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29 de novembro de 2021

Nyarlathotep

۞ ADM Sleipnir

Arte de João Sergio

Nyarlathotep, conhecido pela alcunha de "Caos Rastejante", é uma fictícia divindade alienígena criada por H.P. Lovecraft, cuja primeira aparição se deu no poema em prosa de mesmo nome, escrito e publicado em 1920. Um dos Deuses Exteriores, Nyarlathotep é filho de Azathoth, talvez o mais poderoso de todos eles. Apesar de aparecer como personagem em apenas quatro histórias e dois sonetos (mais do que qualquer outro deus de Lovecraft), Nyarlathotep é mencionado com frequência em outras obras, tais como "Sussurros nas Trevas" (1931) e "Sombras Perdidas no Tempo"(1935), e até mesmo nos trabalhos de outros autores na área de fantasia e ficção-científica.

O mais próximo dos humanos

Nyarlathotep difere das outras divindades nos mitos de várias maneiras. A maioria dos Deuses Exteriores está exilada nas estrelas, como Yog-Sothoth e Azathoth, e a maioria dos Grandes Antigos (outra classe de seres poderosos, mas abaixo dos Deuses Exteriores) está dormindo e sonhando, como Cthulhu. Nyarlathotep, no entanto, é ativo e frequentemente anda pela Terra. Nyarlatoteph tem livre acesso a todos os planos e mundos, sendo o único que entra em contato com os seres humanos regularmente. 

A maioria dos Deuses Externos usa línguas alienígenas estranhas, enquanto Nyarlathotep usa a linguagem humana e pode facilmente se passar por um ser humano. Na verdade, diz-se que ele possui mil formas distintas, podendo assumir a aparência que quiser. Seus avatares variam muito, dependendo do seu objetivo. Já foi descrito como um homem elegante com o poder de controlar animais, uma monstruosidade de vários quilômetros de altura com uma língua gigante no lugar da cabeça, como um furacão de ventos negros, uma mulher chinesa obesa, ou simplesmente como um deus sem rosto. Estudiosos especulam que um obscuro faraó da IV Dinastia do Egito era na verdade um avatar de Nyarlathotep e que a própria esfinge seria uma representação em tamanho natural de uma outra forma deste deus.


Ao contrário dos outros Deuses Exteriores, espalhar a loucura é mais importante e agradável para Nyarlathotep do que a morte e a destruição. A maioria deles é todo-poderoso, porém sem um objetivo ou propósito claros, mas Nyarlathotep parece ser deliberadamente enganador e manipulador, e até mesmo usa propaganda para atingir seus objetivos. Nesse aspecto, ele é provavelmente o mais semelhante aos humanos dentre os Deuses Exteriores.

As muitas identidades divinas de Nyarlathotep 

Nyarlathotep é provavelmente o mais adorado deus cósmico na Terra. Existem muitas culturas e seitas espalhadas pelo mundo que o adoram ou já o adoraram sob vários nomes e formas diferentes. Muitas delas inclusive já foram destruídas pelo próprio Nyarlatoteph depois que perderam sua utilidade para o deus. Segundo algumas pessoas, a presença deste ser nefasto em nosso planeta foi de fato a origem de todos os mitos de deuses malignos, desde o zoroastra Ahrimam até o Diabo do Cristianismo. Nas pirâmides astecas ele se apresentava como Tezcatlipocaassim como foi Thoth e Seth para os antigos egípcios; representou o papel de inúmeras divindades solares no oriente, foi muitos deuses no sub-continente indiano, ocupou o Monte Olimpo como o tempestuoso Zeus dos helênicos, vestiu-se como o Homem Verde dos celtas, incorporou o severo Odin dos nórdicos e assumiu inúmeras outras identidades divinas ao longo das eras. 

Arte de João Sergio

Arauto dos Deuses Exteriores e Grandes Antigos

Nyarlathotep é aquele que legitima o desejo dos Deuses Exteriores, sendo seu "mensageiro, coração e alma""a figura imemorial do representante ou mensageiro de poderes ocultos e terríveis". Ele também é o arauto de Azathoth, cujos desejos irregulares e espasmódicos ele cumpre de imediato. Nyarlathotep é investido com a chancela dos Deuses Exteriores. O que ele decide, está decidido, em nome das forças primais da existência.  

Se um planeta deve morrer, se uma realidade precisa se desfazer, se uma estrela há de se extinguir ou nascer, é Nyarlathotep quem providencia para que isso ocorra. Se as sementes dos Grandes Antigos precisam fertilizar algum recanto do universo, é ele quem as lança, planta e colhe. Sua autoridade é tão grande que nenhum outro Deus ousaria ficar em seu caminho. Nem mesmo Yog-Sothoth que representa o Tempo/Espaço ou mesmo Shub-Niggurath que personifica o ciclo da vida, podem se interpor diante de Nyarlathotep quando ele está cumprido alguma missão. Seu acesso aos caminhos do espaço e tempo são irrestritos, bem como sua autoridade sobre a vida e a morte.

Arte de Andreas Christanetoff

Segundo alguns, Nyarlathotep também cumpre o papel de intermediário entre os Grandes Antigos. Cabe a ele ouvir, pesar e decidir. Como uma espécie de mediador, sua função é resolver contendas com um poder de decisão irrevogável. Ao longo das eras, mais de um Grande Antigo foi extirpado da existência, simplesmente por afrontar o julgamento de Nyarlathotep. Suas relações com os Grandes Antigos podem variar enormemente, espelhando respeito, amizade ou amarga rivalidade. Cthugha, a Chama Viva que arde na estrela de Formauhaut é um inimigo declarado, Hastur é tratado como um valoroso aliado, enquanto o grande Cthulhu mantém com ele uma relação de neutralidade silenciosa. Quando Nyarlathotep é convocado para uma disputa, é impossível prever as consequências do seu envolvimento.

Arte de Maichol Quinto


Cultura Popular

Como uma das criações mais famosas de H. P. Lovecraft e o mais "humano" de seus horrores cósmicos, Nyarlathotep apareceu e foi referenciado por inúmeras outras obras na cultura popular. No mundo da música, ele é referenciado em "The Thing That Should Not Be" do Metallica. Também é referenciado no nome de álbuns e músicas de inúmeras outras bandas como Dream Theater, Rage e Nile.

Na literatura fora dos Mitos de Cthulhu, Nyarlathotep também é muitas vezes referenciado. Em "A Dança d a Morte" de Stephen King e em sua série de livros Torre Negra, o personagem Randall Flagg era conhecido (entre muitos outros nomes) como Nyarlathotep. Seu conto "Crouch End" apresenta o nome soletrado "Nyarlahotep". Em Torre Negra VII: A Torre Negra, uma versão fictícia do próprio Stephen King menciona Nyarlathotep.

Em games, Nyarlathotep aparece na franquia Shin Megami Tensei, Persona, Demonbane, e Bloodbourne, entre outros. No cardgame Yu-Gi-Oh!, o card Outer God Nyarla é inspirado em Nyarlathotep.

No podcast brasileiro Nerdcast, Nyarlathotep aparece fortemente durante o episódio O Mistério de William Faraday do RPG Call of Cthulhu.

Arte de Walter Brocca


fontes:
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26 de novembro de 2021

Dué

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Dué (ou Ndué) é o nome de um ser divino e maléfico oriundo das lendas dos índios Tariana, habitantes de territórios ao redor do rio Negro, no noroeste do Amazonas. Seria uma espécie de duende, que em certa ocasião usou seus poderes para criar um grande sol, provocando uma enorme seca na terra, além de incêndios nas florestas, matando todos os seres que ali viviam. Terminada a devastação que causou, Dué reuniu os ossos de todos que morreram (animais, peixes, aves e humanos) e os ressuscitou com seus poderes.

As ações de Dué não agradaram o deus Tupã, que decidiu castigá-lo. Ele bloqueou a nascente de um rio, fazendo com que ele enchesse e inundasse a terra. Os animais e os homens migraram para os montes para se refugiarem, e após três luas, a terra secou e todos puderam retornar. Enquanto a Dué, não se sabe o que aconteceu mas desde então nunca mais foi visto por ninguém.


fontes:
  • Abedecário de Personagens do Folclore Brasileiro, de Januária Cristina Alves;
  • Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo;
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24 de novembro de 2021

Galvarino, O Guerreiro com Lâminas nas Mãos

۞ ADM Sleipnir

Arte de BahamondeART

Galvarino (nascimento:? - morte: 30 de novembro de 1557) foi um famoso guerreiro e toqui (líder) mapuche, participando dos conflitos iniciais da longa Guerra de Arauco, travada entre os colonizadores espanhóis e o povo mapuche. Galvarino tornou-se um símbolo de perseverança e resistência, superando uma grave mutilação e retornando ao combate ao lado de seus companheiros.

A Batalha das Lagunillas

A Batalha de Lagunillas foi uma das batalhas ocorridas durante a Guerra de Arauco. Ela ocorreu em 8 de novembro de 1557, e foi travada entre o exército de García Hurtado de Mendoza, ex-governador real do Chile, e o exército de guerreiros mapuches. Durante essa batalha, García e suas forças conseguiram facilmente prevalecer contra os mapuches, que se demonstraram desorganizados em combate. Os guerreiros que não foram mortos tornaram-se prisioneiros (os números falam em cerca de 150 homens), e entre esses prisioneiros estava seu líder, Galvarino.

Após serem rapidamente julgados, todos os prisioneiros foram condenados a amputação da mão direita e do nariz, enquanto os líderes, como Galvarino, teriam as duas mãos amputadas. Essa terrível punição era uma mensagem de García para os mapuches: ou se submetiam ao governo, ou seriam todos mutilados e/ou mortos. Dizem que durante a amputação de seus membros, Galvarino não demonstrou nenhum sinal de dor, e ao final, pediu aos seus captores que o matassem, mas o mesmo foi recusado.

A Determinação de Galvarino

Galvarino e os demais guerreiros foram liberados e enviados de volta até Caupolicán, o grande líder do povo mapuche na época. Os espanhóis esperavam que a visão de seus homens mutilados fizessem com que Caupolicán se rendesse, e talvez isso tivesse acontecido se não fosse por Galvarino, que não só inflamou Caupolicán e seus companheiros a continuassem a batalha contra os seus opressores, como fixou duas lâminas em seus pulsos, para que ele próprio pudesse retornar ao campo de batalha. Não existem registros sobre o quão grandes ou afiadas eram essas lâminas, e também não é claro se elas foram amarradas em torno de seus pulsos ou se foram cravadas e cauterizadas no local onde antes ficavam suas mãos, mas podemos ver artes representando Galvarino das duas formas.

Arte de Fabian Todorovic

A Batalha Final

Caupolicán decidiu que os mapuches revidariam contra os espanhóis, e nomeou Galvarino como um de seus comandantes. No dia 30 de novembro de 1557, menos de um mês após ter sido capturado, Galvarino estava na linha de frente do que ficou conhecido como a Batalha de Millarapue

O plano do exército mapuche era emboscar o acampamento espanhol e dominar García antes que ele pudesse virar sua artilharia e cavalos contra os guerreiros, porém eles lançaram sua armadilha rápido demais e, apesar de um sucesso inicial em impedir a cavalaria de García, o comandante conseguiu acertar os atacantes nativos com tiros de canhão, abrindo uma fenda para seus cavaleiros cavalgarem e semearem o caos. Conta-se que, ao todo, três mil mapuches foram mortos, em comparação com apenas ferimentos leves e dezenas de cavalos mortos do lado espanhol. Também houveram centenas de mapuches capturados, incluindo Galvarino.

Existem poucas evidências sobre o desempenho de Galvarino durante esta batalha. Jeronimo de Vivar, um soldado espanhol que mais tarde escreveu um relato das Guerras de Arauco intitulado Crónica, escreveu que Galvarino incitava os guerreiros mapuches a avançarem levantando seus braços laminados e gritando: “Ninguém pode fugir além de morrer, porque você morre defendendo sua pátria mãe!”. Vivar também escreveu que Galvarino confrontou diretamente o esquadrão de García, conseguindo derrubar o segundo homem em comando do general.

Arte de Shweta Raj

Galvarino não teria uma terceira oportunidade de confrontar os espanhóis, sendo condenado à morte juntamente com os demais homens capturados. Alonso de Ercilla, um assessor espanhol que mais tarde escreveria o poema épico “La Araucana ”, afirmou que tentou intervir em favor de Galvarino, suplicando-lhe que se juntasse aos espanhóis, porém Galvarino teria lhe respondido: “Prefiro morrer a viver como você, e só lamento que minha morte me impeça de rasgá-lo em pedaços com os dentes”. Alguns afirmam que García atirou Galvarino aos cães, enquanto outros afirmam que ele foi enforcado. Outros ainda acreditam que Galvarino tirou a própria vida, para que seus captores não tivessem esse prazer. 

A Guerra de Arauco continuaria por quase 300 anos, com os mapuches continuamente resistindo à colonização pelos espanhóis. A história de Galvarino tornou-se um grito de guerra para o povo mapuche, e um símbolo de resistência e também da tenacidade dos mesmos. Os mapuches sobrevivem até hoje na região, mostrando que os sacrifícios feitos pelos seus antepassados resultaram na preservação de sua cultura por muito tempo.

Arte de juanex

fontes:
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22 de novembro de 2021

Mergen

۞ ADM Sleipnir

Arte de Unistonen

Mergen ("arqueiro" em turco, "sábio" em mongol; cirílico: Мерген, russo: Мэргэн) é o deus da sabedoria, da razão e da abundância na mitologia turca/mongol. Sua paternidade é incerta, sendo dito ser filho de Tengri, de Kayra ou de Ülgen, este último às vezes também referido como seu irmão.

Mergen é geralmente retratado como um homem jovem usando um capacete de turbante e empunhando um arco e flecha. Outros símbolos associados a ele são um cavalo branco e a cor branca em si. Conta-se que ele habita o sétimo andar do céu, e que ele dispara sabedoria com suas flechas, nunca errando os seus alvos.

Seu nome costuma ser usado como um título para heróis de contos de fadas e lendas, como por exemplo Kan Mergen, Ay Mergen, Kartaga Mergen e Südey Mergen.

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19 de novembro de 2021

Kuebiko

۞ ADM Sleipnir

Arte de minties

Kuebiko (japonês クエビコ ou 久延毘古, literalmente "homem deformado") é um antigo kami (deus) xintoísta, adorado como o deus da agricultura ou da erudição e da sabedoria. Ele é representado na mitologia japonesa como um espantalho, e é dito que embora seja incapaz de andar, sabe tudo o que há para saber sob os céus.

Mitologia

Kuebiko aparece no Kojiki (古事記, "Registros dos Assuntos Antigos"), na lenda sobre a formação da "Terra Central das Planícies de Junco" (Japão) pelo deus Ookuninushi. Nesta lenda, Ookuninushi é visitado por um pequeno deus vindo do outro lado do oceano, e esse deus, que não era conhecido por ninguém, também se recusava a revelar seu nome. Desejando saber seu nome, Ookuninushi manda um sapo chamar Kuebiko, que se acreditava saber tudo sobre o mundo, mas o sapo lhe informa que Kuebiko não conseguia andar. Okuninushi então resolve visitar Kuebiko pessoalmente, descobrindo que ele era um espantalho fixado em uma montanha. O deus espantalho então revela a Ookuninushi que aquele que o havia visitado chamava-se Sukunabikona, e era filho de Kamimusubi (um dos Kotoamatsukamios primeiros deuses a virem à existência no momento da criação do universo).

Arte de Atmaflare

Culto

Em algumas áreas do Japão, os espantalhos em geral são adorados como símbolos dos deuses da montanha em festivais realizados na época da colheita ou durante os feriados de ano novo. Permanecendo em arrozais o dia todo observando o que se passa no mundo, os espantalhos passaram a ser considerados como divindades que detêm conhecimento sobre todas as coisas. 

Kuebiko em particular é consagrado em santuários como o santuário Kutehiko-jinja (na cidade de Nakanoto-machi, Kashima-gun, Prefeitura de Ishikawa) e o santuário Kuehiko-jinja, uma ramificação do santuário Omiwa -jinja (na cidade de Sakurai, Prefeitura de Nara).

Arte de Gordonthemonkey


fontes:
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17 de novembro de 2021

Sabnock

۞ ADM Sleipnir

Arte de DavidGaillet

Sabnock (também chamado Sab Nac, Sabnac, Sabnach, Sabnack, Sabnacke, Salmac, e Savnock) é de acordo com a demonologia um poderoso marquês do inferno e possui cinquenta legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 43° dentre os 72 espíritos de Salomão. 

Quando invocado, Sabnock aparece diante de seu invocador como um soldado com cabeça de leão, montado em um cavalo pálido/amarelo. Ele também traja uma armadura e empunha algum tipo de arma, como uma espada, foice ou ainda um escudo. 

Selo de Sabnock

Sabnock é especialista em construir acampamentos, cidades e torres fortificadas. Ele também concede bons familiares ao seu invocador, e possui também a capacidade de provocar terríveis feridas incuráveis em inimigos, as quais podem gangrenarem ou serem infestadas por vermes.

Cultura Popular

  • Assim como outros espíritos goetianos, Sabnock aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei, além de aparecer nos jogos Final Fantasy XI online, Bloodstained e Dragalia Lost, entre muitos outros;
  • No mangá e anime Mairimashita! Iruma-kun, Sabnock dá nome a uma das famílias demoníacas presentes, sendo Sabnock Sabro o membro de mais destaque;
  • Ele é um inimigo menor no manhwa Tomb Raider King (Dogurwang);
  • Em Gundan Seed, há um personagem chamado Orga Sabnack. Ele e outros dois personagens da obra tiveram seus nomes baseados em demônios da Goetia.


fontes:


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Ruby