
Tominikáre (também grafado Tuminkar, Tuminkare, ou Tominicare) é uma figura central na mitologia dos povos Vapidiana (ou Wapichana), indígenas da região amazônica ao norte do Brasil e áreas vizinhas. Ele é descrito como o criador do mundo e uma autoridade superior na ordem do universo. Nas narrativas em que aparece, atua não apenas na origem da vida, mas também na reorganização do mundo após eventos de destruição, estando associado à criação, ao estabelecimento de normas, como a obrigatoriedade do trabalho e à recriação dos seres humanos.
Criação do mundo
As narrativas vapidianas não apresentam, de forma detalhada, um mito único e sistemático sobre a formação do mundo. Ainda assim, afirmam que Tominikáre foi o responsável por sua criação. Após esse ato inicial, ele confiou a seus irmãos, DuÍdi e Mauáre, a tarefa de concluir e organizar o mundo. Os dois, no entanto, não cumpriram adequadamente essa função, distraindo-se com atividades consideradas fúteis.
Diante disso, Tominikáre reagiu com indignação e tentou destruí-los. Apesar da tentativa, Duídi e Mauáre conseguiram sobreviver e, posteriormente, passaram a ocupar uma posição ativa no mundo, sendo descritos em algumas versões como governadores ou responsáveis por sua condução. Em relatos influenciados por contato cultural externo, Duídi chega a ser identificado com a figura do diabo, o que não corresponde necessariamente à concepção original indígena.
A árvore da vida e a origem do trabalho
Em uma narrativa relacionada à abundância e à transformação das condições humanas, Tominikáre aparece associado à chamada árvore da vida, cujo tronco é identificado como Tamoromu (ou Tomoromu).
Segundo o relato, um homem havia criado uma cotia que, certa manhã, recusou alimento e fugiu de casa. O homem a seguiu e chegou a uma árvore carregada de frutos. Ele então derrubou a árvore e, em seguida, plantou suas sementes. No entanto, o rio encheu e carregou o tronco da árvore. É nesse contexto que Tominikáre intervém e estabelece uma nova condição para a humanidade, declarando que, a partir daquele momento, todos seriam obrigados a trabalhar diariamente.
A árvore da vida e o dilúvio
Outra narrativa, conhecida em alguns registros como Uayana Kadefia, trata do mesmo tronco mítico, o Tamoromu, desta vez como ponto de partida para um grande dilúvio. Segundo esse relato, Tominikáre cria, em um tempo primordial, uma árvore extraordinária da qual provinham todos os alimentos. Nessa época, existiam apenas quatro irmãos e uma irmã. A irmã colheu frutos dessa árvore e, quando os irmãos retornaram, ela já havia crescido muito, tornando-se extremamente alta e abundante. Diante disso, decidiram derrubá-la.
No interior do tronco havia água doce. Após cortá-la, os irmãos vedaram o tronco, mas o mais jovem, movido pela curiosidade, abriu-o para verificar seu interior. Ao fazê-lo, a água se espalhou com força, inundando o mundo. A inundação destruiu tudo, causando a morte dos seres existentes. Após o desastre, Tominikáre recriou os seres humanos e os animais, restabelecendo a ordem do mundo.
fonte:- A mitologia dos Vapidiana do Brasil (Wirth 1943) - Biblioteca Digital Curt Nimuendajú. Disponível em: <http://www.etnolinguistica.org/biblio:wirth-1943-mitologia>.
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