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30 de abril de 2021

Tsuchigumo

۞ ADM Sleipnir


Tsuchigumo (japonês 土蜘蛛 ou つちぐも, "aranha da terra", também chamada de yatsukahagi ou ōgumo,“aranha gigante") é uma espécie de yokai do folclore japonês, dita assumir a forma de aranhas gigantes e dessa forma serem capazes de devorar animais e até mesmo seres humanos. Além do seu enorme tamanho, estes yokais são ditos possuírem corpos com aparências similares a onis ou, mais comumente, tigres.

Tsuchigumo vivem nas florestas e montanhas, construindo suas moradas em tubos de seda dos quais eles emboscam as presas que passam por perto. Como outras aranhas-yokai, eles usam de ilusões e trapaças para atrair e enganar suas vítimas. Enquanto os Jorō-gumo usam sua sexualidade para seduzir homens jovens, os tsuchigumo possuem uma seleção mais ampla de truques, e, muitas vezes, também ambições maiores.


Lendas

Histórias envolvendo o lendário guerreiro Minamoto no Yorimitsu (também conhecido como Minamoto no Raikō) contêm numerosos encontros com um tsuchigumo. Em uma delas, um tsuchigumo se transformou em um jovem servo para administrar veneno na forma de remédio ao famoso guerreiro. Como suas feridas não estavam cicatrizando e o remédio parecia não estar funcionando, Yorimitsu suspeitou do crime. Ele então cortou o jovem servo com sua espada, e o mesmo fugiu correndo em direção à floresta. O ataque quebrou a poderosa ilusão que o yokai havia colocado em Yorimitsu, e ele descobriu que estava coberto por teias de aranha. Yorimitsu e seus homens seguiram o rastro de sangue até as montanhas, onde descobriram um aracnídeo gigantesco e monstruoso - morto pelo ferimento que Yorimitsu havia causado.

Em uma variação dessa história, Yorimitsu estava acamado com malária, quando um monge alto e estranho apareceu diante dele e tentou capturá-lo com uma corda. Apesar de estar doente, Yorimitsu desembainhou a espada e cortou o monge, que fugiu. No dia seguinte, Yorimitsu e seus quatro homens mais próximos seguiram a trilha de sangue deixada pelo monge até um monte localizado atrás do Santuário Kitano, em Kyoto, onde encontraram uma aranha com cerca de 1,2 metros de largura. Yorimitsu e seus homens a pegaram, perfuraram com um espeto de ferro e a expuseram ao leito de um rio, após o que a doença de Yorimitsu foi curada. 

A Aranha da Terra morto pelos retentores do herói Raiko (impressão em xilogravura a cores) de Utagawa Kuniyoshi

Em outra lenda, um tsuchigumo assumiu a forma de uma bela mulher guerreira e liderou um exército yokai contra o Japão. Yorimitsu e seus homens encontraram o exército yokai no campo de batalha. Com sua experiência em tais assuntos, Yorimitsu atacou primeiro a general do exército inimigo. Ao desferir um golpe e acertar a general, o seu exército inteiro desapareceu - eram todos apenas uma ilusão criada pela yokai. 

A tsuchigumo fugiu do campo de batalha e se refugiou numa caverna nas montanhas próximas. Yorimitsu e seus homens a seguiram, e ao entrar na caverna se depararam com uma aranha gigante. Com um golpe de sua espada, Yorimitsu abriu seu abdômen, e milhares de bebês aranhas do tamanho de bebês humanos saíram de sua barriga. Yorimitsu e seus homens mataram cada uma das aranhas e voltaram para casa vitoriosos.

"Raiko atormentado pela aranha da terra"(impressão em xilogravura a cores) de Utagawa Kuniyoshi

Outro uso para o nome

O nome Tsuchigumo também foi usado para se referir a grupos ou indivíduos no Japão antigo, como bandidos, que usavam táticas de guerrilha. Isso também se aplica a líderes ou clãs indígenas que resistiram à corte de Yamato à medida que ela se espalhava e consolidava seu controle sobre o Japão. Muitos desses grupos viviam em montes de terra ocos e podem ter usado cavernas como esconderijos. Há muita ambiguidade nas fontes e não está claro se o termo foi usado pela primeira vez para se referir à pessoas ou aos yokai.

Arte de Sa-chan1603

fonte:
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28 de abril de 2021

Cavalos de Ares

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Oriana Merendez

Os chamados Cavalos de Ares (grego: Ἱπποι Αρειοι, translit: Hippoi Areioi) são quatro cavalos imortais que puxavam a carruagem do deus da guerra Ares. Seus nomes eram Eton (grego: Αιθων, "ígneo"), Flogios (grego: ολογευς, "flamejante"), Conabos (grego: Κοναβος,"barulho conflitante") e Fobos (grego: Φοβος, "pânico"; homônimo do deus do medo).

Os quatro eram filhos de Bóreas (o deus que personifica o vento norte) com a erínia Tisífone, e conta-se que além de serem rápidos, esses cavalos expeliam chamas de suas narinas, o que tornava a chegada de Ares nos campos de batalha uma visão ainda mais assustadora.

Ares em sua carruagem puxada pelos Hippoi Areioi, e acompanhado da deusa Afrodite e do deus Eros. Vaso ateniense datado do séc. V a.C.

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26 de abril de 2021

Dodecaedros Romanos

۞ ADM Sleipnir

Os chamados dodecaedros romanos são pequenos objetos ocos de bronze ou pedra, medindo entre 4 e 12 cm de diâmetro e dotados de 12 faces planas e pentagonais, com orifícios de diâmetros variados em cada uma dessas faces e pequenas protuberâncias em cada uma de suas vértices. Cerca de 100 desses objetos, datados dos séculos III ou II a.C.. foram encontrados em regiões que estiveram sob a influência do império Romano, desde o País de Gales até o Mediterrâneo, com a maioria sendo descoberta na Alemanha e na França. 

A função e utilidade desses objetos permanece um mistério até os dias de hoje. Embora os romanos geralmente fossem meticulosos em manter registros escritos de tudo o que faziam, ninguém jamais encontrou um registro que citasse ou descrevesse para que esses objetos eram usados.

Diversos estudiosos modernos especularam ou tentaram deduzir para o que esses dodecaedros serviam. As teorias são muitas: castiçais; dados; armas de guerra; brinquedos; instrumentos de análise; mecanismos para determinar a época das colheitas; mecanismos utilizados para calibrar sistemas de canalização ou na confecção de cordas para navegação e ainda objetos para apoio de estandartes do exército. Uma teoria afirma ainda que eles podem ser uma espécie de artefato religioso ou astronômico, uma vez que muitos deles foram encontrados em templos.

Independente do propósito para o qual serviam, os dodecaedros eram objetos bastante comuns em todo o Império Romano. Até que seja encontrado algum registro escrito ou se descubra um desses dodecaedros dentro de um contexto no qual possa ser determinada a sua utilidade, eles permanecerão um mistério.

fontes:

  • https://pt.wikipedia.org
  • https://listverse.com/2014/11/08/10-authentic-historical-artifacts-no-one-can-explain
  • http://ancients-bg.com/the-roman-dodecahedrons

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23 de abril de 2021

La Sayona

 ۞ ADM Sleipnir

La Sayona é um espírito vingativo presente no folclore venezuelano, dito atacar homens que cometem ou pensam em cometer adultério. Ela é considerada uma versão ou contraparte mais violenta de outro espírito famoso no folclore latino, a Chorona (La Llorona).

Lenda

Sua lenda possui inúmeras variações, mas a mais famosa delas conta que La Sayona foi uma jovem mulher (chamada Casilda em algumas versões) casada e com um filho. Havia também um homem que estava apaixonado por ela, e procurando uma forma de acabar com seu casamento, fez chegar até ela a falsa notícia de que seu marido estava tendo um caso com sua própria mãe. Em um ataque de fúria, a mulher incendiou sua casa enquanto seu marido e seu filho dormiam, e enquanto eles morriam queimados, ela foi atrás de sua mãe e a matou usando um facão.

Arte de Traci Shepard

Antes de morrer, sua mãe, que era inocente assim como seu marido, a amaldiçoou condenando-a a vagar sem paz ou descanso, perseguindo homens infiéis para conquistá-los e depois matá-los. Desde então, a mulher tornou-se uma alma penada, obrigada a vagar por aí caçando homens adúlteros.

Aparência e Comportamento

La Sayona é geralmente descrita como uma mulher bela e sedutora, com longos cabelos pretos e trajando um vestido longo (chamado sayo, que por sinal é a origem de seu nome). Ela costuma aparecer para aqueles marcados como alvos na beira de estradas ou florestas, e os convence a acompanhá-la até um local mais afastado. 

Uma vez que estejam sozinhos, ela revela sua verdadeira aparência - um cadáver podre e esquelético - e ataca sua vítima, decepando sua genitália, aflinjindo-a com erupções cutâneas e furúnculos, ou em alguns casos sumindo com elas para sempre. 

Arte de Uran

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21 de abril de 2021

Hanuman

۞ ADM Sleipnir

Hanuman é o poderoso deus macaco hindu, e também um dos mais populares do hinduísmo, sendo adorado como um símbolo de força física, perseverança e devoção. De acordo com o RamayanaHanuman é um avatar do deus Shiva, nascido para auxiliar Rama (sétimo avatar de Vishnu) em sua missão. Ele também é um dos sete Chiranjivi ("imortais"), que segundo o hinduísmo, permanecerão vivos até o final desta era.

Nascimento  

Hanuman é considerado filho de Vayu, o deus do vento, e de Anjana, uma apsara que tinha forma de macaco devido a uma maldição, que só poderia ser anulada se ela desse à luz uma encarnação de Shiva. O nascimento de Hanuman está diretamente atrelado à história do rei de Ayodhya, Dasaratha. Dasaratha não tinha filhos e foi aconselhado pelo sábio Vashishta a realizar uma cerimônia com a qual pediria aos deuses que o favorecesse com filhos. Dasaratha então o fez, com grande pompa e piedade, e recebeu das mãos de Agni (ou Vishnu) uma tigela contendo um bolo (fontes diferentes falam de néctar, pudim entre outros, tratarei como bolo para facilitar a compreensão), o qual ele deveria compartilhar entre suas três rainhas. 


Dasaratha o fez, mas sua segunda rainha, a jovem Kaikeyi, recebeu sua parte por último, e sentindo-se afrontada, jogou o bolo fora. Um corvo (ou águia) pegou o pedaço de bolo e voou com ele no bico em direção à uma floresta do reino Kishkindha, onde Anjana e seu marido Kesari prestavam adoração à Shiva pedindo por um filho. Vayu, o deus do vento, soprou fortemente e fez com que o bolo caísse do bico do corvo e caísse nas mãos de Anjana. Então, o próprio Shiva apareceu diante dela e a instruiu a comer o bolo. Anjana obedeceu, e dessa forma engravidou e posteriormente deu à luz Hanuman, que era uma encarnação de Shiva, e dessa forma pôs fim a sua maldição.

Voltando à história de Dasaratha, sua esposa Kaikeyi se arrependeu de ter jogado o bolo forma, e mais tarde se tornou mãe de Bharata, o segundo dos quatro filhos que Dasaratha recebeu como resultado da cerimônia. O primeiro filho de Dasaratha foi Rama, nascido de sua primeira esposa Kaushalla, sendo ele a sétima encarnação de Vishnu e aquele que confrontaria Ravana, o demônio tirano rei de Lanka. A esposa mais jovem de Dasaratha, Sumitra, deu à luz aos gêmeos Lakshmana e Satrughna.

Recebendo (e esquecendo) seus Dons

Desde o seu nascimento, Hanuman possuía um apetite voraz, e sua mãe dava o máximo de si para alimentá-lo. Seu apetite era tanto que ele até mesmo tentou devorar o sol, tentativa essa frustrada por Indra, o rei dos deuses, que lançou seu raio no ainda bebê Hanuman, impedindo-o de devorar a única fonte de luz do mundo. Porém, Hanuman caiu ferido sobre a terra, e isso despertou a fúria de Vayu.


Vayu decidiu entrar em greve até que Indra fosse punido por ter ferido seu filho. Dessa forma, o ar parou de circular no mundo e isso colocou toda a vida em risco. Para aplacar a fúria de Vayu, os deuses decidiram oferecer ao bebê uma infinidade de bênçãos. Hanuman recebeu imunidade ào fogo e a água, proteção contra danos provocados por armas divinas (astras), capacidade de mudar de tamanho, podendo ficar tão pequeno quanto um grão de areia e tão grande quanto uma montanha, e por último, a imortalidade (este dom, segundo algumas versões da lenda, só foi dado a ele por Rama antes de morrer). Satisfeito, Vayu fez com que o ar voltasse a circular pelo mundo, e Hanuman voltou aos cuidados de sua mãe.

Algum tempo depois desse evento, Hanuman começa a usar seus poderes em espectadores inocentes como simples pegadinhas, até que um dia ele provoca a  fúria de um sábio, que o amaldiçoa fazendo-o esquecer de seus poderes. A maldição continuaria em vigor, até que ele fosse lembrando de seus poderes em sua maioridade.

Aprendendo os Vedas com Surya

Conforme Hanuman crescia, se tornava mais curioso sobre o mundo e desejava aprender tudo o que pudesse sobre ele. Perguntando a sua mãe, Anjana, sobre como ele poderia obter tamanho conhecimento, ela o disse que somente o sol (Surya) que percorria o mundo todos os dias, poderia ensiná-lo. Então, Hanuman pela segunda vez na vida abordaria o sol, mas desta vez sem a intenção de devorá-lo. 

Hanuman aborda Surya e pede que ele o transmita seu conhecimento, mas o deus alega não ter tempo para isso, pois passa o dia percorrendo o mundo e descansa durante a noite. Hanuman então propõe acompanha-lo durante sua viagem pelo mundo, percorrendo o trajeto à sua frente enquanto Surya o ensinava. Surya o alertou de que o seu brilho e calor o incomodariam mas Hanuman não se importava, contando que pudesse obter todo o conhecimento que desejava. Impressionado com a determinação de Hanuman, Surya então aceita o acordo e então os dois passam a percorrer o mundo, com Hanuman aprendendo os vedas, sânscrito, poesias, entre muitas outras coisas diretamente de Surya. 


Após terminar seu aprendizado, Hanuman manifestou seu desejo de retribuir Surya por tudo o que ele lhe ensinou. Surya então comentou que seus filhos, Sugriva e Vali, estavam agora brigados em Kishkindha, e pede que Hanuman auxiliasse e protegesse Sugriva, exilado por seu irmão.

Participação no Ramayana

O encontro com Rama

Hanuman conhece Rama durante o período de exílio deste na floresta. Acompanhado de seu irmão Lakshmana, Rama estava procurando por sua esposa Sita, que foi sequestrada pelo rei demônio Ravana. Sua busca os leva às proximidades da montanha Rishyamukha, onde o macaco Sugriva, junto com seus seguidores e amigos, estão se escondendo de seu irmão mais velho Vali, o imperador vanara que acusou falsamente Sugriva de tramar um regicídio. Recusando-se a ouvir a explicação de Sugriva, Vali o baniu do reino, e enquanto mantinha a  esposa de Sugriva cativa em seu palácio.

Os dois foram avistados por Sugriva, que cogitando a possibilidade deles serem assassinos enviados por seu irmão Vali para matá-lo, ordena que seu então ministro, Hanuman, descobrisse suas identidades. Para cumprir seu propósito, Hanuman se disfarçou como um brâmane e abordou os irmãos pedindo que lhe contassem mais sobre si mesmos. Ao ouvir o que os dois tinham a dizer, Hanuman soube no mesmo instante que os problemas de Sugriva estavam para acabar e, assumindo sua forma de macaco, caiu aos pés de Rama. 


Hanuman conduziu Rama e Lakshmana até a presença de Sugriva, onde selaram um pacto de cooperação mútua. Rama ajudaria Sugriva a recuperar seu reino e derrotar seu irmão Vali. Sugriva, por sua vez, auxiliaria Rama a encontrar sua esposa. Porém, uma vez recuperado seu reino, Sugriva se esqueceu de cumprir sua promessa, deixando Rama triste e Lakshamana furioso. Hanuman alertou Sugriva sobre o seu terrível esquecimento, lembrando-o de como Rama prontamente o ajudou, então Sugriva deu início à busca por Sita.

O início das buscas

Grupos de busca foram enviados para todas as direções do globo, e Hanuman integrou o grupo enviado para o sul, acompanhado do rei dos ursos Jambavan e de Angada, sobrinho de Sugriva. Rama, confiando plenamente na capacidade de Hanuman, descreveu sua esposa a ele e deu-lhe um anel, que deveria ser mostrado a Sita para que ela soubesse que Hanuman era um aliado seu. Após um longo período de buscas infrutíferas, o grupo de Hanuman encontrou-se com Sampati, irmão de Jatayu, que havia perdido a vida tentando resgatar Sita das mãos de Ravana. Sampati deu a eles a localização de Lanka, reino de Ravana. 

Ao chegarem às margens do oceano, o grupo ficou desolado, pois a distância entre o continente e o reino, situado numa ilha, era de mais de 1200 quilômetros. Angada garantiu que poderia saltar aquela distância, mas apenas uma vez. Jambavan se lamentou por ser muito idoso e não poder atravessar, porém ele sabia que Hanuman em tempos antigos havia manifestado grandes poderes, e o lembrou sobre eles. Dessa forma, Jambavan acaba sendo responsável por remover a maldição que limitava as habilidades do deus macaco.

As provações de Hanuman


Tão logo recordou de seus poderes divinos e de como usá-los, Hanuman assumiu o tamanho de uma montanha e saltou sobre o oceano, indo em direção a ilha de Lanka. Durante seu salto, Hanuman foi testado três vezes. 

Na primeira, a montanha dourada Mainaka apareceu em frente a ele, oferecendo-lhe um local para descansar. Hanuman agradeceu, mas disse que não tinha tempo para isso. Posteriormente, Surasa, a mãe das serpentes (nagas), surgiu diante ele dizendo que ele era um alimento enviado até ela pelos deuses, e que iria devorá-lo. Hanuman lhe explicou que ele estava numa missão de resgate e pediu que ela permitisse sua passagem, mas Surasa disse que ele só poderia passar por ela passando por sua boca, pois essa era a benção que ela havia recebido dos deuses. Hanuman então expandiu o seu tamanho enquanto Surasa abria sua boca na mesma proporção. Ambos seguiram aumentando de tamanho até que Hanuman de repente encolheu até ficar do tamanho de um polegar, entrando e saindo do corpo de Surasa antes que ela o devorasse. Dessa forma, a benção dada à Surasa não foi violada, e assim Hanuman poderia seguir em frente.


Por úlitmo, Hanuman se deparou com Simhika, filha do asura Hiranyakashipu e que possuía o dom de controlar as sombras de qualquer um. Simhika agarrou a sombra de Hanuman e tentou impedi-lo de seguir adiante.  Mais uma vez, Hanuman ficou minúsculo e entrou no corpo de Simhika, só que diferentemente do que fez com Surasa, Hanuman rasgou os orgãos vitais de Simhika e a matou.

A chegada em Lanka

Tendo superado os desafios, Hanuman finalmente chegou à ilha de Lanka, onde encontrou a cidade habitada por Ravana e seus seguidores demônios. Assumindo uma forma minúscula, ele se esgueirou pela cidade até  conseguir entrar no palácio de Ravana. Após muita procura, ele encontrou Sita em um bosque, protegido por guerreiros rakshasas. Ela tinha uma fisionomia magra e abatida, com o rosto coberto de lágrimas, e vestindo roupas desgastadas.

Hanuman avistou ainda Ravana indo em sua direção e tentando fazer com que ela se entregasse a ele, mas sem sucesso. Após a saída de Ravana, Hanuman se aproximou dela, cantando sobre as glórias de Rama e pacificando seu coração. Hanuman então estendeu suas mãos e mostrou-lhe o anel que Rama havia lhe entregado. Reconhecendo o objeto imediatamente, Sita chorou de emoção, reconhecendo que de fato Hanuman estava ali a serviço de seu marido. Hanuman propôs que Sita sentasse em suas costas e fugisse com ele, de volta à companhia de Rama, mas ela não aceitou, dizendo que deveria ser resgatada apenas pelo seu marido em pessoa. Hanuman então a tranquiliza, informando-a de que seu amado Rama logo viria à Lanka para confrontar Ravana e seu exército e resgatá-la.


Incendiando Lanka

Após deixar Sita, Hanuman preparava-se para retornar até Rama, porém decidiu antes testar as forças do inimigo. Ele começou a destruir as árvores do bosque de Ashoka, o preferido de Ravana, e quando a notícia chegou ao palácio, Ravana despachou 80.000 rakshasas para capturá-lo, mas nenhum deles obteve sucesso. Akṣayakumāra, filho mais novo de Ravana, também tentou impedir Hanuman, mas foi outro fracasso. Enfurecido, Ravana enviou seu filho mais velho, o poderoso Indrajit. Satisfeito com o que havia visto, Hanuman deixou que Indrajit o capturasse, só para ter um encontro face a face com Ravana.

Levado até a presença de Ravana, Hanuman exigiu que ele devolvesse Sita imediatamente, mas o rei demônio recusou o pedido, e decidiu matá-lo. Ravana então foi avisado por seu irmão mais novo Vibhishana, o qual depois se tornaria um aliado de Rama na batalha, de que matar um mensageiro era proibido pelas escrituras. Ravana então decidiu torturá-lo, ordenando que seus servos ateassem fogo na cauda de Hanuman.

Tendo cumprido seus objetivos, Hanuman decidiu não perder mais tempo em Lanka, então mudou de tamanho repentinamente, atingindo sua forma gigante e rasgando as cordas que o prendiam. Hanuman então andou pela cidade, e conforme ele a balançava sua cauda de um lado para o outro, fazia com que chamas se espalhassem por toda parte. No tumulto que se seguiu, Hanuman conseguiu escapar, saltando de volta em direção ao continente.

De volta ao continente, Hanuman encontra com Jambavan e os demais, e reporta tudo o que aconteceu. Eles então retornam para o reino Kishkindha, onde Rama aguardava por notícias. Ao saber que Sita estava bem e o esperava, Rama reuniu o apoio do exército de Sugriva e marchou para Lanka. Assim começa a lendária Batalha de Lanka. 

Salvando a vida de Lakshmana

Durante a longa batalha, Hanuman desempenhou um papel como general no exército de Rama. Durante um intenso combate contra Indrajit, Lakshmana, irmão de Rama, foi mortalmente ferido e morreria a menos que tivesse seu ferimento tratado com uma erva especial chamada Sanjivani, que só nascia nas montanhas do Himalaia. Hanuman era o único que poderia fazer essa viagem rapidamente e em tempo de salvar Lakshmana, portanto ele próprio partiu nessa missão. Chegando no Himalaia, ele descobriu que haviam muitas ervas ao longo da encosta das montanhas. Não querendo correr o risco de levar de volta a erva errada, ele aumentou de tamanho e ficou maior que as montanhas. Ele então arrancou uma delas do chão e voou de volta para a batalha com ela nas costas, para que outros pudessem encontrar a erva específica e assim recuperar Lakshmana.

Arte de Tan Man

Ao lado de Rama até o fim

Ravana foi derrotado e a guerra de Lanka teve um fim. O exílio de 14 anos de Rama também estava próximo de acabar, e Rama se lembra da promessa de seu irmão Bharata de se sacrificar caso Rama não retornasse para governar Ayodhya tão logo seu exílio terminasse. Rama estava ansioso para retornar e impedir o auto-sacrifício do irmão, mas temia não chegar à tempo. Mais uma vez, Hanuman auxilia Rama, viajando rapidamente até Ayodhya para informar a Bharata que Rama estava a caminho.

Já de volta a Ayodhya, e estabelecido como rei, Rama concedeu presentes e homenagens a todos que o ajudaram durante a batalha de Lanka. Hanuman recusava qualquer presente, porém Rama o abraçou dizendo que jamais poderia recompensá-lo apropriadamente por tudo o que fez por ele e por Sita. 


Sita, porém, insistia que Hanuman merecia mais honra do que qualquer um e pediu que ele encontrasse algo com o qual gostaria de ser presenteado. Hanuman, novamente recusou qualquer tipo de oferta, então Sita deu a ele um colar de pedras preciosas que adornava o seu pescoço. Ao receber o colar, Hanuman começou a desmontá-lo, olhando atentamente dentro de cada pedra. 

Ninguém entedia o porque de Hanuman destruir um presente tão valioso, e ele explicou a todos que procurava dentro das pedras para ver se Sita e Rama estavam ali, porque, se não estivessem, o colar não teria nenhum valor para ele. Alguns começaram a zombar de Hanuman, dizendo que tal nível de reverência e amor profundos por Rama e Sita era impossível, e o questionaram dizendo: “E o seu coração? Se você não encontrar Rama e Sita em seu coração, ele será inútil?". Em resposta, Hanuman abriu seu peito e todos ficaram perplexos ao verem uma imagem de Rama e Sita gravada em seu coração.


Hanuman permaneceu ao lado de Rama até o fim de seu reinado e sua renuncia ao seu eu mortal, quando partiu para os céus para retornar ao seu eu divino como Vishnu. 

O Encontro com Bhima (Mahabharata)

Bhima, um dos irmãos Pandavas, teve um encontro com Hanuman enquanto procurava pela flor Saugandhika, cujo perfume havia agradado Draupadi. Em sua busca, acabou esbarrando com um enorme macaco que obstruía o seu caminho em uma floresta. Bhima deu um enorme grito na tentativa de acordar o macaco e fazê-lo levantar, mas só conseguiu espantar os pássaros e outros animais menores. O poderoso Hanuman, no entanto, abriu os olhos parcialmente, e olhando para Bhima, disse-lhe que estava indisposto e cansado, e por isso estava deitado ali. Aconselhou ainda que Bhima retornasse, pois aquele caminho era vedado aos humanos.

Bhima retrucou explicando a Hanuman quem ele era e qual sua descendência, e insistiu que ele saísse da frente, caso contrário sofreria as consequências. Hanuman sorriu e insistiu que ele seria destruído caso tentasse forçar a passagem por ele. Bhima continuou a ignorar os avisos de Hanuman, e reforçou  que se ele não saísse do caminho, ele iria tirá-lo a força.

Hanuman disse a Bhima que se ele realmente queria passar por ali, teria que passar por cima dele, pois estava fraco e não conseguia levantar. Bhima então disse que ele até seria capaz de fazê-lo, assim como seu irmão Hanuman fez no passado para atravessar o oceano e ir até Lanka, porém os vedas proibiam que ele o fizesse.

Bhima não fazia idéia de que falava com o próprio irmão, e Hanuman por sua vez ficou surpreso por Bhima ter citado seu nome, e pediu-lhe que contasse mais a respeito. Irritado, Bhima contou toda a história de como Hanuman cruzou o oceano em busca de Sita, e declarando-se igual ao deus macaco em força e valentia, mais uma vez ameaçou retirá-lo do caminho. Hanuman reconheceu que Bhima tinha escrúpulos para não saltar sobre ele, e sugeriu que ele passasse ao lado dele, bastando apenas levantar sua cauda e passar por baixo dela. Orgulhoso de sua imensa força, Bhima pensou não só em levantar a cauda, mas lançar o macaco pelos ares e então abrir o caminho. Mas para seu espanto, ele não foi capaz de mover nem um milímetro sequer da cauda de Hanuman.


Envergonhado, e reconhecendo a força e grandeza do ser que estava diante dele, Bhima abaixou sua cabeça e de forma humilde pediu que o macaco lhe revelasse sua identidade. Hanuman então lhe revela sua identidade, e lhe explica que aquele caminho era a estrada para o mundo espiritual, morada de inúmeros yakshas e rakshasas, e devido ao grande perigo que estava adiante, ele o havia impedido de passar. Ele apontou ainda para um córrego perto dali, onde Bhima poderia encontrar a flor Saugandhika que tanto procurava.

Bhima ficou maravilhado por conhecer seu irmão, e não se conteve em pedir que ele lhe mostrasse a forma na qual ele havia cruzado o oceano nos tempos de Rama. Hanuman exitou por um momento mas acabou cedendo e expandiu seu tamanho, ficando do tamanho de uma enorme montanha. Após o encontro, Bhima se sentiu revigorado e tornou-se mais forte do que antes. Antes de partir, Hanuman ainda lhe deu a seguinte benção: "Quando você rugir no campo de batalha como um leão, minha voz se juntará à sua e infligirá terror nos corações de seus inimigos. Eu estarei presente no estandarte da quadriga de seu irmão Arjuna, e vocês serão vitoriosos".

Arte de Rakesh Chakraborty

fontes:
  • https://www.thehindu.com
  • http://hinduism.about.com
  • https://www.ancient.eu/Hanuman
  • https://www.newworldencyclopedia.or
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19 de abril de 2021

Shub-Niggurath

۞ ADM Sleipnir

Arte de Darya Abdulina

Shub-Niggurath (conhecida pelo epiteto “A Cabra Negra da Floresta com Mil Crias”) é uma dos chamados Deuses Exteriores presentes nos mitos de Cthulhu de H.P. LovecraftTrata-se de uma entidade cósmica que simboliza o ciclo da vida, inclusive no que diz respeito a nascimento, reprodução e fecundidade. Ela apareceu pela primeira vez na história "The Last Test" (1928), de  Adolphe Danziger De Castro e revisada por Lovecraft; no entanto, nas obras de Lovecraft ela nunca é realmente descrita, mas é freqüentemente mencionada ou convocada em encantamentos. Shub-Niggurath também aparece nos trabalhos de outros autores, incluindo August Derleth, Lin Carter e Brian Lumley.

Aparência

Shub-Niggurath é geralmente descrita como sendo uma "entidade maligna semelhante a uma nuvem". Ela se assemelha a uma massa enorme que expele tentáculos negros de seu corpo e lodo de sua boca, e possui várias pernas semelhantes a de uma cabra, porém curtas e contorcidas. Além do lodo, pequenas criaturas são continuamente cuspidas de sua boca, para serem consumidas por ela própria logo em seguida (quando não conseguem escapar e ir para algum lugar bem longe).

Origem

O tempo e o local de origem de Shub-Niggurath são desconhecidos. Como ela assume um papel de mãe cósmica, acredita-se que ela tenha surgido juntamente com o Universo. Para muitos teóricos dos Mythos, Shub-Niggurath se surgiu pouco depois que a explosão resultante do nascimento universal fosse deflagrada pela vontade de Azathoth. Dentre as forças constitutivas do Universo, Shub-Niggurath surgiu depois apenas de Azathoth, que representa o início e o fim de todas as coisas, e de Yog-Sothoth, que simboliza o conceito de tempo e espaço. Os teóricos dizem ainda que seu surgimento deflagrou a primeira onda fecunda que se espalhou pelo cosmos, possibilitando o surgimento de formas de vida tão variadas quanto as estrelas no firmamento. Shub-Niggurath seria portanto, o ser do qual decorre toda a vida original.

Em virtude de seu papel como "mãe", Shub-Niggurath é tratada genericamente como uma fêmea, portanto uma deusa. Entretanto, existem passagens em tomos esotéricos do Mythos que se referem à ela pelo título de "O Bode com Milhares de filhotes" o que a difere do seu epíteto mais famoso, "a Cabra Negra com Mil Crias".

Descendentes
 
Acredita-se que Shub-Niggurath tenha se acasalado com Hastur para produzir as entidades Ithaqua, Zhar e J'Zahar. Hastur também pode ser o pai de seus "Mil Jovens" ou "Jovens Sombrios", embora também acredite-se que eles sejam gerados através de fissão. Ela também se acasalou com Yog-Sothoth, produzindo os gêmeos Nug (pai de Cthulhu) e Yeb.

Os Jovens Sombrios de Shub-Niggurath

Os Jovens Sombrios no anime Overlord

Os Jovens Sombrios de Shub-Niggurath (também conhecidos como Mil Jovens) são monstruosidades horripilantes nascidas de Shub-Niggurath. São pretas como breu, aparentemente feitas de tentáculos viscosos.  Sua altura varia entre 3,5 e 6 metros de altura e se sustentam sob um par de patas atarracadas com cascos. Uma massa de tentáculos se projeta de seus troncos, onde normalmente estaria uma cabeça, e mandíbulas enrugadas, gotejando gosma verde, cobrem seus flancos.
 
As silhuetas dessas monstruosidades se assemelham a árvores - os troncos sendo as pernas curtas e as copas das árvores representadas pelos corpos rígidos e ramificados. Uma congregação dessas abominações cheira a uma sepultura aberta. Eles geralmente habitam em florestas onde o culto de Shub-Niggurath está ativo.

Os Jovens Sombrios são geralmente chamados para presidir cerimônias de culto. Um meio de invocá-los é encontrado no Livro de Eibon e requer uma oferta de sangue. O ritual só pode ser realizado nas profundezas da floresta na lua mais escura, e a vítima deve ser sacrificada sobre um altar de pedra. Jovens Sombrios agem como procuradores de Shub-Niggurath na aceitação de sacrifícios e adoração de cultistas, na devoração de não-cultistas e na difusão da fé de sua mãe pelo mundo.

    Arte de TRXPICS


Gof'nn hupadgh Shub-Niggurath

Gof'nn hupadgh Shub-Niggurath é o nome dado aos adoradores favoritos de Shub-Niggurath. Quando a divindade considera um adorador mais digno, uma cerimônia especial é realizada na qual a divindade engole o mesmo e depois o pari, renascido como um ser semelhante à um sátiro, e agora dotado de imortalidade e juventude eterna.

Culto

De todas as divindades dos mitos, Shub-Niggurath é provavelmente a mais extensamente adorada. Seus adoradores incluem os hiperbóreos, os muvianos, os atlantes, os tcho-tcho e o povo de Sarnath, assim como vários cultos druídicos ou bárbaros. Ela também é adorada por espécies não-humanas presentes nos mitos, como os Fungos de Yuggoth e os Nug-Soth do planeta Yaddith. Com a parafernália ocultista apropriada, Shub-Niggurath pode ser convocado em qualquer floresta na época da lua nova. No entanto, o lugar de onde ela vem não é conhecido. Uma possibilidade é que ela habite na corte de Azathoth no centro do universo. Ela também pode viver abaixo do planeta Yaddith, onde é servida pelos Dholes (criaturas enormes e viscosas, parecidas com vermes, com pelo menos várias centenas de metros de comprimento). Também é possível que ela viva em outra dimensão.

Cultura Popular

Shub-Niggurath é uma figura presente em inúmeras mídias. No mundo da música, nomeia duas bandas metal, uma francesa e uma mexicana, além de ser citada em uma música da banda Morbid  Angel, "Angel of Disease". Em jogos, aparece em QuakeArcane 2: The Stone Circle, Shadow Hearts: From The New World, Night in the Woods e em South Park: The Fractured but Whole.

No anime/light novel Overlord, Shub-Niggurath é uma divindade no DMMO-RPG YGGDRASIL.  Um feitiço lançado por Ainz Ooal Gown, Iä Shub-Niggurath, convoca seus filhos, os Jovens Sombrios, que em YGGDRASIL são poderosos monstros de nível 90 e capazes de eliminar sem qualquer resistência 70000 homens do Exército Real de Re-Estize


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16 de abril de 2021

Tambanokano

۞ ADM Sleipnir

Arte de ZanderBarcelo

Tambanokano é um caranguejo de tamanho colossal, pertencente à mitologia/folclore do povo mandaya nas Filipinas. De acordo com as lendas, ele é o segundo filho do Sol e da Lua, e sua morada é um enorme buraco localizado no fundo do oceano. As marés altas são atribuídas ao Tambanokano entrando em seu ninho, enquanto as marés baixas ocorrem quando ele deixa o mesmo, fazendo um grande volume de água preencher o local. Os movimentos do Tambanokano no oceano provocam as grandes ondas que atingem as costas filipinas. Além disso, relâmpagos surgem cada vez que ele abre e fecha os olhos.

Seu irmão, o primeiro filho do Sol e da Lua, foi uma grande estrela. Uma vez, o Sol ficou tão enfurecido com ele, e o cortou em pequenos pedaços e os espalhou por todo o céu, formando assim as estrelas. Assim como o pai, ocasionalmente Tambanokano se enfurece com sua mãe, a Lua, e nesses rompantes de fúria ele emerge do oceano e tenta devorá-la, ocasionando os eclipses. Por isso, sempre que um eclipse ocorre, o povo mandaya grita e bate em gongos e panelas para assustá-lo e fazê-lo retornar ao oceano, salvando a lua de ser engolida.



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14 de abril de 2021

Isogashi

۞ ADM Sleipnir

Isogashi (japonês いそがし, "ocupado") é um yokai do folclore japonês, e pertence à classe dos tsukimonos (yokais que possuem seres humanos). Ele é descrito como um monstro de pele azul, com orelhas caídas, um nariz grande e uma língua enorme saindo de sua boca. Vivendo em áreas habitadas por seres humanos, um Isogashi vive de possuí-los e se alimentar de suas inquietações.

Humanos possuídos por um Isogashi tornam-se extremamente inquietos e incapazes de relaxar. Eles se movem constantemente de um lado para o outro, fazendo todo o tipo de coisas. No entanto, essa não é uma sensação desagradável. Pelo contrário, as pessoas possuídas por um Isogashi têm uma sensação de segurança ao fazer as coisas. Ficar sentado sem fazer nada faz com que se sintam como se estivessem fazendo algo errado. Quando não está possuindo um humano, um Isogashi corre freneticamente, como se tivesse um milhão de coisas para fazer.


Origem

A primeira ilustração do Isogashi apareceu pela primeira vez no séc XIV, durante o período Muromachi, no Hyakki Yagyō Emaki ("O Pergaminho Ilustrado da Noite dos Cem Demônios"), no qual apareceu sem nenhum nome associado a ele. Essa ilustração acabaria gerando dois yokais diferentes posteriormente.

Durante o período Edo, o monstro foi ilustrado em um um novo pergaminho hyakki yagyō, desta vez com o nome Isogashi escrito ao lado da ilustração. Nenhuma outra descrição foi fornecida além do nome. Na mesma época, Toriyama Sekien tentou dar ao yokai sem nome da ilustração original um nome e uma identidade. Ele o incluiu em sua coleção Gazu Hyakki Tsurezure Bukuro ("A Bolsa Ilustrada dos Cem Demônios Aleatórios" ou " Uma Horda de Utensílios Assombrados"), apelidando-o de Tenjōname.

Tenjoname, ilustração de Toriyama Sekien no Gazu Hyakki Tsurezure Bukuro 

Posteriormente, este yokai apareceu em vários outros pergaminhos de imagens, com o nome Isogashi aparecendo ao lado dele. Apesar de serem baseados na mesma ilustração, Tenjōname e Isogashi acabaram se tornando yokais diferentes. Além das ilustrações, nada além de um nome foi dado ao Isogashi até o período Shōwa. Ele também não apareceu no folclore ou em lendas. O historiador e mangaká japonês Mizuki Shigeru foi o primeiro a dar uma descrição a este yokai como sendo um espírito que possui humanos.

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12 de abril de 2021

Amaru

۞ ADM Sleipnir

Amaru (ou Amaro, "serpente" na língua quechua, também conhecido como Katari) é uma criatura quimérica pertencente à mitologia das antigas civilizações andinas. Ás vezes considerada uma divindade singular, outras uma espécie, Amaru é descrita como sendo uma serpente ou dragão alado com uma cabeça de lhama (ou com duas cabeças, sendo uma de lhama e a outra de um puma), uma cauda de peixe e o corpo coberto por escamas e/ou penas coloridas. Descrições posteriores da criatura, narradas após os espanhóis conquistarem a região, incorporam características correspondentes aos dragões medievais europeus, como garras afiadas e a capacidade de cuspir fogo.

Os povos andinos acreditavam que os Amaru possuíam poderes sobrenaturais, sendo arautos de mudanças repentinas no mundo natural, como secas, enchentes, mudanças de líderes, guerras ou pragas. Eram frequentemente descritos como vindos das profundezas de montanhas, cavernas ou rios, e também acreditava-se que os Amaru tinham a capacidade de transitar entre os pachas (os planos cósmicos da mitologia inca). 


Representações do Amaru podem ser encontradas em cerâmicas, roupas, joias e em esculturas, a maioria datada de várias centenas de anos. Nos dias de hoje ele ainda é visto como uma divindade por membros modernos da cultura inca e falantes da língua quechua.

Lendas

Geralmente, os Amaru eram tidos como seres moralmente ambíguos, mas existem histórias onde eles assumem papéis benignos ou malignos.

De acordo com uma lenda, o antigo povo da cidade peruana de Junin vivia em cavernas como refugiados, com medo de serem devorados pelos animais selvagens que habitavam o território. O deus Viracocha tomou ciência da situação e decidiu fazer algo sobre isso. Ele pediu a ajuda do arco-íris e de seu peito surgiu o primeiro Amaru: uma criatura negra e assustadora. O animal sagrado foi enviado para exterminar todos os animais selvagens e perigosos, mas, uma vez que o seu trabalho havia terminado, esse Amaru negro começou a atacar os homens por ver que estes eram perigosos para si mesmos. O povo chorou e clamou a Viracocha. Seu coração foi tocado pelo clamor deles, e para ajudá-los, ele enviou um segundo Amaru, este prateado e possuidor de todos os atributos do primeiro, porém nobre de coração.

Os Amarus negro e prateado lutaram ferozmente e destruíram tudo com sua luta, resultando em uma situação pior do que a anterior. Viracocha, zangado com seu erro, enviou um trovão e os ventos para eliminar ambos os Amaru. Uma vez que as duas bestas estavam mortas, seus corpos foram transformados na Cordilheira dos Andes.

Guardiões do povo Inca

Outra lenda conta que após a conquista espanhola, um grupo de incas conseguiu fugir da captial Cuzco, viajando para o leste pelas montanhas, carregando artefatos sagrados e construindo pontes pelo caminho. Encantamentos foram colocados sobre essas pontes para que ninguém pudesse seguir seus passos (as tentativas de segui-los produzem um sono eterno). Esses Incas se aventuraram nas profundezas da floresta tropical, construindo uma cidade-fortaleza secreta chamada Paititi ("Casa do Pai Jaguar"), guardada por Amarus e por felinos gigantes Uma profecia diz que um dia esses Incas retornarão, refazendo seu caminho de volta a Cuzco. Seu retorno será acompanhado por fenômenos naturais devastadores, como terremotos e tempestades de granizo. Os Amarus rugiram, assustando aqueles que usurparam o poder dos Incas, e mais uma vez os Incas governarão.


fontes:
  • https://symbolsage.com/amaru-dragon-mythology-meaning/
  • The Ultimate Guide to the Magic of Fairies, Genies, Demons, Ghosts, Gods, and Goddesses, de Judika Illes
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Ruby