14 de maio de 2026

Tonkaraton

۞ ADM Sleipnir

O Tonkaraton (japonêsトンカラトン) é uma lenda urbana japonesa sobre uma figura misteriosa coberta por bandagens que percorre ruas vazias de bicicleta enquanto carrega uma katana. Seu nome vem do som que anuncia sua chegada:

“Ton… Ton… Tonkara… ton…”

A criatura costuma aparecer durante a noite ou ao amanhecer, principalmente para pessoas que estão voltando sozinhas para casa. Em muitos relatos, o Tonkaraton surge pedalando lentamente até parar diante da vítima. Seu corpo inteiro é envolto em bandagens, como uma múmia, e às vezes apenas os olhos podem ser vistos. Algumas versões da história dizem que ele exala um cheiro forte de decomposição.

Quando encontra alguém, o Tonkaraton faz apenas uma exigência:

“Diga Tonkaraton.”

Se a pessoa repetir a frase depois da ordem, a criatura vai embora sem fazer nada. Mas a situação muda completamente quando a vítima hesita, fala baixo demais ou fica paralisada de medo. Nesses casos, o Tonkaraton a ataca com sua katana.

Existe ainda um detalhe considerado ainda mais perigoso: dizer “Tonkaraton” antes que a criatura mande também leva à morte. Em algumas histórias, o espírito chega a gritar:

“Não diga Tonkaraton sem minha permissão!”

Depois do ataque, a vítima teria o corpo envolto em bandagens e acabaria se transformando em outro Tonkaraton. Por causa disso, algumas versões da lenda afirmam que várias dessas criaturas podem aparecer juntas, pedalando pelas ruas durante a madrugada. Há também relatos de que usar uma bandagem no braço esquerdo protege a pessoa, já que o Tonkaraton acreditaria estar diante de alguém semelhante a ele.

Outra versão da história coloca a própria bicicleta no centro da maldição. Nela, um garoto encontra uma bicicleta abandonada em um velho depósito e decide levá-la para casa. Assim que começa a pedalar, percebe que perdeu totalmente o controle. A bicicleta acelera sozinha e passa a levá-lo por ruas escuras e lugares estranhos, movendo-se de maneiras impossíveis. Algumas versões dizem até que ela pode atravessar objetos ou voar. Durante o trajeto, o garoto sente um odor horrível vindo da bicicleta e descobre que existe uma múmia escondida dentro de sua estrutura. O espírito preso ali seria o responsável pela maldição.

Como acontece com muitas lendas urbanas japonesas, o Tonkaraton mistura elementos modernos com temas clássicos do horror sobrenatural. A bicicleta, as ruas vazias e o encontro inesperado se unem à ideia dos yokai, criaturas sobrenaturais muito presentes no folclore japonês.

Mesmo sem qualquer prova de sua existência, o Tonkaraton continua sendo lembrado em histórias de terror, fóruns da internet, vídeos e ilustrações. Parte de sua popularidade vem justamente das regras estranhas da lenda, que fazem o encontro parecer inevitável e deixam a sensação de que qualquer erro, por menor que seja, pode ser fatal.

Tonkaraton no mangá "Dandadan"

fonte:

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13 de maio de 2026

Veado Baião

۞ ADM Sleipnir


O Veado Baião é uma criatura do folclore brasileiro associada ao município de Ribeiro Gonçalves, localizado no sul do estado do Piauí, na região Nordeste do Brasil. A lenda é tradicionalmente relatada por caçadores da região, que descrevem encontros sobrenaturais ocorridos durante caçadas noturnas em áreas de mata fechada.

Segundo os relatos, a criatura inicialmente se apresenta como um veado comum surgindo entre moitas e clareiras da mata durante a madrugada. No entanto, quando os caçadores se preparam para abatê-lo, o animal assume um comportamento incomum: ergue-se sobre as patas traseiras e inicia uma dança acompanhada por um baião cantado em voz humana:

“Essas mocinhas de hoje
tem um costume ruim,
quando chegam no escuro,
dizem assim:
Me arroche, meu bem!
Me arroche!
Me beije, meu bem!
Não tenha pena de mim!
E não diga que é veado,
Pois hoje estou a fim…”

De acordo com a tradição oral, muitos caçadores fogem assustados ao presenciarem a cena. Aqueles que tentam atirar na criatura ou interromper sua cantoria seriam perseguidos pelo Veado Baião após ele se transformar em uma entidade monstruosa e indescritível.

A aparição é frequentemente associada a árvores específicas da vegetação local, especialmente pés de jatobá e mirindiba. Nesses locais, o Veado Baião seria visto dançando com a cabeça erguida, batendo os cascos contra o peito enquanto entoa seu baião sobrenatural.


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12 de maio de 2026

Chaquén

۞ ADM Sleipnir

Chaquén é uma divindade da mitologia dos muíscas, povo indígena que habitava o Altiplano Cundiboyacense, na atual Colômbia. Reverenciado como deus dos esportes, da fertilidade e das atividades agrícolas,  ele tinha grande importância na vida social, religiosa e militar desse povo pré-colombiano.

Contexto cultural

Os muíscas formavam uma das civilizações mais organizadas das Américas antes da chegada dos europeus. Eles viviam em uma confederação de territórios governados por líderes conhecidos como zipa e zaque. Como enfrentavam guerras frequentes contra povos vizinhos, como os panches e os muzos, os muíscas davam muito valor ao preparo físico e às habilidades de combate. Dentro dessa realidade, Chaquén era visto como o protetor dos guerreiros guecha, responsáveis pela defesa do território. Os jogos e competições realizados em sua homenagem não serviam apenas para entretenimento, mas também como treinamento para a guerra.

Atributos e simbolismo

Chaquén era ligado à fertilidade de forma ampla, tanto à fertilidade da terra quanto à humana. Relatos do período colonial descrevem o deus como uma entidade que sobrevoava os campos cultivados, protegendo as plantações e garantindo boas colheitas. 

Durante festas e cerimônias, acreditava-se que Chaquén caminhava entre o povo. Essas celebrações reuniam corridas, danças, músicas tocadas com flautas e tambores, além de roupas adornadas com penas e peças de ouro. A chicha, bebida tradicional fermentada, também fazia parte dos rituais e ajudava a reforçar o espírito coletivo das festividades. Os rituais dedicados a Chaquén também estavam relacionados à fertilidade humana e à formação de casais, aspectos importantes para a continuidade da comunidade.

O jogo de tejo

Chaquén também é associado ao tejo, considerado o esporte nacional da Colômbia. O jogo consiste em lançar discos contra um alvo com pequenas cargas explosivas, marcando pontos conforme a precisão dos arremessos.

Acredita-se que o tejo tenha surgido ainda no período pré-colombiano, praticado pelos muíscas tanto como treinamento físico quanto como atividade ritual. O jogo continua popular em várias regiões colombianas e ainda preserva parte do legado cultural ligado a Chaquén.

O castigo de Tintoa e Sunuba

Um dos mitos mais conhecidos associados a Chaquén é o de Tintoa e Sunuba. Tintoa, um jovem guerreiro guecha, apaixonou-se por Sunuba, a principal esposa de um príncipe. Quando o adultério foi descoberto, os dois fugiram juntos, tentando escapar da punição, mas acabaram encontrados por Chaquén.

Tomado pela ira diante da traição, o deus condenou os amantes a uma transformação eterna. Sunuba foi convertida em um junco, destinado a crescer às margens das águas e nos pântanos da savana de Bogotá. Tintoa, por sua vez, transformou-se em uma erva seca e áspera, condenada a brotar apenas em regiões áridas e estéreis. Assim, separados pela própria natureza, os amantes permaneceriam para sempre distantes um do outro, carregando a marca de seu amor proibido.

Legado

A influência de Chaquén persiste na cultura colombiana contemporânea, especialmente por meio da sobrevivência do tejo e da valorização das tradições indígenas. Em reconhecimento à sua importância simbólica, um parque temático na região de Sumapaz, em Bogotá, foi nomeado em sua homenagem.

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11 de maio de 2026

Kako-u'hthé, o Espírito do Ciclone

۞ ADM Sleipnir

Kako-u'hthé (comumente chamado de Cyclone Person, "Pessoa Ciclone") é um espírito associado a tempestades e tornados pertencente às tradições dos povos indígenas Shawnee e LenapeAlgumas fontes o descrevem como masculino, como outros espíritos do vento das culturas algonquianas, enquanto outras o tratam como feminino, aproximando-o da Mulher Redemoinho (Huupirikúsu) das tradições iroquesas. Porém, é possível que originalmente ele não fosse antropomorfizado e fosse de gênero neutro.

Os tornados são vistos por esses povos como a própria manifestação de Kako-u'hthé. Os filamentos escuros do redemoinho são descritos como seus longos cabelos em movimento. Apesar de seu enorme poder destrutivo, Kako-u'hthé não é considerado uma entidade maligna. Entre os Shawnee, em especial, ele costuma ser visto de forma positiva, como um espírito próximo e até protetor. Antigamente, acreditava-se que os Shawnee não precisavam temer os tornados, pois Kako-u'hthé jamais os atacaria intencionalmente. Ainda hoje, alguns Shawnee de Oklahoma afirmam que tornados nunca atingiram suas casas dentro da reserva.

O Caçador e a Pessoa Ciclone

Uma lenda Lenape registrada no livro Mythology of the Lenape: Guide and Texts (1995) relata que certa vez um caçador saiu para caçar acompanhado do filho, ainda jovem, mas já velho o bastante para cozinhar e cuidar dos cavalos durante a ausência do pai. Depois de montar o acampamento, o homem deixou o garoto sozinho enquanto seguia pela mata em busca de caça. Algum tempo depois, percebeu ao longe a formação de um tornado que parecia avançar na direção do acampamento. Alarmado, correu de volta, mas encontrou o local completamente vazio: tanto o menino quanto o acampamento haviam desaparecido sem deixar vestígios.

Determinando a recuperar o filho, o caçador passou a seguir o rastro deixado pelo redemoinho até finalmente alcançar a própria Pessoa Ciclone. A entidade surgiu em uma forma sobrenatural e inquietante: caminhava sobre as mãos, com os pés erguidos para o céu, enquanto seus longos cabelos escuros se arrastavam pelo chão. Tudo aquilo em que os fios se enrolavam — árvores, galhos e outros objetos — era arrancado e levado pela força do ciclone.

O homem então ameaçou matar a entidade caso seu filho não fosse devolvido. Diante disso, a Pessoa Ciclone propôs um acordo: devolveria o menino e restauraria o acampamento exatamente como estava, além de prometer que não voltaria a incomodar aquele povo, desde que fosse poupada. O caçador aceitou a proposta. Quando pai e filho retornaram, encontraram o acampamento intacto, novamente em seu devido lugar, como se jamais tivesse desaparecido.

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10 de maio de 2026

Fiskerton Phantom

۞ ADM Sleipnir

O Fiskerton Phantom (em português: “Fantasma de Fiskerton”) é um críptideo britânico associado à região de Fiskerton, Lincolnshire, na Inglaterra. Ele faz parte dos chamados “Alien Big Cats” (ABC), termo usado para descrever grandes felinos avistados fora de seu habitat natural no Reino Unido. 

Descrição

O Fiskerton Phantom é geralmente retratado como um animal de cerca de 1,2 metro de altura, com corpo musculoso e pelagem escura, às vezes descrita como preta com brilho metálico. Seu porte lembra o de um grande felino, embora alguns relatos mencionem movimentos pesados, semelhantes aos de um urso. Um dos aspectos mais incomuns é a alegação de que a criatura poderia se locomover em posição semi-ereta ou até sobre duas patas, algo que foge do comportamento típico de felinos. Também é descrito como carnívoro, alimentando-se de aves como faisões.

Avistamentos

Os relatos mais conhecidos remontam a 27 de agosto de 1997, quando quatro meninas -Rachel Rowan (12 anos), Nicki Handley (11 anos), Nicola Proctor (9 anos) e Joanna Brogan (10 anos) - se encontravam em um parque de caravanas ao lado do pub Tyrwhitt Arms, em Short Ferry, uma pequena aldeia no leste da paróquia de Fiskerton. As meninas viram a criatura preta, alta, agachada sobre um faisão, e fugiram assustadas para o pub; ao retornarem ao local, afirmaram ter encontrado grandes pegadas no local. Um motorista teria relatado outro avistamento na mesma noite, na mesma região, o que ajudou a consolidar a lenda local.

Influência na cultura pop

A lenda do Fiskerton Phantom inspirou um personagem homônimo na série animada The Secret Saturdays (Sábados Secretos), produzida pela Cartoon Network. Lá ele aparece como uma criatura híbrida entre gorila e felino, com características bem mais fantásticas do que nos relatos originais.


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9 de maio de 2026

Kuartam

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Kuartam é uma criatura sobrenatural da tradição oral do povo Shuar, originário da região amazônica do Equador. Segundo os relatos tradicionais, ele assume a forma de um pequeno sapo, escondendo‑se entre pedras, raízes e galhos. No entanto, ao ser perturbado, provocado ou imitado, revela sua natureza verdadeira, manifestando‑se como um tigre de grandes proporções, extremamente agressivo. Em algumas versões da lenda, Kuartam emite um canto característico — frequentemente descrito como “Kuartam‑tan! Kuartam‑tan!” — que ecoa pela floresta, funcionando tanto como um chamado quanto como um aviso de sua presença.

A lenda mais conhecida envolvendo Kuartam fala de um caçador shuar que, antes de sair para caçar na floresta, havia sido orientado pela esposa a não zombar do som emitido pelo sapo. Durante a caçada, ele ouve um coaxar incomum vindo do alto de uma árvore e, primeiro por curiosidade, depois de forma insistente e zombeteira, decide imitá‑lo. Em seguida, a mata fica em silêncio absoluto. Em meio ao silêncio, surge um rosnado grave. Do mesmo lugar de onde partia o som, surge um tigre de grandes proporções: é Kuartam, que, irritado, ataca o caçador sem lhe dar chance de defesa. Dependendo da versão, o homem é despedaçado ou engolido inteiro.

Sem notícias do marido, a esposa parte em sua busca. Ela segue os rastros até o ponto em que eles desaparecem e, ao olhar para cima, encontra o sapo pousado sobre um galho, com o corpo visivelmente inchado. Ao perceber o que aconteceu, decide reagir. A mulher derruba a árvore para atingir o animal; com a queda, o sapo morre. Ao abrir seu ventre, ela encontra o marido — morto em algumas versões da história, ou ainda vivo, sendo então resgatado em adaptações mais brandas da lenda.

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Ruby