Prana Atma.

Origens mitológicas

I) Origem pré-budista

Segundo a tradição mongol, Begtse era originalmente um deus da guerra venerado antes da introdução do budismo na região. Com a expansão do budismo tibetano entre os povos mongóis, a divindade foi incorporada ao panteão budista e reinterpretada como protetora do Dharma.

II) Narrativa da tradição Sakya

Uma tradição preservada pela escola Sakya relata que Begtse teria sido, em uma vida anterior, o irmão mais novo daquele que se tornaria o Buda Shakyamuni. Após um conflito religioso entre ambos, prometeu proteger os ensinamentos budistas quando seu irmão alcançasse a iluminação. Como símbolo desse compromisso, recebeu uma armadura de cobre, armas de guerra e o nome Sogdag Yamshi Marpo.

Outra narrativa descreve seu nascimento sobrenatural a partir de um ovo de coral surgido em um cemitério. Segundo essa versão, Begtse nasceu armado e revestido de armadura, enquanto de um segundo ovo surgiu Rigpay Lhamo, sua futura consorte. Ambos teriam sido posteriormente convertidos em protetores do Dharma pela deusa Ekajati.

III) Narrativa mongol

Uma tradição posterior associa sua conversão ao budismo ao encontro com o terceiro Dalai Lama, Sonam Gyatso. Nessa história, Begtse tentou impedir a propagação do budismo utilizando espíritos e criaturas sobrenaturais, mas acabou sendo vencido pelos poderes espirituais do mestre tibetano e jurou proteger os ensinamentos budistas.

Iconografia

Na arte budista, Begtse é representado como uma divindade de aparência feroz. Seu corpo é vermelho, os cabelos são alaranjados e erguidos em chamas, e seu rosto exibe três olhos arregalados e quatro presas. Diferentemente de muitos outros protetores irados do budismo tibetano, costuma ser retratado com apenas dois braços. Sua característica mais marcante é a armadura de cota de malha, que remete diretamente à sua origem como divindade guerreira. Ele veste roupas vermelhas de seda, usa uma coroa adornada com cinco crânios e quatro estandartes, e traz ao pescoço uma guirlanda composta por cinquenta cabeças humanas recém-cortadas. Sobre o peito aparece um espelho ritual com a sílaba sagrada BRAM inscrita em seu centro.

Normalmente, Begtse segura uma espada com cabo em forma de escorpião na mão direita e um coração humano na mão esquerda. Também pode portar arco, flechas e uma longa lança decorada com bandeiras. Sua postura ritual o mostra de pé sobre um disco solar, pisando com o pé direito sobre um cadáver de cavalo e o pé esquerdo sobre um cadáver humano, enquanto é envolvido por chamas que representam a sabedoria purificadora.

A principal consorte de Begtse é Rigpay Lhamo, conhecida como a Deusa da Vida. Ela é descrita como uma divindade de corpo azul-escuro, expressão feroz e adornos feitos de ossos humanos. Costuma ser representada montada sobre um urso devorador de homens, e que atravessa um mar de sangue. O casal possui ainda um filho conhecido como Senhor da Vida, frequentemente retratado empunhando uma lança e montando um lobo azul. Ao redor dessas divindades encontra-se um séquito de vinte e nove auxiliares guerreiros e carniceiros. Juntos, eles formam uma mandala composta por trinta e duas divindades.

Papel religioso

I) Como dharmapala

No budismo tibetano, Begtse é visto principalmente como um protetor dos praticantes sinceros. Sua função é remover obstáculos espirituais, afastar influências negativas e auxiliar na purificação do carma. Em muitas tradições, ele também é invocado para proteger territórios, mosteiros e comunidades budistas.

II) Nas escolas budistas

A escola Gelug o considera uma manifestação iluminada de Hayagriva, enquanto a tradição Sakya o inclui entre os chamados Oito Furiosos, um grupo de importantes divindades protetoras. Embora sua veneração tenha existido em diversas escolas do budismo tibetano, sua devoção alcançou especial destaque entre os mongóis a partir do século XVII.

III) Relação com Hayagriva

Begtse é considerado o principal protetor do ciclo tântrico de Hayagriva, ocupando papel central em diversas práticas meditativas do budismo vajrayana.

História e tradição

A devoção a Begtse desempenhou um papel importante na cultura religiosa da Mongólia e do Tibete ao longo dos séculos. Sua prática foi transmitida por diversas linhagens do budismo tibetano. Segundo as tradições Sakya e Gelug, a linhagem dos ensinamentos relacionados à divindade remonta a Vajradhara, o Buda primordial. Esses ensinamentos chegaram ao Tibete no século XI por intermédio de Nyen Lotsawa Dharma Drag e posteriormente se difundiram por diferentes escolas budistas, especialmente as tradições Sakya, Kagyu e Gelug.

Além de sua importância religiosa, Begtse ocupa lugar de destaque nas danças rituais Cham, no Tibete, e Tsam, na Mongólia. Essas cerimônias combinam elementos de teatro, música, dança e simbolismo espiritual, representando divindades protetoras e episódios da tradição budista. Nas apresentações, Begtse costuma aparecer acompanhado por integrantes de seu séquito, reforçando sua função como guardião do Dharma.

Na cultura mongol, a divindade também foi associada a figuras históricas e lendárias. Algumas tradições identificam o herói épico Gesar como uma manifestação de Jamsaran. No início do século XX, o general mongol Sandagdorjiin Magsarjav, destacado líder militar durante a luta pela independência da Mongólia, foi igualmente considerado por seus seguidores uma emanação de Begtse.

A popularidade do culto a Begtse atingiu seu auge entre o final do século XIX e o início do século XX, período marcado por conflitos políticos e pelo fortalecimento do nacionalismo mongol. Durante a era socialista, muitos mosteiros foram fechados e as práticas religiosas sofreram severas restrições. Com a democratização da Mongólia, na década de 1990, a veneração à divindade passou por um processo de revitalização. Atualmente, cerimônias e serviços religiosos dedicados a Jamsaran continuam sendo realizados em importantes mosteiros do país.

Cultura contemporânea

O nome Begtse foi utilizado para batizar um gênero de dinossauro ceratopsiano descoberto na Ásia, em homenagem à divindade guerreira.

Recentemente, Begtse foi revelado como um dos deuses da guerra no jogo God of War: Laufey (ainda sem data de lançamento).

Begtse (God of War: Laufey)

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3 de junho de 2026

Nossa Senhora da Rapadura

۞ ADM Sleipnir

Nossa Senhora da Rapadura é uma figura folclórica associada à região da  Ilha do Fogo, uma ilha fluvial situada entre as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Segundo a tradição popular, trata-se de uma entidade protetora das águas do rio e das cidades ribeirinhas.

De acordo com a lenda, Nossa Senhora da Rapadura vive no alto do morro da Ilha do Fogo carregando uma rapadura sobre a cabeça. Ela teria sido condenada a permanecer sobre as rochas da ilha para proteger a região, evitando entrar nas águas do rio por medo de que a rapadura se dissolvesse. A crença afirma que, caso isso acontecesse, as águas do São Francisco se tornariam doces por um breve período.

Os relatos populares também descrevem que, em noites muito escuras, uma intensa luz podia ser vista iluminando o topo da ilha, formada por grandes afloramentos de granito. Moradores da região acreditam que existe, sob a ilha, uma imagem de Nossa Senhora com uma rapadura sobre a cabeça.

Na tradição ribeirinha, Nossa Senhora da Rapadura é considerada uma guardiã do rio São Francisco. Algumas versões da lenda afirmam que, se a rapadura algum dia derreter completamente, uma grande inundação atingirá a cidade de Juazeiro.

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2 de junho de 2026

Rugiaevit

۞ ADM Sleipnir

Arte de Miroslav Zapletal

Rugiaevit (também chamado Rugievit ou Ruyevit), era uma divindade cultuada pelos rani, um povo eslavo que habitava a ilha de Rügen, no mar Báltico. Seu nome aparece em apenas duas fontes medievais: a Gesta Danorum, do historiador dinamarquês Saxo Grammaticus (1150-1220), e a Knýtlinga saga ("Saga dos Descendentes de Canuto"), de autor desconhecido. Seu principal centro de culto localizava-se em Charenza, provavelmente a atual cidade de Garz, onde existiam templos dedicados a ele, a Porevit e a Porenut.

Segundo as descrições medievais, a estátua de Rugiaevit era feita de madeira de carvalho e possuía sete rostos humanos. O deus carregava sete espadas presas ao cinturão e uma oitava espada na mão direita. Sob sua boca havia ninhos de andorinhas, detalhe que chamou a atenção dos cronistas cristãos da época. Rugiaevit era associado principalmente à guerra, embora alguns estudiosos também relacionem seu culto à fertilidade e à sexualidade.

Fontes históricas

A principal descrição do deus foi registrada por Saxo Grammaticus ao narrar a conquista dinamarquesa de Rügen em 1168, liderada pelo rei Valdemar I e pelo bispo Absalon. Após a queda do grande templo de Svetovid em Arkona, os habitantes de Charenza decidiram se render sem resistência. Saxo descreve então a entrada dos dinamarqueses nos templos locais e a destruição das imagens sagradas.

O cronista relata que o templo de Rugiaevit era decorado com tecidos púrpura e sustentado por colunas de madeira. No interior encontrava-se o grande ídolo do deus, cuja aparência foi retratada de forma depreciativa pelos autores cristãos. As andorinhas haviam construído ninhos sob a boca da estátua, acumulando sujeira sobre seu peito, algo que Saxo utiliza para ridicularizar a divindade pagã. Apesar disso, a descrição revela que Rugiaevit era considerado um deus poderoso e ligado à guerra, comparado pelo autor ao deus romano Marte.

Após a destruição das estátuas, Saxo menciona uma crença popular segundo a qual os deuses de Charenza puniam transgressões sexuais. O relato descreve pessoas incapazes de se separar durante o ato sexual, o que teria sido interpretado como castigo divino. O texto, porém, não deixa claro se essa associação dizia respeito especificamente a Rugiaevit ou a outro deus local.

A Knýtlinga saga também menciona a divindade, embora utilize a forma distorcida “Rinvit”.

Etimologia

O significado do nome Rugiaevit ainda é debatido pelos estudiosos. A interpretação mais comum traduz o nome como “senhor” ou “governante de Rügen”. Alguns pesquisadores preferem a forma Ruyevit e relacionam a raiz do nome a antigas palavras eslavas ligadas ao cio animal, ao calor e à fertilidade. Essa interpretação aproximou o deus de outras divindades eslavas associadas à primavera e à fertilidade, como Yarovit.

O elemento “-vit” é frequentemente interpretado como “senhor” ou “governante”, aparecendo também em nomes de outras divindades eslavas.

Arte de CommanderNothing

Interpretações

As sete faces de Rugiaevit despertaram diversas interpretações. Em estudos comparativos sobre religiões antigas, figuras policéfalas costumam ser associadas a ideias cosmológicas e ao domínio sobre diferentes aspectos do mundo. As andorinhas presentes na estátua também possuem significado simbólico. Entre diversos povos eslavos, essas aves eram vistas como mensageiras da primavera e ligadas ao mundo espiritual, o que levou alguns estudiosos a associar Rugiaevit aos ciclos da natureza e da fertilidade.

Alguns historiadores consideram que Rugiaevit fazia parte de uma tríade divina cultuada em Charenza ao lado de Porevit e Porenut. Segundo essa interpretação, Rugiaevit ocuparia a posição principal, sendo o deus guerreiro e soberano dos rani, enquanto as outras duas divindades exerceriam funções complementares. Outros pesquisadores identificam Rugiaevit como uma manifestação regional de Perun, o deus eslavo do trovão e da guerra. Essa interpretação aproxima Rugiaevit de outras divindades indo-europeias associadas tanto ao combate quanto à fertilidade.


fontes:
  • DIXON-KENNEDY, M. Encyclopedia of Russian and Slavic Myth and Legend. [s.l.] ABC-CLIO, 1998;
  • BESTMIF.RU. Ругевит, Rugiaevit - Славянская мифология | Бестиарий, существа, мифология, мифы и легенды, арты. Disponível em: <https://bestmif.ru/bestiary/rugevit>;
  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Rugiaevit. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Rugiaevit>.

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1 de junho de 2026

Terminus

۞ ADM Sleipnir

"Terminus, the Device of Erasmus" (c. 1532), arte de Hans Holbein the Younger

Terminus era o deus romano das fronteiras, dos limites territoriais e dos marcos que separavam propriedades. Seu nome deriva diretamente da palavra latina terminus, usada para designar pedras de demarcação. Mais do que simples marcos físicos, essas pedras eram consideradas sagradas e protegidas pela própria divindade, refletindo a enorme importância que os romanos davam à estabilidade das fronteiras e ao respeito pela propriedade.

O culto de Terminus estava intimamente ligado à preservação da ordem social. Remover ou deslocar uma pedra de limite era visto não apenas como um crime, mas também como um sacrilégio. Nas tradições mais antigas, acreditava-se que quem cometesse esse ato seria amaldiçoado e poderia até ser morto. Com o passar do tempo, a punição foi substituída por multas e sanções legais, mas o caráter sagrado dos marcos permaneceu.

Origem e culto

Autores antigos afirmavam que o culto de Terminus teria sido introduzido em Roma durante o período monárquico, possivelmente sob o reinado de Rômulo ou de Numa Pompílio. A tradição atribuía a Numa a intenção de evitar conflitos violentos entre proprietários de terra, estabelecendo limites sagrados protegidos por uma divindade.

As pedras de fronteira eram consagradas em rituais específicos. Durante a cerimônia, colocavam-se no solo oferendas como vinho, grãos, mel e o sangue de animais sacrificados. Depois, o marco era fixado sobre esse depósito ritual. A pedra passava então a representar a presença do próprio Terminus.

Diferentemente de muitos deuses romanos, Terminus não possuía uma mitologia extensa nem grandes narrativas heroicas. Seu culto estava ligado principalmente ao ritual e à função prática de garantir a estabilidade das divisões territoriais. Por isso, muitos estudiosos consideram Terminus um exemplo de antigas crenças romanas associadas diretamente a objetos sagrados e forças protetoras da natureza e da sociedade.

Representação do deus Terminus como um marco de pedra que delimita terras e propriedades. Da obra Mitologia da Juventude, de Pierre Blanchard, 1803.

Terminalia

A principal celebração dedicada a Terminus era a Terminalia, realizada todos os anos em 23 de fevereiro, data que em antigos calendários romanos também marcava o fim do ano.

Durante o festival, famílias vizinhas reuniam-se junto às pedras que delimitavam suas propriedades. Cada grupo decorava seu lado do marco com guirlandas e fazia oferendas de bolos, grãos, favos de mel e vinho. Em seguida, sacrificava-se um cordeiro ou um porco, e o sangue era derramado sobre a pedra sagrada. Após os rituais, aconteciam banquetes comunitários e cantos em honra ao deus.

Terminus e Júpiter

O deus também possuía uma ligação importante com Júpiter, a principal divindade romana. Segundo a tradição, quando o grande Templo de Júpiter Optimus Maximus foi construído no Monte Capitolino, todos os antigos santuários presentes no local aceitaram ser removidos, exceto o de Terminus. Isso foi interpretado como um sinal de que as fronteiras e o poder de Roma seriam permanentes.

Por causa dessa associação, Terminus às vezes era identificado como um aspecto de Júpiter sob o nome de Jupiter Terminalis. Dentro do templo havia uma pedra sagrada ligada ao deus, e um pequeno espaço aberto no teto permitia que ela permanecesse exposta ao céu, conforme exigia a tradição religiosa.

Interpretações modernas

Estudiosos modernos frequentemente interpretam Terminus como uma sobrevivência de antigas formas de religiosidade animista, nas quais objetos naturais ou elementos da paisagem possuíam poder sagrado próprio. Outros pesquisadores relacionam o deus a tradições indo-europeias mais antigas ligadas à divisão justa de terras e propriedades.

Mesmo sem possuir grandes mitos ou aventuras épicas, Terminus ocupava um papel importante na mentalidade romana. Ele representava a estabilidade, a ordem legal e o respeito pelos limites estabelecidos — valores fundamentais para a organização da sociedade romana.

Na arte europeia

O nome “Terminus” também passou a ser usado na arte e arquitetura europeias para designar um tipo de suporte decorativo semelhante a uma pilastra, geralmente afunilado e terminado em bustos ou figuras humanas. Inspiradas nos antigos marcos romanos e frequentemente associadas ao deus Hermes, essas estruturas tornaram-se populares em jardins, móveis e construções renascentistas e rococós.

Escultura em terracota representando o deus romano Terminus, protetor dos marcos que delimitavam terras e propriedades. A obra, criada por um artista desconhecido entre 1548 e 1550 para o Château d’Oiron, na França, integra atualmente o acervo do Museu do Louvre.



fontes:
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31 de maio de 2026

Xolás

۞ ADM Sleipnir

Xolás é a divindade suprema do povo indígena Kawésqar (também conhecido como Alacalufe, Kaweskar, Alacaluf ou Halakwulu), habitantes da região da Patagônia chilena. Seu nome foi associado à palavra “estrela”, e ele era visto como um ser supremo, solitário e independente, responsável pela criação do mundo, das tradições e das regras morais que orientavam a vida humana. Mesmo sendo considerado distante da Terra, Xolás continuava ligado à vida das pessoas. Segundo a crença Kawésqar, era ele quem permitia que uma alma entrasse no corpo de um recém-nascido. Essa alma acompanhava a pessoa durante toda a vida e, após a morte, retornava para a divindade.

Os Kawésqar acreditavam que Xolás era um ser perfeito, cuja vontade não podia ser mudada pelos humanos. Por isso, não fazia sentido tentar influenciá-lo por meio de pedidos ou rituais. Não existem registros claros de orações ou cerimônias dedicadas diretamente a Xolás, e tudo indica que ele não era cultuado da mesma forma que os deuses de outras religiões. Ainda assim, sua presença era central na vida espiritual e moral da comunidade. Os ensinamentos transmitidos pelos anciãos eram vistos como princípios deixados por Xolás, incluindo valores ligados ao respeito, à convivência e à responsabilidade individual. Um dos conceitos morais associados ao povo Kawésqar dizia que “cada pessoa é, antes de tudo, seu próprio próximo”, ideia relacionada à autonomia e ao cuidado mútuo.

A influência de Xolás também aparecia nos rituais de iniciação chamados “kalakai”. Nessas cerimônias, jovens entre 14 e 18 anos recebiam ensinamentos práticos e morais para a vida adulta. Os anciãos responsáveis pelo ritual transmitiam códigos de conduta atribuídos à divindade, reforçando seu papel como fonte da ordem social e espiritual.


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30 de maio de 2026

Mamnik

۞ ADM Sleipnir

Mamnik (em búlgaro: мамник), também conhecido como Mamniche ou Mamyak, é uma criatura do folclore búlgaro ligada à feitiçaria e ao roubo sobrenatural da fertilidade. Nas lendas populares, ele costuma aparecer como um pequeno pássaro demoníaco de duas cabeças, criado e controlado por uma feiticeira chamada mamnitsa.

Segundo a tradição, um Mamnik nasce de um ovo raro, com duas gemas, posto por uma galinha preta. A feiticeira envolvia o ovo em lã e o mantinha aquecido junto ao corpo, geralmente sob a axila ou próximo ao peito, durante quarenta dias. O nascimento precisava acontecer perto da Páscoa ou do Dia de São Jorge, datas consideradas sagradas e poderosas no imaginário popular dos Bálcãs. Depois de nascer, o Mamnik podia voar livremente, mas sempre voltava para sua dona, a quem obedecia como se fosse sua mãe. Seu canto era descrito como belo e hipnotizante, capaz de encantar pessoas e atrair prosperidade.

A principal função da criatura era roubar a fertilidade de propriedades vizinhas. Durante a noite, a feiticeira enviava o Mamnik para campos, currais ou apiários de outras pessoas. Com seu canto mágico, ele atraía a abundância desses lugares — como boas colheitas, leite, queijo, mel ou trigo — e a transferia simbolicamente para as terras de sua senhora. As histórias populares dizem que, quando alguém ouvia os sons do Mamnik durante a noite, tentava capturá-lo e matá-lo. Ao morrer, a criatura derramava tudo aquilo que havia roubado: leite, mel, queijo, grãos e outros produtos.

Em algumas versões da lenda, o Mamnik não aparece como um pássaro, mas como uma grande mariposa negra noturna com os mesmos poderes sobrenaturais.


fonte:
  • ZOJA BARBOLOVA. Enciklopedija na personažite v bălgarskata mitologija.
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Ruby