18 de junho de 2026

Baiame

۞ ADM Sleipnir

Baiame (também grafado Byamee, Biame, Baayami, entre outras variantes) é uma importante divindade criadora presente nas tradições religiosas de diversos povos aborígenes do sudeste da Austrália, especialmente entre os Kamilaroi (Gamilaraay), Euahlayi e Wiradjuri. Frequentemente descrito como o "Pai de Todos", é considerado o criador da humanidade, legislador das leis tribais e guardião da ordem moral e espiritual. Embora as narrativas sobre sua origem e seus feitos variem entre os diferentes povos, Baiame ocupa uma posição central em muitas tradições indígenas da região.

Etimologia

O nome Baiame aparece sob diferentes formas em várias línguas aborígenes do sudeste australiano. O missionário William Ridley (1819-1878) sugeriu que o termo estaria relacionado a uma raiz verbal associada às ideias de fazer, construir ou criar. Outros autores registraram que, entre os Euahlayi, a palavra byamee podia significar "grande" ou "grande ser", interpretação que reforça sua condição de ancestral supremo.

Em algumas comunidades, o nome de Baiame possuía caráter sagrado e seu uso era restrito a homens iniciados. Mulheres e crianças empregavam designações alternativas, como Boyjerh, que significa "Pai". Essas práticas, contudo, variavam de um povo para outro.

Características

Baiame é geralmente descrito como um ser sobrenatural de forma humana que habita o céu. Mais do que uma divindade distante, ele é retratado como um ancestral criador que participou ativamente da formação do mundo e da organização da vida social. Em muitas tradições, é considerado o pai espiritual da humanidade, situado acima das divisões tribais e dos grupos de parentesco.

Diversos mitos atribuem a Baiame a criação das leis que regulam a convivência entre os povos, incluindo normas matrimoniais, sistemas de parentesco e obrigações rituais. Seus ensinamentos eram transmitidos aos jovens durante cerimônias de iniciação, especialmente os rituais conhecidos como Bora, nos quais ele era apresentado como a fonte das leis tradicionais.

Mitologia

I) Criador da humanidade

Uma tradição registrada entre os Euahlayi relata que, em tempos remotos, a Terra era habitada apenas por animais e aves. Então um homem gigantesco (Baiame), acompanhado por duas mulheres, chegou do nordeste e transformou parte desses seres em humanos. Também teria criado pessoas a partir de argila e pedra, ensinado técnicas de sobrevivência e estabelecido as primeiras leis antes de retornar ao local de onde viera.

Outras narrativas apresentam Baiame como o primeiro criador dos seres humanos, que teria vivido entre eles durante algum tempo antes de ascender ao céu.

II) Origem dos totens

Em várias tradições, Baiame é associado à origem dos sistemas totêmicos. Totens são seres, animais, plantas, fenômenos naturais ou objetos sagrados que funcionam como signos de identidade, pertencimento e relação espiritual entre um grupo e o mundo. Já o sistema totêmico é o conjunto de regras e vínculos que organiza essas relações, muitas vezes orientando laços de parentesco, obrigações cerimoniais e proibições matrimoniais. 

Algumas narrativas afirmam que cada parte do corpo d Baiame possuía um totem próprio e que ele distribuiu esses totens entre os diferentes grupos humanos durante suas viagens pelo mundo. Também lhe é atribuída a criação das regras que proibiam o casamento entre pessoas pertencentes ao mesmo grupo totêmico.Embora os detalhes variem entre as tradições, Baiame é frequentemente retratado como a autoridade responsável pela organização das relações sociais e espirituais entre os povos.

III) Família

Nas tradições Euahlayi registradas pela folclorista K. Langloh Parker (1856-1940), Baiame possui duas esposas principais: Birrahgnooloo (Birrangulu) e Cunnumbeillee (também Ganhanbili ou Kunnanbeili). Birrahgnooloo é descrita como a mãe espiritual de todos os seres vivos e uma poderosa figura associada às chuvas e às inundações. Cunnumbeillee, por sua vez, está ligada à maternidade e às atividades cotidianas. Segundo essas narrativas, ambas vivem com Baiame em um acampamento celestial.


Dessas uniões teria nascido Dharramalan (mais conhecido na literatura antropológica como Daramulan), uma importante figura sobrenatural ligada aos ritos de iniciação masculinos e à transmissão das leis sagradas. Outras tradições, porém, apresentam versões diferentes. Em certos relatos, Dharramalan não é descrito como filho de Baiame, mas como seu irmão ou companheiro ancestral. 

IV) Obras e feitos

Diversos locais sagrados da Austrália são associados a Baiame. Um dos exemplos mais conhecidos é Baiame's Ngunnhu, o antigo complexo de armadilhas de pesca de Brewarrina, no rio Barwon. Segundo a tradição, a estrutura foi construída por Baiame e seus filhos para garantir alimento às comunidades e servir como local de encontro entre diferentes povos.

Montanhas, rios e formações rochosas também são frequentemente interpretados como marcas deixadas por suas jornadas ou manifestações de seu poder criador.

Crenças e práticas religiosas

Baiame ocupa uma posição singular nas tradições espirituais do sudeste australiano. Diferentemente de muitas outras figuras sobrenaturais presentes nos mitos aborígenes, ele está associado à autoridade moral, à proteção da comunidade e à preservação das leis ancestrais. Seu conhecimento era transmitido principalmente por meio das cerimônias de iniciação. Relatos etnográficos registram que preces podiam ser dirigidas a Baiame em ocasiões especiais, como funerais ou rituais comunitários, pedindo proteção, prosperidade e orientação espiritual.

Entre os Euahlayi, acreditava-se ainda que Baiame exercia influência sobre as chuvas. Algumas narrativas contam que ele produzia a chuva lançando cristais celestes em uma fonte sagrada localizada no topo de uma montanha, fazendo a água subir às nuvens antes de retornar à Terra.

Estudos antropológicos

Desde o século XIX, Baiame tem ocupado posição de destaque nos estudos sobre as religiões indígenas australianas. Alguns pesquisadores sugeriram que sua figura teria sido influenciada pelo cristianismo introduzido pelos missionários europeus. Essa interpretação surgiu em parte porque William Ridley utilizou o nome Baiame como tradução do Deus cristão em textos religiosos escritos em língua gamilaraay.

Pesquisas posteriores, contudo, demonstraram que a crença em Baiame já estava presente entre diversos povos antes da intensificação da atividade missionária, indicando uma origem genuinamente indígena. O antropólogo australiano Alfred William Howitt (1830-1908) classificou Baiame como um exemplo de "Pai Celestial" presente em várias culturas aborígenes do sudeste australiano. Embora essa interpretação tenha influenciado profundamente os estudos posteriores, muitos pesquisadores destacam que não existe uma concepção única e uniforme de Baiame em toda a Austrália. Seus atributos, histórias e funções variam de acordo com as tradições de cada povo.

fontes:


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26 de abril de 2026

Kalai-pahoa

۞ ADM Sleipnir


Kalai-pahoa é uma divindade da religião havaiana tradicional associada ao veneno, à morte ritual e ao poder sobrenatural (mana). Nas tradições registradas por autores do século XIX e início do XX, ele aparece como um dos deuses ligados ao rei Kamehameha I, sendo lembrado sobretudo por seu caráter perigoso e por sua relação com práticas religiosas voltadas à destruição de inimigos.

Origem e natureza

Kalai-pahoa não era entendido apenas como uma entidade espiritual, mas também como uma presença material. Sua imagem era esculpida em madeira proveniente de uma árvore considerada mortal, e o seu próprio nome é geralmente explicado como “aquele talhado pelo machado de pedra”, em referência ao modo como teria sido produzido. Segundo a tradição, essa árvore crescia nas florestas elevadas de Molokai (a quinta maior ilha do Havaí). O poder do deus estaria concentrado na própria madeira, de modo que a imagem talhada não funcionava apenas como representação simbólica, mas como suporte material de uma força perigosa e destrutiva.

Culto e rituais

Ao contrário de muitas outras divindades havaianas, a imagem de Kalai-pahoa não ficava permanentemente exposta nos templos. Após os rituais, era envolta em um tecido tradicional (kapa) e guardada com cuidado. Quando era invocada, a imagem era retirada, ungida com óleo de coco e colocada diante do altar, onde recebia oferendas como porco, peixe, poi e uma bebida ritual chamada awa.

Segundo algumas narrativas, sacerdotes raspavam pequenas porções da madeira e as misturavam à bebida ritual. O participante que a consumia entrava rapidamente em um estado semelhante ao da morte, com o rosto ruborizado, olhos vítreos e respiração curta. Esse estado era revertido por meio do contato com um objeto sagrado ligado a Mai-ola, divindade apresentada na tradição como uma força oposta a Kalai-pahoa e restauradora da vida.

O ritual pule-ana-ana

Kalai-pahoa estava intimamente associado ao ritual conhecido como pule-ana-ana, ou “oração para a morte”.  Segundo relatos tradicionais, seus sacerdotes eram capazes de provocar a morte de inimigos por meios rituais, especialmente ao introduzir raspas da madeira sagrada em alimentos ou bebidas. Essas substâncias podiam ser misturadas discretamente em itens como banana ou taro, ou mesmo dispersas com o uso de leques de penas (kahili), espalhando o que era considerado o “pó da morte”. Em todas essas ações, acreditava-se que o espírito da morte residia na madeira do deus, tornando qualquer contato potencialmente fatal.

Tradições associadas

A origem dos poderes medicinais e venenosos das plantas é explicada por uma tradição que remonta à morte de Milu, uma figura que se tornou o rei dos espíritos. Após esse evento, os deuses deixaram a ilha do Havaí e migraram para Maui, onde passaram a habitar árvores em uma grande floresta.

Nesse contexto surge a figura de Kane-ia-kama, um chefe que, após perder todos os seus bens em jogos, foi guiado por uma misteriosa voz divina que o levou a recuperar sua riqueza e, posteriormente, a descobrir os segredos das árvores habitadas pelos deuses. Instruído por essa voz — por vezes identificada como pertencente a Kane-kulana-ula — ele realizou oferendas e aprendeu a reconhecer as árvores sagradas. Em seguida, ordenou que fossem cortadas para a criação de imagens divinas, apesar do perigo, já que a seiva e os fragmentos dessas árvores eram considerados letais. Desse processo surgiram diversas imagens de deuses, sendo Kalai-pahoa considerada a mais poderosa entre elas, diretamente associada à árvore mais perigosa e ao poder destrutivo nela contido.

Perigo e proibições

A madeira associada a Kalai-pahoa era temida por seu caráter mortal. Segundo relatos tradicionais, um fragmento dessa árvore teria contaminado uma fonte em Molokai, causando a morte de quem bebeu de suas águas. Em resposta, teria sido proibida a posse de pedaços da madeira, sob pena de morte. Apenas imagens esculpidas com finalidade ritual poderiam ser preservadas, por serem consideradas objetos sagrados e controlados.

História e transmissão

Uma tradição afirma que Kalai-pahoa esteve sob a posse do rei Kahekili II, de Maui, antes de chegar às mãos de Kamehameha I. Quando Kamehameha enviou um profeta para solicitar a divindade, Kahekili recusou-se a entregá-la, mas declarou que, no futuro, ele não apenas obteria o deus do veneno, como também o domínio sobre todas as ilhas. Algumas versões mencionam que uma pequena parte da imagem chegou a ser concedida. Após a morte de Kahekili, a previsão se concretizou, e Kamehameha conquistou o arquipélago havaiano, incorporando Kalai-pahoa ao seu conjunto de deuses.

Declínio e preservação

Com a abolição do sistema religioso tradicional havaiano em 1819, marcada pelo fim do sistema kapu, muitas imagens de deuses foram destruídas, queimadas ou lançadas em rios e lagos. Ainda assim, algumas foram secretamente preservadas por seus guardiões. Entre essas sobreviventes estão representações de Kalai-pahoa atualmente conservadas no Bishop Museum, localizado em Honolulu, onde permanecem como importantes testemunhos da antiga religião havaiana.

Imagem de Kalai-pahoa (à direita),  preservada no Bishop Museum.


fonte:
  • WESTERVELT, W. D. Legends of Gods and Ghosts - (Hawaiian Mythology) - Collected and Translated from the Hawaiian. [s.l.] Boston, Ellis Press, 1915.
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6 de abril de 2026

Bila

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Bila (também registrada como Belah) é a personificação do sol na mitologia do povo Adnyamathanha, da região da Cordilheira de Flinders, no sul da Austrália. Ela é descrita como uma deusa solar, refletindo uma característica comum a muitas tradições aborígenes australianas, nas quais o Sol é concebido como uma entidade feminina.

Na mitologia Adnyamathanha, Bila é retratada como uma figura perigosa e canibal. Segundo os relatos, ela iluminava o mundo ao assar suas vítimas sobre uma fogueira, sendo o fogo a origem da luz solar. Para capturar essas vítimas, Bila enviava cães negros e vermelhos, que as arrastavam até ela, e algumas narrativas afirmam que suas ações resultaram até mesmo na destruição completa de aldeias inteiras.

Esses atos despertaram a indignação dos Homens-Lagarto, figuras míticas associadas aos répteis. Entre eles destacam-se Kudnu, o goanna (lagarto-monitor), e Muda, a lagartixa. Horrorizados com o comportamento de Bila, eles a atacaram, e durante o confronto Kudnu a feriu com um bumerangue. Como consequência, Bila fugiu, retirando o Sol do céu e mergulhando o mundo na escuridão. 

Para restaurar a luz, Kudnu lançou seu bumerangue em diferentes direções. Primeiro para o norte, depois para o oeste e para o sul, sem obter sucesso. Por fim, ao arremessá-lo para o leste, o bumerangue capturou Bila e a obrigou a percorrer um arco lento pelo céu, elevando-se acima do horizonte e retornando em direção ao oeste. Esse movimento passou a explicar o trajeto diário do Sol no firmamento e o retorno da luz ao mundo. Como reconhecimento pelo feito de Kudnu e pela salvação da humanidade, os Adnyamathanha passaram a tratar com respeito os lagartos, especialmente os goannas e as lagartixas, que não devem ser mortos. 

fontes:

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28 de março de 2026

Hopoe

۞ ADM Sleipnir

Hopoe é uma personagem da mitologia havaiana associada à dança ritual, à amizade e às tragédias causadas pela ira da deusa do fogo, Pele. Segundo a tradição, Hopoe era uma habilidosa dançarina do distrito de Puna, na ilha do Havaí, e amiga íntima de Hiiaka, irmã mais nova de Pele. Em algumas versões da lenda, após a morte provocada pela fúria de Pele, Hopoe foi transformada em uma pedra de lava equilibrada à beira-mar, conhecida como a “Pedra Dançante de Puna”.

A história de Hopoe aparece em ciclos narrativos ligados às viagens de Hiiaka e ao mito da busca por Lohiʻau, amante de Pele. Esses relatos fazem parte do conjunto de tradições orais que explicam fenômenos naturais, especialmente vulcões e formações rochosas, dentro da cosmologia havaiana.

Mitologia

Nas tradições havaianas, Hopoe era conhecida por sua graça e habilidade na dança hula, uma forma tradicional de dança ritual que combina gestos, canto e narrativa mítica. Ela vivia na região costeira de Puna e tornou-se grande amiga de Hiiaka, a mais jovem das irmãs de Pele. Hopoe ensinou a Hiiaka os movimentos antigos do hula e também a arte de fazer leis (guirlandas) com flores locais, especialmente as flores vermelhas do lehua. As duas passavam grande parte do tempo juntas em jardins costeiros, nadando no mar e explorando cavernas de coral, fortalecendo um laço de amizade profundo.

Em determinado momento, Pele ordenou que Hiiaka viajasse até a ilha de Kauai para trazer seu amante, Lohiʻau, até o vulcão Kīlauea, onde a deusa residia. Antes de partir, Hiiaka fez um acordo com Pele: a deusa deveria proteger sua floresta de lehua e poupar Hopoe de qualquer dano. Hiiaka conhecia o temperamento instável da irmã e temia que sua ira pudesse atingir sua amiga enquanto ela estivesse ausente.

A jornada de Hiiaka foi longa e cheia de obstáculos, o que atrasou seu retorno. Interpretando a demora como traição ou negligência, Pele tornou-se furiosa. Em sua ira, lançou fluxos de lava que devastaram a região de Puna, destruindo florestas e aldeias. A lava avançou lentamente até a costa onde Hopoe vivia. Cercada pelo fluxo incandescente e sem possibilidade de fuga, Hopoe vestiu suas melhores roupas e colocou sobre si as guirlandas que Hiiaka lhe havia dado. Segundo a lenda, ela realizou uma última dança antes de ser alcançada pelo fogo.

Em vez de consumi-la completamente, Pele transformou Hopoe em um grande bloco de lava equilibrado à beira-mar. A pedra ficou conhecida como a Pedra Dançante de Puna, pois podia balançar com o vento, com tremores da terra ou quando tocada por pessoas, lembrando os movimentos de uma dançarina. Por muitos séculos, habitantes da região afirmaram que a pedra se movia suavemente, como se Hopoe continuasse a dançar ao ritmo das ondas. No entanto, relatos históricos indicam que um forte terremoto no século XIX derrubou a pedra, que hoje repousa como uma massa de rocha próxima à costa.


fontes:



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19 de março de 2026

Bunjil

۞ ADM Sleipnir


Bunjil (também grafado Bundjil, Boonjil ou Bun-jil) é uma divindade criadora e herói cultural na mitologia dos povos aborígenes da nação Kulin, uma aliança de cinco grupos no centro-sul de Victoria, na Austrália. Ele é considerado o criador do mundo e um guardião contínuo da natureza, de seu povo e de suas tradições. Frequentemente representado como uma águia-de-cauda-em-cunha (Aquila audax), a maior ave de rapina australiana, Bunjil teria assumido essa forma após concluir sua obra de criação. Ele é também um dos dois ancestrais da metade clânica dos Kulin, sendo o outro o corvo trapaceiro Waang (também Waa ou Wahn).

Bunjil possui duas esposas (associadas ao cisne-negro em algumas versões), um filho chamado Binbeal (o arco-íris) e um irmão chamado Balayang ou Pailian (o morcego). Ele é auxiliado por seis wirmums (xamãs ou “rapazes” ancestrais que representam clãs da metade clânica Eaglehawk), com grafias variantes conforme o povo: Djurt-djurt/Djart-djart (peneireiro-nanquim), Thara (falcão-codorniz ou milhafre-de-ombros-negros), Yukope (periquito), Dantum/Dantun/Lar-guk (papagaio), Walert/Tadjeri (gambá-de-cauda-espessa ou pequeno marsupial predador conhecido como fascolgale) e Turnong/Turnung/Yurran (gambá-planador).

Bunjil (direita) e Waang (esquerda)

Lendas

Uma tradição do povo Boonwurrung relata um tempo de conflito entre as nações Kulin, quando as pessoas passaram a discutir e lutar entre si, negligenciando suas famílias e a terra. O caos crescente e a desunião enfureceram o mar, que começou a subir até cobrir as planícies e ameaçar inundar todo o território. Desesperado, o povo recorreu a Bunjil e pediu sua ajuda para impedir que as águas continuassem a subir. Bunjil concordou em ajudá-los, mas apenas sob a condição de que mudassem seu comportamento, respeitando as leis e uns aos outros. Em seguida, ele caminhou até o mar, ergueu sua lança e ordenou que as águas parassem de subir.

Segundo outra tradição, após criar as montanhas, rios, plantas, animais e as leis que deveriam guiar a vida humana, Bunjil reuniu suas esposas e filhos. Então pediu a Waang, guardião dos ventos, que abrisse suas bolsas e deixasse o vento escapar. Waang abriu uma das bolsas onde guardava redemoinhos, liberando um ciclone que arrancou árvores pela raiz. Bunjil pediu então um vento ainda mais forte. Waang obedeceu, e a rajada poderosa ergueu Bunjil e seu povo para o céu. O próprio Bunjil transformou-se na estrela Altair, enquanto suas duas esposas, associadas aos cisnes-negros, tornaram-se estrelas situadas de cada lado dele.

Algumas tradições também afirmam que Bunjil deixou o mundo dos humanos a partir da ilha de Deen Maar, um local considerado sagrado em certas narrativas aborígenes.

‘Heaven Comes Down’ – Arte de Safina Stewart


Abrigo de Bunjil (Bunjil's Shelter)

Durante o Tempo do Sonho (período mítico da criação no qual os ancestrais moldaram o mundo), os Kulin creem que Bunjil se abrigou em uma caverna na região de Gariwerd (conhecida hoje como Grampians), parte da Reserva Cênica Black Range, perto de Stawell, em Victoria. O sítio contém antigas pinturas rupestres que representam Bunjil acompanhado por dois dingos, sendo atualmente uma atração turística e um dos principais locais de arte aborígene da região.

O local possui grande importância cultural para os Povos Tradicionais da região de Gariwerd, do Wimmera e do sudoeste de Victoria, que mantêm vínculos históricos e espirituais com esse patrimônio ancestral.



fontes:


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27 de janeiro de 2026

Wambeen

۞ ADM Sleipnir

Wambeen é uma divindade malévola da mitologia aborígene australiana, associada especificamente às tradições do povo Arrernte, da região central da Austrália. Ele é descrito como um ser sobrenatural ligado ao fogo, aos relâmpagos e à morte de viajantes solitários, figurando como uma ameaça constante nas narrativas míticas transmitidas oralmente.

Segundo os relatos tradicionais, Wambeen habitava o céu e descia à Terra na forma de um relâmpago, provocando incêndios na vegetação. Era considerado o criador de uma fumaça de odor extremamente desagradável, característica pela qual podia ser reconhecido antes mesmo de ser visto. Wambeen tinha como principais vítimas os viajantes que caminhavam sozinhos. De acordo com o mito, ele utilizava corujas como sentinelas: quando essas aves avistavam um viajante isolado, emitiam pios que serviam de aviso para o deus. Em seguida, Wambeen aparecia sob a forma de um homem gigantesco, envolto ou seguido por fumaça fétida, e matava a vítima, deixando o corpo no local exato onde havia caído.

fonte:

  • MASSOLA, A. Bunjil’s Cave: myths, legends and superstitions of the aborigines of south-east Australia [s.l.] [Melbourne] : Lansdowne Press, 1968.
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6 de dezembro de 2025

Erumía

۞ ADM Sleipnir

Erumía é uma água-viva gigantesca da mitologia do povo de Mawata, uma aldeia situada na região costeira da Papua-Nova Guiné. Considerada uma entidade espiritual protetora e patrona dos peixes, Erumía está associada ao recife Tére-múba-mádja, localizado próximo ao ponto conhecido como Gésovamúba.

Erumía é descrita como uma água-viva de proporções colossais, com tentáculos longos, pegajosos e fibrosos, capazes de matar um ser humano com suas ferroadas. Esses tentáculos são frequentemente avistados flutuando nas águas próximas à foz do rio Bina, sendo considerados um sinal de alerta mortal para qualquer nadador ou pescador. A presença dessas "cordas vivas" é suficiente para fazer qualquer um fugir por instinto de sobrevivência. As águas-vivas comuns, chamadas édééde, são consideradas seus filhos e proliferam nos arredores do recife onde Erumía habita.

Na cosmologia tradicional de Mawata, Erumía é reverenciada como um ororárora, ou espírito protetor da aldeia. Os habitantes locais, conhecidos como "povo de Erumía", a veem como uma entidade benigna que aparece em sonhos trazendo presságios positivos. Acredita-se que ela conceda “coisas de sorte” relacionadas à pesca, como fartura nos mares e proteção durante a atividade pesqueira.

fonte:

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11 de novembro de 2025

Rogo-tumu-here

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Rogo-tumu-here é um polvo demoníaco da mitologia do arquipélago de Tuamotu, no Oceano Pacífico. Ele é conhecido por sequestrar Hina-a-rauriki e levá-la para as profundezas do oceano, dando início a uma jornada heroica para resgatá-la.

O Sequestro de Hina

Um dia, o deus do mar Tangaroa viajou para a terra de Faumea, uma mulher com enguias uma mulher que possui enguias em sua genitália capazes de matar homens. Com sua ajuda, ele aprende a atraí-las para fora e consegue dormir com Faumea, resultando no nascimento de dois filhos: Tu-nui-ka-rere (ou Ratu-nui) e Turi-a-faumea.

Turi-a-faumea posteriormente se casa com Hina-a-rauriki, e juntos compartilham momentos de lazer, incluindo a prática do surfe. No entanto, durante uma dessas sessões, Rogo-tumu-here surge das profundezas e arrasta Hina para seu covil submarino. Desolado, Turi-a-faumea chora a perda de sua esposa.

A Caça a Rogo-tumu-here e  a Libertação de Hina

Determinados a resgatar Hina, Tangaroa, Tu-nui-ka-rere e Turi-a-faumea constroem um barco para enfrentarem Rogo-tumu-here. Tangaroa entoa um canto ritual para lançar a canoa ao mar, enquanto Faumea controla os ventos, guardando-os no suor de sua axila e liberando-os por meio de um encantamento.

Durante a jornada, Faumea tenta agarrar o cinto de Tu-nui-ka-rere, que escapa e ascende ao céu, desaparecendo. Turi-a-faumea e Tangaroa seguem para a morada de Rogo-tumu-here e preparam uma isca especial, utilizando penas vermelhas sagradas. O plano funciona, e Rogo-tumu-here é atraído até a canoa.

Com o monstro preso, Tangaroa inicia uma batalha mortal, cortando um a um os tentáculos de Rogo-tumu-here. Eventualmente, a cabeça do polvo emerge das águas, momento em que Tangaroa a decepa, encerrando a ameaça da criatura. Quando o corpo do polvo é aberto, Hina-a-rauriki é retirada de dentro dele, coberta de lodo, mas viva. 

Arte de Matheus Felinto

fontes:

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21 de outubro de 2025

Pairío

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Pairío é uma criatura mitológica associada ao recife de Kúbání-kikáva, localizado em Papua-Nova Guiné. Segundo a tradição local, Pairío é um enorme peixe-gato que protege o recife, atacando qualquer pessoa que ouse se aproximar. Sua principal arma é o dorso repleto de espinhos afiados, capazes de dilacerar uma canoa ao meio. Quando um de seus espinhos emerge da água, é sinal para que os navegadores mudem de rota imediatamente. Há relatos de Pairío perseguindo canoas, com um de seus espinhos apontado diretamente para a embarcação, obrigando os tripulantes a remar desesperadamente pela sobrevivência.

De acordo com a mitologia local, Pairío não foi sempre um peixe-gato. Ele era originalmente um espírito maligno feminino conhecido como dógai-órobo. Ela vivia na ilha de Márukára, mas foi vítima de um acontecimento incomum: um enxame de borboletas a atacou, pousando sobre ela até encobri-la completamente. Incapaz de se livrar dos insetos, ela se jogou ao mar em desespero. Ao entrar na água, seu corpo transformou-se em um peixe-gato.

As borboletas, ainda presas a ela, encharcaram-se e seus corpos sofreram uma mutação: suas asas endureceram e se tornaram espinhosas. Dessa transformação nasceram os peixes-pedra e peixes-gato com cores tão vivas quanto as das borboletas originais, reforçando o elo sobrenatural entre Pairío e essas espécies aquáticas.

fonte:

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13 de outubro de 2025

Nevinbimbaau

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Nevinbimbaau (também grafada como Nevinbumbaau) é uma divindade e figura mítica da mitologia melanésia, particularmente entre os povos da ilha de Malekula, em Vanuatu. Ela é descrita em diferentes fontes ora como uma deusa, ora como uma ogra canibal, sendo considerada uma entidade de poder criador e destrutivo, central em rituais e mitos da região.

Mitos

Em algumas tradições de Malekula, Nevinbimbaau é creditada como a criadora da Terra, tendo formado a ilha onde seu povo vive ao carregar terra em suas costas, trazida de dentro de uma enorme concha de molusco. Ela nunca era vista pelos humanos, mas sua presença era sentida e ouvida nos rituais, manifestando-se através do som do rombo, um instrumento cerimonial que produz um zumbido característico.

Em outro mito, registrado pelo antropólogo A.B. Deacon (1903–1927), Nevinbimbaau é esposa de Temes Malau e mãe de Mansip. Nessa narrativa, ela aprisiona os irmãos mais velhos do herói cultural Ambat em uma armadilha no chão, deixando-os presos até que Ambat os liberta.

Rituais e simbolismo

Nevinbimbaau também está no centro de um complexo ritual cerimonial que envolve sua descendência. Esse ritual narra a história de seu filho Mansip, suas duas esposas e os filhos do casal — os netos de Nevinbimbaau. A cerimônia começa com a manipulação de grandes bastões com cabeças esculpidas no topo, representando os netos, conhecidos como temes nevinburDurante o ritual, alguns ou todos os temes são destruídos, e novos são criados em seu lugar. Ao final da cerimônia, efígies de madeira representando Mansip e suas esposas são empaladas e queimadas. O propósito dessa prática pode estar ligado à iniciação de novos membros e à ideia de reencarnação ou renovação espiritual, dada a destruição e recriação dos temes.


fontes:
  • MONAGHAN, P. Encyclopedia of goddesses and heroines. Santa Barbara, Calif.: Greenwood / Abc-Clio, 2010.
  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Nevinbimbaau. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Nevinbimbaau>.
  • ROSE, C. Giants, monsters, and dragons : an encyclopedia of folklore, legend, and myth. New York: Norton, 2001.
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1 de maio de 2025

Muldjewangk

۞ ADM Sleipnir

Arte de Nicola Angius

Muldjewangk é uma criatura aquática da mitologia do povo aborígene Ngarrindjeri, conhecida por habitar o rio Murray, com destaque para o lago Alexandrina. Sua figura era frequentemente evocada como um alerta para dissuadir crianças aborígenes de brincarem às margens do rio após o anoitecer. Sua representação varia entre uma criatura semelhante a uma sereia maligna e um monstro colossal de proporções gigantescas. Contudo, os relatos divergem sobre se existem múltiplos Muldjewangks ou se há apenas um único ser conhecido como "O Muldjewangk".

Uma das lendas mais conhecidas narra o ataque de um Muldjewangk a um barco a vapor pertencente a colonizadores europeus. Durante a travessia, o capitão avistou duas mãos enormes emergindo das águas e agarrando o casco da embarcação. Determinado a defender o navio, ele pegou sua arma, ignorando os apelos desesperados dos anciãos aborígenes a bordo, que o alertaram sobre as terríveis consequências de ferir a criatura. Eles previram que o capitão seria amaldiçoado por seu ato. Pouco tempo depois, o homem foi acometido por uma doença misteriosa, com bolhas vermelhas e dolorosas cobrindo seu corpo. Ele agonizou por seis meses até falecer, cumprindo-se assim a maldição do Muldjewangk.


O Muldjewangk também é associado a histórias envolvendo Ngurunderi, uma figura ancestral importante na cultura Ngarrindjeri (relacionada ao rio Murray). Conta-se que, quando Ngurunderi e suas esposas se estabeleceram às margens do lago Alexandrina, a criatura perturbava sua rotina, destruindo suas redes de pesca e causando transtornos.

Até hoje, grandes aglomerados de algas flutuantes no rio são vistos com cautela, pois acredita-se que possam esconder um Muldjewangk. Há também relatos de pegadas enormes avistadas nas proximidades do rio, alimentando o mistério em torno da criatura. No entanto, alguns anciãos afirmam que os Muldjewangks não habitam mais o sistema fluvial, sugerindo que essas entidades possam ter desaparecido ou se retirado para o plano espiritual.


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10 de fevereiro de 2025

Akurra

۞ ADM Sleipnir

Arte de mattforsyth

Akurra é uma divindade serpente, às vezes associada à Serpente Arco-Íris, oriunda das crenças dos Adnyamathanha, um agrupamento formado contemporaneamente por vários povos aborígenes australianos distintos do norte dos Montes Flinders, no sul da Austrália. Anciãos Adnyamathanha a escrevem como uma serpente aquática de proporções colossais, dotada de uma juba semelhante a uma barba, escamas e presas afiadas. Ela é uma criatura anfíbia, residindo nos rios, lagos e nascentes, mas movimentando-se também em terra firme. À medida em que se movimenta pela terra, Akurra molda o terreno ao seu redor, criando montanhas, vales e novos rios.

Uma história envolvendo Akurra conta sobre a criação dos poços de água nas Cordilheiras Gammon. Akurra estava com muita sede, então ele foi até o Lago Frome para beber. Akurra bebeu o lago inteiro de água salgada até secá-lo. No caminho de volta para casa, seu corpo inchado esculpiu desfiladeiros e formou poços de água nos locais onde ele descansou. Esses poços de água são o Arkaroola (Akurrula Awi), o Nooldoonooldoona (Nuldanuldanha), o Bolla Bollana (Valivalinha), a Fonte Mainwater (Adlyu Vunhu Awi) e o Yacki (Yaki Awi), onde ele finalmente parou. Ali, Akurra permanece sentado ao sol, onde o ronco de seu estômago ocasionalmente provoca pequenos tremores de terra.

Akurra também está profundamente conectada à água e à chuva. De acordo com uma história narrada pelos anciões Adnyamathanha, em tempos de seca, os xamãs viajavam até o local onde Akurra vivia, atraíam a serpente para fora e extraíam sua gordura renal, que era aquecida sobre o fogo. O cheiro da gordura derretida subindo para o céu iniciava um vento forte, as nuvens se abriam e uma chuva forte caía em uma enxurrada, revitalizando a terra.

Arte de @dave_parsons-art

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8 de abril de 2024

Eingana

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Eingana é uma divindade criadora pertencente à mitologia aborígene australiana, mas especificamente às crenças do povo Jawoyn, cujo território está localizado no norte da Austrália. Ela é uma serpente primordial oriunda do Tempo do Sonho, e referida como a mãe de todos os seres vivos.

Segundo o mito, Eingana gerou todos os seres vivos que existem dentro de si. Os mesmos foram crescendo dentro dela, mas ao chegar a hora deles saírem de seu ventre, não conseguiam porque Eingana não possuía uma vagina. Incapaz de dar luz a sua criação, Eingana pediu ao deus Barraiya usasse sua lança e abrisse um buraco perto de seu ânus, para que o trabalho de parto pudesse começar. Assim, surgiu a primeira vagina, e os primeiros seres vivos vieram ao mundo.

Eingana também é tida como uma deusa da morte. Conta-se que há uma espécie de tendão que liga todos os seres vivos a ela. Quando esse cordão se rompe, a vida do ser outrora ligado a ela chega ao fim.

Cultura Popular

  • Eingana era um dos muitos espíritos que podiam ser invocados pelos jogadores no finado game Destiny Spirits, para o PS Vita;
  • Eingana dá nome a um planeta presente no game Mass Efect, cujo satélite chama-se Barraiya; 
  • No episódio 101 do anime Yugi-Oh!, o duelista Gansley usa uma carta chamada "Serpente Arco-íris Eingana" durante seu duelo contra Yami Yugi. Quando ela é enviada para o cemitério, todos os monstros que o oponente controla são destruídos.

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13 de março de 2024

Bahloo

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Bahloo (também conhecido como "Homem da Lua") é um espírito masculino que personifica a lua, oriundo da mitologia dos Gamilaraay (ou Kamilaroi)povo aborígene australiano cujas terras se estendem de Nova Gales do Sul ao sul de Queensland. Como a personificação da lua, Bahloo habita o céu, por onde viaja todos os dias. Durante as suas viagens, Bahloo é perseguido e cortejado por Yhi, o espírito feminino que personifica o Sol, mas ele sempre recusa suas investidas. Dizem que os eclipses ocorrem quando ela consegue alcançá-lo. Um mito conta que Yhi ordenou aos espíritos que sustentam o céu para que nunca deixassem Bahloo escapar até a Terra; caso contrário, o mundo seria mergulhado na escuridão. Apesar disso, nos mitos gamilaraay, Bahloo é dito às vezes andar na Terra. Dizem que ele faz isso ao se disfarçar como um emu.

Criando os bebês do mundo

Um mito atribui a Bahloo a função de criar os bebês humanos. Esse mito ocorre em um tempo onde Bahloo vivia na Terra juntamente com Wahn, o corvo, e Buumayamayal, o lagarto. Um dia, Wahn pediu a Bahloo para que, além de fazer novos bebês, ressuscitasse os mortos. Bahloo recusou o pedido de Wahn, deixando-o mundo chateado. Ao ver uma grande árvore de goma, Wahn pediu a Bahloo que subisse na árvore para pegar algumas larvas. Bahloo concordou e prontamente subiu na árvore. Quando viu que Bahloo já estava no topo da árvore, Wahn soprou na árvore de goma, fazendo-a crescer até o céu. Assim, Bahloo passou a viver no céu.

A origem da morte e do ódio entre homens e cobras

Outro mito envolvendo Bahloo busca explicar tanto a mortalidade do homem quanto o ódio entre homens e cobras. Neste mito, Bahloo passeava pela noite trazendo consigo três cobras de estimação (as quais ele chamava de seus "cachorros"). Ele encontra um grupo de homens e então pede a eles para levarem as cobras através de um rio para ele. Com medo das cobras, os homens recusaram o pedido, então Bahloo fez isso sozinho, com duas cobras enroladas em cada braço e uma em volta do pescoço. Ao chegar do outro lado do rio, ele jogou um pedaço de casca na água, que flutuou, e uma pedra, que afundou. Bahloo então declarou que ele próprio era como a casca, sempre ressurgindo, mas que os homens seriam como a pedra, afundando no fundo quando estivessem mortos. 

Os homens, que sempre temeram as cobras, passaram a odiá-las, e as matavam sempre que viam uma. Porém, Bahloo sempre envia mais cobras ao mundo, para lembrar as pessoas de que elas não haviam feito o que ele pediu.


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11 de dezembro de 2023

Maui

۞ ADM Sleipnir

Arte de Mark Leo Mendoza

Maui (Māui) é o grande herói cultural da mitologia polinésia, e histórias sobre suas façanhas são contadas em quase todas as terras do Pacífico. Na maioria delas, ele é considerado como sendo um deus completo ou como um semideus; mas em alguns lugares, ele é considerado como sendo alguém meramente humano. Embora as nuances de suas histórias possam diferir entre localidades, a notável similaridade entre elas leva a maioria dos estudiosos a considerar Maui como um personagem unificador, desempenhando feitos extraordinários em ilhas separadas por milhares de quilômetros de oceano.

Existe uma grande variação nas representações de Maui de uma região para outra, desde a de um belo jovem a um velho e sábio sacerdote errante. Embora muitas vezes seja descrito como malandro, suas ações aparentemente maliciosas frequentemente visavam a melhoria da vida de seus semelhantes. Desde obter o fogo a erguer o céu e capturar o sol, Maui é um herói cujo legado perdurou por mais de 1.000 anos, enquanto suas histórias viajaram 4.000 milhas pelo oceano Pacífico.

Diversas lendas e mitos ressaltam os poderes sobrenaturais de Maui. Na mitologia havaiana, ele é considerado um membro da classe de seres com habilidades sobre-humanas conhecidos como KupuaNa Nova Zelândia, ele possuía como ferramenta um osso maxilar mágico pertencente a um de seus ancestrais, enquanto no Havaí ele possuía um poderoso anzol chamado Manaiakalani. Independente da versão, Maui é retratado com características notavelmente humanas: habitando casas de palha, cuidando de sua mãe, e brincando com seus irmãos e irmãs, muitas vezes envolvendo-os em todo o tipo de aventuras.

Parentesco

Os parentes de Maui variam de acordo com a região da Polinésia onde a história é contada. Na mitologia havaiana, Maui é mais conhecido como sendo filho de Hina, a deusa da lua, e de um mortal chamado Akalana, embora uma lenda aponte seu pai como sendo chamado Ru. Hina em particular também pode aparecer como sua esposa ou irmã, dependendo da lenda e da região onde é contada. Na mitologia maori, Maui é filho de Taranga com Makeatutara, um guardião do submundo. Na mitologia de Mangareva,  seu pai chama-se Ataraga e sua mãe, Uaega.

Mitologia 

Nascimento

De acordo com a mitologia maori, Maui nasceu prematuro, então sua mãe Taranga cortou um tufo de cabelo, envolveu Maui nele, e depois jogou-o na arrebentação e entregou-o à Tangaroa, o oceano. Algumas criaturas marinhas cuidaram dele, escondendo-o em algas até que uma tempestade o mandou de volta à praia. Seu avô,  Tama-nui-a-rangi , o encontrou e o trouxe de volta à vida, e o educou. 


Encontrando sua Família

Muitas estações se passaram e o bebê se tornou uma criança. A criança era inteligente e agora conhecia tanta magia da terra e do céu quanto o velho e sábio Tame-nui-ke-ti-Rangi. Então, um dia, Tame-nui-ke-ti-Rangi disse para ele procurar sua família, pois seu tempo com ele havia acabado. Então Maui deixou Tame-nui-ke-ti-Rangi e, transformando-se num pombo, embarca em uma jornada para encontrar sua família. 

Ao chegar à aldeia onde sua família vivia, seus irmãos mais velhos duvidam de sua identidade, mas Maui, persistente, revela sua história desde o nascimento à beira-mar até os cuidados de Tame-nui-ke-ti-Rangi. Reconhecido por sua mãe, Taranga, como Maui-tikitiki-a-Taranga, ele se integra à família. No entanto, Taranga desaparece todas as manhãs, intrigando Maui. Ao descobrir uma passagem subterrânea, ele voa transformado em pombo e acaba chegando ao submundo, onde encontra sua mãe e seu pai, Makeatutara. Taranga o apresenta ao seu pai, que realiza então o ritual dedicatório de seu filho. Porém, Makeatutara cometeu erros durante ritual, e por isso, Maui tornou-se fadado a morrer um dia.

Elevando o céu


Quando jovem, Maui notou que as pessoas estavam sendo pressionadas pelo céu. Elas não conseguiam ficar de pé, tendo que rastejar de um lugar para o outro, e o fato do céu ser baixo também inibia o crescimento de plantas e árvores. Vendo o sofrimento do povo, Maui resolveu fazer algo a respeito.

Existem várias versões desta lenda, mas aqui estão duas originárias do Havaí. Na primeira, Maui procura a ajuda de seu pai, Ru, para que juntos possam erguer o céu. Maui se deita no chão e começa a empurrar o céu para cima com sua grande força. Ele então sinaliza a Ru para começar a empurrar também, e juntos pai e filho empurram o céu alto o suficiente para que as pessoas, plantas e árvores possam crescer altas e fortes. Alguns dizem que se Maui e Ru não tivessem trabalhado juntos, o céu teria caído completamente, tornando a terra inabitável. Trabalhando em conjunto, os dois salvaram a humanidade.


Outra versão tem o semideus visitando um kahuna (sacerdote e curandeiro havaiano) para ajudá-lo a resolver a questão do céu baixo. O kahuna tatuou Maui com um símbolo mágico em seu antebraço, o qual lhe conferiu grandes poderes. Maui também procurou uma kapuna (anciã) e bebeu de sua cabaça, recebendo assim a força necessária para erguer o céu. Após uma grande luta, Maui empurrou o céu a uma altura acima das montanhas, onde ele permanece até os dias de hoje. Dizem que quando nuvens de tempestade se acumulam sobre o vulcão Haleakala, elas têm medo de ficar por muito tempo, por medo de Maui pega-las e arremessa-las tão longe que nunca mais possam voltar.

A captura do Sol

Arte de Lincoln Moa

O próximo feito de Maui é novamente em prol de ajudar a humanidade. A história de Maui capturado o sol é contada em toda a Polinésia. No mito havaiano, a mãe de Maui, Hina reclama que seu kapa (um tecido feito com casca batida) não seca direito devido ao fato de naquele tempo o sol não ficar muito tempo no céu e por isso o dia era mais curto. Maui então resolve subir até o topo do vulcão Haleakala, e aguardar escondido na borda da cratera o próximo nascer do sol.

No momento em que o sol apareceu, Maui o laçou usando uma corda mágica confeccionada com seu cabelo (ou usou seu anzol mágico, conforme outras versões) e então o puxou para perto ameaçando espancá-lo caso não reduzisse a velocidade de seu trajeto nos céus. O sol cede ao pedido de Maui, e assim não só sua mãe, como o resto da humanidade passou a se beneficiar com o aumento do tempo de luz do sol. Variações desta história incluem Maui sendo ajudado por sua avó e seus irmãos. É uma prova de quão importante é a família na cultura havaiana e polinésia.

Maui e os irmãos capturando Tama-nui-te-rā, a personificação do sol na mitologia maori

A formação das ilhas do Pacífico
Uma das histórias mais comuns de Maui presentes por toda a Polinésia está relacionada a como Maui pescou as ilhas do Pacífico do fundo do oceano. Existem várias versões desta história aplicadas a diferentes ilhas dependendo da sua constituição natural. No Havaí, por exemplo, uma versão do mito conta que Maui lançou seu anzol mágico no fundo do oceano, e após fisgar o seu solo, enganou seus irmãos dizendo-lhes que ele havia fisgado um enorme peixe e pedindo que eles remassem o mais forte e rápido que pudessem para ajudá-lo a puxá-lo. Ao invés de um peixe, o que eles acabaram puxando para a superfície foi uma massa de terra que deu origem a uma ilha. Os irmãos de Maui no entanto não perceberam o que ocorrera, e Maui repetiu o truque diversas vezes, formando assim todas as ilhas havaianas.


Na versão maori do mito, os irmãos mais velhos de Maui nunca o deixavam pescar com eles. Uma noite, Maui teceu para si uma linha de pesca de linho e a encantou para dar-lhe força. À ela, Maui prendeu o anzol mágico feito da mandíbula de sua/seu avó/avô Muri-ranga-whenua e então se escondeu na canoa de seus irmãos. 

Na manhã seguinte, quando a canoa já estava muito longe da terra para retornar, Maui emergiu de seu esconderijo. Todos ficaram bravos com ele e o culparam por não estarem conseguindo pescar nenhum peixe. Maui ordenou que seus irmãos jogassem suas linhas de pesca na água e aguardassem ele recitar um karakia (uma espécie de prece/encantamento), após o qual eles foram capazes de encher a embarcação de peixes. Maui então pediu que os irmãos lhe dessem uma isca para que ele próprio pudesse pescar, mas seus irmãos ainda estavam bravos com ele e se negaram a ajudá-lo. Maui então golpeou seu próprio nariz e banhou seu anzol com seu sangue, enquanto seus irmãos riam dele.

Maui se posicionou na frente da canoa e girou sua linha acima de sua cabeça enquanto recitava seu karakia. Ele lançou seu anzol mágico no mar, arrastando sua linha até as profundezas do oceano, até que ela repentinamente ficou tensa. Seus irmãos pararam de rir e seguraram-se firmemente ao lado da canoa enquanto começavam a acelerá-la através do oceano. Eles gritavam para Maui cortar a linha, enquanto tremiam de medo que seja o que fosse que havia mordido a isca de Maui acabasse virando a canoa. Maui segurou firme sua linha e, lentamente, um peixe gigante  chamado Hahau-whenua foi puxado para a superfície.

Maui pediu aos irmãos para que o aguardassem enquanto ele ia até a terra firme buscar um tohunga (uma espécie de sacerdote) para realizar as cerimônias apropriadas antes de partilhar sua pesca. Eles, porém, não esperaram o retorno de Maui e começaram a cortar o peixe, que se contorceu em agonia, fazendo-o se dividir em montanhas, penhascos e vales. Se os irmãos tivessem ouvido Maui, a ilha seria uma planície plana e as pessoas poderiam viajar com facilidade em sua superfície.

Derrotando a enguia Kuna Loa

A história de Maui e da enguia é outra que pode ser ouvida em todo o Pacífico, do Havaí à Nova Zelândia. A versão havaiana do mito conta que um dia Hina foi até um riacho para se banhar, onde acabou sendo abordada por uma grande enguia. No Havaí, essa enguia é conhecida como Kuna Loa, e ela ansiava pela beleza e companhia de Hina. Após ter seus avanços rejeitados por Hina, Kuna Loa se torna vingativo e cria uma barragem no riacho, fazendo com que a caverna onde Hina e sua família viviam começasse a inundar. Após ouvir o pedido de socorro da mãe, Maui chega e consegue romper a barragem e liberar o fluxo de água.


Kuna Loa continuou a assediar Hina, e sempre que a encontrava na margem do riacho a atingia e depois a cobria com lodo. Após isto ocorrer algumas vezes, Hina resolver contar a Maui, que decide por um fim na enguia. Maui então coloca armadilhas por todo o riacho, e logo Kuna Loa acabou caindo e sendo preso em uma delas. Usando um machado, Maui matou Kuna Loa e cortou seu corpo em pedaços. Após jogá-los no mar, cada pedaço do corpo de Kuna Loa deu origem a novas criaturas marinhas, incluindo as enguias de água salgada. O sangue de Kuna Loa que fluiu para o riacho se transformou nas enguias de água doce. A cabeça de Kuna Loa em particular foi enterrar por Maui perto da costa, e no local nasceu a primeira palmeira, da qual nasceram os primeiros cocos.

Outras versões da lenda nomeiam a enguia como Tuna, e o alvo dos seus assédios são as esposas de Maui.

Descobrindo como produzir fogo


São várias as versões de como Maui descobriu o segredo de como produzir fogo. A versão havaiana desse mito conta que, cansado de viver à base de peixe cru e vegetais, Maui desejava comer comida cozida, além de prover a sua mãe a capacidade de cozinhar e se aquecer com uma fogueira. Certo dia enquanto pescava com seus irmãos, o semideus testemunhou uma pequena nuvem de fumaça branca ao longo da costa. Determinado a descobrir sua origem, ele foi até o local e descobriu uma 'alae' ula (galinha-d'água havaiana, também conhecida como Gallinue) pisando e tentando esconder uma pequena fogueira.

Maui resolveu esperar escondido para observar a 'alae' ula acender outra fogueira. No dia seguinte, a ave percebe a ausência de Maui na canoa com seus irmãos e assim não tenta acender uma fogueira. Percebendo que estava sob suspeita, Maui colocou um grande tronco moldado na forma de um humano na canoa com seus irmãos, enquanto se escondeu próximo ao local onde as 'alae' ula estavam.  Acreditando que Maui estava junto aos irmãos, a 'alae' ula se sentiu a vontade para acender sua fogueira, e então começou a juntar gravetos e folhas para acende-lo. Enquanto isso, Maui observa as 'alae' ula esfregando os gravetos. Saindo de seu esconderijo, ele captura uma delas pelo pescoço, exigindo que ela o ensinasse a fazer fogo.

A princípio, a 'alae' ula tenta enganar Maui, instruindo-o a esfregar plantas aquáticas, depois galhos molhados, o que acaba resultando em tentativas mal-sucedidas. Cansado de suas mentiras, Maui aperta o pescoço da ave e a força a revelar o seu segredo. A 'alae 'ula finalmente cede e o instrui a esfregar um pedaço de madeira seca em um pedaço de casca de sândalo e fibras de hau até que uma chama apareça. Tendo finalmente conseguido produzir fogo, Maui decide punir a ave por sua trapaça. Maui queima a crista no topo da cabeça da ave, e é por isso que nos dias de hoje a 'alae' ula adulta possui uma crista vermelha.

Já de acordo com a versão maori do mito, Maui queria saber de onde vinha o fogo, então uma noite ele foi entre as aldeias de seu povo e apagou todas as chamas. Sua mãe, Taranga, disse que alguém teria que pedir mais a Mahuika, a deusa do fogo e avó de Maui. Então, Maui se ofereceu para ir até ela. Mahuika vivia em uma caverna em uma montanha em chamas nos confins da terra. Chegando lá, ele recebe dela uma de suas unhas em chamas para reacender o fogo em sua aldeia, mas Maui extinguiu unha após unha até que Mahuika ficou com raiva e enviou fogo para perseguir Maui, que sobreviveu chamando Tāwhirimātea, o deus do clima, para apagá-lo com sua chuva. Mahuika jogou sua última unha em Maui, mas errou e atingindo algumas árvores. Maui trouxe galhos secos dessas árvores para sua aldeia e mostrou ao seu povo como esfregar os galhos e produzir fogo. 

Arte de Tommy Fanggidae

A morte de Maui

Existem várias histórias acerca da morte de Maui. Desde ser derrubado por um sacerdote até ter uma montanha desmoronando enquanto cavava um túnel, em todas elas a natureza travessa de Maui sempre o leva a sua ruína. As histórias mais conhecidas de sua morte são oriundas da Nova Zelândia.

Depois de superar muitos obstáculos e derrotar com sucesso muitos inimigos, Maui ansiava pela vitória sobre a morte. Ele acreditava que a imortalidade deveria ser um presente concedido à humanidade. No entanto, seu pai o avisou que o tempo de seu fracasso e morte certamente chegaria. Maui então perguntou ao pai: “Quem poderia me vencer?” e seu pai respondeu: “Há alguém tão poderosa que nenhum truque lhe será útil”. O pai de Maui então conta a ele sobre sua ancestral, Hine-nui-te-po, a deusa das trevas e da morte, e aquela que detinha o destino final de todos os homens. Mesmo advertindo o filho de que a morte era inevitável, até mesmo para ele, Maui estava determinado a provar o contrário ao pai.

Após persuadir seus irmãos a acompanhá-lo, Maui viajou rumo a morada de Hine-nui-te-po. Lá, ele transformou os irmãos em pássaros para que não fossem descobertos pela deusa. Enquanto seus irmãos ficariam só observando, Maui planejava entrar no corpo da deusa enquanto ela dormia através de sua vagina, cortando seu coração e saindo por sua boca. Se obtivesse êxito, a morte de Hine-nui-te-po traria o dom da imortalidade para a humanidade. 

Uma vez que Hine-nui-te-po dormiu, Maui se transformou em um lagarto, e entrou em sua vagina. No entanto, assim que o fez, um de seus irmãos em forma de pássaro soltou uma risada, alta o suficiente para acordar Hine-nui-te-po. Ao sentir o lagarto rastejando dentro de sua vagina, Hine-nui-te-po tratou de esmagá-lo até a morte, usando os dentes de obsidiana que possuía na mesma.


Cultura Popular

Maui aparece como um personagem principal no filme Moana (2016) da Disney, onde é dublado pelo ator Dwayne Johnson. Abandonado por seus pais humanos quando era bebê, os deuses tiveram pena dele e fizeram dele um semideus e lhe deram um anzol mágico que lhe dá a habilidade de mudar de forma. Ele passou a realizar milagres para reconquistar o amor da humanidade, cada um dos quais lhe rendeu uma tatuagem animada. Diz-se que ele roubou o coração de Te Fiti, uma poderosa deusa da ilha que cria a vida. A protagonista do filme, Moana , o convence a ajudá-la a devolvê-lo. Em sua música "You're Welcome", composta por Lin-Manuel Miranda , Maui menciona e leva o crédito por vários dos feitos que lhe são creditados no folclore. Esta versão de Maui incorpora elementos de diversas narrativas polinésias.

Maui também foi o tema da música "Maui Hawaiian Sup'pa Man" de Israel Kamakawiwoʻole em seu álbum mais conhecido, Facing Future, que é o álbum havaiano mais vendido de todos os tempos.

Ainda, Maui é um dos deuses presentes no moba SMITE, integrando seu host desde outubro de 2022.

Maui e sua Golden Skin em SMITE

fontes:
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