Enkidu, cheio de amargura, se deita.
À noite, confia seus cuidados a seu amigo:
“Esta noite sonhei…”
(Descreve um personagem cujas unhas são garras de águia, o qual lhe diz:)
“Olha, meus braços estão cobertos de penas, como as asas de
uma ave.
Segue-me à morada das trevas onde vive o deus
Nergal (1)!
Segue-me à casa onde se entra sem esperança de sair,
pelos caminhos que são só de ida, e nunca de volta!
Segue-me até a morada cujos habitantes não têm luz!
Lá, o pó é seu alimento, seu alimento é o lodo.
As pessoas de lá estão revestidas de penas, como os pássaros.
Não veem a luz, permanecem nas trevas.
Nesse reino do pó, onde eu penetrei,
vi aqueles que usam coroa,
aqueles que governam o país desde sempre,
enquanto os servidores dos deuses Anu e Enlil lhes preparam
e servem carne assada, lhes servem bebidas frias, tiradas de
odres.
No reino do pó, onde eu estive,
encontram-se o Grande Sacerdote e seu acólito,
o feiticeiro e o vidente,
os consagrados ao apsu dos grandes deuses,
o divino Etana, o deus Sumuqan
e, finalmente, a rainha dos Infernos, a deusa Ereshkigal.
Belit-Tseri, a escriba dos Infernos, se prostrou diante dela,
depois levantou a cabeça e me viu…”
(Lacuna. Faltam as colunas V e VI)
Apesar das lacunas e das colunas que faltam, deu de entender que o Enkidu ficou amaldiçoado um tempo e depois o deus shamash tirou essa maldição
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