3 de maio de 2026

Väki

۞ ADM Sleipnir

Väki é um conceito central na mitologia e tradição popular finlandesa, que pode se referir tanto a grupos de espíritos guardiões ligados a locais e elementos naturais, quanto à força sobrenatural que emana desses seres ou lugares. A palavra também é usada para descrever o poder mágico de um indivíduo, especialmente xamãs ou pessoas consideradas espiritualmente fortes.

Etimologia e Conceito

Na língua finlandesa, väki significa “multidão” ou “tropa”, mas também “força” ou “energia”. No contexto mitológico, refere-se aos haltijat (espíritos guardiões) que protegem e animam ambientes como florestas, rios, montanhas, forjas e cemitérios, bem como à energia impessoal que deles emana. Essa força pode manifestar-se de forma benéfica ou malévola: capaz de curar e proteger, mas também de punir e adoecer.

Väki da Natureza

Cada elemento da natureza possuía seu próprio väki:

  • Metsän väki ("väki da floresta"): Espíritos que moram nos bosques; ajudam caçadores respeitosos e punem viajantes despreparados;
  • Vedenväki ("väki da água"): Entidades aquáticas que regem lagos e rios; invocadas em rituais de pesca e causadoras de enfermidades se ofendidas;
  • Tulenväki ("väki do fogo"): Espíritos do fogo, com poder destrutivo e purificador; associados às saunas, onde atuam como agentes de cura;
  • Maanväki ("väki da terra"): Espíritos subterrâneos, como os maahiset, vinculados à fertilidade do solo e às forças ocultas da terra;
  • Hiiden väki  ("O povo de Hiisi"): Habitantes míticos de colinas e florestas; têm natureza ambígua, ora temidos, ora solicitados em auxílio;
  • Kalman väki  ("väki da morte"): Energia da morte que emana de cemitérios e cadáveres; podia contaminar objetos e causar febres e presságios;
  • Kirkonväki ("väki do cemitério"): Espírito dos mortos que participam de serviços religiosos noturnos; geralmente neutros, mas potencialmente perigosos se perturbados;
  • Kallion/Vuoren väki ("väki dos penhascos e montanhas"): Seres ligados a rochas e montanhas; difíceis de controlar e usados por xamãs experientes para afastar outras forças espirituais.

Väki como causadores de doenças

Na medicina popular, as doenças eram frequentemente explicadas como resultado da ação de um väki estranho, ou pela perda de uma parte da alma. Um tietäjä (feiticeiro ou xamã), era convocado para restaurar o equilíbrio cósmico da pessoa, devolvendo o väki estranho ao seu local de origem ou combatendo-o com outro väki. O mesmo conceito era utilizado em rituais de cura e proteção, onde diferentes tipos väki eram manipulados por meio de cânticos (runot) e feitiços.

Väki humanos

Além dos ambientes naturais, os próprios humanos podiam conter väki. Pessoas especialmente fortes, carismáticas ou dotadas de habilidades mágicas eram chamadas de väkevä ("cheios de väki"). Elas possuíam guardiões espirituais próprios e sua alma era concebida como composta de várias partes.

Também havia distinções de väki baseadas em gênero. O väki feminino, por exemplo, era considerado poderoso, capaz de afetar negativamente ou positivamente as atividades masculinas, dependendo do contexto ritual.

Cosmovisão Animista 

O conceito de väki reflete uma cosmovisão profundamente animista, onde todos os fenômenos naturais e sociais decorrem da ação deliberada de forças espirituais. Nada é aleatório: desde um corte na madeira (interpretação da "ira do väki da madeira") até grandes epidemias, tudo resulta de interações com esses seres invisíveis, exigindo respeito, oferendas e rituais para manter a harmonia entre o mundo visível e o invisível.


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2 de maio de 2026

Gyeonggangjeokryong

۞ ADM Sleipnir


Gyeonggangjeokryong (coreano: 경강적룡, “dragão vermelho de Gyeonggang”) é uma dragão (yong) lendário da tradição coreana, registrado na obra Eouyadam (어우야담, "Histórias Não Oficiais de Eou"), compilada por Yu Mong-in (1559–1623) durante a dinastia Joseon. Segundo a tradição, o Gyeonggangjeokryong habita a bacia do rio Han e está associado aos mercadores da região de Gyeonggang, sendo venerado como uma divindade local.

Relato histórico

De acordo com um registro datado de maio de 1618, um navio de grande porte carregado de sal, com cerca de 10 geol (aproximadamente 30 metros) de comprimento, encontrava-se ancorado nas proximidades do distrito de Yongsan quando foi atingido por uma tempestade súbita, caracterizada por chuvas intensas e ventos violentos. Durante o fenômeno, um dragão vermelho teria emergido das águas do rio, erguendo parte do corpo acima da superfície e surgindo sobre a embarcação. Em seguida, a criatura abaixou a cabeça e submergiu novamente, permanecendo visível apenas a cauda.

A cauda do dragão é descrita como simultaneamente fina e larga, enquanto o corpo, de extensão aproximadamente duas vezes maior, alcançaria dezenas de pés. Nos dias subsequentes ao avistamento, o rio permaneceu em estado de intensa agitação, com suas águas elevando-se em massas brancas comparadas a montanhas de neve, colidindo repetidamente contra o navio até a perda completa da carga.

Após o ocorrido, os tripulantes atribuíram o desastre à negligência do proprietário da embarcação. Conforme práticas tradicionais, marinheiros realizavam orações a divindades marítimas e rituais ancestrais ao atravessar determinados pontos do rio; no entanto, o proprietário teria omitido tais ritos com o objetivo de reduzir custos. A tradição sustenta que a ausência dessas práticas poderia provocar a ira de entidades aquáticas, resultando em desastres como naufrágios e mortes. O próprio Yu Mong-in registra um antigo ditado segundo o qual “a natureza dos dragões aprecia a riqueza humana”. Para o autor, esse episódio serviria como evidência de que tal crença não era infundada.


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30 de abril de 2026

Thrym

۞ ADM Sleipnir


Thrym (nórdico antigo Þrymr, “barulhento” ou “estrondoso”; também grafado Thrymr ou Thrymir) foi, na mitologia nórdica, um jötunn (gigante), frequentemente descrito como líder entre os gigantes e associado ao domínio de Jötunheimr, a terra dos inimigos dos deuses. Ele é conhecido sobretudo como o ladrão do martelo mágico de Thor, Mjölnir, episódio que o coloca como antagonista central do poema édico Thrymskvida ("A Canção de Thrym")A história também aparece em versões posteriores, como os Þrymlur, além de referências nas listas poéticas (þulur) associadas à Edda em Prosa. Outras tradições mencionam figuras homônimas, incluindo um rei lendário.

Segundo a tradição, Thrym roubou a arma mais poderosa de Asgard com o objetivo de chantagear os deuses. Em troca da devolução do martelo, impôs uma única condição: desposar a deusa Freyja. No entanto, seu plano terminou de forma violenta — em vez de uma noiva divina, encontrou a fúria de Thor, morrendo pelas mãos do deus do trovão.

O roubo do Mjölnir

De acordo com o Thrymskvida, Thor descobre certa manhã que seu martelo desapareceu — um evento grave, já que Mjölnir era essencial para a defesa de Asgard contra os gigantes. Ao ouvir sua fúria, Loki, utilizando o manto de penas de falcão emprestado por Freyja, viaja até Jötunheimr para investigar. Lá, encontra Thrym sentado sobre um monte, enquanto cuidava de seus animais. Questionado, o gigante admite ter roubado o martelo e revela tê-lo enterrado profundamente sob a terra, declarando que só o devolveria caso Freyja aceitasse se casar com ele.

Loki visitando o Rei Thrym. Ilustração de George Pearson (1871).



O disfarce de Thor

Ao tomar conhecimento da proposta, Freyja reage com extrema fúria, recusando-se a aceitá-la. Diante da crise iminente, os deuses se reúnem em conselho. Heimdall propõe então uma solução inusitada: Thor deveria se disfarçar como a própria Freyja e ir ao encontro de Thrym.

Apesar da resistência inicial e da indignação de Thor, o plano é aceito. O deus do trovão é vestido com trajes nupciais, véu e o colar Brisingamen, enquanto Loki assume o papel de dama de honra. Assim disfarçados, partem na carruagem de Thor rumo a Jötunheimr.


O banquete e o engano

Thrym, jubiloso com a chegada de sua suposta noiva, prepara um grande banquete. No entanto, o disfarce quase é comprometido quando a “noiva” devora enormes quantidades de comida, incluindo grandes porções de carne e peixe, e bebe vastas taças de hidromel.

Diante do estranhamento de Thrym, Loki explica que Freyja não havia comido nem dormido por oito dias, tamanha era sua ansiedade pelo casamento. Em outro momento, ao tentar levantar o véu para beijá-la, Thrym se assusta com os olhos ferozes e flamejantes de Thor, sendo novamente apaziguado pelas explicações astutas de Loki.

A morte de Thrym

Como parte do ritual matrimonial, Thrym ordena que o Mjölnir seja trazido para consagrar a união. O martelo é então colocado no colo da falsa noiva. Nesse instante, Thor revela sua identidade, arranca o véu e empunha Mjölnir. Em um acesso de fúria, mata Thrym e massacra todos os gigantes presentes, restaurando a ordem e retornando triunfante a Asgard.



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29 de abril de 2026

Moxotó, o "Dragão do Cariri"

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O Moxotó é uma criatura da mitologia do povo indígena Payaku, habitante da região do Cariri, que abrange partes do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Entre as criaturas da tradição indígena brasileira, ele se destaca por lembrar um tipo de dragão, algo incomum nesse contexto. Sua figura é um dos destaques do livro Cratoãnas: Mitos indígenas do Nordeste (2024), de autoria de Yaguarê Yamã e Ikanê Adean, que reúne diversas narrativas tradicionais da região. 

O nome Moxotó é interpretado por alguns como “lagarto de pedra”. O ser é descrito como um lagarto teiú de cinco metros de comprimento, que possui chifres e um único olho no meio da testa. Diferente dos dragões clássicos, o Moxotó não cospe fogo, mas utiliza uma gosma venenosa que paralisa a vítima e, por ser corrosiva, destrói seu tecido corporal. Ele também possui uma cauda com uma lâmina serrilhada e uma ponta semelhante a uma lança, usada para perfurar o peito de quem o enfrenta. Após o ataque do veneno, o Moxotó devora a vítima.

O destino do Moxotó nos dias atuais é um mistério. Enquanto uns dizem que ele desapareceu com o processo de colonização, outros afirmam que ele foi transformado em pedra pelo deus cristão ou que continua presente como uma força espiritual. Com a chegada dos portugueses, o povo Payaku passou por um processo de quase desaparecimento. Junto com isso, muitos elementos de sua cultura foram enfraquecidos, incluindo as histórias sobre o Moxotó.

fonte:

  • YAGUARÊ YAMÃ; IKANÊ ADEAN. Cratoãnas - Mitos indígenas do Nordeste. Jandira, SP. Ciranda Cultural, 2024.

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28 de abril de 2026

Calisto

۞ ADM Sleipnir


Calisto (em grego: Καλλιστώ, "A mais bela") é uma personagem da mitologia grega, associada às tradições da Arcádia. Geralmente descrita como filha do rei Licaão, embora algumas versões a apresentem como filha de Nictêu ou Ceteu, Calisto também é por vezes identificada como uma ninfa. Ela é conhecida sobretudo por sua ligação com a deusa Ártemis, de quem era companheira de caça, e por seu trágico destino envolvendo Zeus e Hera.

Mitologia

Calisto era uma caçadora devota e integrante do séquito de Ártemis, deusa que impunha a castidade como condição a suas companheiras. Ainda assim, acabou sendo seduzida por Zeus — que, em algumas tradições, assume a forma da própria Ártemis — e engravida. 

"Jupiter e Calisto", por Cornelis Bos

A revelação dessa gravidez varia conforme o relato: ora ocorre durante um banho coletivo entre as seguidoras da deusa, ora é descoberta diretamente por Ártemis. Como consequência, Calisto é transformada em ursa, embora as fontes divirjam quanto ao responsável pela metamorfose. Em certas versões, a punição parte de Ártemis, indignada com a violação do voto de castidade; em outras, é Hera quem, tomada pelo ciúme, impõe a transformação. Mesmo após essa mudança, seu destino permanece trágico: ela é abatida durante uma caçada — frequentemente pela própria Ártemis — ou passa a ser perseguida como uma fera selvagem.

Arte de markus-stadlober

De sua união com Zeus nasce Arcas, que, em algumas narrativas, é resgatado pelo deus e entregue aos cuidados da ninfa Maia. Anos mais tarde, já adulto, Arcas quase mata a própria mãe durante uma caçada, sem reconhecê-la sob a forma animal. Para impedir o matricídio, Zeus intervém e eleva ambos aos céus, onde são identificados com as constelações da Ursa Maior (Calisto) e, conforme a tradição, da Ursa Menor ou de Boötes (Arcas).

Cronologia mítica

Segundo a tradição, Calisto pertence a uma genealogia arcádica situada em época anterior ao Grande Dilúvio. Licaão, seu pai em algumas versões, é associado ao crime sacrílego que teria provocado a punição de Zeus e o dilúvio de Deucalião; depois disso, Arcas passa a ocupar um lugar central na origem mítica dos arcádios.

Culto e tradições locais

Calisto está intimamente ligada ao culto arcadiano de Ártemis, especialmente na forma Ártemis Calliste (“a mais bela”). Alguns estudiosos antigos e modernos sugerem que Calisto não seria originalmente uma figura distinta, mas uma personificação ou epíteto da própria deusa.

Na Arcádia, Calisto era objeto de tradições cultuais e memoriais. Seu túmulo era mostrado a cerca de trinta estádios da fonte Cruni, em uma colina arborizada que abrigava um templo dedicado a Ártemis Callisto. Em Delfos, havia uma estátua de Calisto oferecida pelos habitantes de Tegeia. Além disso, o pintor Polignoto a representou em um mural, vestindo a pele de uma ursa, o que reforça sua associação simbólica com o animal.


fonte:

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27 de abril de 2026

Nekhbet

۞ ADM Sleipnir

Arte de Candida Corsi


Nekhbet (hierogrífo 𓄿, também grafada Nekhebet ou Nechbet) era uma deusa da mitologia egípcia que surgiu como divindade local no período pré-dinástico, sendo originalmente cultuada na cidade de Nekheb, no Alto Egito (região sul do país). Seu nome significa literalmente “aquela de Nekheb”, evidenciando sua ligação direta com esse local. Após a unificação do Egito em um único reino, Nekhbet deixou de ser apenas uma deusa regional e passou a representar todo o Alto Egito. Nesse contexto, foi associada à deusa Wadjet, protetora do Baixo Egito (norte), formando juntas o par conhecido como as “Duas Senhoras” (Nebty), símbolo religioso e político da união entre as duas regiões sob o domínio dos faraós.

Origem e culto

Há evidências de que o culto a Nekhbet remonta ao período pré-dinástico, estando associado à cidade de Nekheb (atual El Kab), um dos mais antigos centros religiosos do Egito. Nekheb era próxima de Nekhen, importante capital religiosa e política do Alto Egito no final do período pré-dinástico e início do Período Dinástico Inicial.

Com a consolidação do Estado egípcio, Nekhbet e Wadjet passaram a simbolizar conjuntamente a unidade do reino. Essa associação era expressa no nome Nebty dos faraós, que evocava a proteção das duas deusas. A iconografia real frequentemente apresentava o abutre (Nekhbet) e a cobra (uraeus, associada a Wadjet) lado a lado, especialmente nas coroas reais, como símbolos da unificação.

O abutre e a cobra representados em uma das coroas usadas pelo faraó Tutancamon

Seu principal centro de culto localizava-se em Nekheb, onde existia um complexo religioso que incluía templo, capelas, lago sagrado e estruturas associadas ao nascimento ritual. Embora tenha sido ampliado ao longo de diversas dinastias, especialmente durante o Império Novo, grande parte desse complexo encontra-se atualmente em ruínas.



Funções e atributos

Nekhbet era considerada a divindade tutelar do Alto Egito e desempenhava um papel central na proteção da realeza. Inicialmente, sua proteção era voltada principalmente às mães e crianças reais, sendo frequentemente descrita como mãe divina ou ama de leite do faraó. Com o tempo, essa função foi ampliada, passando a incluir também a proteção de todas as crianças e mulheres grávidas.

Nos Textos das Pirâmides, datados da Quinta Dinastia, Nekhbet é descrita como uma deusa criadora, recebendo epítetos como “Pai dos Pais, Mãe das Mães, que existe desde o princípio e é criadora do mundo”. Ela também era conhecida como “Senhora da Grande Casa” (pr wr), em referência ao principal templo estatal do Alto Egito.

Durante o Império Novo, sua importância se expandiu ainda mais, passando a atuar como protetora de toda a família real e, posteriormente, da população em geral. Em contextos funerários e simbólicos, era associada à proteção eterna, representada pelo símbolo shen.

Iconografia

Nekhbet era predominantemente representada como um abutre — possivelmente o abutre-grifo — ou como uma mulher usando o toucado de abutre ou a coroa branca do Alto Egito (hedjet). Em algumas representações, aparecia como uma mulher com cabeça de abutre ou, mais raramente, como uma serpente.

Uma de suas representações mais características mostra a deusa pairando sobre o faraó com as asas abertas, em atitude protetora, segurando o símbolo shen em suas garras. Em cenas reais e funerárias, o abutre frequentemente aparece ao lado do uraeus, reforçando a associação entre Nekhbet e Wadjet.

Nekhbet em forma de abutre, trazendo o símbolo shen nas garras

Durante o Império Novo, ambas as deusas podiam ser representadas juntas nos toucados reais, por vezes acompanhadas de duas serpentes (uraei), indicando sua função conjunta como protetoras da realeza.

Associações mitológicas

Nekhbet foi associada a diversas outras divindades do panteão egípcio. Era por vezes considerada consorte de Hapi, em seu aspecto ligado ao Alto Egito, e frequentemente relacionada a Hórus. Sua associação com o abutre e com o nascimento a aproximava da deusa Mut, enquanto seu aspecto maternal e, ocasionalmente, bovino a ligava a Hathor, recebendo o epíteto de “Grande Vaca Branca de Nekheb”.

Ela também estava ligada ao conceito do “Olho de Rá”, compartilhando características com outras deusas solares e guerreiras. Nesse papel, era vista como uma força protetora e agressiva, capaz de defender o faraó em combate e subjugar os inimigos do Egito.

Arte de YunaXD

Em mitos relacionados ao conflito entre Hórus e Set, Nekhbet e Wadjet aparecem como aliadas de Hórus, às vezes representadas como serpentes aladas que o acompanham na perseguição a seus adversários.

Natureza e simbolismo

Como muitas divindades egípcias, Nekhbet possuía uma natureza dual, combinando aspectos maternais e protetores com um caráter guerreiro. Era simultaneamente uma deusa do nascimento, da realeza e da proteção divina, além de desempenhar um papel simbólico na legitimação do poder faraônico.

Sua associação com o “Olho de Rá” destaca seu vínculo com o sol, enquanto sua identificação como o “olho saudável de Hórus” indica também conexões lunares. Frequentemente chamada de “Senhora dos Céus”, Nekhbet ocupava uma posição importante no imaginário religioso egípcio como guardiã suprema e símbolo da soberania do Alto Egito.

Arte de Raphaëlle Ellehar Bieuville

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