۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Jose Munoz (metaltatrox) |
A Víbria é uma criatura fantástica da tradição catalã cuja representação se modificou ao longo do tempo. Nas fontes medievais, seu nome designava uma criatura semelhante a uma víbora ou serpente, algumas vezes dotada de asas. Posteriormente, sobretudo no contexto das festas públicas, ela adquiriu características de dragão e passou a ser apresentada como uma figura feminina.
Atualmente, a Víbria faz parte do bestiari festiu catalão, conjunto de figuras que representam animais reais ou fantásticos e participam de cortejos e celebrações populares. Algumas dessas figuras são utilizadas em apresentações com fogos de artifício, tradição também associada à Víbria desde pelo menos o final da Idade Média.
Nome e origem histórica
Em catalão contemporâneo, a grafia principal é víbria. Fontes antigas também registram formas como vibra, vibre e brívia. O nome deriva do latim vipera, que significa “víbora”, origem compatível com as descrições mais antigas da criatura.
A Víbria aparece nos bestiários medievais catalães, obras que reuniam descrições de animais reais e fantásticos. Nesses textos, sua forma ainda se aproxima principalmente da serpente, e não do dragão feminino das festas atuais. Essa identificação surgiu mais tarde, à medida que a criatura foi incorporada aos cortejos e recebeu uma aparência que combinava características de serpente, dragão, ave e mulher.
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| Arte de Laia Baldevey |
Dos bestiários às festas catalãs
Um relicário datado de 1356 representa São Jorge com uma criatura identificada como uma víbria sob seus pés. A figura também aparece em contextos heráldicos relacionados à Coroa de Aragão. O primeiro registro seguro de sua participação em festividades é de 1399. Nele, um documento municipal menciona um pagamento pelo transporte da figura. Em 1424, o livro da procissão de Corpus de Barcelona registra o conjunto “São Jorge a cavalo. O vibre”, no qual a criatura representa o monstro enfrentado pelo santo.
Uma referência de 1481 informa que a víbria lançava fogo pela boca, demonstrando que o uso de elementos pirotécnicos já fazia parte de sua representação no final da Idade Média. Em 1601, Jaume Rebullosa empregou a grafia Briuia e a descreveu como a fêmea do dragão. Segundo seu relato, as duas figuras soltavam artefatos pirotécnicos e eram conduzidas por pessoas posicionadas no interior das estruturas.
A partir do século XVIII, algumas representações passaram a combinar elementos de serpente, dragão, ave e mulher. Os seios indicavam seu caráter feminino, enquanto as asas preservavam a relação com as antigas descrições da serpente alada. Sua aparência, entretanto, não segue um modelo único e varia conforme a época e a localidade.
Tradições e representações atuais
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| Víbria de Tarragona |
Atualmente, a víbria participa de cortejos e celebrações públicas ao lado de dragões e outras figuras do bestiário festivo catalão. Barcelona e Tarragona incorporaram novas versões da criatura às suas festas em 1993. Em Reus, uma víbria foi criada em 2007, sem que existissem registros de uma figura local equivalente em períodos anteriores.
Além de sua ligação histórica com São Jorge, a víbria aparece em uma tradição local da região de Sant Llorenç del Munt. Segundo essa versão, Guifré el Pilós teria derrotado a criatura.
A vibria do folclore chileno
O nome vibria também aparece no folclore chileno, mas designa uma criatura diferente. Em 1915, Julio Vicuña Cifuentes registrou em Coihueco de Chillán a tradição de uma serpente venenosa dotada de duas penas e capaz de matar uma pessoa com um golpe da cauda. Não foi demonstrada qualquer relação histórica entre essa criatura e a víbria catalã, de modo que ambas devem ser tratadas como figuras distintas.
fontes:
- BANE, Theresa. Encyclopedia of Beasts and Monsters in Myth, Legend and Folklore. Jefferson: McFarland & Company, 2016.
- HERNANDEZ, Jo Farb. Forms of Tradition in Contemporary Spain: joan miró and the popular arts. Jackson: University Press of Mississippi, 2005.
- DURAN I SANPERE, Agustí; SANABRE, Josep (ed.). Llibre de les solemnitats de Barcelona: edició completa del manuscrit de l’Arxiu Històric de la Ciutat. Barcelona: Institució Patxot, 1930. v. 1. Disponível em: <https://publicacions.iec.cat/repository/pdf/00000330/00000093.pdf>;
- REBULLOSA, Jaume. Relacion de las grandes fiestas que en esta ciudad de Barcelona se han echo à la canonizacion de su hijo San Ramon de Peñafort, de la Orden de los Predicadores. Barcelona: Imprenta de Iayme Cendrat, 1601;
- VICUÑA CIFUENTES, Julio. Mitos y supersticiones recogidos de la tradición oral chilena con referencias comparativas a los de otros países latinos. Santiago de Chile: Imprenta Universitaria, 1915. p. 246. Disponível em: <https://www.memoriachilena.gob.cl/archivos2/pdfs/MC0008702.pdf>;
- VILARRUBIAS I CUADRAS, Daniel. “L’entremès del drac a Igualada: orígens i significació”. Revista d’Igualada, Igualada, n. 21, p. 6-15, dez. 2005. Disponível em: <https://www.revistaigualada.cat/wp-content/uploads/2014/11/21.05.06.pdf>;
- VILARRUBIAS I CUADRAS, Daniel. El foc del seguici (ca. 1380-1936): diables festius i bestiari de foc a Barcelona, dels orígens al 1936. Barcelona: Ajuntament de Barcelona, 2017. Disponível em: <https://www.barcelona.cat/culturapopular/sites/default/files/el_foc_del_seguici_vertical_9int2.pdf>;
- RUMBO SOLER, Albert. “Imaginería festiva en Cataluña”. In: CONGRESO INTERNACIONAL DE LA BAJADA DE LA VIRGEN, 3. Actas del III Congreso Internacional de la Bajada de la Virgen. [S. l.]: Cabildo de La Palma, 2023. v. 2, p. 115-193. Disponível em: <https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/9045773.pdf>;
- ALCOVER, Antoni Maria; MOLL, Francesc de Borja. Diccionari català-valencià-balear. Palma: Editorial Moll, 1930-1962. Verbete “Vibra”. Disponível em: <https://dcvb.iec.cat/results.asp?word=vibra>;
- INSTITUT D’ESTUDIS CATALANS. “Víbria”. In: Diccionari de la llengua catalana. 2. ed. Barcelona: Institut d’Estudis Catalans, 2007. Disponível em: https://dlc.iec.cat/Results?EntradaText=V%C3%ADbria&OperEntrada=0.
- CASTELLAR DEL VALLÈS (Município). Ajuntament de Castellar del Vallès. “La llegenda del Drac”. Castellar del Vallès, [s. d.]. Disponível em: <https://www.castellarvalles.cat/25385/descriptiu/-247/>;
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