11 de junho de 2021

Yue Lao

 ۞ ADM Sleipnir

Yue Lao (chinês 月老, também Yue Xia Lao Ren, chinês 月下老人,  "o velho sob a lua"), é o deus chinês do amor e do casamento. Dito viver sob a lua ou "nas regiões obscuras" (Yue ming), Yue Lao é caracterizado por sua longa barba branca e pura, pelo uso de mantos imperiais amarelos e por sua expressão amigável. Ele carrega consigo uma corda ou linha vermelha de seda, a qual ele utiliza para unir casais em potencial, união essa a qual dizem que nada pode impedir. Sua lenda é a origem da popular lenda japonesa do fio vermelho do destino (Akai-ito).

A história de Wei Gu

Uma lenda originária do período da Dinastia Tang, conta sobre um jovem chamado Wei Gu (chinês 韋固), que certo dia vagava pelas ruas, lamentando o fato de não ter uma esposa. Nos arredores de uma cidade próxima, ele notou um senhor com uma longa barba branca lendo atentamente um livro.

Wei Gu perguntou ao senhor o que ele estava lendo, já que estava em um idioma que ele não conseguia compreender. O senhor, que era Yue Lao, então respondeu que aquele era o "livro do mundo inferior", no qual ele registrava a união de todos os casais. Curioso, Wei Gu perguntou ao senhor que ele encontraria uma esposa em breve, e o senhor contou-lhe que a sua futura esposa tinha apenas três anos de idade, e que ele só casaria com ela quando completasse dezessete anos.

Não acreditando em Yue Lao, mas ainda curioso, Wei Gu perguntou-lhe se ele poderia conhecê-la, e Yue Lao pediu que ele o seguisse. Levando Wei Gu até o mercado, Yue Lao lhe mostrou uma senhora carregando uma garotinha em seu colo, e então lhe disse que aquela garotinha era sua futura esposa.

Wei Gu ficou bastante irritado com aquilo, talvez pelo fato de que levaria muito tempo para que ele tivesse a esposa que tanto desejava. Ele perguntou à Yue Lao o que aconteceria caso ele a matasse, e Yue Lao lhe respondeu com outra pergunta, sobre como ele poderia matá-la se estava destinado a casar com ela. Após responder a pergunta de Wei Gu, ele desapareceu.Nesse ponto a história costuma variar. Uma versão diz que Wei Gu pegou uma pedra e atirou contra a menina, atingindo-a entre os olhos, enquanto outra diz que ele pagou um homem para ir até a menina e matá-la, porém o homem apenas conseguiu fazer um corte na região entre os seus olhos.

Passados quatorze anos, Wei Gu tornou-se um general do distrito de Xiangzhou, e Wang Tai, governador do distrito, deu a mão de sua filha em casamento a ele. A jovem era muito bela e educada, porém não conseguia encontrar nenhum pretendente. Os dois se casaram, e apesar de estar muito satisfeito com sua esposa, tinha um detalhe que Wei Gu achava muito estranho: sua esposa sempre usava uma espécie de enfeite de flores em sua testa, entre as sobrancelhas, o qual ela não tirava nem para lavar seu rosto.

Um dia, Wei Gu finalmente resolveu perguntá-la a respeito do mesmo, então ela chorou e respondeu: “Eu sou uma filha adotiva; o governador Wang Tai é meu tio. Meu pai morreu logo depois que eu nasci, e minha mãe e meu irmão também morreram muito cedo. Eu fui criada pela minha babá, que sempre me levava ao mercado quando ia vender verduras. Há quatorze anos atrás, alguém em meio à multidão me machucou em meio a testa sem nenhuma razão óbvia. O enfeite que uso serve para esconder essa cicatriz, a qual me impedia de encontrar um pretendente."

Ao ouvir isso, Wei Gu lembrou do seu encontro com Yue Lao, e finalmente acreditando em suas palavras, contou tudo à sua esposa e implorou por seu perdão.

Cultura Popular

Yue Lao tem sido historicamente uma divindade muito popular, sendo considerado uma espécie de "cupido chinês". Nos dias atuais, ele ainda recebe orações, principalmente de jovens casais, que também passam a usar um cordão fino e vermelho em volta do pulso para expressar seu desejo de ficarem juntos para sempre.


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9 de junho de 2021

Amentet

۞ ADM Sleipnir

Arte de Jerome Ressot

Amentet ( “Ela do oeste”, também conhecida como Ament, Amentit, Imentet e Imentit) é uma deusa egípcia associada aos mortos e considerada a personificação da margem oeste do Nilo. Como o sol se põe ao oeste, a direção foi associada pelos egípcios à morte e à entrada do submundo. Logo, o nome foi aplicado a cemitérios e tumbas em todo o Egito. Embora ela nunca tenha sido oficialmente adorada, Amentet foi mencionada em vários hinos e passagens do Livro dos Mortos.

Amentet era a consorte de Akeno barqueiro que guiava Rá por partes do submundo, e também era responsável por transportar as almas dos mortos para o mundo subterrâneo (semelhante ao grego Caronte). Acreditava-se que Amentet vivia debaixo de uma árvore na beira do deserto com vista para a entrada do Duat, o submundo. Ela encontrava a almas dos recém-falecidos e oferecia-lhes pão e água antes de conduzi-los ao reino dos mortos. Esse amparo os revitalizava e os preparava para o renascimento de suas almas e para as provações que enfrentariam no caminho para Aaru, o (“campo de juncos”, o paraíso egípcio).

Iconografia e associações

Amentet era freqüentemente retratada como uma rainha ocasionalmente carregando um cetro e a cruz ankh. Em sua cabeça, ela usa o sinal que representa o oeste (um semicírculo no topo de uma vara longa e outra curta) e uma pena ou um falcão. Ela era freqüentemente retratada em túmulos e caixões, protegendo os mortos, e nessas representações, ela costumava receber asas.

Amentet às vezes se fundia com as deusas Hathor Ísis (há quem acredite que Amentet não fosse uma divindade a parte, mas uma forma alternativa dessas duas deusas), Neith, Mut e Nut. Ela também era intimamente relacionada a Néftis e Maat e, de acordo com alguns mitos, era filha de Hórus e Hathor. Em sua associação com Ísis e Néftis, ela costumava ser retratada como um milhafre.

Às vezes ela era emparelhada com a divindade composta Ra-Horakthy, que representava o sol nascente, enquanto ela representava o sol poente. Ela também aparece com Iabet, (a deusa do deserto oriental) no texto funerário chamado Livro da Terra

Arte de Sol Devia

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7 de junho de 2021

Os Mestres Artesãos: Masamune & Muramasa

۞ ADM Sleipnir


Gorō Nyūdō Masamune (japonês: 五郎入道正宗) e Muramasa Sengo (japonês 千子村正) foram dois mestres artesãos lendários do Japão, famosos pelas centenas de lâminas que forjaram para os samurais. Masamune foi o criador das espadas conhecidas hoje como katanas, além das adagas chamadas Tantō, na tradição Soshu. Já Muramasa era conhecido pela agudeza de suas lâminas, que se tornaram as favoritas do clã Tokugawa.

Masamune viveu no período Kamakura (séc. XIII-XIV) e Muramasa viveu no período Muromachi (séc. XIV-XVI). As datas exatas de nascimento e de morte deles não são conhecidas, mas estima-se que Muramasa tenha nascido e vivido 300 anos depois de Masamune. Apesar de terem vivido em épocas diferentes, comparações são freqüentemente feitas entre os dois. As lâminas forjadas por Masamune são reverenciadas até hoje por alguns como sendo objetos sagrados, enquanto as lâminas forjadas por Muramasa ficaram estigmatizadas como amaldiçoadas, levando seus proprietários a cometerem assassinatos ou suicídios.


A origem da má fama das lâminas de Muramasa

Em vida, Muramasa e suas lâminas gozavam de boa reputação, porém, após sua morte e o desaparecimento de sua linhagem familiar (que pelo o que se sabe durou por mais três gerações), além de uma série de incidentes envolvendo suas lâminas, o nome Muramasa ficou manchado e assim permanece até os dias atuais. 

A má reputação das lâminas feitas por Muramasa teriam começado com os rumores de cortes acidentais, escorregões e outros acidentes envolvendo-as que resultaram em ferimentos fatais dentro do clã Tokugawa. Os rumores se espalharam como fogo pelas aldeias e cidades do Japão feudal, e conta-se que o próprio xogum Tokugawa Ieyasu baniu o uso de tais katanas em sua corte, ajudando a espalhar a ideia de que elas eram amaldiçoadas. Por causa do estigma associado a essas lâminas, alguns insurgentes e samurais inimigos do xogum eram conhecidos por usá-las como um símbolo de sua rebelião.


O nome de Muramasa passou a ser usada no teatro e na cultura popular para denotar a arma de assassinos possessos e loucos, aumentando a má reputação do seu nome. Como uma explicação para a loucura do vilão, o nome Muramasa tornou-se ligado à violência e traição. Alguns dizem que Muramasa sofria de loucura - a qual de alguma forma contaminou suas lâminas, e forçava seus donos a derramarem sangue antes de se deixar embainhar. No entanto, essa história contradiz o fato de que ele mantinha uma reputação forte e popular enquanto ainda estava vivo.

Talvez devido a má reputação das lâminas de Muramasa, nenhuma delas tenha recebido o status de Tesouro Nacional Japonês ou Propriedade Cultural Importante, ao contrário das lâminas forjadas por Masamune.

Lendas

Um conto famoso fala sobre um samurai que , desejando testar o corte de uma lâmina Masamune e outra Muramasa, colocou as duas dentro de um rio.  A lâmina de Muramasa retalhou tudo o que tocou - folhas, peixes e até o próprio ar - enquanto a água do rio simplesmente fluía passando pela lâmina de Masamune. Um monge que passava pelo local explicou ao samurai que a lâmina de Masamune era a melhor das duas, pois não cortava desnecessariamente. Em contraste, a espada forjada por Muramasa "pode cortar tanto borboletas quanto cabeças". 


Uma variação dessa história costuma colocar os próprios Masamune e Muramasa juntos, fazendo o teste de suas lâminas no rio. Outra história diz que Muramasa era um discípulo de Masamure, e com inveja da qualidade superior das lâminas de seu mestre, amaldiçoou as próprias lâminas. Mas como se sabe, os dois não viveram no mesmo tempo, logo, jamais se encontraram.

Historiadores costumam considerar Masamune e Murasama como sendo símbolos de suas respectivas eras. Muitos de seus discípulos se tornaram artesãos habilidosos por seus próprios méritos. Masamune em particular ainda possui um descendente vivo, Tsunahiro Yamanura, um progênie de 24ª geração que possui uma empresa na cidade de Kamakura, no Japão, que fabrica tesouras, facas e outros implementos laminados.

Tsunahiro Yamanura

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4 de junho de 2021

As Quatro Bestas de Daniel

۞ ADM Sleipnir

Arte de Paulo Vieira

As chamadas Quatro Bestas de Daniel são, de acordo com o Livro de Daniel, quatro reinos que precederam o "fim dos tempos" e o "Reino de Deus". Eles apareceram diante do profeta em uma visão dada a ele por Deus como quatro grandes e terríveis impérios ou reis na forma de feras temíveis.

A visão do profeta Daniel começa com uma noite ventosa e um mar agitado: “Na minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar." - Daniel 7:2. Enquanto Daniel observa, “quatro grandes bestas”, cada uma diferente das outras, emergem do mar.


Primeira besta (Daniel 7:4)

A primeira besta a aparecer na visão de Daniel foi descrita como “semelhante a um leão e tinha asas de águia”. Enquanto Daniel observa, as asas são arrancadas da besta, e a criatura fica ereta como um homem e uma mente humana é dada a ela. Mais tarde, o anjo que interpreta o sonho diz a Daniel: “Os quatro grandes animais são quatro reis   se levantarão da terra”. Esta primeira besta representa o rei Nabucodonosor da Babilônia. Sua ascensão ao status de humano reflete a libertação de Nabucodonosor de uma existência bestial e sua compreensão da verdadeira natureza de Deus.

Segunda besta (Daniel 7:5)

A segunda besta na visão de Daniel foi descrita como “semelhante a um urso. Estava erguido por um dos lados e tinha três costelas na boca entre os dentes”. Uma voz diz à segunda besta para se levantar e devorar toda a carne que puder. Esta besta representa o Império Medo-Persa; o lado erguido da criatura indica que uma das partes do reino (Pérsia) seria dominante. As três costelas na boca da criatura simbolizam as nações que foram “devoradas” pelos medos e persas. Essas três nações conquistadas são a Babilônia, a Lídia e o Egito.

Terceira Besta (Daniel 7:6)

A terceira besta a surgir foi descrita como “semelhante a um leopardo”, exceto que "tem quatro asas semelhantes a pássaros em suas costas e quatro cabeças". Além disso, a esta besta é dito ter sido dada autoridade para governar. Ela representa a Grécia, um império conhecido pela rapidez de suas conquistas. As quatro cabeças da besta são predições da divisão de quatro vias do império após a morte de Alexandre, o Grande. 

Quarta Besta (Daniel 7:7)

A última besta que Daniel vê surgindo do mar é descrita por ele como sendo aterrorizante, assustadora e muito poderosa. Este quarto animal tem “garras de bronze e grandes dentes de ferro, com as quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores, e tinha dez chifres". Esta última besta representa o Império Romano, um reino poderoso que de fato esmagou todos os seus inimigos.


O Reino do Anticristo da Quarta Besta

A atenção de Daniel é atraída para a quarta besta destrutiva, e ele pondera o significado de seus dez chifres. Então, um chifre menor começa a crescer no meio dos dez. Conforme o chifre pequeno emerge da besta, três dos chifres originais são arrancados pela raiz. 

Daniel vê que o chifre pequeno tem "olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância". As palavras arrogantes e blasfemas do chifre pequeno continuam até que o Ancião dos Dias estabeleça um dia de julgamento. Nesse dia, a besta será morta e seu corpo destruído e jogado no fogo ardente. Isso contrasta com o destino das outras três bestas, que perderam sua autoridade, mas não foram imediatamente destruídas.

Conforme a interpretação da visão é dada a Daniel, o profeta pergunta especificamente sobre a quarta besta e seus chifres. O anjo então lhe explica: os dez chifres da besta são dez reis que surgirão daquele reino. O chifre pequeno e imponente com olhos e boca de um humano representa um rei posterior; diante dele, três dos reis originais serão subjugados. Este rei mau “falará contra o Altíssimo e oprimirá seu povo santo”. Ele procurará mudar os tempos e as leis e exercerá um poder opressor sobre o povo de Deus por três anos e meio. Este líder mundial que Daniel viu é o Anticristo, o “governante que há de vir” que cria a abominação.

Dado o fato de que o Anticristo emerge da quarta besta, nos leva a supor que, no fim dos tempos, haverá uma espécie de “reavivamento” do Império Romano, apresentando uma coalizão de dez líderes mundiais. O Anticristo assumirá sua posição de liderança às custas de três desses líderes e, por fim, exercerá autoridade global. Um verdadeiro tirano, o Anticristo exigirá adoração e procurará controlar todos os aspectos da vida.

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2 de junho de 2021

Rakshasa

۞ ADM Sleipnir

Arte de Nils Hamm

Rakshasa (sânscrito: राक्षसः, rākṣasaḥ; alternadamente, Raksasa ou Rakshas; feminino: Rakshasi) é uma classe de criaturas demoníacas e semidivinas pertencente à mitologia hindu. Malignos por natureza, rakshasas são seres sedentos por carne e sangue, fazendo dos homens suas presas constantes. Eles também são conhecidos por perturbar sacrifícios, profanar túmulos, perseguir sacerdotes, possuir seres humanos, dentre outros.  Apesar disso, existem alguns poucos que se aliam aos humanos e os ajudam em suas batalhas.

A Origem dos Rakshasas

A origem dos rakshasas é explicada de várias maneiras na mitologia hindu. Segundo uma lenda, eles foram criados acidentalmente através da respiração ou do pé do deus criador Brahma, enquanto este descansava ao final do Satya Yuga, a primeira era da humanidade. Tão logo surgiram, eles se voltaram contra seu criador e começaram a devorá-lo. Quando acordou sentido suas mordidas e arranhões, Brahma gritou: "Rakshama!" ("Ajude-me!"). Seu grito foi respondido por outro deus, Vishnu, que baniu a terrível raça de demônios para a Terra. Seu nome acabou sendo derivado do grito de ajuda de Brahma. Uma outra versão diz que Brahma os criou conscientemente, com o objetivo de o protegerem enquanto descansava.

Arte de Caio Monteiro

Já em algumas obras como os Puranas, podemos traçar a origem dos rakshasas diretamente à descendentes de Brahma, como Pulastya e o sábio Kashyapa. Pulastya, por exemplo, era pai de Vishrava, que por sua vez foi pai de famosos rakshasas como Ravana e Kumbhakarna.

Características

A aparência de um Rakshasa é tão horrível quanto seus hábitos hediondos. Sua forma é basicamente humana, mas eles são mais altos do que homens e mulheres comuns, e seus membros são duas vezes mais grossos que os de um homem. Um conjunto de presas curvas se enrolam nos cantos de seus lábios, garras brotam dos dedos de suas mãos e pés, e dois chifres semelhantes aos de um touro crescem de suas cabeças. Os rakshasas mais comuns possuem uma pele manchada, cabelos escuros e olhos que lembram os de um porco. Outros mais poderosos apresentam olhos brilhantes e crinas/jubas ígneas. Os rakshasas mais poderosos podem apresentar cabeças e braços extras. 

A força bruta dos rakshasas e sua paixão pela carnificina por si só poderiam fazer de qualquer um deles um inimigo terrível. Ainda assim, eles possuem uma arma ainda mais poderosa do que presas, chifres ou garras: eles são mestres na arte da magia. Rakshasas podem voar, cuspir fogo e possuir cadáveres, usando-os para atacar seus inimigos, mas seu ramo favorito da magia é a ilusão. Eles são metamorfos incríveis, capazes de assumir qualquer forma e tamanho que quiserem, e são famosos por inventar enigmas quase impossíveis, que confundem e prendem suas vítimas. Embora rakshasas possam agir à qualquer hora do dia, eles atingem o auge de sua força durante à noite. Após o pôr do sol, os rakshasas possuem mais energia e força física, além de sua magia ficar mais potente.

Devido à tudo isso, rakshasas são criaturas extremamente difíceis de matar. A maioria dos guerreiros precisa de armas mágicas (astras), dadas a eles pelos deuses, para derrubar um desses monstros. No entanto, alguns dos maiores heróis da tradição hindu, como Bhima, foram capazes de matar rakshasas com suas mãos nuas.

Arte de Jessica Ong


Rakshasas Notáveis
  • Hidimba / Hidimbi: Uma dupla de irmãos rakshasas que aterrorizavam uma floresta e se alimentavam de qualquer um que passava por ela. Hidimba foi morto por Bhima, e sua irmã Hidimbi se apaixonou pelo herói e teve com ele um filho, Ghatotkacha.
  • Ghatotkacha: meio-rakshasa, Ghatotkacha reunia tanto as qualidades de seu pai quanto de sua raça, tornando-o um guerreiro formidável. Além disso, era leal ao seu pai e o ajudava nas batalhas sempre que este precisava.
  • Bakasura / Kirmira: Dois irmãos rakshasa também mortos por Bhima. O primeiro aterrorizava a cidade de  Ekacakra, e o segundo a floresta Kāmyaka 
  • Jatasura: outro rakshasa morto por Bhima. Este se disfarçou como um brâmane e sequestrou Yudhishthira , Sahadeva , Nakula , e Draupadi, atraindo para si a fúria do herói.
  • Ravana: o mais poderoso dos rakshasas, tido como a criatura mais poderosa do universo. Ravana era rei de Lanka e era dotado de dez cabeças. Além disso, comandava um exército composto por inúmeros rakshasas. Foi o principal adversário de Rama, avatar de Vishnu, no épico hindu Ramayana, sendo morto por ele.
  • Kumbhakarna: irmão mais novo de Ravana, mas tido como um ser de bom caráter, piedoso e inteligente. Tentou convencer o irmão a devolver Sita, esposa de Rama, e assim evitar a guerra, mas no fim seus esforços foram inúteis. Acabou lutando ao lado de seu irmão e sendo morto pelo próprio Rama.
  • Vibhishana: Outro irmão de Ravana, Vibhishana se uniu à Rama durante a guerra de Lanka, e ao final do conflito, foi coroado o novo rei de Lanka no lugar do irmão morto.
No Budismo

Conforme o budismo cresceu em popularidade, ele absorveu muitos dos personagens da mitologia hindu. Os budistas associavam os rakshasas à Mara, uma espécie de divindade que representava todos os vícios que poderiam atacar um seguidor de Buda no caminho para a iluminação. Em uma história, o próprio Buda encontrou um rakshasa hostil, que ameaçou devorá-lo se ele não conseguisse responder aos seus enigmas. Felizmente, o Buda onisciente respondeu às perguntas com facilidade, e o demônio ficou tão impressionado que se tornou um seguidor do budismo.

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31 de maio de 2021

A Mitologia Grega em "Sangue de Zeus"

۞ ADM Sleipnir

Sangue de Zeus (Blood of Zeus no título original em inglês) é uma série de animação criada para a Netflix pelos irmãos Charley e Vlas Parlapanides, sendo produzida pelos estúdios Powerhouse Animation Studios, IncMua Film, os mesmos que produziram a série animada de Castlevania, também para a Netflix.

Estreou no serviço de streaming no dia 27 de outubro de 2020 e surpreendeu pela qualidade das animações e pela história, inspirada na mitologia grega e em particular na Gigantomaquia, a guerra entre os deuses do olimpo e os Gigantes, filhos de Gaia. A animação respeitou muitos elementos da mitologia, enquanto adaptou outros para o que entenderam ser melhor para a narrativa e para a história que pretendiam contar. Aliás, em seu prólogo, eles afirmam que aquele era um dos contos "perdidos na história", deixando claro que a intenção deles não era transmitir os mitos originais com exatidão. De toda forma, os produtores foram muito fiéis em alguns aspectos, alguns desses os quais quase nunca ninguém segue a risca o material original, enquanto em alguns eles se permitiram alterar ao seu modo. 

Nessa publicação, eu trago os principais pontos onde a animação leva ou não leva a mitologia original à risca. Para quem não assistiu a série ainda, recomendo que o faça antes de ler o post, pois haverão SPOILERS.

A Representação do Submundo

É muito comum relacionarem e retratarem o submundo grego ao inferno, como se ele todo fosse o próprio. Porém, o submundo grego é composto de várias seções para onde vão pessoas que levaram diferentes estilos de vida, sendo o Tártaro a seção que mais se equivale ao inferno cristão.

A animação acertou em mostrar essas seções separadas uma da outra quando a alma de Electra, mãe do protagonista Heron (filho dela com Zeus)é levada ao submundo por Hermes, e é deixado implícito que ela iria para os Campos Elísios, a seção para almas virtuosas como os heróis e para os que tinham uma proximidade com os deuses. Enquanto isso, Serafim (um dos antagonistas) e´ enviado no fim ao Tártaro, por suas ações ao longo da série.

Quíron

Quíron foi precisamente retratado como ele é de fato: como o mais sábio e justo dos centauros. Em sua participação na trama, aliou-se aos demônios porque eles ameaçaram seu povo, porém usou sua inteligência para enganá-los e assim ajudar sua aluna. Quíron também é o único centauro representado vestido nas artes gregas, o que a animação também acertou.

Cérbero

Na animação, Cérbero foi usado como um cão de caça para rastrear os protagonistas, sendo tratado como um monstro qualquer. Na mitologia, Cérbero não é um monstro qualquer. Ele é o cão de guarda de Hades, e sua função é a de guardar os portões do submundo para garantir que nenhuma alma possa sair dele e que nenhum ser vivo possa entrar.

Outra diferença entre o Cérbero da animação e o mitológico está em sua aparência. Enquanto o da animação é só um cão gigante de três cabeças, o Cérbero mitológico é descrito como tendo garras de leão e uma cauda de serpente, além de ter uma juba repleta de serpentes. 


Serafim e seus seguidores demônios

Nesse núcleo praticamente nada tem conexão com a mitologia grega. Começando pelo nome do antagonista, Serafim, que vem do latim e representa uma classe de anjos da teologia cristã. Ele e seus seguidores são chamados de demônios, termo esse que apesar de enraizado na palavra grega daimon, não tem o mesmo significado. Serafim e seus seguidores comeram a carne de um dos gigantes e assim foram corrompidos por eles, tornando-se criaturas das trevas.

Serafim usa como arma o bidente de Hades, que ele encontrou cravado no corpo do gigante ao qual devorou a carne.

Os Gigantes 


Os gigantes são apresentados na série como os adversários dos deuses olímpicos, surgindo logo após a queda dos titãs. Enquanto na mitologia eles nasceram de Gaia através do sangue de Urano que caiu sobre ela após ele ter sido castrado por Cronos, na série  eles são descritos como nascidos do sangue do último titã caído. Também na mitologia, os Gigantes nasceram logo depois que os titãs começaram a governar o cosmos, com seu conflito contra os deuses tendo início logo após a derrota dos titãs.

Já o design dos gigantes lembram em alguns casos outras criaturas da mitologia grega que não tinham relação direta com eles. Por exemplo, um dos gigantes possui uma aparência atribuída na mitologia grega à Tifão, filho de Gaia e Tártaro e pai de muitos dos monstros gregos. Outros dois gigantes evocam os Hecatônquiros e os Ciclopes, seres esses que foram os primeiros filhos de Urano e Gaia. Na série, esses dois gigantes se aliaram a Zeus e ajudaram os deuses olímpicos a derrotarem os demais gigantes. Na mitologia, os Ciclopes e os Hecatônquiros também ficaram do lado de Zeus, mas isso ocorreu na Titanomaquia, e não na Gigantomaquia. 


Na série, os gigantes são derrotados pelos deuses ao terem suas almas roubadas e seladas em uma espécie de caldeirão, enquanto seus corpos sem vida ficam presos no fundo do mar. Na mitologia porém, os gigantes são simplesmente mortos, com o único detalhe que para isso acontecer, os deuses precisavam combatê-los com a ajuda de um ser humano (Héracles). Os roteiristas provavelmente pegaram inspiração em elementos da Titanomaquia e do mito de PandoraAo final da Titanomaquia, os titãs derrotados foram selados no Tártaro, sendo guardados pelos monstruosos Hecatônquiros. Na animação, o caldeirão onde as almas dos gigantes foram seladas é guardado pelo autômato de bronze Talos, para que ninguém pudesse liberá-los.

Talos 

Falando em Talos, na mitologia grega ele nada tem haver com os gigantes ou a Gigantomaquia em si. Na verdade ele era o guardião da ilha de Creta, onde a amante de Zeus, Europa, vivia exilada. Foi construído por Hefesto à pedido de Zeus, e presenteado à sua amante para que a protegesse de possíveis invasores e outras ameaças.

Na série, é confrontado e derrotado por Serafim, que consegue assim libertar as almas dos gigantes.

A ausência de Héracles

Como citado no tópico anterior, Héracles foi um personagem importante no conflito com os gigantes, pois somente com sua ajuda os deuses poderiam matá-los. Na animação, o personagem é completamente omitido, não aparecendo nenhuma vez. Os roteiristas claramente o substituíram por Heron, dando ao público alguém mais "neutro" em relação a trama, que juntamente com público, iria descobrindo cada vez mais sobre a mesma. Algo similar aconteceu recentemente com o novo filme de Mortal Kombat, onde os roteiristas tiraram o personagem Johnny Cage e inseriram em seu lugar um novo personagem chamado Cole Young.

Hera


Em termos de caracterização da deusa, a animação acertou. Hera é bem conhecida por perseguir as amantes de Zeus e os filhos nascidos dessas uniões. Portanto, faz muito sentido que em algum ponto Hera finalmente se abata e tente encontrar um meio de se vingar de Zeus, tornando-se a principal antagonista da animação. A imprecisão quanto a mitologia aqui é a sua habilidade de reunir os deuses contra Zeus. Embora seja verdade que os deuses temem Hera quando ela está furiosa, eles não a temem a ponto de ficar do lado dela. Pois, mesmo quando enfurecida, ela não é páreo para Zeus, nem sozinha e nem reunida aos demais olimpianos.

Outra imprecisão é o uso de corvos que a deusa utiliza para espionar o mundo dos homens. Hera nunca foi retratada com corvos como seu animal sagrado ou simbólico. Na verdade, Hera é frequentemente simbolizada por pavões, vacas, panteras e leões. Associá-la a corvos foi feito sem dúvida para fazê-la parecer mais vilã. 

Zeus 

Zeus tem bastante destaque na série, já que suas ações desencadeiam os conflitos da mesma. Muitos detalhes de sua personalidade foram acertados, como o fato dele ter seus casos amorosos pelas costas de Hera, e de tentar proteger as mulheres e seus filhos com elas dos ataques da sua enciumada esposa.

Uma imprecisão em si é como a animação resolveu abordar a relação dele com Electra, mãe do protagonista Heron. O relacionamento dos dois é retratado como sendo algo terno e doce, quando na verdade era muito errado e abusivo. Zeus simplesmente se sentia atraído sexualmente por alguma mulher (ou homem, na mitologia em si) e arrumava um jeito de se disfarçar e ter relações com essa mulher. Outra imprecisão é como Zeus é tratado como um cafajeste, porém com um "coração de ouro", quando na verdade, Zeus é somente cafajeste mesmo.

Talvez a maior controvérsia seja o fato de Zeus ser retratado na animação como tendo medo dos outros deuses olímpicos se unirem para lutar contra ele, enquanto na mitologia ele é inúmeras vezes descrito como o mais poderoso deles. Vale lembrar o mito onde Hera se une à Apolo, Poseidon e Atena para tentar destroná-lo, e ao ver seu plano falhar, eles imploram pela sua misericórdia. Embora houvessem seres que Zeus temia (como por exemplo a deusa primordial Nix e o temível monstro Tifão), os olimpianos certamente não estavam entre eles.

Os demais deuses do Olimpo

Hermes e Apolo foram representados de forma bem precisa. Hermes inclusive é talvez o deus mais fielmente adaptado na animação. Ele é mostrado não só como o mais rápido dos deuses, mas também atuando como psicopompo, guiando a alma dos mortos até o submundo e entregando-as ao barqueiro Caronte. Hermes ainda usa seu elmo mágico que o torna invisível.

Apolo é representado como um deus jovem e belo, e em uma cena do quinto episódio ele é visto em uma cama ao lado de um homem e uma mulher, evidenciando sua bissexualidade (na mitologia grega há muitas histórias envolvendo seus amantes tanto masculinos quanto femininos). O apoio de Hermes e Apolo à Heron faz sentido, uma vez que os dois são filhos bastardos de Zeus (Apolo e sua irmã Ártemis são filhos da titânide Leto, enquanto Hermes é filho da plêiade Maia)

Ares ter ficado ao lado de Hera em seu conflito com Zeus faz sentido, já que o deus é tido como seu filho preferido e estava sempre disposto a tomar partido dos problemas da mãe.Já Hefesto, ficando do lado de Zeus, concorda com a versão do seu mito onde Hera o atira do Olimpo após o nascimento, por este ter nascido coxo. 

Todos os demais deuses ficaram ao lado de Hera em seu conflito contra Zeus, algo que, como já disse no parágrafo a respeito de Zeus, não faz sentido do ponto de vista mitológico. Além de se posicionarem contra Zeus, eles ainda o zombavam pelas costas por seu comportamento em relação a suas amantes terrenas, o que era considerado uma vergonha para alguém que era o rei dos deuses. O curioso é que na mitologia muitos deles tinham o mesmo comportamento. Na mitologia Poseidon tem um comportamento igual ou pior ao de seu irmão, com a exceção de que sua esposa Anfitrite não parecia se importar com isso. Afrodite foi flagrada por Hefesto tendo relações com Ares, o que motivou seu divórcio.

Hades

Hades é frequentemente retratado na cultura popular como sendo um deus maligno e um vilão, muito por causa da sua famosa adaptação no filme animado Hércules (1997). Porém, na mitologia grega ele é na verdade um deus neutro e justo. A animação acertou em deixá-lo de fora dos conflitos entre Zeus e Hera, apesar de sua aparição na cena final da temporada ter deixado a entender que ele será um antagonista na temporada seguinte.

Conclusão

Sangue de Zeus é uma grande adaptação da mitologia grega, acertando em muitas coisas, errando e até mesmo se equivocando em outras, mas nada que prejudique a experiência. Eu pessoalmente gostei muito, apesar de que gostaria muito mais se tivessem sido mais fiéis a mitologia. Recomendo!

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28 de maio de 2021

Danu

۞ ADM Sleipnir

Arte de Genzoman

Danu (também Anu, Anna, Anann, Dana, Danann) é a deusa-mãe ancestral irlandesa, da qual todos os Tuatha Dé Danann são ditos descenderem. Apesar de sua importância para a mitologia irlandesa, a sua figura permanece um grande mistério. Apesar de ser uma divindade muito antiga, Danu não aparece nos mitos e textos celtas maiores. Embora estudiosos tenham freqüentemente buscado respostas sobre esta matriarca misteriosa, poucos detalhes definitivos foram encontrados.

Embora Danu fosse a deusa mãe e homônima dos Tuatha Dé Danann, muito sobre ela permanece envolto em mistério. Danu era a fonte da herança comum da tribo, bem como sua nobreza, unidade e poder. Como uma deusa da soberania e do poder, Danu concederia presentes aos governantes e aos de nascimento nobre. Embora esses presentes variassem em valor e substância, é claro que os reis, chefes e líderes dos Tuatha Dé Danann retiraram seu poder dela. Os Tuatha Dé Danann eram criativos, astutos e habilidosos, e foi teorizado que Danu era a fonte de tais talentos.

Arte de Pernastudios

Como uma deusa-mãe, acreditava-se que Danu amamentou muitos dos deuses e incutiu neles um senso de sabedoria. Dada a natureza migratória dos Tuatha Dé Danann, especulou-se que ela também era uma deusa do vento ou da terra, e essa suposta conexão com a terra também a ligava às fadas, aos montes de fadas e às muitas pedras eretas e dólmens da Irlanda. Uma das conexões mais fortes de Danu era com o Danúbio, um grande rio europeu que as tribos celtas teriam seguido durante suas migrações. Acredita-se que o nome do rio seja de origem céltica ou cita, o que dá crédito a essa teoria. Muitos acreditam que Danu era uma representação desse antigo rio, ao qual as tribos celtas podem ter considerado um ancestral.


De todas as características de Danu, a mais bem estabelecida era sua família. Todos os membros do Tuatha Dé Danann descendiam dela de uma forma ou de outra. Reis, guerreiros, artesãos, músicos, trapaceiros, juízes, poetas e atletas vieram de uma única fonte: Danu. Embora seu marido permaneça desconhecido, o assunto é amplamente irrelevante. A tradição irlandesa afirma que Danu era o ancestral notável da tribo, independente de qualquer marido ou pai que ela pudesse ter.

A tradição neopagã acrescentou aos mitos de Danu muitas coisas que não estavam presentes na tradição irlandesa. Por exemplo, a tradição neopagã a reverencia como uma deusa tripla, tanto em associação com a deusa Morrígan quanto de forma independente. Há pouco consenso entre os neopagãos quanto ao que Danu representa, no entanto, e ela é em grande parte uma folha em branco para os praticantes usarem como quiserem. A falta de um mito definitivo para Danu sugere que ela era uma deusa antiga, e alguns acreditam que seu nome era um título que poderia pertencer a qualquer número de indivíduos.


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26 de maio de 2021

A Caçada Selvagem

۞ ADM Sleipnir


A Caçada Selvagem é uma antiga crença folclórica européia, na qual um grupo de cavaleiros fantasmagóricos e espectrais sai durante a noite para caçar, cavalgando pelos céus ou pela terra acompanhados por cães de caça, pássaros carniceiros, valquírias, elfos, dentre outras figuras. O evento era visto um presságio de catástrofes, ocorrendo antes de períodos de guerras, pragas e fome, e trazia a morte aos azarados o suficiente para testemunhá-lo. 

Em algumas tradições, aqueles que vêem a Caçada Selvagem também podem ser abduzidos pelos cavaleiros. Eles seriam arrastados para o reino das fadas ou obrigados a se unir à caçada. A caçada era tipicamente encabeçada por figuras reconhecíveis. O deus Odin é o mais comumente nomeado como o seu líder, mas as inúmeras variações da caça nomeiam muitos deuses, heróis e até mesmo figuras históricas como os seus líderes. 

O termo Caçada Selvagem foi popularizado pelo escritor Jacob Grimm, que estudou o folclore da Alemanha e de outras culturas relacionadas, e identificou o evento estritamente com as tradições germânicas, ignorando talvez o fato de que ele foi atestado na maior parte da Europa, com cada país, e freqüentemente cada cidade, possuindo sua própria versão do que era a caça e de como sobreviver a ela. 


Alemanha

Na Alemanha, a Caçada Selvagem é normalmente liderada pelo deus Wotan, embora divindades femininas como Perchta e Holda/Holle fossem às vezes identificadas em seu lugar. Às vezes, é liderada pelo espírito de um antigo governante, conhecido como Conde Hackelberg ou Conde Ebernberg, que está condenado a passar a eternidade cavalgando com a caça devido aos seus erros cometidos em vida. 

Lobisomens são comuns nas representações alemãs da Caçada Selvagem. Em vez de atacar os transeuntes, esses monstros geralmente roubavam comida e cerveja das casas pelas quais a caça passava. Dizia-se às vezes que essas versões da caça tinham uma presa específica, geralmente uma jovem. Às vezes, esta era uma vítima inocente, mas em outros casos, era um demônio feminino. Em outros relatos, a caçada não perseguia a presa. Em vez disso, eles lutavam entre si e matavam qualquer pessoa infeliz que por acaso estivesse por perto.

Escandinávia

Na Escandinávia, a Caçada Selvagem é conhecida como Oskoreia ou Asgårdsreia (norueguês: "cavaleiros ruidosos", "O Passeio de Asgard"), e Odens jakt ou Vilda jakten (sueco: "a caçada de Odin" ou "caçada selvagem"). Era tipicamente liderada por Odin, mas raramente vista pelos homens. Sua passagem podia ser reconhecida pelo som dos cães de Odin latindo, mas nenhum outro ruído podia ser ouvido. Lendas locais ofereciam conselhos sobre como ficar seguro quando a Caçada Selvagem passava. De acordo com uma história, Odin andava em uma carruagem puxada por bois, de modo que se atirar ao chão evitaria que uma pessoa fosse atingida pelo jugo.



França

Na França, a Caçada Selvagem é conhecida como Mesnée d'Hellequin (francês antigo: "família de Hellequin"). Os franceses provavelmente adotaram a Caçada Selvagem dos normandos, povo germânico estabelecido no norte da França. Foram tantas as variações locais que se desenvolveram na França, que a lenda tornou-se conhecida também em partes do Canadá francófono.

Grã-Bretanha

Um relato inglês datado de 1127 fala de várias "testemunhas confiáveis", incluindo monges, de uma Caçada Selvagem cavalgando entre as cidades de Peterborough e Stamford durante um período de nove semanas. Nessa caçada, cerca de vinte ou trinta cavaleiros enormes foram relatados cavalgando cavalos pretos e cabras.

Enquanto os primeiros relatos medievais retratavam a Caçada Selvagem como demoníaca, romances posteriores a imaginaram como uma hoste de fadas. Os líderes ingleses da Caçada Selvagem incluíam Nuada, o Rei Arthur, Herne, o Caçador, Eadrico, o Selvagem e o Rei Herla. Em uma lenda posterior de Dartmoor, a Caçada Selvagem foi liderada por Sir Francis Drake. No País de Gales, a Caçada Selvagem é freqüentemente liderada por Gwyn ap Nudd, o governante do Mundo Inferior. Diz-se que o herói trapaceiro Gwydion o lidera em seu lugar. A Caçada Selvagem irlandesa é normalmente associada à mitologia local. Conhecida como Fairy Cavalcade, é liderada por heróis mitológicos como Fionn mac Cumhaill ou Manannan mac Lir.

Em toda a Grã-Bretanha, a Caçada Selvagem é geralmente associada a lendas locais de cães infernais ou cães negros. Diz-se que os cães de caça perseguem pecadores e não batizados.


Por toda a Europa, os personagens mitológicos da Caçada Selvagem foram freqüentemente sendo substituídos por figuras bíblicas. Vilões da tradição cristã, como Herodes, Caim ou o próprio Diabo, às vezes costumavam liderar demônios e mortos em busca de vítimas.

As histórias da Caçada Selvagem são frequentemente associadas à era medieval, mas permaneceram como parte do folclore europeu por muitos séculos. Ainda no século XIX, persistiam rumores de que um rei e seu grupo de caça podiam ser ouvidos cavalgando perto do Castelo de Cadbury nas noites de inverno.

Cultura Popular
  • A canção country americana "Ghost Riders in the Sky", de Stan Jones, fala sobre caubóis perseguindo o gado do Diabo no céu noturno, lembrando o mito europeu. O músico folk sueco The Tallest Man on Earth lançou um álbum em 2010 intitulado The Wild Hunt, e em 2013 a banda de black metal Watain, também sueca, lançou um álbum com o mesmo título;
  • Na série de histórias em quadrinhos Hellboy, de Mike Mignola, duas versões do mito da Caçada Selvagem estão presentes. Em The Wild Hunt, o herói recebe um convite de nobres britânicos para participar de uma caça gigantesca, "The Wild Hunt", que eles chamam segundo a lenda de "Herne, deus da caçada". Em King Vold, Hellboy encontra o "Rei Vold, o caçador voador" cuja figura é baseada no conto folclórico norueguês "O Caçador Voador (o rei sem cabeça Volmer e seus cães)" de acordo com Mignola;
  • A série da MTV Teen Wolf apresenta a Caçada Selvagem como os principais vilões da primeira metade da sexta temporada. Ela leva a lenda um pouco mais além, dizendo que a Caça Selvagem apaga as pessoas de existência, e aqueles tomados pela Caçada tornam-se membros, após eles serem apagados e esquecidos;
  • A Caçada Selvagem é representada na série de romances de fantasia Wiedźmin de Andrzej Sapkowski e no game de RPG de 2015 da CD Projekt Red The Witcher 3: Wild Hunt, baseado nos livros, depois de ter sido muito referenciada durante os eventos e flashbacks de The Witcher 2. A Caçada Selvagem estará presente na segunda temporada da série na Netflix.
  • A trilogia Os Artifícios Das Trevas, de Cassandra Clare, publicada de 2016 à 2018, e em alguns contos do mesmo universo, contam com algumas aparições da Caçada e seu líder, Gwyn ap Nudd, é um personagem recorrente.
Arte de Bryan Fogaça Rosado

fontes:
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Ruby