22 de abril de 2026

Tominikáre

۞ ADM Sleipnir

Tominikáre (também grafado Tuminkar, Tuminkare, ou Tominicare) é uma figura central na mitologia dos povos Vapidiana (ou Wapichana), indígenas da região amazônica ao norte do Brasil e áreas vizinhas. Ele é descrito como o criador do mundo e uma autoridade superior na ordem do universo. Nas narrativas em que aparece, atua não apenas na origem da vida, mas também na reorganização do mundo após eventos de destruição, estando associado à criação, ao estabelecimento de normas, como a obrigatoriedade do trabalho e à recriação dos seres humanos.

Criação do mundo

As narrativas vapidianas não apresentam, de forma detalhada, um mito único e sistemático sobre a formação do mundo. Ainda assim, afirmam que Tominikáre foi o responsável por sua criação. Após esse ato inicial, ele confiou a seus irmãos, DuÍdi e Mauáre, a tarefa de concluir e organizar o mundo. Os dois, no entanto, não cumpriram adequadamente essa função, distraindo-se com atividades consideradas fúteis. 

Diante disso, Tominikáre reagiu com indignação e tentou destruí-los. Apesar da tentativa, Duídi e Mauáre conseguiram sobreviver e, posteriormente, passaram a ocupar uma posição ativa no mundo, sendo descritos em algumas versões como governadores ou responsáveis por sua condução. Em relatos influenciados por contato cultural externo, Duídi chega a ser identificado com a figura do diabo, o que não corresponde necessariamente à concepção original indígena.

A árvore da vida e a origem do trabalho

Em uma narrativa relacionada à abundância e à transformação das condições humanas, Tominikáre aparece associado à chamada árvore da vida, cujo tronco é identificado como Tamoromu (ou Tomoromu).

Segundo o relato, um homem havia criado uma cotia que, certa manhã, recusou alimento e fugiu de casa. O homem a seguiu e chegou a uma árvore carregada de frutos. Ele então derrubou a árvore e, em seguida, plantou suas sementes. No entanto, o rio encheu e carregou o tronco da árvore. É nesse contexto que Tominikáre intervém e estabelece uma nova condição para a humanidade, declarando que, a partir daquele momento, todos seriam obrigados a trabalhar diariamente.

A árvore da vida e o dilúvio

Outra narrativa, conhecida em alguns registros como Uayana Kadefia, trata do mesmo tronco mítico, o Tamoromu, desta vez como ponto de partida para um grande dilúvio. Segundo esse relato, Tominikáre cria, em um tempo primordial, uma árvore extraordinária da qual provinham todos os alimentos.  Nessa época, existiam apenas quatro irmãos e uma irmã. A irmã colheu frutos dessa árvore e, quando os irmãos retornaram, ela já havia crescido muito, tornando-se extremamente alta e abundante. Diante disso, decidiram derrubá-la.

No interior do tronco havia água doce. Após cortá-la, os irmãos vedaram o tronco, mas o mais jovem, movido pela curiosidade, abriu-o para verificar seu interior. Ao fazê-lo, a água se espalhou com força, inundando o mundo. A inundação destruiu tudo, causando a morte dos seres existentes. Após o desastre, Tominikáre recriou os seres humanos e os animais, restabelecendo a ordem do mundo.

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21 de abril de 2026

Hyel

۞ ADM Sleipnir

Hyel é uma divindade lunar considerada o deus supremo e criador na mitologia do povo Pabir/Bura, grupo étnico da região do atual nordeste da Nigéria. Nas tradições orais desse povo, Hyel desempenha um papel central na origem da humanidade e na explicação da mortalidade humana.

De acordo com o mito, pouco tempo após a criação, quando a população humana começou a crescer, ocorreu a primeira morte: um homem deixou de respirar, evento até então desconhecido. Diante da situação, a comunidade decidiu enviar um mensageiro a Hyel em busca de orientação. Um verme foi escolhido para a missão, sendo seguido por um lagarto chamado Agadzagadza.

Após ouvir o relato do verme, Hyel instruiu que o corpo do morto deveria ser pendurado em uma árvore e coberto com mingau, o que faria com que o homem revivesse. No entanto, Agadzagadza, que havia escutado as instruções, correu à frente do mensageiro e transmitiu deliberadamente uma versão falsa da mensagem, afirmando que Hyel ordenara que o corpo fosse enterrado.

Acreditando na informação do lagarto, os humanos enterraram o cadáver. Quando o verme finalmente chegou e comunicou as instruções corretas, já era tarde. Apesar de alertados, os humanos optaram por não desfazer o enterro. Como consequência desse erro, segundo a tradição, a humanidade perdeu definitivamente a capacidade de restaurar a vida, estabelecendo assim a condição irreversível da morte.


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20 de abril de 2026

Ādi

۞ ADM Sleipnir

Ādi (sânscrito: आडि, "início"; pronuncia-se Aadi) é um asura da mitologia hindu, mencionado no Matsya Purana (um dos 18 principais textos do hinduísmo). É descrito como filho de Andhaka, outro asura, que foi morto pelo deus ShivaSegundo a narrativa, após a morte do pai, Ādi realizou severas austeridades (tapas) para agradar a Brahma. Quando Brahma lhe concedeu uma dádiva, ele pediu a imortalidade, mas o pedido foi recusado sob o argumento de que todos os seres estão sujeitos à morte. Diante disso, Ādi reformulou seu desejo, declarando que só poderia morrer ao mudar de forma. Aproveitando a ambiguidade da formulação, Brahma concedeu-lhe o poder de transformação, o que, na prática, o tornava invulnerável apenas enquanto permanecesse em sua forma original.

Convencido de sua invencibilidade, Ādi decidiu vingar a morte de Andhaka e dirigiu-se ao Monte Kailasa, a morada celestial de Shiva. Para infiltrar-se, assumiu a forma de uma serpente — animal associado ao deus — e conseguiu acesso aos seus aposentos. Em seguida, transformou-se na aparência de Parvati, esposa de Shiva, com a intenção de enganá-lo e atacá-lo. Shiva, porém, percebeu o disfarce por meio de seu conhecimento espiritual (yoga) e reconheceu a verdadeira natureza do invasor. Uma vez desmascarado, Ādi perdeu a proteção de sua dádiva e acabou sendo morto pelo deus.

Relatos alternativos apresentam variações desse episódio. Em uma dessas versões, Ādi teria recebido de Brahma a oportunidade de aprender artes de combate sob a orientação de Shiva. Após algum tempo de treinamento, passou a perturbar os habitantes do Monte Kailasa. Mais tarde, ao tentar novamente enganar Shiva assumindo a forma de Parvati, foi morto pelo deus com seu Trishula. Em certas interpretações, antes de morrer, Ādi teria implorado por perdão, obtendo de Shiva o moksha (libertação espiritual). Essa versão, contudo, não é amplamente atestada nas fontes purânicas, sendo a narrativa da morte decorrente da limitação da dádiva a mais difundida.


fontes:
  • WILLIAMS, G. M.; ABC-CLIO INFORMATION SERVICES. Handbook of Hindu mythology. Santa Barbara, Calif.: Abc Clio, 2003.
  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Adi (asura). Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Adi_(asura)>;
  • PURANA. The Matsya puranam. Part 2, Translation. New York: Ams Press, 1974.

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19 de abril de 2026

Zadquiel

۞ ADM Sleipnir

Arte de Feig

Zadquiel (em hebraico צָדְקִיאֵל, geralmente interpretado como “justiça/retidão de Deus” ou “Deus é minha justiça”) é um arcanjo tradicionalmente associado à misericórdia, à benevolência e ao perdão. Seu nome aparece em diversas variantes, como Tzadkiel, Zidekiel, Zadakiel, Zedekiel e Hesediel. Em algumas tradições posteriores, também é aproximado de Sachiel, embora nem todas as fontes considerem ambos como a mesma entidade.

Posição nas hierarquias angelológicas

Nas tradições rabínicas e cabalísticas, Zadquiel é frequentemente associado à ordem dos Hashmallim, que, em certos sistemas angelológicos, correspondem às Dominações da hierarquia cristã. Sua posição dentro dessa ordem, no entanto, varia conforme a fonte: algumas o apresentam como chefe ou uma de suas principais figuras, enquanto outras atribuem a liderança a nomes como Hashmal ou Zeraquiel

Na obra cabalística anônima Maseket Azilut (século XIV), Zadquiel — sob o nome Hesediel — é mencionado como co-chefe, ao lado de Gabriel, da ordem dos Shinanim (ou Shinnanim).


Zadquiel e o sacrifício de Isaque

Devido à sua associação com a misericórdia, algumas tradições identificam Zadquiel com o anjo bíblico sem nome que impede Abraão de sacrificar seu filho Isaque (Gênesis 22). Entretanto, essa identificação não é consensual. Outras tradições atribuem esse papel a Miguel, Tadiel ou a outro mensageiro celestial. á ainda interpretações que entendem o “Anjo do Senhor” desse episódio como uma teofania, isto é, uma manifestação direta de Deus, e não como um anjo distinto.

Abraão sacrificando Isaque, por Gerhardt Wilhelm von Reutern (1849)

Funções e atributos simbólicos

Em textos zoháricos e comentários posteriores, Zadquiel é descrito como um dos dois porta‑estandartes que seguem atrás do arcanjo Miguel em batalha, sendo o outro geralmente identificado como Jofiel. 

Na iconografia e nas tradições esotéricas, Zadquiel é associado à cor violeta, símbolo de espiritualidade, transformação e graça, e é frequentemente representado segurando uma lâmina curta, como faca ou punhal.

No misticismo judaico e na magia ritual ocidental, Zadquiel é tradicionalmente ligado ao planeta Júpiter, cuja simbologia envolve expansão, justiça e benevolência. Ele também é associado à quarta sefirá da Árvore da Vida, Chesed, que representa a misericórdia, a graça e o amor divino em sua dimensão mais generosa.


fontes:
  • Zadiel. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Zadiel>;
  • Zadkiel. Disponível em: <https://thegospelchurch.weebly.com/zadkiel.html>. Acesso em: 6 abr. 2026.
  • GUSTAV DAVIDSON. A dictionary of angels : including the fallen angels. [s.l.] Simon & Schuster, 1994.
  • GUILEY, R. The Encyclopedia of Angels. [s.l.] Infobase Publishing, 2004.
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18 de abril de 2026

Ceasg

۞ ADM Sleipnir


Ceasg é uma espécie de sereia do folclore escocês, descrita como tendo a parte superior do corpo de uma mulher e a inferior de um grilse (salmão jovem) Nas Terras Altas da Escócia, também é conhecida pelos nomes gaélicos maighdean na tuinne (“donzela da onda”) e maighdean mhara (“donzela do mar”). Diferentemente de muitas sereias associadas exclusivamente ao oceano, as ceasg são consideradas anfíbias, habitando o mar, rios, riachos e lagoas. Em várias tradições, podem ser capturadas por humanos e, nesse caso, são obrigadas a conceder três desejos antes de serem libertadas — um motivo recorrente no folclore feérico. O encontro com essas criaturas, porém, não é necessariamente benéfico: em alguns relatos, elas atraem ou matam humanos que entram em seu domínio aquático.


Certas histórias atribuem às ceasg características monstruosas. Há versões em que ela engole o herói, que permanece vivo até conseguir escapar com auxílio externo. Nesses relatos, sua vida não reside no corpo, mas em um objeto oculto — geralmente um ovo ou uma concha — cuja destruição é a única forma de matá-la. Também existem narrativas de uniões entre as ceasg e humanos. A criatura pode assumir forma humana e viver em terra, sendo associada à origem de linhagens de pescadores e navegadores. Mesmo após retornar ao mar, ela mantém ligação com seus descendentes, protegendo embarcações e indicando áreas de pesca.

O folclorista Donald MacKenzie (1873-1936) sugeriu que a ceasg pode derivar de uma antiga divindade marinha associada a sacrifícios humanos, hipótese essa baseada em paralelos com outras tradições.


fontes:

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16 de abril de 2026

Kage-nomi no Ryū

۞ ADM Sleipnir

Kage-nomi no Ryū (japonês 影呑みの竜, “dragão devorador de sombras”) é um yokai do folclore japonês, associado a presságios de morte, e originário da antiga cidade de Shirotori, hoje parte de Higashikagawa, na província de Kagawa, na ilha de Shikoku. Segundo a tradição local, ele habita um lago situado no templo Senkō-ji, conhecido como o lago de BenzaitenDiz-se que, quando uma pessoa se aproxima da água e sua sombra aparece refletida na superfície, o Kage-nomi no Ryū pode engoli-la. A vítima não sofre nenhum efeito imediato, mas passa a estar destinada a morrer prematuramente. 

Não existem descrições claras sobre a aparência do Kage-nomi no Ryū. Ele raramente é visto, permanecendo oculto sob a água. Sua presença é percebida apenas pelo desaparecimento da sombra refletida.

A crença por trás da lenda está ligada à ideia de que a sombra representa parte da essência vital de uma pessoa. Perdê-la seria, portanto, um sinal de que sua vida foi encurtada. Como em muitas histórias desse tipo, o relato também pode ter servido como alerta para evitar que pessoas se aproximassem de lagos profundos, especialmente em áreas consideradas sagradas.


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Ruby