29 de março de 2026

Dongdong

۞ ADM Sleipnir

Dongdong (chinês 䍶䍶, Dōngdōng) é uma criatura da mitologia chinesa descrita no Shan Hai Jing (chinês 山海經, “Clássico das Montanhas e Mares”). Na obra, ela é apresentada como semelhante a uma cabra, possuindo apenas um chifre e um único olho situado atrás da orelha. O Shan Hai Jing também menciona que seu chamado soa como o próprio nome da criatura. O Dongdong habita o Monte Taixi (chinês 泰戲山, “Monte do Grande Jogo”), localizado ao norte da China, região posteriormente associada ao atual nordeste do condado de Fanzhi, na província de Shanxi.

Tradições posteriores atribuem significados simbólicos à aparição do Dongdong. Em algumas interpretações, ele é considerado um animal auspicioso, cuja manifestação anunciaria um ano de colheitas abundantes. Em outras tradições, porém, a criatura é vista como um presságio negativo, indicando possíveis desgraças ou problemas dentro do palácio imperial. 



fontes:
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14 de março de 2026

Chenghuang

۞ ADM Sleipnir


Chenghuang (chinês 乘黄, lit. “montaria amarela”, também grafado 騰黃/腾黄 e frequentemente associado aos nomes Feihuang,飞黄 e Zihuang, 紫黄)  é uma criatura mítica da mitologia chinesa associada à longevidade, à transcendência espiritual e aos presságios favoráveis associados ao governo virtuoso. Ela é mencionada no Shan Hai Jing (chinês: 山海經, “Clássico das Montanhas e Mares”) como um ser extraordinário da chamada “Terra do Povo Branco” (白民之国, Baimin zhi guo), localizada “ao norte de Longyu”, um lugar descrito como habitado por pessoas de corpo branco e cabelos soltos.

No relato presente no Shan Hai Jing, o Chenghuang é descrito como um animal de forma incomum, semelhante a uma raposa com chifres nas costas. O texto afirma ainda que qualquer pessoa que o monte poderá viver por até dois mil anos. Em algumas tradições, o Chenghuang passou a ser retratado como uma criatura de aparência mais majestosa, às vezes comparada a um cavalo divino amarelo, podendo possuir asas de dragão ou outros atributos sobrenaturais.


Ao longo do tempo, estudiosos e compiladores de textos chineses passaram a relacionar o Chenghuang com outras montarias auspiciosas da tradição, especialmente o Feihuang (飞黄) e o Zihuang (紫黄). Em certos textos antigos, como o Huainanzi (chinês 淮南子; "Os Mestres/Filósofos de Huainan"), o Feihuang é descrito como um sinal de que “o mundo possui o Dao”, isto é, de que a ordem moral e cósmica está em harmonia.

Algumas tradições também associam essas criaturas ao Imperador Amarelo (黄帝), um dos soberanos míticos da China. Segundo essas narrativas, ele teria montado uma dessas montarias sobrenaturais em sua jornada de ascensão ao plano divino. Por causa dessas associações, o Chenghuang passou a ser interpretado não apenas como um animal fantástico, mas como um símbolo de auspício e legitimidade divina. Sua aparição indicaria a presença de um governante virtuoso e a harmonia entre Céu, Terra e a ordem humana.

Arte de AKERS Y.R.F.


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23 de fevereiro de 2026

Goumang

۞ ADM Sleipnir

Goumang (chinês 句芒, Gōu Máng, também chamado Jumang) é uma divindade da mitologia chinesa ligada à primavera, ao crescimento da vida, à agricultura e à região leste do mundo. Ele representa o momento em que a natureza desperta após o inverno, quando as plantas brotam e a vida começa um novo ciclo. Por isso, seu culto sempre esteve associado ao plantio, à fertilidade da terra e aos rituais que marcam o início do ano agrícola.

Nos textos antigos, Goumang aparece de duas maneiras: como um deus propriamente dito e como um cargo ritual, conhecido como Oficial da Madeira (chinês 木正, Muzheng), dentro do sistema cosmológico dos Cinco Elementos (Wuxing). Essa dupla interpretação reflete a visão chinesa antiga de que o universo funcionava como uma grande ordem organizada, semelhante a um império governado por leis rituais. Além disso, Goumang é descrito como um shen (神), um espírito divino, ou como um si (司), um oficial responsável por administrar forças naturais específicas sob a autoridade de soberanos míticos.

Identidade e funções

Goumang é visto como o deus que garante o crescimento das plantas, a fertilidade da terra e a renovação da vida. O elemento madeira, ao qual ele está ligado, simboliza nascimento, expansão e vitalidade. Ao governar a primavera, Goumang assegura que o ciclo natural se renove e que a vida continue seu curso.

Por estar associado ao leste, direção do nascer do sol, ele também é considerado o regente do Oriente, ligado ao ritmo do tempo e às mudanças das estações. Em algumas tradições posteriores, Goumang é relacionado ao planeta Júpiter, que na astronomia chinesa regula os calendários e o fluxo do tempo, reforçando seu papel como guardião da ordem natural.

Origem e natureza divina

As fontes antigas não apresentam uma versão única sobre a origem de Goumang. Em uma tradição, ele é descrito como descendente do imperador mítico Shaohao (少昊, também chamado Di Zhi 帝摯), figura associada à organização do mundo e das direções cósmicas. Em outra interpretação, “Goumang” não seria originalmente um nome divino, mas o título de um cargo sagrado, o de Oficial da Madeira, exercido por um personagem chamado Zhong (重), parente — ou, segundo algumas fontes, filho — de Shaohao.

O texto histórico Zuozhuan (左傳) identifica Goumang com Zhong e afirma que ele era um dos quatro tios do imperador Shaohao. Já o comentário Zhouli zhushu (周禮注疏) diz que Zhong governava especificamente tudo o que dizia respeito ao elemento madeira. Com o tempo, essas versões se fundiram, fazendo com que Goumang fosse visto tanto como um deus independente quanto como uma função dentro da ordem divina do cosmos.

Aparência e iconografia

A descrição mais antiga de Goumang aparece no Shan Hai Jing (山海經, "Clássico das Montanhas e Mares"). Ele é apresentado como uma figura híbrida, com corpo de ave e rosto humano. Em algumas versões, suas pernas são formadas por dois dragões, símbolos do movimento, da força vital e das águas que alimentam a fertilidade da terra.

Essa aparência reflete crenças muito antigas, ligadas ao xamanismo e ao culto das aves, vistas como mensageiras entre o Céu e o mundo humano. Com o passar dos séculos, porém, sua imagem foi se tornando mais próxima do cotidiano. A partir da dinastia Qing, Goumang passou a ser retratado como um jovem pastor montado em um boi, segurando um chicote de salgueiro, símbolo do despertar da primavera e do início do trabalho no campo.

Relação com Fuxi

Goumang mantém uma ligação estreita com Fuxi (伏羲), também conhecido como Taihao (太皞), um dos grandes heróis culturais da tradição chinesa. Enquanto Fuxi é lembrado como um civilizador — inventor de técnicas, regras sociais e símbolos — Goumang aparece como seu auxiliar, ajudando a governar o leste e a estação da primavera.

Algumas lendas afirmam que ambos reinavam no extremo oriental do mundo, próximo à árvore sagrada Fusang (扶桑), local mítico onde o sol nasce. Em representações simbólicas, Goumang e Fuxi seguram instrumentos como o compasso, imagem da ordem cósmica e do equilíbrio entre natureza, tempo e sociedade.

Goumang como deus da vida

Além de sua ligação com a vegetação, Goumang também está associado à vida humana e à continuidade das famílias. O livro Mozi (墨子) relata um episódio em que Goumang aparece a um governante virtuoso e lhe apresenta uma filha de Taihao, prometendo-lhe muitos descendentes. Comentários posteriores esclarecem que esse governante era o Duque Mu de Qin, e não o de Zheng, como se pensava inicialmente.

Esse relato reforça a imagem de Goumang como uma divindade ligada à fertilidade, à prosperidade dos reinos e à legitimidade do poder. Em outras tradições, ele também recompensa governantes justos com longa vida, ampliando seu papel como símbolo do florescimento da vida em todos os sentidos.


Tradições históricas e atribuições culturais

Fragmentos do texto Suichaozi (隋巢子) descrevem Goumang como assistente do fundador da dinastia Xia, considerada a primeira dinastia da China. Isso mostra como sua figura foi integrada às narrativas sobre a origem da civilização chinesa. Já na obra genealógica Shiben (世本), Goumang é lembrado como o inventor da gaze (luo 羅), um tecido leve, associação simbólica entre o elemento madeira, o artesanato e o desenvolvimento cultural.

Culto e rituais

Desde a dinastia Han, Goumang passou a integrar os rituais oficiais do Estado, especialmente aqueles realizados no início da primavera. Sacrifícios eram feitos no lado oriental das capitais para pedir boas colheitas e manter a harmonia entre o Céu, a Terra e os seres humanos.

Com o tempo, sobretudo a partir da dinastia Song, sua figura se popularizou e passou a fazer parte das tradições do povo. Um dos rituais mais conhecidos era o açoite simbólico do boi da primavera, uma encenação que marcava o início do trabalho agrícola e celebrava o despertar das forças vitais da natureza.



fontes:

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2 de fevereiro de 2026

Jimeng

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Jimeng (chinês 計蒙) é uma divindade da mitologia chinesa, associada às águas profundas e a fenômenos climáticos intensos, como tempestades e redemoinhos. Ele é descrito no Shan Hai Jing (chinês: 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como um ser de forma híbrida, com corpo humano e cabeça de dragão, sendo tradicionalmente apresentado como habitante do monte Guangshan (chinês 光山).

Além de sua morada montanhosa, Jimeng também é descrito como frequentador das profundezas do rio Zhang, conhecido em algumas fontes como Zhangshui (chinês 漳水). Segundo os relatos, sua movimentação nas águas — seja ao emergir, submergir ou circular em áreas profundas do rio — está sempre associada à ocorrência de ventos fortes, redemoinhos e tempestades.



fontes:
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1 de janeiro de 2026

Changxi

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Arte de Rishengrisheng

Changxi ( chinês: 常羲) também conhecida como Changyi ou Ch’ang-hsi, é uma deusa lunar da antiga mitologia chinesa, reverenciada como a mãe das doze luas e esposa do deus Di Jun. Ela desempenha um papel central na concepção chinesa do tempo e dos ciclos celestes, sendo responsável por moldar o calendário lunar ao harmonizar os movimentos da lua com os do sol.

Mitologia

Changxi é mencionada principalmente no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") onde aparece como uma deusa que banha as doze luas, suas filhas, em um lago sagrado situado no oeste da China. Cada lua representa um mês lunar, e Changxi supervisiona seus ciclos, garantindo que eles completem a jornada celestial diária. Embora o Shan Hai Jing não descreva detalhadamente as atividades das luas, a narrativa sugere que sua função era complementar os ciclos solares, de forma semelhante ao mito de Xi He, a deusa do sol, que deu à luz dez sóis e os banhava na árvore Fusang.

A tradição atribui a Changxi a tarefa de sincronizar os ciclos lunares com os solares, incluindo a inserção de um mês bissexto (um mês extra adicionado a um calendário lunissolar para realinhá-lo com o ano solar).

Influências

O mito de Changxi incorpora temas recorrentes na mitologia chinesa, como a ideia de que no passado antigo havia mais de uma lua e de que a lua nasce de uma deusa, enfatizando a ligação entre o divino e os fenômenos naturais. Outro elemento importante é o ato de banhar ou lavar as luas, que, segundo algumas tradições dos povos Miao, Buyi e Yi, servia para limpar a poeira acumulada durante seu trabalho e fazê-las brilhar novamente. Além disso, o número de luas pode variar conforme a tradição — cinco, sete, nove, dez ou doze —, sendo que a versão mais conhecida atribui a Changxi doze luas, correspondentes aos meses do calendário lunar.

Relação com Chang’e

Changxi às vezes é confundida com Chang’e, outra deusa lunar famosa por ter roubado o elixir da imortalidade de seu marido, Hou Yi, e voado para a lua. Alguns estudiosos chineses sugerem que ambas as deusas possam ter se originado da mesma figura lunar, dada a semelhança fonética de seus nomes no chinês antigo e a associação direta de ambas com a lua.


fontes:
  • ROBERTS, J. Chinese mythology : a to Z. New York: Chelsea House, 2010;
  • YANG, L.; AN, D.; JESSICA ANDERSON TURNER. Handbook of Chinese mythology. [s.l.] Oxford [U.A.] Oxford University Press, 2008;
  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Changxi. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Changxi>.
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15 de dezembro de 2025

Zaochi

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Zaochi (chinês 凿齿) é uma criatura da mitologia chinesa, mencionada nas obras Shan Hai Jing (山海经, “Clássico das Montanhas e dos Mares”) e Huainanzi (淮南子, “Os Mestres de Huainan”). Segundo os registros, tratava-se de um ser que habitava as regiões pantanosas do sul e que travou combate com o herói arqueiro Hou Yi nas planícies de Shouhua (ou Chouhua), situadas a leste do Monte Kunlun.

De acordo com o erudito Gao You (século II–III d.C.), Zaochi tinha a forma de uma fera com dentes de cerca de três chi de comprimento (aproximadamente 50 centímetros), cuja forma lembrava um cinzel. Já o comentarista Guo Pu (276–324 d.C.) o descreve como uma figura humanoide, também com dentes talhados como cinzéis, medindo entre cinco e seis chi. O Shan Hai Jing menciona ainda que Zaochi empunhava um escudo e uma alabarda, reforçando sua imagem de guerreiro primitivo ou guardião das regiões úmidas.

Segundo a tradição, Zaochi atacava e devorava seres humanos, o que levou o imperador Yao a ordenar que Hou Yi o enfrentasse. Ao perceber a aproximação do arqueiro, armado com arco e flechas, Zaochi tentou se defender, levantando o escudo e exibindo as presas em postura de combate. Hou Yi, entretanto, partiu o escudo ao meio com sua espada e, quando a criatura tentou fugir, disparou uma flecha que a atingiu no coração, matando-a.

Interpretação arqueológica e simbólica

Estudos arqueológicos indicam que o mito de Zaochi pode refletir antigas práticas rituais da cultura Dawenkou (3800–2400 a.C.), no leste da China. Sepultamentos desse período revelam que jovens — homens e mulheres — tinham os incisivos superiores laterais removidos durante a adolescência, em um rito de passagem para a vida adulta.

O costume, conhecido como “talhar os dentes” (凿齿), possuía provável significado totêmico. A extração imitava o cervo-almiscarado (獐), animal sem dentes superiores visíveis e símbolo de força e agilidade. Muitos mortos eram enterrados segurando suas presas, interpretadas como amuletos protetores. Com o tempo, a lembrança dessa tradição pode ter sido reelaborada no imaginário mitológico, transformando o antigo povo dos “dentes talhados” em uma figura monstruosa — o Zaochi — e preservando, sob forma simbólica, ecos de ritos e identidades de povos esquecidos da pré-história chinesa.


fontes:
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27 de novembro de 2025

Yaoji

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Yaoji (chinês: 瑶姬; lit. "Princesa do Belo Jade"), também conhecida como Wu Shan Shen Nü (chinês 巫山神女, "Deusa da Montanha Wu"), é uma divindade da mitologia chinesa associada às Montanhas Wushan, nas Três Gargantas do rio Yangtzé. Ao longo dos séculos, sua figura foi reinterpretada, sendo venerada como deusa do clima, protetora dos povos ribeirinhos e patrona das artes literárias. Yaoji é descrita como xamã, curandeira e mestra das ervas medicinais, responsável por trazer inúmeras plantas de cura à Terra. Em tradições posteriores, foi absorvida pelo taoismo e identificada como uma das filhas da Rainha Mãe do Oeste.

Em algumas tradições populares mais recentes, Yaoji foi equivocadamente associada como mãe do deus Erlang Shen (Yang Jian), mas essa versão não aparece nos mitos originais.

Origens e mitologia

As origens de Yaoji apresentam diferentes versões. No  Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") , ela aparece como a terceira filha do Imperador Yan, e irmã de Jingwei. Morreu jovem, antes de se casar, e seu espírito teria se transformado em uma planta sagrada chamada erva Yao, símbolo de cura e encanto. Em tradições locais, Yaoji habitava o Palácio Celestial, mas desceu à Terra acompanhada de sua comitiva de fadas. Juntas, moldaram as montanhas e desfiladeiros de Wushan. Encantada pelo lugar, decidiu permanecer ali e acabou transformando-se no Pico da Deusa (Shennu Feng), um dos marcos naturais das Três Gargantas. 

A partir da dinastia Tang, o taoista Du Guangting reinterpretou sua lenda, apresentando-a como Yunhua, a 23ª filha da Rainha Mãe do Oeste (Xiwangmu). Nesta versão, Yaoji combate dragões que assolavam a região de Wushan e auxilia Yu, o Grande, a controlar as enchentes, abrindo passagem para o rio Yangtzé com a ajuda de seus seguidores divinos.


Relação com a literatura clássica

A imagem de Yaoji foi consolidada principalmente pela literatura chinesa. O poeta Song Yu (宋玉), do Estado de Chu, no período dos Estados Combatentes, descreveu-a em duas obras célebres: Gaotang fu (高唐赋, “Oda de Gaotang”) e Shennü fu (神女赋, “Oda da Donzela Divina”).Na primeira, a deusa aparece em sonhos ao rei Xiang de Chu, declarando: “旦为朝云,暮为行雨” (“De manhã sou a nuvem ao amanhecer, ao entardecer sou a chuva que cai”). Na segunda, mantém sua dignidade e recusa os avanços do rei, sendo descrita como possuidora de “osso e forma extraordinários” (骨法多奇, gǔfǎ duō qí), expressão que simboliza nobreza e virtude.

Com o tempo, Yaoji passou a simbolizar tanto a beleza feminina idealizada quanto a retidão moral e a resistência em se submeter a governantes corruptos, refletindo a posição de Song Yu como conselheiro que não queria servir a um mau rei. A expressão “nuvens e chuvas de Wushan” (巫山云雨, Wūshān yúnyǔ) adquiriu conotação erótica e tornou-se sinônimo da união entre homem e mulher, enquanto o ditado “除却巫山不是云” (“Fora das nuvens de Wushan, nenhuma outra nuvem é de fato nuvem”) passou a expressar fidelidade amorosa.

Poetas posteriores, como Du Fu e Li Bai, evocaram Yaoji em seus poemas, reforçando sua imagem como símbolo de beleza, amor e transcendência. A paisagem de Wushan e o Pico da Deusa também foram celebrados em pinturas e caligrafias, perpetuando a ligação entre a deusa e a arte literária e visual chinesa.


Atribuições e Culto

Além de ser lembrada como deusa da beleza e do amor, Yaoji também foi venerada como protetora contra enchentes. Nas lendas, ela auxilia Yu, o Grande, fornecendo-lhe conhecimentos secretos sobre hidráulica e enviando divindades auxiliares para ajudá-lo. Também é descrita como deusa do clima e da agricultura, invocada para espalhar nuvens e chuvas benéficas, proteger as lavouras, curar doenças e semear cogumelos da imortalidade. Em algumas tradições, Yaoji é ainda reputada como guardiã das Três Gargantas, sendo associada à navegação segura por meio de corvos divinos que guiavam as embarcações.

No sopé do Pico Fênix Voador, nas Montanhas Wushan, ergue-se o Templo da Fada (神女庙, Shénnǚ Miào), um dos principais centros de culto dedicados à deusa. No taoismo, Yaoji recebeu o título de Miaoyong Zhenren (妙用真人, “Pessoa Perfeita da Prática Miraculosa”). A paisagem em torno do templo é considerada uma das mais belas da região, com montanhas envoltas por nuvens que lhe conferem um aspecto misterioso.

Cultura Popular

Yaoji aparece em diversos jogos mobile, geralmente reinterpretada com poderes mágicos ou de apoio:
  • Dislyte (mobile): personagem esper com habilidades de cura e manipulação espiritual;
  • Heavenly Domain: Rebirth (mobile): guardiã celestial das montanhas, representando deusa imortal;
  • Nevermore M: Idle Immortal RPG (mobile): divindade que auxilia jogadores em batalhas, mantendo atributos de curandeira;
  • Tale of Foods (mobile): versão lúdica, antropomorfizada e associada à culinária mágica;
  • Tower of Saviors (mobile): carta rara ligada à água e proteção dos rios;
  • Went Refactor (mobile e PC): deusa da chuva com habilidades de suporte;
  • X-Wukong: Chaos of Realms (mobile): entidade aliada do protagonista, evocando seu papel clássico na luta contra dragões e espíritos malignos.
Chag Pu (Yao ji) (Dislyte), arte de HimoDraws

fontes:
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3 de junho de 2025

Sanzugui

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Sanzugui (em chinês: 三足龟, "tartaruga de três patas") é uma criatura pertencente à mitologia chinesa, dita habitar um rio chamado Gen, que flui da montanha de mesmo nome. Ela é descrita no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como uma tartaruga de três patas, sendo duas dianteiras e uma traseira, além de ter uma cauda bifurcada. Ainda segundo o Shan Hai Jing, o consumo de sua carne teria propriedades medicinais, sendo capaz de curar envenenamento causado por insetos, além de doenças epidêmicas. 


fonte:
  • A Chinese Bestiary: Strange Creatures from the Guideways Through Mountains and Seas, de Richard E. Strassberg.
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28 de abril de 2025

Kaiming Shou

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Kaiming Shou (chinês: 開明獸, pinyin: Kāimíng Shòu), também conhecida como Besta-Voltada-para-o-Leste, é uma criatura mitológica chinesa, mencionada no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares"). Ela é descrita como a guardiã dos nove portões do Monte Kunlun, uma montanha sagrada considerada a capital terrena do supremo deus Shangdi.

Descrição e Papel

Kaiming Shou é retratada como uma besta com corpo de tigre gigante, nove cabeças e rostos humanos, sempre voltada para o leste. Segundo o Shan Hai Jing, ela fica posicionada no topo do Monte Kunlun, vigiando os nove portões e os nove poços cercados por corrimões de jade. Sua função é proteger o local contra a entrada de criaturas anormais, mantendo a paz e a ordem no reino dos deuses.

O Monte Kunlun

O Monte Kunlun é descrito como um local de grande importância mitológica, com oitocentos li (aproximadamente 400.000 metros) de circunferência e dez mil ren (aproximadamente 16.000 metros) de altura. Em seus cumes, cresce a Árvore dos Grãos (木禾), com cinco xun (aproximadamente 11,55 metros) de altura e cinco braçadas (aproximadamente 9 metros) de circunferência, simbolizando abundância. Além disso, o local abriga cem deuses, que residem nas cavernas de um penhasco de oito cantos, cercado pelo Rio Vermelho. Apenas o arqueiro mítico Hou Yi, conhecido por derrubar nove dos dez sóis, conseguiu escalar e alcançar o cume desse penhasco.

Relação com Luwu

Estudiosos como Yuan Ke sugerem que Kaiming Shou pode ser equivalente a antiga divindade Luwu (陸吾), devido às semelhanças físicas e funcionais. No entanto, há divergências: enquanto Kaiming Shou é descrita como uma besta de nove cabeças e corpo de tigre, Luwu é retratado como uma criatura de nove caudas, rosto humano e corpo de tigre. Além disso, Luwu é considerado um deus que governa o céu, enquanto Kaiming Shou é uma guardiã, responsável por proteger os portões celestiais.

Outras Referências

No folclore de Shu, Kaiming Shou é associada a uma lenda local. Originalmente, ela era uma criatura que causava estragos no reino de Peng, mas foi domada pelo rei Bie Ling, que a usou para estabelecer um novo reino. Em gratidão, Bie Ling adotou o nome Kaiming. Outra versão sugere que Kaiming Shou seria a forma póstuma de um sábio rei de Shu, transformado em um guardião celestial após sua morte.

fontes:

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12 de fevereiro de 2025

Taifeng

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Taifeng (chinês: 泰逢, "Encontro Pacífico") é uma divindade auspiciosa pertencente a mitologia chinesa, descrita no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como uma figura humanoide com uma cauda de tigre. Ele habita as encostas ao sul das Montanhas Bei, onde sua presença é marcada por uma luz brilhante, visível sempre que ele aparece ou desaparece. Taifeng é considerado um deus com grande poder sobre o mundo natural, capaz de ativar os “vapores do céu e da terra”, o que provavelmente se refere à sua habilidade de influenciar os padrões climáticos e as condições atmosféricas.


O Lüshi Chunqiu (chinês 吕氏春秋, "Compêndio do Senhor Lü", de autoria do ministro Lü Buwei (ca. 291-235 a.E.C.) relata um incidente envolvendo Kongjia, um governante da dinastia Xia (tradicionalmente datado de 1611–1603 a. E.C..).Kongjia estava cultivando aos pés das Montanhas Bei e foi forçado a buscar refúgio na casa de um camponês quando o clima mudou repentinamente e ventos fortes escureceram o céu. Os escolares Guo Pu (276-324) e Hao Yixing (1757-1825) atribuíram essa mudança ao poder de Taifeng sobre o clima.


fontes:

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1 de julho de 2024

Zhujian

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Zhujian (chinês 諸犍, Zhū jiān) é uma criatura pertencente à mitologia chinesa, dita habitar uma montanha chamada Danzhang. Ela é descrita no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como uma criatura com uma cabeça que se assemelha a de um humano, enquanto seu corpo se assemelha ao de um leopardo. Ela possui um único olho localizado no meio do rosto e orelhas que lembram as de um boi. Zhujian possui também uma cauda notavelmente longa, a qual ela segura na boca ao se mover. Quando a criatura se senta, sua cauda se enrola ao seu redor em um formato espiral.

O Shan Hai Jing também menciona que  ela é conhecida por emitir gritos furiosos. Fora isso e a descrição de sua aparência, nada mais se sabe ao seu respeito.

Arte de Saimire Hala

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7 de maio de 2024

Luwu

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Arte de Moopic

Luwu (em chinês 陸吾, também chamado de Jianwu, chinês 肩吾) é uma antiga divindade da mitologia chinesa, atestada em obras antigas da literatura chinesa como o Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") e o Zushu jinian (chinês 竹書紀年, "Anais de Bambu"). Ela é descrita como uma criatura com um rosto humano e um corpo de tigre, sendo dotado de garras e de nove caudas. Às vezes, ele aparece representado com nove cabeças.

De acordo com o Shan Hai Jing, Luwu habita a montanha Kunlun (chinês 昆侖山), onde atua como um servo do deus celestial supremo Shangdi (chinês 上帝, ou somente Di, chinês帝), administrando o ciclo das quatro estações em seu jardim, bem como administrando as "nove regiões do céu". Essas nove regiões do céu provavelmente se referem aos setores astronômicos do céu acreditados serem controlados por estrelas divinas e constelações.


O Zushu jinian por sua vez afirma que Luwu serve à Xiwangmu, a "Rainha Mãe do Oeste", possuindo a habilidade de prever o futuro, além de conduzir pessoalmente a carruagem de Xiwangmu durante suas saídas, ganhando seu favor. Luwu parece ter desaparecido do panteão na mitologia chinesa posterior, que estabeleceu a Rainha Mãe do Oeste como a deusa dominante de Kunlun.


fontes:

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15 de abril de 2024

Suanyu

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Suanyu (chinês 酸與, Suān yǔ) é uma criatura pertencente à mitologia chinesa, dita habitar uma montanha chamada Fengjing. Ela é descrita no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") como um pássaro com um corpo que se assemelha ao de uma serpente, porém dotado de quatro asas, seis olhos e três pernas. 

Arte de dongx

Ainda de acordo com o Shan Hai Jing, diz-se que o Suanyu emite um som que se assemelha ao seu nome. Além disso, avistá-lo é um presságio de pânico iminente.

Cultura Popular

Suanyu aparece como um minichefe no game Wo Long: Fallen Dynasty (para PlayStation 4 e 5, Xbox Series X, Series S, One, Cloud Gaming e Microsoft Windows).

Suanyu no game Wo Long: Fallen Dinasty



fontes:

  • STRASSBERG, R. E. A Chinese bestiary : strange creatures from the guideways through mountains and seas = [Shan hai jing]. Berkeley: University Of California Press, 2018.

  • Suanyu. Disponível em: <https://cryptidz.fandom.com/wiki/Suanyu>. Acesso em: 05 abr. 2024.

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2 de fevereiro de 2024

Changfu

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Changfu (chinês 尚鳥) é uma criatura pertencente à mitologia chinesa, que de acordo com o clássico texto chinês Shan Hai Jing (chinês 山海經,"Clássico das Montanhas e Mares") habita uma montanha chamada de "Montanha da Fundação". Ela é dita ser um pássaro que se assemelha a uma galinha, porém é dotada de três cabeças, seis olhos, seis patas e três asas. É dito ainda que aqueles que se alimentam de sua carne não são capazes de dormir. Nada é dito, no entanto, sobre quanto tempo dura esse efeito.

fontes:


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22 de novembro de 2023

Xiwangmu

۞ ADM Sleipnir

Arte de dao zhang

Xiwangmu (ou Xi Wang Mu, chinês 西王母), mais conhecida pelo título de Rainha Mãe do Oeste, é uma das deusas mais antigas e poderosas da mitologia chinesa, possuindo controle total sobre a vida, morte, criação e destruição. Casada com o Imperador de Jade,  ela cuida dos Pêssegos da Imortalidade nos jardins do  seu palácio.  Em versões primárias do seu mito, ela era considerada um antigo demônio selvagem que vivia nas montanhas e causava desastres cataclísmicos. Após se arrepender de seus caminhos malignos, ela alcançou a iluminação e tornou-se uma deusa.

O décimo segundo capítulo do famoso texto chinês  Shan Hai Jing, ou o "Clássico das Montanhas e Mares", descreve Xiwangmu como uma divindade misteriosa e poderosa:

"Ela é a controladora das constelações da Pedra de Amolar e dos Cinco Fragmentos dos céus. Xiwangmu repousa em um banquinho e usa um ornamento na cabeça. Ela segura um cajado. No sul, há três pássaros dos quais Xiwangmu se alimenta. Eles são encontrados ao norte das montanhas Kunlun."

Etimologia

Como outras divindades de alto escalão, Xiwangmu possui muitos nomes e títulos honoríficos. Seu nome mais comum é simplesmente xī wáng mǔ (西王母). Xī (西) é o caractere chinês para Oeste, wáng (王) é um título honorífico reservado para deuses e imperadores, e mǔ (母) significa simplesmente “mãe”. Assim, o nome de Xiwangmu é mais frequentemente interpretado como “Rainha Mãe do Oeste”.

A frase “wáng mǔ” possui vários significados alternativos, no entanto. Wáng mǔ também é uma maneira de dizer “avó”, e o nome de Xiwangmu poderia ser interpretado como “Avó do Oeste”. Wáng mǔ também pode significar “parente feminina falecida”, e como resultado, o nome de Xiwangmu às vezes é interpretado como “Espírito (ou Fantasma) Mãe do Oeste”. Xiwangmu também é chamada de jīn mǔ (金母) ou "Mãe Dourada". Coloquialmente, ela é frequentemente chamada de "Tia Rainha Mãe" ou wáng mǔ niáng niang (王母娘娘).

Atributos

Nos textos chineses mais antigos, Xiwangmu tinha uma aparência selvagem, quase feral, condizente com sua personalidade. Durante a Dinastia Tang, no entanto, a opinião popular sobre Xiwangmu começou a mudar drasticamente. Os textos passaram a descrevê-la como tendo a aparência de uma mulher humana, embora ela ainda mantivesse algumas características animais, como dentes de tigre e cauda de leopardo. Xiwangmu é frequentemente representada usando uma tiara que ela usa para esconder seus cabelos selvagens e indomados.

Família

Xiwangmu é casada com o Imperador de Jade. Embora se diga que eles possuem uma enorme quantidade de filhos juntos, três de suas filhas se destacam acima de todos os demais. Essas filhas são Zhu-sheng-niang-niang (注生娘娘), uma deusa da fertilidade que ajuda os casais que precisam de filhos, Yen-kuang nian-niang (眼光娘娘), a protetora dos cegos que pode conceder visão aos que estão em necessidade, e Zhinü (織女). Talvez a filha mais famosa do casal, Zhinü se apaixonou por um humano, e esse amor acabou levando à criação do Dia dos Namorados chinês.

Durante seu tempo como um demônio das montanhas, Xiwangmu teve um consorte chamado Dongwanggong (東王公, "Rei Pai do Leste"). Enquanto Xiwangmu governava o oeste, Dongwanggong governava o leste. Em algumas versões do mito chinês da criação, os dois criaram a humanidade por meio de sua união.

Dongwanggong 

Mitologia

Xiwangmu é a divindade feminina mais poderosa e de maior ranque dentro do panteão chinês. Ela determina o tempo de vida de cada ser vivo, cuida dos Pêssegos da Imortalidade e manipula as ocorrências de grandes calamidades, entre outros deveres.

Como a história de Xiwangmu é tão antiga, suas origens como divindade não são claras. Nas primeiras dinastias chinesas, Xiwangmu era visto como uma figura demoníaca que causava enchentes, doenças e outros grandes desastres. No entanto, a opinião popular em torno de Xiwangmu começou a mudar na época da Dinastia Tang. Após essa mudança, ela passou a ser vista como uma deusa arrependida e benevolente.

Xiwangmu vive em um jardim arborizado no palácio do Imperador de Jade, junto com espíritos da natureza, bestas mágicas e suas damas de companhia. Em seu tempo livre, ela cuida dos Pêssegos da Imortalidade e de outras ervas e plantas raras. Todo ano, em seu aniversário, Xiwangmu convida todos os imortais no céu para uma festa e dá a cada um deles um pêssego para que possam continuar vivendo vidas eternas.

Xiwangmu também é conhecida por ser um tanto imprevisível. Enquanto o Imperador de Jade é a personificação do yang – a energia racional, equilibrada e masculina, Xiwangmu é a personificaçã do yin - a energia selvagem, indomável e feminina.

Assim como sua filha Zhinü, uma costureira que se apaixonou por um pastor, Xiwangmu é uma tecelã talentosa e diz-se que ela tece as estrelas no céu todas as noites.

Jornada ao Oeste

No clássico Jornada para o Oeste, o Rei Macaco, Sun Wukong, um deus rebelde que desafia repetidamente a autoridade do Imperador de Jade, foi encarregado do Jardim da Imortalidade de Xiwangmu - uma tarefa muito importante, já que seus pêssegos amadureciam apenas a cada 3.000 anos. Em vez de guardar os pêssegos, no entanto, Wukong comeu todos eles em um ato de desafio. Seu ato fez com que fosse banido do céu por Buda e preso sob uma montanha por 500 anos.


Hou Yi e Chang'e

Um dos mitos chineses mais populares é a história do arqueiro Hou Yi  e sua esposa Chang'e. Na mitologia chinesa, havia inicialmente dez sóis no céu, tornando a terra extremamente quente. Hou Yi, um habilidoso arqueiro, foi escolhido para resolver esse problema. Ele conseguiu derrubar nove dos dez sóis, tornando a vida na Terra mais suportável. Como recompensa por seus feitos, Hou Yi recebeu um elixir da imortalidade das mãos de Xiwangmu. 

No entanto, ele não consumiu imediatamente o elixir porque queria compartilhar a vida eterna com sua amada esposa, Chang'e. Um dia, enquanto Hou Yi estava fora, um de seus aprendizes tentou roubar o elixir, e para evitar que ele caísse em mãos erradas, Chang'e o bebeu e ascendeu à lua, tornando-se a deusa da lua.

Hou Yi ficou devastado com a perda de sua esposa e, ao olhar para a lua, descobriu que ela ainda estava lá, mas agora inalcançável. Em sua saudade, ele começou a oferecer alimentos, como bolos da lua, à lua durante o Festival do Meio Outono. 

Interações com Imperadores Humanos

Xiwangmu é frequentemente retratada como a única divindade com a capacidade de falar diretamente com os humanos. Sua árvore de pêssego, com suas raízes longas e galhos altos, serve como intermediária entre a terra e o céu. Xiwangmu não falava com qualquer pessoa, no entanto. Xiwangmu falava exclusivamente com os imperadores chineses para lhes dar o Mandato do Céu e ensinar-lhes os segredos da imortalidade.

O Mandato do Céu era considerado o direito divino do imperador de governar. O primeiro imperador a afirmar ter recebido o Mandato do Céu de Xiwangmu foi o Imperador Shun de Shanxi. Dizem que no dia de sua coroação, cinco planetas teriam se alinhado.

Na maioria de suas interações com os reis terrenos, Xiwangmu assumiu o papel de uma mestre taoísta. Embora ela fizesse o possível para ensinar a eles os segredos da imortalidade, os imperadores sempre falhavam em seus testes e assim permaneciam mortais.


fontes:

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