29 de junho de 2026

Mok-yeo-geo

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Mok-yeo-geo (coreano: 목여거; hanja: 目如炬, “olhos como tochas”) é uma aparição monstruosa da literatura coreana do período Joseon. A criatura é descrita como uma figura gigantesca, vestida com chapéu e capa de palha, dotada de um rosto enorme e olhos brilhantes como tochas. Seu relato aparece no Yongjae Chonghwa (용재총화 / 慵齋叢話), coletânea de anedotas, costumes e histórias curiosas escrita pelo erudito Seong Hyeon (성현 / 成俔, 1439–1504).

A criatura é descrita como uma figura gigantesca, de aparência humanoide, vestida com chapéu e capa de palha. Seu nome parece derivar da expressão chinesa 目如炬, usada no próprio texto para descrever seus olhos brilhantes, semelhantes a tochas acesas. Por isso, Mok-yeo-geo provavelmente não era o nome tradicional de uma criatura popular, mas uma designação posterior baseada em sua característica mais marcante.

Lenda

Segundo o relato registrado no Yongjae Chonghwa, Seong Hyeon encontrou a aparição quando ainda era jovem. Depois de acompanhar um visitante até Namgang, ele voltava para casa sob uma chuva fina. Ao passar por uma região ao sul do Jeonseongseo, órgão responsável pela criação de animais usados em rituais da corte, deparou-se com uma figura gigantesca. A criatura usava um chapéu tradicional de palha e uma capa de palha contra a chuva. Seu rosto era grande e redondo, comparado a uma bacia, e seus olhos brilhavam como tochas. A presença da aparição causou grande perturbação: o cavalo de Seong Hyeon espumava e se recusava a avançar, enquanto ele sentia um calor intenso no rosto e percebia um odor insuportável no ambiente.

Apesar do medo, Seong Hyeon manteve a calma. Ele concluiu que, se perdesse o controle, poderia ser enganado pela aparição. Em vez de fugir, permaneceu firme e encarou a criatura. Depois de algum tempo, a figura voltou a cabeça para o céu, desapareceu gradualmente e subiu pelos ares.

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2 de maio de 2026

Gyeonggangjeokryong

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Gyeonggangjeokryong (coreano: 경강적룡, “dragão vermelho de Gyeonggang”) é uma dragão (yong) lendário da tradição coreana, registrado na obra Eouyadam (어우야담, "Histórias Não Oficiais de Eou"), compilada por Yu Mong-in (1559–1623) durante a dinastia Joseon. Segundo a tradição, o Gyeonggangjeokryong habita a bacia do rio Han e está associado aos mercadores da região de Gyeonggang, sendo venerado como uma divindade local.

Relato histórico

De acordo com um registro datado de maio de 1618, um navio de grande porte carregado de sal, com cerca de 10 geol (aproximadamente 30 metros) de comprimento, encontrava-se ancorado nas proximidades do distrito de Yongsan quando foi atingido por uma tempestade súbita, caracterizada por chuvas intensas e ventos violentos. Durante o fenômeno, um dragão vermelho teria emergido das águas do rio, erguendo parte do corpo acima da superfície e surgindo sobre a embarcação. Em seguida, a criatura abaixou a cabeça e submergiu novamente, permanecendo visível apenas a cauda.

A cauda do dragão é descrita como simultaneamente fina e larga, enquanto o corpo, de extensão aproximadamente duas vezes maior, alcançaria dezenas de pés. Nos dias subsequentes ao avistamento, o rio permaneceu em estado de intensa agitação, com suas águas elevando-se em massas brancas comparadas a montanhas de neve, colidindo repetidamente contra o navio até a perda completa da carga.

Após o ocorrido, os tripulantes atribuíram o desastre à negligência do proprietário da embarcação. Conforme práticas tradicionais, marinheiros realizavam orações a divindades marítimas e rituais ancestrais ao atravessar determinados pontos do rio; no entanto, o proprietário teria omitido tais ritos com o objetivo de reduzir custos. A tradição sustenta que a ausência dessas práticas poderia provocar a ira de entidades aquáticas, resultando em desastres como naufrágios e mortes. O próprio Yu Mong-in registra um antigo ditado segundo o qual “a natureza dos dragões aprecia a riqueza humana”. Para o autor, esse episódio serviria como evidência de que tal crença não era infundada.


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7 de abril de 2026

Geochinyeo

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Geochinyeo (coreano: 거치녀; hanja: 鋸齒女, literalmente “mulher de dentes serrilhados”) é uma criatura do folclore coreano registrada em obras históricas como o Gieon (1) (coreano 기언, “Registros de Palavras”) e o Yeollyeosil Gisul (2) (coreano 연려실기술, “Registros do Pavilhão da Lamparina"). É descrita como uma figura feminina monstruosa, caracterizada por dentes semelhantes a lâminas de serra e uma aparência aterradora. Em algumas fontes, também é chamada de Gapsan-gwae (coreano 갑산괴, “monstro de Gapsan”), em referência ao local onde teria sido avistada.

Registros históricos

O principal relato envolvendo a Geochinyeo data do ano de 1583, durante o reinado do rei Seonjo, na dinastia Joseon. Nesse período, o erudito Heo Bong (1551–1588), após ser alvo de intrigas políticas, foi exilado para a região de Gapsan, na província de Hamgyeong.

Segundo a tradição, naquele verão surgiu na região uma figura feminina monstruosa, descrita como possuidora de grandes dentes serrilhados e cabelos desgrenhados. A entidade carregava um arco na mão esquerda e fogo na mão direita, compondo uma imagem incomum e aterradora. Os soldados locais teriam conseguido expulsá-la por meio de práticas rituais e militares, como o toque de tambores e o disparo de flechas.


Após o ocorrido, Heo Bong teria composto um texto de caráter apotropaico conhecido como Chukryeomun (coreano 축려문, “Texto para Expulsar Espíritos Malignos”), destinado a afastar influências malignas. Ao tomar conhecimento desse episódio, o erudito Park Jihwa (1513–1592) teria interpretado a aparição como um presságio, prevendo que, dentro de dez anos, uma grande calamidade surgiria a partir do sul.

Interpretação

A aparição da Geochinyeo é frequentemente interpretada, nas fontes tradicionais, como um presságio da Guerra Imjin (1592–1598), conflito que marcou a invasão japonesa da Coreia. A associação simbólica decorre, em parte, da análise do caractere chinês 倭 (wae), utilizado para designar os japoneses, cuja composição gráfica foi interpretada como evocando elementos semelhantes a um arco e ao fogo — atributos que a criatura portava.

Uma explicação semelhante pode ser encontrada no romance militar anônimo Imjinrok (coreano 임진록,“Registro da Guerra Imjin” ou “Crônicas do Ano Imjin”), no qual eventos sobrenaturais são frequentemente apresentados como sinais precursores de grandes acontecimentos históricos.

Notas:

  • (1) Uma coleção de poemas e prosa de Heo Mok, um funcionário público e erudito do final da Dinastia Joseon, compilada e publicada em 1689;
  • (2) Um livro de história escrito pelo falecido estudioso da Dinastia Joseon, Yi Geung-ik, que descreve a política, a sociedade e a cultura da Dinastia Joseon em forma de narrativa.

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26 de março de 2026

Noaengseol

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Noaengseol (coreano: 노앵설; hanja: 老鶯舌; literalmente “língua de velho rouxinol”) é um espírito presente no folclore coreano, descrito como possuindo a aparência de uma jovem menina, mas com características incomuns e poderes extraordinários. Segundo as descrições tradicionais, o Noaengseol costuma pendurar-se no teto ou esconder-se sobre vigas e pilares das casas. Sua voz é extraordinariamente clara e peculiar, semelhante ao canto de um velho rouxinol, origem de seu nome. Algumas narrativas afirmam ainda que o espírito possui a habilidade de levitar no ar.

Entre os poderes que lhe são atribuídos estão a capacidade de descobrir segredos das pessoas, perceber a culpa no coração de quem cometeu crimes e até revelar a localização de objetos perdidos. Um relato famoso afirma que o espírito teria sido visto durante a infância da sogra do erudito Seong Hyeon, durante a dinastia Joseon.

Registro no Yongjae Chonghwa

A principal narrativa envolvendo o Noaengseol aparece na coletânea “Yongjae Chonghwa”, uma obra literária do período Joseon que reúne histórias, anedotas e relatos curiosos. Segundo o relato, a sogra de Seong Hyeon, de sobrenome Jeong, cresceu na região de Yangju. Durante sua juventude, um espírito passou a habitar sua casa, possuindo uma jovem criada e permanecendo ali por vários anos. A entidade tinha a capacidade de prever fortuna e infortúnio com precisão, de modo que suas palavras quase sempre se mostravam corretas. Por esse motivo, muitas pessoas temiam o espírito, pois acreditavam que ele poderia revelar qualquer ato oculto ou comportamento errado. O espírito falava com uma voz extremamente clara, semelhante à língua de um velho rouxinol, e durante o dia dizia-se que flutuava no ar, enquanto à noite se acomodava nas vigas do teto da casa.

Em um episódio, a esposa de uma família nobre vizinha perdeu um valioso grampo de cabelo e passou a punir severamente sua criada, acreditando que ela o havia roubado. Incapaz de suportar os castigos, a criada consultou o espírito. A entidade respondeu que sabia onde o objeto estava, mas que preferia revelar apenas na presença da dona da casa. Quando a mulher veio pessoalmente perguntar, o espírito advertiu que a verdade poderia deixá-la profundamente envergonhada. Após insistentes perguntas, a entidade finalmente revelou que ela mesma havia perdido o grampo ao entrar, certa noite, em um campo de amoreiras com um vizinho, e que o objeto permanecia preso a um galho. O grampo foi encontrado exatamente no local indicado, causando grande constrangimento à mulher. Em outra ocasião, um servo da casa roubou um objeto. O espírito denunciou o culpado e indicou o quarto onde o item estava escondido. Irritado, o servo insultou a entidade chamando-a de criatura maligna. Imediatamente ele caiu no chão desmaiado e, ao recuperar a consciência, afirmou que um homem de barba roxa havia puxado seus cabelos, deixando-o incapaz de se levantar.

Com o passar do tempo, alguns membros da casa começaram a sentir desconforto com a presença do espírito. Sempre que o estadista Jeong Gu e seus irmãos visitavam a residência, a entidade fugia assustada, retornando apenas depois que eles partiam. Ao tomar conhecimento do fenômeno, Jeong Gu chamou o espírito e ordenou que retornasse à floresta, afirmando que não era apropriado que uma entidade permanecesse tanto tempo entre os humanos. O espírito respondeu que, desde sua chegada, sempre procurara trazer prosperidade à casa e jamais causara desastres, mas que obedeceria à ordem. Segundo a narrativa, a entidade partiu chorando e nunca mais voltou. A história teria sido transmitida oralmente à sogra de Seong Hyeon e posteriormente registrada na obra.

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5 de janeiro de 2026

Geumdwaeji

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Geumdwaeji (coreano 금돼지, "javali dourado") é uma criatura do folclore coreano, descrito como um porco ou javali antropomórfico de pelos dourados e que, segundo a tradição, habitava uma caverna na ilha de Wolyeongdo, diante de Masan, onde atuava como um ser devorador de homens e para onde sequestrava mulheres para devorá-las ou forçá-las a servi-lo. Além de força bruta, Geumdwaeji era tido como mestre em magia e metamorfose, o que o aproxima da figura de Zhu Bajie, personagem do clássico chinês Jornada ao Oeste. No entanto, como as lendas do Geumdwaeji remontam ao período Silla (séculos VII–X), sua tradição é mais antiga que a versão chinesa.

Mitos

Um dos mitos mais conhecidos envolvendo o Geumdwaeji é o de Choe Chi-won, erudito do fim do período Silla. Conta-se que, sempre que um magistrado assumia o posto em uma aldeia de Gochang-gun, sua esposa desaparecia misteriosamente. Ciente disso, um novo magistrado costurou um fio à roupa da esposa e seguiu o rastro até a caverna, onde encontrou o monstro. Munido de pele de cervo — considerada sua maior fraqueza — conseguiu derrotá-lo. A esposa, contudo, teria concebido um filho ligado ao Geumdwaeji, identificado como o próprio Choe Chi-won. Dessa forma surgiu a crença de que o erudito descendia do javali dourado, símbolo ao mesmo tempo de ruptura da ordem antiga e do nascimento de uma nova.

Outras tradições contam a história de modos distintos: em certos relatos, o raptado é o próprio magistrado; em outros, o javali subjuga a esposa e gera um filho. Há também versões que discordam sobre o ponto fraco do monstro, mencionando não só a pele de cervo, mas igualmente a de cavalo branco ou a de carneiro como elementos capazes de derrotá-la.

Geumdwaeji também aparece em outro romance clássico, Geumbanguljeon (금방울전, 金鈴傳,“O Conto do Sino de Ouro”), onde é descrito como o rei de monstros malignos com características semelhantes às da tradição oral. Nessa narrativa, o monstro engole o herói Geumbangul, mas acaba passando mal e, após se debater, é morto brutalmente pelo protagonista Haeryong.


fontes:
  • 금돼지. Disponível em: <https://namu.wiki/w/%EA%B8%88%EB%8F%BC%EC%A7%80>;
  • MYUNG-SUB, C.; JUNG, H.-Y.; KUNGNIP-MINSOK-PANGMULGWAN. Encyclopedia of Korean Folk Literature = Han’guk minsok paekhwa sajŏn 3. Han’guk minsok munhak sajŏn. Seoul: The National Folk Museum Of Korea, 2014.

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20 de dezembro de 2025

Yeongno

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Arte de hanghul

O Yeongno (영노) é uma criatura mítica do folclore e do teatro popular coreano, especialmente proeminente nas danças dramáticas mascaradas (talchum, yaryu e ogwangdae), transmitidas principalmente na província de Gyeongsangnam-do. Trata-se de um espírito monstruoso de origem celeste, expulso ou descido do céu como punição, conhecido por punir os yangban (os nobres e oficiais corruptos), simbolizando o anseio popular por justiça e igualdade social.

Descrito como um ser semelhante a um dragão, o Yeongno é descrito como possuindo escamas, chifres curtos e rombudos e ausência de membros (embora a maioria das artes o represente com inúmeros braços), aproximando-se da forma serpentina do imugi (이무기), o dragão menor ou proto-dragão da mitologia coreana. Seu apetite é insaciável: ele devora tudo o que encontra, inclusive pessoas, objetos e até elementos da natureza. Apesar dessa voracidade, é visto de modo positivo por servir como instrumento de punição contra a ganância e a hipocrisia da elite.

Em certas versões das danças, o Yeongno carrega uma flauta (possivelmente de salgueiro) e produz um som ameaçador conhecido como "bibi", motivo pelo qual também é chamado de Bibi, e sua máscara, de "máscara Bibi". No Dongnae Yaryu (coreano:  동래야류), tradição teatral mascarada da cidade de Dongnae, Busan), a máscara é pintada de vermelho, cor associada ao yang] (陽), símbolo da energia positiva que expulsa os maus espíritos — metáfora para os nobres corruptos. Já na performance Tongyeong Ogwangdae (coreano 통영오광대놀이; variação do teatro mascarado da cidade portuária de Tongyeong), o Yeongno é representado com características de dragão e corpo elaboradamente decorado.

Seu comportamento, contudo, não é inteiramente destrutivo. Em versões como o Goseong Ogwangdae (coreano 고성오광대; versão local do teatro de máscaras de Goseong), o Yeongno demonstra complexidade moral, ocasionalmente exibindo princípios de hyo] (효) — a piedade filial —, o que revela uma ironia central: o monstro encarna virtudes éticas que a elite fingidamente professa. Essa caracterização o coloca em posição moralmente superior aos próprios nobres confucionistas que tenta devorar.

Em versões do Suyeong Yaryu (coreano 수영야류;  teatro mascarado tradicional da região de Suyeong, Busan), o Yeongno é retratado como tendo descido à Terra após cometer uma falta no Céu. Segundo a narrativa tradicional, o personagem procura devorar nobres para cumprir uma missão antes de retornar ao paraíso. Quando um yangban tenta enganá-lo, afirmando ser de linhagem nobre, o Yeongno o consome sem hesitar — um ato simbólico de purificação e ascensão.


fontes:

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7 de outubro de 2025

Baegilhong

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Baegilhong (em coreano: 백일홍, "Vermelho por Cem Dias")  também conhecido como o mito da murta-de-cem-dias, é uma lenda tradicional coreana que explica a origem dessa flor, cuja floração prolongada no verão se tornou símbolo de devoção e saudade. De acordo com a lenda, há muito tempo, em uma vila costeira, vivia um terrível imugi — uma serpente marinha monstruosa que exigia sacrifícios humanos para aplacar sua fúria. Em uma prática ritual recorrente, jovens donzelas eram oferecidas ao mar para satisfazer a criatura.

Certo dia, um bravo herói apareceu na vila e se voluntariou para enfrentar o imugi no lugar de uma jovem que estava prestes a ser sacrificada. Antes de partir, ele prometeu à donzela que, caso triunfasse, retornaria com uma bandeira branca; se falhasse e morresse, voltaria com uma bandeira vermelha. A jovem então passou cem dias em oração, esperando por seu retorno. 

Ao fim desse período, o navio do herói retornou carregando uma bandeira vermelha. Acreditando que o herói havia morrido, a donzela, desesperada, tirou a própria vida. No entanto, descobriu-se depois que a bandeira originalmente era branca, mas havia sido tingida de vermelho pelo sangue do monstro, morto pelo herói em batalha. Tomada pela tragédia e pela devoção da jovem, a natureza respondeu: de seu túmulo floresceram flores vermelhas intensas, que passaram a desabrochar durante cem dias seguidos — um reflexo das orações da donzela e de seu amor fiel. Essas flores passaram a ser chamadas de baegilhong.

Simbolismo

A lenda de Baegilhong combina diversos motivos típicos dos contos populares, incluindo o sacrifício humano, a derrota de um monstro por um herói masculino, a confusão de cores e a transformação em flor. São raros os casos, na literatura folclórica coreana, em que a donzela sacrificada e resgatada termina morrendo, mas essa lenda enfatiza o amor e a devoção da heroína, representados pelas flores da murta-de-cem-dias, que, ao contrário de outras flores, permanecem floridas por um longo período durante o verão.

fonte:

  • MYUNG-SUB, C.; JUNG, H.-Y.; KUNGNIP-MINSOK-PANGMULGWAN. Encyclopedia of Korean Folk Literature = Han’guk minsok paekhwa sajŏn 3. Han’guk minsok munhak sajŏn. Seoul: The National Folk Museum Of Korea, 2014.

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25 de setembro de 2025

Samdugumi

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Arte gerada por I.A

Samdugumi (coreano 삼두구미, ""Três Cabeças e Nove Caudas") é uma criatura monstruosa do folclore xamânico da ilha de Jeju, Coreia do Sul. A história de sua origem é narrada no mito xamânico Samdugumibonpuri (삼두구미본풀이), parte de uma categoria de mitos locais conhecidos como bonpuri, transmitidos oralmente e, neste caso específico, desvinculados de qualquer divindade, ritual ou segmento ritualístico. Por isso, é uma narrativa rara e pouco performada nos contextos cerimoniais.

Samdugumi é descrito como um monstro terrestre com três cabeças e nove caudas (algumas fontes dizem serem de raposa, outros dizem que são serpentinas), cuja aparência remete a um velho de cabelos brancos. Ele não é nem humano, nem espírito, ocupando um lugar liminar entre os mundos.

Samdugumibonpuri 

Era uma vez um lenhador pobre que vivia com suas três filhas em uma cabana simples à beira da floresta. Certo dia, Samdugumi apareceu, disfarçado de homem generoso e bem-apessoado. Com palavras doces e falsas promessas de casamento com homens ricos, ele convenceu as moças a segui-lo. Mas, em vez de um futuro promissor, ele as trancafiou em um esconderijo sombrio, revelando sua verdadeira natureza monstruosa. Ali, deu início a um teste cruel: exigiu que cada uma comesse uma perna humana. As duas irmãs mais velhas, horrorizadas, fingiram obedecer. Esconderam as pernas e mentiram, dizendo que haviam devorado a carne. Samdugumi, porém, logo descobriu o engano e, impiedoso, matou ambas sem hesitar.

A irmã mais nova, contudo, era astuta. Queimou a perna que lhe fora dada e escondeu as cinzas em um pequeno saco preso ao ventre. Quando o monstro berrou “Perna!”, esperando ouvir uma resposta de seu interior, o eco abafado das cinzas sacudindo convenceu-o de que ela havia obedecido. Satisfeito com sua suposta lealdade, Samdugumi fez dela sua esposa.

Arte de iovejune

Com o tempo, a jovem fingiu submissão e conquistou a confiança do monstro. Durante os dias que passaram juntos, ela observou cuidadosamente seus hábitos e medos, até descobrir três fraquezas profundas:

  • Ovos crus o aterrorizavam, pois não tinham olhos, nariz ou ouvidos — não respondiam às perguntas do monstro, e se lançados contra ele, grudavam em seu rosto, podendo cegá-lo;
  • Galhos de salgueiro voltados para o leste, que absorviam a luz do sol antes de tudo e eram considerados venenosos por ele;
  • Fragmentos de metal, que sufocavam sua respiração ao atingi-lo e não podiam ser destruídos pelo fogo, escapando de sua magia.

Certa noite, reunindo coragem, a jovem colocou seu plano em prática. Atacou Samdugumi com ovos crus, lançou-lhe galhos de salgueiro e cravou-lhe pedaços de metal. O monstro urrava, enfraquecido e cego, até que finalmente tombou, vencido por seus próprios medos. Sem perder tempo, a moça queimou o corpo do monstro, reduzindo-o a cinzas. Por fim, espalhou aquele pó amaldiçoado ao vento, para que nenhuma força sombria jamais pudesse trazê-lo de volta à vida.

Influência Cultural

Embora atualmente a narrativa de Samdugumi seja considerada independente de rituais, ela possui clara conexão com práticas fúnebres da ilha de Jeju. Entre essas tradições, destaca-se o costume de enterrar os mortos junto a ovos crus, pedaços de metal e galhos de salgueiro — elementos que remetem diretamente aos temores da criatura. Outro costume funerário associado é o dongsimgyeol (동심결), ou "nó do coração único", um enfeite com quatro nós e oito extremidades preso ao caixão. Ele serve como proteção contra o Samdugumi, que é temido por se alimentar de cadáveres.

Arte de MeoShinKe

fonte:

  • MYUNG-SUB, C.; JUNG, H.-Y.; KUNGNIP-MINSOK-PANGMULGWAN. Encyclopedia of Korean Folk Literature = Han’guk minsok paekhwa sajŏn 3. Han’guk minsok munhak sajŏn. Seoul: The National Folk Museum Of Korea, 2014.
  • 블로그하고싶은거. 삼두구미(三頭九尾). Disponível em: <https://m.blog.naver.com/qws7380/221162644714>.

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15 de setembro de 2025

Haemosu

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Haemosu (ou Hae Mo-su, coreano 해모수, "filho do sol" ou "governante do sol") é uma divindade pertencente à mitologia coreana, conhecido como o fundador do antigo reino de Buyeo do Norte e pai de Jumong, o lendário fundador de Goguryeo, um dos três reinos antigos da Coréia. Ele é descrito como o filho de Cheonje (coreano 천제), o Imperador Celestial, que desceu à Terra para governar o mundo humano. Ele é frequentemente representado com um chapéu feito de penas de corvo e carregando a poderosa espada Yonggwanggeom (coreano 용광검, "Espada da Luz do Dragão"). Para se locomover pelos céus, Haemosu usava uma carruagem chamada Oryonggeo (coreano 오룡거, "Carruagem dos Cinco Dragões"), puxada por cinco dragões, e que pode transportar quem a dirige para qualquer lugar na velocidade do vento. Durante suas viagens, ele era acompanhado por uma comitiva de cem homens montados em cisnes.


Ao governar a região que anteriormente pertencia a Haeburu, Haemosu dividia seu tempo entre atender aos assuntos terrenos pela manhã e ascender ao céu à noite. Por essa razão, ele era reverenciado como Cheonwangrang (Rei Celestial) pelas pessoas.

O Encontro com as Filhas de Habaek


Certo dia, próximo às águas do lago Ungsim, Haemosu encontrou as três filhas de Habaek, um deus da água, que haviam emergido de Cheongha (o rio Amnok, sob o Monte Ungsim, ao norte de sua fortaleza). Desejando escolher uma esposa, Haemosu ofereceu uma recepção regada a bebidas e, após embriagá-las, capturou uma delas, Yuhwa, o que provocou a ira de Habaek.

Habaek foi até a margem para desafiar Haemosu, a fim de confirmar se ele realmente era filho do Imperador Celestial. Habaek transformou-se em diferentes animais para testá-lo: quando se tornou uma carpa, Haemosu virou uma lontra para persegui-lo; quando se transformou em um cervo, Haemosu virou um cão selvagem; e quando virou um faisão, Haemosu tornou-se um falcão para atacá-lo. 
Por fim, Habaek reconheceu que Haemosu era de fato o filho do Imperador Celestial e consentiu o casamento com Yuhwa.

Separação de Yuhwa

Apesar do consentimento, Habaek desconfiava de Haemosu e temia que ele abandonasse Yuhwa e voltasse sozinho ao reino celeste. Ele então embebedou o genro e colocou o casal em uma carroça de couro, que é então carregada na carruagem de cinco dragões rumo aos céus. No entanto, Haemosu despertou antes da partida, e escapou da carroça fazendo um buraco nela com um grampo de cabelo dourado de Yuhwa. Assim, ele ascendeu sozinho ao reino celestial.

Tomado pela ira ao perceber que sua filha foi abandonada, Habaek puniu Yuhwa esticando seus lábios até ficarem com cerca de três ja (uma medida tradicional coreana) de comprimento e a abandonou na margem do rio Ubalsu. Yuhwa é posteriormente resgatada por Gangnyeokbuchu, um pescador, que a entrega ao rei Geumwa de Dongbuyeo.

O Nascimento de Jumong


Incapaz de falar devido aos lábios deformados, Yuhwa só conseguiu se comunicar após seus lábios serem cortados três vezes. Reconhecendo-a como a esposa do príncipe celestial, o rei Geumwa decidiu abrigá-la no palácio da rainha. Eventualmente, um raio de sol incide sobre o corpo de Yuhwa, levando à concepção de Jumong. Este filho divino cresceu, e se tornou o fundador do reino de Goguryeo, um dos três reinos antigos da Coreia.


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14 de agosto de 2025

Homunjo

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Arte gerada por I.A.

Homunjo (coreano 호문조, literalmente “Pássaro de Padrão de Tigre”) é uma criatura lendária da mitologia coreana, descrita como uma ave gigantesca com traços de felino. Ele é mencionado em textos antigos da Coreia, especialmente no Cheongjangjeonseo (《청장관전서》), uma coleção de escritos do estudioso Lee Deok-mu (이덕무, 1741–1793), da era Joseon. 

Aparência e Comportamento

O Homunjo é descrito como uma ave imensa, com corpo robusto, traços de aves de rapina e uma coloração que imita o padrão de listras dos tigres. Uma de suas características mais marcantes é a cabeça enorme — comparada ao tamanho de um grande jarro — e asas largas com marcas semelhantes às de um tigre.

Além da aparência peculiar, o Homunjo seria uma criatura extremamente perigosa. Ele era conhecido por seu apetite voraz, sendo capaz de engolir presas inteiras, sem mastigar, de forma semelhante a algumas aves mitológicas que não digerem completamente seus alimentos. Sua forma de voo era descrita como lenta e pesada, contrastando com seu caráter ameaçador.

De acordo com os relatos, essa criatura habitava regiões isoladas, como a ilha de Hongdo, na Coreia, e talvez também áreas do Japão. Isso indica que sua lenda pode ter se espalhado — ou compartilhado elementos — entre diferentes culturas do Leste Asiático.

Relatos Históricos

O principal relato sobre o Homunjo está registrado no livro Yangyeopgi (《양엽기》), parte da obra de Lee Deok-mu. A história se passa durante o reinado do rei Yeongjo (1694–1776), quando um oficial militar chamado Bibyeonrang (비변랑) foi enviado para uma missão de inspeção na ilha de Hongui-do (hoje conhecida como Hongdo), localizada na província de Jeolla do Sul.

Durante a expedição, o grupo fez uma parada em uma ilha desabitada e avistou, em meio à floresta, uma enorme ave pousada. Assustado com o tamanho da criatura, o barqueiro que acompanhava a equipe pediu que todos ficassem em silêncio e se escondessem com esteiras e redes. A ave, após algum tempo, alçou voo. Segundo o barqueiro, ela era extremamente perigosa e conhecida por atacar seres humanos. Esse episódio foi mais tarde relatado ao escritor Jeong Cheol-jo (정철조, 1730–1781) por um pintor que fazia parte da missão. O relato acabou preservado nos registros históricos.

Registros em Outras Culturas

Lee Deok-mu também menciona uma possível referência semelhante no texto japonês Nihongi-ryak (《日本記略》). Segundo esse registro, no ano de 813, durante o governo do imperador Saga (嵯峨天皇), guardas do palácio imperial (Uemonfu, 右衛門府) disseram ter visto uma criatura estranha: um ser alado com corpo de tigre, penas e pernas avermelhadas. Para Lee, trata-se de um ser semelhante ao Homunjo, talvez uma versão mais felina da coruja-águia — comparável ao Búho-real em tamanho e aparência.

Significado e Interpretação

Como muitas figuras do folclore coreano, o Homunjo pode ter um significado simbólico. Criaturas como o Geumgangho (금강호, “Tigre de Diamante”) e o Sagong Heukho (사공흑호, “Tigre Negro de Sagong”) também combinam elementos de animais poderosos para representar forças da natureza ou medos coletivos. No caso do Homunjo, a fusão entre uma ave de rapina e um tigre pode simbolizar o domínio sobre céu e terra, representando tanto a ameaça que vem do alto quanto a força implacável dos predadores terrestres.

Alguns estudiosos acreditam que a lenda tenha surgido a partir de encontros reais com grandes aves — como águias ou corujas — cujas características foram ampliadas pela imaginação popular. Outros sugerem que ela possa se referir a espécies extintas. 



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24 de junho de 2025

Baekpo-geonho

۞ ADM Sleipnir

Baekpo-geonho (coreano 백포건호, "Tigre com Lenço Branco") é uma criatura folclórica coreana descrita em textos antigos como Yongjae Chonghwa (coreano: 용재총화, "Coleção de ensaios de Yongjae") e Imha Pilgi (coreano: 임하필기 “Escritos Coletados Sob as Árvores”). Trata-se de um tigre idoso que usa um lenço branco na cabeça, assumindo a forma de um velho monge.

Lenda 

Durante a dinastia Goryeo, o famoso oficial Gang Gam-chan (948 – 1031) foi nomeado magistrado de Hanyang (atual Seul). Na época, tigres assombravam a região, atacando os moradores. O governador local estava desesperado, mas Gang Gam-chan agiu com calma. Ele escreveu um aviso oficial (bujeop) e ordenou que um servo fosse até um penhasco ao norte da vila, onde encontraria um velho monge de lenço branco sentado sobre uma rocha. O servo obedeceu e, ao entregar o aviso, o monge concordou em segui-lo.

Ao chegar diante de Gang Gam-chan, o monge curvou-se respeitosamente. Gang Gam-chan então, gritou com ele, dizendo que, se ele e seu bando não deixassem a região em cinco dias, todos seriam mortos a flechadas. O governador riu, duvidando que um simples monge pudesse controlar os tigres. Então, Gang Gam-chan ordenou:

— Mostre sua verdadeira forma!

Imediatamente, o velho monge transformou-se num tigre gigante, rugindo e escalando colunas com ferocidade. O governador desmaiou de terror. Gang Gam-chan, então, ordenou que o tigre parasse, e ele voltou à forma humana, curvou-se e partiu. No dia seguinte, o Tigre do Lenço Branco liderou um grupo de tigres para longe da cidade, cruzando o rio. Depois disso, Hanyang nunca mais sofreu ataques.

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29 de maio de 2025

Geuseunsae

۞ ADM Sleipnir

Arte de @namukio2

Geuseunsae (coreano 그슨새) é uma entidade maligna do folclore da ilha de Jeju, na Coreia do Sul. De acordo com as tradições locais, o Geuseunsae é um espírito que veste um capuz chamado Jujeng-i (주젱이), semelhante ao usado por criminosos condenados por assassinato na ilha. Essa associação levou à teoria de que o Geuseunsae seria a manifestação fantasmagórica daqueles prisioneiros que morreram e cujas almas não encontraram descanso.

O Geuseunsae é descrito como um espírito que vagueia ou voa durante o dia, sempre em busca de indivíduos que estejam sozinhos. Sua principal tática é hipnotizar suas vítimas, induzindo-as a comportamentos erráticos e autodestrutivos. Um relato folclórico descreve uma vítima que, sob o efeito da hipnose, repetidamente amarrou e desamarrou uma corda em torno do próprio pescoço, culminando em uma tentativa de enforcamento em uma árvore. Quando interpelada por outra pessoa, a vítima saiu do transe e relatou que, de sua perspectiva, era o Geuseunsae quem manipulava a corda e tentava enforcá-la.

O Geuseunsae ataca exclusivamente pessoas que estão sozinhas, pois sua hipnose pode ser revertida caso alguém interaja com a vítima. A simples ação de falar com a pessoa hipnotizada é suficiente para quebrar o encanto. No entanto, se a hipnose não for desfeita a tempo, a vítima corre o risco de ser morta pelo espírito.



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