30 de junho de 2026

Kōrobesama

۞ ADM Sleipnir

Kōrobesama (japonês  首様 ou こうろべさま, “Venerável Cabeça de Cavalo” ou “Senhor da Cabeça de Cavalo”), também chamado de Kōbesama, Umano-kōbe (“cabeça de cavalo”) e, em contextos religiosos, Komyōjin, é um yokai do folclore japonês associada à ilha de Miyake, no arquipélago de Izu. Sua forma mais conhecida é a de uma cabeça de cavalo que aparece de maneira misteriosa e está ligada a antigas crenças sobre tabus, castigos divinos e cultos locais.

Tradições e crenças

Na região de Kamitsuki, existia o costume de observar um dia de tabu no vigésimo quarto dia do Ano Novo. Nessa data, os moradores limpavam suas casas e, ao cair da noite, fechavam as portas, evitavam fazer barulho e se recolhiam cedo. Segundo a tradição, era nessa noite que o Kōrobesama descia do Monte Kōrobe para percorrer a aldeia. As mulheres eram especialmente aconselhadas a permanecer dentro de casa, e a simples menção da criatura bastava para assustar as crianças e fazê-las obedecer.

Os moradores diziam que o Kōrobesama surgia na forma de uma cabeça de cavalo rolando pelas ruas do vilarejo. Enquanto se movia, produzia um som estranho, comparado ao barulho do arroz sendo lavado.

Arte de TYZ yokai

Origem da lenda

A origem do Kōrobesama está ligada à família sacerdotal Mibu, responsável pelo culto do santuário Mishima Myōjin. De acordo com um antigo registro genealógico da família, no ano de 898 nasceu um cavalo com um único chifre. O animal teria sido posteriormente divinizado sob o nome de Komyōjin e venerado em um santuário localizado no Monte Kōrobe.

Uma das versões mais conhecidas da lenda conta que o cavalo sagrado do santuário Mishima se apaixonou por uma jovem da família Mibu. Obcecado por ela, o animal tornou-se agressivo e passou a exigir que a moça lhe fosse entregue. Tentando evitar isso, o pai da jovem declarou que só aceitaria o pedido se o cavalo conseguisse fazer nascer um chifre em sete dias e sete noites. Para surpresa de todos, o animal retornou no sétimo dia com um chifre na testa. 

Sem poder voltar atrás na promessa, a família envolveu a jovem em panos brancos e a ofereceu ao cavalo. Porém, em vez de levá-la consigo, o animal a matou ao perfurá-la com o chifre. Depois da tragédia, a cabeça do cavalo foi consagrada como Kōrobesama, enquanto a jovem passou a ser venerada como uma divindade local.

Outra narrativa afirma que o cavalo se apaixonou pela esposa de um membro da família Mibu após vê-la em um momento de intimidade. Assim como na versão anterior, o animal tornou-se violento e exigiu que a mulher lhe fosse entregue. A família tentou escondê-la, mas a insistência do cavalo acabou tornando impossível manter a situação sob controle. Por fim, a mulher foi envolta em tecidos e oferecida ao animal. Mesmo assim, ele rasgou as suas vestes e a matou. Depois do ocorrido, os membros da família mataram o cavalo, removeram seu chifre e o consagraram como objeto de culto. Essa versão inclui ainda um detalhe curioso: quando era criança, a mulher costumava ser ameaçada pela mãe com a frase: “Se não obedecer, será entregue a um cavalo.”

Relatos posteriores

Histórias envolvendo o Kōrobesama continuaram a circular na ilha mesmo em tempos mais recentes. Uma delas tem como protagonista um morador chamado Asanuma EtsutarōCerta madrugada, durante um dos dias de tabu, ele voltava para casa quando ouviu um som incomum vindo do lado de fora. O ruído chamou sua atenção porque não havia vento nem qualquer outra explicação aparente. Ao chegar em casa, descobriu que sua esposa também havia escutado o mesmo barulho.

O casal procurou uma anciã da comunidade, que afirmou tratar-se da passagem do Kōrobesama. Mais tarde, uma sacerdotisa realizou uma adivinhação e concluiu que a entidade estava descontente com o estado de conservação de seu santuário. Segundo a interpretação, o Kōrobesama desejava que o local fosse restaurado e purificado.

fonte:

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2 comentários:

  1. Bem curioso o fato de um fantasma e uma criatura violenta está associada ao sagrado ao invés de algo demoníaco.

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