21 de maio de 2026

Gawigawen

۞ ADM Sleipnir

Arte de Elartwyne Estole

Gawigawen (Gawīgawen, pronuncia-se ga-UÍ-ga-uén) é um mítico gigante de seis cabeças pertencente à mitologia do povo Tinguian, habitantes da província montanhosa de Abra, no noroeste de Luzon, nas Filipinas. Ele é comumente conhecido por sua incrível força e pelo seu domínio de armas tão grandes quanto ele ou ainda maiores. 

Embora tenha seis cabeças, Gawigawen possui somente um cérebro, o qual não está armazenado dentro de nenhuma delas, mas sim dentro da grande corcunda na qual suas seis cabeças se apoiam. Essa corcunda é na verdade um grande recipiente reforçado com ossos que envolve e protege o seu cérebro. As seis cabeças do Gawigawen, portanto, são mais como partes externas do seu corpo que transmitem os sentidos ao cérebro.

Gawigawen de Adasen

O conto a seguir foi coletado pelo antropologista Fay-Copper Cole entre 1907 e 1908, durante uma estadia de dezesseis meses com os tinguianos de Luzon. O material, em sua maior parte reunido em textos, foi parcialmente traduzido nas ilhas, enquanto o restante foi trabalhado durante uma breve visita à América em 1909. Nessa tarefa Cole foi auxiliado por Dumagat, um tinguiano de sangue puro, que o acompanhava. 

Certo dia, uma mulher chamada Aponibolinayen estava com uma forte dor de cabeça, e repousava sozinha sobre uma esteira em sua cabana. Enquanto repousava sobre a esteira, lembrou-se de uma fruta extraordinária sobre a qual ouvira falar, mas que jamais tinha visto. Então murmurou para si mesma:

— Ah, como eu gostaria de provar as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Sem perceber, ela havia falado em voz alta. Do lado de fora, na casa espiritual (1), seu marido Aponitolau ouviu suas palavras e perguntou:

— O que foi que você disse?

Temendo que ele colocasse a própria vida em risco para atender seu desejo, Aponibolinayen mentiu:

— Eu disse que queria comer biw (2).

Imediatamente, Aponitolau pegou um saco e saiu em busca da fruta para agradar a esposa. Quando voltou com o saco cheio, ela disse:

— Pendure-as no suporte de bambu acima do fogo. Quando minha cabeça melhorar, eu comerei.

Ele fez como ela pediu e retornou para a casa espiritual. Porém, quando Aponibolinayen tentou comer a fruta, sentiu enjoo e a jogou fora.

Ao ouvir o barulho, Aponitolau perguntou:

— O que aconteceu?

— Apenas deixei uma cair — respondeu ela, voltando para sua esteira.

Algum tempo depois, ela voltou a murmurar:

— Ah, como eu queria as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Mais uma vez Aponitolau ouviu.

— O que você deseja?

— Ovas de peixe — respondeu ela rapidamente, escondendo a verdade.

Determinando-se a satisfazer a esposa, Aponitolau pegou sua rede e foi até o rio. Capturou um belo peixe, abriu-o com a faca e retirou as ovas. Depois cuspiu sobre o corte, que imediatamente cicatrizou, permitindo que o peixe voltasse a nadar.

Feliz por poder agradá-la, retornou para casa trazendo as ovas. Enquanto ela as assava no fogo, ele voltou para a casa espiritual. No entanto, o sabor também lhe causou repulsa, e ela acabou jogando tudo para os cães debaixo da casa.

— O que houve? — perguntou Aponitolau ao ouvir os cachorros latindo. — Por que eles estão fazendo tanto barulho?

— Algumas ovas caíram — respondeu ela antes de voltar a se deitar.

Mais tarde, Aponibolinayen suspirou novamente:

— Ah, como eu queria as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Quando o marido perguntou o que ela desejava, respondeu:

— Quero comer fígado de veado.

Então Aponitolau levou seus cães para as montanhas. Depois de uma longa caçada, conseguiram capturar um veado. Ele retirou o fígado do animal e, mais uma vez, cuspiu sobre o ferimento, que cicatrizou imediatamente, permitindo que o veado fugisse ileso.

Mas Aponibolinayen também não conseguiu comer o fígado. Ao ouvir novamente os cães latindo, Aponitolau percebeu que ela havia jogado a comida fora. Desconfiado, transformou-se em uma centopeia e se escondeu em uma fresta do assoalho.

Foi então que ouviu a esposa repetir mais uma vez:

— Ah, como eu queria as laranjas de Gawigawen de Adasen...

Saindo do esconderijo, ele perguntou:

— Por que você não me contou a verdade, Aponibolinayen?

Ela respondeu:

— Porque ninguém que vai até Adasen retorna vivo. Eu não queria que você arriscasse sua vida.

Mesmo assim, Aponitolau decidiu partir em busca das lendárias laranjas.

Mandou que a esposa trouxesse palha de arroz. Depois de queimá-la, misturou as cinzas à água com que lavou os cabelos. Aponibolinayen então passou óleo de coco em seus fios, entregou-lhe um pano escuro, um belo cinturão e uma faixa para a cabeça. Também preparou bolos de viagem para ele levar.

Antes de partir, Aponitolau cortou uma videira e a plantou ao lado do fogão.

— Se as folhas murcharem, você saberá que eu morri.

Então pegou sua lança e seu machado de guerra e iniciou a longa jornada.

Quando chegou ao poço de uma gigante, todas as árvores de bétele se curvaram. A gigante soltou um grito tão poderoso que o mundo inteiro estremeceu.

— Como é estranho  pensou Aponitolau— que o mundo trema apenas com a voz daquela mulher.

Mesmo assim, seguiu viagem. Mais adiante passou pela morada da velha Alokotan. Ela soltou seu pequeno cão, que mordeu a perna do viajante.

Não prossiga — advertiu a anciã. — Um grande infortúnio o aguarda. Se continuar, jamais voltará para casa.

Mas Aponitolau ignorou o aviso.

Depois chegou ao lugar onde vivia o Relâmpago.

— Para onde vai? — perguntou o espírito.

— Vou buscar as laranjas de Gawigawen de Adasen.

— Suba naquela pedra alta para que eu veja o seu presságio.

Aponitolau obedeceu. Mas, quando o relâmpago brilhou, ele se assustou e desviou o corpo.

— Não vá — advertiu o Relâmpago. — Seu sinal é ruim. Você nunca retornará.

Ainda assim, ele continuou.

Logo alcançou o domínio de Silit, o Trovão.

— Para onde vai, Aponitolau?

— Buscar as laranjas de Gawigawen de Adasen.

— Então fique sobre aquela pedra para que eu veja seu destino.

Quando o trovão rugiu, Aponitolau saltou de susto.

— Não prossiga — alertou Silit. — Seu presságio é desfavorável.

Mas nenhuma advertência foi capaz de fazê-lo desistir.

Ao chegar ao oceano, Aponitolau usou magia: colocou-se sobre o próprio machado, e a arma deslizou pelas águas como uma embarcação, levando-o através do mar até a outra margem.

Depois de caminhar um pouco, encontrou uma nascente onde algumas mulheres enchiam potes de água.

— Que fonte é esta? — perguntou.

— É a fonte de Gawigawen de Adasen — responderam elas. — E quem é você para ousar vir aqui?

Sem responder, ele seguiu em direção à cidade. Porém descobriu que ela era cercada por uma muralha tão alta que parecia tocar o céu.

Enquanto refletia sobre como entrar, o rei das aranhas aproximou-se e perguntou:

— Por que está tão triste?

— Porque não consigo subir essa muralha.

A aranha então teceu um fio até o topo, e por ele Aponitolau conseguiu escalar a barreira e entrar na cidade.

Gawigawen dormia em sua casa espiritual. Ao despertar e ver um estranho sentado próximo dali, correu furioso para apanhar sua lança e seu machado. Mas Aponitolau o chamou:

— Bom dia, primo Gawigawen. Não fique zangado. Vim apenas comprar algumas de suas laranjas para minha esposa.

Gawigawen então o levou para dentro e trouxe um carabau inteiro para ele comer.

— Se não conseguir comer tudo, não levará as laranjas.

Aponitolau desesperou-se, pois sabia ser impossível devorar toda aquela carne. Nesse momento, porém, surgiram o rei das formigas e o rei das moscas.

— O que o preocupa? — perguntaram.

Quando ouviram a situação, convocaram todos os insetos, que rapidamente consumiram o animal inteiro.

Aliviado, Aponitolau voltou até Gawigawen e disse:

— Já terminei de comer.

Espantado, Gawigawen o conduziu até o pomar das laranjeiras.

— Suba e pegue quantas quiser.

Mas ao se aproximar da árvore, Aponitolau percebeu que os galhos eram feitos de lâminas afiadas. Mesmo subindo com cuidado, acabou cortando-se gravemente ao colher duas laranjas.

Antes de cair, amarrou as frutas à sua lança. Imediatamente, a arma voou pelos céus em direção à sua cidade e entrou pela casa de Aponibolinayen.

Ao ouvir algo cair no chão, ela voltou correndo e encontrou as laranjas de Adasen. Feliz, comeu a fruta tão desejada. Mas então lembrou-se da videira perto do fogão. Suas folhas estavam murchas.

Assim ela soube que o marido havia morrido.

Algum tempo depois, nasceu seu filho, chamado Kanag. O menino cresceu rapidamente, tornando-se o mais valente entre todos os jovens.

Certo dia, enquanto brincava no quintal, lançou seu pião com tanta força que atingiu o pote de lixo de uma velha, que gritou furiosa:

— Se fosse realmente corajoso, iria buscar seu pai, morto por Gawigawen!

Kanag correu para casa chorando e perguntou à mãe o que aquilo significava. Ao ouvir toda a história, decidiu imediatamente partir em busca do pai. Aponibolinayen tentou impedi-lo, mas nada pôde fazer.

Armado com lança, escudo e machado, Kanag deixou a cidade. Quando bateu o escudo, o som ecoou como o exército de mil guerreiros.

— Como esse garoto é valente! — diziam as pessoas. — É ainda mais bravo que o pai.

Ao chegar ao poço da gigante, golpeou o escudo e soltou um grito tão poderoso que o mundo inteiro tremeu.

— Alguém está indo para a batalha — disse a gigante. — E terá sucesso.

Quando passou pela casa de Alokotan, ela soltou novamente o cão contra ele. Mas Kanag decapitou o animal com um único golpe de machado.

— Seu pai morreu — disse a velha —, mas você o encontrará, pois possui um bom presságio.

O Relâmpago também o testou. Kanag permaneceu imóvel diante do clarão. O Trovão rugiu, e o garoto não se moveu.

— Vá em frente — disseram ambos. — Seu destino é favorável.

Quando chegou à fonte de Adasen, as mulheres se assustaram com o estrondo de seu escudo.

— Avisem Gawigawen — declarou Kanag — que estou vindo enfrentá-lo.

As mulheres correram para avisar o gigante.

— Digam a ele que, se for realmente valente, conseguirá entrar na cidade — respondeu Gawigawen.

Ao chegar diante da enorme muralha, Kanag saltou como um pássaro e atravessou o obstáculo de uma só vez.

Na cidade, viu telhados cobertos de cabelos humanos e inúmeras cabeças penduradas ao redor das casas.

—  Agora entendo por que meu pai não voltou  pensou.

Assim que viu o garoto, Gawigawen riu:

— Como é ousado, pequeno guerreiro. Por que veio aqui?

— Vim buscar meu pai. Se não o devolver, eu matarei você.

Gawigawen gargalhou.

— Um único dedo meu já seria suficiente para lutar contra você!

— Veremos — respondeu Kanag. — Pegue suas armas.

Tomado pela fúria, o gigante lançou primeiro seu enorme machado. Mas Kanag usou magia e transformou-se em formiga, escapando do golpe. Depois reapareceu sobre o próprio machado do inimigo.

Enlouquecido, Gawigawen atirou sua lança, mas novamente Kanag desapareceu.

Então chegou a vez do garoto atacar.

Sua lança atravessou o corpo do gigante. Kanag correu e cortou cinco das seis cabeças de Gawigawen, poupando apenas a última até encontrar o pai.

Percorrendo a cidade, descobriu algo horrível: a pele de Aponitolau havia sido transformada em couro de tambor; seus cabelos decoravam as casas; sua cabeça estava presa ao portão da cidade, e o restante do corpo permanecia enterrado sob uma casa.

Depois de reunir todas as partes, Kanag utilizou magia para restaurar o pai à vida.

— Quem é você? — perguntou Aponitolau, despertando. — Quanto tempo dormi?

— Eu sou seu filho — respondeu Kanag. — Você não dormia. Estava morto. Agora pegue meu machado e corte a última cabeça de Gawigawen.

Aponitolau tentou, mas não conseguiu ferir o gigante.

— O que houve, pai?

Então Kanag tomou o machado e decepou a sexta cabeça de Gawigawen.

Pai e filho então usaram magia para fazer lanças e machados voarem pela cidade, exterminando todos os habitantes de Adasen. As riquezas e troféus do lugar seguiram voando até sua terra natal.

Quando Aponibolinayen viu tudo aquilo aparecer dentro de casa, correu até a videira junto ao fogão. Agora ela estava verde e exuberante como uma floresta. Então soube que marido e filho estavam vivos.

Quando ambos retornaram, todos os parentes se reuniram para uma grande celebração. E a felicidade foi tão grande que parecia que o próprio mundo sorria junto deles.

Notas:

  1. Pequeno santuário tradicional do Sudeste Asiático dedicado aos espíritos protetores de um lugar. Geralmente construído sobre pilares ou plataformas, recebe oferendas e imagens votivas para apaziguar entidades espirituais e garantir proteção e harmonia aos habitantes locais.
  2. Uma fruta, sobre a qual não consegui encontrar nada a respeito.

fontes:


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20 de maio de 2026

Guajara

۞ ADM Sleipnir

O Guajara é uma entidade do folclore dos povos Tremembé, grupo indígena presente em regiões litorâneas do estado do Ceará, especialmente na área de Almofala. Também conhecido pelos nomes de Duende dos Manguezais, Guari e Pajé do Rio, o ser é associado aos manguezais e às crenças tradicionais ligadas à pesca e à coleta de recursos nesses ambientes.

Segundo a tradição oral, o Guajara é descrito como uma entidade zombeteira e travessa, responsável por provocar medo e confusão entre pescadores, caçadores e moradores das áreas costeiras. Entre suas manifestações mais comuns estão a imitação de sons variados, como vozes de animais, assobios, gritos, ruídos de machado, árvores sendo derrubadas e barulhos associados a caçadores ou coletores de mel. Essas manifestações teriam como objetivo enganar e assustar aqueles que circulam pelos manguezais. Relatos populares afirmam ainda que o Guajara pode assumir a forma de um pato para entrar nas casas e pregar peças nos habitantes locais. Em algumas narrativas, a entidade aparece carregando galhos de mangue, utilizados simbolicamente para castigar aqueles que desrespeitam seus avisos.

Entre os pescadores Tremembé, existe a crença de que sons incomuns ou repentinos no manguezal representam um sinal de mau agouro enviado pelo Guajara. Nessas situações, recomenda-se abandonar a pescaria e retornar para casa, pois insistir na atividade poderia trazer má sorte, febre intensa e dores pelo corpo, descritas como semelhantes às marcas deixadas por açoites. Como forma de proteção, pescadores e caranguejeiros costumam deixar pequenas oferendas de fumo entre as raízes do mangue, prática vista como um gesto de respeito à entidade e uma maneira de evitar seus castigos. 


fontes:
  • FREITAS, A.C.; CARDOSO, I.S.; JOÃO, M.C.A.; KRIEGLER, N. & PINHEIRO, M.A.A. 2018. Lendas, misticismo e crendices populares sobre manguezais, Cap. 5: p. 144-165. In: Pinheiro, M.A.A. & Talamoni, A.C.B. (Org.). Educação Ambiental sobre Manguezais. São Vicente: UNESP, Instituto de Biociências, Câmpus do Litoral Paulista, 165 p;
  • LUÍS DA CÂMARA CASCUDO. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global Editora, 2012.

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19 de maio de 2026

Brown Man of the Muirs

۞ ADM Sleipnir

O Brown Man of the Muirs (“Homem Marrom dos Charnecos”) é uma criatura do folclore da fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, especialmente ligada às regiões montanhosas e aos charnecos da Nortúmbria. Nas tradições locais, ele é descrito como um espírito selvagem que protege os animais e as terras isoladas da região. Sua figura está associada ao medo da natureza indomada e à ideia de punição para quem caça ou invade lugares proibidos.

Descrição

O Brown Man of the Muirs costuma ser retratado como um anão forte e atarracado, de cabelos ruivos e crespos, olhos brilhantes e expressão feroz. Suas roupas marrons lembram a vegetação seca dos charnecos, fazendo com que ele quase se confunda com a paisagem. Em algumas histórias, ele é descrito como um ser agressivo e perigoso; em outras, como um guardião severo que apenas reage contra aqueles que desrespeitam a natureza.

Folclore

O relato mais conhecido sobre o Brown Man foi registrado no século XIX pelo escritor William Henderson, a partir de uma carta enviada pelo historiador Robert Surtees a Walter Scott. Segundo a história, dois jovens de Newcastle estavam caçando nos charnecos próximos de Elsdon. Depois de algum tempo, eles pararam para descansar perto de um riacho de montanha. O mais jovem foi beber água sozinho e, ao levantar a cabeça, viu uma figura estranha do outro lado da correnteza. Era o Brown Man of the Muirs. O ser repreendeu o rapaz por matar os animais que viviam sob sua proteção e por invadir seu território. Durante a conversa, afirmou que sobrevivia apenas de alimentos silvestres, como mirtilos, nozes e maçãs. Em seguida, convidou o jovem para atravessar o riacho e conhecer sua morada.

Antes que ele aceitasse o convite, o outro caçador chamou por seu companheiro. Quando o rapaz voltou a olhar, a criatura havia desaparecido. A tradição popular dizia que, se ele tivesse atravessado a água, teria sido morto pelo espírito. Mesmo após o encontro, os dois continuaram caçando. Menos de um ano depois, o mais jovem morreu após adoecer, fato interpretado como uma vingança sobrenatural do Brown Man.

Interpretações e associações

Walter Scott sugeriu que o Brown Man of the Muirs poderia ter relação com os duergar, anões sobrenaturais presentes no folclore do norte da Inglaterra. Ele também apresenta semelhanças com espíritos protetores da natureza encontrados em outras tradições europeias, especialmente aqueles ligados a florestas, montanhas e animais selvagens.

Com o tempo, escritores de contos fantásticos passaram a retratar o Brown Man não como um ser solitário, mas como parte de uma raça de criaturas conhecidas como “Brown Men of the Moors and Mountains” (“Homens Marrons dos Charnecos e Montanhas”). Nessas versões, eles vivem em cavernas subterrâneas, extraem ouro e pedras preciosas das montanhas e saem à noite para festejar ou dançar pelos campos. Eles sequestram crianças humanas e matam qualquer homem que encontram sozinho na natureza. No entanto, podem ser tornados submissos repetindo a invocação "Munko tiggle snobart tolwol dixy crambo"

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18 de maio de 2026

Mafdet

۞ ADM Sleipnir


Mafdet (também conhecida como Mefdet ou Maftet) foi uma antiga deusa da mitologia egípcia ligada à justiça, à punição dos criminosos e à proteção contra criaturas venenosas. Considerada uma das primeiras divindades felinas do Egito Antigo, ela já era venerada nos tempos da Primeira Dinastia, muitos séculos antes de deusas mais famosas como Bastet e Sekhmet ganharem destaque.

Os egípcios acreditavam que Mafdet protegia o faraó, os palácios reais e os locais sagrados contra forças perigosas e malignas. Cobras e escorpiões eram vistos como símbolos do caos e da desordem, e a deusa era chamada de “Matadora de Serpentes” por sua capacidade de derrotar essas criaturas.

Iconografia

Nas representações artísticas, Mafdet costumava aparecer como uma mulher com cabeça de felino. Dependendo da época e da região, esse felino podia lembrar um gato, um guepardo, um serval, uma pantera ou até um leão. Algumas imagens também mostram a deusa com corpo felino e cabeça humana. Em certos relatos, ela podia assumir a forma de um mangusto, animal conhecido por combater serpentes.

Escultura de Mafdet representada como um mangusto

Mitologia e funções

Mafdet era vista como uma divindade severa. Segundo antigas crenças egípcias, ela punia os inimigos da ordem divina arrancando o coração dos malfeitores e entregando-o ao faraó. Por isso, além de protetora, também era associada à execução e à justiça divina.

Nos Textos das Pirâmides, um dos mais antigos conjuntos de escritos religiosos do Egito, Mafdet aparece protegendo o deus solar contra serpentes venenosas durante sua jornada pelo céu. Já no Livro dos Mortos, ela ajuda a combater Apep, a gigantesca serpente do caos que tentava impedir a passagem da barca solar durante a noite. Ao derrotar Apep, Mafdet ajudava a garantir o nascimento de um novo amanhecer.

A deusa também tinha ligação com o mundo dos mortos. Algumas tradições afirmam que ela ajudou a proteger o corpo de Osíris depois que o deus foi despedaçado. Em outras crenças, Mafdet guiava e protegia as almas em sua viagem para o submundo.


Culto

Seu principal centro de culto ficava em Bubástis, cidade do Delta do Nilo conhecida pela veneração das divindades felinas. Ali, Mafdet era cultuada ao lado de Bastet, outra importante deusa associada aos gatos.

Embora tenha perdido importância ao longo dos séculos para outras deusas egípcias mais populares, Mafdet continuou presente em textos religiosos e funerários como símbolo de proteção, justiça e combate às forças do caos. Até hoje, ela é lembrada como uma das mais antigas e misteriosas deusas felinas do Egito Antigo.

Arte de Red Serpent

fontes:

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17 de maio de 2026

Bendis

۞ ADM Sleipnir

Bendis (em grego antigo: Βενδις) foi uma antiga deusa adorada pelos trácios, povo que viveu na região dos Bálcãs na antiguidade. Ela era ligada à lua, à caça, à noite e às florestas selvagens. Seus cultos aconteciam principalmente em áreas afastadas das cidades e eram marcados por celebrações intensas, com música, dança e rituais noturnos que os gregos comparavam aos cultos de Dioniso.

Iconograficamente, Bendis era representada de forma semelhante a Ártemis, usando vestes trácias, botas de caça e frequentemente carregando arco, lanças ou tochas. Sua figura simbolizava a conexão entre a lua, a noite, os mistérios religiosos e a natureza selvagem.

Autores gregos frequentemente identificavam Bendis com diferentes divindades do panteão helênico, principalmente Ártemis, devido à sua associação com a caça e a vida selvagem. Em alguns contextos, também era relacionada a Hécate e Selene por seus atributos lunares e noturnos. Certas tradições ainda sugerem que Bendis poderia ser equivalente à deusa trácia Cotys.


Segundo Hesíquio, o poeta Cratino teria chamado a deusa de dilonchos, termo interpretado de diferentes maneiras pelos antigos: poderia significar que Bendis exercia funções tanto celestes quanto terrestres, que portava duas lanças ou ainda que possuía duas luzes — uma própria e outra refletida do sol. Essas interpretações reforçam o caráter dual e lunar da divindade.

O culto de Bendis foi introduzido na Grécia durante o período clássico, provavelmente vindo da Trácia ou da ilha de Lemnos. Em Atenas, sua veneração tornou-se particularmente importante no porto do Pireu, onde eram realizadas anualmente as festividades conhecidas como Bendideias (Bendideia). Platão menciona essa celebração na abertura de sua obra A República, descrevendo uma procissão dedicada à deusa.

Bendis (à direita, usando um barrete frígio, uma túnica curta, botas altas e uma pele de animal) e seus seguidores, possivelmente atletas participando da corrida de revezamento da tocha em homenagem à deusa. Relevo votivo em mármore, feito em Atenas , por volta de 400-375 a.C.

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16 de maio de 2026

Kolisao

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O Kolisao (kolisáo), também conhecido como ong-ong, é uma criatura do folclore da província de Negros Oriental, nas Filipinas. Ela é descrita como um grande lagarto-monitor dotado de uma cabeça semelhante à de um macaco e longos cabelos. Segundo a tradição popular, ela habita áreas próximas a nascentes e fontes de água.

De acordo com as crenças locais, pessoas que perturbam o Kolisao podem desenvolver bolhas por todo o corpo como forma de maldição ou punição. Algumas tradições afirmam ainda que a criatura pode ser afugentada de seu território caso um pedaço de ferro seja enterrado próximo ao local onde vive.

fontes:


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14 de maio de 2026

Tonkaraton

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O Tonkaraton (japonêsトンカラトン) é uma lenda urbana japonesa sobre uma figura misteriosa coberta por bandagens que percorre ruas vazias de bicicleta enquanto carrega uma katana. Seu nome vem do som que anuncia sua chegada:

“Ton… Ton… Tonkara… ton…”

A criatura costuma aparecer durante a noite ou ao amanhecer, principalmente para pessoas que estão voltando sozinhas para casa. Em muitos relatos, o Tonkaraton surge pedalando lentamente até parar diante da vítima. Seu corpo inteiro é envolto em bandagens, como uma múmia, e às vezes apenas os olhos podem ser vistos. Algumas versões da história dizem que ele exala um cheiro forte de decomposição.

Quando encontra alguém, o Tonkaraton faz apenas uma exigência:

“Diga Tonkaraton.”

Se a pessoa repetir a frase depois da ordem, a criatura vai embora sem fazer nada. Mas a situação muda completamente quando a vítima hesita, fala baixo demais ou fica paralisada de medo. Nesses casos, o Tonkaraton a ataca com sua katana.

Existe ainda um detalhe considerado ainda mais perigoso: dizer “Tonkaraton” antes que a criatura mande também leva à morte. Em algumas histórias, o espírito chega a gritar:

“Não diga Tonkaraton sem minha permissão!”

Depois do ataque, a vítima teria o corpo envolto em bandagens e acabaria se transformando em outro Tonkaraton. Por causa disso, algumas versões da lenda afirmam que várias dessas criaturas podem aparecer juntas, pedalando pelas ruas durante a madrugada. Há também relatos de que usar uma bandagem no braço esquerdo protege a pessoa, já que o Tonkaraton acreditaria estar diante de alguém semelhante a ele.

Outra versão da história coloca a própria bicicleta no centro da maldição. Nela, um garoto encontra uma bicicleta abandonada em um velho depósito e decide levá-la para casa. Assim que começa a pedalar, percebe que perdeu totalmente o controle. A bicicleta acelera sozinha e passa a levá-lo por ruas escuras e lugares estranhos, movendo-se de maneiras impossíveis. Algumas versões dizem até que ela pode atravessar objetos ou voar. Durante o trajeto, o garoto sente um odor horrível vindo da bicicleta e descobre que existe uma múmia escondida dentro de sua estrutura. O espírito preso ali seria o responsável pela maldição.

Como acontece com muitas lendas urbanas japonesas, o Tonkaraton mistura elementos modernos com temas clássicos do horror sobrenatural. A bicicleta, as ruas vazias e o encontro inesperado se unem à ideia dos yokai, criaturas sobrenaturais muito presentes no folclore japonês.

Mesmo sem qualquer prova de sua existência, o Tonkaraton continua sendo lembrado em histórias de terror, fóruns da internet, vídeos e ilustrações. Parte de sua popularidade vem justamente das regras estranhas da lenda, que fazem o encontro parecer inevitável e deixam a sensação de que qualquer erro, por menor que seja, pode ser fatal.

Tonkaraton no mangá "Dandadan"

fonte:

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13 de maio de 2026

Veado Baião

۞ ADM Sleipnir


O Veado Baião é uma criatura do folclore brasileiro associada ao município de Ribeiro Gonçalves, localizado no sul do estado do Piauí, na região Nordeste do Brasil. A lenda é tradicionalmente relatada por caçadores da região, que descrevem encontros sobrenaturais ocorridos durante caçadas noturnas em áreas de mata fechada.

Segundo os relatos, a criatura inicialmente se apresenta como um veado comum surgindo entre moitas e clareiras da mata durante a madrugada. No entanto, quando os caçadores se preparam para abatê-lo, o animal assume um comportamento incomum: ergue-se sobre as patas traseiras e inicia uma dança acompanhada por um baião cantado em voz humana:

“Essas mocinhas de hoje
tem um costume ruim,
quando chegam no escuro,
dizem assim:
Me arroche, meu bem!
Me arroche!
Me beije, meu bem!
Não tenha pena de mim!
E não diga que é veado,
Pois hoje estou a fim…”

De acordo com a tradição oral, muitos caçadores fogem assustados ao presenciarem a cena. Aqueles que tentam atirar na criatura ou interromper sua cantoria seriam perseguidos pelo Veado Baião após ele se transformar em uma entidade monstruosa e indescritível.

A aparição é frequentemente associada a árvores específicas da vegetação local, especialmente pés de jatobá e mirindiba. Nesses locais, o Veado Baião seria visto dançando com a cabeça erguida, batendo os cascos contra o peito enquanto entoa seu baião sobrenatural.


fontes:

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12 de maio de 2026

Chaquén

۞ ADM Sleipnir

Chaquén é uma divindade da mitologia dos muíscas, povo indígena que habitava o Altiplano Cundiboyacense, na atual Colômbia. Reverenciado como deus dos esportes, da fertilidade e das atividades agrícolas,  ele tinha grande importância na vida social, religiosa e militar desse povo pré-colombiano.

Contexto cultural

Os muíscas formavam uma das civilizações mais organizadas das Américas antes da chegada dos europeus. Eles viviam em uma confederação de territórios governados por líderes conhecidos como zipa e zaque. Como enfrentavam guerras frequentes contra povos vizinhos, como os panches e os muzos, os muíscas davam muito valor ao preparo físico e às habilidades de combate. Dentro dessa realidade, Chaquén era visto como o protetor dos guerreiros guecha, responsáveis pela defesa do território. Os jogos e competições realizados em sua homenagem não serviam apenas para entretenimento, mas também como treinamento para a guerra.

Atributos e simbolismo

Chaquén era ligado à fertilidade de forma ampla, tanto à fertilidade da terra quanto à humana. Relatos do período colonial descrevem o deus como uma entidade que sobrevoava os campos cultivados, protegendo as plantações e garantindo boas colheitas. 

Durante festas e cerimônias, acreditava-se que Chaquén caminhava entre o povo. Essas celebrações reuniam corridas, danças, músicas tocadas com flautas e tambores, além de roupas adornadas com penas e peças de ouro. A chicha, bebida tradicional fermentada, também fazia parte dos rituais e ajudava a reforçar o espírito coletivo das festividades. Os rituais dedicados a Chaquén também estavam relacionados à fertilidade humana e à formação de casais, aspectos importantes para a continuidade da comunidade.

O jogo de tejo

Chaquén também é associado ao tejo, considerado o esporte nacional da Colômbia. O jogo consiste em lançar discos contra um alvo com pequenas cargas explosivas, marcando pontos conforme a precisão dos arremessos.

Acredita-se que o tejo tenha surgido ainda no período pré-colombiano, praticado pelos muíscas tanto como treinamento físico quanto como atividade ritual. O jogo continua popular em várias regiões colombianas e ainda preserva parte do legado cultural ligado a Chaquén.

O castigo de Tintoa e Sunuba

Um dos mitos mais conhecidos associados a Chaquén é o de Tintoa e Sunuba. Tintoa, um jovem guerreiro guecha, apaixonou-se por Sunuba, a principal esposa de um príncipe. Quando o adultério foi descoberto, os dois fugiram juntos, tentando escapar da punição, mas acabaram encontrados por Chaquén.

Tomado pela ira diante da traição, o deus condenou os amantes a uma transformação eterna. Sunuba foi convertida em um junco, destinado a crescer às margens das águas e nos pântanos da savana de Bogotá. Tintoa, por sua vez, transformou-se em uma erva seca e áspera, condenada a brotar apenas em regiões áridas e estéreis. Assim, separados pela própria natureza, os amantes permaneceriam para sempre distantes um do outro, carregando a marca de seu amor proibido.

Legado

A influência de Chaquén persiste na cultura colombiana contemporânea, especialmente por meio da sobrevivência do tejo e da valorização das tradições indígenas. Em reconhecimento à sua importância simbólica, um parque temático na região de Sumapaz, em Bogotá, foi nomeado em sua homenagem.

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11 de maio de 2026

Kako-u'hthé, o Espírito do Ciclone

۞ ADM Sleipnir

Kako-u'hthé (comumente chamado de Cyclone Person, "Pessoa Ciclone") é um espírito associado a tempestades e tornados pertencente às tradições dos povos indígenas Shawnee e LenapeAlgumas fontes o descrevem como masculino, como outros espíritos do vento das culturas algonquianas, enquanto outras o tratam como feminino, aproximando-o da Mulher Redemoinho (Huupirikúsu) das tradições iroquesas. Porém, é possível que originalmente ele não fosse antropomorfizado e fosse de gênero neutro.

Os tornados são vistos por esses povos como a própria manifestação de Kako-u'hthé. Os filamentos escuros do redemoinho são descritos como seus longos cabelos em movimento. Apesar de seu enorme poder destrutivo, Kako-u'hthé não é considerado uma entidade maligna. Entre os Shawnee, em especial, ele costuma ser visto de forma positiva, como um espírito próximo e até protetor. Antigamente, acreditava-se que os Shawnee não precisavam temer os tornados, pois Kako-u'hthé jamais os atacaria intencionalmente. Ainda hoje, alguns Shawnee de Oklahoma afirmam que tornados nunca atingiram suas casas dentro da reserva.

O Caçador e a Pessoa Ciclone

Uma lenda Lenape registrada no livro Mythology of the Lenape: Guide and Texts (1995) relata que certa vez um caçador saiu para caçar acompanhado do filho, ainda jovem, mas já velho o bastante para cozinhar e cuidar dos cavalos durante a ausência do pai. Depois de montar o acampamento, o homem deixou o garoto sozinho enquanto seguia pela mata em busca de caça. Algum tempo depois, percebeu ao longe a formação de um tornado que parecia avançar na direção do acampamento. Alarmado, correu de volta, mas encontrou o local completamente vazio: tanto o menino quanto o acampamento haviam desaparecido sem deixar vestígios.

Determinando a recuperar o filho, o caçador passou a seguir o rastro deixado pelo redemoinho até finalmente alcançar a própria Pessoa Ciclone. A entidade surgiu em uma forma sobrenatural e inquietante: caminhava sobre as mãos, com os pés erguidos para o céu, enquanto seus longos cabelos escuros se arrastavam pelo chão. Tudo aquilo em que os fios se enrolavam — árvores, galhos e outros objetos — era arrancado e levado pela força do ciclone.

O homem então ameaçou matar a entidade caso seu filho não fosse devolvido. Diante disso, a Pessoa Ciclone propôs um acordo: devolveria o menino e restauraria o acampamento exatamente como estava, além de prometer que não voltaria a incomodar aquele povo, desde que fosse poupada. O caçador aceitou a proposta. Quando pai e filho retornaram, encontraram o acampamento intacto, novamente em seu devido lugar, como se jamais tivesse desaparecido.

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10 de maio de 2026

Fiskerton Phantom

۞ ADM Sleipnir

O Fiskerton Phantom (em português: “Fantasma de Fiskerton”) é um críptideo britânico associado à região de Fiskerton, Lincolnshire, na Inglaterra. Ele faz parte dos chamados “Alien Big Cats” (ABC), termo usado para descrever grandes felinos avistados fora de seu habitat natural no Reino Unido. 

Descrição

O Fiskerton Phantom é geralmente retratado como um animal de cerca de 1,2 metro de altura, com corpo musculoso e pelagem escura, às vezes descrita como preta com brilho metálico. Seu porte lembra o de um grande felino, embora alguns relatos mencionem movimentos pesados, semelhantes aos de um urso. Um dos aspectos mais incomuns é a alegação de que a criatura poderia se locomover em posição semi-ereta ou até sobre duas patas, algo que foge do comportamento típico de felinos. Também é descrito como carnívoro, alimentando-se de aves como faisões.

Avistamentos

Os relatos mais conhecidos remontam a 27 de agosto de 1997, quando quatro meninas -Rachel Rowan (12 anos), Nicki Handley (11 anos), Nicola Proctor (9 anos) e Joanna Brogan (10 anos) - se encontravam em um parque de caravanas ao lado do pub Tyrwhitt Arms, em Short Ferry, uma pequena aldeia no leste da paróquia de Fiskerton. As meninas viram a criatura preta, alta, agachada sobre um faisão, e fugiram assustadas para o pub; ao retornarem ao local, afirmaram ter encontrado grandes pegadas no local. Um motorista teria relatado outro avistamento na mesma noite, na mesma região, o que ajudou a consolidar a lenda local.

Influência na cultura pop

A lenda do Fiskerton Phantom inspirou um personagem homônimo na série animada The Secret Saturdays (Sábados Secretos), produzida pela Cartoon Network. Lá ele aparece como uma criatura híbrida entre gorila e felino, com características bem mais fantásticas do que nos relatos originais.


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9 de maio de 2026

Kuartam

۞ ADM Sleipnir


Kuartam é uma criatura sobrenatural da tradição oral do povo Shuar, originário da região amazônica do Equador. Segundo os relatos tradicionais, ele assume a forma de um pequeno sapo, escondendo‑se entre pedras, raízes e galhos. No entanto, ao ser perturbado, provocado ou imitado, revela sua natureza verdadeira, manifestando‑se como um tigre de grandes proporções, extremamente agressivo. Em algumas versões da lenda, Kuartam emite um canto característico — frequentemente descrito como “Kuartam‑tan! Kuartam‑tan!” — que ecoa pela floresta, funcionando tanto como um chamado quanto como um aviso de sua presença.

A lenda mais conhecida envolvendo Kuartam fala de um caçador shuar que, antes de sair para caçar na floresta, havia sido orientado pela esposa a não zombar do som emitido pelo sapo. Durante a caçada, ele ouve um coaxar incomum vindo do alto de uma árvore e, primeiro por curiosidade, depois de forma insistente e zombeteira, decide imitá‑lo. Em seguida, a mata fica em silêncio absoluto. Em meio ao silêncio, surge um rosnado grave. Do mesmo lugar de onde partia o som, surge um tigre de grandes proporções: é Kuartam, que, irritado, ataca o caçador sem lhe dar chance de defesa. Dependendo da versão, o homem é despedaçado ou engolido inteiro.

Sem notícias do marido, a esposa parte em sua busca. Ela segue os rastros até o ponto em que eles desaparecem e, ao olhar para cima, encontra o sapo pousado sobre um galho, com o corpo visivelmente inchado. Ao perceber o que aconteceu, decide reagir. A mulher derruba a árvore para atingir o animal; com a queda, o sapo morre. Ao abrir seu ventre, ela encontra o marido — morto em algumas versões da história, ou ainda vivo, sendo então resgatado em adaptações mais brandas da lenda.

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7 de maio de 2026

Azuki-arai

۞ ADM Sleipnir

Arte de Willian Duong

Azuki-arai (japonês: 小豆洗い ou あずきあらい, “lavador de feijões”), também chamado de Azuki-togi (“moedor de feijão”), é um yokai do folclore japonês associado a regiões montanhosas e florestas afastadas. Diz-se que vive em lugares isolados, principalmente perto de riachos e pequenos cursos d’água. Apesar de aparecer em várias tradições regionais, quase não há relatos de quem realmente o tenha visto, o que contribui para seu ar misterioso.

Descrição e comportamento 

O Azuki-arai costuma ser descrito como uma criatura baixa e robusta, com olhos grandes e arredondados. Sua aparência lembra a de um monge budista, geralmente com um sorriso simples e um ar bem-humorado. Um detalhe curioso é que suas mãos têm apenas três dedos. Mesmo com essa aparência amigável, trata-se de um ser extremamente tímido, que raramente se deixa ver.

Na maioria das vezes, o Azuki-arai é ouvido, não visto. Ele costuma ficar à beira de riachos lavando feijões azuki, enquanto canta uma canção estranha, acompanhada por um som repetitivo — “shoki shoki” — que imita o barulho dos grãos sendo lavados:

“Azuki araou ka? Hito totte kuou ka? (shoki shoki)”

(“Devo lavar meus feijões azuki ou pegar um humano para comer? (shoki shoki)”)

A letra pode mudar de uma região para outra, mas sempre mantém esse tom ambíguo, misturando algo cotidiano com uma ameaça sutil.

Arte de Shigeru Mizuki

Interações e características

Quem ouve o canto do Azuki-arai muitas vezes acaba escorregando e caindo na água, seja por distração ou susto. O barulho, porém, assusta a criatura, que foge imediatamente. Por isso, os encontros com esse yokai costumam se limitar ao som de sua presença.

Muito esquivo, o Azuki-arai evita qualquer contato direto. Ele também consegue imitar sons da natureza, como o canto de pássaros ou o farfalhar das folhas, o que o ajuda a se esconder no ambiente. Justamente por ser tão raro, acredita-se que ver um Azuki-arai seja sinal de boa sorte.


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Ruby