25 de fevereiro de 2026

Porca dos Sete Leitões

۞ ADM Sleipnir


A Porca dos Sete Leitões é uma lenda do folclore brasileiro bastante conhecida nas regiões centrais e no sul do país, especialmente em cidades do interior e áreas rurais. A história fala de uma porca sobrenatural que aparece durante a madrugada, sempre acompanhada de sete leitões. Ela costuma surgir em lugares escuros e pouco movimentados, como ruas desertas, becos, encruzilhadas e arredores de igrejas. Sua presença é marcada por sons fortes: a porca ronca de maneira assustadora, enquanto os leitões gritam ao seu redor, causando medo em quem passa pelo local.

Aparições e comportamento

De modo geral, a Porca dos Sete Leitões não machuca ninguém. Seu papel é mais o de assustar e confundir. Em muitas versões da lenda, ela costuma assombrar homens casados que voltam para casa tarde da noite, principalmente depois de festas ou encontros noturnos.

Quando a pessoa olha diretamente para a porca e seus filhotes, eles desaparecem de repente. Pouco depois, surgem novamente em outro ponto, repetindo esse vai-e-vem misterioso. Esse comportamento faz com que a aparição seja associada a sustos, quedas e até acidentes em estradas mal iluminadas.


Origem da lenda

A lenda tem origem em Portugal e foi trazida para o Brasil durante o período colonial. Em versões portuguesas, acredita-se que a porca seja o próprio Diabo ou uma forma usada por ele para assustar as pessoas. Isso está ligado à tradição cristã, que associa o porco a ideias como sujeira, gula e excessos. Em algumas histórias portuguesas, a criatura também pode se transformar em outros animais, o que reforça seu caráter sobrenatural.

Curiosamente, em vários países da Europa, o nome “A Porca e os Sete Leitões” também é usado para se referir a um grupo de estrelas no céu, formado pela estrela Aldebarã e o aglomerado das Híades, mostrando que a imagem da porca com seus filhotes é muito antiga e simbólica.

As Híades, ao lado da estrela Aldebarã

Versões brasileiras

No Brasil, a lenda ganhou diferentes explicações, dependendo da região. Segundo uma versão registrada em Cuiabá pelo etnólogo Karl von den Steinen, a porca seria o espírito de uma mulher castigada por ter interrompido uma gravidez. Cada leitão que a acompanha representaria um aborto, e sua condenação seria vagar pelas noites como punição.

Em versões do interior paulista, a história muda: a porca teria sido uma rainha ou baronesa cruel, que praticava muitas injustiças. Um feiticeiro, revoltado com suas atitudes, lançou uma maldição que a transformou em porca e seus sete filhos em leitões. Algumas narrativas dizem que o feitiço só será quebrado quando eles encontrarem um anel mágico enterrado, motivo pelo qual a porca passa a noite fuçando o chão.

Significado e interpretação

O estudioso do folclore Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, explica que a Porca dos Sete Leitões simboliza os excessos humanos, como a gula, os desejos descontrolados e comportamentos considerados imorais. Por isso, ela aparece justamente para pessoas que frequentam festas, bailes e lugares vistos como inadequados durante a noite.



fontes:




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24 de fevereiro de 2026

Katthveli

۞ ADM Sleipnir


Katthveli (“baleia-gato”, também chamada Katthvalur, Kettuhvalur, Kattfiskur (“peixe-gato”), Kisa (“gatinha”), Bísill (“felino”) ou Sea-cat (“gato-do-mar”), é uma das Illhveli (“baleias do mal”), grupo composto por dez baleias míticas que dizem terem vagado durante os tempos medievais pelas águas que rodeiam a Islândia. Em geral, ela é menor e menos destrutiva do que as demais Illhveli, e existem até relatos raros de exemplares que teriam sido parcialmente domesticadas. Mesmo assim, como todas as illhveli, sua carne é considerada imprópria para consumo, e acreditava-se que apenas dizer seu nome em voz alta no mar já seria suficiente para atraí-la. Por isso, falar sobre o Katthveli durante uma viagem marítima era visto como algo extremamente perigoso.

As descrições físicas da Katthveli variam bastante. Ele já foi comparado a uma foca, a um golfinho ou a uma pequena baleia, sempre com a parte da frente do corpo mais larga e a traseira mais estreita. Diz-se que tinha a boca de um leopardo, a força de um leão e a fome insaciável de um cão de caça. O nome “baleia-gato” vem dos longos bigodes peludos em seu focinho e dos sons que emitia: um ronronar suave ao soltar o ar, mas também miados e sibilos quando ficava agitado. Media cerca de oito metros de comprimento e apresentava um comportamento curioso, muitas vezes comparado ao de um gato. A cabeça era curta e arredondada, com saliências que lembravam orelhas. Possuía dentes pequenos e afiados na parte superior da boca e, segundo o relato de São Brandão, também presas semelhantes às de um javali. Seus olhos brilhavam de forma inquietante, as nadadeiras eram grandes e equipadas com garras curvas e perigosas. As cores variavam entre rosa, cinza, marrom escuro e padrões de coloração mais claros na parte inferior do corpo; um exemplar visto perto das Ilhas Faroé tinha o queixo claro e a pele com aspecto lanoso.

Há relatos de que Katthvelis costumavam nadar junto a grandes baleias e cardumes de peixes. Apesar de não serem enormes, eram considerados agressivos e cruéis, usando sua velocidade para passar por baixo das embarcações e virá-las. Uma delas teria perseguido um barco próximo às falésias de Skálanesbjarg, desistindo apenas quando os remadores conseguiram escapar. Outra surgiu em Héradsflói e permaneceu ao lado de um navio, impedindo os marinheiros de pescar e observando-os fixamente. Ninguém se atreveu a atacá-la com arpões, temendo provocar a criatura, que acabou mergulhando e desaparecendo ao anoitecer. Em outro caso, Ásmundur Helgason e seus companheiros foram atacados perto da ilha Seley: o animal bateu contra o barco e chegou a atravessar o casco com a cabeça. Após uma luta assustadora, conseguiram expulsá-la e alcançar terra firme. Já nas Ilhas Faroé, em Suðuroy, uma Katthveli saiu parcialmente da água, apoiou as nadadeiras na lateral de um barco e começou a sibilar, cuspir e tentar morder os tripulantes, até que um homem teve a ideia de colocar o cano da arma em sua boca e disparar, fazendo com que a criatura afundasse de volta ao mar.

São Brandão também conta ter encontrado um “gato-do-mar” do tamanho de um cavalo em uma pequena ilha. O animal teria sido levado ainda filhote por doze marinheiros peregrinos e, no início, era dócil e amigável. Com o passar do tempo, porém, cresceu rapidamente, tornou-se cada vez mais faminto e acabou devorando quase todos os marinheiros. Apenas um sobreviveu, refugiando-se em uma pequena igreja de pedra. Desesperado, ele rezou pedindo ajuda, e então uma grande baleia surgiu do mar, agarrou o gato-do-mar e o arrastou para as profundezas, onde os dois desapareceram.

Curiosamente, o peixe-lobo (Anarhichas lupus) era conhecido no inglês antigo como cat-fish ou sea-cat, o que pode ter ajudado a criar ou reforçar a lenda do Katthveli. Caso a criatura seja fruto de confusão ou exagero, estudiosos acreditam que a origem do mito possa estar na observação de grandes focas, como a morsa ou a foca-barbuda, reinterpretadas pelo imaginário medieval.



fonte:
  • ABOOKOFCREATURES. Katthveli. Disponível em: <https://abookofcreatures.com/2015/10/26/katthveli/>.

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23 de fevereiro de 2026

Goumang

۞ ADM Sleipnir

Goumang (chinês 句芒, Gōu Máng, também chamado Jumang) é uma divindade da mitologia chinesa ligada à primavera, ao crescimento da vida, à agricultura e à região leste do mundo. Ele representa o momento em que a natureza desperta após o inverno, quando as plantas brotam e a vida começa um novo ciclo. Por isso, seu culto sempre esteve associado ao plantio, à fertilidade da terra e aos rituais que marcam o início do ano agrícola.

Nos textos antigos, Goumang aparece de duas maneiras: como um deus propriamente dito e como um cargo ritual, conhecido como Oficial da Madeira (chinês 木正, Muzheng), dentro do sistema cosmológico dos Cinco Elementos (Wuxing). Essa dupla interpretação reflete a visão chinesa antiga de que o universo funcionava como uma grande ordem organizada, semelhante a um império governado por leis rituais. Além disso, Goumang é descrito como um shen (神), um espírito divino, ou como um si (司), um oficial responsável por administrar forças naturais específicas sob a autoridade de soberanos míticos.

Identidade e funções

Goumang é visto como o deus que garante o crescimento das plantas, a fertilidade da terra e a renovação da vida. O elemento madeira, ao qual ele está ligado, simboliza nascimento, expansão e vitalidade. Ao governar a primavera, Goumang assegura que o ciclo natural se renove e que a vida continue seu curso.

Por estar associado ao leste, direção do nascer do sol, ele também é considerado o regente do Oriente, ligado ao ritmo do tempo e às mudanças das estações. Em algumas tradições posteriores, Goumang é relacionado ao planeta Júpiter, que na astronomia chinesa regula os calendários e o fluxo do tempo, reforçando seu papel como guardião da ordem natural.

Origem e natureza divina

As fontes antigas não apresentam uma versão única sobre a origem de Goumang. Em uma tradição, ele é descrito como descendente do imperador mítico Shaohao (少昊, também chamado Di Zhi 帝摯), figura associada à organização do mundo e das direções cósmicas. Em outra interpretação, “Goumang” não seria originalmente um nome divino, mas o título de um cargo sagrado, o de Oficial da Madeira, exercido por um personagem chamado Zhong (重), parente — ou, segundo algumas fontes, filho — de Shaohao.

O texto histórico Zuozhuan (左傳) identifica Goumang com Zhong e afirma que ele era um dos quatro tios do imperador Shaohao. Já o comentário Zhouli zhushu (周禮注疏) diz que Zhong governava especificamente tudo o que dizia respeito ao elemento madeira. Com o tempo, essas versões se fundiram, fazendo com que Goumang fosse visto tanto como um deus independente quanto como uma função dentro da ordem divina do cosmos.

Aparência e iconografia

A descrição mais antiga de Goumang aparece no Shan Hai Jing (山海經, "Clássico das Montanhas e Mares"). Ele é apresentado como uma figura híbrida, com corpo de ave e rosto humano. Em algumas versões, suas pernas são formadas por dois dragões, símbolos do movimento, da força vital e das águas que alimentam a fertilidade da terra.

Essa aparência reflete crenças muito antigas, ligadas ao xamanismo e ao culto das aves, vistas como mensageiras entre o Céu e o mundo humano. Com o passar dos séculos, porém, sua imagem foi se tornando mais próxima do cotidiano. A partir da dinastia Qing, Goumang passou a ser retratado como um jovem pastor montado em um boi, segurando um chicote de salgueiro, símbolo do despertar da primavera e do início do trabalho no campo.

Relação com Fuxi

Goumang mantém uma ligação estreita com Fuxi (伏羲), também conhecido como Taihao (太皞), um dos grandes heróis culturais da tradição chinesa. Enquanto Fuxi é lembrado como um civilizador — inventor de técnicas, regras sociais e símbolos — Goumang aparece como seu auxiliar, ajudando a governar o leste e a estação da primavera.

Algumas lendas afirmam que ambos reinavam no extremo oriental do mundo, próximo à árvore sagrada Fusang (扶桑), local mítico onde o sol nasce. Em representações simbólicas, Goumang e Fuxi seguram instrumentos como o compasso, imagem da ordem cósmica e do equilíbrio entre natureza, tempo e sociedade.

Goumang como deus da vida

Além de sua ligação com a vegetação, Goumang também está associado à vida humana e à continuidade das famílias. O livro Mozi (墨子) relata um episódio em que Goumang aparece a um governante virtuoso e lhe apresenta uma filha de Taihao, prometendo-lhe muitos descendentes. Comentários posteriores esclarecem que esse governante era o Duque Mu de Qin, e não o de Zheng, como se pensava inicialmente.

Esse relato reforça a imagem de Goumang como uma divindade ligada à fertilidade, à prosperidade dos reinos e à legitimidade do poder. Em outras tradições, ele também recompensa governantes justos com longa vida, ampliando seu papel como símbolo do florescimento da vida em todos os sentidos.


Tradições históricas e atribuições culturais

Fragmentos do texto Suichaozi (隋巢子) descrevem Goumang como assistente do fundador da dinastia Xia, considerada a primeira dinastia da China. Isso mostra como sua figura foi integrada às narrativas sobre a origem da civilização chinesa. Já na obra genealógica Shiben (世本), Goumang é lembrado como o inventor da gaze (luo 羅), um tecido leve, associação simbólica entre o elemento madeira, o artesanato e o desenvolvimento cultural.

Culto e rituais

Desde a dinastia Han, Goumang passou a integrar os rituais oficiais do Estado, especialmente aqueles realizados no início da primavera. Sacrifícios eram feitos no lado oriental das capitais para pedir boas colheitas e manter a harmonia entre o Céu, a Terra e os seres humanos.

Com o tempo, sobretudo a partir da dinastia Song, sua figura se popularizou e passou a fazer parte das tradições do povo. Um dos rituais mais conhecidos era o açoite simbólico do boi da primavera, uma encenação que marcava o início do trabalho agrícola e celebrava o despertar das forças vitais da natureza.



fontes:


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22 de fevereiro de 2026

Tōri-akuma

۞ ADM Sleipnir

Arte de zatoumusi

Tōri-akuma (japonês 通り悪魔 ou とおりあくま, "demônio passageiro" ou "demônio do caminho", também conhecido pelos nomes Tōrimono (通り者, "o passageiro" ou "aquele que passa") e Tōrima (通り魔,  "demônio do caminho") é um yokai do folclore japonês associado a surtos súbitos de loucura, violência e comportamentos autodestrutivos. Ele aparece com frequência em relatos e ensaios do período Edo, sendo mencionado em obras como o Seji Hyakudan (事百談, "Cento de Conversas sobre Assuntos Mundanos") de Yamazaki Yoshishige (1796-1856), e o Kokin Zatsudan Omoide-zōshi (古今雑談思出草紙, "Livro de memórias de conversas antigas e modernas") de Ryūtei Tanehiko (1783-1842).

Natureza e Comportamento

Segundo a tradição, o Tōri-akuma não ataca diretamente suas vítimas. Sua ação consiste em manifestar-se brevemente diante de pessoas cuja mente se encontra dispersa, enfraquecida ou emocionalmente vulnerável, provocando forte perturbação espiritual por meio de visões repentinas. A crença popular afirmava que, ao se deixar afetar pela aparição, o indivíduo inevitavelmente enfrentaria desvario mental, agressividade extrema ou comportamentos autodestrutivos, como o suicídio. Aqueles que conseguiam manter a serenidade e o controle do espírito escapavam de sua influência, fazendo com que seus efeitos se deslocassem para outra pessoa da mesma vizinhança. Por essa razão, práticas de autocontrole mental e espiritual eram consideradas essenciais para evitar a ação do yokai.


Aparência

As descrições da aparência do Tōri-akuma variam conforme a fonte. Em relatos como os do Seji Hyakudan e do Kokin Zatsudan Omoide-zōshi, o yokai é descrito como um homem idoso, de cabelos desgrenhados, vestido com uma camisa branca chamada jūban e empunhando uma lança. Em outra passagem do Kokin Zatsudan Omoide-zōshi, ele assume a forma de dezenas de guerreiros armados, alinhados e encarando fixamente o observador. Há ainda registros em que se manifesta como chamas súbitas ou figuras humanas de comportamento inquietante.

Relatos Tradicionais

O Caso de Kawai Jirōbee

Segundo o Seji Hyakudan, um samurai chamado Kawai Jirōbee observou certa noite uma chama de aproximadamente três shaku (cerca de 90 centímetros a um metro) surgindo de um arbusto em seu jardim. Sentindo-se perturbado, deitou-se brevemente para recuperar o equilíbrio emocional. Ao olhar novamente, viu um homem de cabelos desgrenhados, vestido de branco, surgindo por cima do muro e brandindo uma lança. Kawai concentrou-se para acalmar o espírito e, ao olhar pela terceira vez, tanto a chama quanto o homem haviam desaparecido.

Pouco depois, o vizinho de Kawai sofreu um violento surto, atacando pessoas com uma espada. Kawai afirmou que o homem de branco era o Tōri-akuma, do qual escapara por ter mantido o controle da mente, ao contrário do vizinho, que teria sucumbido à entidade.

Kawai Jirōbee e o Tōri-akuma. Ilustração do Seji Hyakudan

O Samurai de Kaga

No Kokin Zatsudan Omoide-zōshi, relata-se que um samurai da província de Kaga, ao entardecer, viu mais de trinta guerreiros em armaduras, armados com lanças e naginatas, alinhados sobre o muro de sua casa e encarando-o intensamente. O samurai lançou-se ao chão e concentrou sua atenção no tanden, acalmando a mente até que a visão desaparecesse. Logo em seguida, um morador da casa vizinha enlouqueceu, feriu várias pessoas e acabou cometendo suicídio.

A Mulher de Yotsuya

Outro relato ocorre na região de Yotsuya, após um grande incêndio. Uma mulher observava a paisagem ao entardecer quando um idoso corcunda, de cabelos brancos, apoiado em um cajado e exibindo um sorriso inquietante, aproximou-se lentamente. Percebendo tratar-se de uma perturbação espiritual, a mulher fechou os olhos, acalmou a mente e recitou trechos do Sutra de Kannon (観音経). Ao abrir os olhos, a figura havia desaparecido. Pouco depois, a esposa de um médico da vizinhança sofreu um ataque repentino de loucura, interpretado como o deslocamento da ação do Tōri-akuma.

Uso Contemporâneo do Termo

Na língua japonesa moderna, o termo 通り魔 (tōrima) ainda é utilizado, mas com outro significado, passando a designar agressores que atacam pessoas aleatoriamente, especialmente em crimes sem motivação aparente. No passado, entretanto, acreditava-se que tais atos eram causados pela ação direta do Tōri-akuma.

Arte de 七海ルシア

fontes:


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21 de fevereiro de 2026

Walo

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Walo é um gigante mítico pertencente ao folclore maranao, povo austronésio do sul das Filipinas. Ele é conhecido como o guardião das almas humanas e habita os reinos celestiais, mais precisamente uma área do paraíso onde as almas de todos os seres humanos são mantidas.

Segundo a tradição, Walo é um ser de aparência assustadora, dotado de mil olhos, que lhe permitem vigiar tudo ao mesmo tempo, e oito cabeças cobertas de pelos, símbolos de força e poder. Apesar de sua forma imponente, ele não é visto como um ser maligno, mas como um guardião necessário, encarregado de proteger um espaço sagrado e manter a ordem espiritual.

Contexto mitológico

Na cosmologia maranao, o universo é organizado em sete camadas. Tanto a terra quanto o céu possuem sete níveis, habitados por diferentes tipos de seres. A sétima camada do céu corresponde ao paraíso, destino das almas após a morte.

Dentro do paraíso existe um local reservado onde as almas das pessoas vivas são guardadas em jarros bem fechados. Esse espaço é vigiado por Walo, cuja função é garantir que o ciclo da vida e da morte siga seu curso natural, sem interferências indevidas.

Arte de @thatguywithapen

Walo no épico Darangan

Walo aparece no Darangan (ou Darangen), o grande ciclo épico da tradição oral maranao, especialmente nos relatos ligados à morte e ao retorno do herói príncipe BantuganSegundo a narrativa, Bantugan era um príncipe virtuoso, admirado por sua beleza, coragem e bondade, o que despertou a inveja de seu irmão mais velho, rei do reino de Bumbaran. Durante uma de suas campanhas militares, o rei proibiu o povo de falar com Bantugan sob pena de morte. Ao retornar vitorioso e encontrar apenas silêncio e rejeição, o príncipe, profundamente entristecido, decidiu abandonar seu reino e partir em viagem.

Após longas jornadas, Bantugan chegou exausto às portas do Reino-Entre-Dois-Mares, onde caiu ao chão e morreu. Sua morte causou grande comoção, e até mesmo o rei, arrependido, lamentou profundamente o destino do irmão.

Movido pelo amor fraterno, Madale (ou Madali), irmão de Bantugan, decidiu descer ao domínio espiritual para recuperar sua alma. Acompanhado do rei, ele empreendeu uma jornada perigosa pelos céus, atravessando regiões de tempestades, fogo e calor extremo, até alcançar os portais mais altos do firmamento.

Nesse ponto da narrativa, os heróis chegam à região celestial onde se encontram as almas dos mortos, guardadas em recipientes. Com astúcia, Madale consegue distrair Walo e localizar a alma de Bantugan, aprisionada em um recipiente. Ele então retorna rapidamente ao mundo dos vivos e devolve a alma ao corpo do príncipe, que desperta como de um sono profundo. O retorno de Bantugan é celebrado por muitos dias, e mais tarde ele se casa com a princesa Datimbang, selando a restauração da harmonia.

Arte de @mark0riginals

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19 de fevereiro de 2026

Nun

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Nun (também chamado Nu, Nenu ou Nunu) é uma divindade primordial da mitologia egípcia, associada às águas caóticas e infinitas que existiam antes da criação do mundo. Ele representa o oceano primordial do qual surgiu o universo e do qual emergiram os deuses criadores. Diferentemente das divindades cultuadas nos templos, Nun não possuía sacerdócio próprio nem locais de adoração exclusivos, sendo compreendido sobretudo como uma força cósmica fundamental, presente em toda a criação.

Origem e papel na criação

Na teologia de Hermópolis, Nun ocupa posição central no mito da criação. Segundo essa tradição, o universo surgiu da interação de oito forças primordiais conhecidas como a Ogdóade, composta por quatro divindades masculinas (Amon, Heh, Kuk, além do próprio Nun) e suas respectivas contrapartes femininas (Amanunet, Hauhet, Kauket e Naunet). Nun e e Naunet, personificavam o elemento da água primordial, da qual todas as outras formas de existência se originaram.

Recorte de um relevo do Templo de Dendera, monstrado a Ogdóade de Hermópolis. No canto superior esquerdo estão o deus Heh e a deusa Hauhet; à direita estão Nun e Naunet. No canto inferior esquerdo estão Amon e Amaunet; à direita deles estão Kuk e Kauket.

Embora o Egito Antigo apresentasse diversos mitos de criação, todos concordavam que o mundo teve início nas águas de Nun. Algumas tradições afirmavam ainda que, ao final dos tempos, toda a criação retornaria a esse estado primordial, quando a ordem cósmica deixaria de existir.

Nun era considerado o mais antigo de todos os deuses e recebia o título simbólico de “Pai dos Deuses”. Esse título, porém, não indicava uma paternidade direta, mas sim sua precedência absoluta no tempo e sua função como fonte primordial da existência.

Relações com outros deuses

Em muitos mitos, o deus criador surge “dentro de Nun” ou a partir dele. Em Hermópolis, esse criador podia ser identificado com divindades como Thoth, Amon, Hórus ou , dependendo da tradição local. Já em Mênfis, Nun era associado ao deus criador Ptah, formando a divindade composta Ptah-Nun. Nessa concepção, Ptah teria se manifestado como Nun para dar origem à vida, ao crescimento e à ordem do mundo.

Na teologia tebana, sacerdotes defendiam que Amon foi o primeiro a emergir das águas de Nun, transformando-se no monte primordial e iniciando, a partir daí, o processo de criação dos demais deuses. Nessa visão, Nun permanecia como uma força poderosa, mas passiva, necessária para que a criação pudesse ocorrer.

Nun e o ciclo cósmico

Nun não simbolizava apenas o início do mundo, mas também a ameaça constante do retorno ao caos. Durante a cheia anual do rio Nilo, os egípcios acreditavam que o país se aproximava novamente de seu estado primordial, quando as águas cobriam a terra e a ordem da civilização parecia temporariamente suspensa.

Todas as águas — rios, mares e lagos — eram consideradas manifestações diretas de Nun. Por esse motivo, ele era visto como a fonte do Nilo e de sua inundação anual, essencial para a fertilidade do Egito. A presença simbólica de Nun também estava associada à fundação dos templos, uma vez que os egípcios utilizavam a água como referência para nivelar o terreno, ligando esse processo à ordem primordial.

Segundo a mitologia, todas as noites o deus solar Rá retornava ao abismo aquoso de Nun para ser regenerado antes de nascer novamente ao amanhecer. Estados como o sono, os sonhos, a embriaguez e a morte eram compreendidos como formas simbólicas de retorno temporário a esse abismo primordial. Em textos funerários como o Livro dos Portões, Nun aparece como uma figura colossal que ergue a barca solar das profundezas do caos e a conduz de volta ao céu.


Aspectos simbólicos e mitológicos

Apesar de sua ligação com o caos primordial, Nun não era visto como uma força destrutiva. Diferentemente da serpente Apep, inimiga de Rá e personificação do caos hostil, Nun possuía um aspecto protetor e equilibrador. Em diversos mitos, ele protege os deuses Shu e Tefnut das forças caóticas e atua como conselheiro divino em momentos de crise.

Em uma narrativa amplamente conhecida, quando os seres humanos passam a se rebelar contra os deuses, Rá consulta Nun sobre como agir. O deus primordial aconselha o envio do chamado “Olho de Rá”, identificado com a deusa Hathor, para punir a humanidade. Essa punição assume caráter destrutivo e, em algumas interpretações, é associada a uma grande inundação, reforçando a ligação simbólica entre Hathor e o poder das águas.

Culto e representações

Nun não possuía templos nem sacerdotes dedicados exclusivamente a ele. Ainda assim, estava simbolicamente presente no lago sagrado de todos os templos egípcios, representando a água primordial da qual a criação emergiu.

Na iconografia egípcia, Nun foi representado de diversas maneiras ao longo do tempo. Como membro da Ogdóade, aparecia frequentemente sob a forma de um sapo ou de um homem com cabeça de sapo, símbolo de regeneração e fertilidade. Em outras representações, era retratado como um homem barbado de pele azul ou verde, cores associadas à água, ao rio Nilo e à renovação da vida. Nessas imagens, Nun costuma surgir emergindo das águas primordiais ou sustentando a barca do deus solar, enfatizando seu papel no ciclo eterno da criação e da renovação cósmica. Em algumas representações menos comuns, ele assume uma forma andrógina, com seios pronunciados, destacando seu caráter gerador e sua função como fonte de toda a existência.

Arte de Galgannet


fontes:

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Ruby