5 de fevereiro de 2026

Knockers

۞ ADM Sleipnir

Os Knockers são criaturas míticas do folclore britânico, associadas principalmente às minas subterrâneas do País de Gales, da Cornualha e de partes da Inglaterra. Tradicionalmente descritos como espíritos semelhantes a gnomos, eles ocupam um lugar importante nas crenças de comunidades mineradoras, sendo vistos tanto como presságios de perigo quanto como possíveis guias para a descoberta de veios minerais. Com a migração de mineiros britânicos para a América do Norte, tornaram-se conhecidos nos Estados Unidos pelo nome de Tommyknockers.

Origem e interpretações

As origens da crença nos Knockers remontam ao folclore galês, de onde se difundiram para a Cornualha e outras regiões mineradoras do Reino Unido. Acreditava-se que os sons característicos produzidos por essas entidades, percebidos como batidas rítmicas nas paredes das minas, indicavam a presença de depósitos ricos de estanho ou serviam como avisos sobrenaturais. Uma interpretação amplamente difundida afirma que os Knockers seriam os espíritos de mineiros mortos em acidentes subterrâneos. Na Cornualha, em particular, existia a crença de que seriam os fantasmas de mineiros judeus que trabalharam nas minas entre os séculos XI e XII. Outras tradições os descrevem simplesmente como espíritos das minas, sem uma origem humana definida.

Arte de Joey Barton

Aparência

Fisicamente, os Knockers são descritos como criaturas de pequena estatura, medindo cerca de dois pés de altura, com cabeças desproporcionalmente grandes e braços longos que quase tocam o chão. Sua pele é frequentemente retratada como enrugada ou desgastada, conferindo-lhes a aparência de pequenos homens idosos. Vestem versões reduzidas das roupas tradicionais de mineiros e costumam portar ferramentas como picaretas e lampiões, reforçando sua ligação direta com o ambiente subterrâneo e o trabalho mineral.

Comportamento

O comportamento atribuído aos Knockers varia conforme a tradição local. Entre os mineiros, havia divergência quanto às intenções dessas entidades. Alguns acreditavam que suas batidas eram tentativas de provocar desabamentos, enquanto outros afirmavam que os sons indicavam locais mais promissores para a mineração. Uma visão bastante difundida sustenta que as batidas serviam como alertas de colapsos iminentes, funcionando como um sistema sobrenatural de aviso. Em geral, os Knockers eram considerados inofensivos ou até benevolentes, embora conhecidos por suas travessuras, como esconder ferramentas, roubar comida ou apagar velas. Em versões mais sombrias do mito, dizia-se que podiam provocar incêndios nos túneis.

Arte de Rather-Drawn

Crenças religiosas e oferendas

Também se acreditava que os Knockers não suportavam símbolos cristãos, especialmente o sinal da cruz, desaparecendo quando confrontados com ele, desde que estivessem fora da vista direta dos humanos. Para manter essas entidades satisfeitas e evitar infortúnios, os mineiros costumavam fazer pequenas oferendas, como lançar o último pedaço de comida nas minas, frequentemente um pastel típico conhecido como pasty. Esse gesto era interpretado como uma forma de respeito e gratidão pela proteção ou pelos avisos recebidos.

Equivalentes em outros folclores

Os Knockers possuem equivalentes em outros folclores europeus, como os coblynau do País de Gales, os brownies da Escócia e da Inglaterra e os leprechauns da Irlanda, além de espíritos mineradores do folclore germânico. Todos compartilham características semelhantes, como a pequena estatura, a associação com o trabalho humano e um comportamento ambíguo, alternando entre auxílio e travessura. 


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4 de fevereiro de 2026

Dragão da Caverna dos Suspiros

۞ ADM Sleipnir


O Dragão da Caverna dos Suspiros é uma criatura lendária do folclore brasileiro, associada às tradições populares do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Sua lenda está ligada às histórias sobre o suposto tesouro oculto do pirata escocês William Kidd, conhecido como Capitão Kidd, e mescla elementos da tradição europeia dos dragões com narrativas locais transmitidas oralmente ao longo dos séculos.

A Caverna dos Suspiros e o dragão

A chamada Caverna dos Suspiros, também conhecida como Caverna do Funil, consiste em um conjunto de fendas escavadas pela ação constante do mar. Essas aberturas conduzem a um amplo salão interno, frequentemente atingido por ondas violentas. O acesso difícil, o ambiente escuro e as áreas constantemente alagadas contribuíram para a reputação perigosa do local no imaginário popular.

É nesse cenário hostil que, segundo a tradição, habita o dragão. Descrito como uma criatura de grandes asas, corpo serpentino coberto por escamas resistentes e garras afiadas, o Dragão da Caverna dos Suspiros seria capaz de expelir fogo pelas narinas ou pela boca, mesmo em um ambiente tão próximo ao mar. Relatos populares mencionam rugidos intensos vindos do interior da caverna, além de clarões semelhantes a chamas refletidas na água, fenômenos que reforçariam a crença em sua presença.

O nome da caverna estaria relacionado aos sons que ecoam em seu interior, produzidos pelo choque das ondas contra as rochas. Esses ruídos, interpretados como suspiros, lamentos ou rugidos, passaram a ser associados diretamente ao dragão, fortalecendo o caráter sobrenatural atribuído ao local. Algumas versões da lenda afirmam que pessoas que tentaram explorar a caverna teriam desaparecido ou sido mortas pela criatura.


Origem da lenda e narrativas associadas

A origem da lenda do Dragão da Caverna dos Suspiros remonta aos relatos sobre a possível passagem de Capitão Kidd pelas proximidades de Fernando de Noronha no final do século XVII. Embora não existam registros históricos conclusivos que confirmem sua presença no arquipélago, a tradição oral sustenta que, durante sua fuga das autoridades britânicas e de antigos aliados, o pirata teria utilizado a caverna para esconder parte de sua fortuna, composta por ouro, moedas, joias e pedras preciosas obtidas em saques no Atlântico.

Com o passar do tempo, a narrativa do tesouro oculto passou a incorporar elementos fantásticos, culminando na associação da caverna à figura do dragão, que teria assumido o papel de guardião da riqueza escondida. Essa função remete diretamente aos dragões da mitologia europeia medieval, tradicionalmente descritos como criaturas que acumulam e protegem tesouros, muitas vezes amaldiçoados ou proibidos aos homens.

Entre as histórias mais recorrentes, destaca-se a de que o dragão teria raptado a filha de um antigo prisioneiro da ilha, mantendo-a em seus domínios por longos anos. Outras versões afirmam que aventureiros, pescadores e piratas que tentaram recuperar o tesouro jamais retornaram, tornando-se vítimas ou prisioneiros da criatura. Esses relatos contribuíram para consolidar a fama da caverna como um local amaldiçoado e evitado pela população.

Apesar dessas narrativas, a tradição também sustenta que o Capitão Kidd teria conseguido esconder seu tesouro na caverna sem jamais se deparar com o dragão. Ele, contudo, nunca teria retornado para recuperá-lo, possivelmente em razão de sua captura e execução em Londres, no ano de 1701, deixando para trás uma fortuna perdida e um legado envolto em mistério, medo e imaginação popular.


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3 de fevereiro de 2026

Tulevieja

۞ ADM Sleipnir

Tulevieja (também grafada Tulivieja; conhecida como Tepesa entre o povo indígena Ngäbe-Buglé) é uma entidade sobrenatural do folclore da Costa Rica e do Panamá. Seu nome vem do espanhol e pode ser traduzido como “velha do tule”, em referência ao chapéu tradicional feito dessa planta que a personagem costuma usar.

A Tulevieja é geralmente descrita como um espírito feminino ligado à natureza, especialmente a rios, florestas e áreas rurais, sendo uma figura comum em narrativas orais dessas regiões.

Aparência

A aparência da Tulevieja varia conforme a região, mas apresenta elementos recorrentes e perturbadores. Ela costuma ser descrita como uma mulher de baixa estatura e corpo robusto, com cabelos desgrenhados e seios grandes, que em muitas histórias escorrem leite constantemente.

Arte de Mato Klaric


Diversos relatos atribuem a ela asas de ave ou de morcego, semelhantes às de uma harpia, além de pernas deformadas ou invertidas, lembrando as de uma ave de rapina. Um detalhe marcante em várias versões da lenda é a presença de formigas que a seguem, alimentando-se do leite que cai no chão enquanto ela caminha.

Lenda

A lenda da Tulevieja geralmente envolve temas de culpa, punição e transformação sobrenatural. Segundo as versões mais conhecidas, a lenda fala de uma jovem considerada bela que manteve um relacionamento secreto dentro de sua comunidade e acabou engravidando. Após o nascimento da criança, ela teria cometido infanticídio, afogando o bebê em um rio.

Como castigo divino ou sobrenatural, a mulher foi transformada em uma criatura monstruosa. Em algumas variantes, ela também se afoga antes de retornar como espírito. Após essa transformação, a Tulevieja passa a vagar eternamente, espalhando medo entre os moradores das áreas por onde aparece.

Relação com La Llorona

Em certas regiões, a Tulevieja foi associada ou misturada à figura de La Llorona, personagem famosa do folclore latino-americano. Nessas versões, ela procura crianças para amamentar e, por vezes, chega a raptá-las.

Outras interpretações a veem como um espírito vingador, que pune homens considerados irresponsáveis, sedutores ou maus pais. De acordo com a tradição oral, uma das poucas formas de escapar de seus ataques é recitar uma oração específica, cujo conteúdo varia conforme a localidade.

Influências mitológicas indígenas

A lenda da Tulevieja apresenta fortes influências da cosmologia talamanquenha, especialmente de Itsö, um espírito associado às montanhas, ao vento, à chuva e às forças da natureza. Em algumas tradições indígenas, Itsö exigia o direito de devorar os primeiros seres humanos como recompensa pela ajuda dada a Sibú, a principal divindade criadora dessa cosmologia.

Com o passar do tempo, esses elementos indígenas se misturaram a valores morais introduzidos após a colonização, dando origem à figura atual da Tulevieja. Assim, a entidade pode ser entendida como o resultado de um processo de sincretismo, combinando crenças pré-colombianas com narrativas morais do folclore cristianizado.

Arte de @fann_angels

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2 de fevereiro de 2026

Jimeng

۞ ADM Sleipnir


Jimeng (chinês 計蒙) é uma divindade da mitologia chinesa, associada às águas profundas e a fenômenos climáticos intensos, como tempestades e redemoinhos. Ele é descrito no Shan Hai Jing (chinês: 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como um ser de forma híbrida, com corpo humano e cabeça de dragão, sendo tradicionalmente apresentado como habitante do monte Guangshan (chinês 光山).

Além de sua morada montanhosa, Jimeng também é descrito como frequentador das profundezas do rio Zhang, conhecido em algumas fontes como Zhangshui (chinês 漳水). Segundo os relatos, sua movimentação nas águas — seja ao emergir, submergir ou circular em áreas profundas do rio — está sempre associada à ocorrência de ventos fortes, redemoinhos e tempestades.



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1 de fevereiro de 2026

Kayeri

۞ ADM Sleipnir

Os Kayeri (também Kayéri ou Cayerisão uma espécie de criatura pertencente ao folclore do povo Cuiba (ou Cuiva), da Colômbia e da Venezuela. São geralmente descritos como seres humanoides dotados de características que remetem a cogumelos, especialmente o “chapéu” (píleo). Produzem ainda um único som característico, descrito como “mu”.

Os Kayeri são criaturas sazonais, podendo ser vistos principalmente durante as estações chuvosas, sobretudo logo após chuvas recentes. Nos períodos mais secos, permanecem no subsolo ou sob as raízes das árvores, utilizando os túneis escavados por formigas para alcançar a superfície. A presença incomum de formigueiros durante a estação chuvosa é considerada um sinal claro da atuação de um Kayeri na região.

Descritos como seres extremamente fortes e velozes, os Kayeri alimentam-se exclusivamente de gado bovino. São capazes de capturar uma vaca inteira e fugir com ela com facilidade. Durante a alimentação, consomem a carne, as entranhas, os chifres, os cascos e até os ossos em uma única refeição, não deixando quaisquer restos.

Arte de Francesco Mazziotta

Os Kayeri machos são descritos como bigâmicos por natureza, possuindo duas esposas cada. Além disso, demonstram predileção por mulheres humanas, que encantam e enfeitiçam para atraí-las. Para além de dizimarem rebanhos de gado, são associados a roubos, assassinatos, sequestros, estupros e a diversos outros atos maléficos.

Segundo a tradição, a forma mais eficaz de matar um Kayeri é atingindo seus rins com uma flecha cuja ponta seja feita de osso, uma vez que a criatura é considerada amplamente invulnerável em outras partes do corpo. Após a morte, o Kayeri transforma-se em uma pedra inofensiva.

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31 de janeiro de 2026

Teliavelis

۞ ADM Sleipnir

Teliavelis (ou Televelis, também conhecido como Telavel, Teljavel, Kalvis, Kalvaitis, Kalvelis ou Kalējs) é um deus ferreiro da mitologia lituana e báltica. Ele é conhecido principalmente por seu papel na forja do Sol, que, segundo relatos antigos, teria sido moldado a partir de um metal incandescente e lançado ao céu, devolvendo a luz ao mundo.

Na tradição pagã lituana, Teliavelis não é um deus solar propriamente dito, mas um artesão divino associado à criação do Sol e ao poder transformador da forja. Ele aparece como auxiliar de Perkūnas, o deus do trovão, para quem fabrica objetos sagrados, como um cinto de prata e estribos de ouro destinados aos Dievo sūneliai (“filhos de Dievas”). Seu culto permaneceu ativo até aproximadamente o século XV, período da cristianização da Lituânia.

A figura de Teliavelis está intimamente ligada ao surgimento da metalurgia na região báltica, especialmente durante a Idade do Bronze. O ferreiro, capaz de dominar o fogo e transformar a matéria, era visto como um agente quase cósmico, o que explica sua associação com a criação de um dos elementos centrais da ordem do mundo: o Sol.

Nome e significado

O nome Teliavelis aparece em fontes escritas do século XIII. Na mitologia lituana, seres conhecidos como velniai teriam sido os primeiros a dominar a arte da forja antes dos humanos. Um deles, Velnias, está associado à terra, ao mundo subterrâneo e à criação por meio do trabalho do metal, o que levou alguns estudiosos a interpretar Teliavelis como um ferreiro de caráter ctônico.

As interpretações etimológicas do nome variam: ele já foi entendido como “deus da Terra”, “deus do caminho” ou como um nome influenciado por tradições escandinavas. No lituano moderno, kalvis significa “ferreiro” e deriva do verbo kalti (“martelar”), preservando na língua a memória dessa antiga divindade.

Na mitologia

Relatos antigos associam Teliavelis a histórias sobre a perda e a recuperação da luz do Sol. O teólogo Jerônimo de Praga registrou que certos povos lituanos veneravam o Sol e um grande martelo. Segundo essas tradições, o Sol teria sido aprisionado por um rei poderoso, fazendo o mundo permanecer na escuridão por vários meses. Para restaurar a luz, forças cósmicas usaram o grande martelo para libertar o Sol de uma torre e devolvê-lo ao céu.

Uma lenda parecida, registrada por Marija Andziulytė-Ruginienė, conta a história de um jovem aprisionado por um dragão em um reino escuro. Nesse lugar, ele descobre uma família real trancada dentro de um baú com várias fechaduras. Usando um martelo, o jovem quebra as fechaduras e liberta os prisioneiros. Ao abrir o baú, uma luz intensa do Sol se espalha, e o jovem acaba ficando cego devido ao brilho.

Teliavelis é frequentemente comparado a outros ferreiros míticos, como Hefesto na mitologia grega, Völundr nas tradições germânicas e Ilmarinen na mitologia fino-careliana. Sua relação com Perkūnas, o deus do trovão, lembra a relação entre Hefesto e Zeus na Grécia Antiga.



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Ruby