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5 de maio de 2021

Nanã Buruku

۞ ADM Sleipnir

Arte de peter isedeh

Nanã Buruku (também conhecida como Nanã Buluku, Nanã Buku, Nanan-bouclou, Nanã Buruquê, Olisabuluwa) é a divindade suprema oriunda da religião vodu dos povos Fon, no Benin, e posteriormente incorporada ao panteão de orixás da religião Iorubá. Ela foi responsável por dar início a criação do universo, e sem depender de um consorte (pois ela própria era um ser com características masculinas e femininas), gerou uma dupla de deuses gêmeos chamados Mawu e Lisa, conhecidos e cultuados como a divindade andrógina e composta Mawu-Lisa. Após o nascimento de Mawu e Lisa, Nanã Buruku se retirou da criação, deixando que seus filhos terminassem a criação.

Nanã Buruku é umas das divindades mais reverenciadas nas religiões da África Ocidental, estando presente em várias tribos além da Fon, como nas comunidades Ewe no Togo e em partes de Gana, bem como entre os Acãs. Ela também está fortemente presente e reverenciada na Nigéria, entre as comunidades tradicionais Iorubá e Igbo. Durante a época onde o comércio de escravos estava em plena atividade, a crença em Nanã Buruku seguiu com seu povo, indo parar na América em vários lugares como as ilhas do Caribe, Haiti e Suriname, além de estar muito presente em comunidades da América do Sul, principalmente no Brasil nos Candomblés Jeje e Ketu.

Na religião e mitologia Iorubá

Nanã Buruku foi incorporada há séculos pela religião ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo de Dahomey (atual República do Benin), assimilando sua cultura e incorporando algumas divindades dos dominados à sua mitologia já estabelecida. Nanã tornou-se uma importante orixá, considerada a mais antiga deles e associada às águas paradas, à lama dos pântanos e também à vida (reencarnação) e a morte (desencarne). Usualmente, ela é descrita como uma anciã trajando roupas nas cores lilás, anil e branco.


Em uma versão da lenda sobre a criação dos humanos envolvendo Nanã, o orixá supremo Olorum encarregou Oxalá da tarefa de criar o modelo que daria forma ao homem. Entre tantas alternativas, Oxalá tentou fazer uso do vento, da madeira, da pedra, do fogo, do azeite e até do vinho. Contudo, apesar de tanto esforço, Oxalá percebeu que nenhum material era maleável o suficiente para que ele executasse a tarefa. Foi quando Nanã retirou uma porção de barro do fundo do lago em que morava. Utilizando aquele material, Oxalá conseguiu finalmente dar forma ao homem. Logo em seguida, Olorum pegou o modelo e com um sopro lhe concedeu força vital para realizar tarefas. Depois disso, os outros orixás se encarregaram de ajudar o homem a povoar as terras do mundo. Como os homens foram feitos usando um elemento que pertence à Nanã, eles não podem viver para sempre, pois o barro que ela cedeu um dia tem que voltar para ela.

Em outra lenda, Nanã desprezou seu filho primogênito Omulu, fruto de sua relação com Oxalá, pois este havia nascido com várias doenças de pele. Ela o abandonou numa praia, onde Iemanjá o achou quase morrendo, e o curou e criou como se fosse sua mãe, dando todo o amor e carinho. Ao tomar conhecimento do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (Oxumarê, Ewá e Ossaim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio.

Outra lenda conta que certa vez os orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria escolheu Ogum, pois ele é o orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.



fontes:
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2 comentários:

  1. Muito boa publicação!Sou de religião afro-brasileira e encontro grande satisfação em poder conhecer um pouco mais da história de minha fé.Grande abraço!

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