13 de agosto de 2026

Chongming

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Chongming (chinês tradicional 重明鳥; simplificado 重明鸟; Chóngmíng niǎo) é uma ave sobrenatural da mitologia chinesa, conhecida principalmente pelo Shi Yi Ji (拾遺記, literalmente "Registros de Coisas Esquecidas" ou "Memórias Resgatadas"), obra atribuída a Wang Jia, do final do século IV. Em uma narrativa ambientada no reinado de Yao, um dos soberanos lendários da Antiguidade chinesa, ela é descrita com corpo semelhante ao de um galo, pupilas duplas e canto comparado ao da fênix. Na mesma narrativa, Chongming também é apresentada como uma criatura protetora, capaz de enfrentar animais ferozes e afastar seres malignos.

Nome e fontes tradicionais

O nome Chongming significa literalmente “dupla claridade” ou “brilho duplicado”. No Shi Yi Ji, a ave também recebe o nome de Shuangjing (雙睛), expressão que pode ser traduzida como “olhos duplos” ou “pupilas duplas”. A descrição costuma ser interpretada como uma referência a duas pupilas em cada olho, e não a quatro olhos separados.

O relato mais completo encontra-se no primeiro volume do Shi Yi Ji. A obra original sofreu perdas e foi posteriormente reorganizada por Xiao Qi, durante o período das Dinastias do Sul. A passagem sobre Chongming também foi preservada no Taiping Yulan (chinês 太平御覽, literalmente "Leitura Imperial da Era Taiping") e no Taiping Guangji (chinês 太平廣記, "Ampla Coleção da Era Taiping"), duas grandes compilações da dinastia Song, embora com diferenças em alguns nomes e números.


A chegada ao reino de Yao

Segundo a versão preservada do Shi Yi Ji, Yao estava no septuagésimo ano de seu reinado quando recebeu de um país distante, chamado Zhizhi, uma ave extraordinária. Conhecida como Chongming ou Shuangjing, ela tinha a forma de uma galinha ou de um galo e cantava como uma fênix. A fonte não informa seu tamanho, sexo ou a cor de sua plumagem.

De tempos em tempos, suas penas caíam, mas isso não a impedia de voar. O texto emprega a expressão ròuhé (肉翮), que pode se referir às estruturas carnosas das asas expostas após a perda da plumagem. O significado exato da expressão, contudo, permanece incerto.

Apesar da aparência de uma ave doméstica, Chongming possuía força para enfrentar ou expulsar animais ferozes, como tigres e lobos. Sua presença também mantinha afastados seres malignos e protegia contra calamidades. Era alimentada com qiónggāo (瓊膏), uma substância fabulosa cujo nome pode ser traduzido aproximadamente como “pasta de jade” ou “elixir de jade”.

A ave não permanecia continuamente no reino de Yao. Podia aparecer várias vezes em um único ano ou passar anos sem retornar. Enquanto esperavam por sua chegada, os habitantes limpavam as entradas das casas. Durante as ausências, esculpiam sua imagem em madeira ou a fundiam em metal e colocavam essas figuras junto às portas. Segundo o Shi Yi Ji, tais representações faziam os seres maléficos recuarem.

Variantes do relato

As versões conservadas apresentam algumas diferenças. O Shi Yi Ji situa a chegada da ave no septuagésimo ano do reinado de Yao, enquanto o Taiping Yulan e o Taiping Guangji mencionam o sétimo ano. O nome do país que enviou a criatura também varia entre formas como Zhizhi e Zhezhi. Não há informações suficientes para identificá-lo com um reino histórico conhecido.

O nome alternativo aparece como Shuangjing no Shi Yi Ji e como Chongjing (重睛) em algumas versões posteriores. Essas variações provavelmente se devem à longa transmissão do texto, durante a qual partes da obra foram perdidas, reorganizadas ou copiadas com alterações.

As imagens de galos no Ano-Novo

O Shi Yi Ji relaciona as representações de Chongming a um costume praticado no primeiro dia do ano. Nessa data, as pessoas produziam figuras em madeira ou metal ou pintavam galos nas janelas. O autor da obra afirma que essas imagens preservavam a lembrança da ave protetora. 

Essa passagem oferece uma explicação tradicional para o uso protetor da figura do galo nas portas e janelas durante o Ano Novo chinês. Ela não comprova, porém, que todas essas representações tenham se originado exclusivamente do mito de Chongming. O texto também não afirma que o galo comum seja uma transformação física da criatura. Essa interpretação aparece em versões populares modernas, enquanto o Shi Yi Ji estabelece apenas uma relação entre a aparência de Chongming e as imagens de galos colocadas nas residências.

fontes:

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