30 de novembro de 2025

Boreyne

۞ ADM Sleipnir

O Boreyne é uma criatura heráldica composta, registrada principalmente na heráldica europeia do final da Idade Média. Diferente das criaturas mitológicas tradicionais encontradas em bestiários ou no folclore, o Boreyne não possui origem lendária: trata-se de uma criação puramente heráldica — um monstro artificial concebido especificamente para figurar em brasões e emblemas.

Origem

A documentação mais antiga e confiável sobre o Boreyne remonta a cerca de 1466, quando foi utilizado como emblema alusivo (canting badge) pela família Borough (ou Burgh). Os canting badges eram emblemas heráldicos que representavam visual ou foneticamente o nome do portador — neste caso, “Boreyne” faz alusão direta ao nome Borough ou Burgh. O uso dessa criatura está particularmente associado à família de Sir Thomas Burgh de Gainsborough, figura de destaque no final do século XV que serviu aos reis Eduardo IV, Ricardo III e Henrique VII.

Iconografia

O Boreyne é descrito como um monstro híbrido, vagamente semelhante a um touro, mas que reúne características de diversos animais. Possui cabeça de touro, crina de cavalo, patas dianteiras e cauda de leão, patas traseiras de águia, chifres curvados, língua em forma de lança (semelhante à de uma serpente) e uma barbatana dorsal que se projeta a partir da garupa.

Ao contrário de outras figuras heráldicas mais padronizadas, o Boreyne não apresenta uma postura tradicional fixa dentro da heráldica. Registros iconográficos o mostram em diferentes atitudes, incluindo a passant (caminhando), entre outras variações.


fontes:
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14 de setembro de 2025

Parandrus

۞ ADM Sleipnir

O Parandrus (também conhecido como Parandus, Parander, Tarand, Tarandos ou Tarandus) é uma criatura lendária descrita desde a Antiguidade e popularizada nos bestiários medievais da Europa. Comparado tradicionalmente a um alce ou rena, é famoso por sua extraordinária capacidade de mudar a cor do pelo, semelhante a um camaleão, permitindo-lhe camuflar-se no ambiente. Considerado raro e extraordinário, tornou-se figura recorrente na heráldica europeia, aparecendo em brasões e emblemas de famílias nobres.

Origem e descrição

A primeira referência conhecida ao Parandrus aparece em Aristóteles (Corpus Aristotelicum), sob o nome Tarandos (Τάρανδος), que o descreve como habitante da Cítia. Segundo o filósofo grego, o animal tinha o tamanho de um boi, cabeça semelhante à de um cervo e habilidade única de alterar a cor de seu pelo, tornando-se difícil de capturar.

Parandrus no manuscrito British Library, Royal MS 12 C XIX

Plínio, em sua História Natural dos Animais, acrescenta que o Parandrus possuía chifres ramificados, cascos fendidos e pelagem espessa como a de um urso, com pele tão resistente que podia ser usada na confecção de couraças. Ele destacava que a criatura podia imitar não apenas a vegetação, mas também a cor de qualquer objeto próximo, tornando-se quase invisível para predadores e caçadores.

Cláudio Eliano, em sua obra De Natura Animalium, corrobora essas descrições, observando que o animal se assemelhava a um touro em tamanho e estrutura corporal, e que os cítios utilizavam sua pele para proteger escudos. Solino situava o Parandrus na Etiópia, evidenciando a tendência das narrativas antigas de colocar animais fabulosos em regiões distantes e exóticas.

Parandrus no manuscrito National Library of Russia, Lat. Q.v.V. 1

Aparições na literatura

Durante a Idade Média, o Parandrus aparece em importantes manuscritos e obras literárias. No Bestiary Harley MS 3244 (século XIII, Biblioteca Britânica), é descrito com características semelhantes às de Aristóteles e Plínio. Uma referência também é encontrada no ciclo teatral The York Mystery Cycle (1440).

Francois Rabelais, em Pantagruel (1552), descreve o Parandrus como um animal do tamanho de um boi, com cabeça de cervo, chifres ramificados, cascos fendidos, pelagem longa e dura como a de um urso, e pele quase tão resistente quanto uma armadura de aço. Rabelais enfatiza que a criatura podia alterar voluntariamente a cor de seu pelo conforme os objetos e pessoas ao seu redor, exibindo tons de verde, vermelho, branco ou púrpura.

fontes:




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29 de novembro de 2022

Tarantasio

۞ ADM Sleipnir

Arte de Roman Kuteynikov

Tarantasio é um dragão lendário dito ter aterrorizado os habitantes do antigo lago Gerundo (hoje seco), na Lombardia, Itália, entre os séculos XII e XIII. O lago abrangia os leitos dos rios Adda e Serio, e localizava-se em uma área que hoje pode ser definida como situada entre as províncias de Bergamo, Lodi, Cremona e Milão. Segundo a lenda, o Tarantasio emergia frequentemente das águas, e nessas ocasiões ele destruía embarcações, devorava crianças e exalava um miasma pestilento que provocava febre amarela naqueles que o inalassem. 

Por muito tempo, o Tarantasio dominou a região e espalhou o terror pelos campos, até que encontrou seu fim pelas mãos de Frederico Barbarossa, São Cristóvão ou um membro da nobre família Visconti (as fontes variam). No caso deste último, conta-se que este gesto heróico deu origem ao brasão da família, representando a famosa criatura heráldica Biscione (uma serpente ou dragão azul) devorando uma criança.

Arte de Andrea Cislagh

A lenda do Tarantasio foi amplamente difundida por todo o território milanês, e serviu de inspiração para o escultor Luigi Broggini, que tomou o Tarantasio como modelo para desenhar a imagem do cão de seis patas, primeiramente símbolo da empresa de combustíveis italiana Agip e posteriormente da Eni.

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23 de agosto de 2022

Calygreyhound

۞ ADM Sleipnir

Arte de ns-wen

O Calygreyhound (palavra que poderia ser traduzida como caligalgo) é um animal imaginário encontrado na heráldica britânica, representado com a cabeça de um gato selvagem, chifres de veado ou carneiro, torso de antílope, patas dianteiras de águia e patas traseiras de boi. Às vezes, era representado com um rabo de peixe ou um par de asas de águia, semelhante a um grifo.

Na heráldica medieval, o Calygreyhound é encontrado apenas nos brasões da família De Vere durante os séculos XV e XVI. Ele costumava ser usado como um símbolo de agilidade e rapidez.



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10 de maio de 2017

Bonacon

۞ ADM Sleipnir


O Bonacon (ou Bonasus) é um animal imaginário representado na heráldica e em bestiários medievais. Ele foi descrito por Plínio, o Velho, como um animal oriundo da Peônia (região correspondente ao vale do Vardar, na atual República da Macedônia), enquanto bestiários medievais o descreviam como um animal oriundo da Ásia. 

Ele é descrito como sendo semelhante a um touro na aparência, no entanto, possui chifres pequenos e enrolados como o de um carneiro além de um rabo de cavalo e uma juba curta. 

Ele é normalmente representado em pé sobre as quatro patas com a sua cauda levantada excretando fezes flamejantes contra seus perseguidores. Conta-se que os vapores cáusticos de seus excrementos poderiam cobrir 3 acres (cerca de 12000 m²) e queimar seus perseguidores e também a vegetação em seu redor. 

Bison bonasus é atualmente o nome científico do bisão europeu ou wisent e é provável que essa fosse a origem real do animal descrito por Plínio, cujas características foram tão exageradas na Idade Média. Como a maioria dos animais, o bisão tende a evacuar quando assustado e, no frio do inverno europeu, suas volumosas cargas de esterco podem fumegar de maneira impressionante.


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3 de abril de 2017

Avalerion

۞ ADM Sleipnir

Arte de Manzanedo
Avalerion (ou somente Alerion) é uma ave mitológica, que de acordo com bestiários e geógrafos medievais europeus, viveria na região próxima ao rio Hidaspes, na Índia. De acordo com a lenda, somente um casal de Avalerions pode existir simultaneamente. A cada 60 anos, o casal produz um par de ovos e quando estes se chocam, o casal se suicida se lançando voluntariamente nas águas do mar.

Alguns brasões de armas costumam incluir Avalerions. Na heráldica, o Avalerion é geralmente representado como um pássaro sem bico e com tufos de penas no lugar das pernas. Notavelmente, o brasão de armas da região francesa de Lorraine (Lorena) possui três Avalerions.


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8 de julho de 2016

Keythong

۞ ADM Sleipnir


O Keythong é um criatura semelhante a um grifo sem asas, descrito pela primeira vez em um manuscrito inglês sobre heráldica do séc XV. Assim como o grifo, ele possui o corpo de um leão e a cabeça e as patas dianteiras de uma águia, mas em vez de asas, ele ostenta espinhos em suas costas e ombros. Estes espinhos são muitas vezes dourados, o que provavelmente simboliza o sol, embora também possa ser por causa do uso comum da cor dourada para representar grifos na heráldica. Eventualmente é representado possuindo também chifres em sua cabeça.



Keythongs eram considerados grifos do sexo masculino, embora haja um debate dentro da comunidade heráldica quanto a saber se o termo "grifo masculino" é um termo impróprio para o keythong, tornando-se uma besta à parte. Quando apareceu pela primeira vez, não havia uma distinção adequada entre ele e o grifo, de forma que eles compartilhavam muitos atributos das lendas medievais. 

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4 de junho de 2015

Melusina

۞ ADM Sleipnir

Arte de Clara Tessier

Melusina (também Melusine ou Mélisande) é uma personagem originária do folclore da França medieval. Ela é geralmente descrita como semelhante a uma sereia ou nixie, tendo a parte superior do corpo de uma bela jovem e a metade inferior do corpo de uma serpente. As vezes ela é representada com asas de dragão em suas costas, e na heráldica francesa e britânica, ela é freqüentemente representada como uma sereia de cauda dupla. Sua lenda já era bem conhecida na França quando foi compilada pelo poeta Jean d'Aras entre 1382-1394, numa coletânea de "histórias inventadas" pelas damas enquanto teciam.

Lenda

Melusina era filha de uma fada das fontes chamada Pressina e de um rei mortal, Elinus da Albânia. Quando os dois se casaram,Pressina exigiu de Elinus que ele não a visse no momento do parto, mas ele quebrou a promessa. A esposa e suas três filhas, Melusina, Melior e Platina, o abandonaram e retornaram à corte das fadas. Quando essas filhas assumiram seus plenos poderes sobrenaturais, vingaram-se do pai prendendo-o para sempre em uma caverna da Nortúmbria (norte da Inglaterra). Ao descobrir o que suas filhas haviam feito, Pressina amaldiçoou-as. Melusina acabou se transformando em uma serpente d'água da cintura aos pés, uma vez por semana. Jamais experimentaria o amor até que encontrasse alguém que concordasse em não vê-la nesse dia. Se essa promessa fosse quebrada, ela seria condenada a ficar para sempre nessa forma horrenda.

Anos depois, Melusina veio a se tornar a rainha das fadas da floresta de Colombiers, na região francesa de Poitou. Um dia, ela e dois de seus súditos estavam guardando a sua fonte sagrada, quando um jovem, o Conde Raymond, saiu de dentro da floresta e os encontrou. Melusina passou a noite conversando com Raymond, e a madrugada, eles já haviam ficado noivos, mas com uma condição. Melusina fez Raymond prometer que ele nunca a veria em um sábado. Ele concordou, e eles se casaram.


Arte de John Howe

Melusina trouxe a seu marido grande riqueza e prosperidade. Ela construiu a fortaleza de Lusignan tão rapidamente que parecia ser feito por magia. Com o tempo, Melusina construiu muitos castelos, fortalezas, igrejas, torres e vilas, cada um em uma única noite, em toda a região. Ela e Raymond tiveram dez filhos, mas cada uma delas possuía alguma deformação. O mais velho tinha um olho vermelho e um olho azul, o próximo tinha uma orelha maior do que a outra, outro tinha um pé de leão que cresce de sua bochecha, e outro tinha apenas um olho. O sexto filho era conhecido como Geoffrey-com-o-dente-grande, devido ao seu enorme dente similar ao de um javali. Apesar das deformidades, as crianças eram fortes, talentosas e amadas por toda a terra. 

Um dia, o irmão de Raymond visitou-o e fez com que o mesmo ficasse desconfiado sobre as atividades secretas de sua esposa aos sábados. Assim, no sábado seguinte, Raymond decidiu espionar sua esposa durante o seu banho, através de uma fresta na porta. Ele ficou horrorizado ao ver que da cintura para baixo, seu corpo era o de uma serpente. 


Raymond não disse nada até o dia em que seu filho, Geoffrey-com-o-dente-gramde, atacou um mosteiro e mataram cem monges, incluindo um de seus irmãos. Raymond acusou Melusina de contaminar sua linhagem com a sua monstruosa natureza, revelando dessa forma que ele havia quebrado a sua promessa com ela e a espiado.

Como resultado, Melusina se transformou em uma serpente alada com cerca de cinco metros de comprimento, circulou o castelo três vezes, chorando copiosamente, e depois voou para longe. Ela voltaria à noite para visitar seus filhos e depois desapareceria, também prestando visitas a todos os seus descendentes que estivessem perto da morte. Raymond nunca mais foi feliz. Dizia-se que a descendência de Melusina reinaria até o fim do mundo.


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13 de novembro de 2014

Basilisco

۞ ADM Dama Gótica


O Basilisco é uma serpente lendária nascida a partir de um ovo de cobra ou sapo chocado por uma galinha, ou ainda de um ovo de galinha chocado por um sapo ou cobra. Ele detém duas descrições distintas, e ambas são referidas como o rei das serpentes. A descrição tradicional refere-se na verdade ao seu parente mais próximo, o Cocatrice, que possui  a cabeça, as pernas e o corpo de um galo, e as asas e a cauda de um dragão. As descrições mais modernas do Basilisco consistem em uma serpente gigante com a capacidade de matar qualquer  um com seu olhar.

Historias antigas sobre o basilisco tendem a coincidir entre si, mas o tamanho da criatura varia desde muito pequeno (aproximadamente o tamanho de um galo) a muito grande (maior do que um cavalo, talvez do tamanho de um dragão). Sua respiração é venenosa e seu olhar é muito perigoso, pois pode petrificar ou ate mesmo matar a vitima. 

Os inimigos mortais dos basiliscos eram as doninhas, que para conseguir lutar contra seu oponente, recorriam ao odor letal de sua urina, e alimentavam-se com folhas de arruda, planta que não sucumbia à presença do basilisco. Usufruindo dessas armas, as doninhas só aceitavam o fim do combate quando tinham certeza que o basilisco estava totalmente liquidado.


O veneno

Acreditava-se que se um homem a cavalo tentasse matar um basilisco com uma lança, o poder de seu veneno, seria conduzido através da arma, e consequentemente mataria o cavaleiro e o cavalo também. A única maneira de matar um basilisco seria colocando um espelho diante de seus olhos, evitando olhar diretamente para ele. E no momento em que a criatura olhasse o seu próprio reflexo, ela morre de susto.

A carcaça de um basilisco era muitas vezes pendurada nas casas para manter as aranhas a distância. Também era usada nos templos de Apolo e Diana, onde nenhuma andorinha se atrevia a entrar. Na heráldica, o basilisco é representado como um animal com a cabeça, o tronco e pernas de pau, a língua de uma cobra e as asas de um morcego.

O naturalista romano Plínio, o Velho, descreveu o basilisco simplesmente como uma serpente com uma coroa dourada e que não rastejava como as outras serpentes. Na Idade Média, sua imagem tornou-se uma cobra com a cabeça de um galo, e às vezes com a cabeça de um ser humano. Nas artes, o basilisco simbolizava o diabo e o anticristo. Para os protestantes, era um símbolo do papado.

É possível que a descrição original do basilisco venha de relatos de testemunhas oculares da cobra-real, que tem uma marca em sua cabeça que lembra a forma de uma coroa, além de ser o inimiga natural do mangusto (animal que é muitas vezes confundido com a doninha).


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15 de outubro de 2014

Yale

۞ ADM Sleipnir


Yale (em latim: eale, também conhecida como Centícora) é uma criatura mítica primeiramente descrita por Plínio, o Velho no Livro VIII de sua obra, História Natural. Ela era popular em bestiários medievais e também na heráldica, onde representa a "defesa orgulhosa". Ela também está entre os animais heráldicos utilizados pela Família Real Britânica. Segundo Plínio, o Yale é uma das "monstruosidades oriundas da Etiópia (África)".

Características

O Yale é geralmente descrito com uma aparência semelhante a um bode ou antílope, porém do tamanho de um cavalo. Na descrição original feita por Plínio, o Yale é uma criatura do tamanho de um hipopótamo, possui pelos negros ou de cor marrom, uma cauda de elefante e presas de javali. Ele também tem um par de chifres longos que podem se mover de forma independentemente para qualquer direção. Eles são geralmente representados em direções opostas.


Em batalha, o Yale mantém um de seus chifres voltados para trás, para caso o chifre da frente fosse danificado, ele possa usar o outro para se defender. Nas batalhas mais acaloradas, os dois chifres poderiam ser empregadas para se defender contra numerosos atacantes. Alguns contos até sugerem que esses chifres podem ser enrolados quando não estiverem em uso. Para além da sua função prática no combate ou defesa, o Yale também usava seus chifres para empalar sua presa e de acordo com certas fontes, "demonstrar o seu estado de espírito".

Segundo os bestiários medievais, o Yale é inimigo dos Basiliscos, e conta-se que se um basilisco encontrar um Yale dormindo, irá picá-lo em seus olhos, fazendo-os incharem e explodirem.



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11 de setembro de 2014

Alphyn

۞ ADM Sleipnir


O Alphyn (ou Alpheyn, "caçador" ou "lobo" em germânico) é uma rara e obscura criatura associada à heráldica (arte de descrever os brasões de armas ou escudos). É muito parecido com um lobo ou tigre, porém é troncudo e possui tufos de pelos que cobrem o seu corpo. Ele também possui uma juba grossa e uma língua longa e fina. Sua cauda é torcida em três nós, dando-lhe uma aparência celta. 

Às vezes, suas patas dianteiras são retratadas como as garras de dragão ou de águia; outras vezes elas são fendidas, como as de uma cabra. Ocasionalmente, as quatro patas são semelhantes as garras de um leão. Alguns contos sugerem que o Alphyn podia cuspir fogo, baseando-se nos traços dracônicos em que costumava ser representado.  

Na antiguidade, o Alphyn chegou a aparecer em jogos de xadrez medievais no lugar da figura do bispo. Como símbolo heráldico, era exibido em bandeiras e escudos de guerra como um sinal de força e ferocidade. A primeira aparição do Alphyn foi em emblemas e escudos dos Senhores de la Warr, mas a sua origem e real significado permanecem um mistério.



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9 de janeiro de 2014

Anfisbena

۞ ADM Sleipnir


A Anfisbena (do grego Αμφισβαινα, Amphisbaina) é um réptil presente nas lendas européias e na heráldica, comumente descrita como uma serpente com uma cabeça em ambas as extremidades. Seu nome deriva de uma palavra grega que significa "ir para os dois lados", e ela o ganhou porque acreditava-se que ela poderia se mover para trás ou para a frente com a mesma facilidade. 

Características

A Anfisbena mitológica é descrita como uma serpente de duas cabeças, uma acima do pescoço e uma no final de sua cauda preênsil, por vezes representada com as garras e as pernas de um pássaro e as asas pontiagudas de um morcego. Em bestiários e manuscritos, representações da anfisbena apresentam suas mandíbulas envolvidas em torno de seu próprio rabo/pescoço, criando um arco que pode rolar ou mover-se como uma roda de carroça. Quando as duas cabeças tentam avançar ao mesmo tempo, a criatura forma um círculo. 




Habitat

Anfisbenas vivem nos desertos, sendo bem comuns em todo o território, e elas ficam à espreita para atacar animais incautos ou viajantes no deserto. 

Anfisbenas são adversários formidáveis​​. Elas podem atingir velocidades espetaculares em qualquer direção e podem mudar de direção com facilidade, para surpreender suas presas ou iludir seus caçadores. No auge de sua velocidade, elas secretam um perigoso e doloroso veneno que mata rapidamente. Ninguém está a salvo de uma Anfisbena, mesmo à noite, porque os seus olhos brilhantes penetram na escuridão. 

Depois de uma Anfisbena depositar seus ovos nas areias quentes, ela os vigia. Enquanto uma de suas cabeças dorme, a outra vigia, com olhos tão brilhantes como o fogo. 

A Anfisbena nas lendas

Nos mitos gregos, o sangue da Górgona Medusa gerou muitas serpentes mortíferas conforme Perseu carregava a cabeça da Górgona sobre o deserto da Líbia. Entre essas serpentes estava a primeira Anfisbena. Quando o exército de Cato marchou através do deserto, anfisbenas se alimentaram dos soldados caídos.

Ela foi citada por poetas, como Nicandro de Cólofon, John Milton, Alexander Pope, Alfred Tennyson, e Alfred Edward Housman, e a Anfisbena como uma criação mitológica e lendária foi citada por Lucano, Caio Plínio Segundo, Isidoro de Sevilha, e Thomas Browne, os últimos dos quais desiludiram a sua existência. 



Medicamentos e outros usos para a Anfisbena
  • Apesar de seu veneno perigoso, capturar uma Anfisbena pode provar o seu valor. Sua pele seca pode curar reumatismo e remediar frieiras, pois reduz o inchaço das mãos e dos pés quando inflamados por causa do frio; 
  • Uma Anfisbena viva é um excelente talismã para qualquer mulher grávida. Na verdade, profetisas e mulheres de prestígio ou de alta patente usavam pulseiras douradas esculpidas na semelhança de um anfisbena, pois era um símbolo de poder e proteção; 
  • No deserto da Líbia existe um réptil chamado Amphisbaena, e apesar de sua natureza, é muito menos fantástica do que as lendas relatam; 
  • Amphisbaena também é o nome científico de um gênero de vermes-lagartos sem pernas capazes de mover-se em ambos os sentidos com caudas camuflados. Quando levanta a sua cauda, fica parecendo que ela possui uma cabeça adicional, e, com essa camuflagem, o lagarto protege seus ovos e ilude os predadores.



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25 de julho de 2013

Hipocampo

۞ ADM Sleipnir


Nas mitologias grega e fenícia, o hipocampo é um cavalo-marinho, no sentido literal da palavra. Ele é comumente visto na arte grega antiga e é uma criatura mítica associada ao deus grego do mar - Poseidon (ou Netuno, na mitologia romana). O hipocampo tem a metade de cima de um cavalo, incluindo pescoço e patas dianteiras e a parte inferior de um peixe, um golfinho ou, em alguns casos raros, uma serpente. O nome vem do grego "hippos" (cavalo) e "kampos" (monstro marinho).

Na arte, o hipocampo é mais frequentemente retratado puxando a carruagem de Poseidon / Netuno - deus do mar e que também era reconhecido como o deus dos cavalos. Poseidon é por vezes representado sendo acompanhado por sua esposa Anfitrite / Salácia. O hipocampo também era muitas vezes retratado montado por uma ninfa do mar (Nereidas)


O hipocampo aparece frequentemente em louças de bronze, talheres e pinturas dos antigos gregos e dos etruscos, mas também aparecem em obras de arte da Índia e da Mesopotâmia. De acordo com um conto em que a cidade de Helike foi submersa por um terremoto, os hipocampos nadavam livres sobre a cidade e puxavam a linha das varas dos pescadores. 

Além do hipocampo existem 4 outros animais menos conhecidos com cauda de peixe:
  • Leokampos - um leão com cauda de peixe;
  • Taurokampos - um touro com cauda de peixe;
  • Pardalokampos - um leopardo com cauda de peixe;
  • Aigikampos - uma cabra com cauda de peixe, que mais tarde se tornou Capricórnio.
O hipocampo também é uma criatura da heráldica medieval. No entanto a sua aparência é muito diferente. Ele ainda tem a metade superior de um cavalo, mas ele tem pés de pato em vez de cascos e nadadeira dorsal de um golfinho em vez de uma juba. Ele tem a cauda de um peixe e, em alguns casos, as asas de um pássaro.



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