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20 de maio de 2022

Lafaek Diak: A Criação da Ilha de Timor

۞ ADM Sleipnir

O povo do Timor Leste reverencia os crocodilos como sendo sagrados, pois de acordo com o mito de criação da ilha, ela surgiu a há muito tempo a partir do corpo de um deles, chamado Lafaek Diak ("bom crocodilo"). 

Lafaek era um crocodilo muito pequeno, e tinha o desejo de crescer e se tornar um dos maiores e mais fortes dentre todos os crocodilos. Porém, a terra onde ele vivia tornou-se seca com o tempo, o que provocou a escassez de alimentos. 

Não conseguindo comida suficiente para se alimentar, Lafaek Diak foi ficando fraco e triste, pois dessa forma jamais conseguiria realizar seu sonho. Então um dia, ele resolveu deixar a terra onde vivia e partir rumo ao mar aberto, na esperança de encontrar o necessário para se alimentar e assim atingir seu objetivo. Lafaek vagou por muito tempo, e conforme caminhava rumo ao mar, os dias iam ficando mais quentes e o alimento cada vez mais escasso. 

Debilitado pela fome, e percebendo que no ritmo que as coisas iam ele jamais alcançaria o mar, Lafaek decidiu deitar e aguardar a chegada da morte, mas ao invés dela, quem surgiu foi um menino. Com pena do crocodilo, o menino o carregou até o mar, onde ele rapidamente recuperou suas forças. 

Grato pelo que o menino havia feito por ele, Lafaek lhe agradeceu, dizendo-lhe: 

-"Obrigado, você salvou minha vida e não jamais esquecei isso. Sempre que precisar de minha ajuda, me chame e eu venho e faço o que você pedir!"

Alguns anos depois, o menino retornou ao local e chamou por Lafaek, agora um crocodilo grande e forte. Ao vê-lo, Lafaek perguntou-lhe o que ele queria, e o menino respondeu-lhe: 

-"Eu quero ver o mundo, este é o meu sonho!". 

Lafaek prontamente respondeu-lhe: 

-"Então suba nas minhas costas, aponte para onde você deseja ir e eu o levarei". 

Lafaek e o menino iniciaram então uma jornada juntos, viajando por muitos anos sem parar. Um dia, enquanto seguiam o sol em direção ao leste, o crocodilo parou e disse ao menino:

-"Irmão, estamos viajando há muito tempo, mas agora chegou a hora de eu morrer. Em memória de sua bondade, Eu me tornarei uma ilha, onde você e seus filhos poderão viver e ver o nascer do sol acima do mar!"

Tão logo Lafaek morreu, seu corpo começou a crescer de maneira descomunal, tornando-se o que hoje é conhecido como a grande ilha de Timor.




fontes:

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19 de maio de 2022

Andras

۞ ADM Sleipnir

Arte de TSRodriguez

Andras é de acordo com a demonologia um grande marquês do inferno e possui trinta legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 63º dentre os 72 espíritos de Salomão. Quando invocado, Andras aparece diante de seu invocador como um homem nu com um par de asas angelicais e uma cabeça de coruja (ou corvo, conforme algumas fontes), montado em um lobo negro e empunhando um sabre.

Selo de Andras

A especialidade é Andras é semear a discórdia, podendo facilmente convencer as pessoas a matarem umas as outras. Andras é particularmente perigoso de se lidar, podendo matar seu invocador e todos que estiverem ao seu redor, caso não sejam cautelosos e cuidadosos ao tratarem com ele.

Arte de Anna Efremova

Cultura Popular
  • Assim como outros espíritos goetianos, Andras aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei;
  • Andras aparece como um inimigo menor perto do início do game Castlevania: Portrait of Ruin. Ele se assemelha a um homem alado com cabeça de corvo, montado em um lobo e brandindo uma espada de fogo. Ele pode apunhalar para baixo com a espada ou fazer seu corcel soprar bolas de fogo;
  • Andras está listado em um sample de um encantamento satânico presente na música "Symphony for the Devil" da banda PIG;
  • Andras aparece na série de quadrinhos de Alan Moore, Promethea. Ele e o demônio Marchosias são convocados pelo mágico Benny Solomon para matar o personagem-título. Promethea derrota Andras e Marchosias em uma briga em uma boate. Mais tarde, Benny Solomon convoca Andras novamente, ocasião essa onde ele convoca toda a Ars Goetia para matar Promethea. Durante suas breves encarnações na série, Andras tenta atrair Benny Solomon (e é rejeitado) e também seduz um motorista de táxi a cometer suicídio;
  • Andras apareceu em um episódio da série Jovens Bruxas, no qual ele ampliou a raiva das três irmãs Haliwell, incitando-as a usarem seus poderes umas contra as outras;
  • Em Tome of Magic: Pact, Shadow e True Name Magic, suplemento de Dungeons & Dragons lançado em 2006, Andras aparece como um "vestígio" com o qual os personagens podem fazer um pacto em troca de poder;
  • Shani Andras é um personagem do anime Gundam Seed, cujo sobrenome foi inspirado em Andras. Os outros dois, Orga Sabnak e Clotho Buer, também tiveram seus sobrenomes inspirados em demônios goéticos;
  • Andras aparece em Final Fantasy XI como um membro da Dark Kindred no mundo dos sonhos de Dynamis – Xarcabard. Ele é um dos demônios goéticos cuja morte é necessária para desencadear a luta com o Dynamis Lord;
  • Andras é o nome padrão de um personagem com a classe de modelador (shaper) em vários jogos da série Geneforge.
  • Andras figura na trilogia literária Forsaken Comedy, de Kevin Kauffmann;
  • No livro de horror O Exorcismo de Meu Melhor Amigo, de Grady Hendrix, Andras é a entidade demoníaca que possui Gretchen Lang.
Arte de Davey Baker


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18 de maio de 2022

Mulher de Duas Cores

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

A Mulher de Duas Cores é o fantasma de uma mulher que de acordo com o folclore mineiro assombra estradas e pequenas matas, em particular na região que faz fronteira com o estado de São Paulo. Aparecendo sempre de dia e à luz do sol, ela caminha em silêncio sem interagir com nada e com ninguém, apenas seguindo seu rumo enquanto anda apoiada somente sobre as pontas dos pés. Ela é chamada de Mulher de Duas Cores devido ao fato de usar vestido de algodão composto de duas cores, geralmente azul e amarelo, mas há relatos onde seu vestido é meio azul/meio vermelho ou meio branco/meio preto. Alguns relatos afirmam ainda que a sua própria pele possui duas cores, sendo meio branca e meio negra. Ela também carrega consigo uma trouxa de roupas debaixo do braço direito.

Uma história conta que a Mulher de Duas Cores é o fantasma da neta de um antigo e viúvo fazendeiro da região. Sua mãe se apaixonou por um dos escravos do pai e acabou engravidando dele, além de fugirem juntos para um quilombo. O fato despertou a ira do fazendeiro, que buscou o auxílio de uma bruxa para que com seus feitiços, impedisse que a criança viesse a nascer. A intervenção da bruxa no fim não impediu que a criança, uma menina, nascesse. Porém, ela nasceu com duas cores de peles: metade branca por parte da mãe e metade negra por parte do pai. O povo do quilombo a acolheu com muito carinho, e eles costumavam costurar para ela belos vestidos de algodão, longos e tingidos de duas cores.

Ao ficar moça, ela deixou o quilombo e foi para a cidade, onde acabou sendo discriminada e maltratada devido a sua aparência. Ela decidiu então retornar ao quilombo, mas ela não encontrou mais ninguém vivendo lá, pois havia ocorrido a abolição da escravatura e todos que ela conhecia haviam ido para a cidade. Ela então retornou a cidade a procura deles, mas acabou morrendo sem conseguir encontrá-los. Desde então, seu espírito vaga em busca do seu povo, sempre a passos rápidos e largos, sem colocar o calcanhar no chão.

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)


fontes:
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17 de maio de 2022

Zhunou

۞ ADM Sleipnir


Zhunou (chinês 朱獳, Zhū nòu, também chamada de Zhuru) é uma criatura pertencente à mitologia chinesa, que de acordo com o clássico texto chinês Shan Hai Jing (chinês 山海經,"Clássico das Montanhas e Mares") habita a Montanha Gengshan (耿山, "montanha brilhante"). Ela possui a aparência de uma raposa, porém em suas costas ela possui nadadeiras como as de um peixe. Além disso, reproduz um som que se assemelha ao seu nome.

Ainda de acordo com o Shan Hai Jing, a aparição e o avistamento de um Zhunou é um presságio de pânico no estado, podendo provocar histeria em massa no povo.

fontes:

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16 de maio de 2022

Os Quatro Tesouros dos Tuatha Dé Danann

۞ ADM Sleipnir


Os chamados Quatro Tesouros dos Tuatha Dé Danann são objetos mágicos que, de acordo com a mitologia irlandesa, os Tuatha Dé Danann trouxeram consigo de sua migração das cidades de Failias, Findias, Gorias e Murias até à Irlanda. Cada um desses objetos foi criado por um druida de cada uma dessas cidades, e continham propriedades que os tornavam únicos e especiais.

Lia Fail

O primeiro tesouro era a Lia Fail, ou "Pedra de Fal", forjada pelo druida Fessus na cidade de Falias. Essa pedra emitia um grito quando um legítimo rei colocava seus pés sobre ela. Além disso, ela tinha o poder de rejuvenescê-lo. Esta pedra foi colocada sobre a Colina de Tara, a sede dos Altos Reis da Irlanda. 


Sleá Lúgh

O segundo tesouro era a  Sleá Lúgh ("Lança de Lugh", também chamada Sleá Bua, “Lança da Vitória”), uma lança forjada pelo druida Esras na cidade de Gorias. Pertencente ao deus Lug, ela garantia a vitória ao seu portador, e não precisava sequer ser empunhada por ele; com a aproximação de uma batalha, ela clamava para ser solta e então atacava seus alvos sem nunca errar, muito menos deixá-los vivos.


Claiomh Solais

O terceiro tesouro era a Claiomh Solais ("Espada de Luz"), a espada mágica pertencente ao rei Nuada e forjada pelo druida Uscias na cidade de Findias. Uma vez desembainhada, Claiomh Solais nunca errava o seu alvo, e qualquer ferimento infligido por ela era mortal.

Coire Acseasc

O último dos tesouros era o Coire Acseasc, o caldeirão mágico pertencente ao deus Dagdaforjado pelo druida Semias na cidade de Murias. Esse caldeirão possuía o dom de satisfazer o apetite de qualquer pessoa que fosse considerada digna. Também era capaz de curar completamente aqueles que fossem colocados dentro dele, inclusive sendo capaz de trazer os mortos de volta a vida.

Arte de Feig
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13 de maio de 2022

Butatsch-cun-ilgs

۞ ADM Sleipnir

Arte de Marcos Villarroel

Butatsch-cun-ilgs (“estômago de vaca”, erroneamente chamado de Butatsch-ah-ilgs) é uma misteriosa e grotesca criatura dita habitar o lago Lüschersee, localizado nos Alpes Suíços. De acordo com o folclore local, o lago esconde uma entrada para o centro da Terra, onde ardem chamas eternas e de onde o Butatsch-cun-ilgs emerge. A criatura é descrita como tendo uma aparência semelhante a um estômago de vaca gigante, com milhares de olhos preenchendo toda a extensão de seu corpo. Esses olhos possuem poderes hipnóticos, e dizem que se o Butatsch-cun-ilgs concentrar a visão de todos eles em um único ponto, o que estiver no local será consumido por chamas. 

Embora seja uma criatura temível, de acordo com uma lenda o Butatsch-cun-ilgs parece ter um senso de justiça que o faz voltar sua fúria contra aqueles que se aproveitam dos mais fracos e abusam de seu poder. Há muito tempo, durante o período feudal, os pastores da região travavam lutas constantes contra os nobres e cruéis senhores de terras, que os tratavam de maneira injusta e e os prejudicavam por puro esporte. Certa vez, um grupo de nobres voltava de uma caçada, quando encontraram em seu caminho rebanhos de gado e ovelhas pastando pacificamente no lago Lüschersee. e naturalmente decidiram matá-los. Com gritos altos e gargalhadas, eles conduziram os animais à sua frente, golpeando-os com suas espadas e forçando-os a se afogarem no lago. Os camponeses só puderam assistir enquanto os nobres zombavam deles. Foi então que a água do lago começou a espumar e borbulhar, e uma monstruosa criatura se ergueu dele. Hipnotizados por ela, os nobres ficaram emudecidos enquanto eram esmagados. Após matar todos os nobres, a criatura retornou para o lago, deixando os pastores aterrorizados, mas ilesos.

Desde então, o Butatsch-cun-ilgs teria emergido do lago apenas mais duas vezes, em intervalos de aproximadamente cem anos, e provocando deslizamentos de terra e ravinas com seus movimentos. Dizem que às vezes um rugido distante e sobrenatural pode ser ouvido sobre as águas calmas do lago, e temendo que ele possa emergir a qualquer momento, pescadores evitam pescar no lago e pastores não permitirem que seus rebanhos se aproximem dele. Pais também costumam alertar seus filhos para que fiquem longe do local. 

Arte de WillOBrien

fonte:
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12 de maio de 2022

Amdusias

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Davey Baker

Amdusias (também Ambuscias, Amducious, AmdukiasAmduscas, Amduscias, Amukias) é de acordo com a demonologia um grande duque do inferno e possui vinte e nove legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 67º dentre os 72 espíritos de Salomão. Quando invocado, Amdusias aparece diante de seu invocador inicialmente como um unicórnio, mas assume uma forma humana caso lhe seja solicitado.

Selo de Amdusias

Amdusias possui a capacidade de reproduzir sons de instrumentos musicais, fazendo com que sejam ouvidos por todos mas não vistos. Ele também pode inspirar músicas e conceder excelentes familiares ao seu invocador. Além disso, Amdusias possui o poder de controlar árvores, fazendo com que se tornem estéreis, dêem frutos no momento em que desejar, ou se dobrem diante dele ou de seu invocador.

Arte de Raul Maldonado

Cultura Popular

  • Assim como outros espíritos goetianos, Amdusias aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei, aparecendo também nas franquias Final Fantasy (IX), Castlevania (Symphony of the Night, Curse of Darkness e Portrait of Ruin) e Altered Beast;
  • Amduscia, uma banda mexicana de agrotech, deriva seu nome de Amdusias;
  • Amduscia (アムドゥスキア) também é o nome de um planeta no MMORPG japonês Phantasy Star Online 2;
  • Amudoshiasu (アムドシアス) é referido como o duque de um chifre dos 72 pilares de Salomão na série RPG hentai Battle Goddess. Ela aparece na forma de uma mulher com um único chifre na testa e pode ser usada como invocação;
  • Em Wild Arms 3, Amduscias aparece como um cavaleiro bípede carregando uma lança. Ele é o primeiro inimigo encontrado no jogo que pode usar um ataque de morte instantânea;
  • Em Maple Story, Amdusias aparece na missão demoníaca da classe arqueiro. Ele é representado como um unicórnio preto e bípede.
  • Amdusias é retratado na trilogia literária The Forsaken Comedy, de Kevin Kauffman;
  • No JRPG Xenoblade Chronicles X, há uma variação de grandes robôs humanóides chamados Skells em inglês ou Dolls em japonês, chamados Amdusias. A cabeça do Skells tem chifres apontando para baixo e uma das armas que ele carrega originalmente é uma foice, e quando o usuário da foice a ativa, faz com que o usuário solte um grito de insanidade ao usar um ataque poderoso.
Arte de Olivier Roos

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11 de maio de 2022

Gritador

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

O Gritador (também conhecido como Zé-Capiongo) é uma espécie de assombração (por vezes dito ser um duende) pertencente ao folclore brasileiro, dito geralmente aparecer durante a noite gritando e assustando as pessoas. Ele é bastante conhecido na região do Vale do São Francisco, mas também possui muitas versões de sua lenda espalhadas por todo o Brasil. No Vale do São Francisco, dizem que ele é a alma de um vaqueiro que, desrespeitando a Sexta-feira da Paixão, saiu a campear e nunca mais voltou. Sumiu misteriosamente com o cavalo, o cachorro e o gado que campeava, tornando-se uma assombração. Hoje, vive gritando no mato, tocando uma boiada invisível como ele. Embora os seus gritos sejam mais ouvidos durante a noite, o Gritador não tem hora para gritar. Dizem que até o meio-dia ele clama no meio do mato, assombrando os vivos e assustando os bichos. Nas noites de sexta-feira, além de seu aboio triste, são ouvidos o rumor dos cascos do seu cavalo e o ladrar de seu cachorro de campo.

No Sul, a versão mais famosa de sua lenda localiza sua origem na época em que os jesuítas foram expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal. Ao partirem, muitos deles enterraram seus tesouros, esperançosos que um dia retornariam à nossa terra. Enquanto todos cavavam buracos para esconderem suas riquezas, um homem pedia para que eles gritassem para saber a localização de cada um. Esse homem, segundo dizem, não foi embora e ficou no local cuidando do tesouro enterrado. Ao morrer, sua alma ficou presa na região e, à noite, quando alguém grita por um motivo ou outro, ele acha que são seus amigos indicando o lugar de outro tesouro enterrado. Segundo relatos, quando tropeiros ou criadores de gado estão trabalhando à noite e gritam uns para os outros, às vezes escutam outro grito distante. Quando respondem, esse mesmo grito que parecia estar longe, soa cada vez mais perto. Dizem ainda que, se ele chegar até você, ele inicia um duelo; caso você ganhe, ele lhe entregará o tesouro; caso você perca, tomará o lugar dele para cuidar do tesouro eternamente.

Em Santa Cecília, Santa Catarina, conta-se que um jovem muito maldoso, que gostava de judiar dos animais, tinha um cavalo no qual andava o dia inteiro em disparada. Não o tratava como devia, nem ao menos lhe dava água. A noite, deixava o pobre animal preso com uma corda curta, impedindo-o de escapar. A mãe desse jovem, vendo o animal ser surrado e maltratado, esperou que ele dormisse e foi cuidar do cavalo. Após dar-lhe comida e água, ela soltou sua corda, permitindo dessa forma sua fuga.No outro dia, quando o jovem acordou, procurou o animal, não o encontrando, ao descobrir o que havia ocorrido, amarrou sua mãe, encilhou-a e montou, esporeando-a de tal forma que a fez chorar de dor. A mãe rogou uma praga ao filho: ele haveria de gritar de dor, mesmo após a morte. Na noite em que o homem morreu, todos os moradores dos arredores ouviram gritos vindos dos abismos, alguns dizem que seus gritos ecoam até hoje no alto da Serra do Espigão.

Arte de Douglas Viana

No litoral piauiense, mais precisamente no município de Parnaíba, existem muitas explicações para a origem do Gritador, o qual dizem passar as noites gritando nas ruas. A mais popular delas diz que ele é uma alma condenada a vagar gritando em eterno sofrimento por ter sido amaldiçoado pelo pai em razão de ter assassinado a um irmão seu. Há quem diga que, em seu suplício, ele carrega nas costas uma outra assombração, que tem as pernas nos ombros e a cabeça para baixo e, no caminho, passa o tempo inteiro mordendo os seus pés, sendo esse o motivo de seus gritos. Dizem que se algum curioso for olhar quem grita de perto, ele joga aos pés do curioso a entidade que traz nas costas, na tentativa de livrar-se de seu tormento. No entanto, nesse mesmo instante, a terra treme e a alma atormentadora volta às costas da alma atormentada como que por mágica, e a pessoa, vendo que uma não aflige, senão à outra, perde o medo da aparição.

Relatos do povo da zona rural de Luzilândia, também no Piauí, dizem que de tempos em tempos, se ouve altas horas da noite gritos estrondosos vindo das estradas. Esses gritos vêm do Gritador, um homem que carrega outro, que o mesmo tinha assassinado, e como penitência carrega-o pelos ombros e de cabeça para baixo seguido por dois assombrosos cachorros. Os gritos que se ouvem, é de quando o homem para de caminhar e os cachorros mordem seu calcanhar. Alguns dizem que o gritador era Caim, levando seu irmão Abel, e que ele levava seu irmão como castigo até o fim dos tempos sem poder parar de caminhar. Até hoje não há notícia de nenhum corajoso que tenha conseguido encarar a assombração de frente, até porque basta escutar os seus gritos pra perder o controle do corpo de tanto medo.

Segundo o povo de Esperantina, o Gritador é uma figura muito esquisita, de quem só se vê a sombra, e, quando a pessoa dá de cara com ele, ele abre sua boca até o queixo se aproximar do chão e dá um grito tão alto que faz toda a terra tremer. Diante disso, a pessoa cai no chão desmaiada, tremendo de tanto medo. Depois de dar dois gritos, o Gritador vai embora.

Em São Raimundo Nonato, na zona rural piauiense, também aparece um Gritador. Lá, ele é descrito como sendo mais ou menos da altura de um homem, só que horroroso e todo cabeludo. Quando dá de cara com alguém, só para de gritar quando o galo canta pela primeira vez. Na Lagoa de São Francisco, se ouvem gritos aterrorizantes entre as comunidades Chã dos Bringel e Mororó, mais precisamente nas margens do Rio dos Matos e do Riachão. Segundo populares da região, haveria também por ali um Gritador. Dizem que ele é a alma de um homicida, que, como punição, tem de carregar em suas costas sua vítima por toda a eternidade. Os que já deram de cara com o bicho, dizem que antes de proferir seus gritos, ele dá um sopro forte de cansaço e, só então, começa a gritar, com gritos cada vez mais fortes. O povo dali diz que ele anda vagando pela região em cumprimento de sua maldição, de modo que dela só poderá se livrar para alcançar o descanso eterno no dia em que um idiota qualquer responder aos seus gritos com outros gritos, ocasião em que o Gritador passará sua maldição para o pobre desavisado.

Gritador x Bradador

Por seus nomes terem o mesmo significado e por terem praticamente o mesmo modo de agir, o Gritador e o Bradador são por vezes considerados a mesma figura, embora o Bradador tenha a peculiaridade de ser uma espécie de morto-vivo, similar a outra figura do folclore brasileiro, o Corpo-Seco.

Bradador, arte de Vinícius Galhardo

fontes:
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10 de maio de 2022

Pássaros de Ares

۞ ADM Sleipnir

Os Pássaros de Ares (grego: Ορνιθες Αρειοι, Ornithes Areioi) eram na mitologia grega um bando de pássaros com penas de flechas que foram colocados para proteger o santuário do deus da guerra Ares localizado na ilha de Dia, na costa norte de Creta. Esses pássaros foram encontrados pelos Argonautas em sua busca pelo Velocino de Ouro. Eles receberam os heróis com uma saraivada de penas, que para se protegerem ergueram seus escudos de tal forma que não deixaram uma brecha sequer para as penas passarem. 

Seguindo o exemplo de Héracles, que anteriormente havia enfrentado as Aves Estinfálides (com quem os pássaros de Ares às vezes eram identificados) e usou castanholas de bronze para fazer barulho e espantá-las, os Argonautas bateram suas lanças contra seus escudos, conseguindo gerar um barulho alto o suficiente para afastar os pássaros.

fonte:

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9 de maio de 2022

Huallepen

۞ ADM Sleipnir

Arte de Tremeroz

Huallepen (oriundo do mapuche Wallipén, algo como “bezerro-ovelha”; também chamado Huallipen ou Guallipen) é uma espécie de criatura anfíbia pertencente ao folclore mapuche, dita assombrar lagos e rios do Chile. É geralmente descrita como tendo a cabeça de um bezerro e um corpo semelhante ao de uma ovelha tosquiada; com patas dianteiras curtas e uma extremidade posterior que lembra uma foca.

Quando em terra, Huallepens costumam ser inofensíveis, porém em um ambiente aquático tornam-se extremamente agressivos. Eles vem à terra firme com o intuito de se acasalar com animais terrestres, como vacas ou ovelhas, o que resulta em proles malformadas e monstruosas. Existe a crença de que uma mulher grávida ver um Huallepen, ou sonhar com um durante três noites seguidas, faz com que seu bebê nasça com algum tipo de deformidade.

Arte de Foalies

fontes:

  • South Mythology A to Z, de  Ann Bingham e Jeremy Roberts;
  • Encyclopedia of Beasts and Monsters in Myth, Legend and Folklore, de Theresa Bane;
  • https://pueblosoriginarios.com

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6 de maio de 2022

Scitalis

۞ ADM Sleipnir

ilustração de uma Scitalis no Bestiário de Aberdeen

Scitalis (latim, do grego Scytale, provavelmente derivado de  scintilla, “faísca” ou “cintilação”) é uma criatura serpentina oriunda de bestiários medievais, sendo um dos mais famosos o chamado Bestiário de Aberdeen, compilado em torno de 1200. Ela é geralmente descrita como possuindo marcas em suas costas que ao serem vistas por suas possíveis presas, fazem com que estas fiquem atordoadas e assim sejam facilmente capturadas. Sua ilustração no Bestiário de Aberdeen a descreve como tendo duas patas na parte dianteira do corpo, além de asas, características essas que a assemelham a outra criatura famosa de bestiários medievais, a Anfisbena.

O historiador Isidoro de Sevilha (560-636) em sua obra Etymologiae, não descreve o Scitalis como possuindo marcas, mas sim uma pele que brilha com tanta variedade de cores e intensidade que faz com que aqueles que a vêem fiquem entorpecidos e acabem sendo capturados. Isidoro também relata que a pele de uma Scitalis é tão quente que ela troca de pele até mesmo no inverno.


fontes:
  • http://bestiary.ca/beasts/beastgallery271.htm
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Scitalis
  • https://catalogobestial.blogspot.com/2016/05/scitalis.html
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5 de maio de 2022

Gaap

۞ ADM Sleipnir


Gaap (também Goap, Tap, Gorson, ZaazonashZazel) é de acordo com a demonologia um anjo caído, anteriormente pertencente à ordem das Potestades e agora ranqueado como um grande presidente e também um poderoso príncipe do inferno, possuindo sessenta (ou sessenta e seis) legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é 33° dentre os 72 espíritos de Salomão. Algumas obras, como o  Pseudomonarchia Daemonum o classificam como um dos quatro grandes reis do inferno sob o comando de Mamon.

Quando invocado, Gaap aparece diante de seu invocador sob a forma de um homem, podendo apresentar em suas costas enormes asas de morcego. Ele é um demônio extremamente orgulhoso e, a menos que esteja preso dentro de um triângulo mágico, ele falará apenas mentiras. Queimar oferendas e sacrifícios a ele também reduzirão muito a chance de ele atacá-lo.

Selo de Gaap

Gaap é convocado por sua disposição de responder com sinceridade a perguntas sobre o passado, presente e futuro; ele também dá ao seu invocador espíritos familiares, os quais ele toma de outros mestres, e ele pode transportar uma pessoa de um lugar para outro instantaneamente. Além disso, ele pode causar insanidade, incitar  amor e ódio nos homens, ensinar ciências liberais, bem como a filosofia, e dar instruções sobre como consagrar itens e dedicá-los ao seu mestre, Amaymon.


Cultura Popular
  • Assim como outros espíritos goetianos, Gaap aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei. Ele também aparece como um inimigo em Castlavania: Lament of Innocence;
  • Ele aparece no cardgame Yu-Gi-Oh! como um card de monstro chamado "Gaap, o Soldado Divino";
  • Gaap é uma das seis cristas demoníacas mais poderosas em Shadow Hearts: Covenant. Esta encarnação de Gaap é um enorme demônio semelhante a uma planta com qualidades elementares da terra, que aparece nas profundezas da Floresta Negra na Alemanha como o chefe final da sidequest da heroína Lucia;
  • Em Umineko no Naku Koro ni, Gaap é uma demônio que pode carregar instantaneamente uma pessoa para qualquer local;
  • "Papa G'aap" é um dos títulos do Grande Imundo, Scabeiathrax, de Warhammer 40.000;
  • Gaap aparece ainda no manhwa Tomb Raider King.
Arte do card "Gaap, o Soldado Divino" em Yu-Gi-Oh!

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4 de maio de 2022

A Origem da Bacaba

 ۞ ADM Sleipnir

A Bacaba, também chamada de Bacaba-açu ou Bacaba-verdadeira, é uma palmeira nativa da Amazônia, cujo fruto é bastante parecido com o açaí, embora seja menos popular. Segundo uma lenda indígena oriunda do estado do Amapá, essa palmeira teve sua origem no conflito entre um jovem índio chamado Bacaba e Catamã, uma entidade maligna inimiga de Tupã.

Bacaba, Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

De acordo com a lenda, existiu na Serra do Tumucumaque uma tribo de índios conhecidos como Badulaques. Essa tribo era pequena e não possuía muitos guerreiros, sendo assim considerada uma tribo fraca e sem valor. Devido a isso, seu líder, o cacique Carnaúba, preferia mante-la em paz, evitando criar conflitos e vivendo às margens do Grande Conselho das tribos. Certo dia, porém, a desgraça se abateu sobre todas as tribos da serra. 

Poucos se lembravam da grande batalha travada entre o deus Tupã e Catamã, na qual diziam os anciãos, tinha sido devastada uma grande área além da Serra do Tumucumaque. A luta entre o bem e o mal durou muitas luas até que Tupã, usando toda sua magia, conseguiu aprisionar Catamã no topo da serra, por um período de cem anos. Diziam ainda os anciãos que depois desse tempo a guerra, a fome e a doença atingiriam as tribos, prenunciando a volta de Catamã, que tentaria reerguer seus domínios por toda a terra, mas que um guerreiro, nascido em uma tribo pequena, se sobressairia dentre todos os seus irmãos em caçadas e lutas, podendo vencer o mal e lançá-lo novamente à sua prisão. Os prenúncios da desgraça chegariam quando Catamã já tivesse cumprido três terços de seu exílio, e assim ocorreu. Primeiro, uma grande doença se abateu sobre as tribos. Ela atacava principalmente os pés e as mãos, impossibilitando os guerreiros, assim como mulheres e crianças, de se locomoverem. Logo não puderam mais segurar o arco e a flecha para caçar e centenas morreram de fome. 

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Cinco luas se passaram até a doença desaparecer por completo. Os sobreviventes choraram seus mortos, reunindo-se ao redor das fogueiras, pintando o corpo com sumo de jenipapo e clamando ao deus Tupã que lhes fizesse visível o inimigo, para que assim poderem combatê-lo. Depois vieram as guerras. Tribo contra tribo, as mortes se sucedendo e as nações indígenas enfraquecendo cada vez mais. Na época também a tribo dos Badulaques foi atingida e mulheres morreram. Tarirã, uma das esposas do cacique Carnaúba, estava grávida de muitas luas e ele temia que ela fosse atingida pelas pragas ou morta pelas lanças dos guerreiros inimigos. Naquela noite Tupã foi até ele em sonho e disse-lhe:

Teu filho será um bravo, irá se sobrepor a todos os guerreiros e se chamará Bacaba. Somente ele poderá salvar a nação do mal e destruir para sempre a encarnação da perversidade.

Por três noites os membros da tribo dançaram, agradecendo a dádiva de Tupã. Duas luas depois nasceu o menino, que quando cresceu foi treinado nas mais diversas práticas de combate, assimilando com incrível facilidade os ensinamentos dos pajés e anciãos. Manejava o arco e a flecha como se tivesse nascido para caçar. Sua grande vitória foi quando o conselho o designou chefe de todas as nações. Enquanto isso, as maldições de Catamã continuavam. Naquela noite o perverso feiticeiro apareceu na forma de lobo, entrando na tenda do chefe e matando Tarirã, que já se encontrava em idade avançada. Pela manhã o corpo da índia foi encontrado dilacerado e Bacaba entoou seu canto de morte, que atravessou os vales. Estava iniciado o confronto. 

Pela manhã Bacaba reuniu-se com o Grande Conselho, anunciando que iria enfrentar Catamã no topo da serra. O pajé, tocado pelo deus Tupã, deu-lhe um saquinho de couro contendo a mistura de muitas ervas, que deveria ser jogada no olho da divindade, tornando-a cega. Depois de despedir-se de seus irmãos de sangue, Bacaba armou-se de uma lança, arco e seus apetrechos de guerra, saindo rumo à serra. Quando alcançou o topo, a figura de um imenso lobo atravessou-lhe a frente. A fera, com os olhos injetados de sangue, investiu contra o índio, iniciando a batalha. Embaixo, milhares de guerreiros assistiam a tudo. Tupã proveu Bacaba de poderes para fazer frente à divindade do mal e o local da batalha transformou-se em uma imensa clareira, tamanha a ferocidade da luta. 

Bacaba x Catamã, arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Durante duas noites o confronto prosseguiu e depois o silêncio foi total. Os guerreiros, temerosos, esperavam que o vencedor se manifestasse. O silêncio, no entanto, reinava no cume da Serra do Tumucumaque. O cacique Carnaúba reuniu seus bravos e subiu à serra, seguindo os rastros de destruição, até que sobre um amontoado de pedras encontraram um imenso lobo, com os olhos arrancados e uma lança cravada no peito. A seu lado, jazia o corpo do guerreiro, dilacerado pelas garras do monstro. Bacaba havia vencido, mas sua façanha lhe custou a vida. Seu corpo foi sepultado ao lado da mãe, em um cortejo que reuniu milhares de guerreiros, todos lhe prestando uma última homenagem. 

Muitas luas se passaram até que o cacique Carnaúba, sentindo a perda do filho, foi vê-lo. No local onde tinha sido sepultado, havia, por benevolência e homenagem de Tupã ao mais bravo guerreiro da face da terra, uma palmeira solitária, de espique anelado, folhas em forma de lanças, da qual sobressaiam-se flores de cor branca e amarela – e frutos pequenos avermelhado-escuros, dos quais se fez vinho, que foi chamado de bacaba. De seu caule, forte como os braços do guerreiro, ainda hoje são feitos lanças e arcos que, dizem as lendas, serem abençoados por Tupã.


fonte:
  • Mitos e Lendas do Amapá, de Joseli Dias (Edição Póstuma)
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3 de maio de 2022

Dhat-Badan

۞ ADM Sleipnir

Arte de Lily McDonnell (@mybeautifulmonsters)

Dhat-Badan (Dhātu-Ba'dan, "A Das Cabras Selvagens" e "A Do Santuário"; também chamada Dhat-hami ou Zat-Badar) era uma deusa do oásis, da natureza e da estação chuvosa, adorada no passado pelo povo himiar em oásis rodeados de árvores no sul da Arábia, na região do antigo Iêmen, Somália e Etiópia. Na língua dos semitas da Abissínia, Dhat-Badan era chamada de Zat-Badar e era uma deusa popular entre os politeístas de Axum, uma cidade antiga que foi originalmente fundada pelos primeiros colonos semitas da Península Arábica. 

Dizia-se que Dhat-Badan proibia qualquer invocação a ela quando não havia uma vidente ou sacerdotisa presente em seu santuário. Em seu santuário, uma sacerdotisa chamada khalimah (literalmente "sonhadora") se deitava e dormia diante da(s) árvore(s) sagrada(s) da deusa, com o objetivo de receber um oráculo na forma de um sonho profético. 

O Ibex ibérico era um sagrado para esta deusa e dizia-se que uma ilha no Mar Vermelho habitada por Ibexes estava sob sua proteção.

fontes:

  • https://wathanism.blogspot.com/2011/11/deities-beings-and-figures-in-arabian.html
  • https://littleneocreative.com/other-peoples-deities/
  • Encyclopedia of Religions, de John G. R. Forlong

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2 de maio de 2022

Haietlik

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Vintorezz

Haietlik ("serpente relâmpago") é uma espécie de serpente marinha lendária pertencente à mitologia dos Nuu-chah-nulth (Nootka), povo indígena habitante da costa noroeste do Pacífico canadense, sendo também conhecida no folclore do povo Kwakiutl. Ela é descrita como possuindo um corpo enorme, uma cabeça tão afiada quanto uma faca e uma língua que a permite disparar raios de sua boca.

Segundo as lendas, Haietlik são criaturas aliadas dos lendários Thunderbirds (pássaros-trovãos), muitas vezes sendo usadas por eles como armas para caçarem orcas e baleias. Dentro d'água, eles podem ferir as orcas e baleias com sua cabeça ou disparar seus raios para enfraquecê-las e assim permitir que os Thunderbirds desçam e as capturem. Algumas histórias falam sobre Thunderbirds suspendendo Haietliks no céu e lançando-os no mar como arpões para atingir suas presas e depois capturá-las.

Um símbolo de caça as baleias

Devido as histórias de Haietliks sendo usados como arpões pelos pássaros-trovão, eles são comumente associados à caça de baleias na cultura Nuu-chah-nulth. Dizem que os baleeiros que carregam a pele dessa criatura mitológica em sua canoa têm sorte na caça às baleias. Marinheiros britânicos que visitaram o noroeste do Pacífico em 1791 teriam visto representações de Haietlik pintadas nas laterais das canoas. Imagens de Haietlik também aparecem em petróglifos na costa da Colúmbia Britânica e como decoração em arpões baleeiros.

Um símbolo ritualístico

Haietlik também foi um elemento importante em muitos rituais Nuu-chah-nulth. Quando as pessoas de duas tribos diferentes se casavam, os homens da tribo do noivo chegavam de canoa à aldeia das noivas em formação haietlik - suas canoas formavam uma linha, movendo-se em ziguezague ao redor da enseada - antes de desembarcar e distribuir cobertores como presentes para cada membro da tribo da noiva. Este ritual simbolizava a nutrição que o Haietlik proporcionava aos pássaros trovão, ajudando-os a obter seu alimento.

Outra cerimônia de casamento envolve dançarinos com máscaras de Haietlik entrando na casa da família da noiva. O ritual do lobo Nuu-chah-nulth – uma cerimônia de iniciação em que os iniciados são seqüestrados performativamente por homens com máscaras de lobo, levados para a floresta e ensinados danças importantes – também faz referência ao Haietlik. Uma das máscaras usadas nesta cerimônia representa simultaneamente um lobo e uma serpente relâmpago, e uma das danças ensinadas aos iniciados é uma dança do trovão em que um dançarino haietlik entra em uma casa pelo telhado.


fontes:
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Ruby