Pentachikoro Oyashi (japonês ペンタチコロオヤシ) é um yokai do folclore dos ainus de Sacalina, região historicamente habitada por comunidades ainu no extremo norte da Ásia Oriental. Seu nome deriva da expressão pentachi-koro-oyashi, que pode ser traduzida como “fantasma que carrega uma tocha”.
De acordo com a tradição, o Pentachikoro Oyashi aparece durante a noite, caminhando com uma tocha acesa e provocando medo ou acontecimentos estranhos entre as pessoas que passam pelos caminhos. Sua imagem está associada ao ambiente frio e nevado de Sacalina, onde a luz da tocha refletida na neve tornaria a paisagem noturna clara como se fosse dia.
Uma das histórias mais conhecidas sobre essa criatura se passa na costa leste de Sacalina, em uma aldeia chamada Toyukushi. Certa noite, o chefe dessa aldeia precisou viajar com urgência até outra vila chamada Kotankeshi. Durante o trajeto, percebeu que estava sendo seguido pelo Pentachikoro Oyashi. Assustado, chegou à aldeia vizinha e contou ao chefe local que havia sido perseguido por um monstro.
O chefe de Kotankeshi, conhecido por sua coragem, decidiu enfrentar a criatura. Armado com sua espada, partiu em direção a Toyukushi. Depois de caminhar por algum tempo, sentiu que algo se aproximava por trás. Ao olhar discretamente, viu o Pentachikoro Oyashi vindo em sua direção. Quando o ser tentou tocá-lo, o chefe o golpeou com a espada. A criatura começou a se debater violentamente, e o próprio chefe, abalado pela cena, acabou desmaiando.
Na manhã seguinte, os habitantes da aldeia foram verificar o local do confronto. Em vez de encontrarem um monstro, descobriram o corpo de um grande corvo atravessado pela espada. Assim, concluiu-se que o Pentachikoro Oyashi era, na verdade, um corvo mal-intencionado que havia assumido forma sobrenatural para assustar as pessoas.
Camaxtli (também grafado Camaxtle) era uma das principais divindades dos tlaxcaltecas e de outros povos teochichimecas que habitavam o México Central antes da colonização espanhola. Associado à caça, à guerra e à origem do fogo, o deus desempenhava um papel central nos mitos de origem e de migração desses povos. Para os tlaxcaltecas, Camaxtli era a divindade tutelar e protetora, legitimando sua identidade, história e a posse de seu território, além de ser reverenciado como um ancestral que guiou o povo até a terra onde se estabeleceram.
Relação com Mixcóatl
Camaxtli é frequentemente associado a Mixcóatl, cujo nome em náuatle significa "serpente de nuvem". Mixcóatl era o deus mesoamericano da caça, das estrelas e da Via Láctea, considerado pai de Quetzalcóatlem algumas tradições. Embora as duas figuras compartilhem características de deuses caçadores e guerreiros, Camaxtli possuía um caráter mais local e específico de Tlaxcala. Além disso, algumas fontes coloniais aproximam Camaxtli do chamado Tezcatlipoca Vermelho (Tlatlauhqui Tezcatlipoca), um dos aspectos do deus Tezcatlipoca que reforça seus atributos ligados ao poder político e à autoridade militar.
Representação de Mixcoatl-Camaxtli no Códice Tovar (c. 1585)
Deus da caça, da guerra e do fogo
Como divindade da caça e da guerra, Camaxtli era representado com pinturas corporais listradas e portando armas como arco, flechas, dardos e uma rede ou cesto para carregar presas. Na Mesoamérica antiga, a caça ia além da subsistência e possuía também um caráter ritual e militar: a captura de animais selvagens podia ser comparada à captura de prisioneiros em batalha. Camaxtli também era relacionado ao fogo. Segundo algumas tradições, o fogo teria sido obtido por meio da fricção de madeira, técnica associada a Camaxtli e Mixcóatl, o que vinculava o deus a um dos recursos mais importantes para a vida humana.
Nas crônicas coloniais, como os relatos do historiador mestiço Diego Muñoz Camargo, Camaxtli é descrito como o guia dos antepassados chichimecas. De acordo com a tradição, o deus orientou o povo em sua longa jornada a partir de Chicomoztoc, o mítico lugar das sete cavernas, até o vale onde se estabeleceu a confederação de Tlaxcala. Essa função de guia mítico consolidou Camaxtli como o pilar da memória histórica, da legitimidade dos governantes e da coesão política tlaxcalteca frente a povos rivais, como os astecas.
Culto e rituais
O culto a Camaxtli envolvia jejuns, autosacrifícios, oferendas de alimentos, queima de copal e grandes caçadas rituais organizadas nos principais centros de Tlaxcala, como Tepeticpac e Ocotelulco. Essas práticas se relacionavam à veintena de Quecholli, período de vinte dias do calendário ritual associado a Mixcóatl no mundo mexica e, por extensão, a Camaxtli em Tlaxcala. Durante esse período, realizavam-se caçadas, preparavam-se flechas e ocorriam cerimônias em honra às divindades da caça e da guerra.
Mural "Fiestas Rituales en Homenaje a Camaxtli", no Palácio de Governo de Tlaxcala, retratando o deus.
Os sacrifícios humanos também faziam parte do ritualismo dedicado a Camaxtli, com o objetivo de manter o equilíbrio cósmico e garantir o sucesso militar. A maior parte das descrições dessas cerimônias provém de crônicas de missionários católicos espanhóis, que costumavam registrar os ritos nativos sob uma perspectiva de condenação religiosa.
Integração no panteão mesoamericano
Embora Camaxtli fosse uma das divindades centrais de Tlaxcala, ele não era o único deus cultuado pelos tlaxcaltecas. Seu panteão incluía Tláloc(deus da chuva), Ehécatl (deus do vento), Xochiquétzal (deusa do amor, beleza e artes), Quetzalcóatl (a serpente emplumada), Tezcatlipoca (o espelho fumegante) e Xipe Tótec (associado à agricultura e à renovação da terra). A veneração de Camaxtli ao lado desses deuses demonstra como os povos nahuas do México Central compartilhavam um repertório religioso comum, no qual cada cidade-estado adaptava e priorizava certas divindades de acordo com sua própria história, identidade e alianças.
Imagem: CristianChirita / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.
Glycon, também grafado Glykon, foi uma divindade-serpente venerada no mundo greco-romano durante o século II d.C. Seu culto ficou associado a Alexandre de Abonoteico, profeta ativo na Paflagônia, região da Ásia Menor. A principal fonte literária sobre Glycon é a obra Alexandre, ou o Falso Profeta, de Luciano de Samósata, autor que descreve Alexandre de forma satírica e hostil. Além do relato de Luciano, moedas, inscrições e achados arqueológicos indicam que o culto teve existência histórica e alcançou certa difusão no mundo romano.
Origem do culto
Segundo Luciano, Alexandre anunciou a chegada de uma nova manifestação de Asclépio, deus associado à cura. A aparição teria sido encenada com uma pequena serpente escondida em um ovo de ganso, apresentada ao público como o nascimento do deus. Mais tarde, Alexandre teria exibido uma grande serpente adquirida na Macedônia, combinada com uma cabeça artificial de aparência humana. Dessa forma, Glycon foi apresentado como uma serpente divina com traços humanos, ligada à cura, à profecia e à autoridade religiosa de Alexandre.
O culto de Glycon se desenvolveu em Abonoteico, cidade que mais tarde passou a ser conhecida como Ionópolis. Diferentemente de alguns santuários tradicionais de Asclépio, voltados principalmente para cura e incubação ritual, o centro de Glycon destacou-se sobretudo como oráculo. Pessoas consultavam o deus sobre doenças, futuro, decisões pessoais e questões políticas. Luciano acusa Alexandre de manipular essas consultas e de usar recursos mecânicos para fazer parecer que o próprio deus respondia aos fiéis.
Difusão no mundo romano
Apesar do tom crítico de Luciano, o culto alcançou notoriedade fora de Abonoteico. No século II, há indícios de que fórmulas atribuídas ao oráculo de Glycon foram usadas contra a peste, em contexto compatível com a peste antonina. O culto também atraiu pessoas de posição elevada, como Públio Múmio Sisena Rutiliano, governador romano mencionado por Luciano como protetor do oráculo e genro de Alexandre.
Moedas provinciais, inscrições e pequenas imagens indicam que a veneração de Glycon se espalhou por diferentes regiões do mundo romano, especialmente entre áreas ligadas ao Danúbio, ao Mar Negro e à Ásia Menor. Essas evidências mostram que o culto sobreviveu à morte de Alexandre, ocorrida por volta de 170 d.C., e permaneceu ativo pelo menos até o século III.
A estátua de Tomis
Uma das representações mais conhecidas atribuídas a Glycon é a estátua de mármore encontrada em 1962 em Constanța, antiga Tomis, na atual Romênia. A peça, datada do fim do século II ou início do século III d.C., representa uma serpente com cabeça humana e integra o conjunto conhecido como Tesouro de Esculturas de Tomis, preservado pelo Museu de História Nacional e Arqueologia de Constanța.
Cultura Popular
Na cultura moderna, Glycon aparece principalmente em referências ligadas ao ocultismo contemporâneo e à cultura geek. O escritor britânico Alan Moore declarou interesse pela divindade e passou a tratá-la de forma simbólica e irônica em sua prática mágica. Glycon também aparece ligado ao projeto The Moon and Serpent Bumper Book of Magic, obra de Alan Moore e Steve Moore sobre magia e ocultismo, que inclui uma narrativa relacionada a Alexandre de Abonoteico e ao deus-serpente.
Nos jogos eletrônicos, o nome Glykon aparece em Destiny 2, na nave Glykon Volatus, cenário da missão Presage. Já em Marvel Contest of Champions, o personagem Glykhan, líder da organização Ouroboros, tem seu nome inspirado em Glycon.
Narcissistic Fraud in the Ancient World: Lucian’s Account of Alexander of Abonoteichus and the Cult of Glycon — Ancient Narrative. Disponível em: <https://ancientnarrative.com/article/view/24522>;
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Desejos e sentimentos nascem da mesma fonte. Embora sejam naturais ao ser humano, aqueles que abraçaram a pobreza e seguiram o caminho do Zen devem aprender a abandoná-los. Só assim poderão alcançar a pureza da lua que brilha no alto do céu. Quanto maiores forem os méritos acumulados, maior deve ser o cuidado para evitar erros. É preciso lembrar sempre que apenas a perfeição absoluta conduz à iluminação eterna.
Telepinu (também escrito como Telipinu, Telepinus, Talipinu ou Talapinu) foi uma divindade da antiga Anatólia, cultuada no contexto religioso dos hititas. Ele é mais conhecido como um deus ligado à fertilidade, à agricultura, ao crescimento das plantações e à reprodução dos rebanhos. Seu mito mais famoso conta como sua ausência mergulhou o mundo em fome, seca e esterilidade, até que os deuses conseguissem encontrá-lo e acalmar sua ira.
Telepinu fazia parte do conjunto de divindades herdadas ou assimiladas pelos hititas a partir de tradições religiosas mais antigas da Anatólia, especialmente do ambiente hático. Em alguns textos, aparece como filho de Taru, o deus da tempestade e do clima e uma das principais divindades do mundo hitita. Essa ligação com Taru ajuda a explicar sua relação com a fertilidade da terra, já que a vida agrícola dependia das chuvas, das estações e da estabilidade da natureza.
Características
Telepinu era associado à força vital que permite à terra produzir alimento. Sua presença garantia o crescimento do trigo e da cevada, a multiplicação dos animais, a abundância dos campos e a continuidade da vida. Por isso, embora seja lembrado principalmente como um deus agrícola, sua função era mais ampla: ele representava a prosperidade da comunidade e o equilíbrio entre os deuses, os seres humanos e a natureza.
Nos textos hititas, Telepinu não aparece como um deus guerreiro ou criador do mundo, mas como uma divindade cuja ausência ameaça toda a ordem existente. Quando ele se afasta, a vida deixa de seguir seu curso normal. Quando retorna, a fertilidade e a estabilidade são restauradas.
O mito do desaparecimento
O principal mito envolvendo Telepinu é conhecido como Mito de Telepinu ou Mito do Deus Desaparecido. No catálogo moderno dos textos hititas, essa narrativa é identificada como CTH 324. O início do texto chegou até nós danificado, por isso não se sabe com certeza o motivo que levou o deus a ficar furioso. O que se preservou, porém, mostra que sua raiva teve consequências desastrosas.
Tomado pela ira, Telepinu abandona sua terra. Em algumas versões, ele parte de maneira confusa, chegando a calçar os sapatos nos pés errados, detalhe que reforça o estado de desordem causado por sua cólera. Ao desaparecer, ele leva consigo a fertilidade do mundo. Os campos deixam de produzir, os cereais não crescem, os rios e fontes secam, os animais não se reproduzem e mães passam a rejeitar seus filhos. A crise atinge tanto os seres humanos quanto os deuses, pois a ausência de Telepinu rompe o equilíbrio natural e religioso.
Os deuses tentam encontrá-lo. Primeiro, o deus Sol envia uma águia para procurar Telepinu, mas a ave não consegue localizá-lo. Depois, outros deuses também participam da busca, sem sucesso. Por fim, a deusa-mãe Hannahanna envia uma pequena abelha. Apesar de sua fragilidade, é ela quem encontra Telepinu adormecido sob a vegetação. A abelha o desperta picando suas mãos e seus pés, além de ungir seus olhos e membros com cera.
O despertar, porém, não resolve imediatamente o problema. Telepinu fica ainda mais irritado e sua raiva ameaça causar novas destruições. Para que a ordem seja restaurada, é necessário realizar rituais de purificação e encantamentos. Nesse momento, entra em cena Kamrušepa, deusa associada à magia e à cura. Por meio de fórmulas rituais, ela afasta a ira de Telepinu e a envia para o mundo subterrâneo, onde não poderá mais prejudicar a terra.
Depois que a cólera do deus é removida, a vida volta ao normal. Os campos tornam a produzir, os animais reconhecem seus filhotes, os altares recuperam sua função e a prosperidade retorna. O mito termina com a restauração da abundância e da ordem.
Culto
Telepinu foi mencionado em textos rituais e orações hititas. Uma das composições conhecidas é a Oração de Muršili II a Telepinu, na qual o rei pede a proteção do deus para si, para seus súditos e para a terra de Hatti. A oração associa Telepinu à saúde, à prosperidade do reino e à vitória contra inimigos. Esse ripo de registro indica que Telepinu era mais do que um personagem mítico. Ele era uma divindade cultuada e invocada em situações ligadas ao bem-estar do reino, à fertilidade da terra e à estabilidade política. Em uma sociedade dependente da agricultura, uma divindade associada à abundância possuía grande importância religiosa.
Telepinu e os deuses desaparecidos
O mito de Telepinu pertence a um grupo maior de narrativas hititas sobre deuses que desaparecem. Nessas histórias, a ausência de uma divindade provoca uma crise no mundo, seguida por uma busca e por rituais destinados a restaurar a ordem. Esse tema aparece em outros textos da tradição hitita, mas o caso de Telepinu é o mais conhecido e um dos mais bem preservados.
A recorrência desse tipo de narrativa mostra como os hititas concebiam a relação entre religião e natureza. A fertilidade dos campos, o nascimento dos animais, a estabilidade do rei e o funcionamento dos cultos faziam parte de uma mesma ordem. Quando essa ordem era rompida, era preciso restabelecê-la por meio da ação divina e ritual.
Não confundir com o rei Telipinu
Telepinu, o deus, não deve ser confundido com Telipinu ou Telepinus, rei hitita do Antigo Reino. O rei Telipinu governou no século XVI a.C. e ficou conhecido pelo chamado Edito de Telipinu, documento importante para a organização política e sucessória do reino hitita. Apesar da semelhança do nome, trata-se de uma figura histórica diferente da divindade agrícola da mitologia hitita.
O Fura-pés é uma criatura cuja lenda é atribuída à região de Dom Inocêncio, no sul do Piauí. Segundo a tradição local, trata-se de um pequeno diabrete que vive debaixo da terra, abrindo passagens subterrâneas por onde se move sem ser visto. Ele é descrito como um ser malicioso, que se diverte causando sofrimento aos desavisados. Suas principais vítimas são aqueles que caminham descalços, especialmente em áreas abertas, trilhas ou terrenos afastados. Ao perceber a aproximação de alguém, o Fura-pés ergue as pontas dos chifres para fora da terra e perfura os pés da pessoa. Depois do ataque, desaparece novamente em suas passagens subterrâneas.
O ferimento causado pelo Fura-pés não seria um machucado comum. Segundo o relato popular, o furo provocado por seus chifres poderia infeccionar, causando febre, tremores, delírios e alucinações. Em versões mais assustadoras, a vítima poderia até morrer. Por isso, a lenda também pode ser entendida como uma advertência contra o hábito de andar descalço. Em terrenos rurais ou de solo exposto, cortes, espinhos, pedras, insetos e infecções representam perigos reais. Assim, a história do Fura-pés transforma esse risco cotidiano em uma assombração fácil de lembrar.
Há quem diga que tudo não passa de uma história inventada pelos mais velhos para convencer as crianças a usarem calçados. Ainda assim, como acontece em muitas lendas populares, existem pessoas que afirmam conhecer vítimas da entidade e até relatam marcas nos pés como prova do encontro.
Kōrobesama (japonês 首様 ou こうろべさま, “Venerável Cabeça de Cavalo” ou “Senhor da Cabeça de Cavalo”), também chamado de Kōbesama, Umano-kōbe (“cabeça de cavalo”) e, em contextos religiosos, Komyōjin, é um yokai do folclore japonês associada à ilha de Miyake, no arquipélago de Izu. Sua forma mais conhecida é a de uma cabeça de cavalo que aparece de maneira misteriosa e está ligada a antigas crenças sobre tabus, castigos divinos e cultos locais.
Tradições e crenças
Na região de Kamitsuki, existia o costume de observar um dia de tabu no vigésimo quarto dia do Ano Novo. Nessa data, os moradores limpavam suas casas e, ao cair da noite, fechavam as portas, evitavam fazer barulho e se recolhiam cedo. Segundo a tradição, era nessa noite que o Kōrobesama descia do Monte Kōrobe para percorrer a aldeia. As mulheres eram especialmente aconselhadas a permanecer dentro de casa, e a simples menção da criatura bastava para assustar as crianças e fazê-las obedecer.
Os moradores diziam que o Kōrobesama surgia na forma de uma cabeça de cavalo rolando pelas ruas do vilarejo. Enquanto se movia, produzia um som estranho, comparado ao barulho do arroz sendo lavado.
A origem do Kōrobesama está ligada à família sacerdotal Mibu, responsável pelo culto do santuário Mishima Myōjin. De acordo com um antigo registro genealógico da família, no ano de 898 nasceu um cavalo com um único chifre. O animal teria sido posteriormente divinizado sob o nome de Komyōjin e venerado em um santuário localizado no Monte Kōrobe.
Uma das versões mais conhecidas da lenda conta que o cavalo sagrado do santuário Mishima se apaixonou por uma jovem da família Mibu. Obcecado por ela, o animal tornou-se agressivo e passou a exigir que a moça lhe fosse entregue. Tentando evitar isso, o pai da jovem declarou que só aceitaria o pedido se o cavalo conseguisse fazer nascer um chifre em sete dias e sete noites. Para surpresa de todos, o animal retornou no sétimo dia com um chifre na testa.
Sem poder voltar atrás na promessa, a família envolveu a jovem em panos brancos e a ofereceu ao cavalo. Porém, em vez de levá-la consigo, o animal a matou ao perfurá-la com o chifre. Depois da tragédia, a cabeça do cavalo foi consagrada como Kōrobesama, enquanto a jovem passou a ser venerada como uma divindade local.
Outra narrativa afirma que o cavalo se apaixonou pela esposa de um membro da família Mibu após vê-la em um momento de intimidade. Assim como na versão anterior, o animal tornou-se violento e exigiu que a mulher lhe fosse entregue. A família tentou escondê-la, mas a insistência do cavalo acabou tornando impossível manter a situação sob controle. Por fim, a mulher foi envolta em tecidos e oferecida ao animal. Mesmo assim, ele rasgou as suas vestes e a matou. Depois do ocorrido, os membros da família mataram o cavalo, removeram seu chifre e o consagraram como objeto de culto. Essa versão inclui ainda um detalhe curioso: quando era criança, a mulher costumava ser ameaçada pela mãe com a frase: “Se não obedecer, será entregue a um cavalo.”
Relatos posteriores
Histórias envolvendo o Kōrobesama continuaram a circular na ilha mesmo em tempos mais recentes. Uma delas tem como protagonista um morador chamado Asanuma Etsutarō. Certa madrugada, durante um dos dias de tabu, ele voltava para casa quando ouviu um som incomum vindo do lado de fora. O ruído chamou sua atenção porque não havia vento nem qualquer outra explicação aparente. Ao chegar em casa, descobriu que sua esposa também havia escutado o mesmo barulho.
O casal procurou uma anciã da comunidade, que afirmou tratar-se da passagem do Kōrobesama. Mais tarde, uma sacerdotisa realizou uma adivinhação e concluiu que a entidade estava descontente com o estado de conservação de seu santuário. Segundo a interpretação, o Kōrobesama desejava que o local fosse restaurado e purificado.
Mok-yeo-geo (coreano: 목여거; hanja: 目如炬, “olhos como tochas”) é uma aparição monstruosa da literatura coreana do período Joseon. A criatura é descrita como uma figura gigantesca, vestida com chapéu e capa de palha, dotada de um rosto enorme e olhos brilhantes como tochas. Seu relato aparece no Yongjae Chonghwa (용재총화 / 慵齋叢話), coletânea de anedotas, costumes e histórias curiosas escrita pelo erudito Seong Hyeon (성현 / 成俔, 1439–1504).
A criatura é descrita como uma figura gigantesca, de aparência humanoide, vestida com chapéu e capa de palha. Seu nome parece derivar da expressão chinesa 目如炬, usada no próprio texto para descrever seus olhos brilhantes, semelhantes a tochas acesas. Por isso, Mok-yeo-geo provavelmente não era o nome tradicional de uma criatura popular, mas uma designação posterior baseada em sua característica mais marcante.
Lenda
Segundo o relato registrado no Yongjae Chonghwa, Seong Hyeon encontrou a aparição quando ainda era jovem. Depois de acompanhar um visitante até Namgang, ele voltava para casa sob uma chuva fina. Ao passar por uma região ao sul do Jeonseongseo, órgão responsável pela criação de animais usados em rituais da corte, deparou-se com uma figura gigantesca. A criatura usava um chapéu tradicional de palha e uma capa de palha contra a chuva. Seu rosto era grande e redondo, comparado a uma bacia, e seus olhos brilhavam como tochas. A presença da aparição causou grande perturbação: o cavalo de Seong Hyeon espumava e se recusava a avançar, enquanto ele sentia um calor intenso no rosto e percebia um odor insuportável no ambiente.
Apesar do medo, Seong Hyeon manteve a calma. Ele concluiu que, se perdesse o controle, poderia ser enganado pela aparição. Em vez de fugir, permaneceu firme e encarou a criatura. Depois de algum tempo, a figura voltou a cabeça para o céu, desapareceu gradualmente e subiu pelos ares.