9 de junho de 2026

Hrosshvalur

۞ ADM Sleipnir


Hrosshvalur (“baleia-cavalo”; também conhecido como Hrosshvalr, Hrosshualar, Hrosshveli, Rosshvalur; Equinus Cetus; Sæhestur, “cavalo-marinho”; Stóri Svinhvalur, “grande baleia-porco”; Pollur, “o persistente”; Monoculus, “de um olho só”) é uma das Illhveli (“baleias do mal”), grupo de criaturas marinhas míticas que, segundo a tradição islandesa medieval, habitavam as águas ao redor da Islândia. Ela é considerada uma das mais cruéis e perigosas entre elas, rivalizando em ferocidade apenas com a Stökkull e a Raudkembingur. Diferentemente de algumas de suas contrapartes, o Hrosshvalur é tida como completamente imprópria para consumo: sua carne desapareceria ao ser cozida, motivo pelo qual seu consumo foi proibido por lei.

O Hrosshvalur é descrito como  uma baleia de grandes proporções, medindo entre 15 e 40 metros de comprimento. Sua aparência combina características cetáceas e equinas: possui uma cabeça semelhante à de um cavalo, uma longa crina vermelha que se estende pelo pescoço, uma cauda equina e um chamado que lembra um relincho. Seu corpo é coberto por uma pelagem fina e exala um odor desagradável, enquanto suas entranhas seriam semelhantes às de um cavalo. Seus olhos são desproporcionalmente grandes, característica que lhe rendeu o epíteto Monoculus. Algumas representações, como a de Jon Gudmundsson, mostram a criatura com o dorso malhado.


Apesar de compartilhar traços com outras Illhveli — como a crista vermelha da Raudkembingur e o hábito de saltar sobre embarcações, típico da Stökkull —, o Hrosshvalur distingue-se principalmente pelo tamanho de seus olhos e por seu comportamento particularmente agressivo. Ele desloca-se rapidamente sobre as ondas, mantendo a cabeça acima da água com a crina esvoaçando para trás, e ataca embarcações saltando sobre elas ou pressionando seu peso até fazê-las virar. Também é considerado um presságio de tempestades, sendo capaz de gerar grandes ondas ao chicotear a superfície do mar com a cauda.

O comportamento de uma Hrosshvalur em relação a navios é invariavelmente destrutivo. Ela demonstra clara intenção de atacar e afundar embarcações, sendo frequentemente associada a naufrágios. Embora não seja facilmente distraída, seus olhos constituem um ponto vulnerável, explorado em alguns relatos. Para evitar atrair sua atenção, marinheiros utilizavam nomes eufemísticos ao se referirem à criatura.

Relatos folclóricos descrevem confrontos diretos com uma Hrosshvalur. Em um episódio do século XIII, um exemplar que emergiu ao lado de um navio foi repelido após ser atingido por diversos objetos pesados, submergindo em seguida. Em outra narrativa, presente na  Saga de Hjálmþés e Ölvis,  a criatura atacou os heróis Hjalmper e Olvir, sendo derrotada com a ajuda de um Skeljúngur (“baleia-concha”), um vagnhvalur (associado à orca) e duas aves de rapina. Durante o combate, um golpe em um de seus olhos a enfraqueceu significativamente, permitindo que fosse despedaçado.

Além de sua natureza destrutiva, a Hrosshvalur é associada às artes mágicas e à feitiçaria. Sua forma e poder o tornavam um disfarce ideal para feiticeiros que desejavam causar caos. Na Saga de Kormakr, a bruxa Dorveig transforma-se em uma Hrosshvalur para atacar os irmãos Kormakr e Dorgils. Eles conseguem reconhecê-la por seus olhos característicos e a repelem ao feri-la com uma lança.

Embora seja uma criatura claramente mítica, acredita-se que o Hrosshvalur tenha sido inspirada na morsa (rostungur), com a qual chegou a ser confundida em certas tradições. Ainda assim, fontes antigas já distinguiam claramente ambos os animais, descrevendo-os separadamente e atribuindo-lhes características distintas.


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8 de junho de 2026

Manananggal

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de DrcDinoboygaming

O Manananggal é uma criatura sobrenatural do folclore das Filipinas, especialmente conhecida nas regiões visaias do país. É geralmente descrito como um tipo de aswang — termo usado para diversos seres monstruosos da tradição filipina — e figura entre as criaturas mais temidas da mitologia local.

Seu nome deriva da palavra tagala tanggal, que significa "separar" ou "remover", em referência à sua característica mais marcante: a capacidade de dividir o próprio corpo ao meio. Durante a noite, a parte superior do tronco se desprende da metade inferior e ganha grandes asas semelhantes às de um morcego, permitindo que a criatura voe em busca de vítimas.

Arte de Raven D.

Aparência

Durante o dia, o Manananggal costuma assumir a aparência de uma pessoa comum, geralmente uma mulher. Em algumas tradições, é descrito como alguém de aparência atraente e comportamento discreto, capaz de viver normalmente entre os habitantes da comunidade sem despertar suspeitas.

À noite, porém, revela sua verdadeira natureza. Seu tronco superior se separa da cintura, deixando as vísceras expostas. Em seguida, surgem grandes asas membranosas, garras afiadas e presas adaptadas à alimentação predatória. Algumas versões também atribuem à criatura uma língua longa e tubular, utilizada para alcançar suas vítimas à distância.

Comportamento

O Manananggal é tradicionalmente associado a ataques contra mulheres grávidas. Segundo as crenças populares, ele paira sobre as casas durante a noite e utiliza sua língua alongada para alcançar o ventre das gestantes, alimentando-se do feto ou do sangue da vítima. Outras versões afirmam que a criatura prefere consumir órgãos internos, especialmente o fígado e o coração. Há relatos que a descrevem atacando recém-nascidos, pessoas adormecidas, amantes e casais recém-casados.

Em algumas regiões das Filipinas, o Manananggal também é conhecido pelos nomes Wak-wak ou Magtatangal, embora a relação entre essas entidades varie conforme a tradição local.

Arte de Gerin Pendras

Vulnerabilidade

Enquanto a parte superior do corpo está em voo, a metade inferior permanece escondida em algum local isolado. Essa condição representa a principal fraqueza da criatura. De acordo com o folclore, é possível derrotar um manananggal encontrando a metade inferior abandonada e cobrindo-a com sal, alho, cinzas ou fogo. Quando o tronco superior retorna antes do amanhecer, não consegue mais se reunir ao restante do corpo. Exposto aos primeiros raios do sol, o ser morre.

Além do alho e do sal, algumas tradições mencionam o uso de água benta, vinagre, especiarias e chicotes confeccionados com cauda de arraia como formas de proteção contra a criatura.

Arte de KojiroArt

Transformação

Relatos recolhidos na região de Bikol descrevem um ritual de transformação realizado por alguns Manananggal. Antes de voar, a criatura aplicaria sobre o corpo um unguento de cheiro forte preparado com ingredientes considerados impuros. Durante o processo, recitaria fórmulas mágicas destinadas a afastar a proteção divina e facilitar a metamorfose.

Registros históricos

As primeiras descrições conhecidas do Manananggal surgiram durante o período colonial espanhol. Em 1589, o missionário Juan de Plasencia registrou a crença em uma entidade chamada Magtatangal, capaz de aparecer sem cabeça ou sem parte do corpo durante a noite e retornar à forma normal ao amanhecer.

Mais de um século depois, o religioso Domingo de los Santos descreveu uma criatura que se separava fisicamente ao meio para voar e devorar carne humana. Esses relatos figuram entre os registros escritos mais antigos de seres associados ao atual mito do Manananggal.

Arte de sangkyu

Relações com outras criaturas

O Manananggal faz parte de um conjunto mais amplo de seres sobrenaturais presentes no Sudeste Asiático. Diversas culturas da região possuem lendas sobre criaturas capazes de separar partes do próprio corpo para voar e se alimentar de seres humanos. Entre os exemplos mais conhecidos estão o Penanggalan, da Malásia, e o leyak, de Bali. 

Embora frequentemente comparado aos vampiros europeus, o Manananggal possui características próprias. Em vez de simplesmente beber sangue, ele costuma ser associado ao consumo de órgãos internos, fetos ou fluidos corporais, refletindo medos e crenças específicos das comunidades filipinas.

Arte de Brian Valeza


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7 de junho de 2026

Gui Mian

۞ ADM Sleipnir

Gui Mian (chinês: 鬼面; pinyin: Guǐmiàn, "rosto fantasma'') é um ser sobrenatural da mitologia chinesa registrado em coleções de relatos fantásticos da dinastia Tang. Ele descrito como um rosto monstruoso que surge em paredes, colunas e outras superfícies, sendo capaz de alterar sua cor e tamanho. Em algumas narrativas, ele demonstra a capacidade de se desprender da superfície onde aparece e aderir ao rosto de uma pessoa, causando sua morte. Os principais relatos sobre o Gui Mian foram preservados no Taiping Guangji (chinês: 太平广记), uma vasta coletânea de histórias compilada durante a dinastia Song a partir de fontes mais antigas.

A aparência da criatura varia pouco entre os registros. Geralmente é descrita como um rosto isolado, sem corpo, com feições deformadas e ameaçadoras, incluindo olhos estranhos, nariz achatado e dentes afiados. Além de mudar de tamanho, também pode assumir diferentes cores, como vermelho, branco, azul-esverdeado e preto.

Um dos relatos mais conhecidos conta a história do sobrinho de Li Pan, magistrado do distrito de Xianyang. O jovem costumava afirmar publicamente que não tinha medo de espíritos ou fantasmas. Certo dia, um rosto monstruoso apareceu na parede de sua residência. Sempre que era atacado, desaparecia e reaparecia em outro local com uma coloração diferente. A situação se agravou quando uma versão maior e mais aterradora da criatura surgiu em uma parede do lado norte da casa. Após tentar golpeá-la repetidamente, o jovem a atacou com uma faca. Nesse momento, o rosto desprendeu-se da parede e avançou sobre ele. Apesar de seus esforços para afastá-lo, a criatura aderiu ao seu rosto, que ficou completamente negro. O homem caiu morto no mesmo instante, e a coloração escura permaneceu em seu rosto mesmo após sua preparação para o funeral.

Outro relato menciona Sun Min, funcionário da administração imperial que, durante uma viagem, passou a noite em uma hospedaria nas montanhas. Enquanto descansava, viu o rosto de uma bela mulher surgir de uma coluna de madeira e sorrir para ele. Assustado, fez uma reverência e rezou diante da aparição até que ela desaparecesse. Sun Min manteve o episódio em segredo por muitos anos. Apenas quando adoeceu gravemente revelou a história a um amigo, falecendo pouco tempo depois.


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6 de junho de 2026

Konaki-jijii

۞ ADM Sleipnir

Konaki-jijii (japonês 子泣き爺 ou こなきじじい, literalmente “velho que chora como um bebê”) é um yokai do folclore japonês, especialmente associado às regiões montanhosas da atual prefeitura de Tokushima. Ele foi registrado pelo folclorista japonês Kunio Yanagita em sua obra Yōkai Dangi ("Discussões sobre Yōkai"), na qual é descrito como um ser capaz de reproduzir o choro de um bebê durante a noite para atrair a atenção de viajantes.

Descrição e comportamento 

Segundo as lendas, o Konaki-jijii possui a aparência de um homem idoso, mas geralmente é descrito usando roupas de bebê exageradamente grandes, cobertas por uma capa de palha usada para proteção contra a chuva, além de carregar um cajado de caminhada. Ele habita áreas montanhosas, onde costuma se esconder próximo a estradas e trilhas pouco movimentadas.

A principal característica do Konaki-jijii é sua capacidade de reproduzir com perfeição o choro de um bebê humano. Ao ouvir os lamentos vindos da mata, muitos viajantes acreditam que uma criança foi abandonada ou está em perigo. Movidos pela compaixão, aproximam-se para prestar ajuda. No entanto, ao pegarem a criatura nos braços, descobrem tratar-se de uma armadilha sobrenatural.


As histórias afirmam que o Konaki-jijii se torna progressivamente mais pesado após ser carregado. Enquanto seu peso aumenta de forma contínua, ele se agarra à vítima, impedindo qualquer tentativa de soltá-lo. Em algumas versões da lenda, o peso cresce até se tornar insuportável, esmagando e matando a pessoa que tentou ajudá-lo.

Possíveis origens

Pesquisadores do folclore japonês acreditam que o Konaki-jijii surgiu da combinação de duas tradições populares distintas. A primeira descreve uma criatura das montanhas que assume a forma ou imita o choro de um bebê para atrair viajantes, esmagando aqueles que tentam carregá-la. Esse padrão aparece em diversas narrativas folclóricas do Japão e também pode ser encontrado em yokais como o Obariyon, a Ubume e a Nure-onna.

A segunda tradição fala de um homem idoso que teria vivido na região e era conhecido por imitar o choro de bebês enquanto caminhava pelas redondezas. Segundo relatos populares, ele era malvisto pelos moradores locais, que frequentemente o utilizavam como figura de advertência para assustar crianças desobedientes. Alguns folcloristas sugerem que a fusão dessas duas histórias ao longo do tempo deu origem à figura sobrenatural conhecida atualmente como Konaki-jijii.

Na cultura popular

Embora suas origens sejam objeto de debate entre os pesquisadores, o Konaki-jijii tornou-se amplamente reconhecido como um dos yōkai mais conhecidos do Japão. Sua popularidade aumentou significativamente durante o século XX após sua aparição na série GeGeGe no Kitarō, criada por Shigeru Mizuki.

Na obra de Mizuki, o Konaki-jijii é retratado como um aliado do protagonista Kitarō. Diferentemente das versões mais antigas da lenda, nas quais representa uma ameaça aos viajantes, ele atua como um personagem benevolente e utiliza sua capacidade de aumentar o próprio peso como arma contra inimigos.

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4 de junho de 2026

Begtse

۞ ADM Sleipnir

Begtse (tibetano: བེག་ཚེ་, Wylie: beg tse; chinês: 贝泽), também conhecido como Begtse Chen (“Grande Begtse”), Jamsaran (mongol: Жамсран) ou Sogdag Yamshi Marpo, é uma importante divindade protetora do budismo tibetano. Classificado como um dharmapala — termo usado para designar os guardiões dos ensinamentos budistas —, ele é especialmente venerado na Mongólia e na tradição Gelug do budismo tibetano. Antes de sua incorporação ao universo budista, era cultuado como uma divindade guerreira dos povos mongóis.

Begtse é considerado o principal protetor do ciclo tântrico de Hayagriva, uma das práticas meditativas mais importantes do budismo vajrayana. Em razão de sua aparência avermelhada e de suas funções protetoras, também é frequentemente chamado de “Mahakala Vermelho”, embora possua características próprias que o distinguem das demais manifestações de Mahakala.

Nomes e etimologia

O nome Begtse deriva de uma palavra mongol relacionada à cota de malha, uma armadura formada por anéis metálicos entrelaçados. Essa associação está diretamente ligada à sua iconografia, que o representa como um guerreiro protegido por armadura.

Na Mongólia, a divindade é mais conhecida pelo nome Jamsaran, enquanto fontes tibetanas também o identificam como Sogdag Yamshi Marpo. Em algumas tradições, recebe ainda os nomes Trichapa Chamsing (tibetano) e Prana Atma.

Origens mitológicas

I) Origem pré-budista

Segundo a tradição mongol, Begtse era originalmente um deus da guerra venerado antes da introdução do budismo na região. Com a expansão do budismo tibetano entre os povos mongóis, a divindade foi incorporada ao panteão budista e reinterpretada como protetora do Dharma.

II) Narrativa da tradição Sakya

Uma tradição preservada pela escola Sakya relata que Begtse teria sido, em uma vida anterior, o irmão mais novo daquele que se tornaria o Buda Shakyamuni. Após um conflito religioso entre ambos, prometeu proteger os ensinamentos budistas quando seu irmão alcançasse a iluminação. Como símbolo desse compromisso, recebeu uma armadura de cobre, armas de guerra e o nome Sogdag Yamshi Marpo.

Outra narrativa descreve seu nascimento sobrenatural a partir de um ovo de coral surgido em um cemitério. Segundo essa versão, Begtse nasceu armado e revestido de armadura, enquanto de um segundo ovo surgiu Rigpay Lhamo, sua futura consorte. Ambos teriam sido posteriormente convertidos em protetores do Dharma pela deusa Ekajati.

III) Narrativa mongol

Uma tradição posterior associa sua conversão ao budismo ao encontro com o terceiro Dalai Lama, Sonam Gyatso. Nessa história, Begtse tentou impedir a propagação do budismo utilizando espíritos e criaturas sobrenaturais, mas acabou sendo vencido pelos poderes espirituais do mestre tibetano e jurou proteger os ensinamentos budistas.

Iconografia

Na arte budista, Begtse é representado como uma divindade de aparência feroz. Seu corpo é vermelho, os cabelos são alaranjados e erguidos em chamas, e seu rosto exibe três olhos arregalados e quatro presas. Diferentemente de muitos outros protetores irados do budismo tibetano, costuma ser retratado com apenas dois braços. Sua característica mais marcante é a armadura de cota de malha, que remete diretamente à sua origem como divindade guerreira. Ele veste roupas vermelhas de seda, usa uma coroa adornada com cinco crânios e quatro estandartes, e traz ao pescoço uma guirlanda composta por cinquenta cabeças humanas recém-cortadas. Sobre o peito aparece um espelho ritual com a sílaba sagrada BRAM inscrita em seu centro.

Normalmente, Begtse segura uma espada com cabo em forma de escorpião na mão direita e um coração humano na mão esquerda. Também pode portar arco, flechas e uma longa lança decorada com bandeiras. Sua postura ritual o mostra de pé sobre um disco solar, pisando com o pé direito sobre um cadáver de cavalo e o pé esquerdo sobre um cadáver humano, enquanto é envolvido por chamas que representam a sabedoria purificadora.

A principal consorte de Begtse é Rigpay Lhamo, conhecida como a Deusa da Vida. Ela é descrita como uma divindade de corpo azul-escuro, expressão feroz e adornos feitos de ossos humanos. Costuma ser representada montada sobre um urso devorador de homens, e que atravessa um mar de sangue. O casal possui ainda um filho conhecido como Senhor da Vida, frequentemente retratado empunhando uma lança e montando um lobo azul. Ao redor dessas divindades encontra-se um séquito de vinte e nove auxiliares guerreiros e carniceiros. Juntos, eles formam uma mandala composta por trinta e duas divindades.

Papel religioso

I) Como dharmapala

No budismo tibetano, Begtse é visto principalmente como um protetor dos praticantes sinceros. Sua função é remover obstáculos espirituais, afastar influências negativas e auxiliar na purificação do carma. Em muitas tradições, ele também é invocado para proteger territórios, mosteiros e comunidades budistas.

II) Nas escolas budistas

A escola Gelug o considera uma manifestação iluminada de Hayagriva, enquanto a tradição Sakya o inclui entre os chamados Oito Furiosos, um grupo de importantes divindades protetoras. Embora sua veneração tenha existido em diversas escolas do budismo tibetano, sua devoção alcançou especial destaque entre os mongóis a partir do século XVII.

III) Relação com Hayagriva

Begtse é considerado o principal protetor do ciclo tântrico de Hayagriva, ocupando papel central em diversas práticas meditativas do budismo vajrayana.

História e tradição

A devoção a Begtse desempenhou um papel importante na cultura religiosa da Mongólia e do Tibete ao longo dos séculos. Sua prática foi transmitida por diversas linhagens do budismo tibetano. Segundo as tradições Sakya e Gelug, a linhagem dos ensinamentos relacionados à divindade remonta a Vajradhara, o Buda primordial. Esses ensinamentos chegaram ao Tibete no século XI por intermédio de Nyen Lotsawa Dharma Drag e posteriormente se difundiram por diferentes escolas budistas, especialmente as tradições Sakya, Kagyu e Gelug.

Além de sua importância religiosa, Begtse ocupa lugar de destaque nas danças rituais Cham, no Tibete, e Tsam, na Mongólia. Essas cerimônias combinam elementos de teatro, música, dança e simbolismo espiritual, representando divindades protetoras e episódios da tradição budista. Nas apresentações, Begtse costuma aparecer acompanhado por integrantes de seu séquito, reforçando sua função como guardião do Dharma.

Na cultura mongol, a divindade também foi associada a figuras históricas e lendárias. Algumas tradições identificam o herói épico Gesar como uma manifestação de Jamsaran. No início do século XX, o general mongol Sandagdorjiin Magsarjav, destacado líder militar durante a luta pela independência da Mongólia, foi igualmente considerado por seus seguidores uma emanação de Begtse.

A popularidade do culto a Begtse atingiu seu auge entre o final do século XIX e o início do século XX, período marcado por conflitos políticos e pelo fortalecimento do nacionalismo mongol. Durante a era socialista, muitos mosteiros foram fechados e as práticas religiosas sofreram severas restrições. Com a democratização da Mongólia, na década de 1990, a veneração à divindade passou por um processo de revitalização. Atualmente, cerimônias e serviços religiosos dedicados a Jamsaran continuam sendo realizados em importantes mosteiros do país.

Cultura contemporânea

O nome Begtse foi utilizado para batizar um gênero de dinossauro ceratopsiano descoberto na Ásia, em homenagem à divindade guerreira.

Recentemente, Begtse foi revelado como um dos deuses da guerra no jogo God of War: Laufey (ainda sem data de lançamento).

Begtse (God of War: Laufey)

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3 de junho de 2026

Nossa Senhora da Rapadura

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Nossa Senhora da Rapadura é uma figura folclórica associada à região da  Ilha do Fogo, uma ilha fluvial situada entre as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Segundo a tradição popular, trata-se de uma entidade protetora das águas do rio e das cidades ribeirinhas.

De acordo com a lenda, Nossa Senhora da Rapadura vive no alto do morro da Ilha do Fogo carregando uma rapadura sobre a cabeça. Ela teria sido condenada a permanecer sobre as rochas da ilha para proteger a região, evitando entrar nas águas do rio por medo de que a rapadura se dissolvesse. A crença afirma que, caso isso acontecesse, as águas do São Francisco se tornariam doces por um breve período.

Os relatos populares também descrevem que, em noites muito escuras, uma intensa luz podia ser vista iluminando o topo da ilha, formada por grandes afloramentos de granito. Moradores da região acreditam que existe, sob a ilha, uma imagem de Nossa Senhora com uma rapadura sobre a cabeça.

Na tradição ribeirinha, Nossa Senhora da Rapadura é considerada uma guardiã do rio São Francisco. Algumas versões da lenda afirmam que, se a rapadura algum dia derreter completamente, uma grande inundação atingirá a cidade de Juazeiro.

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Ruby