8 de abril de 2026

Porco Preto

۞ ADM Sleipnir

O Porco Preto é uma entidade do folclore brasileiro associada a narrativas populares das regiões Sul e Sudeste, com registros no município de Campo Largo, no estado do Paraná, e em São Luís do Paraitinga, no estado de São Paulo. Trata-se de uma criatura descrita como um porco de grandes proporções, de coloração negra intensa, que surge em estradas durante noites escuras.

Em Campo Largo, acredita-se que o Porco Preto aparece em estradas ermas, onde persegue pessoas e animais de forma agressiva. É considerado invulnerável a ataques físicos, não sendo afetado por paus, pedras ou disparos de arma de fogo. Segundo os relatos, a perseguição persiste até que a vítima alcance uma área habitada, momento em que a entidade desaparece subitamente. Já em São Luís do Paraitinga, no antigo beco do Império (atual rua da Ponte), sobre o rio Paraitinga, a tradição descreve a aparição de um grande porco negro que, à meia-noite, atravessa repetidamente a estrada de um lado a outro, sem jamais ser capturado. Nessa variante, a entidade apresenta um caráter mais elusivo do que agressivo, ressaltando sua natureza misteriosa e inatingível.


fontes:
  • ALCEU MAYNARD ARAÚJO. Estórias e lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ed. Literat. 1962;
  • CASCUDO, L. DA C. Dicionario do folclore brasileiro. 9° Edição. 2000.

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7 de abril de 2026

Geochinyeo

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Geochinyeo (coreano: 거치녀; hanja: 鋸齒女, literalmente “mulher de dentes serrilhados”) é uma criatura do folclore coreano registrada em obras históricas como o Gieon (1) (coreano 기언, “Registros de Palavras”) e o Yeollyeosil Gisul (2) (coreano 연려실기술, “Registros do Pavilhão da Lamparina"). É descrita como uma figura feminina monstruosa, caracterizada por dentes semelhantes a lâminas de serra e uma aparência aterradora. Em algumas fontes, também é chamada de Gapsan-gwae (coreano 갑산괴, “monstro de Gapsan”), em referência ao local onde teria sido avistada.

Registros históricos

O principal relato envolvendo a Geochinyeo data do ano de 1583, durante o reinado do rei Seonjo, na dinastia Joseon. Nesse período, o erudito Heo Bong (1551–1588), após ser alvo de intrigas políticas, foi exilado para a região de Gapsan, na província de Hamgyeong.

Segundo a tradição, naquele verão surgiu na região uma figura feminina monstruosa, descrita como possuidora de grandes dentes serrilhados e cabelos desgrenhados. A entidade carregava um arco na mão esquerda e fogo na mão direita, compondo uma imagem incomum e aterradora. Os soldados locais teriam conseguido expulsá-la por meio de práticas rituais e militares, como o toque de tambores e o disparo de flechas.


Após o ocorrido, Heo Bong teria composto um texto de caráter apotropaico conhecido como Chukryeomun (coreano 축려문, “Texto para Expulsar Espíritos Malignos”), destinado a afastar influências malignas. Ao tomar conhecimento desse episódio, o erudito Park Jihwa (1513–1592) teria interpretado a aparição como um presságio, prevendo que, dentro de dez anos, uma grande calamidade surgiria a partir do sul.

Interpretação

A aparição da Geochinyeo é frequentemente interpretada, nas fontes tradicionais, como um presságio da Guerra Imjin (1592–1598), conflito que marcou a invasão japonesa da Coreia. A associação simbólica decorre, em parte, da análise do caractere chinês 倭 (wae), utilizado para designar os japoneses, cuja composição gráfica foi interpretada como evocando elementos semelhantes a um arco e ao fogo — atributos que a criatura portava.

Uma explicação semelhante pode ser encontrada no romance militar anônimo Imjinrok (coreano 임진록,“Registro da Guerra Imjin” ou “Crônicas do Ano Imjin”), no qual eventos sobrenaturais são frequentemente apresentados como sinais precursores de grandes acontecimentos históricos.

Notas:

  • (1) Uma coleção de poemas e prosa de Heo Mok, um funcionário público e erudito do final da Dinastia Joseon, compilada e publicada em 1689;
  • (2) Um livro de história escrito pelo falecido estudioso da Dinastia Joseon, Yi Geung-ik, que descreve a política, a sociedade e a cultura da Dinastia Joseon em forma de narrativa.

fontes:

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6 de abril de 2026

Bila

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Bila (também registrada como Belah) é a personificação do sol na mitologia do povo Adnyamathanha, da região da Cordilheira de Flinders, no sul da Austrália. Ela é descrita como uma deusa solar, refletindo uma característica comum a muitas tradições aborígenes australianas, nas quais o Sol é concebido como uma entidade feminina.

Na mitologia Adnyamathanha, Bila é retratada como uma figura perigosa e canibal. Segundo os relatos, ela iluminava o mundo ao assar suas vítimas sobre uma fogueira, sendo o fogo a origem da luz solar. Para capturar essas vítimas, Bila enviava cães negros e vermelhos, que as arrastavam até ela, e algumas narrativas afirmam que suas ações resultaram até mesmo na destruição completa de aldeias inteiras.

Esses atos despertaram a indignação dos Homens-Lagarto, figuras míticas associadas aos répteis. Entre eles destacam-se Kudnu, o goanna (lagarto-monitor), e Muda, a lagartixa. Horrorizados com o comportamento de Bila, eles a atacaram, e durante o confronto Kudnu a feriu com um bumerangue. Como consequência, Bila fugiu, retirando o Sol do céu e mergulhando o mundo na escuridão. 

Para restaurar a luz, Kudnu lançou seu bumerangue em diferentes direções. Primeiro para o norte, depois para o oeste e para o sul, sem obter sucesso. Por fim, ao arremessá-lo para o leste, o bumerangue capturou Bila e a obrigou a percorrer um arco lento pelo céu, elevando-se acima do horizonte e retornando em direção ao oeste. Esse movimento passou a explicar o trajeto diário do Sol no firmamento e o retorno da luz ao mundo. Como reconhecimento pelo feito de Kudnu e pela salvação da humanidade, os Adnyamathanha passaram a tratar com respeito os lagartos, especialmente os goannas e as lagartixas, que não devem ser mortos. 

fontes:


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5 de abril de 2026

Yun Zhongjun

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Arte de Lu Mingshan

Yun Zhongjun (chinês: 云中君; pinyin: Yún Zhōng Jūn; “Senhor das Nuvens”) é uma divindade da mitologia chinesa antiga, especialmente associada à cultura do Estado de Chu durante o período pré-Qin (anterior ao século III a.C.). Ele é conhecido principalmente como o deus das nuvens, embora também tenha sido interpretado por alguns estudiosos como uma divindade da chuva, das águas ou até mesmo da lua. Nos poemas antigos, Yun Zhongjun é retratado como uma divindade que percorre os céus montado em um dragão, trajando vestes imperiais.

Origem e relações simbólicas

O nome Yun Zhongjun aparece em textos clássicos como o Chu Ci (“Canções de Chu”), especialmente na seção Jiu Ge (“Nove Cantos”), bem como no Livro dos Han, na seção “Registro dos Sacrifícios às Divindades”. Na tradição literária, ele integra um sistema simbólico ao lado de Dongjun (“Senhor do Leste”), representando forças naturais e princípios celestes ligados ao clima. Seu culto tem raízes nos antigos rituais do Estado de Chu, associados a divindades do fogo e do raio, como Zhurong e Wuhui.

Arte de Dongying Wu

Interpretações e teorias

Há debates quanto ao gênero da divindade. O título “Jun” (君), empregado no Chu Ci, geralmente designa entidades masculinas, embora não haja confirmação definitiva nesse caso. O intelectual Guo Moruo, em sua tradução moderna das obras de Qu Yuan, reinterpretou Yun Zhongjun como uma figura feminina graciosa, associando-a de forma romântica ao Grande Mestre do Destino (Da Siming), o que gerou controvérsias entre estudiosos.

Outras interpretações sugerem diferentes naturezas para a divindade. Estudiosos como Wang Kaiyun (王闿运, 1833–1916)  e Chen Peishou (陈培寿, ativo no final da dinastia Qing e início do século XX) a identificaram como um deus das águas ligado ao lago Yunmengze, enquanto o poeta Jiang Liangfu (姜亮夫, 1902–1982) propôs uma associação com a lua, com base em descrições poéticas de brilho e movimento celestial. 

Na arte e na cultura popular

Em 1954, o pintor Fu Baoshi, inspirado pela interpretação de Guo Moruo, criou a obra Yún Zhōng Jūn hé Dà Sīmìng (云中君和大司命, "O Senhor das Nuvens e o Grande Mestre do Destino"), na qual a divindade é representada como uma jovem conduzindo uma carruagem puxada por dragões.


No mobile game Honor of Kings, Yun Zhongjun dá nome a um guerreiro aéreo de aparência etérea e elegância sobrenatural. Ele domina os ventos e as correntes celestes, movendo-se com grande velocidade e leveza. Sua história dentro do jogo o descreve como um espírito livre ligado ao céu, simbolizando liberdade e poder natural.

fontes:


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4 de abril de 2026

Entreaberto

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O Entreaberto é uma entidade do folclore português descrita como guardiã sobrenatural de tesouros ocultos. Costuma aparecer como uma figura demoníaca ou espectral, com brasas ou fogo nas costas, sendo associada a ruínas e locais onde haveria riquezas enterradas. Os primeiros registros a seu respeito datam do século XVII, incluindo menções em processos da Inquisição. No século XIX, estudiosos como Teófilo Braga e Consiglieri Pedroso documentaram a lenda em várias regiões de Portugal.

O Entreaberto manifesta-se ao meio-dia ou à meia-noite, geralmente em locais isolados. Ao encontrar alguém, ordena que a pessoa cave um ponto no solo. Se obedecer, a vítima morre ou é soterrada. A única forma de escapar é responder “cava tu”, obrigando a entidade a cavar e revelar o tesouro antes de desaparecer. Segundo a tradição, o tesouro precisa ser “fixado” com três gotas de sangue, caso contrário se transforma em carvão ou pedra.

A lenda do Entreaberto é interpretada como um mito de origem solar ou como uma narrativa moral contra a avareza, enfatizando que riqueza fácil pode ser fatal sem astúcia e sacrifício.


fonte:

  • BRAGA, Teófilo. O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições. Lisboa: Livraria Ferreira, 1885.

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2 de abril de 2026

Nzame

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Nzame (também conhecido como Nzambi) é o deus criador supremo na mitologia do povo Fang, um grupo da África Central que vive principalmente no Gabão, Camarões e Guiné Equatorial. Ele é frequentemente associado a uma tríade formada por ele mesmo, Mebere e Nkwa. Nzame representa o aspecto celestial e criador, enquanto Mebere e Nkwa estão ligados, respectivamente, aos princípios masculino e feminino da criação, associados à liderança e à beleza.

Etimologia

O nome Nzame vem da língua fang e, em versões mais antigas das histórias, podia se referir ao primeiro ser humano. Com o tempo, passou a ser entendido como o nome do deus supremo. Em outras culturas bantu da África Central existem nomes parecidos, como Nzambi ou Nzambe, mas cada povo tem suas próprias crenças. Nzame também não deve ser confundido com Nyame, divindade das tribos Ashanti e Akan.

Nzame (centro), Mebere (esquerda) e Nkwa (direita)

Natureza e atributos

Na visão dos Fang, Nzame criou tudo o que existe: o céu, a Terra, o sol, a lua, as estrelas, os animais e as plantas. Ele também estabeleceu as regras que mantêm o mundo em equilíbrio, atuando como um juiz que recompensa ou pune conforme as ações dos seres.

Apesar de seu grande poder, Nzame é visto como um deus distante, que observa o mundo do céu e não interfere constantemente. Segundo essa tradição, os seres humanos possuem duas dimensões: o corpo físico, que morre, e a alma, chamada nsissim, que continua existindo após a morte.

Mitologia

A narrativa da criação começa com Nzame sozinho no vazio. Ele cria o universo e, em seguida, chama Mebere e Nkwa para ajudá-lo a organizar o mundo. Inicialmente, eles tentam estabelecer a ordem colocando três animais — o elefante, o leopardo e o macaco — como governantes da Terra, mas essa solução não se mostra eficaz. Diante disso, a tríade cria o primeiro ser humano, chamado Fam, cujo nome significa “poder”. Ele recebe força de Nzame, liderança de Mebere e beleza de Nkwa. Em algumas versões, Fam começa como um lagarto e depois se transforma em homem. Ele é escolhido para governar o mundo enquanto os deuses permanecem no céu.

Com o tempo, Fam torna-se arrogante, passa a maltratar os animais e deixa de respeitar Nzame. Como punição, Nzame destrói o mundo com trovões e relâmpagos. No entanto, Fam não morre, pois havia recebido o dom da imortalidade. Ele desaparece, mas continua existindo como uma força perigosa que pode prejudicar os seres humanos.

Após a destruição, Nzame, Mebere e Nkwa recriam o mundo. A vida retorna de forma simbólica: árvores dão origem a novas plantas, e folhas transformam-se em animais e peixes. Em seguida, criam um novo ser humano, Sekume, que, diferentemente de Fam, é mortal. Sekume torna-se o ancestral da humanidade. Ele cria sua esposa, Mbongwe, a partir de uma árvore, e juntos têm muitos filhos, que dão origem aos povos humanos.

Sekume e Mbongwe

fontes:

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Ruby