9 de julho de 2026

Dazhbog

۞ ADM Sleipnir


Dazhbog (também grafado Dažbog, Daždbog, Dajbog ou Dabog) é uma divindade da mitologia eslava, conhecida sobretudo por fontes eslavas orientais medievais. Ele é frequentemente interpretado como uma divindade solar ou celeste, associada à luz, à dádiva, à prosperidade e à ancestralidade. Seu nome é citado entre as divindades do panteão de Vladimir, o Grande, em Kiev, e também aparece em textos como o Códice Hipaciano e o Slovo o polku Igoreve (O Conto da Campanha de Igor ou O Poema das Hostes de Igor). Apesar dessas menções, as fontes medievais não preservam uma mitologia completa sobre Dazhbog. Grande parte de sua imagem atual resulta da combinação entre registros medievais, interpretações linguísticas, tradições folclóricas posteriores e reconstruções modernas.

Nome e etimologia

O nome Dazhbog é geralmente relacionado à forma protoeslava dadjьbogъ, composta por um elemento ligado ao verbo “dar” e pelo termo bogъ, “deus”. Por isso, costuma ser traduzido como “deus que dá”, “deus doador” ou “doador de riqueza”. Em algumas interpretações, bog também conserva um sentido antigo ligado a riqueza, fortuna ou bem-estar, o que aproxima Dazhbog da ideia de uma divindade dispensadora de prosperidade.

As variantes do nome aparecem de formas diferentes entre os povos eslavos. A forma Dazhbog é comum em tradições eslavas orientais, enquanto Daždbog, Dajbog e Dabog aparecem em outros contextos linguísticos e folclóricos.

Arte de Andrey Shishkin


Fontes medievais

Dazhbog é citado na Crônica Primária, texto compilado no início do século XII, entre os deuses cujos ídolos foram erguidos por Vladimir, o Grande, em Kiev. Segundo a crônica, Vladimir colocou em uma colina imagens de Perun, Khors, Dazhbog, Stribog, Simargl e Mokosh, indicando que essas divindades ocupavam lugar importante na religião oficial da Rus’ de Kiev antes da cristianização.

Outra referência importante aparece no Códice Hipaciano, em um trecho derivado da tradição da Crônica de João Malalas. Nesse texto, Svarog é identificado com Hefesto, e o Sol, filho de Svarog, recebe o nome de Dazhbog. A passagem é uma das principais bases para a associação de Dazhbog com o Sol, embora pertença a uma adaptação eslava de material originalmente grego.

Dazhbog também aparece no Conto da Campanha de Igor, poema épico eslavo oriental relacionado à campanha do príncipe Igor Sviatoslavich contra os cumanos/polovtsianos, em 1185. Na obra, o povo da Rus’ ou seus príncipes são chamados de “netos de Dazhbog”, expressão geralmente interpretada como sinal de uma relação simbólica entre a divindade e a ancestralidade coletiva ou guerreira da Rus’. Essa imagem aproxima Dazhbog da função de herói cultural, isto é, uma figura mítica ligada à origem, à proteção ou à identidade de uma comunidade.

Relação com Khors

A proximidade entre Dazhbog e Khors na lista do panteão de Vladimir levou alguns estudiosos a aproximar as duas divindades. Khors costuma ser interpretado como uma divindade de possível caráter solar, talvez de origem iraniana, enquanto Dazhbog aparece associado à luz, à dádiva e à força benéfica do Sol. Em algumas leituras, os dois nomes indicariam divindades solares distintas; em outras, aspectos diferentes de uma mesma esfera celeste.


Dabog no folclore sérvio

Entre os eslavos do sul, especialmente em tradições sérvias, aparece a figura de Dabog ou Daba, muitas vezes interpretada como forma posterior ou aparentada de Dazhbog. No folclore, Dabog pode surgir como personagem ambíguo, às vezes associado ao mundo inferior, aos lobos ou mesmo ao diabo cristão. Essa imagem pertence a uma camada folclórica posterior, já marcada pela cristianização. A permanência do nome Dabog no folclore sérvio, porém, mostra que a memória da divindade continuou a circular em diferentes formas.

Representações posteriores

Em compilações modernas e tradições posteriores, Dazhbog às vezes é descrito como um deus solar que percorre o céu em uma carruagem puxada por cavalos brancos ou luminosos. Algumas versões situam sua morada no Sol, no leste ou em um palácio dourado, de onde ele partiria todas as manhãs para atravessar o céu. Outras tradições associam Dazhbog ao ciclo diário do Sol. Em versões sérvias, ele pode ser descrito como uma figura que nasce jovem pela manhã, envelhece ao longo do dia e morre ao anoitecer, renascendo na manhã seguinte. Essa imagem expressa a passagem do Sol pelo céu e sua renovação diária.

Algumas compilações também relacionam Dazhbog a figuras celestes como Mesyats, a Lua, e às Zoryas, personificações da estrela da manhã e da estrela da tarde. Esses elementos pertencem a tradições e interpretações posteriores, ampliando a imagem da divindade para além das referências medievais mais antigas.

Dazhbog também aparece, em tradições folclóricas e interpretações regionais, associado ao lobo, ao fogo doméstico, à fertilidade, à chuva e ao mundo inferior. Esses aspectos mostram como sua figura foi reinterpretada ao longo do tempo, combinando características solares, ancestrais e ctônicas.

"Glória à Dazhdbog", por Boris Olshansky, c. 1990. 


fontes:
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8 de julho de 2026

Mawari e Woska

۞ ADM Sleipnir

Mawari e Woska (também registrados como Mawarye e Woxka) são personagens da tradição oral dos Hixkaryana, povo indígena falante de uma língua da família Karib que vive principalmente na região dos rios Nhamundá e Jatapu, entre os estados do Amazonas e do Pará. Suas histórias estão ligadas aos Kamarayana, grupo cujo nome é explicado como "povo-onça", a partir das palavras kamara ("onça") e yana ("povo").

Na cosmologia hixkaryana, muitos mitos se passam em um tempo primordial, quando humanos, animais, espíritos e plantas ainda não estavam separados em categorias rígidas. Seres de naturezas diferentes podiam conviver, transformar-se uns nos outros, casar entre si ou dar origem a novas formas de vida. É nesse mundo antigo que Mawari e Woska aparecem como antepassados ligados à origem dos Kamarayana, ao cultivo das plantas e à formação de certas práticas da vida coletiva.

Mawari é apresentado como um personagem de grande poder, capaz de transformar, consertar e organizar elementos do mundo. Por realizar ações que estavam além das capacidades comuns, em alguns contextos ele chegou a ser aproximado da figura de Deus. Nas narrativas hixkaryana, porém, sua atuação está menos ligada à criação de todo o universo e mais à ordenação de aspectos específicos da vida. Woska funciona como seu contraponto, associado à imitação, ao erro e à ação precipitada. Juntos, os dois ajudam a explicar por que o mundo contém formas semelhantes, mas desiguais, como plantas cultivadas e plantas do mato, seres completos e seres incompletos, ações bem realizadas e ações que se desviam de seu modelo.

O nascimento de Mawari e Woska

Em uma versão mais detalhada do mito, a história começa antes do nascimento dos dois personagens. Um casal de jabutis sai pela floresta em busca de frutos. A mulher-jabuti sobe em uma árvore para colher alimento, mas acaba cercada por outros animais. Depois disso, desce da árvore e procura pelo marido, que havia fugido. Durante a busca, a mulher-jabuti encontra uma trilha que a leva até a aldeia dos Kamarayana. Ali, é recebida por uma anciã Kamarayana, que a alerta sobre o perigo daquele lugar. Os Kamarayana eram considerados bravos e capazes de descobrir a presença de pessoas pelo cheiro. Para protegê-la, a anciã a esconde no alto da casa, em um jirau usado para guardar alimentos.

Quando os Kamarayana retornam da caça, percebem que há alguém escondido. A anciã nega, mas eles desconfiam. Primeiro, colocam um jacamim para dançar de modo engraçado, esperando que a mulher-jabuti ria ou faça algum ruído. Como isso não funciona, usam depois um tracajá de cheiro forte. A mulher-jabuti cospe por causa do mau cheiro, e os Kamarayana encontram o sinal de sua presença. A mulher-jabuti é então descoberta e morta. Dentro de seu corpo, os Kamarayana encontram vários ovos. Dois deles são entregues à anciã, que não os come. Em vez disso, ela os guarda em segredo. Em algumas versões, os ovos são escondidos debaixo de uma panela de barro; em outra variante, aparecem colocados sob uma porção de massa de mandioca. Depois de algum tempo, os ovos se quebram e deles nascem duas crianças: Mawari e Woska. A anciã passa a cuidar dos dois em segredo. Ela os alimenta e os alerta de que os Kamarayana foram os responsáveis pela morte de sua mãe. 

Em outra versão, os dois já aparecem como pequenas criaturas nascidas de ovos de jabuti. A anciã os protege e os esconde sob as folhas que cobrem o telhado de sua casa, em uma aldeia habitada por onças. Todas as manhãs, a pedido da anciã, as onças saem para caçar: a onça-pintada segue por uma trilha, enquanto a onça-vermelha toma outro caminho. A pintada volta cedo, trazendo sua caça; a vermelha retorna apenas ao entardecer. Ao entrar na aldeia, cada uma sente cheiro de gente e pergunta quem está escondido ali. A anciã sempre nega, dizendo que não há ninguém. Enquanto as onças estão fora, ela tira Mawari e Woska do esconderijo, coloca-os no chão e lhes dá alimento. Com o tempo, os dois crescem, perdem o medo das onças e passam a agir no mundo por conta própria.

Castanha, roça e aprendizado

Quando Mawari e Woska já estão maiores, a anciã pede que eles busquem castanhas como forma de retribuir o cuidado que teve ao criá-los. Na primeira vez, os dois trazem apenas uma pequena quantidade. Ela diz que deveriam trazer mais. No dia seguinte, eles voltam com uma porção maior. Em uma variante, a castanha trazida por Mawari e Woska parece pouca à primeira vista, mas se revela abundante quando é despejada em uma travessa de palha.

Depois, durante o verão, ela os orienta a abrir uma roça. O mito associa esse episódio ao aprendizado do tempo adequado para o trabalho agrícola. É a anciã quem ensina que a roça deve ser aberta na estação certa, e os dois passam a trabalhar para formar um bom roçado.

O contraste entre os dois personagens

Uma das marcas centrais do mito é a diferença entre Mawari e Woska. Mawari aparece como aquele que sabe fazer as coisas da maneira correta: planta, organiza, transforma e cria formas úteis. Woska o acompanha e tenta imitá-lo, mas suas ações costumam gerar formas menores, incompletas ou menos aproveitáveis.

Essa diferença aparece especialmente nas plantas. Mawari planta uma bacabeira; Woska planta uma bacabinha. Mawari planta uma castanheira; Woska faz surgir outra espécie, de menor valor. Mawari planta um buriti; Woska cria uma variedade inferior. Mawari planta uma bananeira; Woska produz uma banana do mato. Assim, o mito explica, por meio da oposição entre os dois personagens, a existência de formas cultivadas e formas silvestres, de coisas bem-acabadas e de coisas que se desviam do modelo original.

As companheiras de Mawari e Woska

Outro episódio narra como Mawari e Woska obtêm companheiras. Depois de encontrarem seus próprios órgãos masculinos na floresta, os dois decidem que precisam de esposas. Primeiro tentam se aproximar da ariranha, apresentada como a avó dos peixes. Ela, porém, indica que eles procurem suas netas: o aracu e a piranha. Mawari e Woska pescam os dois peixes, que se tornam suas companheiras. A ariranha avisa que, antes da relação, eles devem usar timbó, planta empregada para entorpecer peixes. Mawari segue a orientação e não sofre dano. Woska, impaciente, ignora o aviso e se aproxima de sua companheira antes do tempo. Como resultado, é ferido gravemente, tendo o seu órgão sexual decepado.

Mawari, que sabe consertar e organizar as coisas, resolve o problema usando uma semente de patauá. Depois disso, o timbó é aplicado também à companheira de Woska, e a situação se normaliza. A partir daí, Mawari e Woska passam a ter filhos. O episódio retoma a diferença entre os dois personagens: Mawari age com cuidado e conhecimento; Woska se precipita, erra e depende da intervenção do companheiro para reparar o dano.

Em outra versão, a diferença entre eles aparece na vida conjugal. A esposa de Woska começa a emagrecer porque ele não consegue alimentá-la adequadamente. Mawari troca de esposa com ele, mas o resultado se repete: a mulher que fica com Woska enfraquece, enquanto a que fica com Mawari melhora. A narrativa apresenta esse episódio como mais uma demonstração da capacidade de Mawari de fazer as coisas de modo eficaz.

A mandioca e o saber feminino

Outro episódio importante envolve a mandioca. No tempo em que Mawari ainda não tinha roça, ele buscava alimento na floresta. Havia ali uma árvore estranha, sem galhos e sem folhas, carregada de mandioca. Bastava chegar debaixo dela e sacudi-la para que os frutos caíssem do alto.

Quando a esposa de Mawari vai sozinha ao lugar indicado, não encontra nada. Mawari retorna sozinho, repete o gesto e traz a colheita para casa. A narrativa sugere que o conhecimento sobre a obtenção da mandioca não era imediato nem compartilhado de forma igual. A mulher precisou de tempo até desenvolver seu próprio modo de encontrá-la e coletá-la.

Descendência e separação

Com o passar do tempo, Mawari e Woska têm descendentes. Seus filhos também refletem a diferença entre os pais: os descendentes de Mawari aparecem ligados à capacidade de fazer, organizar e construir, enquanto os de Woska são associados à dificuldade, à imitação e à incompletude.

Quando a aldeia se torna cheia demais, Mawari e Woska decidem separar a terra. Mawari segue na direção do nascente, enquanto Woska parte para o lado do poente. Antes da separação, Mawari afirma que Woska poderia chamá-lo quando precisasse de ajuda, como alguém que sabe consertar aquilo que os outros não conseguem resolver.

Ao final da narrativa, os antepassados dos Kamarayana são apresentados como descendentes de Mawari. Criados em uma aldeia kamarayana, eles aprendem a cultivar plantas e abrir roças. Assim, o mito relaciona a origem do “povo-onça” não apenas a uma linhagem ancestral, mas também ao aprendizado de um modo de vida. A floresta, as onças, os jabutis, as plantas cultivadas e os ancestrais fazem parte dessa mesma memória, na qual os Kamarayana surgem como um povo formado em contato direto com outros seres da natureza.

fontes:

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7 de julho de 2026

Cosmogonia Hindu

۞ ADM Sleipnir

A Cosmogonia Hindu reúne diferentes explicações sobre a origem do universo, dos deuses e da ordem cósmica. Ao contrário de tradições que apresentam uma única narrativa de criação, o hinduísmo possui várias versões preservadas em textos védicos, épicos, purânicos e filosóficos. Essas versões não precisam ser entendidas como relatos concorrentes, mas como formas distintas de expressar a origem, a organização e a renovação do cosmos.

Em muitas tradições hindus, o universo não é criado uma única vez de maneira definitiva. Ele passa por ciclos de criação, preservação, dissolução e recriação. Essa visão cíclica é uma das características mais marcantes da cosmologia hindu.

Hinos védicos sobre a criação

Entre os textos mais antigos ligados à criação está o Nasadiya Sukta, hino do Rigveda conhecido como “Hino da Criação”. Esse texto não apresenta uma narrativa simples sobre um deus criando o mundo. Em vez disso, descreve um estado primordial misterioso, anterior à distinção entre existência e não existência. O hino questiona a origem do universo e sugere que talvez nem mesmo os deuses conheçam plenamente o início de tudo, pois eles próprios teriam surgido depois da criação.

Essa abordagem torna o Nasadiya Sukta uma das reflexões mais filosóficas da tradição védica. Seu foco não está em explicar todos os detalhes da criação, mas em apresentar a origem do cosmos como um mistério profundo, diante do qual até o conhecimento divino pode ser limitado.

Outro hino importante é o Hiranyagarbha Sukta, também do Rigveda. Nele aparece a ideia de Hiranyagarbha, termo geralmente traduzido como “embrião dourado”, “germe dourado” ou “ventre dourado”. Essa ideia representa um princípio primordial do qual surgem o mundo, os deuses e a ordem cósmica. Em tradições posteriores, essa noção foi aproximada da ideia do ovo cósmico, símbolo comum em diferentes mitologias para representar o nascimento do universo.

Purusha e o sacrifício cósmico

Outra explicação védica importante aparece no Purusha Sukta, hino que descreve Purusha, o "Ser Cósmico Primordial". Segundo essa tradição, o universo surge a partir do sacrifício de Purusha. De seu corpo são formadas partes do cosmos, como o céu, a terra, os seres vivos e a organização da sociedade.

Essa narrativa apresenta a criação como um ato sacrificial. O mundo não surge apenas por fabricação ou comando divino, mas pela transformação de um ser primordial em realidade cósmica. Por isso, Purusha representa tanto a totalidade do universo quanto a origem simbólica de sua ordem.

A criação nos Puranas

Nos Puranas, textos religiosos compostos em períodos posteriores, a criação costuma ser narrada de forma mais mitológica e visual. Uma das imagens mais conhecidas apresenta Narayana, identificado em muitas tradições com Vishnu, repousando sobre a serpente cósmica Ananta ou Shesha, em meio às águas primordiais. Nessa cena, Vishnu/Narayana aparece como o princípio divino que antecede a criação manifestada. De seu umbigo nasce um lótus, e sobre esse lótus surge Brahma, que recebe a função de organizar e criar o mundo.

Nessa tradição, Brahma é frequentemente descrito como o criador do universo manifestado, Vishnu como o preservador da ordem cósmica e Shiva como a divindade associada à dissolução ou transformação do cosmos. Essa divisão é conhecida como Trimurti, embora diferentes correntes hindus interpretem esses deuses de maneiras diversas.

Nas tradições vaishnavas, Vishnu pode ser entendido como o ser supremo do qual a criação depende. Nas tradições shaivas, esse papel supremo pode ser atribuído a Shiva. Já nas tradições shaktas, a realidade primordial pode ser identificada com Devi, “a Deusa”, ou Shakti, a energia divina feminina. Nesse contexto, “a Deusa” não se refere necessariamente a uma única figura fixa, mas ao princípio feminino supremo, que pode ser cultuado sob formas como Durga, Kali, Parvati, Lakshmi ou outras manifestações divinas.

Tempo cíclico e dissolução do universo

A cosmogonia hindu também se destaca pela ideia de tempo cíclico. O universo não é visto como uma criação única e definitiva, mas como parte de um processo contínuo de manifestação, preservação, dissolução e recriação. Dentro dessa visão, um grande ciclo de tempo é dividido em quatro eras chamadas yugas, que se sucedem em uma ordem de declínio moral, espiritual e cósmico. Na cronologia tradicional, essas quatro eras possuem durações simbólicas muito longas: o Satya Yuga dura 1.728.000 anos; o Treta Yuga, 1.296.000 anos; o Dvapara Yuga, 864.000 anos; e o Kali Yuga, 432.000 anos. Juntas, elas formam um mahayuga, ou “grande yuga”.

A primeira era é o Satya Yuga, também chamado Krita Yuga. Ele é descrito como a idade da verdade e da plenitude, quando a ordem cósmica, ou dharma, estaria plenamente estabelecida. Nessa fase, a humanidade viveria em maior harmonia com o sagrado e com a justiça.

Depois vem o Treta Yuga, período em que essa perfeição começa a diminuir. A ordem ainda existe, mas já não se manifesta de forma completa. Em muitas tradições hindus, essa era é associada ao tempo de grandes reis, sábios e acontecimentos míticos, incluindo narrativas ligadas ao Ramayana.

A terceira era é o Dvapara Yuga. Nela, o declínio se torna mais evidente, e a humanidade se afasta ainda mais da ordem ideal. Esse período é frequentemente relacionado às tradições do Mahabharata e ao contexto mítico em que aparece Krishna.

A quarta e última era é o Kali Yuga, considerado a era atual segundo a cronologia tradicional hindu. Ele é descrito como um período de conflito, confusão, decadência moral e afastamento do dharma. Apesar disso, o Kali Yuga não representa o fim absoluto da existência, mas a etapa final de um ciclo que será seguido por dissolução e renovação.

Ao fim de grandes ciclos cósmicos, ocorre o pralaya, isto é, a dissolução do universo manifestado. Depois desse período de repouso cósmico, uma nova criação tem início. Assim, a criação não é entendida como um evento isolado no passado, mas como parte de um movimento eterno de surgimento, duração, dissolução e renascimento.

fontes:

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6 de julho de 2026

Pentachikoro Oyashi

۞ ADM Sleipnir

Pentachikoro Oyashi (japonês ペンタチコロオヤシ) é um yokai do folclore dos ainus de Sacalina, região historicamente habitada por comunidades ainu no extremo norte da Ásia Oriental. Seu nome deriva da expressão pentachi-koro-oyashi, que pode ser traduzida como “fantasma que carrega uma tocha”.

De acordo com a tradição, o Pentachikoro Oyashi aparece durante a noite, caminhando com uma tocha acesa e provocando medo ou acontecimentos estranhos entre as pessoas que passam pelos caminhos. Sua imagem está associada ao ambiente frio e nevado de Sacalina, onde a luz da tocha refletida na neve tornaria a paisagem noturna clara como se fosse dia.

Arte de Mahoraga

Lenda

Uma das histórias mais conhecidas sobre essa criatura se passa na costa leste de Sacalina, em uma aldeia chamada Toyukushi. Certa noite, o chefe dessa aldeia precisou viajar com urgência até outra vila chamada Kotankeshi. Durante o trajeto, percebeu que estava sendo seguido pelo Pentachikoro Oyashi. Assustado, chegou à aldeia vizinha e contou ao chefe local que havia sido perseguido por um monstro.

O chefe de Kotankeshi, conhecido por sua coragem, decidiu enfrentar a criatura. Armado com sua espada, partiu em direção a Toyukushi. Depois de caminhar por algum tempo, sentiu que algo se aproximava por trás. Ao olhar discretamente, viu o Pentachikoro Oyashi vindo em sua direção. Quando o ser tentou tocá-lo, o chefe o golpeou com a espada. A criatura começou a se debater violentamente, e o próprio chefe, abalado pela cena, acabou desmaiando.

Na manhã seguinte, os habitantes da aldeia foram verificar o local do confronto. Em vez de encontrarem um monstro, descobriram o corpo de um grande corvo atravessado pela espada. Assim, concluiu-se que o Pentachikoro Oyashi era, na verdade, um corvo mal-intencionado que havia assumido forma sobrenatural para assustar as pessoas.


fontes:
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5 de julho de 2026

Camaxtli

۞ ADM Sleipnir

Arte de Amauri Esmarq

Camaxtli (também grafado Camaxtle) era uma das principais divindades dos tlaxcaltecas e de outros povos teochichimecas que habitavam o México Central antes da colonização espanhola. Associado à caça, à guerra e à origem do fogo, o deus desempenhava um papel central nos mitos de origem e de migração desses povos. Para os tlaxcaltecas, Camaxtli era a divindade tutelar e protetora, legitimando sua identidade, história e a posse de seu território, além de ser reverenciado como um ancestral que guiou o povo até a terra onde se estabeleceram.

Relação com Mixcóatl

Camaxtli é frequentemente associado a Mixcóatl, cujo nome em náuatle significa "serpente de nuvem". Mixcóatl era o deus mesoamericano da caça, das estrelas e da Via Láctea, considerado pai de Quetzalcóatl em algumas tradições. Embora as duas figuras compartilhem características de deuses caçadores e guerreiros, Camaxtli possuía um caráter mais local e específico de Tlaxcala. Além disso, algumas fontes coloniais aproximam Camaxtli do chamado Tezcatlipoca Vermelho (Tlatlauhqui Tezcatlipoca), um dos aspectos do deus Tezcatlipoca que reforça seus atributos ligados ao poder político e à autoridade militar.

Representação de Mixcoatl-Camaxtli no Códice Tovar (c. 1585)


Deus da caça, da guerra e do fogo

Como divindade da caça e da guerra, Camaxtli era representado com pinturas corporais listradas e portando armas como arco, flechas, dardos e uma rede ou cesto para carregar presas. Na Mesoamérica antiga, a caça ia além da subsistência e possuía também um caráter ritual e militar: a captura de animais selvagens podia ser comparada à captura de prisioneiros em batalha. Camaxtli também era relacionado ao fogo. Segundo algumas tradições, o fogo teria sido obtido por meio da fricção de madeira, técnica associada a Camaxtli e Mixcóatl, o que vinculava o deus a um dos recursos mais importantes para a vida humana.

Camaxtli e a origem dos tlaxcaltecas

Nas crônicas coloniais, como os relatos do historiador mestiço Diego Muñoz Camargo, Camaxtli é descrito como o guia dos antepassados chichimecas. De acordo com a tradição, o deus orientou o povo em sua longa jornada a partir de Chicomoztoc, o mítico lugar das sete cavernas, até o vale onde se estabeleceu a confederação de Tlaxcala. Essa função de guia mítico consolidou Camaxtli como o pilar da memória histórica, da legitimidade dos governantes e da coesão política tlaxcalteca frente a povos rivais, como os astecas.

Culto e rituais

O culto a Camaxtli envolvia jejuns, autosacrifícios, oferendas de alimentos, queima de copal e grandes caçadas rituais organizadas nos principais centros de Tlaxcala, como Tepeticpac e Ocotelulco. Essas práticas se relacionavam à veintena de Quecholli, período de vinte dias do calendário ritual associado a Mixcóatl no mundo mexica e, por extensão, a Camaxtli em Tlaxcala. Durante esse período, realizavam-se caçadas, preparavam-se flechas e ocorriam cerimônias em honra às divindades da caça e da guerra.

Mural "Fiestas Rituales en Homenaje a Camaxtli", no Palácio de Governo de Tlaxcala,
retratando o deus.


Os sacrifícios humanos também faziam parte do ritualismo dedicado a Camaxtli, com o objetivo de manter o equilíbrio cósmico e garantir o sucesso militar. A maior parte das descrições dessas cerimônias provém de crônicas de missionários católicos espanhóis, que costumavam registrar os ritos nativos sob uma perspectiva de condenação religiosa.

Integração no panteão mesoamericano

Embora Camaxtli fosse uma das divindades centrais de Tlaxcala, ele não era o único deus cultuado pelos tlaxcaltecas. Seu panteão incluía Tláloc (deus da chuva), Ehécatl (deus do vento), Xochiquétzal (deusa do amor, beleza e artes), Quetzalcóatl (a serpente emplumada), Tezcatlipoca (o espelho fumegante) e Xipe Tótec (associado à agricultura e à renovação da terra). A veneração de Camaxtli ao lado desses deuses demonstra como os povos nahuas do México Central compartilhavam um repertório religioso comum, no qual cada cidade-estado adaptava e priorizava certas divindades de acordo com sua própria história, identidade e alianças.


fontes:
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4 de julho de 2026

Glycon

۞ ADM Sleipnir

Imagem: CristianChirita / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Glycon, também grafado Glykon, foi uma divindade-serpente venerada no mundo greco-romano durante o século II d.C. Seu culto ficou associado a Alexandre de Abonoteico, profeta ativo na Paflagônia, região da Ásia Menor. A principal fonte literária sobre Glycon é a obra  Alexandre, ou o Falso Profeta, de Luciano de Samósata, autor que descreve Alexandre de forma satírica e hostil. Além do relato de Luciano, moedas, inscrições e achados arqueológicos indicam que o culto teve existência histórica e alcançou certa difusão no mundo romano.



Origem do culto

Segundo Luciano, Alexandre anunciou a chegada de uma nova manifestação de Asclépio, deus associado à cura. A aparição teria sido encenada com uma pequena serpente escondida em um ovo de ganso, apresentada ao público como o nascimento do deus. Mais tarde, Alexandre teria exibido uma grande serpente adquirida na Macedônia, combinada com uma cabeça artificial de aparência humana. Dessa forma, Glycon foi apresentado como uma serpente divina com traços humanos, ligada à cura, à profecia e à autoridade religiosa de Alexandre.

O culto de Glycon se desenvolveu em Abonoteico, cidade que mais tarde passou a ser conhecida como Ionópolis. Diferentemente de alguns santuários tradicionais de Asclépio, voltados principalmente para cura e incubação ritual, o centro de Glycon destacou-se sobretudo como oráculo. Pessoas consultavam o deus sobre doenças, futuro, decisões pessoais e questões políticas. Luciano acusa Alexandre de manipular essas consultas e de usar recursos mecânicos para fazer parecer que o próprio deus respondia aos fiéis.

Difusão no mundo romano

Apesar do tom crítico de Luciano, o culto alcançou notoriedade fora de Abonoteico. No século II, há indícios de que fórmulas atribuídas ao oráculo de Glycon foram usadas contra a peste, em contexto compatível com a peste antonina. O culto também atraiu pessoas de posição elevada, como Públio Múmio Sisena Rutiliano, governador romano mencionado por Luciano como protetor do oráculo e genro de Alexandre.

Moedas provinciais, inscrições e pequenas imagens indicam que a veneração de Glycon se espalhou por diferentes regiões do mundo romano, especialmente entre áreas ligadas ao Danúbio, ao Mar Negro e à Ásia Menor. Essas evidências mostram que o culto sobreviveu à morte de Alexandre, ocorrida por volta de 170 d.C., e permaneceu ativo pelo menos até o século III.

A estátua de Tomis

Uma das representações mais conhecidas atribuídas a Glycon é a estátua de mármore encontrada em 1962 em Constanța, antiga Tomis, na atual Romênia. A peça, datada do fim do século II ou início do século III d.C., representa uma serpente com cabeça humana e integra o conjunto conhecido como Tesouro de Esculturas de Tomis, preservado pelo Museu de História Nacional e Arqueologia de Constanța.


Cultura Popular

Na cultura moderna, Glycon aparece principalmente em referências ligadas ao ocultismo contemporâneo e à cultura geek. O escritor britânico Alan Moore declarou interesse pela divindade e passou a tratá-la de forma simbólica e irônica em sua prática mágica. Glycon também aparece ligado ao projeto The Moon and Serpent Bumper Book of Magic, obra de Alan Moore e Steve Moore sobre magia e ocultismo, que inclui uma narrativa relacionada a Alexandre de Abonoteico e ao deus-serpente.

Nos jogos eletrônicos, o nome Glykon aparece em Destiny 2, na nave Glykon Volatus, cenário da missão Presage. Já em Marvel Contest of Champions, o personagem Glykhan, líder da organização Ouroboros, tem seu nome inspirado em Glycon. 

Glykhan (Marvel Contest of Champions)


fontes:
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3 de julho de 2026

A Jornada ao Oeste: Capítulo LXXIV

۞ ADM Sleipnir


CAPÍTULO LXXIV:

LI CHANGGENG FALA SOBRE O PERIGO QUE OS DEMÔNIOS REPRESENTAM. O PEREGRINO EXIBE OS SEUS PODERES DE METAMORFOSE.

Desejos e sentimentos nascem da mesma fonte. Embora sejam naturais ao ser humano, aqueles que abraçaram a pobreza e seguiram o caminho do Zen devem aprender a abandoná-los. Só assim poderão alcançar a pureza da lua que brilha no alto do céu. Quanto maiores forem os méritos acumulados, maior deve ser o cuidado para evitar erros. É preciso lembrar sempre que apenas a perfeição absoluta conduz à iluminação eterna.
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2 de julho de 2026

Telepinu

۞ ADM Sleipnir

Telepinu (também escrito como Telipinu, Telepinus, Talipinu ou Talapinu) foi uma divindade da antiga Anatólia, cultuada no contexto religioso dos hititas. Ele é mais conhecido como um deus ligado à fertilidade, à agricultura, ao crescimento das plantações e à reprodução dos rebanhos. Seu mito mais famoso conta como sua ausência mergulhou o mundo em fome, seca e esterilidade, até que os deuses conseguissem encontrá-lo e acalmar sua ira.

Telepinu fazia parte do conjunto de divindades herdadas ou assimiladas pelos hititas a partir de tradições religiosas mais antigas da Anatólia, especialmente do ambiente hático. Em alguns textos, aparece como filho de Taru, o deus da tempestade e do clima e uma das principais divindades do mundo hitita. Essa ligação com Taru ajuda a explicar sua relação com a fertilidade da terra, já que a vida agrícola dependia das chuvas, das estações e da estabilidade da natureza.

Características

Telepinu era associado à força vital que permite à terra produzir alimento. Sua presença garantia o crescimento do trigo e da cevada, a multiplicação dos animais, a abundância dos campos e a continuidade da vida. Por isso, embora seja lembrado principalmente como um deus agrícola, sua função era mais ampla: ele representava a prosperidade da comunidade e o equilíbrio entre os deuses, os seres humanos e a natureza.

Nos textos hititas, Telepinu não aparece como um deus guerreiro ou criador do mundo, mas como uma divindade cuja ausência ameaça toda a ordem existente. Quando ele se afasta, a vida deixa de seguir seu curso normal. Quando retorna, a fertilidade e a estabilidade são restauradas.

O mito do desaparecimento

O principal mito envolvendo Telepinu é conhecido como Mito de Telepinu ou Mito do Deus Desaparecido. No catálogo moderno dos textos hititas, essa narrativa é identificada como CTH 324. O início do texto chegou até nós danificado, por isso não se sabe com certeza o motivo que levou o deus a ficar furioso. O que se preservou, porém, mostra que sua raiva teve consequências desastrosas.

Tomado pela ira, Telepinu abandona sua terra. Em algumas versões, ele parte de maneira confusa, chegando a calçar os sapatos nos pés errados, detalhe que reforça o estado de desordem causado por sua cólera. Ao desaparecer, ele leva consigo a fertilidade do mundo. Os campos deixam de produzir, os cereais não crescem, os rios e fontes secam, os animais não se reproduzem e mães passam a rejeitar seus filhos. A crise atinge tanto os seres humanos quanto os deuses, pois a ausência de Telepinu rompe o equilíbrio natural e religioso.

Os deuses tentam encontrá-lo. Primeiro, o deus Sol envia uma águia para procurar Telepinu, mas a ave não consegue localizá-lo. Depois, outros deuses também participam da busca, sem sucesso. Por fim, a deusa-mãe Hannahanna envia uma pequena abelha. Apesar de sua fragilidade, é ela quem encontra Telepinu adormecido sob a vegetação. A abelha o desperta picando suas mãos e seus pés, além de ungir seus olhos e membros com cera.

O despertar, porém, não resolve imediatamente o problema. Telepinu fica ainda mais irritado e sua raiva ameaça causar novas destruições. Para que a ordem seja restaurada, é necessário realizar rituais de purificação e encantamentos. Nesse momento, entra em cena Kamrušepa, deusa associada à magia e à cura. Por meio de fórmulas rituais, ela afasta a ira de Telepinu e a envia para o mundo subterrâneo, onde não poderá mais prejudicar a terra.

Depois que a cólera do deus é removida, a vida volta ao normal. Os campos tornam a produzir, os animais reconhecem seus filhotes, os altares recuperam sua função e a prosperidade retorna. O mito termina com a restauração da abundância e da ordem.

Culto

Telepinu foi mencionado em textos rituais e orações hititas. Uma das composições conhecidas é a Oração de Muršili II a Telepinu, na qual o rei pede a proteção do deus para si, para seus súditos e para a terra de Hatti. A oração associa Telepinu à saúde, à prosperidade do reino e à vitória contra inimigos. Esse ripo de registro indica que Telepinu era mais do que um personagem mítico. Ele era uma divindade cultuada e invocada em situações ligadas ao bem-estar do reino, à fertilidade da terra e à estabilidade política. Em uma sociedade dependente da agricultura, uma divindade associada à abundância possuía grande importância religiosa.

Telepinu e os deuses desaparecidos

O mito de Telepinu pertence a um grupo maior de narrativas hititas sobre deuses que desaparecem. Nessas histórias, a ausência de uma divindade provoca uma crise no mundo, seguida por uma busca e por rituais destinados a restaurar a ordem. Esse tema aparece em outros textos da tradição hitita, mas o caso de Telepinu é o mais conhecido e um dos mais bem preservados.

A recorrência desse tipo de narrativa mostra como os hititas concebiam a relação entre religião e natureza. A fertilidade dos campos, o nascimento dos animais, a estabilidade do rei e o funcionamento dos cultos faziam parte de uma mesma ordem. Quando essa ordem era rompida, era preciso restabelecê-la por meio da ação divina e ritual.

Não confundir com o rei Telipinu

Telepinu, o deus, não deve ser confundido com Telipinu ou Telepinus, rei hitita do Antigo Reino. O rei Telipinu governou no século XVI a.C. e ficou conhecido pelo chamado Edito de Telipinu, documento importante para a organização política e sucessória do reino hitita. Apesar da semelhança do nome, trata-se de uma figura histórica diferente da divindade agrícola da mitologia hitita.

fontes

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