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6 de dezembro de 2022

Lares e Penates

۞ ADM Sleipnir

Arte de Feles85

Os Lares e os Penates eram dois grupos de divindades pertencentes à mitologia romana, tidos como protetores da família e do estado romano. Embora fossem diferentes, os dois eram frequentemente identificados e confundidos um com o outro, além de serem adorados juntos em santuários domésticos.

Lares

Os Lares eram considerados espíritos dos antepassados, e cria-se que atuavam como protetores das casas, encruzilhadas e da cidade. Cada família romana tinha seu próprio guardião, conhecido como Lar familiaris, para proteger a casa e garantir que a linhagem familiar não morresse. Todas as manhãs, os romanos rezavam e faziam oferendas a uma imagem do Lar familiaris mantida em um santuário familiar. Divindades conhecidas como Lares compitales, que guardavam encruzilhadas e bairros, eram homenageadas quatro vezes por ano em um festival chamado Compitalia. Outro grupo de divindades, os Lares praestites, serviram como guardiões da cidade de Roma. Existiam outros tipos de Lares como os Lares rurales (guardiões dos campos), Lares viales (guardiões das estradas), Lares permarini (guardiões dos marinheiros), entre muitos outros.

Lares eram comumente representados como jovens dançando de túnica, com um copo de chifre (rhyton) em uma mão e uma taça (patera) na outra, muitas vezes ainda, acompanhados por serpentes fálicas simbólicas.


Penates

Os Penates (formalmente chamados de Di Penates) foram originalmente honrados como deuses da despensa, mas acabaram se tornando guardiões de toda a casa. Eles eram associados à Vesta, a deusa romana da lareira (equivalente à grega Héstia). A principal função dos Penates era garantir o bem-estar e a prosperidade da família. Cada casa tinha um santuário com imagens deles que eram cultuados na refeição da família e em ocasiões especiais. As ofertas eram de porções da refeição regular ou de bolos especiais, vinho, mel, incenso e, mais raramente, um sacrifício de sangue.

O Penates público, ou Penates publici, servia como guardião do Estado e como objeto do patriotismo romano. Segundo a lenda, eles já foram os deuses domésticos de Enéias, o ancestral mítico do povo romano.


Penates na Eneida

Na página 72, no meio do segundo parágrafo da Eneida de Virgílio, Enéas diz: "Agora você, Pai, tome os deuses de nossa casa ancestral, nossos símbolos sagrados. Não posso tocá-los sem pecado, até que eu lave minhas mãos em uma fonte viva, pois vindo direto da fúria da guerra, ainda tenho sangue fresco nelas.

Nesse trecho, Enéias esclarece a importância dos deuses domésticos para a família romana, pois ele até se refere a eles como "nossos símbolos sagrados ". Mesmo com o caos da queda de Tróia ao seu redor, Enéias e Anquises têm o cuidado de reunir os deuses e trazê-los durante sua fuga da cidade moribunda. Além disso, os deuses são tão sagrados para Enéias que ele não os tocará com sangue nas mãos. Sua família, como as outras famílias romanas, tinha muito respeito e reverência a esses deuses domésticos.

"Enéias fugindo de Tróia", pintura de Federico Barocci. Detalhe para Anquises trazendo em suas mãos  esculturas dos dois Penates da família.

fontes:
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5 de dezembro de 2022

Sugawara no Michizane

۞ ADM Sleipnir

Arte de Keyimeng

Sugawara no Michizane (japonês 菅原道真 ou すがわらのみちざね) foi um estudioso, poeta e político japonês que caiu em desgraça com o imperador e morreu no exílio. Ele viveu entre 845 a 903 d.C e é considerado um dos maiores estudiosos e poetas de toda a história japonesa. Após sua morte, ele retornou do túmulo como um espírito vingativo (onryō) para se vingar daqueles que o prejudicaram em vida. Isso lhe rendeu uma posição entre os Nihon San Dai Onryō - os Três Grandes Onryō do Japão.

Vida

Sugawara no Michizane era o filho mais velho de uma família de estudiosos de alto escalão. Desde muito cedo mostrou seu brilhantismo, compondo poemas elegantes aos cinco anos de idade. Ele era bem-educado e viveu uma vida privilegiada, gradualmente subindo nas fileiras da burocracia e aumentando sua posição pública.

Sugawara no Michizane foi um excelente aluno e estudioso. Passando no mais alto nível de exames do governo aos 26 anos, ele recebeu o equivalente a um doutorado aos 33 anos. Em 886, Michizane foi selecionado para ser governador da província de Sanuki. Durante seu tempo como governador, ele compôs uma grande quantidade de poesias. Em 888, durante o Incidente Akō, ele apoiou o Imperador Uda em sua disputa com Fujiwara no Mototsune essa ação lhe rendeu uma grande influência política. Quando o Imperador consolidou seu poder, ele rebaixou oficiais do clã Fujiwara e promoveu oficiais do clã Minamoto. Michizane não era um nobre, mas também foi recompensado. Sua posição subiu ainda mais e ele conquistou muitos títulos importantes da corte, incluindo o de Embaixador da Dinastia Tang. Isso causou inquietação entre os nobres, particularmente os Fujiwaras.

Quando o Imperador Uda abdicou para o Imperador Daigo, a sorte de Sugawara no Michizane declinou rapidamente. Tanto Michizane quanto Fujiwara no Tokihira - filho de Fujiwara no Mototsune, a quem Michizane havia censurado anos atrás - eram os principais conselheiros do imperador. Tokihira aconselhou o imperador a pacificar a indignada nobreza Fujiwara mandando Michizane embora. O imperador ouviu, e Michizane perdeu sua posição e títulos, sendo rebaixado de sua alta posição para um cargo muito menor no governo regional em Dazaifu, província de Chikuzen. Lá, ele experimentou uma vida ingrata de trabalho duro sob condições muito mais rigorosas e severas do que em Kyoto.

Apesar de sua humilhação e exílio em Kyūshū, Sugawara no Michizane continuou a trabalhar duro pelo bem do país. O tempo todo ele orava pelo bem-estar da família imperial e pela segurança do Japão. Seu trabalho duro no entanto nunca foi reconhecido, e ele nunca conseguiu recuperar seu prestígio. Ele lamentava seu rebaixamento e ansiou por sua amada Kyoto pelo resto de sua vida. No final do segundo mês de 903, quando as ameixas estavam florescendo, Michizane morreu. Seu coração estava cheio de solidão e ressentimento.

Tornando-se um Onryō e depois um Deus

Após a morte de Sugawara no Michizane, uma série de desastres atingiu Kyoto. A peste e a seca se espalharam pela cidade. Seu rival Fujiwara no Tokihira morreu ao 39 anos. Os filhos do imperador Daigo adoeceram e morreram um após o outro. Um raio atingiu o palácio Seiryōden, causando um incêndio que matou vários oficiais que participaram do rebaixamento e exílio de Michizane. Alguns meses depois, o próprio imperador Daigo adoeceu e morreu. Todos na capital estavam convencidos de que o fantasma de Michizane havia se tornado um deus do trovão e estava punindo aqueles que o haviam prejudicado.

O onryō de Sugawara no Michizane continuou a amaldiçoar a capital com desastres após desastres. Eventualmente, o imperador construiu um santuário para seu espírito e postumamente restaurou sua posição e cargo. Ele também removeu qualquer menção ao exílio de Michizane dos registros oficiais. No entanto, isso não aplacou seu espírito, e os desastres continuaram chegando. Finalmente, em 987, durante o reinado do imperador Ichijō, Sugawara no Michizane foi promovido e deificado como o kami (deus) de mais alto posto do estado. Um santuário especial foi construído para ele no norte de Kyoto, e um festival foi estabelecido em sua homenagem. Michizane ficou conhecido como Tenman Tenjin, o deus da erudição. A maldição foi finalmente aplacada.

Tenjin continua sendo um deus popular até os dias atuais. Pinturas dele estão penduradas em casas de todo o país, e estudantes de todo o Japão visitam seus santuários para rezar por sorte em seus exames escolares. Os santuários Tenjin costumam realizar festivais no final de fevereiro, quando as ameixeiras começam a florescer e quando os resultados dos exames escolares são publicados. A ameixeira é comumente associada a Tenjin, pois era sua árvore favorita. Santuários dedicados a ele geralmente têm ameixeiras em seus terrenos. Diz a lenda que enquanto estava no exílio em Dazaifu, ele ansiava tanto por sua ameixeira favorita que uma noite ela voou de Kyōto para Kyūshū para estar com ele. Essa árvore ainda está hoje no templo Dazaifu Tenman-gu em Fukuoka.

Cultura Popular

Em Jujutsu Kaisen 0, Sugawara no Michizane é citado como sendo um ancestral tanto de Satoru Gojo quanto do protagonista Yuta OkkotsuEm One Piece, uma das técnicas utilizadas pela yonkou Big Mom chama-se Tenman Daijizai Tenjin.  Big Mom comanda o raio de seu homie Zeus para atravessar as nuvens em todas as direções, bombardeando seus arredores com uma tempestade elétrica. O relâmpago em si é senciente e pode mudar de direção para atingir alvos que estão tentando se esquivar ou se proteger. 

fonte:

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2 de dezembro de 2022

Jack, o Estripador

۞ ADM Sleipnir

Arte de Audrey Vellard

Jack, o Estripador (também chamado Carniceiro de Whitechapel e Avental de Couro foi um assassino em série  que  aterrorizou Londres no ano de 1888, matando pelo menos cinco mulheres e mutilando seus corpos de maneira incomum, indicando que o assassino possuía um conhecimento substancial da anatomia humana. Ele nunca foi capturado, nem mesmo identificado, e continua sendo um dos criminosos mais infames da Inglaterra e do mundo.

Todos os cinco assassinatos atribuídos a Jack, o Estripador, ocorreram a menos de um quilômetro e meio um do outro, no distrito de Whitechapel, no East End de Londres, de 7 de agosto a 10 de setembro de 1888. Vários outros assassinatos ocorridos nesse período também foram investigados como sendo obra sua. Uma série de cartas foram supostamente enviadas pelo assassino ao Serviço de Polícia Metropolitana de Londres (muitas vezes conhecido como Scotland Yard), provocando os oficiais sobre suas atividades horríveis e especulando sobre assassinatos futuros. O apelido “Jack, o Estripador” se origina de uma carta (que pode ter sido uma farsa) publicada na época dos ataques. Apesar de inúmeras investigações alegando evidências definitivas da identidade do assassino brutal, seu nome e motivo ainda são desconhecidos.

Várias teorias sobre a identidade de Jack, o Estripador foram produzidas ao longo das últimas décadas, incluindo alegações acusando o famoso pintor vitoriano Walter Sickert, um migrante polonês e até mesmo o neto da rainha Vitória. Desde 1888, mais de 100 suspeitos foram identificados, contribuindo para o folclore generalizado e o entretenimento macabro em torno do mistério.

Arte de Annalisa

O "Carniceiro de Whitechapel"

No final do séc XIX, o East End de Londres era um lugar visto pelos cidadãos com compaixão ou desprezo absoluto. Apesar de ser uma área onde imigrantes qualificados – principalmente judeus e russos – vieram para começar uma nova vida e abrir negócios, o distrito era notório pela miséria, violência e crime. A prostituição só era ilegal se a prática causasse um distúrbio público, e milhares de bordéis e pousadas de baixa renda ofereciam serviços sexuais durante o final do século XIX.

Naquela época, a morte ou assassinato de uma garota de programa raramente era noticiada na imprensa ou discutida na sociedade educada. A realidade era que as “damas da noite” estavam sujeitas a ataques físicos, que às vezes resultavam em morte. Entre esses crimes violentos comuns estava o ataque à prostituta inglesa Emma Smith, que foi espancada e estuprada com um objeto por quatro homens. Smith, que mais tarde morreu de peritonite, é lembrada como uma das muitas infelizes vítimas femininas que foram mortas por gangues que exigiam dinheiro para proteção.

No entanto, a série de assassinatos que começou em agosto de 1888 destacou-se de outros crimes violentos da época: marcados pela carnificina sádica, sugeriam uma mente mais sociopata e odiosa do que a maioria dos cidadãos poderia compreender. Jack, o Estripador, não apenas extinguiu a vida de suas vítimas com uma faca; ele mutilou e estripou mulheres, removendo órgãos como rins e úteros, e seus crimes pareciam retratar uma aversão a todo o gênero feminino.

Arte de Johan Windh

O legado de Jack, o Estripador

Os assassinatos de Jack, o Estripador, pararam de repente no outono de 1888, mas os cidadãos de Londres continuaram a exigir respostas que não viriam, mesmo mais de um século depois. O caso em andamento – que gerou uma indústria de livros, filmes, séries de TV e passeios históricos – encontrou vários obstáculos, incluindo falta de evidências, uma gama de informações erradas e falsos testemunhos e regulamentações rígidas da Scotland Yard.

Jack, o Estripador é o tema das notícias há mais de 120 anos e provavelmente continuará sendo nas próximas décadas. Em 2011, o detetive britânico Trevor Marriott, que há muito investiga os assassinatos de Jack, o Estripador, ganhou as manchetes quando lhe foi negado o acesso a documentos não censurados em torno do caso pela Polícia Metropolitana. De acordo com um artigo da ABC News de 2011, os oficiais de Londres se recusaram a fornecer os arquivos à Marriott porque eles incluíam informações protegidas sobre informantes da polícia e que a entrega dos documentos poderia impedir a possibilidade de futuros depoimentos de informantes modernos.


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1 de dezembro de 2022

Bael

۞ ADM Sleipnir

Arte de Anton Vitus

Bael ("Senhor"; também Baal, Baell, Baall, Boal ou Boallé de acordo com a Goetia o 1º dentre os 72 espíritos de Salomão, possuindo sessenta e seis legiões de demônios sob o seu comando. Originalmente conhecido como Baal, uma divindade cananeia agrícola e da fertilidade, Bael foi posteriormente demonizado pela igreja e transformado em um anjo caído e demônio. Mencionado no Lemegeton, a Chave Menor de Salomão, Bael recebeu vários cargos ao longo do tempo, incluindo chefe de Netzach, primeiro monarca do Inferno, general dos Exércitos Infernais, Grã-Cruz da Ordem da Mosca, grão-duque do Inferno, Rei do Oriente, e o segundo chefe de gabinete do Abismo. De acordo com o Zohar, Bael é igual em posição ao arcanjo Rafael.

Quando invocado, Bael aparece nas formas de um homem, gato, sapo ou combinações destes, e fala com uma voz rouca. Uma ilustração sua no Dictionnaire Infernal, de Collin de Plancy, curiosamente colocou as cabeças das três criaturas em um conjunto de pernas de aranha.

Arte de Daniele Valeriani, inspirada na original publicada no Dictionnaire Infernal

Bael tem a capacidade de conceder ao seu invocador o poder de se tornar invisível à vontade. Ele também pode aumentar as percepções do seu invocador e torná-lo mais astuto e sábio. 

Selo de Bael

Cultura Popular
  • Assim como outros espíritos goetianos, Bael aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei;
  • Overlord Baal (魔王 バール, Rei Demônio Baal) é um chefe alternativo da série de jogos de estratégia/RPG Disgaea, da Nippon Ichi Software; 
  • Ba'al é o nome de uma classe de inimigos no RPG Bravely Second;
  • Ba'al é um membro da raça alienígena fictícia Goa'uld, retratado por Cliff Simon na série de televisão de ficção científica Stargate SG-1, sendo também é destaque no filme Stargate Continuum como o principal vilão;
  • Baal é o nome do protagonista amoral da primeira peça de Bertolt Brecht em 1918, na qual a ópera de mesmo nome foi baseada por Friedrich Cerha em 1980;
  • Baal é o nome de um romance de Robert R. McCammon, publicado em 1978. No mesmo, ele é o próprio Anticristo;
  • Baal é o Senhor da Destruição, um dos três irmãos demônios e governantes do Inferno chamados Males Primordiais na franquia Diablo. Ele é o principal antagonista em Diablo II: Lord of Destruction;
  • No RPG In Nomine Satanis/Magna Veritas, Baal é Demônio Príncipe da Guerra, e possui uma rivalidade profunda, mas um tanto amigável, com o Arcanjo Miguel;
  • Juntamente com Orias, Gaap, Asmodeus, Astaroth e Amon, Baal é uma das seis cristas demoníacas mais poderosas do jogo Shadow Hearts: Covenant. Ele é retratado com características de pássaro e é um ilusionista sádico.
  • No jogo de RPG Vampiro: A Máscara, um clã de vampiros principalmente antagonista chamado Baali é dito estar conectado ao demoníaco Baal. Essa conexão é reforçada pela preponderância de temas infernais e demoníacos presentes no clã;
  • Em Warhammer 40.000, Baal é o planeta natal dos chamados Anjos de Sangue;
  • Em Forgotten Realms (Os Reinos Esquecidos) cenário de campanha para o RPG Dungeons & Dragons, Bhaal é o finado Senhor do Assassinato, uma divindade intermediária, cuja ressurreição foi repetidamente tentada;
  • No filme O Ritual (2011), o personagem Padre Lucas, interpretado pelo ator Anthony Hopkins, é possuído por Baal;
  • No mangá e anime Magi: The Labyrinth of Magic, Baal é um dos Djinns pertencentes ao personagem Sinbad;
  • Baal figura na trilogia literária Forsaken Comedy, de Kevin Kauffmann;
  • No anime Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans, Bael é o nome do primeiro Gundam desenvolvido e é considerado um dos mais poderosos. 

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30 de novembro de 2022

Onça da Mão Torta

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Marcos Muller (para o Estadão)

A Onça da Mão Torta (ou Onça da Pata Torta) é uma criatura pertencente ao folclore goiano, descrita como uma enorme onça encantada, com manchas escuras pelo corpo e com uma das suas patas dianteiras tortas. Dizem que ela não pode ser ferida por balas, as quais alguns dizem que atravessam seu corpo sem lhe causar nenhum dano, enquanto outros afirmam que elas não conseguem sequer penetrar sua pele, sendo ricocheteadas ao atingí-la.

Segundo o folclore, essa criatura é na verdade a alma penada de um perverso vaqueiro que viveu há muito tempo na região e que cometeu diversos crimes durante sua vida, como roubos, assassinatos e abusos contra mulheres. Dizem que logo após sua morte, a Onça da Mão Torta começou a aparecer nas matas próximas, e por isso, acredita-se que ela é a encarnação da alma do vaqueiro. Castigado pelos seus crimes durante sua vida, ele teria sido castigado a vagar errante pelas matas da região.

Arte de Tiago Jacon

fontes:

  • Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo;
  • Abecedário de Personagens do Folclore Brasileiro, de Januária Cristina Alves;

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29 de novembro de 2022

Tarantasio

۞ ADM Sleipnir

Arte de Roman Kuteynikov

Tarantasio é um dragão lendário dito ter aterrorizado os habitantes do antigo lago Gerundo (hoje seco), na Lombardia, Itália, entre os séculos XII e XIII. O lago abrangia os leitos dos rios Adda e Serio, e localizava-se em uma área que hoje pode ser definida como situada entre as províncias de Bergamo, Lodi, Cremona e Milão. Segundo a lenda, o Tarantasio emergia frequentemente das águas, e nessas ocasiões ele destruía embarcações, devorava crianças e exalava um miasma pestilento que provocava febre amarela naqueles que o inalassem. 

Por muito tempo, o Tarantasio dominou a região e espalhou o terror pelos campos, até que encontrou seu fim pelas mãos de Frederico Barbarossa, São Cristóvão ou um membro da nobre família Visconti (as fontes variam). No caso deste último, conta-se que este gesto heróico deu origem ao brasão da família, representando a famosa criatura heráldica Biscione (uma serpente ou dragão azul) devorando uma criança.

Arte de Andrea Cislagh

A lenda do Tarantasio foi amplamente difundida por todo o território milanês, e serviu inspiração para o escultor Luigi Broggini, que tomou o Tarantasio como modelo para desenhar a imagem do cão de seis patas, primeiramente símbolo da empresa de combustíveis italiana Agip e posteriormente da Eni.

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Ruby