25 de agosto de 2026

Caolong

۞ ADM Sleipnir

Caolong (chinês: 草龙; pinyin: Cǎolóng, literalmente “Dragão de Capim” ou “Dragão de Erva”) é um dragão sobrenatural de uma lenda popular de Shimentan, na região da montanha Yandang, em Wenzhou, província de Zhejiang, China. A história foi registrada em uma coletânea de literatura popular de Wenzhou e apresenta o dragão como uma criatura benfeitora, capaz de fazer surgir vegetação, árvores e água com seu sopro. A lenda também explica de forma sobrenatural algumas características da paisagem de Shimentan, especialmente o lago e a abertura entre as formações rochosas associada ao nome “Portão de Pedra”. 

A lenda do Caolong

Segundo a tradição, as montanhas próximas a Shimentan eram originalmente áridas e tinham pouca vegetação. Um proprietário de terras exigiu dos agricultores locais duzentas cargas de capim como pagamento do aluguel. Sem encontrar vegetação suficiente, os moradores não sabiam como atender à exigência.

Sob uma área coberta de pedras vivia o Caolong. Ao saber das dificuldades dos habitantes, o dragão transformou-se em um velho monge e foi conversar com eles. Naquela noite, dirigiu-se à montanha e soprou três vezes sobre ela. Com o primeiro sopro, cresceram capim e outras plantas; com o segundo, surgiram árvores e formou-se uma floresta; com o terceiro, a água começou a correr entre as pedras. Na manhã seguinte, os moradores encontraram a antiga montanha árida coberta de vegetação. O lugar havia se transformado no que a tradição descreve como uma “montanha de flores e frutos”, permitindo que obtivessem o que precisavam para atender à exigência do proprietário.

O dragão continuou ajudando a população. Todas as noites, soprava sobre a montanha, e a vegetação voltava a crescer à medida que era cortada. Em determinado momento, chegou a arrancar fios dos próprios bigodes para que fossem usados para amarrar a lenha. A abundância atraiu moradores de localidades vizinhas, que também passaram a buscar madeira no lugar.

O ataque ao Caolong

O proprietário não aceitou a melhora nas condições de vida dos habitantes. Foi então procurar o magistrado local e afirmou que uma criatura sobrenatural havia aparecido na região. O magistrado, que segundo a lenda conhecia artes mágicas, acompanhou-o até a montanha com a intenção de matar o dragão e fazer com que o lugar voltasse a ficar estéril. Durante a noite, quando o Caolong retornou para realizar seus três sopros, o magistrado o atacou com uma espada. O primeiro golpe atingiu sua cauda, mas ele conseguiu soprar uma vez. O segundo feriu suas costas, e ainda assim realizou o segundo sopro. O terceiro golpe atingiu sua garganta. 

Mesmo gravemente ferido, o dragão tentou completar o último sopro. Durante o esforço, sua pérola de dragão (longzhu, 龙珠) saiu de sua boca e atingiu a formação rochosa, abrindo nela uma passagem semelhante a um portão. A pérola então ricocheteou e se transformou em uma pequena montanha, que esmagou o proprietário e o magistrado.

Ferido, o Caolong rolou sobre o terreno pedregoso e formou um lago profundo, do qual começou a brotar água limpa. Suas escamas caíram na água e se transformaram em pequenos peixes. Por fim, sua pele se desprendeu e suas forças se esgotaram, deixando-o incapaz de produzir novamente seus sopros extraordinários. A versão conhecida da lenda não afirma claramente que o Caolong tenha morrido. Seu destino após perder os poderes não é explicado.

fonte:

  • 纪妖. 草龙 [Caolong]. Fonte indicada pelo verbete: 《浙江省民间文学集成·温州市故事卷·上》 [Coletânea de Literatura Popular da Província de Zhejiang — Volume de Histórias de Wenzhou, tomo I]. Disponível em: <https://www.cbaigui.com/monster/3602>;

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22 de junho de 2026

Goin, Moin, Grabak, Grafvolludr, Ofnir e Svafnir

۞ ADM Sleipnir

Goin (nórdico antigo: Góinn), Moin (nórdico antigo: Móinn), Grabak (nórdico antigo:Grábakr), Grafvolludr (nórdico antigo: Grafvölluðr), Ofnir (nórdico antigo: Ófnir) e Svafnir (nórdico antigo: Sváfnir) são um grupo de serpentes/dragões mencionadas na tradição mitológica nórdica como habitantes das regiões inferiores da árvore cósmica Yggdrasil. Elas são citadas no poema Grímnismál, integrante da Edda Poética, onde aparecem associadas às raízes da árvore que sustenta os Nove Mundos. Apesar de sua presença nas fontes medievais, pouco se sabe sobre sua natureza ou papel individual, e a maior parte das informações disponíveis limita-se aos seus nomes.

Etimologia dos nomes

O significado exato de alguns desses nomes permanece incerto, mas os estudiosos propuseram diversas interpretações com base na etimologia do nórdico antigo. Goin pode significar "o terrestre" ou "aquele que vive no solo", enquanto Moin é frequentemente associado às ideias de "fadiga", "entorpecimento" ou "exaustão". Grabak significa literalmente "Costas Cinzentas" ou "Dorso Cinzento", provavelmente uma referência à aparência da criatura. O significado de Grafvolludr é obscuro, mas costuma ser interpretado como algo relacionado a "aquele que escava sob a planície" ou "escavador de campos". Ofnir pode ser traduzido como "o que se enrosca", "o que serpenteia" ou "o entrelaçado", um nome apropriado para uma serpente. Já Svafnir deriva de uma raiz associada ao sono, sendo geralmente interpretado como "o adormecido", "o sonolento" ou "aquele que faz adormecer". O poema também menciona Grafvitnir (nórdico antigo: Gráfvitnir), pai de Goin e Moin, cujo nome significa aproximadamente "lobo das covas" ou "lobo dos túmulos", combinando os elementos gráf ("cova", "sepultura") e vitnir ("lobo" ou uma criatura lupina sobrenatural).

Interpretações acadêmicas

A escassez de referências tornou difícil determinar se os nomes representam seres distintos ou diferentes denominações para uma mesma criatura. Alguns estudiosos sugerem que determinadas figuras da lista podem ter sido originalmente epítetos ou variantes de outras serpentes e dragões da tradição nórdica. Essa hipótese é reforçada pelo fato de que nomes como Ófnir e Sváfnir também aparecem em outras fontes associados a seres reptilianos ou dracônicos.

Papel na cosmologia nórdica

As interpretações modernas geralmente relacionam essas serpentes à degradação contínua de Yggdrasil. Na cosmologia nórdica, a árvore do mundo não é retratada como uma estrutura imutável, mas como um organismo vivo sujeito a processos permanentes de desgaste. Diversas criaturas habitam suas raízes, tronco e galhos, afetando sua integridade. Entre elas está Nidhogg, o dragão que rói uma das raízes da árvore, além de cervos que se alimentam de sua folhagem e outras criaturas que vivem em seu entorno.

Nesse contexto, as serpentes mencionadas no Grímnismál são geralmente interpretadas como representações das forças destrutivas que atuam sobre a ordem cósmica. Embora ocupem um papel secundário nas narrativas mitológicas, sua presença reforça um dos temas centrais da visão de mundo nórdica: a ideia de que todas as coisas, inclusive a própria estrutura do universo, estão sujeitas à deterioração e à destruição.

Nidhogg

fontes:

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2 de maio de 2026

Gyeonggangjeokryong

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Gyeonggangjeokryong (coreano: 경강적룡, “dragão vermelho de Gyeonggang”) é uma dragão (yong) lendário da tradição coreana, registrado na obra Eouyadam (어우야담, "Histórias Não Oficiais de Eou"), compilada por Yu Mong-in (1559–1623) durante a dinastia Joseon. Segundo a tradição, o Gyeonggangjeokryong habita a bacia do rio Han e está associado aos mercadores da região de Gyeonggang, sendo venerado como uma divindade local.

Relato histórico

De acordo com um registro datado de maio de 1618, um navio de grande porte carregado de sal, com cerca de 10 geol (aproximadamente 30 metros) de comprimento, encontrava-se ancorado nas proximidades do distrito de Yongsan quando foi atingido por uma tempestade súbita, caracterizada por chuvas intensas e ventos violentos. Durante o fenômeno, um dragão vermelho teria emergido das águas do rio, erguendo parte do corpo acima da superfície e surgindo sobre a embarcação. Em seguida, a criatura abaixou a cabeça e submergiu novamente, permanecendo visível apenas a cauda.

A cauda do dragão é descrita como simultaneamente fina e larga, enquanto o corpo, de extensão aproximadamente duas vezes maior, alcançaria dezenas de pés. Nos dias subsequentes ao avistamento, o rio permaneceu em estado de intensa agitação, com suas águas elevando-se em massas brancas comparadas a montanhas de neve, colidindo repetidamente contra o navio até a perda completa da carga.

Após o ocorrido, os tripulantes atribuíram o desastre à negligência do proprietário da embarcação. Conforme práticas tradicionais, marinheiros realizavam orações a divindades marítimas e rituais ancestrais ao atravessar determinados pontos do rio; no entanto, o proprietário teria omitido tais ritos com o objetivo de reduzir custos. A tradição sustenta que a ausência dessas práticas poderia provocar a ira de entidades aquáticas, resultando em desastres como naufrágios e mortes. O próprio Yu Mong-in registra um antigo ditado segundo o qual “a natureza dos dragões aprecia a riqueza humana”. Para o autor, esse episódio serviria como evidência de que tal crença não era infundada.


fontes:

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29 de abril de 2026

Moxotó, o "Dragão do Cariri"

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O Moxotó é uma criatura da mitologia do povo indígena Payaku, habitante da região do Cariri, que abrange partes do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Entre as criaturas da tradição indígena brasileira, ele se destaca por lembrar um tipo de dragão, algo incomum nesse contexto. Sua figura é um dos destaques do livro Cratoãnas: Mitos indígenas do Nordeste (2024), de autoria de Yaguarê Yamã e Ikanê Adean, que reúne diversas narrativas tradicionais da região. 

O nome Moxotó é interpretado por alguns como “lagarto de pedra”. O ser é descrito como um lagarto teiú de cinco metros de comprimento, que possui chifres e um único olho no meio da testa. Diferente dos dragões clássicos, o Moxotó não cospe fogo, mas utiliza uma gosma venenosa que paralisa a vítima e, por ser corrosiva, destrói seu tecido corporal. Ele também possui uma cauda com uma lâmina serrilhada e uma ponta semelhante a uma lança, usada para perfurar o peito de quem o enfrenta. Após o ataque do veneno, o Moxotó devora a vítima.

O destino do Moxotó nos dias atuais é um mistério. Enquanto uns dizem que ele desapareceu com o processo de colonização, outros afirmam que ele foi transformado em pedra pelo deus cristão ou que continua presente como uma força espiritual. Com a chegada dos portugueses, o povo Payaku passou por um processo de quase desaparecimento. Junto com isso, muitos elementos de sua cultura foram enfraquecidos, incluindo as histórias sobre o Moxotó.

fonte:

  • YAGUARÊ YAMÃ; IKANÊ ADEAN. Cratoãnas - Mitos indígenas do Nordeste. Jandira, SP. Ciranda Cultural, 2024.

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5 de março de 2026

Jaguadarte

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Arte de Brian Valeza

O Jaguadarte (no original inglês, Jabberwock) é uma criatura fictícia criada por Lewis Carroll, apresentada no poema Jabberwocky, incluído no primeiro capítulo do livro Alice Através do Espelho e o que Ela Encontrou Por Lá (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There, 1871). Apesar de muitas vezes chamado incorretamente de “Jabberwocky”, esse é o título do poema, e não o nome da criatura.

O poema é considerado um dos maiores exemplos da literatura nonsense vitoriana, marcado pelo uso intenso de palavras inventadas (neologismos), pela musicalidade dos versos e pela grande dificuldade de tradução. A narrativa acompanha um jovem herói advertido a temer o Jaguadarte, que parte para caçá-lo no sombrio bosque de Tulgey Wood, armado com a lendária espada vorpal.

O poema Jabberwocky

À primeira vista, o poema pode ser lido como uma fábula clássica sobre um cavaleiro que derrota um monstro. No entanto, Carroll subverte essa simplicidade ao empregar linguagem absurda, criando palavras novas ou combinando termos existentes para gerar múltiplos sentidos. Esse estilo tornou Jabberwocky uma peça curta, porém extremamente influente, que fascinou leitores do século XIX e permanece viva no imaginário moderno.

Origem e contexto

A criação do Jaguadarte reflete o estilo peculiar de Lewis Carroll, conhecido por sua criatividade linguística e por explorar ambiguidades da linguagem. Alguns estudiosos sugerem que o Jabberwock pode ter sido inspirado em lendas locais da região de Sunderland, na Inglaterra, como a do Verme de Lambton. Carroll escreveu Jabberwocky enquanto visitava parentes que moravam próximos a essa região, embora a primeira estrofe do poema tenha sido concebida anos antes, o que torna essa relação incerta.

Descrição física

O poema não descreve o Jaguadarte de forma detalhada, mas menciona algumas características marcantes, como "olhos de fogo", "garras que agarram" e "bocarra que urra". Essa descrição vaga abre espaço para inúmeras interpretações visuais.

A primeira ilustração canônica da criatura foi feita por John Tenniel, ilustrador de Carroll. Nela, o Jaguadarte aparece como uma criatura híbrida e grotesca: corpo semelhante ao de um dragão, asas de morcego, cabeça barbuda com traços de peixe, antenas insetoides e garras tanto nos braços quanto nas asas, que também funcionam como patas dianteiras. Curiosamente, a criatura veste um colete. Essa imagem ajudou a consolidar o Jaguadarte como um monstro quimérico e ameaçador.

Jaguardarte por John Tenniel

Outros artistas optaram por representações mais próximas de um dragão tradicional, mas, independentemente do estilo, a ferocidade da criatura é sempre enfatizada.

Destino da criatura

Presumivelmente, o Jaguadarte habitava o Tulgey Wood até ser derrotado pelo herói anônimo do poema. Empunhando a espada vorpal, o jovem consegue decapitá-lo e retorna triunfante com sua cabeça, sendo celebrado por seu feito heroico.

Influência e cultura popular

O Jaguadarte tornou-se um ícone da literatura infantil e da cultura pop, aparecendo em adaptações literárias, músicas, paródias, jogos e filmes. No filme Alice no País das Maravilhas, dirigido por Tim Burton, a criatura surge como o desafio final da protagonista, que precisa derrotá-lo para provar que é a verdadeira Alice. Essa releitura levou muitos espectadores a conhecer o monstro fora do contexto literário original.


O poema Jabberwocky, assim como as histórias de Alice, adquiriu características de mito moderno, sendo constantemente reinterpretado e referenciado na cultura contemporânea.

Poema Jabberwocky (versão adaptada em português)

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, com olhos de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Arte de cobaltplasma


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2 de março de 2026

Bida

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Arte de Gonzalo Kenny

Bida é uma criatura mítica da tradição oral do povo soninke (soninquê), ligada ao antigo reino de Wagadu, também conhecido como Império de Gana. Trata-se de um espírito tutelar em forma de grande serpente — cujo nome pode significar “boa” ou “píton” em soninquê — associado à proteção do reino e da linhagem governante dos Cissé. A morte de Bida é tradicionalmente empregada nas narrativas como explicação mítica para o declínio de Wagadu. Como ocorre em tradições orais, o mito apresenta numerosas variantes regionais, linguísticas e étnicas.

Descrição física

A descrição física de Bida não é uniforme. Em muitas versões, ela aparece simplesmente como uma serpente gigantesca ou píton sagrada. A representação de Bida como uma serpente de múltiplas cabeças — por vezes sete — pertence a variantes orais específicas, especialmente em tradições mandingas e diúla. Nessas versões, a serpente pode emergir do poço revelando suas cabeças sucessivamente antes de devorar a vítima, reforçando o simbolismo ritual do número sete.

Origem e papel mítico

Segundo as tradições soninquês, a origem do pacto com Bida remonta ao seu ancestral, Dinga, que teria migrado do norte da África para a região do Sahel. Seu filho, Dyabé (ou Diabé), ao se estabelecer em Wagadu, firmou uma aliança com a serpente Bida, que passou a proteger o reino e sua dinastia. Em troca, a comunidade deveria oferecer regularmente o sacrifício da jovem virgem mais bela da região, escolhida ritualmente.

Bida era concebida como habitando um local sagrado — frequentemente um poço ou aquífero próximo à capital, Kumbi Saleh — e controlava forças vitais ligadas à chuva, à fertilidade da terra e à abundância do ouro. O cumprimento do pacto assegurava a prosperidade do reino; sua violação, por outro lado, acarretaria consequências catastróficas.

A periodicidade e os detalhes do sacrifício variam conforme a versão: em algumas narrativas, ele ocorria anualmente ao fim da estação seca, presidido pelo soberano de Wagadu (o Kaya Maghan), e envolvia procissões rituais e trajes cerimoniais específicos.

Arte de Rahif El Mehdi


O sacrifício e a ruptura do pacto

Uma das variantes mais difundidas do mito envolve Siya Yatabaré (ou Sia Jatta Bari), a mais bela e pura jovem de sua geração. Embora estivesse prometida em casamento, ela foi escolhida para ser oferecida a Bida, conforme o costume. Ela estava prometida em casamento a um homem chamado Amadi, Mamadi ou Maadi (conforme a tradição local). Recusando-se a aceitar a morte da noiva, ele se escondeu próximo ao local sagrado onde ocorreria o ritual.

Quando Bida emergiu para devorar a jovem, Amadi atacou a serpente e a matou — em algumas versões, decapitando-a; em outras, golpeando-a repetidamente. Esse ato rompeu definitivamente o pacto que sustentava a prosperidade de Wagadu.

Variantes da lenda atribuem a morte da Bida não ao noivo de Siya Yatabaré, mas ao pai da jovem, Yiramakan

A maldição de Bida

Antes de morrer, Bida lançou uma maldição sobre Wagadu. Segundo a versão mais recorrente da lenda, a serpente anunciou que, por sete anos, sete meses e sete dias, não cairia chuva nem haveria ouro no reino. Com a morte de Bida, o pacto foi definitivamente rompido.

A tradição oral interpreta esses eventos como a causa da decadência de Wagadu e da dispersão dos soninquês por outras regiões da África Ocidental. Em algumas variantes, partes do corpo de Bida transformam-se simbolicamente em jazidas de ouro em regiões vizinhas, explicando a posterior prosperidade de outros reinos da região.

Arte do livro  La légende du Ouagadou Bida, por Svetlana Amegankpoé

fontes:


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4 de fevereiro de 2026

Dragão da Caverna dos Suspiros

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O Dragão da Caverna dos Suspiros é uma criatura lendária do folclore brasileiro, associada às tradições populares do arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Sua lenda está ligada às histórias sobre o suposto tesouro oculto do pirata escocês William Kidd, conhecido como Capitão Kidd, mesclando elementos da tradição europeia dos dragões com narrativas locais transmitidas oralmente.

A Caverna dos Suspiros e o dragão

A chamada Caverna dos Suspiros, também conhecida como Caverna do Funil, consiste em um conjunto de fendas escavadas pela ação constante do mar. O acesso difícil, o ambiente escuro e as áreas alagadas contribuíram para sua reputação perigosa.

É nesse cenário que, segundo a tradição, habita o dragão. Descrito como uma criatura de grandes asas, corpo serpentino coberto por escamas e garras afiadas, ele seria capaz de expelir fogo, mesmo em um ambiente marinho. Relatos mencionam rugidos intensos e clarões refletidos na água.

O nome da caverna estaria ligado aos sons produzidos pelo impacto das ondas, interpretados como suspiros ou rugidos, reforçando o caráter sobrenatural do local. Algumas versões afirmam que exploradores teriam desaparecido ao tentar acessar a caverna.

Origem da lenda e narrativas associadas

A origem da lenda remonta aos relatos sobre a possível passagem de Capitão Kidd por Fernando de Noronha no final do século XVII. Embora não haja registros históricos conclusivos, a tradição oral sustenta que o pirata teria escondido parte de sua fortuna na caverna.

Com o tempo, a narrativa do tesouro oculto incorporou elementos fantásticos, associando a caverna à figura do dragão como guardião da riqueza, remetendo diretamente aos dragões da mitologia europeia medieval.

Entre as histórias mais recorrentes, destaca-se o suposto rapto da filha de um prisioneiro da ilha, além de aventureiros que jamais retornaram ao tentar recuperar o tesouro.

Apesar disso, algumas versões afirmam que Capitão Kidd teria escondido o tesouro sem jamais encontrar o dragão. Capturado e executado em Londres em 1701, deixou para trás uma fortuna perdida e um legado envolto em mistério.

Fontes:
  • DA. O dragão da Caverna dos Suspiros. CHC
  • Redação GB. Dragão da Caverna dos Suspiros – Folclore Brasileiro. Gazeta Bragantina



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2 de fevereiro de 2026

Jimeng

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Jimeng (chinês 計蒙) é uma divindade da mitologia chinesa, associada às águas profundas e a fenômenos climáticos intensos, como tempestades e redemoinhos. Ele é descrito no Shan Hai Jing (chinês: 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como um ser de forma híbrida, com corpo humano e cabeça de dragão, sendo tradicionalmente apresentado como habitante do monte Guangshan (chinês 光山).

Além de sua morada montanhosa, Jimeng também é descrito como frequentador das profundezas do rio Zhang, conhecido em algumas fontes como Zhangshui (chinês 漳水). Segundo os relatos, sua movimentação nas águas — seja ao emergir, submergir ou circular em áreas profundas do rio — está sempre associada à ocorrência de ventos fortes, redemoinhos e tempestades.



fontes:
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20 de dezembro de 2025

Yeongno

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Arte de hanghul

O Yeongno (영노) é uma criatura mítica do folclore e do teatro popular coreano, especialmente proeminente nas danças dramáticas mascaradas (talchum, yaryu e ogwangdae), transmitidas principalmente na província de Gyeongsangnam-do. Trata-se de um espírito monstruoso de origem celeste, expulso ou descido do céu como punição, conhecido por punir os yangban (os nobres e oficiais corruptos), simbolizando o anseio popular por justiça e igualdade social.

Descrito como um ser semelhante a um dragão, o Yeongno é descrito como possuindo escamas, chifres curtos e rombudos e ausência de membros (embora a maioria das artes o represente com inúmeros braços), aproximando-se da forma serpentina do imugi (이무기), o dragão menor ou proto-dragão da mitologia coreana. Seu apetite é insaciável: ele devora tudo o que encontra, inclusive pessoas, objetos e até elementos da natureza. Apesar dessa voracidade, é visto de modo positivo por servir como instrumento de punição contra a ganância e a hipocrisia da elite.

Em certas versões das danças, o Yeongno carrega uma flauta (possivelmente de salgueiro) e produz um som ameaçador conhecido como "bibi", motivo pelo qual também é chamado de Bibi, e sua máscara, de "máscara Bibi". No Dongnae Yaryu (coreano:  동래야류), tradição teatral mascarada da cidade de Dongnae, Busan), a máscara é pintada de vermelho, cor associada ao yang] (陽), símbolo da energia positiva que expulsa os maus espíritos — metáfora para os nobres corruptos. Já na performance Tongyeong Ogwangdae (coreano 통영오광대놀이; variação do teatro mascarado da cidade portuária de Tongyeong), o Yeongno é representado com características de dragão e corpo elaboradamente decorado.

Seu comportamento, contudo, não é inteiramente destrutivo. Em versões como o Goseong Ogwangdae (coreano 고성오광대; versão local do teatro de máscaras de Goseong), o Yeongno demonstra complexidade moral, ocasionalmente exibindo princípios de hyo] (효) — a piedade filial —, o que revela uma ironia central: o monstro encarna virtudes éticas que a elite fingidamente professa. Essa caracterização o coloca em posição moralmente superior aos próprios nobres confucionistas que tenta devorar.

Em versões do Suyeong Yaryu (coreano 수영야류;  teatro mascarado tradicional da região de Suyeong, Busan), o Yeongno é retratado como tendo descido à Terra após cometer uma falta no Céu. Segundo a narrativa tradicional, o personagem procura devorar nobres para cumprir uma missão antes de retornar ao paraíso. Quando um yangban tenta enganá-lo, afirmando ser de linhagem nobre, o Yeongno o consome sem hesitar — um ato simbólico de purificação e ascensão.


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17 de novembro de 2025

Palulukon

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Palulukon são uma classe de serpentes aquáticas sagradas na mitologia do povo Hopi, uma nação indígena do sudoeste dos Estados Unidos. Fortemente associadas à água, à fertilidade, à natureza e ao equilíbrio cósmico, essas entidades são consideradas forças espirituais primordiais e guardiãs do mundo natural.

De acordo com a cosmologia Hopi, a Terra repousa sobre duas Palulukon, que flutuam nas águas do oceano primordial. Quando essas serpentes são perturbadas — seja pelo desrespeito humano ou pelo cansaço — elas se movem, e esse movimento gera terremotos, secas, inundações ou tempestades, afetando diretamente o equilíbrio do mundo.

Na mitologia dos Zuni, povo vizinho dos Hopi, existem entidades semelhantes conhecidas como Koloowisi — também serpentes associadas às forças elementares e à fertilidade da terra. Ambas compartilham papéis espirituais semelhantes e são reverenciadas em cerimônias e rituais tradicionais.

fontes:


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14 de outubro de 2025

Dragão de Cicreu

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O Dragão de Cicreu (do grego Δρακων Κυχρειδης, Drakon Kykhreides, "Dragão de Cicreu") é uma criatura da mitologia grega, descrita como uma enorme serpente ou dragão que aterrorizava a ilha de Salamina. Segundo uma versão tradicional, ela assolou a ilha até ser morta por Cicreu, filho de Poseidon e da ninfa Salamina. Após derrotar a criatura, Cicreu se tornou rei da ilha, que passou a ser chamada de Cicréia em sua homenagem. Ele foi posteriormente honrado como herói local e recebeu um santuário na ilha.

Em outras versões, Cicreu não matou o dragão, mas criou e alimentou a criatura, que acabou causando destruição na ilha. Por isso, Euríloco, um dos companheiros de Odisseu, teria sido responsável por expulsar o monstro de Salamina. A serpente nadou até Eleusis, onde foi acolhida pela deusa Deméter, tornando-se sua familiar ou atendente sagrada..

Há ainda relatos em que o próprio Cicreu é identificado como sendo o "dragão", devido à sua natureza selvagem e indomada. Nesta versão, ele teria sido expulso da ilha por Euríloco e posteriormente aceito por Deméter em Eleusis, onde foi nomeado sacerdote de seu templo.

Durante a famosa Batalha de Salamina, uma tradição posterior relata o aparecimento de um dragão a bordo de uma das embarcações atenienses, sendo interpretado por um oráculo como a manifestação de Cicreu.



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8 de outubro de 2025

Dragão de Guabiruba

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O Dragão de Guabiruba é uma criatura lendária associada ao município de Guabiruba, em Santa Catarina, Brasil. A lenda surgiu na região montanhosa do bairro Lageado Alto e tornou-se popular a partir de relatos ocorridos em 1982. De acordo com os relatos, a criatura é um animal voador de grande porte, com escamas, coloração marrom e língua vermelha de aproximadamente 20 centímetros, que lembra fogo. Testemunhas afirmam que o dragão teria asas abertas e aparência ameaçadora, causando pânico imediato. 

Aparições e relatos

O primeiro relato documentado é do agricultor Pedro Ismanioti, que em 1982 afirmou ter visto a criatura enquanto cortava folhas de caeté para alimentar seus animais. Segundo sua esposa, Laura Ismanioti, Pedro ficou imóvel de medo ao avistar o dragão sobre um galho, quase encostando em sua cabeça. A experiência teria sido tão impactante que Pedro passou a carregar um terço no bolso e rezar diariamente durante um ano. No dia seguinte, acompanhado de um tio, Pedro retornou ao local, mas não teve coragem de se aproximar da grota onde teria visto o dragão. Posteriormente, o local foi convertido em roça de fumo.

Outro morador, Arlindo Lana, também relatou ter avistado a criatura enquanto trabalhava com um trator, descrevendo características semelhantes às de Pedro. Segundo relatos, Arlindo não conhecia a história de Pedro e nunca havia ouvido falar dela antes de sua própria experiência. Os relatos foram publicados pelo jornal O Município em 17 de agosto de 1990 e permanecem como a principal fonte de documentação sobre o dragão. 

Reportagem publicada no jornal O Município em 17 de agosto de 1990. Foto: Arquivo O Município


O dragão e a queda de um avião

A lenda também é associada a um acidente aéreo ocorrido em Guabiruba em 1995. Segundo relatos populares, o dragão teria destruído um avião Cessna Caravan da TAM que sobrevoava a região do Aymoré, resultando na morte de duas pessoas. Investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) descartaram a hipótese de falha mecânica, apontando condições climáticas adversas, desvio de rota e inexperiência da tripulação como fatores principais do acidente. Apesar disso, a narrativa do dragão como responsável pelo incidente é frequentemente citada em relatos populares e páginas de internet sobre a lenda.

Impacto cultural e turístico

Quatro décadas após o primeiro relato, a lenda do Dragão de Guabiruba consolidou-se como parte da identidade cultural do município. Inicialmente motivo de chacota entre moradores da região, a narrativa passou por um processo de ressignificação e hoje é reconhecida como elemento de valorização do patrimônio imaterial local.

A partir dos anos 2000, a aceitação da história levou à sua incorporação em iniciativas turísticas, educacionais e empreendimentos comerciais. A Secretaria de Turismo e a Fundação Cultural de Guabiruba passaram a promover a figura do dragão ao lado de outros personagens folclóricos da cidade, como o Pelznickel e a Befana. Totens com imagens alusivas à criatura foram instalados em diferentes pontos da cidade, e um painel grafitado do artista Wilson Neném retrata a lenda na sede da Fundação Cultural.


A história também está presente em atividades escolares, desfiles cívicos e eventos culturais, sendo utilizada como recurso pedagógico e artístico. A Academia de Letras de Guabiruba anunciou a inclusão da lenda no livro comemorativo dos 60 anos do município, reforçando seu valor como patrimônio simbólico.

No setor privado, a lenda inspirou produtos e empreendimentos temáticos. Restaurantes e bares locais oferecem pratos e bebidas que fazem referência ao dragão, como o Dragonbrot vendido no Biergartenplatz. A marca de roupas Use Guaba lançou camisetas e moletons estampados com a criatura, acompanhados de tags explicativos sobre a origem da lenda.

O turismo também se beneficiou diretamente: a Pousada Canto do Dragão, inaugurada em 2021, explora a temática em sua decoração e identidade visual, atraindo visitantes interessados na mitologia local. Outro projeto em andamento, a Montanha Encantada Dragão de Guabiruba, prevê a construção de uma eco estalagem temática com chalés, restaurante panorâmico, labirinto do dragão e trilhas, reforçando o potencial da lenda como atrativo turístico e gerador de renda para a região.


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1 de outubro de 2025

Dragão de Ipu

۞ ADM Sleipnir

O Dragão de Ipu é uma criatura mítica do folclore brasileiro, associada à região da Bica do Ipu, no município de Ipu, no estado do Ceará. A lenda foi registrada pelo naturalista Antônio Bezerra de Menezes (1841–1921), que a documentou por volta de 1884, contribuindo para a preservação do mito no folclore cearense. Segundo a tradição oral, o dragão habitaria uma extensa caverna nos arredores da bica, guardando um tesouro ancestral trazido por povos vindos da Cordilheira dos Andes.

A aparência do dragão varia conforme as versões da tradição oral. Dizem que sua pele é coberta por escamas amareladas e acinzentadas, semelhantes às rochas de sua gruta, o que lhe permite camuflar-se como um predador. Seus olhos são descritos como globos vermelhos e incandescentes, verdadeiras bolas de fogo que brilham na escuridão e anunciam sua presença. Ele também possui uma mandíbula aterrorizante, capaz de triturar exploradores, e uma língua bifurcada, típica de sua natureza reptiliana. Por fim, diz-se que o dragão emana um calor infernal de seu corpo, solta estrondos pelas narinas e é capaz de afugentar até os mais corajosos aventureiros.

O Tesouro de Ipu

A história mais conhecida associada ao Dragão de Ipu envolve um personagem misterioso, lembrado apenas como “O Holandês”, vinculado à presença neerlandesa no Nordeste brasileiro durante as invasões do século XVII. Segundo a tradição, o estrangeiro adentrou as matas da Serra da Ibiapaba, surpreendendo-se com abismos de pedra e exuberantes cachoeiras até alcançar a caverna onde o dragão habitava. Logo na escuridão, dois globos vermelhos e incandescentes se acenderam: eram os olhos flamejantes da criatura. Diante do tesouro que brilhava sob sua guarda, o monstro abriu lentamente a mandíbula para devorar o explorador.

O holandês, porém, possuía conhecimentos secretos — uns dizem magia pagã, outros acreditam em uma oração de contrição — que fizeram o dragão sucumbir a um sono temporário. Foi assim que ele conseguiu escapar ileso, levando consigo parte do tesouro. Desejando proteção divina para a riqueza conquistada, o homem enterrou o montante em uma praça, diante das primeiras paredes da capela que se tornaria a Igreja de São Sebastião, padroeiro do município de Ipu. Dessa forma, colocou o tesouro sob a guarda celestial do santo.

A cobiça, no entanto, falou mais alto. Dominado pela ambição, o holandês retornou à caverna para tentar obter o restante do ouro e da prata. Lá, encontrou novamente o brilho dos tesouros misturado às labaredas dos olhos do dragão. Nem o calor sufocante da gruta, nem o rugir das narinas, nem o sibilar da língua bifurcada o fizeram recuar. Mas o monstro, desta vez, não foi enganado. Aproveitando-se da fraqueza do aventureiro, devorou-o cruelmente em meio às chamas, selando seu destino trágico.

Décadas mais tarde, o sertanejo João da Costa Alecrim, major do sertão, descobriu e desenterrou o tesouro deixado pelo holandês sob a proteção de São Sebastião. Rapidamente, tornou-se um homem rico. Entretanto, sua fortuna trouxe condenação. Considerado um profanador por ter violado um bem sagrado, passou a ser rejeitado por todos, vivendo como um pária até a morte. Assim, sua história serve como segundo aviso moral da lenda: a riqueza adquirida de forma impura ou sacrílega traz consigo não prosperidade, mas desgraça.

Arte de Thaís Câmara Tavares

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