28 de janeiro de 2021

Bhasmasura

۞ ADM Sleipnir

Bhasmasura (direita) e Mohini (esquerda), performando a dança que levaria Bhasmasura à morte

Bhasmasura (Bhasmāsura, sânscrito: भस्मासुर, literalmente "demônio das cinzas"), também conhecido como Brahmasura, era na mitologia hindu um asura/demônio que recebeu de Shiva o dom de queimar e transformar em cinzas de imediato qualquer pessoa cuja cabeça ele tocasse com a mão. Bhasmasura era devoto de Shiva, para quem realizou grande penitência no intuito de obter uma bênção divina. 

Shiva havia ficado satisfeito com a penitência realizada por Bhasmasura, e concedeu-lhe a oportunidade de obter uma bênção sua. Bhasmasura pediu-lhe que lhe fosse concedido o poder de queimar e tornar em cinzas todo aquele em que ele tocasse a cabeça, e Shiva concedeu-lhe o pedido conforme desejado. Bhasmasura então quis testar imediatamente seu novo poder, tentando colocar a mão sobre a cabeça de Shiva. 

O motivo pelo qual Bhasmasura queria incinerar Shiva era porque ele desejava possuir sua consorte, a deusa Parvati. Shiva conseguiu fugir de Bhasmasura, e enquanto era perseguido por ele, clamou a Vishnu por ajuda. Vishnu, na forma de seu avatar feminino Mohini, apareceu na frente de Bhasmasura, e sua beleza era tão grande que fez Bhasmasura se apaixonar imediatamente por ela. Bhasmasura pediu a Mohini que ela se casasse com ele, e Mohini lhe disse que gostava muito de dançar e que se casaria com ele apenas se ele pudesse dançar como ela, repetindo seus movimentos com exatidão.

Bhasmasura concordou com a proposta, e os dois começaram a dançar. Os dois permaneceram dançando por dias, com Bhasmasura reproduzindo cada movimento de Mohini com perfeição. Após tanto tempo dançando, Mohini percebeu que Bhasmasura havia baixado sua guarda, então ela fez uma pose onde ela colocava sua mão no topo da própria cabeça. Bhasmasura prontamente imitou o movimento de Mohini, e assim que tocou sua própria cabeça com sua mão, seu corpo entrou em combustão e tornou-se cinzas. 

Uma variação da história conta que após Bhasmasura pedir Mohini em casamento, ela aceita, mas pede que ele desse um mergulho no lago para se limpar, pois ele não estava devidamente apresentável. Bhasmasura prontamente mergulha no lago, e ao emergir, acaba passando sua mão na cabeça para se livrar do excesso de água nos cabelos. Tão logo ele tocou em sua cabeça com sua mão, ele foi incendiado e transformado em cinzas.

Arte de Vishal Pawar

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26 de janeiro de 2021

Camacrusa

۞ ADM Sleipnir

Arte de Andréa Boloch

Camacrusa (Came-cruse, Came-crude, "perna em carne viva" no dialeto gascão) é um bogeyman (bicho-papão) pertencente ao folclore francês, mais especificamente na região da Gasconha e dos Pirineus. Como o seu nome sugere, trata-se de uma perna sem corpo, muitas vezes descrita como estando carne viva. Às vezes é descrita como possuindo um olho na região do joelho.

De acordo com as histórias, ela costuma aparecer durante à noite, raptando e devorando os incautos que encontra pelo caminho (quase sempre crianças). Como ela faria para devorá-los, no entanto, é um mistério, já que a criatura não aparenta ter uma boca.  Apesar de ser somente uma perna, a Camacrusa possui movimentos incrivelmente rápidos, podendo facilmente alcançar suas vítimas mesmo que corram dela. Além disso, a criatura é capaz de pular sob obstáculos como valas e cercas.

A origem da Camacrusa é obscura. Alguns autores associam-no a contos tradicionais da Gasconha; outros o tornam uma sobrevivência cristianizada do deus celta LugHá uma história sobre ela ser a perna de um homem que foi morto e que se destacou do corpo buscando vingança por sua morte



fontes:
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13 de janeiro de 2021

Dorotabō

۞ ADM Sleipnir


Dorotabō (泥田坊 ou どろたぼう, "monge do campo de arroz lamacento") é uma espécie de yokai vingativo dito habitar em arrozais de situação precária. É normalmente descrito como uma criatura humanoide coberta de lama, possuindo somente um olho no meio da testa e três dedos nas mãos. Dizem que os cinco dedos da mão humana representam três vícios e duas virtudes: raiva, ganância, ignorância, sabedoria e compaixão. Os três dedos que o Dorotabō possui representam apenas os vícios. 

Segundo histórias, os Dorotabō foram antigos donos de arrozais que, após a morte, transformaram-se em yokais após observarem a negligência dos novos proprietários com os campos. Movidos pela raiva, Dorotabō vagueiam pelos campos gritando com uma voz triste: "Devolvam meu arrozal!". Eles assombram os campos após o anoitecer, perturbando os novos proprietários de suas terras e impedindo-os de dormir. Eles continuam a assombrar o local até que os novos proprietários passem a cuidar direito do mesmo ou desistam e fujam, vendendo o campo para alguém que cuidará bem dele.


A maior parte das terras do Japão está ligada a cadeias montanhosas inóspitas onde a agricultura é impossível. A terra utilizável para esse fim é extremamente valiosa, e as famílias podem ter de economizar a vida toda apenas para comprar um pequeno lote de terras agrícolas preciosas, deixando-os para seus filhos depois que morrerem. Porém, os filhos nem sempre seguem os desejos de seus pais. Um filho pródigo que abandona os campos arduamente conquistados de seu pai em favor de vícios como o jogo e a bebida encontrará um Dorotabō esperando em casa.



Cultura popular

Dorotabō foi ilustrado por Toriyama Sekien em seu livro Konjaku Hyakki Shūi (今昔百鬼拾遺, "Apêndice aos Cem Demônios do Presente e do Passado"), o 3° de sua famosa série. Também é um dos muitos yokais presentes no clássico mangá/anime GeGeGe no Kitarō , criado por Shigeru Mizuki em 1960. Apareceu pela primeira vez em 1969, no capítulo 69 e que leva o seu nome.

No anime/mangá Kemono Jihen, Dorotabō é o nome pelo qual o protagonista Kabane era chamado na vila onde morava, por sempre estar trabalhando nos campos e sempre sujo. 

Dorotabō no anime GeGeGe no Kitarō 
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Ruby