18 de maio de 2026

Mafdet

۞ ADM Sleipnir


Mafdet (também conhecida como Mefdet ou Maftet) foi uma antiga deusa da mitologia egípcia ligada à justiça, à punição dos criminosos e à proteção contra criaturas venenosas. Considerada uma das primeiras divindades felinas do Egito Antigo, ela já era venerada nos tempos da Primeira Dinastia, muitos séculos antes de deusas mais famosas como Bastet e Sekhmet ganharem destaque.

Os egípcios acreditavam que Mafdet protegia o faraó, os palácios reais e os locais sagrados contra forças perigosas e malignas. Cobras e escorpiões eram vistos como símbolos do caos e da desordem, e a deusa era chamada de “Matadora de Serpentes” por sua capacidade de derrotar essas criaturas.

Iconografia

Nas representações artísticas, Mafdet costumava aparecer como uma mulher com cabeça de felino. Dependendo da época e da região, esse felino podia lembrar um gato, um guepardo, um serval, uma pantera ou até um leão. Algumas imagens também mostram a deusa com corpo felino e cabeça humana. Em certos relatos, ela podia assumir a forma de um mangusto, animal conhecido por combater serpentes.

Escultura de Mafdet representada como um mangusto

Mitologia e funções

Mafdet era vista como uma divindade severa. Segundo antigas crenças egípcias, ela punia os inimigos da ordem divina arrancando o coração dos malfeitores e entregando-o ao faraó. Por isso, além de protetora, também era associada à execução e à justiça divina.

Nos Textos das Pirâmides, um dos mais antigos conjuntos de escritos religiosos do Egito, Mafdet aparece protegendo o deus solar contra serpentes venenosas durante sua jornada pelo céu. Já no Livro dos Mortos, ela ajuda a combater Apep, a gigantesca serpente do caos que tentava impedir a passagem da barca solar durante a noite. Ao derrotar Apep, Mafdet ajudava a garantir o nascimento de um novo amanhecer.

A deusa também tinha ligação com o mundo dos mortos. Algumas tradições afirmam que ela ajudou a proteger o corpo de Osíris depois que o deus foi despedaçado. Em outras crenças, Mafdet guiava e protegia as almas em sua viagem para o submundo.


Culto

Seu principal centro de culto ficava em Bubástis, cidade do Delta do Nilo conhecida pela veneração das divindades felinas. Ali, Mafdet era cultuada ao lado de Bastet, outra importante deusa associada aos gatos.

Embora tenha perdido importância ao longo dos séculos para outras deusas egípcias mais populares, Mafdet continuou presente em textos religiosos e funerários como símbolo de proteção, justiça e combate às forças do caos. Até hoje, ela é lembrada como uma das mais antigas e misteriosas deusas felinas do Egito Antigo.

Arte de Red Serpent

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17 de maio de 2026

Bendis

۞ ADM Sleipnir

Bendis (em grego antigo: Βενδις) foi uma antiga deusa adorada pelos trácios, povo que viveu na região dos Bálcãs na antiguidade. Ela era ligada à lua, à caça, à noite e às florestas selvagens. Seus cultos aconteciam principalmente em áreas afastadas das cidades e eram marcados por celebrações intensas, com música, dança e rituais noturnos que os gregos comparavam aos cultos de Dioniso.

Iconograficamente, Bendis era representada de forma semelhante a Ártemis, usando vestes trácias, botas de caça e frequentemente carregando arco, lanças ou tochas. Sua figura simbolizava a conexão entre a lua, a noite, os mistérios religiosos e a natureza selvagem.

Autores gregos frequentemente identificavam Bendis com diferentes divindades do panteão helênico, principalmente Ártemis, devido à sua associação com a caça e a vida selvagem. Em alguns contextos, também era relacionada a Hécate e Selene por seus atributos lunares e noturnos. Certas tradições ainda sugerem que Bendis poderia ser equivalente à deusa trácia Cotys.


Segundo Hesíquio, o poeta Cratino teria chamado a deusa de dilonchos, termo interpretado de diferentes maneiras pelos antigos: poderia significar que Bendis exercia funções tanto celestes quanto terrestres, que portava duas lanças ou ainda que possuía duas luzes — uma própria e outra refletida do sol. Essas interpretações reforçam o caráter dual e lunar da divindade.

O culto de Bendis foi introduzido na Grécia durante o período clássico, provavelmente vindo da Trácia ou da ilha de Lemnos. Em Atenas, sua veneração tornou-se particularmente importante no porto do Pireu, onde eram realizadas anualmente as festividades conhecidas como Bendideias (Bendideia). Platão menciona essa celebração na abertura de sua obra A República, descrevendo uma procissão dedicada à deusa.

Bendis (à direita, usando um barrete frígio, uma túnica curta, botas altas e uma pele de animal) e seus seguidores, possivelmente atletas participando da corrida de revezamento da tocha em homenagem à deusa. Relevo votivo em mármore, feito em Atenas , por volta de 400-375 a.C.

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16 de maio de 2026

Kolisao

۞ ADM Sleipnir

O Kolisao (kolisáo), também conhecido como ong-ong, é uma criatura do folclore da província de Negros Oriental, nas Filipinas. Ela é descrita como um grande lagarto-monitor dotado de uma cabeça semelhante à de um macaco e longos cabelos. Segundo a tradição popular, ela habita áreas próximas a nascentes e fontes de água.

De acordo com as crenças locais, pessoas que perturbam o Kolisao podem desenvolver bolhas por todo o corpo como forma de maldição ou punição. Algumas tradições afirmam ainda que a criatura pode ser afugentada de seu território caso um pedaço de ferro seja enterrado próximo ao local onde vive.

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14 de maio de 2026

Tonkaraton

۞ ADM Sleipnir

O Tonkaraton (japonêsトンカラトン) é uma lenda urbana japonesa sobre uma figura misteriosa coberta por bandagens que percorre ruas vazias de bicicleta enquanto carrega uma katana. Seu nome vem do som que anuncia sua chegada:

“Ton… Ton… Tonkara… ton…”

A criatura costuma aparecer durante a noite ou ao amanhecer, principalmente para pessoas que estão voltando sozinhas para casa. Em muitos relatos, o Tonkaraton surge pedalando lentamente até parar diante da vítima. Seu corpo inteiro é envolto em bandagens, como uma múmia, e às vezes apenas os olhos podem ser vistos. Algumas versões da história dizem que ele exala um cheiro forte de decomposição.

Quando encontra alguém, o Tonkaraton faz apenas uma exigência:

“Diga Tonkaraton.”

Se a pessoa repetir a frase depois da ordem, a criatura vai embora sem fazer nada. Mas a situação muda completamente quando a vítima hesita, fala baixo demais ou fica paralisada de medo. Nesses casos, o Tonkaraton a ataca com sua katana.

Existe ainda um detalhe considerado ainda mais perigoso: dizer “Tonkaraton” antes que a criatura mande também leva à morte. Em algumas histórias, o espírito chega a gritar:

“Não diga Tonkaraton sem minha permissão!”

Depois do ataque, a vítima teria o corpo envolto em bandagens e acabaria se transformando em outro Tonkaraton. Por causa disso, algumas versões da lenda afirmam que várias dessas criaturas podem aparecer juntas, pedalando pelas ruas durante a madrugada. Há também relatos de que usar uma bandagem no braço esquerdo protege a pessoa, já que o Tonkaraton acreditaria estar diante de alguém semelhante a ele.

Outra versão da história coloca a própria bicicleta no centro da maldição. Nela, um garoto encontra uma bicicleta abandonada em um velho depósito e decide levá-la para casa. Assim que começa a pedalar, percebe que perdeu totalmente o controle. A bicicleta acelera sozinha e passa a levá-lo por ruas escuras e lugares estranhos, movendo-se de maneiras impossíveis. Algumas versões dizem até que ela pode atravessar objetos ou voar. Durante o trajeto, o garoto sente um odor horrível vindo da bicicleta e descobre que existe uma múmia escondida dentro de sua estrutura. O espírito preso ali seria o responsável pela maldição.

Como acontece com muitas lendas urbanas japonesas, o Tonkaraton mistura elementos modernos com temas clássicos do horror sobrenatural. A bicicleta, as ruas vazias e o encontro inesperado se unem à ideia dos yokai, criaturas sobrenaturais muito presentes no folclore japonês.

Mesmo sem qualquer prova de sua existência, o Tonkaraton continua sendo lembrado em histórias de terror, fóruns da internet, vídeos e ilustrações. Parte de sua popularidade vem justamente das regras estranhas da lenda, que fazem o encontro parecer inevitável e deixam a sensação de que qualquer erro, por menor que seja, pode ser fatal.

Tonkaraton no mangá "Dandadan"

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13 de maio de 2026

Veado Baião

۞ ADM Sleipnir


O Veado Baião é uma criatura do folclore brasileiro associada ao município de Ribeiro Gonçalves, localizado no sul do estado do Piauí, na região Nordeste do Brasil. A lenda é tradicionalmente relatada por caçadores da região, que descrevem encontros sobrenaturais ocorridos durante caçadas noturnas em áreas de mata fechada.

Segundo os relatos, a criatura inicialmente se apresenta como um veado comum surgindo entre moitas e clareiras da mata durante a madrugada. No entanto, quando os caçadores se preparam para abatê-lo, o animal assume um comportamento incomum: ergue-se sobre as patas traseiras e inicia uma dança acompanhada por um baião cantado em voz humana:

“Essas mocinhas de hoje
tem um costume ruim,
quando chegam no escuro,
dizem assim:
Me arroche, meu bem!
Me arroche!
Me beije, meu bem!
Não tenha pena de mim!
E não diga que é veado,
Pois hoje estou a fim…”

De acordo com a tradição oral, muitos caçadores fogem assustados ao presenciarem a cena. Aqueles que tentam atirar na criatura ou interromper sua cantoria seriam perseguidos pelo Veado Baião após ele se transformar em uma entidade monstruosa e indescritível.

A aparição é frequentemente associada a árvores específicas da vegetação local, especialmente pés de jatobá e mirindiba. Nesses locais, o Veado Baião seria visto dançando com a cabeça erguida, batendo os cascos contra o peito enquanto entoa seu baião sobrenatural.


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12 de maio de 2026

Chaquén

۞ ADM Sleipnir

Chaquén é uma divindade da mitologia dos muíscas, povo indígena que habitava o Altiplano Cundiboyacense, na atual Colômbia. Reverenciado como deus dos esportes, da fertilidade e das atividades agrícolas,  ele tinha grande importância na vida social, religiosa e militar desse povo pré-colombiano.

Contexto cultural

Os muíscas formavam uma das civilizações mais organizadas das Américas antes da chegada dos europeus. Eles viviam em uma confederação de territórios governados por líderes conhecidos como zipa e zaque. Como enfrentavam guerras frequentes contra povos vizinhos, como os panches e os muzos, os muíscas davam muito valor ao preparo físico e às habilidades de combate. Dentro dessa realidade, Chaquén era visto como o protetor dos guerreiros guecha, responsáveis pela defesa do território. Os jogos e competições realizados em sua homenagem não serviam apenas para entretenimento, mas também como treinamento para a guerra.

Atributos e simbolismo

Chaquén era ligado à fertilidade de forma ampla, tanto à fertilidade da terra quanto à humana. Relatos do período colonial descrevem o deus como uma entidade que sobrevoava os campos cultivados, protegendo as plantações e garantindo boas colheitas. 

Durante festas e cerimônias, acreditava-se que Chaquén caminhava entre o povo. Essas celebrações reuniam corridas, danças, músicas tocadas com flautas e tambores, além de roupas adornadas com penas e peças de ouro. A chicha, bebida tradicional fermentada, também fazia parte dos rituais e ajudava a reforçar o espírito coletivo das festividades. Os rituais dedicados a Chaquén também estavam relacionados à fertilidade humana e à formação de casais, aspectos importantes para a continuidade da comunidade.

O jogo de tejo

Chaquén também é associado ao tejo, considerado o esporte nacional da Colômbia. O jogo consiste em lançar discos contra um alvo com pequenas cargas explosivas, marcando pontos conforme a precisão dos arremessos.

Acredita-se que o tejo tenha surgido ainda no período pré-colombiano, praticado pelos muíscas tanto como treinamento físico quanto como atividade ritual. O jogo continua popular em várias regiões colombianas e ainda preserva parte do legado cultural ligado a Chaquén.

O castigo de Tintoa e Sunuba

Um dos mitos mais conhecidos associados a Chaquén é o de Tintoa e Sunuba. Tintoa, um jovem guerreiro guecha, apaixonou-se por Sunuba, a principal esposa de um príncipe. Quando o adultério foi descoberto, os dois fugiram juntos, tentando escapar da punição, mas acabaram encontrados por Chaquén.

Tomado pela ira diante da traição, o deus condenou os amantes a uma transformação eterna. Sunuba foi convertida em um junco, destinado a crescer às margens das águas e nos pântanos da savana de Bogotá. Tintoa, por sua vez, transformou-se em uma erva seca e áspera, condenada a brotar apenas em regiões áridas e estéreis. Assim, separados pela própria natureza, os amantes permaneceriam para sempre distantes um do outro, carregando a marca de seu amor proibido.

Legado

A influência de Chaquén persiste na cultura colombiana contemporânea, especialmente por meio da sobrevivência do tejo e da valorização das tradições indígenas. Em reconhecimento à sua importância simbólica, um parque temático na região de Sumapaz, em Bogotá, foi nomeado em sua homenagem.

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Ruby