26 de outubro de 2026

As Filhas de Aegir

۞ ADM Sleipnir

Arte de YunaXD

As Filhas de Aegir (em nórdico antigo, Ægisdœtr) são nove figuras da mitologia nórdica, filhas de Aegir, associado ao mar, e de Rán, relacionada aos perigos marítimos. Associadas às ondas, elas aparecem em textos da tradição nórdica, especialmente na Edda em Prosa, de Snorri Sturluson.

Nomes e função poética

As nove filhas são chamadas Himinglæva, Dúfa, Blóðughadda, Hefring, Uðr, Hrönn, Bylgja, Dröfn e Kólga. Em uma lista alternativa registrada em Nafnaþulur, o nome Bára aparece no lugar de Dröfn.

Seus nomes estão relacionados a aspectos do mar e ao movimento das ondas. Blóðughadda pode ser traduzido como “cabelos ensanguentados”; Bylgja e Hrönn estão associados a ondas; Hefring sugere elevação ou movimento ascendente; e Uðr pode ser interpretado como “onda espumante”. Himinglæva recebeu a interpretação de “aquela através da qual se pode ver o céu”, enquanto Kólga é traduzido em algumas fontes como “a fria”. Os significados exatos, porém, variam conforme as interpretações linguísticas adotadas.

As filhas de Aegir também aparecem na poesia escáldica, na qual seus nomes são empregados como expressões poéticas relacionadas ao mar. Na Edda em Prosa, o ouro é associado poeticamente a Aegir, a Rán e às suas filhas, sendo descrito como o fogo, a luz ou o brilho dessas figuras.

Ægir, Rán e suas nove filhas preparam um enorme tonel de cerveja. Arte de uma tradução sueca da Edda Poética datada do século XIX.



 


Referências nas Eddas

Na seção Skáldskaparmál, da Edda em Prosa, são apresentados os nomes das nove filhas e exemplos de seu uso na poesia escáldica. A obra também explica expressões poéticas que relacionam o mar a Aegir e Rán, além de registrar a associação entre o ouro e o brilho das filhas do casal.

Na Edda Poética, o poema Helgakviða Hundingsbana I descreve uma travessia marítima enfrentada por Helgi durante uma tempestade. A passagem menciona as “irmãs de Kólga” e, em seguida, as filhas de Aegir, retratadas como uma ameaça às embarcações. Nesse contexto, as figuras estão associadas às ondas e aos perigos da navegação.

"As nove filhas de Aegir e Ran". Pintura de Hans Dahl (1849-1937)

Relação com as mães de Heimdall

Algumas interpretações propõem uma possível relação entre as nove filhas de Aegir e as nove mães de Heimdall, guardião dos deuses e da ponte Bifröst. A hipótese se baseia principalmente no número de figuras e em possíveis associações entre passagens da tradição eddica.

No entanto, as fontes medievais não afirmam explicitamente que as filhas de Aegir sejam as mães de Heimdall. Essa identificação permanece uma hipótese interpretativa, e não um fato estabelecido nos textos mitológicos.

Arte de @runar.hall

fontes:
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22 de junho de 2026

Goin, Moin, Grabak, Grafvolludr, Ofnir e Svafnir

۞ ADM Sleipnir

Goin (nórdico antigo: Góinn), Moin (nórdico antigo: Móinn), Grabak (nórdico antigo:Grábakr), Grafvolludr (nórdico antigo: Grafvölluðr), Ofnir (nórdico antigo: Ófnir) e Svafnir (nórdico antigo: Sváfnir) são um grupo de serpentes/dragões mencionadas na tradição mitológica nórdica como habitantes das regiões inferiores da árvore cósmica Yggdrasil. Elas são citadas no poema Grímnismál, integrante da Edda Poética, onde aparecem associadas às raízes da árvore que sustenta os Nove Mundos. Apesar de sua presença nas fontes medievais, pouco se sabe sobre sua natureza ou papel individual, e a maior parte das informações disponíveis limita-se aos seus nomes.

Etimologia dos nomes

O significado exato de alguns desses nomes permanece incerto, mas os estudiosos propuseram diversas interpretações com base na etimologia do nórdico antigo. Goin pode significar "o terrestre" ou "aquele que vive no solo", enquanto Moin é frequentemente associado às ideias de "fadiga", "entorpecimento" ou "exaustão". Grabak significa literalmente "Costas Cinzentas" ou "Dorso Cinzento", provavelmente uma referência à aparência da criatura. O significado de Grafvolludr é obscuro, mas costuma ser interpretado como algo relacionado a "aquele que escava sob a planície" ou "escavador de campos". Ofnir pode ser traduzido como "o que se enrosca", "o que serpenteia" ou "o entrelaçado", um nome apropriado para uma serpente. Já Svafnir deriva de uma raiz associada ao sono, sendo geralmente interpretado como "o adormecido", "o sonolento" ou "aquele que faz adormecer". O poema também menciona Grafvitnir (nórdico antigo: Gráfvitnir), pai de Goin e Moin, cujo nome significa aproximadamente "lobo das covas" ou "lobo dos túmulos", combinando os elementos gráf ("cova", "sepultura") e vitnir ("lobo" ou uma criatura lupina sobrenatural).

Interpretações acadêmicas

A escassez de referências tornou difícil determinar se os nomes representam seres distintos ou diferentes denominações para uma mesma criatura. Alguns estudiosos sugerem que determinadas figuras da lista podem ter sido originalmente epítetos ou variantes de outras serpentes e dragões da tradição nórdica. Essa hipótese é reforçada pelo fato de que nomes como Ófnir e Sváfnir também aparecem em outras fontes associados a seres reptilianos ou dracônicos.

Papel na cosmologia nórdica

As interpretações modernas geralmente relacionam essas serpentes à degradação contínua de Yggdrasil. Na cosmologia nórdica, a árvore do mundo não é retratada como uma estrutura imutável, mas como um organismo vivo sujeito a processos permanentes de desgaste. Diversas criaturas habitam suas raízes, tronco e galhos, afetando sua integridade. Entre elas está Nidhogg, o dragão que rói uma das raízes da árvore, além de cervos que se alimentam de sua folhagem e outras criaturas que vivem em seu entorno.

Nesse contexto, as serpentes mencionadas no Grímnismál são geralmente interpretadas como representações das forças destrutivas que atuam sobre a ordem cósmica. Embora ocupem um papel secundário nas narrativas mitológicas, sua presença reforça um dos temas centrais da visão de mundo nórdica: a ideia de que todas as coisas, inclusive a própria estrutura do universo, estão sujeitas à deterioração e à destruição.

Nidhogg

fontes:

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30 de abril de 2026

Thrym

۞ ADM Sleipnir


Thrym (nórdico antigo Þrymr, “barulhento” ou “estrondoso”; também grafado Thrymr ou Thrymir) foi, na mitologia nórdica, um jötunn (gigante), frequentemente descrito como líder entre os gigantes e associado ao domínio de Jötunheimr, a terra dos inimigos dos deuses. Ele é conhecido sobretudo como o ladrão do martelo mágico de Thor, Mjölnir, episódio que o coloca como antagonista central do poema édico Thrymskvida ("A Canção de Thrym"). A história também aparece em versões posteriores, como os Þrymlur, além de referências nas listas poéticas (þulur) associadas à Edda em Prosa. Outras tradições mencionam figuras homônimas, incluindo um rei lendário.

Segundo a tradição, Thrym roubou a arma mais poderosa de Asgard com o objetivo de chantagear os deuses. Em troca da devolução do martelo, impôs uma única condição: desposar a deusa Freyja. No entanto, seu plano terminou de forma violenta — em vez de uma noiva divina, encontrou a fúria de Thor, morrendo pelas mãos do deus do trovão.

O roubo do Mjölnir

De acordo com o Thrymskvida, Thor descobre certa manhã que seu martelo desapareceu — um evento grave, já que Mjölnir era essencial para a defesa de Asgard contra os gigantes. Ao ouvir sua fúria, Loki, utilizando o manto de penas de falcão emprestado por Freyja, viaja até Jötunheimr para investigar. Lá, encontra Thrym sentado sobre um monte, enquanto cuidava de seus animais. Questionado, o gigante admite ter roubado o martelo e revela tê-lo enterrado profundamente sob a terra, declarando que só o devolveria caso Freyja aceitasse se casar com ele.

Loki visitando o Rei Thrym. Ilustração de George Pearson (1871).



O disfarce de Thor

Ao tomar conhecimento da proposta, Freyja reage com extrema fúria, recusando-se a aceitá-la. Diante da crise iminente, os deuses se reúnem em conselho. Heimdall propõe então uma solução inusitada: Thor deveria se disfarçar como a própria Freyja e ir ao encontro de Thrym.

Apesar da resistência inicial e da indignação de Thor, o plano é aceito. O deus do trovão é vestido com trajes nupciais, véu e o colar Brisingamen, enquanto Loki assume o papel de dama de honra. Assim disfarçados, partem na carruagem de Thor rumo a Jötunheimr.


O banquete e o engano

Thrym, jubiloso com a chegada de sua suposta noiva, prepara um grande banquete. No entanto, o disfarce quase é comprometido quando a “noiva” devora enormes quantidades de comida, incluindo grandes porções de carne e peixe, e bebe vastas taças de hidromel.

Diante do estranhamento de Thrym, Loki explica que Freyja não havia comido nem dormido por oito dias, tamanha era sua ansiedade pelo casamento. Em outro momento, ao tentar levantar o véu para beijá-la, Thrym se assusta com os olhos ferozes e flamejantes de Thor, sendo novamente apaziguado pelas explicações astutas de Loki.

A morte de Thrym

Como parte do ritual matrimonial, Thrym ordena que o Mjölnir seja trazido para consagrar a união. O martelo é então colocado no colo da falsa noiva. Nesse instante, Thor revela sua identidade, arranca o véu e empunha Mjölnir. Em um acesso de fúria, mata Thrym e massacra todos os gigantes presentes, restaurando a ordem e retornando triunfante a Asgard.



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13 de janeiro de 2026

Járnsaxa

۞ ADM Sleipnir

Járnsaxa ("punhal de ferro", "faca de ferro" ou "a armada com lâmina de ferro" em nórdico antigo) é uma jötunn (giganta) da mitologia nórdica, associada ao ferro e à força. Nas fontes medievais da Escandinávia, ela é conhecida principalmente por sua relação com Thor, o deus do trovão. Segundo a Edda em Prosa, escrita por Snorri Sturluson, ela foi amante de Thor e mãe de Magni, um de seus filhos. Já a maternidade de Modi, outro filho de Thor, não é claramente indicada nos textos antigos, embora alguns estudiosos considerem possível que ele também seja filho de Járnsaxa. 

No poema édico Völuspá hin skamma (“Völuspá Menor”), Járnsaxa é contada entre nove donzelas gigantes que deram à luz um filho poderoso. Esse filho é geralmente identificado como Heimdall, o deus responsável por vigiar a ponte Bifröst e associado à organização da sociedade humana.

No Skáldskaparmál, parte da Edda em Prosa, a deusa Sif, esposa oficial de Thor, é descrita poeticamente como “co-esposa de Járnsaxa”. Essa expressão não indica que as duas sejam a mesma figura, mas sugere que Thor manteve relações com ambas. Ainda no Skáldskaparmál, Járnsaxa é mencionada de forma indireta no episódio do gigante Hrungnir. Após a derrota do gigante, Thor presenteia Magni com o cavalo Gullfaxi, que pertencia a Hrungnir. Odin, pai de Thor, reprova a decisão, afirmando que um presente tão valioso deveria ter sido dado a ele, e não ao filho de uma giganta.

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22 de setembro de 2025

Vafthruthnir

۞ ADM Sleipnir

Vafthruthnir (ou Vafthrudnir, nórdico antigo Vafþrúðnir: "tecelão poderoso") é um jötunn (gigante) da mitologia nórdica, conhecido por sua sabedoria excepcional. Ele é a figura central do poema Vafþrúðnismál, da Edda Poética, no qual atua como anfitrião e adversário de Odin (disfarçado como viajante mortal chamado Gangraaf ou Gangrod, que significa “viajante cansado”), em uma disputa de conhecimento que termina com sua derrota.

No início do poema, a deusa Frigga adverte Odin a não confrontá-lo, pois nenhum outro gigante seria igual a ele em poder. Apesar do alerta, Odin insiste em visitá-lo, buscando medir sua própria sabedoria contra a do gigante. A reputação de Vafthruthnir está diretamente relacionada ao seu vasto conhecimento sobre o passado, o presente e o futuro dos Nove Mundos, sendo essa a razão pela qual Odin o escolhe como oponente na disputa intelectual.

A Competição entre Odin e Vafthruthnir

A competição entre Odin e Vafthruthnir é apresentada no formato de perguntas e respostas, no poema Vafþrúðnismál. Cada um dos participantes deve fazer perguntas sobre aspectos mitológicos e cósmicos, testando o conhecimento do outro.

Vafthruthnir inicia a disputa questionando Odin sobre os cavalos que puxam o Dia e a Noite pelo céu. Odin responde corretamente que Skinfaxi puxa o Dia, enquanto Hrimfaxi puxa a Noite, e ainda acrescenta detalhes sobre suas características. Em seguida, Vafthruthnir continua testando o conhecimento do visitante sobre o rio Íving e sobre o Ragnarök.

Quando Odin assume o papel de questionador, pergunta sobre a criação da Terra e dos céus. Vafthruthnir responde que foram formados a partir da carne do gigante primordial Ymir, detalhando quais partes do corpo deram origem ao mundo. Em outras perguntas, o gigante também demonstra conhecimento sobre os astros, afirmando que a Lua e o Sol são filhos do gigante Mundilfari, colocados no céu para que os homens pudessem medir o tempo.

A disputa abrange ainda temas como Dellingr, Nótt, os pais do Inverno e do Verão, Bergelmir, Hraesvelgr, Njord, os Einherjar, Niflheim, Fenrir, Alfrodul, e os acontecimentos que sucederão o fim do mundo.


A disputa termina quando Odin rompe o padrão de perguntas temáticas e questiona Vafthruthnir sobre o que ele sussurrou no ouvido de seu filho Balder antes de sua cremação. Ao perceber que apenas Odin poderia saber essa informação, Vafthruthnir reconhece sua identidade e admite sua derrota, declarando que Odin será sempre o mais sábio entre os seres.

Influência e Paralelos Literários

A estrutura da disputa entre Odin e Vafthruthnir apresenta paralelos com outras obras da literatura nórdica e moderna. Um exemplo é a Saga de Hervarar, em que Odin, disfarçado de Gestumblindi, também trava uma disputa de enigmas com o rei Heidrek, culminando na mesma pergunta sobre o que foi sussurrado a Balder.

Na literatura moderna, a cena de “enigmas no escuro” entre Bilbo e Gollum, no livro O Hobbit, de J.R.R. Tolkien, é considerada inspirada na disputa entre Odin e Vafthruthnir. Em ambos os casos, a última pergunta rompe com o padrão tradicional dos enigmas, sendo formulada de maneira simples, mas impossível de responder com base em conhecimento comum. Tanto Gollum quanto Heidrek reagem com fúria à pergunta final, diferentemente de Vafthruthnir, que aceita sua derrota com serenidade.


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11 de setembro de 2025

Thrivaldi

۞ ADM Sleipnir


Thrivaldi (em nórdico antigo: Þrívaldi, "três vezes poderoso") foi um jötunn (gigante) da mitologia nórdica, conhecido por possuir nove cabeças e por ter sido morto pelo deus Thor. Embora sua história não seja amplamente desenvolvida, ele é mencionado em fontes antigas como um dos muitos adversários derrotados por Thor em sua eterna luta contra os gigantes.

A figura de Thrivaldi aparece principalmente no poema Skáldskaparmál de Snorri Sturluson, onde é descrito como um dos muitos adversários abatidos pelo deus do trovão.
"Tu quebraste a perna de Leikn,
Fizeste Starkadr se curvar,
Feriste Thrívaldi,
Pisaste sobre o corpo sem vida de Gjálp".
Thor é referido por Snorri como vegandi Þrívalda ("matador de Thrivaldi"), um kenning — expressão poética típica da literatura escáldica — que exalta essa façanha divina. O escaldo Bragi Boddason, um dos mais antigos poetas nórdicos conhecidos, descreve o deus como aquele que "rachou as nove cabeças de Thrivaldi" (sundrkljúfr níu höfða Þrívalda). Outro escaldo, Vetrliði Sumarliðason, também exalta Thor por tê-lo "esmagado" (lemja). O nome de Thrivaldi também aparece nas þulur, listas de termos e nomes poéticos utilizadas por escaldos para enriquecer seus versos.

Arte de Simon Dickie

fontes:
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6 de maio de 2025

Bragi

۞ ADM Sleipnir

Arte de Yigit Koroglu

Bragi (provavelmente do nórdico antigo bragr, “poeta”) é na mitologia nórdica o bardo sábio e erudito do Valhala, o magnífico salão do deus Odin. Um dos Aesir, é conhecido como o deus da poesia, eloquência e música, sendo chamado de "o melhor dos escaldos" no poema Grímnismál (estrofe 44). A poesia nórdica antiga da Era Viking frequentemente o retrata entretendo os einherjar — os mortos que habitam o Valhala — e recebendo heróis recém-falecidos em seu meio. Um poema édico (Sigrdrífumál) menciona que runas foram gravadas em sua língua, assim como nas orelhas do cavalo Árvakr, nos cascos de Alsviðr, nos dentes de Sleipnir e na ponta da lança Gungnir. Essas runas, associadas à magia e à sabedoria, foram posteriormente misturadas ao hidromel sagrado da poesia e disseminadas entre deuses, elfos, Vanir e humanos.

Alguns estudiosos acreditam que a figura de Bragi originou-se do bardo histórico Bragi Boddason, do século IX. Seus poemas eram tão extraordinariamente artísticos e comoventes que gerações posteriores imaginaram que, após sua morte, Odin o nomeara poeta oficial do Valhala. Afinal, um grupo de guerreiros de elite, reis e outros favorecidos por Odin precisava de um bardo excepcional para cantar suas incontáveis façanhas.

Bragi e Idunna, arte de Nils Blommér

Os escritores nórdicos medievais, já cristianizados, deram um passo além. Snorri Sturluson, em sua Edda em Prosa (Gylfaginning), descreve Bragi como detentor de sabedoria incomum, fluência de discurso e domínio da palavra, afirmando que dele deriva o termo bragr (poesia) e que aqueles com eloquência excepcional eram chamados de bragr-menn (homens de Bragi). Snorri também o retrata como filho de Odin (em uma kenning no Skáldskaparmál), embora sua mãe não seja nomeada, e lista seus principais perifrases: "Marido de Idunna", "Primeiro Criador da Poesia", "Deus da Barba Longa" e "Filho de Odin".

Arte de Maria Becvar

No Skáldskaparmál, Bragi aparece em um banquete em Asgard, sentado ao lado do gigante do mar Aegir, a quem narra a origem do hidromel da poesia. Já no poema édico Lokasenna, durante uma visita de retorno à morada de Aegir, Bragi confronta Loki após este assassinar um servo do anfitrião. Quando Loki insulta os deuses, Bragi inicialmente tenta acalmá-lo, oferecendo-lhe presentes, mas é acusado de covardia por Loki, que o ridiculariza por evitar conflitos. Bragi responde com ameaças, porém a narrativa deixa claro que tais alegações são parte do caráter provocador de Loki, não encontrando eco em outras fontes.

Dizia-se que Bragi era esposo da deusa Idunna, guardiã dos pomos da imortalidade. No entanto, estudiosos apontam que sua divinização provavelmente surgiu de interpretações tardias, já que não há evidências de culto a Bragi como deus durante a era pagã. Sua associação com a poesia parece derivar da fama póstuma do escaldo Bragi Boddason, cuja obra foi tão reverenciada que lendas o integraram ao panteão divino.


fontes:
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16 de dezembro de 2024

Gerda

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Arte de Daniel Arturo

Gerda (nórdico antigo Gerðr, "cercada"; também grafado Gerdr, Gerth ou Gerd) é uma jotun (gigante de gelo) da mitologia nórdica, filha dos jotuns Gymir e Aurboda e esposa do deus vanir Frey. Ela é atestada na Edda Poética, compilada no século XIII a partir de fontes tradicionais anteriores; na Edda em Prosa e no Heimskringla , escritos no século XIII por Snorri Sturluson, e também na poesia escáldica.

Frey conhece Gerda

Frey conheceu Gerda ao sentar-se em Hlidskjalf, o trono de Odin, numa ocasião em que o Pai de Todos estava ausente. Esse trono permitia ao ocupante observar todos os nove reinos. Ao contemplar o norte, Frey avistou Gerda, que estava em uma montanha próxima ao palácio de seu pai, Gymir. Na visão, Gerda abria os portões de sua morada, e Frey percebeu que sua presença emitia uma luz tão intensa que parecia iluminar todos os reinos. Encantado, ele logo descobriu que ela era filha de Gymir, um inimigo dos deuses.

Perdidamente apaixonado, Frey foi tomado pelo desespero, convencido de que não poderia viver sem ela, mas também incapaz de alcançá-la. Sua paixão o consumiu, e ele deixou o trono de Odin entristecido e doente de coração. Incapaz de comer, dormir ou falar, Frey preocupou profundamente seu pai, Njord.

Frey adoece de amor, arte de W.G. Collingwood (1854 - 1932)

A Intervenção de Skirnir

Após confessar sua paixão e desespero ao servo Skirnir, Frey recebeu uma proposta de ajuda. Skirnir, confiante em sua habilidade, pediu emprestado o cavalo de Frey, Blodughofi, que não temia fogo ou escuridão, e a sua espada mágica, que lutava sozinha independentemente da habilidade do portador. Com esses itens, Skirnir partiu em busca de Gerda, prometendo conquistá-la para Frey ou morrer tentando.

O cavalo carregou Skirnir com segurança através do fogo que circundava o salão de Gymir. Ao chegar, Skirnir encontrou Gerda sozinha, pois Gymir estava ausente. Seguindo as regras da hospitalidade, Gerda o recebeu e lhe ofereceu uma bebida, apesar de saber que ele era um inimigo.

Skirnir tenta persuadir Gerdr a se casar com Frey, arte de H. Theaker, 1920

Persuasão, Ameaça e Maldição

Skirnir iniciou sua abordagem com ofertas generosas. Primeiro, prometeu-lhe onze maçãs douradas, que Gerda recusou, afirmando ter riqueza suficiente. Em seguida, ofereceu o anel Draupnir, que fora de Odin e tinha o poder de gerar oito anéis iguais a cada nove noites. Gerda também rejeitou essa oferta.

Quando a persuasão falhou, Skirnir recorreu a ameaças. Ele sacou a espada de Frey e ameaçou decapitá-la caso ela não aceitasse se unir a Frey. Gerda, porém, permaneceu firme, dizendo que seu pai a vingaria se Skirnir cumprisse a ameaça. Reconhecendo que matar Gerda não traria recompensa, Skirnir tentou outro método.

Retirando-se momentaneamente, ele voltou com uma espécie de varinha mágica (Gambanteinn) e ameaçou lançar uma poderosa maldição sobre Gerda. Ele declarou que, caso ela recusasse Frey, seria consumida por desejo, loucura e solidão, vagando longe da proteção de sua casa e sofrendo em uma colina gelada acima de Hel, sem ser admitida no mundo dos mortos. A ameaça abalou Gerda, que, temendo o poder da maldição, concordou em se encontrar com Frey na floresta de Bari após nove noites.

A União de Frey e Gerda

Quando Skirnir retornou com a notícia, Frey não o agradeceu, mas reclamou da longa espera até o encontro. As fontes não relatam detalhes sobre a relação entre Frey e Gerda após o casamento, nem se a união trouxe felicidade ou tristeza ao casal. Contudo, é mencionado que juntos tiveram um filho chamado Fjölnir, que, segundo a lenda, fundou a dinastia Yngling na Suécia, associada à região de Uppsala.

Freyr troca sua espada por Gerd (1885), arte de Lorenz Frølich

Menção em outros textos

Lokasenna

Neste poema, Loki acusa Frey de ter "comprado" Gerda, a filha de Gymir, com ouro, e de ter cedido sua espada mágica no processo. Loki ainda zomba de Frey, chamando-o de "miserável" e questionando como ele lutará contra os Filhos de Muspell durante o Ragnarök, quando eles cavalgarem pela floresta Myrkviðr. O servo de Frey, Byggvir, tenta defender seu mestre, mas o poema prossegue com as provocações de Loki.

Hyndluljóð

No poema, informações sobre a linhagem dos deuses são relatadas. Em uma estrofe pertencente à Völuspá hin skamma, é mencionado que Frey e Gerda eram casados, que Gerda era filha do jotunn Gymir e de Aurboða, e que eles estavam ligados ao jotunn Thiazi – pai da deusa Skaði. A natureza exata desse parentesco, no entanto, não é especificada.

Arte de Nataša Ilinčić
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26 de junho de 2024

Hrymr

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Arte de Pascal Quidalt

Hrymr (também conhecido como Hrym ou Rym) é um dos jotuns (gigantes de gelo) da mitologia nórdica, associado aos eventos ocorridos durante o Ragnarök. O significado do seu nome em nórdico antigo não é claro, sendo proposto pelo acadêmico Andy Orchard como "decrépito", enquanto o historiador Jan de Vries (1890-1964) sugere uma relação com  a palavra hrumr ("fraco" ou "frágil").

No Gylfaginning,  a primeira parte da Edda em prosa de Snorri Sturluson, Hrymr é descrito como sendo o comandante do navio Naglfar, feito com as unhas dos mortos, e que conduzirá os gigantes de gelo para a sua batalha final contra os deuses, na planície de Vigrid. No Völuspá, o primeiro poema da Edda Poética, é o deus Loki, e não Hrymr, quem é descrito como sendo o capitão de Naglfar. Ainda sim, Hrymr é descrito na estrofe 50 do poema chegando para a batalha:

"Do leste vem Hrymr com escudo erguido;

Na ira gigante a serpente se contorce;

Sobre as ondas que ela torce, e a águia fulva

rói cadáveres gritando; Naglfar está solto."

"Ragnarok", por Riccardo Gualdi. Na imagem temos Fenrir (lutando contra Odin), Surt, Jormangandr (lutando contra Thor) e Hrymr empunhando um machado.

fontes:

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8 de março de 2024

Nerthus

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Nerthus (proto-germânico Nerþus) é uma obscura deusa pré-cristã, associada a paz e prosperidade. Ela foi venerada por algumas das tribos germânicas continentais descritas pelo historiador romano Tácito em sua obra Germânia (escrita por volta de 100 E.C.). Tácito nos fornece a seguinte descrição acerca de sua veneração:

[Os Reudigni, Aviones, Anglii, Varini, Eudoses, Saurines e Nuitones] compartilham um culto comum a Nerthus, ou Mãe Terra. Acreditam que ela participa nos assuntos humanos, cavalgando em uma carruagem entre seu povo. Em uma ilha do mar ergue-se um bosque inviolável, no qual, velada por um pano, está uma carruagem que apenas o sacerdote pode tocar. O sacerdote sente a presença da deusa neste lugar sagrado e a venera com a mais profunda reverência enquanto sua carruagem é puxada por vacas. Seguem-se dias de alegria e festividades em cada lugar que ela se digna a visitar e permanecer. Ninguém vai para a guerra, ninguém empunha armas; todos os objetos de ferro são guardados. Somente então, a paz e a tranquilidade são conhecidas e bem-vindas, até que a deusa, quando já satisfeita da convivência com os homens, seja devolvida ao seu recinto sagrado pelo sacerdote. Depois disso, a carruagem, as vestimentas e (acredite se quiser) a própria deusa, são purificadas em um lago isolado. Este serviço é realizado por escravos que são imediatamente afogados no lago. Assim, o mistério gera terror e uma piedosa relutância em perguntar o que pode ser aquela visão que só é vista por homens condenados a morrer.

O relato de Tácito foi corroborado pela arqueologia, pois uma série de descobertas demonstraram que práticas como as que ele descreveu realmente ocorreram durante o período em questão e, de fato, ainda mais longe na história dos povos germânicos. Como resumiu o filólogo Rudolf Simek, "restos de carruagens de culto e modelos dos mesmos são conhecidos a partir de achados da Idade do Ferro e gravuras em pedra confirmam a tradição de procissões de culto já na Idade do Bronze no sul da Escandinávia." 

Arte de Pollyana Jones

Essas características - a carruagem que percorre ritualmente de vila em vila e o abandono de armas durante esse tempo - são características fortemente associadas aos Vanir, divindades que presidiam "paz e abundância", durante a Era Viking. Nerthus pode ser confortavelmente agrupada com os Vanir, ou pelo menos considerada algo como uma deusa "proto-vanir".

O nome de Nerthus também sugere uma conexão com os Vanir. O nome nórdico antigo do deus Njord é exatamente como o nome proto-germânico Nerthus seria se fosse traduzido em nórdico antigo. Duas teorias principais foram propostas para explicar isso. Na primeira, Nerthus e Njord formam um par divino, muito parecido com as outras duas divindades Vanir cujos nomes são quase idênticos um ao outro, Freyr e Freya. Os proponentes desta teoria também apontam evidências da gramática e do uso plural frequente do nome "Njord" (efetivamente "os Njords") na poesia nórdica antiga. A segunda teoria argumenta que Nerthus/Njord era uma divindade hermafrodita. 

Dada a identificação feita por Tácito de Nerthus com a Mãe Terra, também é comum identificar Nerthus com Jord ("Terra" em nórdico antigo), a obscura mãe de Thor.

Arte de Milbeth Morillo

fonte:

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13 de dezembro de 2023

Nornas

۞ ADM Sleipnir

As Nornas (do nórdico antigo Nornir) são na mitologia nórdica seres femininos responsáveis por criar e controlar o destino, o que as tornam umas das mais poderosas entidades do cosmos. De acordo com uma descrição das Nornas presente no poema nórdico antigo Fáfnismál ("os ditos de Fafnir"), existem muitas delas, e ninguém conhece o seu número exato. Além disso, o texto afirma que "algumas delas vêm dos deuses, outras dos elfos e ainda outras dos anões". O Völuspá, primeiro poema da Edda Poética, no entanto, apresenta uma descrição diferente e mais grandiosa delas, que veio a se tornar a imagem padrão associada às Nornas nos dias atuais. Nele as Nornas são seres misteriosos que não parecem pertencer a nenhum dos tipos reconhecidos de seres que povoam o outro mundo nórdico. Existem exatamente três delas, e seus nomes sugerem a capacidade delas de moldar o conteúdo do tempo: 

  • Urd (nórdico antigo Urðr, "passado", também uma palavra que significa "destino");
  • Verdandi (nórdico antigo Verðandi, "presente");
  • Skuld (nórdico antigo Skuld, "futuro").

As três são ditas viverem em um salão junto a um poço (Urðarbrunnr, "Poço do Destino") sob Yggdrasil, a poderosa árvore no centro do outro mundo nórdico, que sustenta os Nove Mundos em seus galhos e raízes. 

Arte de Anastasia Marchi

Embora seus nomes sugiram que elas sejam associadas respectivamente ao passado, ao presente e ao futuro, não existem fundamentos na mitologia nórdica que sustentem a noção de que elas sejam especificamente associadas a esses aspectos do tempo. O mais certo é que as três representam o destino conforme ele está entrelaçado com o fluxo do tempo. Além disso, foram propostas teorias de que a ideia de que existem três nornas principais pode ser devida a uma influência tardia da mitologia grega e romana, onde também existem deusas giratórias do destino (Moiras e Parcas). 

Diferentes imagens são usadas para representar a atividade de tecelagem do destino das Nornas ao longo da literatura nórdica antiga. As três mais comuns são lançar sortes de madeira, tecer um pedaço de pano e esculpir símbolos - provavelmente runas - na madeira.

Não existem evidências de que as Nornas tenham sido adoradas, embora seja possível que elas tenham sido reverenciadas ou respeitadas. Lamentar o próprio destino é um elemento relativamente comum na literatura nórdica antiga, e na literatura germânica antiga e medieval de maneira mais ampla, então podemos ter certeza de que se os vikings achassem possível pedir às Nornas para mudar seus destinos, eles o teriam feito. Mas, na visão nórdica, o destino era cego e absolutamente implacável. Não era possível alterá-lo; tudo o que restava era decidir a atitude com a qual você enfrentaria o que quer que o destino trouxesse.

Arte de Livia de Simone

Cultura Popular
  • As Nornas são os personagens principais do mangá e anime Oh My Goddess!. Verdandi (aqui chamada de Belldandy devido à transliteração japonesa) é a protagonista feminina da série. Sua irmã mais velha, Urd e sua irmã mais nova, Skuld, são personagens de apoio importantes na história.
  • A banda de death metal Amon Amarth lançou em 2004 um álbum intitulado Fate of Norns;
  • No bestseller Magic Tree House, Jack e Annie encontram as Nornas em uma de suas aventuras;
  • No game Shin Megami Tensei: Devil Children 2, conhecido na América do Norte como Demikids, as Nornas aparecem individualmente como guardiãs do tempo e são demônios recrutáveis no pós-jogo. Se todas forem coletadas, podem ser fundidas para formar um demônio singular e poderoso conhecido como "Norn", que compartilha características dos três demônios individuais que a compõem e tem acesso aos três elementos que suas partes individuais possuem.
Nornas em Oh My Goddess!
  • As Nornas estão presentes no livro Galactic Pot-Healer de Philip K. Dick, como entidades que guardam um livro onde o futuro já está escrito.
  • No romance American Gods, de Neil Gaiman, as Nornas são representadas como três mulheres (uma muito alta, uma de altura média e a última uma anã) que ajudam Shadow em sua vigília por Wednesday (Odin) na árvore freixo, depois ficam em uma cabana próxima; elas revivem a esposa morta de Shadow usando a água do poço de Urd; e profetizam a Mr. Town, um associado de Mr. World, que seu pescoço será quebrado.
  • As Nornas aparecem na história em quadrinhos The Wicked + The Divine, de Kieron Gillen e Jamie McKelvie, de 2014 a 2018.
As Nornas em The Wicked + The Divine

  • As Nornas são mencionadas no jogo God of War (2018), o oitavo episódio da série God of War, que marcou a incursão da franquia na mitologia nórdica. À medida que o protagonista Kratos e seu filho, Atreus, partem em uma jornada pelo reino de Midgard, eles continuamente encontram baús conhecidos como Nornir Chests, cada um dos quais pode ser aberto localizando três selos de runas escondidos e os atingindo rapidamente com o Leviathan Axe. Cada um dos Nornir Chests contém colecionáveis que gradualmente aprimoram os medidores de Saúde e/ou Fúria de Kratos. Na sequência God of War Ragnarök (2022), Kratos, Freya e a cabeça de Mimir viajam até as Nornas para descobrir o que Atreus está fazendo em Asgard. Eles conseguem alcançar as Nornas e descobrir que Heimdall (Guardião de Asgard) está planejando matar Atreus. Ao contrário das Moiras encontradas em God of War II, o jogador não enfrenta as Nornas.
  • O MMO Guild Wars 2 tem uma raça de pessoas com tema viking chamada norn; sua história e etimologia se inspiram na mitologia e culturas vikings.
Nornas em God of War

fontes:

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2 de junho de 2023

Bolthorn

۞ ADM Sleipnir

Bolthorn (nórdico antigo Bölþorn, "espinho maligno"; também chamado Bolthor, nórdico antigo Bölþor) é na mitologia nórdica um dos jotuns (gigantes de gelo) descendentes de Ymir. Ele é o pai da giganta Bestla, e portanto avô materno dos deuses Odin, Vili e Vê. De acordo com Hávamál (um dos poemas da Edda Poética) Bolthorn também era pai de alguém que ensinou a Odin nove encantamentos ou canções mágicas (galdrar):

"Nove canções mágicas eu aprendi

do filho famoso 

de Bölthorn, pai de Bestla.

 E bebi um gole do precioso hidromel,

Derramado por Ódrerir."

Este "famoso" filho de Bolthorn não é nomeado, mas geralmente é sugerido que se trate de Mimir, que era conhecido por sua sabedoria.

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