16 de abril de 2026

Kage-nomi no Ryū

۞ ADM Sleipnir

Kage-nomi no Ryū (japonês 影呑みの竜, “dragão devorador de sombras”) é um yokai do folclore japonês, associado a presságios de morte, e originário da antiga cidade de Shirotori, hoje parte de Higashikagawa, na província de Kagawa, na ilha de Shikoku. Segundo a tradição local, ele habita um lago situado no templo Senkō-ji, conhecido como o lago de BenzaitenDiz-se que, quando uma pessoa se aproxima da água e sua sombra aparece refletida na superfície, o Kage-nomi no Ryū pode engoli-la. A vítima não sofre nenhum efeito imediato, mas passa a estar destinada a morrer prematuramente. 

Não existem descrições claras sobre a aparência do Kage-nomi no Ryū. Ele raramente é visto, permanecendo oculto sob a água. Sua presença é percebida apenas pelo desaparecimento da sombra refletida.

A crença por trás da lenda está ligada à ideia de que a sombra representa parte da essência vital de uma pessoa. Perdê-la seria, portanto, um sinal de que sua vida foi encurtada. Como em muitas histórias desse tipo, o relato também pode ter servido como alerta para evitar que pessoas se aproximassem de lagos profundos, especialmente em áreas consideradas sagradas.


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15 de abril de 2026

O Lenhador Fantasma da Ilha Redonda

۞ ADM Sleipnir

O Lenhador Fantasma da Ilha Redonda é uma lenda do folclore de São Francisco do Sul, no estado de Santa Catarina. A narrativa está associada à chamada Ilha Redonda, assim denominada por pescadores em razão de seu formato circular. Segundo a tradição oral, a Ilha Redonda era conhecida por ser extremamente piscosa, atraindo pescadores de diversas localidades. Apesar da abundância de peixes, poucos se arriscavam a permanecer no local durante a noite. Ao anoitecer, o clima de mistério e apreensão levava muitos a deixar a ilha às pressas, retornando ao mar antes que a escuridão se intensificasse.

Os que decidiam permanecer relatavam experiências incomuns. Em noites de lua cheia, exatamente à meia-noite, quando o silêncio se tornava quase absoluto, ouvia-se ao longe o som de um machado golpeando árvores. O ruído, descrito como firme e ritmado, sugeria a presença de um solitário lenhador trabalhando na mata. Após cerca de trinta minutos, o som cessava repentinamente, e o silêncio voltava a dominar a ilha.

O fenômeno tornava-se ainda mais intrigante ao amanhecer. Esperava-se que, após uma atividade tão intensa, houvesse sinais claros de desmatamento. No entanto, não se encontrava qualquer árvore derrubada ou indício de intervenção humana, permanecendo a vegetação completamente intacta. Mesmo indivíduos céticos, que se dirigiam à ilha com o objetivo de comprovar ou desmentir os relatos, afirmavam ter ouvido o som do machado durante a noite, o que contribuiu para a difusão e permanência da lenda na região.

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14 de abril de 2026

Nuberu

۞ ADM Sleipnir


O Nuberu (ou Nubeiro) é uma entidade do folclore do norte da Península Ibérica, presente principalmente nas tradições das Astúrias, Cantábria e Galícia. Trata-se de um espírito ligado às nuvens, às precipitações e aos fenômenos atmosféricos, sendo capaz de controlar o clima. O nome varia conforme a região: “Nuberu” é mais comum nas Astúrias e na Cantábria, enquanto “Nubeiro” predomina na Galícia. De modo geral, pode ser entendido como “Senhor das Nuvens”, derivado de termos relacionados a “nuvem”. Em algumas áreas do oeste asturiano, também é conhecido como Reñubeiru ou Xuan (Juan) Cabritu.

Iconografia

O Nuberu pode ser descrito de duas formas nas tradições populares. Em algumas narrativas, é um único ser, semelhante a uma fada ou espírito poderoso; em outras, o termo designa criaturas menores, por vezes deformadas, associadas às nuvens.

Quando representado como indivíduo, costuma aparecer como um homem de aspecto rude e impressionante, com barba espessa, grandes orelhas e olhos brilhantes. É frequentemente descrito como feio, vestindo peles — especialmente de cabra —, um manto e um chapéu de aba larga, o que o aproxima visualmente de figuras como Odin ou Wotan da mitologia germânica. Em certas tradições, apresenta tamanho variável: gigantesco quando visto nos céus, mas baixo e compacto ao tocar o solo.

Seu deslocamento ocorre pelas nuvens carregadas de chuva ou, em alguns relatos, montado em um bode. Na Galícia, acredita-se que usa tamancos cujo som produz os trovões, além de portar tenazes com as quais manipula os raios.


Atributos e comportamento

O Nuberu é uma figura de comportamento imprevisível, podendo agir de forma benéfica ou destrutiva conforme o tratamento que recebe. Quando respeitado, traz chuvas equilibradas que favorecem as colheitas; quando ofendido, desencadeia tempestades violentas, ventos intensos e granizo capaz de arruinar plantações.

Algumas tradições afirmam que suas tempestades podem vir acompanhadas de sinais incomuns, como a queda de sapos ou granizo misturado a pelos de cabra. Também é associado diretamente aos relâmpagos, que pode utilizar como arma.

Arte de @ivoarte

Tradição asturiana

Uma lenda popular das Astúrias relata que o Nuberu chegou à região montado em uma nuvem, mas caiu ao chão e precisou pedir abrigo. Após ser rejeitado por várias pessoas, foi acolhido por um camponês pobre, a quem recompensou garantindo boas colheitas por meio de chuvas favoráveis.

Anos depois, esse camponês viajou até terras distantes, frequentemente identificadas como o Egito, onde acabou em situação de dificuldade. Ao procurar por Xuan Cabritu, nome pelo qual o Nuberu também é conhecido, conseguiu encontrá-lo. O espírito o ajudou a retornar às Astúrias viajando pelas nuvens, chegando a tempo de impedir o novo casamento de sua esposa, que o julgava morto.

Crenças populares

O Nuberu é frequentemente responsabilizado por tempestades e mau tempo. Para afastá-lo, diversas práticas tradicionais são registradas, sendo a mais comum o toque dos sinos das igrejas, cujo som e orações associadas seriam capazes de dispersar as nuvens carregadas.

Outros métodos incluem acender velas, queimar ramos de louro ou alecrim, posicionar ferramentas voltadas para o céu ou realizar preces a santos protetores contra tempestades, como Santa Bárbara e São Bartolomeu. Entre pescadores do Mar Cantábrico, acredita-se que o Nuberu provoca ventos fortes que podem forçar o retorno das embarcações ao porto.

Arte de Elputomensajero

Magia e tradição popular

Em algumas regiões, especialmente na Galícia e em áreas de Leão, o termo “Nubeiro” também pode se referir a humanos capazes de controlar o clima por meio de práticas mágicas. Esses indivíduos, associados a figuras como bruxos ou “tempestários”, seriam capazes de invocar tempestades e subir aos céus através de rituais, muitas vezes ligados à tradição da chamada Cueva de Salamanca.

Relatos populares mencionam ainda mulheres com esse tipo de habilidade, conhecidas como nubeiras, que herdariam esse conhecimento. Essas crenças reforçam a ligação entre o Nuberu e a ideia mais ampla de controle sobrenatural do clima, tanto por entidades míticas quanto por praticantes humanos de magia.

Origens e paralelos

Alguns estudiosos sugerem que o Nuberu pode ter origem em antigas divindades indo-europeias associadas ao céu e ao trovão, como o deus celta Taranis. Com o passar do tempo, essas figuras teriam sido reinterpretadas dentro do folclore local. Narrativas semelhantes aparecem em outras partes da Europa, com seres ligados às nuvens e às tempestades, frequentemente descritos com características incomuns ou deformadas, o que sugere a existência de temas folclóricos compartilhados entre diferentes culturas.

Arte de karoldemoon

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13 de abril de 2026

Gisurab

۞ ADM Sleipnir


Gisurab (ou também Gisorab) é uma figura lendária oriunda do folclore do povo Isneg, nativo da província de Apayao, nas Filipinas. De aparência humana, porém de proporções colossais, ele é frequentemente associado à força bruta e ao perigo que espreita nas regiões mais remotas das florestas.

Fisicamente, Gisurab é retratado como um ser de tamanho impressionante, com corpo humano, geralmente descrito como nu e com um olfato muito apurado. Essa habilidade permite que ele localize tanto animais quanto pessoas na floresta. Ele é visto como um caçador poderoso, capaz de capturar cervos e outras presas com facilidade.


As histórias sobre o Gisurab variam bastante, mostrando que ele pode ter comportamentos muito diferentes. Em muitos relatos, ele aparece como uma criatura perigosa e violenta. Em um dos episódios mais conhecidos, um caçador tenta atacá-lo com uma lança após uma disputa por uma presa. Gisurab, porém, pega a arma e a arremessa de volta, matando o homem. Em seguida, leva tanto o caçador quanto o animal para sua caverna, onde os devora, reforçando sua imagem como predador de humanos.

Por outro lado, nem todas as histórias o retratam como maligno. Em algumas versões, o Gisurab demonstra um lado mais amigável. Em um conto, caçadores perdidos na floresta pedem fogo ao gigante, e ele os ajuda, permitindo que cozinhem seus alimentos. Há também relatos em que ele conversa com humanos e até os ajuda na caça, mostrando que, apesar de assustador, o Gisurab também pode agir com bondade.



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12 de abril de 2026

Elbst

۞ ADM Sleipnir

O Elbst é uma criatura aquática pertencente ao folclore suíço que, segundo a lenda, habita as profundezas do lago Selisbergsee, no cantão de Uri. Os primeiros relatos sobre a criatura remontam a 1584, persistindo por mais de três séculos até pelo menos 1926, com descrições que variam significativamente ao longo do tempo.

As testemunhas nunca chegaram a um consenso sobre a sua aparência. Alguns a descrevem como uma serpente colossal de cabeça imponente e quatro patas munidas de garras afiadas, assemelhando-se a um dragão. Outras narrativas pintam um ser de corpulência descomunal, comparável ao tamanho de dois barcos, com uma cabeça que lembra a de um javali. Há ainda versões que o retratam não como um réptil, mas como um "peixe monstruoso" dotado de membros.

Sua ferocidade não se limitava ao ambiente aquático. A tradição popular conta que o Elbst emergia do lago durante a noite para invadir os pastos alpinos, onde atacava e mutilava rebanhos de ovelhas, espalhando pavor entre os moradores das redondezas. No lago, sua presença era igualmente aterradora. A criatura tinha o hábito de surgir subitamente ao lado de embarcações, emergindo das profundezas para assombrar tripulantes e pescadores, para depois desaparecer tão rapidamente quanto aparecia. Este comportamento súbito e agressivo era interpretado pelos locals não como um mero acidente, mas como um presságio sombrio de tempestades que se avizinhavam.

Para uma população profundamente religiosa, a natureza inexplicável e violenta do Elbst ia além de uma simples fera; era vista como uma manifestação do sobrenatural. Muitos acreditavam piamente que a criatura era a própria Besta do Apocalipse, um sinal divino de advertência ou punição.


fonte:

  • ‌ROSE, C. Giants, monsters, and dragons : an encyclopedia of folklore, legend, and myth. New York: Norton, 2001.

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11 de abril de 2026

Bahnkauv

۞ ADM Sleipnir

Arte de Evgeny Shvenk

O Bahnkauv é uma criatura mítica do folclore da cidade de Aachen, na Alemanha, e da região da Renânia. Geralmente descrito como um monstro semelhante a um bezerro deformado, o Bahkauv está tradicionalmente associado a cursos d’água urbanos e a narrativas envolvendo homens embriagados. Ao longo dos séculos, tornou-se uma das figuras folclóricas mais conhecidas da cidade.

Etimologia

O nome Bahkauv deriva do dialeto local e pode ser interpretado como “bezerro do riacho” ou “bezerro do córrego”, refletindo tanto a aparência da criatura quanto sua ligação com canais, fontes e sistemas de esgoto.

Descrição física

Os relatos sobre a aparência do Bahkauv variam, mas apresentam elementos recorrentes. A criatura é geralmente descrita como um bezerro alongado ou deformado, com pelagem espessa e desgrenhada, olhos brilhantes, presas ou dentes afiados e uma longa cauda que se arrastava pelo chão. Algumas versões mencionam patas semelhantes às de um urso, terminando em garras, além de correntes presas ao pescoço e às pernas, cujo tilintar anunciaria sua presença nas proximidades da água.


Habitat

Segundo a tradição, o Bahkauv habitava fontes, riachos, poços e os antigos sistemas de esgoto de Aachen, incluindo áreas associadas às nascentes termais sob a cidade. Canais de drenagem antigos, como os ligados às fontes de Büchel e Kaiser, também são citados como possíveis moradias da criatura.

Comportamento e lendas

O Bahkauv é descrito como uma criatura essencialmente noturna e mais associada a travessuras do que a violência letal. Embora existam relatos isolados de mordidas — inclusive no pescoço —, a criatura não costumava matar suas vítimas. Seu comportamento mais conhecido consistia em atacar homens bêbados durante a noite: o monstro saltava sobre as costas da vítima e a obrigava a carregá-lo até em casa. Ao chegar ao destino, o Bahkauv simplesmente se soltava e desaparecia.

Uma característica recorrente das lendas afirma que o peso da criatura variava conforme o comportamento da vítima. Caso o homem tentasse rezar enquanto carregava o Bahkauv, este se tornava progressivamente mais pesado; se o xingasse ou blasfemasse, tornava-se mais leve.

Relações com outros mitos

O Bahkauv integra um motivo folclórico mais amplo presente em diversas regiões da Europa: o do ser sobrenatural que salta nas costas das pessoas e exige ser carregado. Na Alemanha, esse papel aparece em outras narrativas nas figuras do Aufhocker e do Bieresel. Outras variações de países vizinhos incluem o Ganipote (França), Uhaml (Boêmia) ou bruxas lupinas.

Interpretações modernas

Pesquisadores contemporâneos levantaram a hipótese de que essas lendas possam estar relacionadas a fenômenos neurológicos, como a sensação ilusória de carregar um peso, associada à ativação da junção temporoparietal do cérebro. Essa interpretação tem sido utilizada para explicar a recorrência desse tema em contos folclóricos de diferentes culturas.

Desaparecimento e legado

De acordo com a tradição local, o Bahkauv teria desaparecido quando as entradas para os cursos d’água subterrâneos de Aachen foram seladas, aprisionando a criatura em seu suposto habitat. Em 1902, a cidade ergueu uma estátua do Bahkauv sobre um antigo poço associado ao monstro. A escultura original foi derretida durante a Segunda Guerra Mundial, mas uma nova estátua foi inaugurada em 1967 e permanece até hoje como símbolo do folclore local.

Foto por Dom Broadley


fontes:


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Ruby