8 de setembro de 2016

Hou Yi

۞ ADM Sleipnir


Hou Yi (chinês: 后羿), também chamado de Yiyi (chinês: 夷 羿) ou simplesmente Yi é um herói mítico chinês, comumente retratado como um deus do arco e flecha, que desceu dos céus para ajudar a humanidade, e, por vezes, como o chefe da Tribo Youqiong (有 窮 氏) durante o reinado do Rei Tai Kang da Dinastia Xia. Sua esposa era a deusa lunar Chang'e. 

Hou Yi era conhecido como o "Arqueiro Divino" por suas habilidades em caça com arco e flecha. Mitos primários dizem que ele era um chefe militar a serviço do imperador Ku; já mitos posteriores descrevem-lo como um descendente de Ku, que serviu ao sucessor de Ku, Imperador Yao. A história mais conhecida de Hou Yi conta como ele eliminou nove dos 10 sóis que haviam no céu. Isso o levou a ser expulso do céu e enviado para a Terra, onde se tornou um mero mortal. A história básica foi muitas vezes modificada e elaborada, mas os detalhes principais permaneceram os mesmos.


O Tempo dos Dez Sóis 

Na mitologia chinesa, o sol costuma ser simbolizado como um pássaro de três pernas, chamada de pássaro-sol. Houve um tempo onde existiam dez desses pássaros-sol, todos eles descendentes de Taiyang Dijun, o deus do céu oriental e Xi He, a "Mãe dos Sóis". Esses dez pássaros residiam em uma amoreira chamada Fu Sang, localizada no mar oriental, e a cada dia um deles dava a volta ao mundo em um carro dirigido por Xi He.

Eventualmente, os pássaros-sóis se cansaram daquela rotina e decidiram que todos eles iriam passear juntos no dia seguinte. Ao amanhecer, os dez pássaros subiram na carruagem de ouro. Ao ver a cena,  Xi He tentou desesperadamente impedir que os filhos travessos saíssem juntos, mas não obteve sucesso.Como resultado da imprudência dos pássaros-sol, o calor na Terra tornou-se intenso. As plantações murcharam nos campos, os rios e lagos secaram e os animais e os humanos se esconderam em abrigos, tendo muitos morrido por exaustão. Monstros e feras deixaram as florestas mortas pelo calor e passaram a perseguir e devorar os humanos.

O povo clamou ao imperador Yao para que ele fizesse alguma coisa. Ele, por sua vez, orou ao deus Dijun para ter pena da Terra. O deus ordenou que nove dos sóis retornassem à Fu Sang, mas os sóis não queriam deixar o céu.

Preocupado com o mal que seus filhos estavam causando, Dijun optou por pedir a ajuda do herói Houyi, para que este ensinasse uma lição aos seus filhos.  Ele entregou a Hou Yi um arco vermelho e uma aljava de setas brancas, e lhe pediu que as usasse para assustar seus filhos,de modo que eles não se atrevessem a causar o mal novamente. Hou Yi também queria resolver esta situação de uma forma pacífica, mas bastou um único olhar sobre a terra arrasada para convencê-lo de que eram necessárias medidas desesperadas. Irritado com o sofrimento das pessoas, causado ​​pela má conduta dos pássaros-sol, Hou Yi levantou seu arco e atirou contra eles, matando-os um após outro. Após matar o nono pássaro-sol, o imperador Yao correu para detê-lo, pois matar o último pássaro deixaria o mundo sob total escuridão. Hou Yi ouviu o imperador e deixou que o último pássaro seguisse o seu curso. Desde então o pássaro sobrevivente cumpre seu dever corretamente, com medo de ser morto.


Em uma outra versão dessa lenda, Hou Yi tentou resolver o problema conforme foi orientado por Dijun. Ele se aproximou dos pássaros-sol, e tentou assustá-los ameaçando atirar suas flechas contra eles, mas os pássaros-sol riram dele e disseram-lhe que não se atreveria a matá-los, pois sabiam que seu pai nunca ordenaria matá-los.

Irritado com a zombaria deles, Hou Yi mirou e atirou contra um dos pássaros-sóis, derrubando-o dos céus. Hou Yi percebeu que havia agido pela raiva e sabia que teria problemas com Dijun, mas argumentou que uma vez que ele já tinha começado a tarefa, ele deveria terminá-la e disparou contra os pássaros restantes, matando um por um até que sobrou apenas um. Antes que ele matasse o último pássaro, o imperador Yao veio até ele e o deteve, lembrando-lhe que o mundo precisava de um sol. A partir desse dia, o pássaro-sol remanescente passou a se comportar bem, sempre nascendo e se pondo no tempo correto. 

O Banimento dos Céus 

Embora o imperado Yao tenha ficado satisfeito com o serviço prestado por Houyi, Dijun não se conformou. Houyi tinha matado nove de seus filhos errantes ao invés de simplesmente assustá-los como Dijun o havia instruído. Como pai, Dijun não pode perdoar Hou Yi, então ele o baniu dos céus juntamente com sua esposa, Chang'e, e lhes despojou de sua imortalidade.

O imperador Yao, como sinal de gratidão ao grande feito de Hou Yi, deu-lhe um palácio e o encarregou de eliminar as feras e monstros que constantemente atacavam as aldeias da China. Naquele tempo, o mundo era infestado por vorazes feras selvagens que vagavam pela terra e dizimavam os homens, que não tinham meios de se defender delas. 



A busca pela imortalidade 


Hou Yi pouco se importava em ter sido banido do céu, porém sua esposa Chang'e não podia suportar o fato de que um dia ela e seu marido morreriam. Procurando por um meio de recuperar sua imortalidade, ele viajou até o palácio da deusa Xi Wang Mu, a "Rainha Mãe do Ocidente", localizado na montanha Kunlun, buscando obter seu elixir da imortalidade. As histórias Hou Yi eram conhecidas pela deusa, e compadecendo-se dele, Xi Wang Mu concordou em dar-lhe o elixir, mas com uma condição: sabendo que Hou Yi era um arquiteto talentoso, ela lhe pediu para construir-lhe um palácio de verão em troca do elixir imortalidade. Ele concordou e durante muitos meses ele trabalhou na construção do palácio. Assim que concluiu o palácio, Xi Wang Mu presenteou Houyi com um frasco do elixir, o último que a deusa possuía. Ela advertiu Hou Yi de que ele deveria dividir o elixir com sua esposa, fazendo com que os dois pudessem viver juntos para sempre na Terra .Caso um deles tomasse sozinho, recuperaria sua divindade e retornaria ao céu. Com o elixir em mãos, Hou Yi retornou à sua casa.

A ascensão de Chang'e à Lua 

Assim que chegou em casa, Hou Yi descobriu que o Imperador Yao tinha algums pedidos urgentes para ele, e então se apressou em respondê-los. A pressa o levou a cometer um erro vital: não tomar o elixir da imortalidade de imediato, deixando-o desprotegido. Enquanto Hou Yi partiu em uma nova empreitada, sua esposa ficou em casa e, durante meses, não teve notícias do marido. 

Entediada, Chang'e revirou as coisas do marido e encontrou o elixir que ele havia deixado para trás. Sem saber do que se tratava, ela bebeu todo o exilir. Nesse exato momento, Hou Yi acabava de retornar de sua missão e, para sua surpresa, encontrou sua esposa flutuando em direção a lua. Chang'e gritou por ajuda e Hou Yi até tentou agarrá-la, mas ela já estava fora de seu alcance. Chang'e obteve sozinha a imortalidade, e a partir daquele momento, viveria sozinha na lua com apenas uma lebre branca como companhia.



O trágico fim de Hou Yi

Sabendo que um dia iria morrer, Hou Yi decidiu que ele deveria ensinar suas habilidades de tiro com arco e caça a outras pessoas, para que o conhecimento não se perdesse após sua morte. Ele assumiu um estudante chamado Feng Meng que logo se tornou um arqueiro excepcional e logo ele se viu como digno de comparação com Houyi. Um dia, Feng Meng desafiou-o para um concurso de tiro. Hou Yi aceita o desafio, e facilmente derrota Feng Meng, convencendo-o de que, apesar de sua incrível pontaria, não havia nenhuma chance dele derrotar seu mestre. 

Frustrado e com ciúmes de habilidades superiores de Hou Yi, Feng Meng decidiu matar seu mestre. Um dia, durante uma caçada, ele atacou-o, golpeando-lhe pelas costas com um clube feito a partir da madeira de uma árvore de pêssego. Junto com outros homens que também nutriam raiva de Houyi, Feng Meng espancou Houyi até a morte. 

Um grupo menor de histórias que poderiam ser chamadas de "maus contos de Hou Yi," o arqueiro divino é dito ter negligenciado os seus deveres de governar o império Xia. Nestas histórias, Hou Yi aparece como um péssimo exemplo de rei, e possui uma má reputação. De acordo com essas histórias, ele passava seu tempo caçando em vez de governar. Finalmente, quando viram que ele não iria mudar, seu clã o matou. Eles cozinharam seu corpo e o serviram para seus filhos. Mas seus filhos se recusaram a comer e então foram condenados à morte.



Obrigado por sua visita! Se gostou da leitura, por favor deixe um comentário. Compartilhe nossas postagens nas redes sociais!

Um comentário:

  1. Obrigado por atender meu pedido! Obrigado mesmo, ficou excelente, muito completo, vocês são demais!

    ResponderExcluir



Seu comentário é importante e muito bem vindo. Só pedimos que evitem:

-Xingamentos / Ofensas;
-Incitar o ódio e o preconceito;
-Spam;
-Publicar referências e links de pornografia;
-Comentários que nada tenham a ver com a postagem.

Reservamo-nos ao direito de remover qualquer comentário nessas condições.

De preferência, faça login com uma conta do Google, assim poderá entrar no ranking dos top comentaristas do blog.



Ruby