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30 de dezembro de 2022

Fujiwara no Chitaka e seus Quatro Onis

۞ ADM Sleipnir

Fujiwara no Chitaka (ou Chitaka Fujiwara, datas de nascimento e morte desconhecidas) foi um comandante militar e\ou feiticeiro japonês, afirmado pela maioria das fontes como tendo vivido no período Heian (entre 794-1192) e ter liderado o clã Iga. De acordo com uma lenda, ele teria se revoltado contra a família imperial, liderando uma rebelião contra eles e invocando quatro onis (yonki) para confrontar e derrubar seus exércitos.

Cada um desses onis possuía habilidades especiais que davam a Fujiwara no Chitaka grande vantagem em batalha. Kin-ki (金鬼, "demônio de ouro") possuía um corpo feito de ouro, e era tão duro que podia repelir qualquer arma. Fuu-ki (風鬼, "demônio do vento") era capaz de criar fortes rajadas de vento, as quais destruíam castelos e varriam seus oponentes. Sui-ki ou Mizu-ki (水鬼, "demônio da água") era capaz de criar inundações em terra firme, afogando seus inimigos. Por último, Ongyo-ki (隠形鬼 ou 怨京鬼, "demônio furtivo") era capaz de apagar completamente sua presença, atacando seus inimigos de surpresa sem ser detectado. Dizem que os quatro onis foram o arquétipo original dos ninjas de Iga.

Arte de DoctorChevlong

Apesar de todo o poder que possuíam, os quatro onis foram derrotados, mas não pelo exército imperial. Eles tiveram seu fim pela ação de um poeta chamado Kinotomo, que apenas teria recitado as seguintes palavras:

“Todas as coisas, sejam grama ou árvore, são governadas pelo imperador e nem mesmo um oni pode dar as costas ao imperador e viver nesta terra”
Sem o auxílio dos onis, Fujiwara no Chitaka foi subjugado, e sua rebelião encerrada.

Variações

Essa é uma lenda bem confusa, cujas as informações encontradas por aí são conflitantes. Resolvi destacar aqui apenas as variações mais relevantes.

  • Fuijwara no Chitaka pode ter vivido não no período Heian, mas no  período pré-Nara – especificamente, durante o reinado do imperado Tenji (trad. 626 - 672);
  • Em algumas versões da lenda, os onis da água e oculto são substituídos pelos onis da terra e do fogo;
  • Em outras, Fujiwara no Chitaka e seus onis são derrotados por Sakanoue no Tamuramaro, um nobre da corte, general e shōgun do início do período Heian.
Arte de YOHAKU

fontes:


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29 de dezembro de 2022

O "Dragão" de Mordiford

۞ ADM Sleipnir

Arte de maurilustrador

O chamado Dragão de Mordiford é um wyvern pertencente ao folclore da  vila de Mordiford, localizada no condado de Herefordshire, nas Midlands Ocidentais, Inglaterra. Diz-se que seu covil ficava na floresta de Haugh Woods, de onde ele costumava sair para beber água na confluência dos rios Wye e Lugg. Ele também aterrorizou a vila de Mordiford por um tempo, até ser finalmente combatido e morto por um nobre local.

Lenda

Quando ainda era apenas um filhote, o wyvern foi encontrado por uma garotinha habitante de Mordiford, chamada Maud. A menina, que queria desesperadamente um animal de estimação, ficou muito empolgada com o filhote, que era brilhante e possuía asas pequenas e translúcidas. 
Ela o levou para casa para mostrar aos pais, e estes imediatamente perceberam que o que Maud havia trazido se tratava de um filhote de wyvern. Eles ordenaram que Maud o levasse de volta para onde ela o havia encontrado, pois ele acabaria causando problemas na vila. Indignada, Maud fingiu obedecer a ordem de seus pais, e em vez de devolve-lo, ela o escondeu em um lugar seguro na floresta. Lá, ela o visitava todos os dias e o alimentava com leite. Ela também brincava com ele e se divertia vendo-o tentando voar. Ele crescia muito a cada mês, e eventualmente assumiu uma tonalidade esmeralda e desenvolveu asas grossas e poderosas. 

Após atingir a maturidade, a fome do wyvern não podia mais ser satisfeita apenas com leite – agora ele tinha um enorme apetite por carne. Logo, ele começou a atormentar as fazendas locais, matando seu gado, especialmente vacas e ovelhas. Os fazendeiros que tentaram deter seus ataques acabaram tornando-se parte de seu banquete. Maud, também já crescida, era a única livre e segura dos ataques do wyvern, que para ela era mais que um animal de estimação, era um amigo. Ela continuava a visitá-lo na floresta e constantemente implorava que ele parasse de atacar Mordiford. Seus apelos porém eram em vão. A besta, totalmente madura, matava tudo e todos que encontrava pelo caminho.

Cansados dos contínuos ataques, os habitantes de Mordiford procuraram a ajuda dos nobres da região. Um homem chamado Garstone, pertencente a uma nobre família local se voluntariou a por um fim a fera de uma vez por todas. Usando uma armadura completa, ele partiu em direção ao covil do wyvern, encontrando-o praticamente camuflado em meio a vegetação da floresta. Assim que o viu, o wyvern lançou uma rajada de fogo contra ele, que conseguiu evitá-la. Armado com uma lança, o homem atirou-a contra a garganta do wyvern, perfurando-o e levando-o ao chão. Quando estava prestes a acabar com o moribundo wyvern com sua espada, Maud irrompeu da floresta ao redor louca de raiva e de tristeza, e prostrou-se sobre o corpo do seu amigo. O nobre guardou sua espada e partiu para informar aos aldeões sobre a morte do wyvern, enquanto Maud permaneceu no local chorando e lamentando seu fim. 

Outra versão dessa lenda conta que Garstone se escondeu em um barril perto do local onde o wyvern costumava pousar para beber água. Tão logo ele apareceu, Garstone saiu do barril e deu um jeito no mesmo. Não se sabe como ele o matou, nem mesmo se ele o matou de fato, pois Garstone não teria revelado os detalhes. Dizem que ele teria feito um acordo com o wyvern, convencendo-o a caçar somente na floresta e deixar o gado de Mordiford em paz. 

A história continua a fazer parte da cultura de Mordiford, sendo continuamente mencionada nos registros da cidade. Um retrato do wyvern está presente na igreja local, no entanto, trata-se apenas de uma réplica do retrato original, que foi destruído em 1811 por ordem de um vigário da mesma, pois segundo ele dragões eram "um sinal do diabo".


fontes:
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28 de dezembro de 2022

Novidade no Blog! Posts com Áudio! (Errata)

Com o intuito de oferecer acessibilidade ao nosso conteúdo para aqueles com deficiência visual, e também para aqueles que por algum motivo não apreciam a leitura, preferindo conteúdo em áudio, o Portal dos Mitos tem o prazer de trazer nosso mais novo recurso: Nossos posts em áudio. No final de cada publicação, será possível acessar um player através do qual nossos leitores poderão ouvir um áudio contendo o texto da mesma. 

A princípio, meu desejo era fazer a narração dos posts eu mesmo, mas não possuo um lugar adequado para fazê-lo e também não tenho tempo. Mas felizmente, depois de muito tempo estudando a questão, conseguir encontrar um método semi-automatizado e gratuito, que permitirá ao Portal dos Mitos levar seu conteúdo de novas maneiras aos seus leitores.

A princípio, o recurso não estará disponível em todos os posts, pois preciso adicioná-lo manualmente em cada um dos mais de 1900 posts que possuímos. Mas desde o dia 19 de dezembro já está disponível nas novas publicações. 

Abaixo, você pode conferir um exemplo de como funciona o player. Espero que esse novo recurso seja um marco para o blog e ajude mais e mais pessoas a se interessarem pelo nosso conteúdo!


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ERRATA: O post original referia-se ao recurso como AUDIODESCRIÇÃO, porém foi um equívoco enorme da minha parte, pelo qual peço desculpas aqueles que possam ter se sentido prejudicados. No futuro, quem sabe, eu consiga trazer o recurso como de fato ele é. Ao longo da semana irei corrigir todos os players identificando-os da maneira correta.

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Biatatá

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Biatatá é uma entidade pertencente ao folclore baiano, descrita como uma mulher que habita e assombra o mar. Aparecendo somente durante a noite, dizem que ela aumenta de tamanho até atingir proporções enormes, produzindo uma sombra igualmente enorme e aterrorizante, e que parece engolir aqueles sobre quem é projetada.

Seu nome aparenta ser uma deturpação de mboitatá (boitatá), embora nada tenha a ver com a cobra de fogo.

fontes:

  • Abededário de Personagens do Folclore Brasileiro, de Januária Cristina Alves;
  • Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo.

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27 de dezembro de 2022

Intumbangol

۞ ADM Sleipnir

Arte de Brian Valeza

Os Intumbangol eram um casal de serpentes gigantescas reverenciadas pelos antigos habitantes da província de Bukidnon, nas Filipinas. Acreditava-se que essas serpentes habitavam debaixo da ilha de Mindanao e a sustentavam com seus corpos, que eram enroscados um no outro formando uma espécie de cruz. Assim, quando ocorriam terremotos na região, os mesmos eram atribuídos ao movimento delas. Atribuía-se ainda os ventos fortes à sua respiração e as tempestades à sua ofegação. Estando debaixo da terra, conta-se que as duas só não caem no submundo porque são sustentadas pelo grande deus bukidnon, Magbabaya.

Arte de Brian Valeza

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26 de dezembro de 2022

Portal dos Mitos no TikTok!


Olá pessoal! Aproveitando que ando produzindo áudios para os posts já publicados no blog, resolvi extender a experiência para vídeos também, os quais estarão sendo publicados no nosso TikTok. Também estarei postando esses vídeos no nosso canal no Youtube o qual estava parado a mais de 5 anos, e também em nossa página no Instagram. Convido vocês que ainda não nos seguem em nenhuma dessas redes sociais a fazê-lo, pois estarei me esforçando para trazer um bom conteúdo.

Clique nos ícones abaixo para ir direto aos nossos canais!





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Azi Sruvara

۞ ADM Sleipnir

Arte de Genzoman

Azi Sruvara (Aži Sruvara ou Az ī Srūwar , "dragão com chifres", também conhecido como Aži Zairita, "dragão amarelo") é uma criatura oriunda do zoroastrismo, descrito como sendo um dragão amarelo com chifres e dentes nos quais os homens que ele devorava podiam ser vistos empalados. Ele também possuia um hálito venenoso, o qual usava para devastar a terra. Azi Sruvara foi um dos dragões confrontados e mortos pelo herói persa Garshasp (KərəsāspaKirsāsp).

De acordo com o Avesta (escritura sagrada zoroastrista), certa vez Garshasp parou em uma colina para preparar sua refeição. No entanto, aquela colina era na verdade as costas de um enorme dragão, Azi Sruvara, que estava escondido nas dunas. O calor do fogo que Garshasp acendeu nas costas de Azi Sruvara para aquecer sua chaleira o acordou, fazendo-o emergir das dunas. Num primeiro momento Garshasp fugiu, mas ele retornaria para matar o dragão. 

Azi Sruvara possuía um corpo tão longo que Garshasp levou metade de um dia para percorrê-lo até alcançar sua cabeça. Ao finalmente chegar na cabeça do dragão, Garshasp golpeou-a com sua maça, e assim colocou um fim à sua vida.


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23 de dezembro de 2022

A Lenda da Aranha de Natal

۞ ADM Sleipnir

A Lenda da Aranha de Natal é um conto popular do Leste Europeu que explica a origem dos enfeites nas árvores de Natal. É mais predominante na Ucrânia Ocidental, onde pequenos enfeites em forma de aranha são tradicionalmente parte das decorações de Natal. Na Alemanha, Polônia e Ucrânia, encontrar uma aranha ou uma teia de aranha em uma árvore de Natal é considerado boa sorte. Os ucranianos confeccionam pequenos enfeites de árvore de Natal em forma de aranha (conhecidos como pavuchky, literalmente "pequenas aranhas"), geralmente feitos de papel e arame. Eles também decoram as árvores de Natal com teias de aranha artificiais. 

Existem várias versões desse conto, e traremos aqui as principais.

Versão um

Uma viúva pobre, mas trabalhadora, vivia em uma pequena cabana com seus filhos. Num dia de verão, uma pinha caiu no chão de terra da cabana e criou raízes. Os filhos da viúva cuidaram da árvore, entusiasmados com a perspectiva de terem uma árvore de Natal no inverno. A árvore cresceu, mas quando chegou a véspera de Natal, eles não tinham dinheiro para decorá-la. As crianças tristemente foram para a cama e adormeceram. Na manhã seguinte, eles acordaram cedo e viram a árvore coberta de teias de aranha. Quando abriram as janelas, os primeiros raios de sol tocaram as teias e as transformaram em fios de ouro e prata. A viúva e seus filhos ficaram muito felizes, e a partir daquele dia eles deixaram de viver na pobreza.

Versão dois

Certo dia, enquanto uma mãe limpava a casa preparando-a para o Natal, as aranhas fugiram para o sótão para escaparem de sua vassoura. Na véspera de Natal, as aranhas desceram lentamente para dar uma espiada, e deram de cara com uma linda árvore de natal. Empolgadas e felizes, elas percorreram seus galhos de cima para baixo e por todos os lados, e quando terminaram, a árvore estava envolta por suas teias cinzentas.

Quando o Papai Noel chegou para deixar os presentes para as crianças e viu a árvore coberta de teias, ele sorriu porque sabia que as aranhas fizeram aquilo por estarem felizes, mas sabia como a mãe ficaria com o coração partido se visse a árvore que arrumou com tanto zelo coberta de teias empoeiradas. Então o Papai Noel usou sua magia para transformar as teias em fios de prata, e a árvore ficou ainda mais bonita do que antes.

Versão três

Essa história fala sobre duas mães: uma pobre camponesa e uma aranha, ambas lutando para sustentar seus filhos pequenos. Certa véspera de Natal, a camponesa foi até a floresta e voltou de lá com um pequeno abeto, que iria servir de árvore de Natal para a sua família. Enquanto guardava o abeto, a mulher descobriu que uma aranha havia feito um lar para seus filhos entre os galhos do mesmo, e não teve coragem de varrê-los, deixando o abeto do jeito que estava.

A aranha descobriu que a mulher era pobre demais para decorar a árvore, quanto mais para colocar presentes embaixo dela, e por gratidão, resolveu retribuí-la por sua bondade. Mais tarde naquela noite, quando a mulher e seus filhos foram para a cama, a aranha teceu teias brilhantes por todos os galhos do abeto. Pela manhã, a mulher e as crianças se depararam com a visão emocionante de uma árvore de Natal enfeitada pela mais requintada e brilhante teia que já viram na vida.


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22 de dezembro de 2022

Zburător

۞ ADM Sleipnir

Arte de Traci Shepard

Zburător ("voador" em romeno, também chamado Sburător ou Zburătorulé uma criatura sobrenatural pertencente aos folclores romeno e moldavo. Comparado em algumas regiões a um Zmeu, ele é geralmente descrito como sendo uma criatura bestial com cabeça de lobo, corpo e asas de dragão e uma cauda flamejante.

O Zburător atua como uma espécie de Íncubo (demônio sexual masculino), assumindo a forma de um homem belo e jovem (ou simplesmente mantendo-se invisível) e entrando no quarto de mulheres durante a noite para copular com elas e se alimentar de sua energia vital. Algumas fontes afirmam que essa visita se dá através dos sonhos, ou seja, sem a conjunção carnal. Embora possa vir a visitar qualquer mulher, o Zburător tem uma predileção por mulheres recém casadas

Arte de Neculii Nicolae


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21 de dezembro de 2022

A Origem da Noite e do Dia Segundo os Nambikwara

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (com ajuda de Lara Helena)

Kanata Wenjausu (A Origem da Noite) e Alanta Wenjausu (A Origem do Dia) são mitos oriundos da tribo indígena Nambikwara, localizados no oeste do Mato Grosso e entre as adjacências do estado de Rondônia, entre os afluentes dos rios Juruena e Guaporé até as cabeceiras dos rios Ji-Paraná e Roosevelt. Através desses mitos, os Nambikwara explicam como a noite e o dia surgiram.

Kanata Wenjausu

De acordo com o mito, haviam dois pajés: Waninjalosu, que era mais velho e mais sábio, e Sanerakisu, que era mais novo e um pouco atrapalhado. Waninjalosu tinha em sua posse duas cabaças chamadas waixusu, cujo em seu interior continham o dia e a noite. Ele controlava diariamente a abertura das mesmas, mas a cabaça da noite ele controlava mais, para que o dia fosse mais longo do que a noite.

Certa vez, Waninjalosu foi até a morada de Sanerakisu e disse-lhe que iria passar um tempo no campo, e por isso precisava que ele cuidasse das duas cabaças. Waninjalosu instruiu Sanerakisu a destampar a cabaça do dia e deixá-la aberta, porém a cabaça da noite deveria ser aberta só um pouco, caso contrário a noite poderia escapar. Sanerakisu entendeu as instruções, porém acabou confundindo as cabaças e trocando-as de lugar. Pensando tratar-se da cabaça do dia, ele destampou totalmente a cabaça da noite, e no mesmo instante o mundo escureceu por completo. Imediatamente Sanerakisu tampou a cabaça, porém não surtiu efeito: não havia mais dia, somente a noite.

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Sanerakisu ficou muito triste e sem saber o que fazer para reparar seu erro, subiu numa árvore e começou a gritar para ver se alguém o ouvia. Conforme gritava, sua voz foi mudando, tornando-se semelhante ao canto de um pássaro. Não só sua voz, como ele próprio acabou se transformando em um pássaro por completo, chamado Uhsu (mais conhecido como pássaro chorão). Diz-se que ainda hoje ele fica de bico para cima esperando o sol nascer.

Alanta Wenjausu

Após Sanerakisu ter liberado a escuridão da noite no mundo, Waninjalosu fez nascer do alakisu (a semente do pequi) duas crianças: um menino e uma menina. Então, ele mesmo se transformou em um pé de pequi. E assim foi espalhando a semente do pequi por toda parte. O menino chamava-se Waikutesu, e sua irmã, Waikutalusu. Eles cresceram juntos, mas não podiam se casar, porque eram irmãos.

Um dia, o menino pensou, pensou, e disse para a irmã:

-Nós não temos ninguém no mundo, e precisamos de uma família. E continuou: -Waikutakalãi, ó menina, você aceita? O que nós vamos fazer sozinhos aqui no mundo? Vamos ficar juntos?

A irmã pensou e decidiu que era melhor ficarem juntos. O tempo passou, e nasceu deles um menino, Irakisu, o sol. Essa criança trazia com ela um destino muito importante, mas os dois irmãos não sabiam disso.

Certa noite, quando tinha apenas seis meses de idade, Irakisu acordou e sentou-se perto do fogo, voltado para a direção em que nasce o sol, e ficou sentado, bem quietinho.  Seu pai e sua mãe imaginaram que ele logo voltaria a dormir, mas estavam enganados. Silenciosamente, Irakisu entrou em contato com o dia, e então começou a falar:

-Irakisu, Irakisu, sol, sol. Alihituwa, alihituwa, vai sair, vai sair, vai sair o sol!

Assustados, os pais de Irakisu o levantaram e o pegaram no colo pensando: “Será que vai amanhecer?” Ficaram em silêncio e começaram a ouvir o canto dos pássaros:  o sabiá, a siriema, o mutum, a perdiz, o nambu, o macuco, o jacu, a arara, o papagaio, e alguns gritos de outros animais.

Em seguida, começaram a passar urucum no corpo da criança, pois queriam que o amanhecer e o anoitecer ficassem com uma cor avermelhada, que eles achavam muito bonita.

Alantisu, o dia, começou a clarear, clarear… e  nasceu o sol. Irakisu ficou ali sentado até o sol chegar no meio do céu - era ele que levava o sol até lá. Quando o sol chegou ao meio do céu, os pais de Irakisu viraram o menino para o lado onde o sol se põe. A parte da tarde é kxûyxesu, o algodão que Irakisu acende e solta, como se fosse um balão. Quando o sol chega lá embaixo, ele se apaga e tudo escurece.

No dia seguinte, ele nasce outra vez. Irakisu já nasceu com o poder de separar o dia da noite. Foi assim que o tempo voltou a ser dividido, em partes iguais: metade dia, metade noite.

fonte:

  • IRAKISU, o menino criador, de Renê Kithãulu.
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20 de dezembro de 2022

Minobi

۞ ADM Sleipnir

Arte de ShinySmeargle

Minobi (japonês 蓑火 ou みのび, "fogo de mino", também conhecidos como Minomushibi ou Minoboshi, entre outros) é uma espécie de yokai do folclore japonês, aparecendo como uma série de pequenas bolas de fogo cujo brilho se assemelham ao de vagalumes. Geralmente aparecem em áreas rurais próximas a corpos de água, como rios ou lagos, e especificamente, em dias chuvosos. Seu nome se origina de sua tendência em se reunirem em torno de pessoas vestindo mino (tradicionais capas de chuva feitas de palha). 

Minobi flutuam no ar e tendem a se reunir em grande número. Eles grudam nas capas de chuva e começam a queimá-las, e quando alguém tenta apagar o fogo, os Minobi se multiplicam, tornando as chamas cada vez maiores. Eventualmente, a pessoa é forçada a tirar a capa de chuva e abandoná-la na estrada.

Minobi são conhecidos por todo o Japão, embora muitas vezes sejam conhecidos por nomes diferentes e recebam diferentes explicações para a sua origem. Alguns acreditam que eles sejam na verdade um fenômeno causado pelo escape de gás natural do solo. Outros acreditam que suas chamas sejam na verdade provocadas por outros yokais travessos, como Kitsune, Itachi ou Tanuki. Como aparece com mais frequência durante a estação chuvosa, às vezes acredita-se que a verdadeira forma de um minobi seja a de um vaga-lume ou outro inseto, como o minomushi (bicho-do-cesto).

fontes:


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19 de dezembro de 2022

Dzunukwa

۞ ADM Sleipnir


Dzunukwa (também Tsonoqua ou Tsonokwa, pronuncia-se zoo-noo-kwah, também conhecida como Ogra da Cesta) é uma criatura presente na mitologia dos Kwakiutl (auto denominados Kwakwaka'wakw), povos indígenas norte-americanos que tradicionalmente habitam a região onde hoje é a Colúmbia Britânica, Canadá. Dita viver nas montanhas e florestas, ela é uma espécie de ogra gigante e nua, descrita como tendo pele escura, cabelos desgrenhados e seios grandes e pendentes.

Dzunukwa é muito temida pelas crianças kwakiutl, pois ela possui o hábito de sequestrá-las, colocando-as dentro de um cesto e levando para o seu covil para comê-las mais tarde. Já para os adultos, ela era vista como uma portadora de riquezas, e acredita-se que ela concede bênçãos maravilhosas para os homens que forem capazes de dominá-la.

 

Alguns mitos dizem que ela é capaz de ressuscitar dos mortos e regenerar qualquer ferida. Porém, ela possui visão limitada e também é um tanto estúpida e sonolenta, o que torna mais fácil evitar ser capturado por ela. Dizem também que ela emite um grande choro para atrair suas vítimas; o som do vento soprando nos cedros também é dito ser na verdade o seu chamado.

Mitos

De acordo com um mito, certa vez Dzunukwa teve seu filho morto por caçadores. Ela acabou encontrando um jovem órfão que a guiou até o corpo de seu filho, e também ajudou-a a carregá-lo até o seu covil. Em agradecimento ao jovem, ela jogou sobre o mesmo e sobre o corpo de seu filho um pouco de água. Essa água possuía propriedades mágicas, que ressuscitaram o filho de Dzunukwa e transformaram o jovem órfão, deixando-o com uma bela aparência. Ela também ensinou ao jovem o segredo de como fazer as pessoas ressuscitarem com a água, e ele o utilizou para ressuscitar seus pais.

Outro mito conta que certa vez uma tribo conseguiu enganá-la e fazê-la cair em uma fogueira. Ela passou muitos dias queimando, e embora tentasse se regenerar, era novamente consumida pelas chamas, até que finalmente morreu. Ainda de acordo com esse mito, suas cinzas se transformaram em mosquitos.

Arte de Joe Holdsworth

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16 de dezembro de 2022

Xaratanga

۞ ADM Sleipnir

Arte de elabuelokraken

Xaratanga (“A que aparece no alto” ou “a que ilumina ou brilha”; às vezes, talvez erroneamente grafado Xartanga) é uma deusa da lua, da agricultura e da fertilidade pertencente à mitologia da civilização Purépucha (também conhecidos como Tarascanos), cujos descendentes hoje concentram-se em sua maioria no estado de Michoacán, no México. Ela também era associada ao amor, ao sexo e ao Octli (pulque).

Arte de Dracko Velasco

Filha dos deuses Cuerauáperi (a Mãe-Terra, de quem segundo fontes ela era um de seus aspectos) e Curicaueri (deus do sol e da guerra, a quem alguns dizem ser também o seu marido), Xaratanga era a responsável por fazer os grãos na terra germinarem e crescerem. Ela também estava encarregada de limpar as impurezas do homem; nesse sentido, ela era equivalente à deusa asteca Tlazolteotl

Danças eram dedicadas em sua homenagem e frutas, codornas e patos, além de prata eram oferecidos a ela. Pensava que a prata constituía uma secreção lunar de Xaratanga. Sacrifícios humanos utilizando prisioneiros de guerra também eram realizados à ela.

Arte de Héctor Bustamante

fontes:
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15 de dezembro de 2022

Alp-Luachra

۞ ADM Sleipnir

Arte de loneanimator

Alp-Luachra é uma espécie de fada parasita originária do folclore irlandês. São pequenos e geralmente aparecem em forma de tritão (peixe humanóide) ou de salamandra, e seus habitats naturais são riachos e córregos. Eles são conhecidos por serem muito gananciosos e glutões, sendo conhecidos na Irlanda como Joint-Eaters, que ao pé da letra significa "comedores de carne". Eles ficam à espreita e quando encontram algum viajante dormindo à beira d'água, entram em seu estômago a partir de sua boca e ali se alojam, consumindo todo o alimento que este vier a ingerir. Alp-Luachras também procriam dentro de seu hospedeiro, debilitando ainda mais o seu corpo. 

Com o tempo, seu hospedeiro acaba ficando gravemente doente e desnutrido, até finalmente morrer. Nesse momento, eles abandonam seu corpo e voltam para seu antigo habitat, onde ficarão a espera de uma nova vítima. Dizem que para se livrar de um Alp-Luachra, é necessário ingerir uma grande quantidade de carne salgada, o que fará com que ele fique com muita sede. Depois, deve-se deitar com a boca aberta à beira de algum riacho, para onde a criatura fugirá em busca de água.

Alp-Luachras também possuem um lado benéfico. Dizem que lamber suas costas curará qualquer queimadura ou hematoma que a pessoa tiver. Caso uma delas cause uma ferida em alguém, basta matá-la e queima-la, e em seguida borrifar suas cinzas sobre tal ferida e ela será curada. Acreditava-se também que as cinzas de um Alp-Luachra eram capazes de afastar o diabo.

É provável que as primeiras histórias envolvendo o Alp-Luachra provavelmente surgiram em uma época que predominava alguma epidemia ou pestilência desconhecida no território irlandês.

Arte de necrovivrea


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14 de dezembro de 2022

Gunucô

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Gunucô (também Gonocô, Gonucû, Gunocô ou Gunucû) é uma entidade ou fantasma dos bambuzais pertencente ao folclore baiano. Manifestando-se somente uma vez ao ano (segundo fontes, durante as festividades de São João), dizem que ele só pode ser visto por pessoas que estejam vestidas de maneira especial, embora não se saiba exatamente que tipo de vestimentas especiais são essas. Nas ocasiões em que o Gunucô aparece, ele costuma revelar previsões sobre o futuro, além de exortar as pessoas a respeitarem a natureza e suas leis (o que faz com que ele seja considerado uma divindade guardiã das florestas).

Aqueles que alegam já terem visto o Gunucô relatam que ele aparece especificamente em meio a um bambuzal e durante a noite. Ainda, ele pode aumentar e diminuir de tamanho à vontade.

fontes:

  • Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo;
  • Abecedário de Personagens do Folclore Brasileiro, de Januária Cristina Alves.

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Ruby