2 de setembro de 2026
Teseu
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30 de agosto de 2026
Balendik
۞ ADM Sleipnir


- BLUMENTRITT, Ferdinand. Diccionario mitológico de Filipinas. 2. ed. corr. y aum. Madrid: Viuda de M. Minuesa de los Rios, 1895. Disponível em: <https://www.cervantesvirtual.com/research/archivo-del-bibliofilo-filipino--recopilacion-de-documentos-historicos-cientificos-literarios-y-politicos-y-estudios-bibliograficos--por-we-retana-tomo-2/dec08098-5a94-47f8-a441-180e0dd9b914.pdf>;
- RATZEL, Friedrich. The History of Mankind. Tradução de A. J. Butler. London: Macmillan and Co., 1896. v. 1. Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/The_history_of_mankind_%28IA_historyofmankind01ratz%29.pdf>;
- SAWYER, Frederic H. The Inhabitants of the Philippines. London: Sampson Low, Marston and Company, 1900. Disponível em: <https://www.gutenberg.org/cache/epub/38081/pg38081-images.html>.
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28 de agosto de 2026
Vanaras
۞ ADM Sleipnir

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| Sugriva |
| Vali e Sugriva |
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| Arte de Saulabh Salunke |
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| Arte de Aritra Aich |

Vanaras e rakshasas
A guerra de Lanka coloca as forças vanaras principalmente contra os rakshasas que permanecem sob o comando de Ravana. Essa divisão, porém, não representa uma oposição moral absoluta entre as duas categorias de seres. Vibhishana, irmão de Ravana e também um rakshasa, condena as decisões do rei de Lanka e procura a proteção de Rama. Após ser aceito entre seus aliados, fornece informações importantes sobre Ravana e suas forças e participa da campanha contra o próprio irmão.
Influência cultural
A difusão do Ramayana levou os vanaras a numerosas tradições literárias e artísticas do sul e do sudeste da Ásia. Personagens como Hanuman, Sugriva, Vali e Angada aparecem em pinturas, esculturas, danças, espetáculos teatrais, teatro de marionetes e adaptações regionais do épico.
Suas representações variam consideravelmente. Em muitas tradições artísticas, aparecem como guerreiros que combinam corpo ou vestimentas
humanas com rosto, cabeça, cauda ou outros atributos de macaco. Essas convenções não são uniformes e assumiram formas próprias em tradições indianas, tailandesas, cambojanas, indonésias e de outras regiões.
Hanuman alcançou uma importância particularmente ampla. Além de permanecer como um dos personagens centrais do Ramayana, tornou-se objeto de uma extensa tradição devocional no hinduísmo, na qual é especialmente associado à força, à lealdade e à devoção a Rama.
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| Arte de Vineet Kumar |
- VĀLMĪKI. Vālmīki Rāmāyaṇa: Bāla Kāṇḍa, Sarga 17. Sanskrit Documents. Disponível em: <https://sanskritdocuments.org/sites/valmikiramayan/baala/sarga17/balaroman17.htm>;
- VĀLMĪKI. Vālmīki Rāmāyaṇa: Kiṣkindhā Kāṇḍa. Sanskrit Documents. Disponível em: <https://sanskritdocuments.org/sites/valmikiramayan/kish/kishkindha_contents.htm>;
- VĀLMĪKI. Vālmīki Rāmāyaṇa: Sundara Kāṇḍa, Sarga 36. Sanskrit Documents. Disponível em: <https://www.sanskritdocuments.org/sites/valmikiramayan/sundara/sarga36/sundararoman36.htm>;
- VĀLMĪKI. Vālmīki Rāmāyaṇa: Sundara Kāṇḍa, Sarga 53. Sanskrit Documents. Disponível em: <https://sanskritdocuments.org/sites/valmikiramayan/sundara/sarga53/sundararoman53.htm>;
- VĀLMĪKI. Vālmīki Rāmāyaṇa: Yuddha Kāṇḍa, Sarga 22. Sanskrit Documents. Disponível em: <https://sanskritdocuments.org/sites/valmikiramayan/yuddha/sarga22/yuddharoman22.htm>;
- VĀLMĪKI. Vālmīki Rāmāyaṇa: Yuddha Kāṇḍa, Sarga 74. Sanskrit Documents. Disponível em: <https://sanskritdocuments.org/sites/valmikiramayan/yuddha/sarga74/yuddhaitrans74.htm>;
- ASIAN ART MUSEUM. The Rama Epic: Hero, Heroine, Ally, Foe. San Francisco: Asian Art Museum, 2016. Disponível em: <https://exhibitions.asianart.org/exhibitions/the-rama-epic/>;
- THE METROPOLITAN MUSEUM OF ART. Rumal with Scenes from the Ramayana. New York: The Metropolitan Museum of Art. Disponível em: <https://www.metmuseum.org/art/collection/search/72821>.
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26 de agosto de 2026
Muiraquitã






- ANDRADE, Mário de. Macunaíma: o heroi sem nenhum caracter. São Paulo: [s. n.], 1928. Disponível em: <https://pt.wikisource.org/wiki/Galeria%3AMacuna%C3%ADma_%281928%29.pdf>;
- BARBOSA RODRIGUES, João. O Muyrakytã e os idolos symbolicos: estudo da origem asiatica da civilização do Amazonas nos tempos prehistoricos. 2. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1899. 2 v. Disponível em: <https://pt.wikisource.org/wiki/Galeria%3AO_Muyrakyt%C3%A3_e_os_idolos_simbolicos_%281899%2C_v._1%29.pdf>;
- COSTA, Marcondes Lima da; SILVA, Anna Cristina Resque Lopes da; ANGÉLICA, Rômulo Simões. Muyrakytã ou muiraquitã, um talismã arqueológico em jade procedente da Amazônia: uma revisão histórica e considerações antropogeológicas. Acta Amazonica, Manaus, v. 32, n. 3, p. 467–490, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/1809-43922002323490. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/aa/a/9x8VyZTvmFp9ZN6rhf7rvNP/>;
- MEIRELLES, Anna Cristina Resque; COSTA, Marcondes Lima da. Mineralogy and chemistry of the green stone artifacts (muiraquitãs) of the museums of the Brazilian State of Pará. REM: Revista Escola de Minas, Ouro Preto, v. 65, n. 1, p. 59–64, 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0370-44672012000100008. Disponível em: <http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/12345>;
- PROUS, André; NAVARRO, Alexandre Guida. Os muiraquitãs das estearias do Lago Cajari depositados no Museu Nacional (RJ): estudo tecnológico, simbólico e de circulação de bens de prestígio. Revista de Arqueologia, Pelotas, v. 33, n. 2, p. 66–91, 2020. DOI: https://doi.org/10.24885/sab.v33i2.742. Disponível em: <https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/742>.
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25 de agosto de 2026
Caolong

Caolong (chinês: 草龙; pinyin: Cǎolóng, literalmente “Dragão de Capim” ou “Dragão de Erva”) é um dragão sobrenatural de uma lenda popular de Shimentan, na região da montanha Yandang, em Wenzhou, província de Zhejiang, China. A história foi registrada em uma coletânea de literatura popular de Wenzhou e apresenta o dragão como uma criatura benfeitora, capaz de fazer surgir vegetação, árvores e água com seu sopro. A lenda também explica de forma sobrenatural algumas características da paisagem de Shimentan, especialmente o lago e a abertura entre as formações rochosas associada ao nome “Portão de Pedra”.
A lenda do Caolong
Segundo a tradição, as montanhas próximas a Shimentan eram originalmente áridas e tinham pouca vegetação. Um proprietário de terras exigiu dos agricultores locais duzentas cargas de capim como pagamento do aluguel. Sem encontrar vegetação suficiente, os moradores não sabiam como atender à exigência.

Sob uma área coberta de pedras vivia o Caolong. Ao saber das dificuldades dos habitantes, o dragão transformou-se em um velho monge e foi conversar com eles. Naquela noite, dirigiu-se à montanha e soprou três vezes sobre ela. Com o primeiro sopro, cresceram capim e outras plantas; com o segundo, surgiram árvores e formou-se uma floresta; com o terceiro, a água começou a correr entre as pedras. Na manhã seguinte, os moradores encontraram a antiga montanha árida coberta de vegetação. O lugar havia se transformado no que a tradição descreve como uma “montanha de flores e frutos”, permitindo que obtivessem o que precisavam para atender à exigência do proprietário.

O dragão continuou ajudando a população. Todas as noites, soprava sobre a montanha, e a vegetação voltava a crescer à medida que era cortada. Em determinado momento, chegou a arrancar fios dos próprios bigodes para que fossem usados para amarrar a lenha. A abundância atraiu moradores de localidades vizinhas, que também passaram a buscar madeira no lugar.
O ataque ao Caolong
O proprietário não aceitou a melhora nas condições de vida dos habitantes. Foi então procurar o magistrado local e afirmou que uma criatura sobrenatural havia aparecido na região. O magistrado, que segundo a lenda conhecia artes mágicas, acompanhou-o até a montanha com a intenção de matar o dragão e fazer com que o lugar voltasse a ficar estéril. Durante a noite, quando o Caolong retornou para realizar seus três sopros, o magistrado o atacou com uma espada. O primeiro golpe atingiu sua cauda, mas ele conseguiu soprar uma vez. O segundo feriu suas costas, e ainda assim realizou o segundo sopro. O terceiro golpe atingiu sua garganta.
Mesmo gravemente ferido, o dragão tentou completar o último sopro. Durante o esforço, sua pérola de dragão (longzhu, 龙珠) saiu de sua boca e atingiu a formação rochosa, abrindo nela uma passagem semelhante a um portão. A pérola então ricocheteou e se transformou em uma pequena montanha, que esmagou o proprietário e o magistrado.
Ferido, o Caolong rolou sobre o terreno pedregoso e formou um lago profundo, do qual começou a brotar água limpa. Suas escamas caíram na água e se transformaram em pequenos peixes. Por fim, sua pele se desprendeu e suas forças se esgotaram, deixando-o incapaz de produzir novamente seus sopros extraordinários. A versão conhecida da lenda não afirma claramente que o Caolong tenha morrido. Seu destino após perder os poderes não é explicado.

fonte:
- 纪妖. 草龙 [Caolong]. Fonte indicada pelo verbete: 《浙江省民间文学集成·温州市故事卷·上》 [Coletânea de Literatura Popular da Província de Zhejiang — Volume de Histórias de Wenzhou, tomo I]. Disponível em: <https://www.cbaigui.com/monster/3602>;
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24 de agosto de 2026
Hun Batz e Hun Chouen
۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Emanuel Pantaleon |
Hun Batz e Hun Chouen são dois irmãos da tradição mitológica dos maias quiché das terras altas da Guatemala, conhecidos principalmente por sua participação no Popol Vuh, obra que preserva tradições míticas e históricas desse povo. Filhos de Hun Hunahpu e Xbaquiyalo, eles são meio-irmãos de Hunahpu e Xbalanque, os chamados Heróis Gêmeos. O Popol Vuh descreve Hun Batz e Hun Chouen como músicos, cantores, escritores, escultores e artesãos habilidosos. Depois de entrarem em conflito com Hunahpu e Xbalanque, são transformados em macacos.
Seus nomes aparecem com diferentes grafias. Formas próximas da ortografia quiché moderna são Jun B’atz’ e Jun Chowen, enquanto traduções e estudos também registram formas como Hun Batz, Hun-Batz, Hunbatz, Hun Chouen, Hun Chowen e Hun-Chowen.
Origem e contexto
O Popol Vuh preserva tradições míticas e históricas dos quiché. O texto conhecido foi registrado em língua quiché com caracteres latinos durante o período colonial e posteriormente preservado por meio da transcrição e tradução do padre Francisco Ximénez (1666-1729). Embora Hun Batz e Hun Chouen sejam frequentemente apresentados de forma ampla como personagens da mitologia maia, sua narrativa documentada pertence especificamente à tradição quiché. Existem possíveis relações entre esses irmãos e representações mais antigas de macacos ligados às artes na iconografia maia, mas essas comparações envolvem períodos e contextos culturais diferentes.
Os nomes dos personagens também possuem associações com o calendário e com os macacos. B’atz’ é o nome quiché de um dia calendárico e também pode designar o macaco-uivador. Chowen ou Chouen está relacionado ao termo Chuen, conhecido em outras tradições maias, e a palavras associadas a artesãos. Essas relações ajudam a contextualizar a ligação dos personagens com atividades artísticas, mas não permitem estabelecer traduções simples e definitivas para seus nomes.

Os irmãos artesãos
Hun Batz é apresentado como o filho mais velho de Hun Hunahpu e Xbaquiyalo, e Hun Chouen como o segundo. Embora sejam chamados em parte da bibliografia de “gêmeos macacos”, a designação “irmãos” corresponde melhor à forma como aparecem no Popol Vuh.
Antes do nascimento de Hunahpu e Xbalanque, ambos já são descritos como indivíduos de grande habilidade. Tocavam flauta, cantavam, escreviam, esculpiam e trabalhavam com jade e metais preciosos. Depois que Hun Hunahpu e seu irmão partem para Xibalba, Hun Batz e Hun Chouen permanecem com a avó. Com o nascimento de Hunahpu e Xbalanque, a relação entre os irmãos torna-se hostil. O Popol Vuh atribui aos mais velhos inveja dos jovens e relata que os tratavam mal. Hunahpu e Xbalanque então planejam derrotá-los.
Transformação em macacos
Hunahpu e Xbalanque conduzem Hun Batz e Hun Chouen até uma árvore sob o pretexto de capturar aves. Os irmãos mais velhos sobem para alcançá-las, mas a árvore começa a crescer e os impede de retornar ao chão. Presos entre os galhos, Hunahpu e Xbalanque orientam os irmãos a soltar os panos que traziam presos à cintura. Quando fazem isso, as extremidades das vestes transformam-se em caudas, e eles assumem a forma de macacos. O Popol Vuh utiliza nesse trecho o termo quiché q’oy, traduzido por Allen J. Christenson como “macaco-aranha”.
Depois da transformação, Hun Batz e Hun Chouen seguem para a floresta, onde passam a saltar entre os galhos e a emitir gritos como macacos. Hunahpu e Xbalanque procuram fazê-los retornar e os atraem por meio da música. Os irmãos aparecem novamente diante da avó, mas sua nova aparência provoca o riso dela, levando-os de volta à floresta. A tentativa é repetida várias vezes. Depois da quarta vez em que a avó ri ao vê-los, Hun Batz e Hun Chouen deixam de retornar.
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| Arte de Guillermo Grajeda Mena |
Associação com as artes
A transformação não elimina a ligação dos irmãos com as atividades que exerciam anteriormente. O Popol Vuh afirma que Hun Batz e Hun Chouen seriam lembrados ou invocados por flautistas, cantores, escritores e escultores. Por isso, podem ser descritos como figuras relacionadas ao patronato das artes dentro da tradição registrada pela obra.
Essa associação também levou estudiosos a compará-los com figuras macacas presentes na arte maia. Objetos do período Clássico, muito anteriores ao registro colonial do Popol Vuh, mostram macacos atuando como escribas ou associados a outras atividades artísticas. Algumas dessas figuras são conhecidas na bibliografia como deuses macacos-uivadores e também apresentam relações com o calendário.
A comparação, porém, não permite identificar automaticamente essas imagens antigas como representações de Hun Batz e Hun Chouen. Há uma distância cronológica considerável entre a arte do período Clássico e o texto quiché registrado no período colonial. Também existe uma diferença entre as espécies de macacos mencionadas nessas tradições. Estudos sobre os deuses macacos costumam tratar de macacos-uivadores, enquanto o Popol Vuh, no episódio da transformação de Hun Batz e Hun Chouen, emprega o termo q’oy, interpretado por Christenson como macaco-aranha. As duas referências, portanto, não correspondem necessariamente à mesma espécie ou ao mesmo contexto tradicional.
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| Escultura em relevo de pedra na estrutura do Templo 22, no Sítio Arqueológico Maya de Copán, Honduras, comumente associada aos deuses macacos. |
fontes:
- CHRISTENSON, Allen J. Popol Vuh: Sacred Book of the Quiché Maya People. Norman: University of Oklahoma Press. Disponível em: <https://www.mesoweb.com/publications/Christenson/PopolVuh.pdf>;
- CHRISTENSON, Allen J. Popol Vuh: Literal Translation. Disponível em: <https://www.mesoweb.com/publications/Christenson/PV-Literal.pdf>;
- BRAAKHUIS, H. E. M. “Artificers of the Days: Functions of the Howler Monkey Gods among the Mayas”. Bijdragen tot de Taal-, Land- en Volkenkunde, v. 143, n. 1, 1987, p. 25–53.
- University of Virginia. Multepal: Popol Wuj — Jun B’atz’ Jun Chowen. Disponível em: <https://multepal.spanitalport.virginia.edu/node/909>;
- Hudson Museum, University of Maine. The Underworld. Disponível em: <https://umaine.edu/hudsonmuseum/worldviews/the-underworld/>;
- The Metropolitan Museum of Art. Lives of the Gods: Divinity in Maya Art. Disponível em: <https://www.metmuseum.org/exhibitions/gods-divinity-maya-art/visiting-guide>.
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23 de agosto de 2026
Dajna

Dajna é uma criatura do folclore maltês registrada em contos recolhidos pelo etnólogo e escritor Manwel Magri no final do século XIX e início do século XX. Nessas fontes, ela é descrita simplesmente como uma fera muito perigosa, sem uma aparência claramente definida. Em registros posteriores, porém, passou a ser representada como uma criatura gigantesca com cabeça e pescoço semelhantes aos de um camelo.
Nome
Em maltês, dajna também pode designar um tipo de cervo, correspondente ao gamo. O termo possui ainda um antigo uso figurado depreciativo aplicado a uma mulher de aparência desleixada. O folclorista Ġuże Cassar Pullicino, ao estudar os contos de Magri, registrou também uma possível relação linguística entre a palavra maltesa e o italiano daino.
A Dajna aparece em narrativas relacionadas ao Id-Dinja ta’ Taħt, expressão que significa literalmente “Mundo de Baixo” e designa o mundo subterrâneo no folclore maltês. Em bestiários modernos de língua inglesa, a criatura também é chamada de Thunder Camel, ou “Camelo do Trovão”. Esse nome, porém, não foi encontrado nas fontes maltesas mais antigas consultadas.
Aparência e o Dilúvio

Uma descrição mais detalhada da Dajna aparece em Folktales of Malta and Gozo, de Ġuże Cassar Pullicino. Nessa versão, ela seria dez vezes maior que um elefante e teria cabeça e pescoço semelhantes aos de um camelo.
Nessa mesma versão, a criatura é relacionada ao Dilúvio de Noé. Por ser grande demais para entrar na Arca, a Dajna teria subido até a montanha mais alta do mundo para escapar das águas. Ao erguer a cabeça entre as nuvens, seus movimentos teriam provocado uma chuva intensa.
O leite da Dajna
O leite da Dajna aparece no conto maltês de Balmies, registrado por Manwel Magri. Na narrativa, um rei que sofre de lepra e cegueira precisa do leite da criatura para ser curado. Bestiários contemporâneos afirmam que o leite das fêmeas seria amarelado e capaz de curar especificamente a calvície. Esses detalhes não aparecem de forma segura nas fontes folclóricas mais antigas consultadas.

- CASSAR PULLICINO, Ġuże. Linguistic analysis of Fr. Magri’s folk-tales. Journal of Maltese Studies, Msida, n. 1, p. 1–25, 1961.
- CASSAR PULLICINO, Ġuże. Folktales of Malta and Gozo. Malta: Malta University Publishers, 2000.
- MIFSUD, Stephan D. The Maltese Bestiary: an illustrated guide to the mythical flora and fauna of the Maltese Islands. Malta: Merlin Publishers, 2014.
- SERRACINO, Joseph. d. In: Kliem u Storja: id-dizzjunarju tal-Malti u l-kultura Maltija. [S. l.: s. n.], [20--?]. Disponível em: <https://kliemustorja.com/d>
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22 de agosto de 2026
Gassire
۞ ADM Sleipnir
| Ilustração do livro Gassire's Lute: A West African Epic, de Alta Jablow |
Gassire é o personagem central de uma narrativa ligada a Wagadu (nome tradicionalmente associado ao antigo Império de Gana nas tradições soninquês da África Ocidental) e apresentada pelo etnólogo Leo Frobenius como parte do que chamou de Dausi, um ciclo de cantos e narrativas sobre reis, guerreiros e acontecimentos do passado.
A versão conhecida foi recolhida por Frobenius no início do século XX e atribuída por ele às tradições relacionadas a Wagadu. A procedência e a organização desse material foram posteriormente questionadas por pesquisadores, e a narrativa de Gassire não foi documentada de forma independente entre os soninquês da mesma maneira que outros elementos dessas tradições. Por isso, o episódio deve ser entendido principalmente como a versão preservada e publicada por Frobenius, e não necessariamente como uma narrativa transmitida de forma uniforme entre as comunidades soninquês.



fontes:
- FROBENIUS, Leo; FOX, Douglas C. African Genesis. Londres: Faber and Faber, 1938. Disponível em: <https://archive.org/details/in.ernet.dli.2015.506371>;
- JABLOW, Alta. “Gassire’s Lute: A Reconstruction of Soninke Bardic Art”. Research in African Literatures, v. 15, n. 4, 1984, p. 519–529;
- CONRAD, David C.; FISHER, Humphrey J. “The Conquest That Never Was: Ghana and the Almoravids, 1076. II. The Local Oral Sources”. History in Africa, v. 10, 1983.
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