Olentzero (basco: olents̻eɾo, também Onenzaro, Onentzaro, Olentzaro, Ononzaro e Orentzago) é uma figura tradicional do folclore basco, associada às celebrações do Natal no País Basco, em Navarra e em regiões vizinhas do sudoeste da França. Tradicionalmente representado como um carvoeiro ou camponês das montanhas, Olentzero passou a desempenhar, na atualidade, o papel de portador de presentes às crianças na madrugada de 24 para 25 de dezembro. Ao longo do século XX — especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980 — consolidou-se como um dos principais símbolos da identidade cultural basca.
Origem
As origens de Olentzero são consideradas complexas e continuam sendo objeto de debate entre pesquisadores. De modo geral, há consenso de que a figura possui raízes em tradições pré-cristãs ligadas ao solstício de inverno, período que, em muitas culturas europeias antigas, simbolizava o fim do ano velho e o início de um novo ciclo natural. No entanto, não é possível determinar com precisão quando o mito surgiu nem qual teria sido sua forma original.
As primeiras referências documentais claras aparecem no século XVII. O escriba navarro Lope de Isasti registrou a tradição ao mencionar que, na noite de Natal, chamava-se onenzaro de “a estação dos bons” (la sazón de los buenos). Documentos posteriores dos fueros de Navarra confirmam que o termo continuou a ser utilizado ao longo dos séculos XVII e XVIII.
A vila de Lesaka, em Navarra, é frequentemente apontada como um dos centros mais antigos da tradição. Registros etnográficos do início do século XX — especialmente um informe de 1928 reunido pelo pesquisador Julio Caro Baroja — descrevem a confecção de um boneco de palha chamado Olentzero, que era levado em procissão e depois queimado em praça pública. Essa prática está ligada a rituais europeus de destruição simbólica associados à passagem das estações.
Etimologia
A origem do nome Olentzero admite várias interpretações. A explicação mais aceita pelos estudiosos relaciona o termo a elementos do euskera: on (“bom”), combinado com um sufixo genitivo plural, e -zaro (“tempo” ou “estação”). O significado resultante seria algo como “tempo das coisas boas” ou “estação dos bons”, estrutura semelhante à ideia expressa em nochebuena (“noite boa”), em espanhol.
Outras hipóteses — hoje consideradas pouco prováveis — sugerem ligações com o francês Noël, com expressões cristãs como “O Nazareno” ou com construções como oles-aro (“estação das esmolas”). Pesquisadores como Julio Caro Baroja rejeitaram essas interpretações por falta de base histórica ou coerência linguística.
Mitologia
Jentilak e origens pagãs
Na mitologia basca, Olentzero é frequentemente associado aos jentilak, gigantes ancestrais dotados de grande força e ligados aos ciclos naturais e à vida agrária. Segundo uma narrativa difundida, os jentilak teriam visto no céu uma estrela ou nuvem luminosa incomum, interpretada como sinal do nascimento de Jesus Cristo. Diante desse acontecimento, os gigantes desapareceriam: alguns teriam se lançado de penhascos, outros se escondido sob a terra. Olentzero, geralmente descrito como o mais velho ou o único que aceitou a nova era, teria permanecido como o último representante daquele mundo antigo.
Cristianização e sincretismo
Com o avanço do cristianismo no território basco, Olentzero passou a ser reinterpretado como anunciador do nascimento de Cristo. A figura, antes ligada ao fim dos ciclos naturais e à destruição simbólica do ano velho, passou a representar a passagem das trevas para a luz, tanto em sentido religioso quanto simbólico. Esse processo é frequentemente citado como exemplo de sincretismo, no qual crenças pagãs foram incorporadas e ressignificadas pela tradição cristã.
Narrativas alternativas
Existem também versões lendárias diferentes sobre sua origem. Uma delas descreve Olentzero como uma criança abandonada na floresta, encontrada por uma fada que lhe concedeu força e bondade. A fada o teria entregue a um casal idoso sem filhos. Já adulto, Olentzero torna-se um carvoeiro generoso, conhecido por fabricar brinquedos de madeira e distribuí-los às crianças da aldeia.
Em versões mais elaboradas, ele realiza um ato de sacrifício — como salvar crianças de um incêndio — e, como recompensa, recebe a imortalidade da fada, podendo retornar todos os anos para levar alegria e presentes. Essas narrativas reforçam sua associação moderna com valores como solidariedade e altruísmo.
É importante destacar que essas histórias variaram bastante conforme a região e a época. Muitas delas foram organizadas ou reforçadas durante o século XX, como parte de esforços conscientes de valorização e revitalização cultural.
Iconografia
Tradicionalmente, Olentzero é representado como um homem robusto, de aparência rústica, vestindo roupas típicas do camponês basco das montanhas. Entre os elementos mais comuns estão a txapela (boina), o colete, as calças grossas e o lenço no pescoço. Seu rosto e suas roupas costumam aparecer sujos de fuligem, em referência direta ao ofício de carvoeiro. Barba grisalha, cachimbo e um grande saco — originalmente de carvão e, mais tarde, de presentes — completam sua imagem.
Seu corpo grande e corpulento simboliza abundância, generosidade e a personificação do “ano velho”, que precisa ser consumido para dar lugar ao novo ciclo.
Evolução da imagem moderna
Durante muito tempo, Olentzero teve uma imagem ambígua ou até ameaçadora em algumas localidades. Em certos lugares, era usado para assustar crianças ou associado a comportamentos considerados excessivos. Em Areso, por exemplo, dizia-se que Olentzero pegava crianças que ficavam na rua à noite; em Larraun, era descrito como um bêbado de olhos vermelhos; em Dima, aparecia armado com uma foice, sendo usado para impor obediência ao jejum antes do Natal.
Ao longo do século XX, especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980, essa imagem foi sendo suavizada e transformada, aproximando-se da figura do “bom velhinho” natalino. Um marco importante ocorreu em 1952, quando o grupo Irrintzi Elkartea, da cidade de Zarautz, iniciou um processo consciente de revitalização da tradição, eliminando aspectos mais assustadores e tornando Olentzero mais adequado ao público infantil. A partir de 1956, essas versões revitalizadas começaram a se espalhar para além da região de Gipuzkoa. Nos anos 1970, Olentzero consolidou-se como distribuidor de presentes, tornando-se uma alternativa cultural basca aos Reis Magos e ao Père Noël francês.
Celebrações contemporâneas
Atualmente, Olentzero é uma das figuras centrais do Natal em muitas comunidades bascas. Na noite de 24 de dezembro, realizam-se procissões e desfiles chamados kalejiras, que combinam encenações, música tradicional e a coleta de alimentos, bebidas ou doces entre os moradores — prática que remete a antigos costumes de pedir esmolas. Embora tenham raízes históricas, essas celebrações se expandiram e se organizaram de forma mais sistemática a partir das décadas de 1970 e 1980, dentro de um movimento mais amplo de revitalização cultural.
Em muitas localidades, Olentzero é acompanhado por Mari Domingi, uma figura feminina inspirada em tradições mitológicas e em uma canção natalina basca. Sua presença nas festividades tornou-se mais comum a partir de 1994. Vestida com trajes tradicionais, Mari Domingi representa a dimensão feminina das celebrações do solstício e contribui para uma maior paridade de gênero entre as figuras que distribuem presentes no Natal basco.
Significado cultural
Além de seu papel festivo, Olentzero adquiriu forte importância cultural e identitária no século XX. Durante a ditadura franquista (1939–1975), expressões da cultura basca foram amplamente reprimidas, e as celebrações tradicionais sofreram restrições. Como símbolo da identidade basca, Olentzero foi diretamente afetado por esse contexto de repressão cultural.
Após a Transição Espanhola e a restauração da autonomia regional, Olentzero foi recuperado e promovido como emblema da continuidade cultural basca. Esse resgate não significou apenas a retomada de uma tradição antiga, mas também sua adaptação consciente às realidades contemporâneas.
Pesquisadores destacam que a importância atual de Olentzero resulta tanto de tradições folclóricas antigas quanto de processos modernos de reinterpretação e construção identitária. Assim, Olentzero é compreendido como uma figura de síntese, que reúne elementos pagãos pré-cristãos, camadas cristãs medievais e práticas contemporâneas, permanecendo como um dos símbolos mais vivos e reconhecíveis do Natal na cultura basca.
Hans Trapp é um temido bogeyman (bicho-papão) das regiões de Alsácia e Lorena, no nordeste da França. No folclore local, ele acompanha São Nicolau durante o período natalino, desempenhando um papel análogo ao de figuras como o Knecht Ruprecht na Alemanha ou o Père Fouettard na Lorena. Enquanto o santo recompensa as crianças boas, Hans Trapp ameaça e pune as desobedientes. Quando o Natal se aproxima, basta ouvir "Hans Trapp está vindo" para que as crianças da Alsácia empalideçam.
A Lenda
A origem de sua lenda situa-se no século XV. De acordo com as tradições folclóricas, Hans Trapp era um homem extremamente rico e influente, mas também vaidoso, cruel e inescrupuloso. Sua vida girava em torno de abusos, violência e ganância. Muitos acreditavam que ele adorava Satanás e praticava magia negra para enriquecer e manter seu poder.
Quando a Igreja Católica tomou conhecimento de suas práticas — segundo a narrativa lendária — Hans foi levado até o Papa em Roma e excomungado por sacrilégio e envolvimento com o ocultismo. Ao retornar à Alsácia, foi rejeitado pelos habitantes, que fugiam dele como de um animal selvagem. Suas terras e bens foram confiscados, deixando-o sem nada. Expulso, Hans se refugiou na floresta, isolando-se nas cercanias do Palatinado, onde construiu um abrigo improvisado. A solidão e o ódio o levaram à loucura. Obcecado por vingança e mergulhado cada vez mais no satanismo, desenvolveu um desejo diabólico: comer carne humana. Ele passou a vagar pelo campo disfarçado de espantalho, enchendo roupas esfarrapadas com palha e escondendo-se em plantações à espera de uma vítima.
Um dia, viu um jovem pastor de dez anos passando pela mata. Salivando diante da ideia de provar sua carne, Hans atacou o menino com um bastão afiado, matou-o e levou o corpo para seu casebre. Ali o esquartejou e assou em pedaços. Quando estava prestes a dar sua primeira mordida, um raio caiu do céu e o matou instantaneamente — punição divina, segundo a tradição, que impediu que seu crime se repetisse. Desde então, diz-se que seu espírito retorna no Natal, vestido como o mesmo espantalho sinistro, perambulando de casa em casa em busca de crianças travessas, ansiando pela carne que jamais pôde provar.
Apesar do dramatismo folclórico, a figura tem base histórica. Hans von Trotha — o provável modelo de Hans Trapp — nasceu por volta de 1450 e morreu em 26 de outubro de 1503. Cavaleiro poderoso, chegou a controlar o castelo de Berwartstein e suas dependências, próximo à Floresta do Palatinado, entre a França e a Alemanha. Tornou-se célebre por um violento conflito com o abade de Wissembourg, envolvendo represamento de rios, inundações e acusações mútuas que culminaram com sua excomunhão pelo Papa Júlio II e posterior banimento imperial.
Apesar dos conflitos religiosos, a trajetória histórica de Hans von Trotha tomou um rumo bem diferente da lenda. Graças a seus talentos diplomáticos, foi enviado à corte do rei francês Luís XII, onde foi agraciado com o prestigioso título de Chevalier d'Or (Cavaleiro de Ouro) — uma honraria que demonstra seu estatuto político real. Após sua morte, todas as acusações foram retiradas, mas sua reputação contribuiu para que sua figura se transformasse em lenda.
Snegurochka (em russo: Снегурочка, também conhecida como Donzela da Neve ou Menina de Neve)é uma personagem dos contos de fadas russos. Em diferentes narrativas, ela é chamada de Snegurka, uma forma diminutiva carinhosa, ou simplesmente de Donzela de Neve em traduções ocidentais.
Apesar de sua popularidade atual, a personagem não apresenta raízes claras na mitologia ou nos costumes eslavos tradicionais, surgindo pela primeira vez no folclore russo no século XIX. Desde meados do século XX, durante o período soviético, Snegurochka passou a ser associada às celebrações de Ano Novo, onde desempenha o papel de neta e ajudante de Ded Moroz (o "Avô Gelo"), especialmente em festas infantis.
Versões e Adaptações de Contos Populares
Uma das primeiras versões conhecidas sobre uma garota feita de neve chamada Snegurka foi publicada em 1869 por Alexander Afanasyev no segundo volume de sua obra A Perspectiva Poética sobre a Natureza dos Eslavos. Nesse conto, um casal de camponeses sem filhos, Ivan e Marya, cria uma boneca de neve que ganha vida. Na história, Snegurka cresce rapidamente e, ao ser convidada por um grupo de amigas para um passeio na floresta, acabam fazendo uma fogueira e pulando sobre ela. Quando chega a vez de Snegurka, ela evapora em uma pequena nuvem ao tentar atravessar as chamas. Em algumas variantes, esse evento ocorre no Dia de São João, uma celebração tradicional eslava. Essa versão foi incluída por Louis Léger em Contes Populaires Slaves (1882) e mais tarde adaptada por Andrew Lang como "Floquinho de Neve" em The Pink Fairy Book (1897).
Em outra narrativa, Snegurochka é filha da Primavera, a Bela (Весна-Красна) e Ded Moroz. Ela anseia pela companhia de mortais e se apaixona por um jovem pastor chamado Lel. Contudo, seu coração inicialmente não conhece o amor. Comovida, sua mãe lhe concede essa capacidade, mas, ao experimentar o calor do amor, Snegurochka derrete. A versão dramática dessa história foi transformada na peça A Donzela da Neve por Aleksandr Ostrovsky, em 1873, com música incidental composta por Pyotr Ilyich Tchaikovsky.
No balé, Ludwig Minkus e o maestro Marius Petipa encenaram uma adaptação intitulada A Filha das Neves para o Balé Imperial em 1878. Posteriormente, Nikolai Rimsky-Korsakov criou a ópera A Donzela da Neve: Um Conto de Fadas da Primavera (1880–81), explorando a mesma narrativa.
Durante o período soviético, a história foi adaptada para dois filmes: um filme de animação em 1952, utilizando parte da música de Rimsky-Korsakov, e o filme de live-action A Donzela da Neve (1968), dirigido por Pavel Kadochnikov, com trilha sonora de Vladislav Kladnitsky.
Na literatura infantil moderna, Ruth Sanderson reinterpretou a história em seu livro ilustrado A Princesa da Neve. Nessa versão, o amor não destrói Snegurochka de imediato, mas a transforma em uma mortal que eventualmente enfrentará a morte como qualquer ser humano.
No final do Império Russo, Snegurochka já fazia parte das celebrações natalinas, aparecendo em figurinhas para decorar árvores de Natal e em peças infantis. No entanto, com a proibição do Natal durante o início da União Soviética, muitas tradições cristãs desapareceram temporariamente.
Em 1935, o regime soviético reintroduziu as celebrações de Ano Novo como uma alternativa secular ao Natal, trazendo de volta símbolos como Ded Moroz e a árvore de Ano Novo. Foi nesse contexto que Snegurochka passou a ser representada como neta e ajudante de Ded Moroz. Vestida com longas vestes prateadas ou azuladas e um gorro peludo ou uma coroa em forma de floco de neve, Snegurochka tornou-se um elemento único do folclore natalino russo, diferindo de personagens similares de outras culturas que não possuem uma figura feminina como ajudante. Embora as origens de sua relação com Ded Moroz sejam incertas, é possível que a personagem seja uma continuação simbólica da Snegurochka original dos contos de fadas, reinterpretada para se alinhar às tradições soviéticas e ao espírito do Ano Novo.
Yule Lads, juntos de sues pais Grýla, Leppaludi e do Gato de Yule, Arte de Marc Potts
Os Yule Lads (islandês Jólasveinar; às vezes chamados Yuletide-lads ou Yulemen) são no folclore islandês um grupo composto por treze irmãos, filhos deGrýlae Leppaludi(ogros conhecidos no folclore como sendo devoradores de crianças travessas) e ditos visitarem os lares islandeses durante os 13 dias que antecedem o Natal. Durante esse período, eles praticam diversas travessuras, mas também deixam pequenos presentes em sapatos que as crianças colocam nos parapeitos das janelas, enquanto deixam batatas podres nos sapatos das crianças desobedientes.
Assim como sua mãe, os Yule Lads foram originalmente retratados pelo autor islandês Jón Árnason (1819-1888) não como doadores de presentes, mas como sequestradores de crianças que se comportaram mal durante a época do Natal, juntamente com suas habituais atividades brincalhonas. Nos tempos modernos, os Yule Lads são retratados em um papel mais benevolente, comparável ao Papai Noel e outras figuras relacionadas. Eles geralmente são retratados vestindo roupas islandesas do final da Idade Média, mas às vezes são mostrados com o traje tradicionalmente usado pelo Papai Noel, especialmente em eventos infantis.
Os 13 Yule Lads
Cada Yule Lad chega individualmente e permanece por treze dias, a partir do dia 12 de dezembro. Assim que o primeiro Yule Lad partir, no dia de Natal, os demais farão o mesmo um por um, até o último partir no dia 6 de janeiro.
Stekkjarstaur
Stekkjarstaur ("torrão de ovelha") é o primeiro dos Yule Lads, e aparece no dia 12 de dezembro. Diz-se que ele suga leite de ovelhas e é conhecido por ter pernas de pau. Assim como é o primeiro a aparecer, Stekkjarstaur é o primeiro a ir embora, partindo no dia 25 de dezembro.
Giljagaur
Giljagaur ("olhar furtivo") é o segundo dos Yule Lads, aparecendo no dia 13 de dezembro e indo embora no dia 26 de dezembro. Ele é conhecido por se esconder em celeiros e roubar a espuma dos baldes de leite.
Stúfur
Stúfur ("anão") é o terceiro dos Yule Lads, aparecendo no dia 14 de dezembro e indo embora no dia 27 de dezembro. Ele é conhecido por ser incomumente baixo, e por roubar panelas para comer as crostas de comida deixadas nelas.
Þvörusleikir
Þvörusleikir ("lambedor de colher") é o quarto dos Yule Lads, aparecendo no dia 15 de dezembro e indo embora no dia 28 de dezembro. Ele é conhecido por ser alto e magro e por roubar þvörur (colheres de madeira compridas) para lambê-las.
Pottaskefill
Pottaskefill ("lambedor de panela") é o quinto dos Yule Lads, aparecendo no dia 16 de dezembro e indo embora no dia 29 de dezembro. Assim como seu irmão Stúfur, Pottaskefill é conhecido por roubar e se alimentar de sobras de panelas.
Askasleikir
Askasleikir ("lambedor de tigela") é sexto dos Yule Lads, aparecendo no dia 17 de dezembro e indo embora no dia 30 de dezembro. Ele é conhecido por se esconder debaixo das camas, onde as pessoas guardam suas askur (uma tigela típica islandesa usada para armazenar comida). Ele então rouba a askur e come o que houver dentro dela.
Hurðaskellir
Hurðaskellir ("batedor de porta") é o sétimo dos Yule Lads, aparecendo no dia 18 de dezembro e indo embora no dia 31 de dezembro. Ele é o mais barulhento dentre eles, sendo conhecido por bater portas, especialmente durante a noite.
Skyrgámur
Skyrgámur ("devorador de skyr") é o oitavo dos Yule Lads, aparecendo no dia 19 de dezembro e indo embora no dia 1º de janeiro. Ele conhecido por ser obcecado por skyr, um tradicional iogurte islandês.
Bjúgnakrækir
Bjúgnakrækir ("ladrão de salsichas") é nono dos Yule Lads, aparecendo no dia 20 de dezembro e indo embora no dia 2 de janeiro. Ele é conhecido por se esconder nas vigas das casas e roubar salsichas que estavam sendo defumadas.
Gluggagægir
Gluggagægir ("espião de janela") é o décimo dos Yule Lads, aparecendo no dia 21 de dezembro e indo embora no dia 3 de janeiro. Provavelmente o mais assustador dentre os Yule Lads, Gluggagægir espia pelas janelas das pessoas para ver se há algo que ele possa roubar.
Gáttaþefur
Gáttaþefur ("farejador de porta") é o décimo primeiro dos Yule Lads, aparecendo no dia 22 de dezembro e indo embora no dia 4 de janeiro. Ele é conhecido por ter um nariz extremamente longo e grande e um incrível senso de olfato, o qual geralmente usa para procurar pelo delicioso Laufabrauð, um tipo tradicional de pão islandês que é justamente consumido com mais frequência na época do Natal.
Ketkrókur
Ketkrókur ("gancho de carne") é o penúltimo dos Yule Lads, aparecendo no dia 23 de dezembro e indo embora no dia 5 de janeiro. Ele é conhecido por usar um gancho para roubar carne.
Kertasníkir
Kertasníkir ("ladrão de velas") é o décimo terceiro e o último dos Yule Lads, aparecendo no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, e indo embora no dia 6 de dezembro. Ele segue as crianças para roubar suas velas (que costumam ser comestíveis, feitas de gordura).
Cultura Popular
Em "Um Conto de Inverno", último episódio da primeira temporada da série O Mundo Sombrio de Sabrina (Netflix), a casa dos Spellman é aterrorizada pelos Yule Lads, espíritos semelhantes a poltergeist que normalmente são controlados por Gryla. Eles se deleitam em causar travessuras por toda a casa, até que Gryla vem coletá-los e levá-los de volta para as montanhas.
No décimo episódio da segunda temporada de Hilda (Netflix),os Yule Lads aparecem como criaturas travessas que visam perturbar e também capturar crianças travessas para Gryla, um monstro que pretende comer as crianças em um ensopado. Nessa representação, os Yule Lads já foram crianças humanas que fizeram um pacto com Gryla para encontrar outras crianças travessas para ela comer e, assim, foram transformados em sua forma atual.
Père Fouettard ("Pai Açoitador" ou "Velho Açoitador" em francês) é um personagem que acompanha São Nicolau durante as celebrações do Dia de São Nicolau, em 6 de dezembro. Ele é conhecido principalmente nas regiões extremo norte e leste da França, no sul da Bélgica e na Suíça de língua francesa, embora personagens semelhantes existam por toda a Europa. Enquanto São Nicolau presenteia as crianças bem-comportadas, Père Fouettard é conhecido por trazer consigo um chicote com o qual castiga as crianças travessas ou que se comportaram mal durante o ano.
Arte de John Kenn Mortensen
Aparência
A representação mais comum de Père Fouettard é a de um homem com um rosto sinistro vestido com roupas escuras, cabelos desgrenhados e barba longa. Ele carrega um chicote, um grande bastão ou feixes de galhos. Em algumas versões, ele carrega uma mochila de vime, onde as crianças travessas podem ser colocadas.
Origens
A história mais popular sobre a origem de Père Fouettard remonta a cerca de 1252. Um estalajadeiro (ou açougueiro em outras versões) captura três meninos aparentemente ricos a caminho de se matricular em uma escola religiosa. Junto com sua esposa, ele mata as crianças para roubá-las. São Nicolau descobre o crime e ressuscita as crianças, levando Père Fouettard ao arrependimento, tornando-se parceiro de São Nicolau.
Outra versão sugere que durante o Cerco de Metz em 1552, um boneco do rei Carlos V foi queimado e arrastado pela cidade. Simultaneamente, uma associação de curtidores criou um personagem grotesco (também um curtidor) armado com um chicote, punindo crianças. Após a libertação de Metz, o boneco queimado de Carlos V e o personagem criado pelos curtidores se assimilaram ao que conhecemos agora como Père Fouettard.
Importação para os Estados Unidos
Na década de 1930, a figura de Père Fouettard apareceu nos Estados Unidos com o seu nome traduzido para Father Flog ou Spanky. Apesar de quase idêntico à personificação original francesa, Father Flog não estava associado ao Natal e tinha uma cúmplice feminina chamada Mother Flog, distribuindo punições específicas para crimes infantis específicos.
Father Flog
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A Lenda da Aranha de Natal é um conto popular do Leste Europeu que explica a origem dos enfeites nas árvores de Natal. É mais predominante na Ucrânia Ocidental, onde pequenos enfeites em forma de aranha são tradicionalmente parte das decorações de Natal. Na Alemanha, Polônia e Ucrânia, encontrar uma aranha ou uma teia de aranha em uma árvore de Natal é considerado boa sorte. Os ucranianos confeccionam pequenos enfeites de árvore de Natal em forma de aranha (conhecidos como pavuchky, literalmente "pequenas aranhas"), geralmente feitos de papel e arame. Eles também decoram as árvores de Natal com teias de aranha artificiais.
Existem várias versões desse conto, e traremos aqui as principais.
Versão um
Uma viúva pobre, mas trabalhadora, vivia em uma pequena cabana com seus filhos. Num dia de verão, uma pinha caiu no chão de terra da cabana e criou raízes. Os filhos da viúva cuidaram da árvore, entusiasmados com a perspectiva de terem uma árvore de Natal no inverno. A árvore cresceu, mas quando chegou a véspera de Natal, eles não tinham dinheiro para decorá-la. As crianças tristemente foram para a cama e adormeceram. Na manhã seguinte, eles acordaram cedo e viram a árvore coberta de teias de aranha. Quando abriram as janelas, os primeiros raios de sol tocaram as teias e as transformaram em fios de ouro e prata. A viúva e seus filhos ficaram muito felizes, e a partir daquele dia eles deixaram de viver na pobreza.
Versão dois
Certo dia, enquanto uma mãe limpava a casa preparando-a para o Natal, as aranhas fugiram para o sótão para escaparem de sua vassoura. Na véspera de Natal, as aranhas desceram lentamente para dar uma espiada, e deram de cara com uma linda árvore de natal. Empolgadas e felizes, elas percorreram seus galhos de cima para baixo e por todos os lados, e quando terminaram, a árvore estava envolta por suas teias cinzentas.
Quando o Papai Noel chegou para deixar os presentes para as crianças e viu a árvore coberta de teias, ele sorriu porque sabia que as aranhas fizeram aquilo por estarem felizes, mas sabia como a mãe ficaria com o coração partido se visse a árvore que arrumou com tanto zelo coberta de teias empoeiradas. Então o Papai Noel usou sua magia para transformar as teias em fios de prata, e a árvore ficou ainda mais bonita do que antes.
Versão três
Essa história fala sobre duas mães: uma pobre camponesa e uma aranha, ambas lutando para sustentar seus filhos pequenos. Certa véspera de Natal, a camponesa foi até a floresta e voltou de lá com um pequeno abeto, que iria servir de árvore de Natal para a sua família. Enquanto guardava o abeto, a mulher descobriu que uma aranha havia feito um lar para seus filhos entre os galhos do mesmo, e não teve coragem de varrê-los, deixando o abeto do jeito que estava.
A aranha descobriu que a mulher era pobre demais para decorar a árvore, quanto mais para colocar presentes embaixo dela, e por gratidão, resolveu retribuí-la por sua bondade. Mais tarde naquela noite, quando a mulher e seus filhos foram para a cama, a aranha teceu teias brilhantes por todos os galhos do abeto. Pela manhã, a mulher e as crianças se depararam com a visão emocionante de uma árvore de Natal enfeitada pela mais requintada e brilhante teia que já viram na vida.
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O Apalpador (também conhecido como Apalpa-Barrigas ou ainda Pandigueiro) é, segundo a tradição de Natal da região da Galícia, um gigante carvoeiro que nas noites de 25 ou 31 de dezembro desce de sua morada nas montanhas para visitar as casas das pessoas, onde ele entra pela chaminé, se aproxima das crianças que estão dormindo na casa e então toca suas barrigas.
A intenção do ato é checar se eles se alimentaram bem durante o ano. Antes de ir embora, ele lhes deixa um montinho de castanhas (para que não passem fome), eventualmente algum outro presente, além de lhes desejar que tenham muita felicidade e fartura no ano vindouro.
Zyuzya (do bielorusso зюзець (zyuetz) "ser frio, congelar") é um espírito do inverno pertencente ao folclore bielorruso, tido como a personificação do frio e da geada, e um análogo local do Papai Noel, embora difira bastante deste. Ele é descrito como sendo um homem corpulento, com cabelos brancos como a neve e uma barba comprida da mesma cor. Ele veste apenas um manto desabotoado, não usando nenhum tipo de gorro ou mesmo calçado. Outro detalhe que o torna bem identificável é uma maça de ferro que ele carrega consigo. Com essa maça, o Zyuzya costuma golpear o tronco das árvores para fazer com que o gelo nelas formado pelo tempo frio quebre.
Os bielorussos dizem que o Zyuzya passa a maior parte do inverno na floresta. Às vezes, ele visita as aldeias, seja para avisar os camponeses sobre a chegada de um inverno rigoroso ou para ajudar alguém. Se alguém pedir sua ajuda, é improvável que ele se recuse, mas requer que ele seja tratado com bondade e respeito.
De acordo com tradições locais, é costume preparar guloseimas (especialmente kutia, um tipo de doce de trigo e sementes de papoula) e deixá-las para o Zyuzya sobre a mesa ou na entrada da casa durante a passagem de ano.
Um Caganer (em língua catalã, "cagão" ou "cagador")é uma estatueta retratada no ato de defecar que aparece em presépios na Catalunha e em áreas vizinhas com cultura catalã, como Andorra, Valência e norte da Catalunha (no sul da França ). É mais popular e difundido nessas áreas, mas também pode ser encontrado em outras áreas da Espanha (Murcia), Portugal e sul da Itália (Nápoles).
Tradicionalmente, a estatueta é representada como um camponês, usando o tradicional boné vermelho catalão (a barretina) e com as calças abaixadas, mostrando o traseiro nu, e defecando. Ela é usada como um símbolo de boa sorte e prosperidade, pois está relacionado com a adubação do solo para o próximo ano. Acredita-se que uma pessoa sem um Caganer em seu presépio certamente terá um ano ruim.
A origem exata do Caganer não é conhecida. Sabe-se apenas com certeza que tem pelo menos 200 anos e que teve início em comunidades agrícolas. Embora o Caganer original fosse um fazendeiro, hoje em dia é possível comprar estatuetas modernas representando uma variedade de pessoas famosas e personagens fictícios no ato de defecar.