1 de agosto de 2026

Mohán

۞ ADM Sleipnir

Arte de Magnozz

O Mohán (também conhecido como Poira em algumas regiões) é um personagem do folclore colombiano, especialmente associado aos atuais departamentos de Tolima e Huila, onde figura entre as entidades sobrenaturais mais importantes da tradição popular. Sua lenda também é conhecida em outras partes da Colômbia, como Córdoba e Cundinamarca, embora sua aparência e seu papel variem conforme a tradição local.

Descrição

Em geral, o Mohán é descrito como um homem de aparência robusta, com cabelos longos, abundantes e desgrenhados que frequentemente cobrem grande parte do corpo. Algumas versões o retratam com o rosto queimado pelo sol, olhos brilhantes e penetrantes, enquanto outras afirmam que seu corpo é coberto por musgo e que possui unhas longas e afiadas. Em Tolima, também é descrito como um homem de pele escura e cabelos negros muito longos, razão pela qual alguns habitantes o comparam a um urso-negro. Em determinadas localidades, acredita-se que seja baixo, musculoso e dotado de um olhar vivo e inquietante.

O Mohán habita os poços mais profundos de rios, riachos e lagoas, além de cavernas ocultas nas margens desses cursos d'água. Segundo a tradição, conhece passagens subterrâneas inacessíveis aos seres humanos e considera essas cavernas seu refúgio. Algumas versões acrescentam que certas cavernas repletas de ouro seriam sagradas para ele, por servirem como sua morada.

Lendas e comportamento

Nas lendas, o Mohán é frequentemente associado às águas e à vida nos rios. Costuma aparecer durante a noite fumando um grosso charuto ou tabaco, hábito que, segundo a tradição, serve para afastar os insetos. Em algumas narrativas, desloca-se em uma pequena balsa e é capaz de assumir aparência humana para circular entre as pessoas, chegando até mesmo a comprar aguardente.

Grande parte das histórias sobre o Mohán destaca seu interesse por mulheres, especialmente lavadeiras que trabalham às margens dos rios. Diz-se que ele as encanta, seduz e atrai para seu domínio por meio de artifícios ou poderes sobrenaturais, sendo responsabilizado, em algumas versões, pelo desaparecimento de jovens. Seu comportamento é descrito como travesso, sedutor e brincalhão, embora também seja considerado arredio, traiçoeiro e extremamente ciumento. Seus gritos, gargalhadas e aparência ameaçadora fazem dele uma figura temida por pescadores, barqueiros, lavadeiras e outros trabalhadores que frequentam os rios.

Arte de mario urazan

Variações regionais

As tradições sobre o Mohán apresentam diferenças conforme a região. Em Cundinamarca, conta-se que ele era originalmente um feiticeiro que, após prever a chegada dos espanhóis, refugiou-se em uma montanha, onde permaneceu por tanto tempo que acabou se transformando no ser lendário. Nessa versão, é descrito como um gigante de pele queimada, olhos avermelhados semelhantes a chamas, boca larga, dentes de ouro e uma longa barba. Alguns moradores afirmam que ele pode ser visto tocando violão ou flauta às margens do rio Magdalena, além de perseguir jovens lavadeiras.

Em Córdoba, a tradição associa o Mohán a um morro localizado no município de Momil, próximo à Ciénaga Grande. O local é considerado dotado de vida e poderes sobrenaturais, e seu nome aparece em expressões populares da região, refletindo a influência da lenda no imaginário local.

Além de seu papel como sedutor e habitante das águas, o Mohán também aparece em relatos de caráter cômico ou travesso. Em algumas tradições de Tolima, acredita-se que ele aproveita momentos de distração durante reuniões familiares para contaminar panelas de sancocho — uma sopa tradicional colombiana — fazendo suas necessidades dentro da comida, reforçando sua reputação de espírito brincalhão e inconveniente.

Embora as descrições variem entre as diferentes regiões da Colômbia, o Mohán é geralmente retratado como o guardião sobrenatural dos rios e de seus mistérios, representando tanto os perigos associados às águas quanto o fascínio que elas exercem sobre as comunidades ribeirinhas. Sua lenda permanece como uma das mais conhecidas e difundidas do folclore colombiano, especialmente na região andina do país.

Arte de @elgallomayor

fontes:

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