5 de março de 2026

Jaguadarte

۞ ADM Sleipnir

Arte de Brian Valeza

O Jaguadarte (no original inglês, Jabberwock) é uma criatura fictícia criada por Lewis Carroll, apresentada no poema Jabberwocky, incluído no primeiro capítulo do livro Alice Através do Espelho e o que Ela Encontrou Por Lá (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There, 1871). Apesar de muitas vezes chamado incorretamente de “Jabberwocky”, esse é o título do poema, e não o nome da criatura.

O poema é considerado um dos maiores exemplos da literatura nonsense vitoriana, marcado pelo uso intenso de palavras inventadas (neologismos), pela musicalidade dos versos e pela grande dificuldade de tradução. A narrativa acompanha um jovem herói advertido a temer o Jaguadarte, que parte para caçá-lo no sombrio bosque de Tulgey Wood, armado com a lendária espada vorpal.

O poema Jabberwocky

À primeira vista, o poema pode ser lido como uma fábula clássica sobre um cavaleiro que derrota um monstro. No entanto, Carroll subverte essa simplicidade ao empregar linguagem absurda, criando palavras novas ou combinando termos existentes para gerar múltiplos sentidos. Esse estilo tornou Jabberwocky uma peça curta, porém extremamente influente, que fascinou leitores do século XIX e permanece viva no imaginário moderno.

Origem e contexto

A criação do Jaguadarte reflete o estilo peculiar de Lewis Carroll, conhecido por sua criatividade linguística e por explorar ambiguidades da linguagem. Alguns estudiosos sugerem que o Jabberwock pode ter sido inspirado em lendas locais da região de Sunderland, na Inglaterra, como a do Verme de Lambton. Carroll escreveu Jabberwocky enquanto visitava parentes que moravam próximos a essa região, embora a primeira estrofe do poema tenha sido concebida anos antes, o que torna essa relação incerta.

Descrição física

O poema não descreve o Jaguadarte de forma detalhada, mas menciona algumas características marcantes, como "olhos de fogo", "garras que agarram" e "bocarra que urra". Essa descrição vaga abre espaço para inúmeras interpretações visuais.

A primeira ilustração canônica da criatura foi feita por John Tenniel, ilustrador de Carroll. Nela, o Jaguadarte aparece como uma criatura híbrida e grotesca: corpo semelhante ao de um dragão, asas de morcego, cabeça barbuda com traços de peixe, antenas insetoides e garras tanto nos braços quanto nas asas, que também funcionam como patas dianteiras. Curiosamente, a criatura veste um colete. Essa imagem ajudou a consolidar o Jaguadarte como um monstro quimérico e ameaçador.

Jaguardarte por John Tenniel

Outros artistas optaram por representações mais próximas de um dragão tradicional, mas, independentemente do estilo, a ferocidade da criatura é sempre enfatizada.

Destino da criatura

Presumivelmente, o Jaguadarte habitava o Tulgey Wood até ser derrotado pelo herói anônimo do poema. Empunhando a espada vorpal, o jovem consegue decapitá-lo e retorna triunfante com sua cabeça, sendo celebrado por seu feito heroico.

Influência e cultura popular

O Jaguadarte tornou-se um ícone da literatura infantil e da cultura pop, aparecendo em adaptações literárias, músicas, paródias, jogos e filmes. No filme Alice no País das Maravilhas, dirigido por Tim Burton, a criatura surge como o desafio final da protagonista, que precisa derrotá-lo para provar que é a verdadeira Alice. Essa releitura levou muitos espectadores a conhecer o monstro fora do contexto literário original.


O poema Jabberwocky, assim como as histórias de Alice, adquiriu características de mito moderno, sendo constantemente reinterpretado e referenciado na cultura contemporânea.

Poema Jabberwocky (versão adaptada em português)

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, com olhos de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Arte de cobaltplasma


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4 de março de 2026

Obderikha

۞ ADM Sleipnir


Obderikha (em russo, обдериха, “aquela que esfola”) é um espírito feminino da casa de banhos tradicional (banya) no folclore camponês da região de Arkhangelsk, no norte da Rússia. Considerada a “dona” ou guardiã da banya, está associada à vigilância das regras e ao uso adequado desse espaço, que desempenhava um papel ritual fundamental na vida rural.

No imaginário popular, a Obderikha personifica a punição daqueles que entram na banya em horários impróprios ou desrespeitam suas normas. Segundo as crenças, ela arranha os infratores e pode até “arrancar-lhes a pele”, característica que explica seu nome, derivado de um verbo ligado à ideia de esfolar. Em diferentes regiões, a mesma entidade recebe denominações variadas, como oderyshok ou zaderikha, refletindo diferenças locais da tradição oral.


Aparência e manifestações

A aparência da Obderikha varia conforme os relatos populares. Ela pode surgir sob a forma de uma mulher adulta, com cabelos longos e soltos, dentes grandes e olhos muito afastados. Em outras narrativas, manifesta-se como uma criança, o que torna sua figura ainda mais perturbadora para os banhistas. Em geral, seu corpo combina características humanas e animais, sendo frequentemente descrita como peluda, com garras e pequenos chifres, aproximando-se de outros seres da chamada “baixa mitologia” eslava, composta por espíritos domésticos e entidades liminares.

Algumas tradições atribuem à Obderikha formas ainda mais variadas. Em certos relatos, ela aparece como um gato, geralmente ruivo ou cinza, com olhos grandes e brilhantes. Em outros casos, pode assumir formas inusitadas, como um tubo de casca de bétula rolando de uma banya para outra.


Origem, habitat e perigos

A origem da Obderikha está ligada à água, ao parto e à chamada “sujeira do nascimento”. De acordo com as crenças populares, numa banya recém-construída a Obderikha surge após o primeiro banho de um recém-nascido realizado naquele local. Em algumas regiões, acreditava-se que cada bebê lavado ali dava origem a uma nova Obderikha. Em outras, pensava-se que ela só aparecia depois que quarenta crianças fossem banhadas no mesmo espaço, número considerado simbólico na tradição local.

Dentro da banya, a Obderikha costuma habitar locais escondidos e pouco acessíveis, como debaixo do estrado, atrás da fornalha de pedras ou sob os bancos. É geralmente vista como um espírito perigoso, sobretudo para aqueles que permanecem na banya por tempo excessivo ou desrespeitam suas regras, sendo considerada particularmente ameaçadora para crianças pequenas. Algumas narrativas afirmam que a Obderikha pode “trocar” um bebê deixado sozinho na banya, explicando, no imaginário popular, doenças, deformidades ou mudanças inesperadas no comportamento infantil.

Aspecto protetor

Apesar de seu caráter temido, a Obderikha nem sempre é hostil. Em raros relatos, aparece como protetora do ser humano, defendendo-o de outras entidades consideradas impuras. Essa proteção, contudo, só ocorre quando a pessoa demonstra respeito pelo espaço da banya e por suas regras. Assim, a Obderikha expressa a dualidade típica dos espíritos domésticos do folclore eslavo: pode causar dano quando provocada, mas também oferecer proteção quando tratada com cuidado e reverência.

Arte de Tony Sart



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3 de março de 2026

Indrid Cold

۞ ADM Sleipnir

Arte de Jonathan Wesslund

Indrid Cold é uma figura descrita em relatos ocorridos principalmente entre 1966 e 1967, nos Estados Unidos. Ele é mais conhecido por sua ligação com os eventos de Point Pleasant, na Virgínia Ocidental, os mesmos que tornaram célebre o Homem-Mariposa (Mothman). O nome foi registrado e popularizado pelo jornalista e pesquisador John A. Keel (1930–2009) em seu livro The Mothman Prophecies (1975), com base em depoimentos de testemunhas. Ao longo das décadas, Indrid Cold também foi incorporado à cultura da internet, consolidando-se como uma lenda urbana moderna, frequentemente referido como o “Homem Sorridente” (The Smiling Man).

Descrição 

Os relatos descrevem Indrid Cold como um homem de aparência humana, alto, magro e de pele pálida, geralmente vestindo um terno de estilo antigo, frequentemente descrito como azul ou verde. Sua característica mais marcante é um sorriso largo, fixo e considerado perturbador. Testemunhas também mencionam olhos pequenos e muito abertos, além de um comportamento considerado socialmente inadequado ou artificial, como fala estranha, piscar de olhos retardado e aparente desconhecimento de convenções sociais básicas.

Casos e relatos

O caso mais conhecido envolvendo Indrid Cold ocorreu em novembro de 1966. Woodrow Derenberger (1916-1990), um vendedor que dirigia à noite por uma rodovia próxima a Parkersburg, Virgínia Ocidental, afirmou ter sido abordado após observar um objeto luminoso ou uma nave de formato incomum. Segundo seu depoimento, um homem saiu do objeto e se comunicou com ele por telepatia, identificando-se como Indrid Cold.

Derenberger relatou que a entidade afirmava ser originária de um local chamado Lanulos, não demonstrava intenções hostis e fazia perguntas sobre a humanidade e o comportamento humano. Posteriormente, ele alegou ter mantido contatos recorrentes com Indrid Cold, inclusive visitas à sua casa, e afirmou, sem comprovação, ter sido levado por ele a outro planeta durante um período prolongado.

Além do caso de Derenberger, surgiram outros relatos atribuídos ao mesmo período. Algumas testemunhas afirmaram ter recebido telefonemas estranhos, nos quais um homem com fala incomum abordava temas relacionados ao espaço, ao futuro e à natureza humana. Em determinados depoimentos, essas comunicações foram interpretadas como alertas sobre eventos futuros, embora nenhuma previsão verificável tenha sido confirmada de forma independente. Há também relatos de aparições noturnas envolvendo famílias e crianças, nos quais um homem alto e sorridente teria sido visto dentro de residências, desaparecendo subitamente sem deixar vestígios.

John A. Keel, responsável por investigar os acontecimentos paranormais em Point Pleasant, afirmou ter recebido contatos atribuídos a Indrid Cold durante suas pesquisas. Segundo Keel, em uma dessas comunicações, Cold teria alertado sobre uma tragédia iminente. Pouco tempo depois, em dezembro de 1967, ocorreu o colapso da ponte Silver Bridge, que resultou na morte de 46 pessoas. Não existem registros independentes que confirmem a autenticidade desses contatos ou qualquer relação causal entre os avisos e o desastre.

Arte de Chad Lewis

Interpretações e explicações

Não há fotografias, evidências físicas ou registros oficiais que comprovem a existência de Indrid Cold. Todas as informações disponíveis baseiam-se em relatos anedóticos, principalmente os compilados por John A. Keel. As explicações céticas incluem erro de identificação, alucinação, estresse psicológico, farsas deliberadas e contágio social, influenciado pelo contexto da Guerra Fria, período marcado por ansiedade coletiva, medo nuclear e intensa atenção a relatos de OVNIs.

Dentro da ufologia, Indrid Cold é frequentemente classificado como uma variação dos chamados Homens de Preto (Men in Black). No entanto, ele difere das descrições tradicionais desse grupo por não demonstrar comportamento intimidador nem associação explícita com autoridades governamentais, sendo muitas vezes retratado como estranhamente cordial ou neutro.

Cultura popular e lenda urbana

A partir da década de 2010, Indrid Cold passou a ser amplamente associado ao arquétipo do Homem Sorridente devido à viralização de uma história publicada no Reddit em 2012, conhecida como The Smiling Man. Embora essa narrativa descreva um perseguidor humanoide de comportamento errático e ameaçador, ela não possui ligação direta comprovada com os relatos ufológicos da década de 1960. Ainda assim, o texto contribuiu para a consolidação da imagem moderna de Indrid Cold no imaginário popular da internet.

Arte de Jonathan Wesslund


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2 de março de 2026

Bida

۞ ADM Sleipnir

Arte de Gonzalo Kenny

Bida é uma criatura mítica da tradição oral do povo soninke (soninquê), ligada ao antigo reino de Wagadu, também conhecido como Império de Gana. Trata-se de um espírito tutelar em forma de grande serpente — cujo nome pode significar “boa” ou “píton” em soninquê — associado à proteção do reino e da linhagem governante dos Cissé. A morte de Bida é tradicionalmente empregada nas narrativas como explicação mítica para o declínio de Wagadu. Como ocorre em tradições orais, o mito apresenta numerosas variantes regionais, linguísticas e étnicas.

Descrição física

A descrição física de Bida não é uniforme. Em muitas versões, ela aparece simplesmente como uma serpente gigantesca ou píton sagrada. A representação de Bida como uma serpente de múltiplas cabeças — por vezes sete — pertence a variantes orais específicas, especialmente em tradições mandingas e diúla. Nessas versões, a serpente pode emergir do poço revelando suas cabeças sucessivamente antes de devorar a vítima, reforçando o simbolismo ritual do número sete.

Origem e papel mítico

Segundo as tradições soninquês, a origem do pacto com Bida remonta ao seu ancestral, Dinga, que teria migrado do norte da África para a região do Sahel. Seu filho, Dyabé (ou Diabé), ao se estabelecer em Wagadu, firmou uma aliança com a serpente Bida, que passou a proteger o reino e sua dinastia. Em troca, a comunidade deveria oferecer regularmente o sacrifício da jovem virgem mais bela da região, escolhida ritualmente.

Bida era concebida como habitando um local sagrado — frequentemente um poço ou aquífero próximo à capital, Kumbi Saleh — e controlava forças vitais ligadas à chuva, à fertilidade da terra e à abundância do ouro. O cumprimento do pacto assegurava a prosperidade do reino; sua violação, por outro lado, acarretaria consequências catastróficas.

A periodicidade e os detalhes do sacrifício variam conforme a versão: em algumas narrativas, ele ocorria anualmente ao fim da estação seca, presidido pelo soberano de Wagadu (o Kaya Maghan), e envolvia procissões rituais e trajes cerimoniais específicos.

Arte de Rahif El Mehdi


O sacrifício e a ruptura do pacto

Uma das variantes mais difundidas do mito envolve Siya Yatabaré (ou Sia Jatta Bari)a mais bela e pura jovem de sua geração. Embora estivesse prometida em casamento, ela foi escolhida para ser oferecida a Bida, conforme o costume. Ela estava prometida em casamento a um homem chamado Amadi, Mamadi ou Maadi (conforme a tradição local). Recusando-se a aceitar a morte da noiva, ele se escondeu próximo ao local sagrado onde ocorreria o ritual.

Quando Bida emergiu para devorar a jovem, Amadi atacou a serpente e a matou — em algumas versões, decapitando-a; em outras, golpeando-a repetidamente. Esse ato rompeu definitivamente o pacto que sustentava a prosperidade de Wagadu.

Variantes da lenda atribuem a morte da Bida não ao noivo de Siya Yatabaré, mas ao pai da jovem, Yiramakan

A maldição de Bida

Antes de morrer, Bida lançou uma maldição sobre Wagadu. Segundo a versão mais recorrente da lenda, a serpente anunciou que, por sete anos, sete meses e sete dias, não cairia chuva nem haveria ouro no reino. Com a morte de Bida, o pacto foi definitivamente rompido.

A tradição oral interpreta esses eventos como a causa da decadência de Wagadu e da dispersão dos soninquês por outras regiões da África Ocidental. Em algumas variantes, partes do corpo de Bida transformam-se simbolicamente em jazidas de ouro em regiões vizinhas, explicando a posterior prosperidade de outros reinos da região.

Arte do livro  La légende du Ouagadou Bida, por Svetlana Amegankpoé

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1 de março de 2026

Hugag

۞ ADM Sleipnir


O Hugag é uma criatura lendária do folclore lenhador norte-americano, associada à região dos Grandes Lagos. É descrito como um animal de grande porte, superficialmente semelhante a um alce, porém dotado de características físicas incomuns e fantásticas.

Segundo as descrições folclóricas, o Hugag é um quadrúpede peludo que pode ultrapassar três toneladas de peso. Diferentemente dos alces, possui dedos em vez de cascos e uma cauda longa semelhante à de um cavalo. Sua cabeça é descrita como completamente sem pelos, contrastando com o restante do corpo, que é coberto por uma pelagem espessa. As orelhas são corrugadas, sendo frequentemente comparadas à cauda de uma anhinga, ave aquática da América do Norte. A função dessas características é desconhecida.


O Hugag apresenta um lábio superior anormalmente inchado, que se projeta quase até o solo. De acordo com o folclore, esse lábio é utilizado para raspar agulhas e pequenos galhos de pinheiros. Parte dessas agulhas seria consumida como alimento, enquanto o restante seria usado para revestir o corpo, substituindo os pelos naturais. As agulhas permaneceriam presas graças à resina de pinheiro, que escorreria dos poros do animal.

Uma das características mais distintivas do Hugag é a ausência de articulações nas pernas. Os quatro membros seriam completamente rígidos, impossibilitando qualquer tipo de flexão. Em razão disso, o animal se deslocaria de maneira desajeitada, balançando o corpo de um lado para o outro ao caminhar. De acordo com as narrativas, o Hugag seria incapaz de se levantar caso se deitasse, sendo assim obrigado a dormir em pé, apoiando-se contra árvores, especialmente os pinheiros dos quais se alimenta.

O folclore dos lenhadores também descreve um método específico utilizado para caçar o Hugag. Os caçadores identificariam os pinheiros usados pelo animal para descanso, reconhecíveis pela ausência de agulhas e pelo tronco inclinado. Essas árvores seriam então parcialmente serradas, de modo que permanecessem de pé, porém instáveis. Quando o Hugag voltava a se apoiar nelas, tanto a árvore quanto o animal cairiam ao chão, permitindo que os caçadores o abatessem enquanto estava indefeso.

Arte de Andy Vanderbilt

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28 de fevereiro de 2026

Apistotoke

 ۞ ADM Sleipnir


Apistotoke (também grafado como Apistotoki, Apisstotoki, A’pistotooki, entre outras variações; também conhecido como Ihtsipaitapiiyo’pa ou Ihtsipatapiyohpa, frequentemente traduzido como “Fonte da Vida” ou “Criador Sagrado”, e por vezes referido como o “Grande Espírito”) é o grande deus criador na cosmologia do povo Blackfoot, também conhecidos como Niitsitapi. Atualmente, a maior parte desse povo vive no território canadense, embora ainda existam comunidades nos Estados Unidos.

Apistotoke é concebido como um espírito divino sem forma física ou atributos humanos definidos. No folclore tradicional blackfoot, ele raramente é personificado, e não possui gênero — embora escritos modernos frequentemente o descrevam como masculino, essa atribuição não está presente nos relatos tradicionais em língua siksiká (blackfoot).

O nome Apistotoke significa literalmente “Nosso Criador” na língua siksiká. Seu outro nome amplamente utilizado, Ihtsipaitapiiyo’pa, pode ser traduzido como “Fonte da Vida”. O termo Apistotoke foi empregado como tradução da palavra “Deus” nas versões da Bíblia em língua blackfoot, e atualmente muitos membros do povo Blackfoot identificam seu Criador tradicional com o deus do cristianismo, refletindo um processo histórico de sincretismo religioso.

O mito de criação blackfoot

Segundo os mitos de criação do povo Blackfoot, Apistotoke criou a Terra e tudo o que nela existe. Ele disse à Terra, chamada Ksahkomitapi, que ela seria a mãe de toda a criação, e que todos os seres vivos dependeriam dela para existir.


Em seguida, Apistotoke criou o Sol, Natosi, e a Lua, geralmente chamada Kokomikis (havendo variações de grafia conforme o dialeto e a transcrição). Ao Sol, foi confiada a tarefa de fornecer luz e calor ao mundo. À Lua, foi atribuído o papel de governar a noite, juntamente com seus filhos, as estrelas (Kakatosiiks), que iluminariam o céu noturno.

Após concluir a criação, Apistotoke reuniu todos os seres para nomeá-los e aconselhá-los. Ele os instruiu a jamais esquecerem sua herança e a se lembrarem de que descendem das chamadas “Pessoas do Céu” (Spomi’tapiiks). Em algumas versões do mito, certos seres foram destinados a viver abaixo da terra, sendo chamados Stahtsitapiiks, enquanto outros foram designados para viver nas águas, recebendo o nome de Soyitapiiks.

Por fim, em algumas tradições, Apistotoke criou o primeiro homem, Napi, e a primeira mulher, Kipitaakii. Esses personagens tornaram-se importantes heróis culturais do povo Blackfoot. Em muitas narrativas, especialmente aquelas centradas em Napi, eles são responsáveis por grande parte da organização do mundo, da criação adicional dos seres humanos e pela transmissão de conhecimentos, costumes e valores à humanidade.

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Ruby