18 de abril de 2026

Ceasg

۞ ADM Sleipnir


Ceasg é uma espécie de sereia do folclore escocês, descrita como tendo a parte superior do corpo de uma mulher e a inferior de um grilse (salmão jovem) Nas Terras Altas da Escócia, também é conhecida pelos nomes gaélicos maighdean na tuinne (“donzela da onda”) e maighdean mhara (“donzela do mar”). Diferentemente de muitas sereias associadas exclusivamente ao oceano, as ceasg são consideradas anfíbias, habitando o mar, rios, riachos e lagoas. Em várias tradições, podem ser capturadas por humanos e, nesse caso, são obrigadas a conceder três desejos antes de serem libertadas — um motivo recorrente no folclore feérico. O encontro com essas criaturas, porém, não é necessariamente benéfico: em alguns relatos, elas atraem ou matam humanos que entram em seu domínio aquático.


Certas histórias atribuem às ceasg características monstruosas. Há versões em que ela engole o herói, que permanece vivo até conseguir escapar com auxílio externo. Nesses relatos, sua vida não reside no corpo, mas em um objeto oculto — geralmente um ovo ou uma concha — cuja destruição é a única forma de matá-la. Também existem narrativas de uniões entre as ceasg e humanos. A criatura pode assumir forma humana e viver em terra, sendo associada à origem de linhagens de pescadores e navegadores. Mesmo após retornar ao mar, ela mantém ligação com seus descendentes, protegendo embarcações e indicando áreas de pesca.

O folclorista Donald MacKenzie (1873-1936) sugeriu que a ceasg pode derivar de uma antiga divindade marinha associada a sacrifícios humanos, hipótese essa baseada em paralelos com outras tradições.


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16 de abril de 2026

Kage-nomi no Ryū

۞ ADM Sleipnir

Kage-nomi no Ryū (japonês 影呑みの竜, “dragão devorador de sombras”) é um yokai do folclore japonês, associado a presságios de morte, e originário da antiga cidade de Shirotori, hoje parte de Higashikagawa, na província de Kagawa, na ilha de Shikoku. Segundo a tradição local, ele habita um lago situado no templo Senkō-ji, conhecido como o lago de BenzaitenDiz-se que, quando uma pessoa se aproxima da água e sua sombra aparece refletida na superfície, o Kage-nomi no Ryū pode engoli-la. A vítima não sofre nenhum efeito imediato, mas passa a estar destinada a morrer prematuramente. 

Não existem descrições claras sobre a aparência do Kage-nomi no Ryū. Ele raramente é visto, permanecendo oculto sob a água. Sua presença é percebida apenas pelo desaparecimento da sombra refletida.

A crença por trás da lenda está ligada à ideia de que a sombra representa parte da essência vital de uma pessoa. Perdê-la seria, portanto, um sinal de que sua vida foi encurtada. Como em muitas histórias desse tipo, o relato também pode ter servido como alerta para evitar que pessoas se aproximassem de lagos profundos, especialmente em áreas consideradas sagradas.


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15 de abril de 2026

O Lenhador Fantasma da Ilha Redonda

۞ ADM Sleipnir

O Lenhador Fantasma da Ilha Redonda é uma lenda do folclore de São Francisco do Sul, no estado de Santa Catarina. A narrativa está associada à chamada Ilha Redonda, assim denominada por pescadores em razão de seu formato circular. Segundo a tradição oral, a Ilha Redonda era conhecida por ser extremamente piscosa, atraindo pescadores de diversas localidades. Apesar da abundância de peixes, poucos se arriscavam a permanecer no local durante a noite. Ao anoitecer, o clima de mistério e apreensão levava muitos a deixar a ilha às pressas, retornando ao mar antes que a escuridão se intensificasse.

Os que decidiam permanecer relatavam experiências incomuns. Em noites de lua cheia, exatamente à meia-noite, quando o silêncio se tornava quase absoluto, ouvia-se ao longe o som de um machado golpeando árvores. O ruído, descrito como firme e ritmado, sugeria a presença de um solitário lenhador trabalhando na mata. Após cerca de trinta minutos, o som cessava repentinamente, e o silêncio voltava a dominar a ilha.

O fenômeno tornava-se ainda mais intrigante ao amanhecer. Esperava-se que, após uma atividade tão intensa, houvesse sinais claros de desmatamento. No entanto, não se encontrava qualquer árvore derrubada ou indício de intervenção humana, permanecendo a vegetação completamente intacta. Mesmo indivíduos céticos, que se dirigiam à ilha com o objetivo de comprovar ou desmentir os relatos, afirmavam ter ouvido o som do machado durante a noite, o que contribuiu para a difusão e permanência da lenda na região.

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14 de abril de 2026

Nuberu

۞ ADM Sleipnir


O Nuberu (ou Nubeiro) é uma entidade do folclore do norte da Península Ibérica, presente principalmente nas tradições das Astúrias, Cantábria e Galícia. Trata-se de um espírito ligado às nuvens, às precipitações e aos fenômenos atmosféricos, sendo capaz de controlar o clima. O nome varia conforme a região: “Nuberu” é mais comum nas Astúrias e na Cantábria, enquanto “Nubeiro” predomina na Galícia. De modo geral, pode ser entendido como “Senhor das Nuvens”, derivado de termos relacionados a “nuvem”. Em algumas áreas do oeste asturiano, também é conhecido como Reñubeiru ou Xuan (Juan) Cabritu.

Iconografia

O Nuberu pode ser descrito de duas formas nas tradições populares. Em algumas narrativas, é um único ser, semelhante a uma fada ou espírito poderoso; em outras, o termo designa criaturas menores, por vezes deformadas, associadas às nuvens.

Quando representado como indivíduo, costuma aparecer como um homem de aspecto rude e impressionante, com barba espessa, grandes orelhas e olhos brilhantes. É frequentemente descrito como feio, vestindo peles — especialmente de cabra —, um manto e um chapéu de aba larga, o que o aproxima visualmente de figuras como Odin ou Wotan da mitologia germânica. Em certas tradições, apresenta tamanho variável: gigantesco quando visto nos céus, mas baixo e compacto ao tocar o solo.

Seu deslocamento ocorre pelas nuvens carregadas de chuva ou, em alguns relatos, montado em um bode. Na Galícia, acredita-se que usa tamancos cujo som produz os trovões, além de portar tenazes com as quais manipula os raios.


Atributos e comportamento

O Nuberu é uma figura de comportamento imprevisível, podendo agir de forma benéfica ou destrutiva conforme o tratamento que recebe. Quando respeitado, traz chuvas equilibradas que favorecem as colheitas; quando ofendido, desencadeia tempestades violentas, ventos intensos e granizo capaz de arruinar plantações.

Algumas tradições afirmam que suas tempestades podem vir acompanhadas de sinais incomuns, como a queda de sapos ou granizo misturado a pelos de cabra. Também é associado diretamente aos relâmpagos, que pode utilizar como arma.

Arte de @ivoarte

Tradição asturiana

Uma lenda popular das Astúrias relata que o Nuberu chegou à região montado em uma nuvem, mas caiu ao chão e precisou pedir abrigo. Após ser rejeitado por várias pessoas, foi acolhido por um camponês pobre, a quem recompensou garantindo boas colheitas por meio de chuvas favoráveis.

Anos depois, esse camponês viajou até terras distantes, frequentemente identificadas como o Egito, onde acabou em situação de dificuldade. Ao procurar por Xuan Cabritu, nome pelo qual o Nuberu também é conhecido, conseguiu encontrá-lo. O espírito o ajudou a retornar às Astúrias viajando pelas nuvens, chegando a tempo de impedir o novo casamento de sua esposa, que o julgava morto.

Crenças populares

O Nuberu é frequentemente responsabilizado por tempestades e mau tempo. Para afastá-lo, diversas práticas tradicionais são registradas, sendo a mais comum o toque dos sinos das igrejas, cujo som e orações associadas seriam capazes de dispersar as nuvens carregadas.

Outros métodos incluem acender velas, queimar ramos de louro ou alecrim, posicionar ferramentas voltadas para o céu ou realizar preces a santos protetores contra tempestades, como Santa Bárbara e São Bartolomeu. Entre pescadores do Mar Cantábrico, acredita-se que o Nuberu provoca ventos fortes que podem forçar o retorno das embarcações ao porto.

Arte de Elputomensajero

Magia e tradição popular

Em algumas regiões, especialmente na Galícia e em áreas de Leão, o termo “Nubeiro” também pode se referir a humanos capazes de controlar o clima por meio de práticas mágicas. Esses indivíduos, associados a figuras como bruxos ou “tempestários”, seriam capazes de invocar tempestades e subir aos céus através de rituais, muitas vezes ligados à tradição da chamada Cueva de Salamanca.

Relatos populares mencionam ainda mulheres com esse tipo de habilidade, conhecidas como nubeiras, que herdariam esse conhecimento. Essas crenças reforçam a ligação entre o Nuberu e a ideia mais ampla de controle sobrenatural do clima, tanto por entidades míticas quanto por praticantes humanos de magia.

Origens e paralelos

Alguns estudiosos sugerem que o Nuberu pode ter origem em antigas divindades indo-europeias associadas ao céu e ao trovão, como o deus celta Taranis. Com o passar do tempo, essas figuras teriam sido reinterpretadas dentro do folclore local. Narrativas semelhantes aparecem em outras partes da Europa, com seres ligados às nuvens e às tempestades, frequentemente descritos com características incomuns ou deformadas, o que sugere a existência de temas folclóricos compartilhados entre diferentes culturas.

Arte de karoldemoon

fontes:

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13 de abril de 2026

Gisurab

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Gisurab (ou também Gisorab) é uma figura lendária oriunda do folclore do povo Isneg, nativo da província de Apayao, nas Filipinas. De aparência humana, porém de proporções colossais, ele é frequentemente associado à força bruta e ao perigo que espreita nas regiões mais remotas das florestas.

Fisicamente, Gisurab é retratado como um ser de tamanho impressionante, com corpo humano, geralmente descrito como nu e com um olfato muito apurado. Essa habilidade permite que ele localize tanto animais quanto pessoas na floresta. Ele é visto como um caçador poderoso, capaz de capturar cervos e outras presas com facilidade.


As histórias sobre o Gisurab variam bastante, mostrando que ele pode ter comportamentos muito diferentes. Em muitos relatos, ele aparece como uma criatura perigosa e violenta. Em um dos episódios mais conhecidos, um caçador tenta atacá-lo com uma lança após uma disputa por uma presa. Gisurab, porém, pega a arma e a arremessa de volta, matando o homem. Em seguida, leva tanto o caçador quanto o animal para sua caverna, onde os devora, reforçando sua imagem como predador de humanos.

Por outro lado, nem todas as histórias o retratam como maligno. Em algumas versões, o Gisurab demonstra um lado mais amigável. Em um conto, caçadores perdidos na floresta pedem fogo ao gigante, e ele os ajuda, permitindo que cozinhem seus alimentos. Há também relatos em que ele conversa com humanos e até os ajuda na caça, mostrando que, apesar de assustador, o Gisurab também pode agir com bondade.



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12 de abril de 2026

Elbst

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O Elbst é uma criatura aquática pertencente ao folclore suíço que, segundo a lenda, habita as profundezas do lago Selisbergsee, no cantão de Uri. Os primeiros relatos sobre a criatura remontam a 1584, persistindo por mais de três séculos até pelo menos 1926, com descrições que variam significativamente ao longo do tempo.

As testemunhas nunca chegaram a um consenso sobre a sua aparência. Alguns a descrevem como uma serpente colossal de cabeça imponente e quatro patas munidas de garras afiadas, assemelhando-se a um dragão. Outras narrativas pintam um ser de corpulência descomunal, comparável ao tamanho de dois barcos, com uma cabeça que lembra a de um javali. Há ainda versões que o retratam não como um réptil, mas como um "peixe monstruoso" dotado de membros.

Sua ferocidade não se limitava ao ambiente aquático. A tradição popular conta que o Elbst emergia do lago durante a noite para invadir os pastos alpinos, onde atacava e mutilava rebanhos de ovelhas, espalhando pavor entre os moradores das redondezas. No lago, sua presença era igualmente aterradora. A criatura tinha o hábito de surgir subitamente ao lado de embarcações, emergindo das profundezas para assombrar tripulantes e pescadores, para depois desaparecer tão rapidamente quanto aparecia. Este comportamento súbito e agressivo era interpretado pelos locals não como um mero acidente, mas como um presságio sombrio de tempestades que se avizinhavam.

Para uma população profundamente religiosa, a natureza inexplicável e violenta do Elbst ia além de uma simples fera; era vista como uma manifestação do sobrenatural. Muitos acreditavam piamente que a criatura era a própria Besta do Apocalipse, um sinal divino de advertência ou punição.


fonte:

  • ‌ROSE, C. Giants, monsters, and dragons : an encyclopedia of folklore, legend, and myth. New York: Norton, 2001.

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11 de abril de 2026

Bahnkauv

۞ ADM Sleipnir

Arte de Evgeny Shvenk

O Bahnkauv é uma criatura mítica do folclore da cidade de Aachen, na Alemanha, e da região da Renânia. Geralmente descrito como um monstro semelhante a um bezerro deformado, o Bahkauv está tradicionalmente associado a cursos d’água urbanos e a narrativas envolvendo homens embriagados. Ao longo dos séculos, tornou-se uma das figuras folclóricas mais conhecidas da cidade.

Etimologia

O nome Bahkauv deriva do dialeto local e pode ser interpretado como “bezerro do riacho” ou “bezerro do córrego”, refletindo tanto a aparência da criatura quanto sua ligação com canais, fontes e sistemas de esgoto.

Descrição física

Os relatos sobre a aparência do Bahkauv variam, mas apresentam elementos recorrentes. A criatura é geralmente descrita como um bezerro alongado ou deformado, com pelagem espessa e desgrenhada, olhos brilhantes, presas ou dentes afiados e uma longa cauda que se arrastava pelo chão. Algumas versões mencionam patas semelhantes às de um urso, terminando em garras, além de correntes presas ao pescoço e às pernas, cujo tilintar anunciaria sua presença nas proximidades da água.


Habitat

Segundo a tradição, o Bahkauv habitava fontes, riachos, poços e os antigos sistemas de esgoto de Aachen, incluindo áreas associadas às nascentes termais sob a cidade. Canais de drenagem antigos, como os ligados às fontes de Büchel e Kaiser, também são citados como possíveis moradias da criatura.

Comportamento e lendas

O Bahkauv é descrito como uma criatura essencialmente noturna e mais associada a travessuras do que a violência letal. Embora existam relatos isolados de mordidas — inclusive no pescoço —, a criatura não costumava matar suas vítimas. Seu comportamento mais conhecido consistia em atacar homens bêbados durante a noite: o monstro saltava sobre as costas da vítima e a obrigava a carregá-lo até em casa. Ao chegar ao destino, o Bahkauv simplesmente se soltava e desaparecia.

Uma característica recorrente das lendas afirma que o peso da criatura variava conforme o comportamento da vítima. Caso o homem tentasse rezar enquanto carregava o Bahkauv, este se tornava progressivamente mais pesado; se o xingasse ou blasfemasse, tornava-se mais leve.

Relações com outros mitos

O Bahkauv integra um motivo folclórico mais amplo presente em diversas regiões da Europa: o do ser sobrenatural que salta nas costas das pessoas e exige ser carregado. Na Alemanha, esse papel aparece em outras narrativas nas figuras do Aufhocker e do Bieresel. Outras variações de países vizinhos incluem o Ganipote (França), Uhaml (Boêmia) ou bruxas lupinas.

Interpretações modernas

Pesquisadores contemporâneos levantaram a hipótese de que essas lendas possam estar relacionadas a fenômenos neurológicos, como a sensação ilusória de carregar um peso, associada à ativação da junção temporoparietal do cérebro. Essa interpretação tem sido utilizada para explicar a recorrência desse tema em contos folclóricos de diferentes culturas.

Desaparecimento e legado

De acordo com a tradição local, o Bahkauv teria desaparecido quando as entradas para os cursos d’água subterrâneos de Aachen foram seladas, aprisionando a criatura em seu suposto habitat. Em 1902, a cidade ergueu uma estátua do Bahkauv sobre um antigo poço associado ao monstro. A escultura original foi derretida durante a Segunda Guerra Mundial, mas uma nova estátua foi inaugurada em 1967 e permanece até hoje como símbolo do folclore local.

Foto por Dom Broadley


fontes:


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9 de abril de 2026

Flidais

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Flidais (também grafada como Flidas, Fliodhas ou Fliodhais), às vezes chamada pelo epíteto Foltchaín (“a de belos cabelos”), é uma importante deusa da mitologia celta/irlandesa. Associada às feras, à fertilidade e à abundância, ela representa a ligação entre o mundo doméstico e a natureza selvagem. Por isso, é vista tanto como senhora dos rebanhos quanto como soberana dos animais da floresta, especialmente os cervos. Em várias tradições, Flidais é descrita viajando em uma carruagem puxada por cervos.

Flidais aparece em várias fontes antigas da literatura irlandesa. No Metrical Dindshenchas, ela é citada como mãe de Fand (consorte do deus do mar Manannán mac Lir). Já o Lebor Gabála Érenn atribui a ela outros filhos, como Argoen, Bé Téite, Dinand e Bé Chuille. Duas dessas filhas, Dinand e Bé Chuille, mostram aspectos contraditórios: em um texto são descritas como "agricultoras", mas em outro, durante a Segunda Batalha de Moytura,  surgem como feiticeiras poderosas, prometendo usar magia para transmutar árvores, pedras e o solo em um exército contra os Fomorianos.


No glossário medieval Cóir Anmann (“A Adequação dos Nomes”), Flidais é apresentada como consorte do grande rei Adamair e mãe de Nia Segamain. O nome de seu filho, que pode ser entendido como “Campeão das Corças”, ajuda a explicar os poderes da deusa: graças à herança de Flidais, Nia Segamain conseguia ordenhar corças selvagens como se fossem vacas domésticas, o que reforça o domínio de sua mãe sobre os animais da floresta.

Flidais possui um papel de destaque no Ciclo de Ulster. No conto Táin Bó Flidhais (“A Incursão ao Gado de Flidais”), ela abandona o marido Ailill Finn para se unir ao herói Fergus mac Róich. Outro texto, o Scéla Conchobair (“As Notícias de Conchobar”), afirma que Fergus, famoso por sua força e vigor sexual, precisava de sete mulheres para satisfazê-lo, exceto quando estava com Flidais. Durante os eventos do Táin Bó Cúailnge, o rebanho mágico da deusa, liderado por sua vaca Maol. fornecia leite suficiente para sustentar todo o exército de Fergus e da rainha Medb.


fontes:
  • MONAGHAN, P. Encyclopedia of goddesses and heroines. Novato, California: New World Library, 2014.
  • MONAGHAN, P. The encyclopedia of Celtic mythology and folklore. New York, N.Y.: Checkmark Books, 2008.


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8 de abril de 2026

Porco Preto

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O Porco Preto é uma entidade do folclore brasileiro associada a narrativas populares das regiões Sul e Sudeste, com registros no município de Campo Largo, no estado do Paraná, e em São Luís do Paraitinga, no estado de São Paulo. Trata-se de uma criatura descrita como um porco de grandes proporções, de coloração negra intensa, que surge em estradas durante noites escuras.

Em Campo Largo, acredita-se que o Porco Preto aparece em estradas ermas, onde persegue pessoas e animais de forma agressiva. É considerado invulnerável a ataques físicos, não sendo afetado por paus, pedras ou disparos de arma de fogo. Segundo os relatos, a perseguição persiste até que a vítima alcance uma área habitada, momento em que a entidade desaparece subitamente. Já em São Luís do Paraitinga, no antigo beco do Império (atual rua da Ponte), sobre o rio Paraitinga, a tradição descreve a aparição de um grande porco negro que, à meia-noite, atravessa repetidamente a estrada de um lado a outro, sem jamais ser capturado. Nessa variante, a entidade apresenta um caráter mais elusivo do que agressivo, ressaltando sua natureza misteriosa e inatingível.


fontes:
  • ALCEU MAYNARD ARAÚJO. Estórias e lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ed. Literat. 1962;
  • CASCUDO, L. DA C. Dicionario do folclore brasileiro. 9° Edição. 2000.

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7 de abril de 2026

Geochinyeo

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Geochinyeo (coreano: 거치녀; hanja: 鋸齒女, literalmente “mulher de dentes serrilhados”) é uma criatura do folclore coreano registrada em obras históricas como o Gieon (1) (coreano 기언, “Registros de Palavras”) e o Yeollyeosil Gisul (2) (coreano 연려실기술, “Registros do Pavilhão da Lamparina"). É descrita como uma figura feminina monstruosa, caracterizada por dentes semelhantes a lâminas de serra e uma aparência aterradora. Em algumas fontes, também é chamada de Gapsan-gwae (coreano 갑산괴, “monstro de Gapsan”), em referência ao local onde teria sido avistada.

Registros históricos

O principal relato envolvendo a Geochinyeo data do ano de 1583, durante o reinado do rei Seonjo, na dinastia Joseon. Nesse período, o erudito Heo Bong (1551–1588), após ser alvo de intrigas políticas, foi exilado para a região de Gapsan, na província de Hamgyeong.

Segundo a tradição, naquele verão surgiu na região uma figura feminina monstruosa, descrita como possuidora de grandes dentes serrilhados e cabelos desgrenhados. A entidade carregava um arco na mão esquerda e fogo na mão direita, compondo uma imagem incomum e aterradora. Os soldados locais teriam conseguido expulsá-la por meio de práticas rituais e militares, como o toque de tambores e o disparo de flechas.


Após o ocorrido, Heo Bong teria composto um texto de caráter apotropaico conhecido como Chukryeomun (coreano 축려문, “Texto para Expulsar Espíritos Malignos”), destinado a afastar influências malignas. Ao tomar conhecimento desse episódio, o erudito Park Jihwa (1513–1592) teria interpretado a aparição como um presságio, prevendo que, dentro de dez anos, uma grande calamidade surgiria a partir do sul.

Interpretação

A aparição da Geochinyeo é frequentemente interpretada, nas fontes tradicionais, como um presságio da Guerra Imjin (1592–1598), conflito que marcou a invasão japonesa da Coreia. A associação simbólica decorre, em parte, da análise do caractere chinês 倭 (wae), utilizado para designar os japoneses, cuja composição gráfica foi interpretada como evocando elementos semelhantes a um arco e ao fogo — atributos que a criatura portava.

Uma explicação semelhante pode ser encontrada no romance militar anônimo Imjinrok (coreano 임진록,“Registro da Guerra Imjin” ou “Crônicas do Ano Imjin”), no qual eventos sobrenaturais são frequentemente apresentados como sinais precursores de grandes acontecimentos históricos.

Notas:

  • (1) Uma coleção de poemas e prosa de Heo Mok, um funcionário público e erudito do final da Dinastia Joseon, compilada e publicada em 1689;
  • (2) Um livro de história escrito pelo falecido estudioso da Dinastia Joseon, Yi Geung-ik, que descreve a política, a sociedade e a cultura da Dinastia Joseon em forma de narrativa.

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6 de abril de 2026

Bila

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Bila (também registrada como Belah) é a personificação do sol na mitologia do povo Adnyamathanha, da região da Cordilheira de Flinders, no sul da Austrália. Ela é descrita como uma deusa solar, refletindo uma característica comum a muitas tradições aborígenes australianas, nas quais o Sol é concebido como uma entidade feminina.

Na mitologia Adnyamathanha, Bila é retratada como uma figura perigosa e canibal. Segundo os relatos, ela iluminava o mundo ao assar suas vítimas sobre uma fogueira, sendo o fogo a origem da luz solar. Para capturar essas vítimas, Bila enviava cães negros e vermelhos, que as arrastavam até ela, e algumas narrativas afirmam que suas ações resultaram até mesmo na destruição completa de aldeias inteiras.

Esses atos despertaram a indignação dos Homens-Lagarto, figuras míticas associadas aos répteis. Entre eles destacam-se Kudnu, o goanna (lagarto-monitor), e Muda, a lagartixa. Horrorizados com o comportamento de Bila, eles a atacaram, e durante o confronto Kudnu a feriu com um bumerangue. Como consequência, Bila fugiu, retirando o Sol do céu e mergulhando o mundo na escuridão. 

Para restaurar a luz, Kudnu lançou seu bumerangue em diferentes direções. Primeiro para o norte, depois para o oeste e para o sul, sem obter sucesso. Por fim, ao arremessá-lo para o leste, o bumerangue capturou Bila e a obrigou a percorrer um arco lento pelo céu, elevando-se acima do horizonte e retornando em direção ao oeste. Esse movimento passou a explicar o trajeto diário do Sol no firmamento e o retorno da luz ao mundo. Como reconhecimento pelo feito de Kudnu e pela salvação da humanidade, os Adnyamathanha passaram a tratar com respeito os lagartos, especialmente os goannas e as lagartixas, que não devem ser mortos. 

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5 de abril de 2026

Yun Zhongjun

۞ ADM Sleipnir

Arte de Lu Mingshan

Yun Zhongjun (chinês: 云中君; pinyin: Yún Zhōng Jūn; “Senhor das Nuvens”) é uma divindade da mitologia chinesa antiga, especialmente associada à cultura do Estado de Chu durante o período pré-Qin (anterior ao século III a.C.). Ele é conhecido principalmente como o deus das nuvens, embora também tenha sido interpretado por alguns estudiosos como uma divindade da chuva, das águas ou até mesmo da lua. Nos poemas antigos, Yun Zhongjun é retratado como uma divindade que percorre os céus montado em um dragão, trajando vestes imperiais.

Origem e relações simbólicas

O nome Yun Zhongjun aparece em textos clássicos como o Chu Ci (“Canções de Chu”), especialmente na seção Jiu Ge (“Nove Cantos”), bem como no Livro dos Han, na seção “Registro dos Sacrifícios às Divindades”. Na tradição literária, ele integra um sistema simbólico ao lado de Dongjun (“Senhor do Leste”), representando forças naturais e princípios celestes ligados ao clima. Seu culto tem raízes nos antigos rituais do Estado de Chu, associados a divindades do fogo e do raio, como Zhurong e Wuhui.

Arte de Dongying Wu

Interpretações e teorias

Há debates quanto ao gênero da divindade. O título “Jun” (君), empregado no Chu Ci, geralmente designa entidades masculinas, embora não haja confirmação definitiva nesse caso. O intelectual Guo Moruo, em sua tradução moderna das obras de Qu Yuan, reinterpretou Yun Zhongjun como uma figura feminina graciosa, associando-a de forma romântica ao Grande Mestre do Destino (Da Siming), o que gerou controvérsias entre estudiosos.

Outras interpretações sugerem diferentes naturezas para a divindade. Estudiosos como Wang Kaiyun (王闿运, 1833–1916)  e Chen Peishou (陈培寿, ativo no final da dinastia Qing e início do século XX) a identificaram como um deus das águas ligado ao lago Yunmengze, enquanto o poeta Jiang Liangfu (姜亮夫, 1902–1982) propôs uma associação com a lua, com base em descrições poéticas de brilho e movimento celestial. 

Na arte e na cultura popular

Em 1954, o pintor Fu Baoshi, inspirado pela interpretação de Guo Moruo, criou a obra Yún Zhōng Jūn hé Dà Sīmìng (云中君和大司命, "O Senhor das Nuvens e o Grande Mestre do Destino"), na qual a divindade é representada como uma jovem conduzindo uma carruagem puxada por dragões.


No mobile game Honor of Kings, Yun Zhongjun dá nome a um guerreiro aéreo de aparência etérea e elegância sobrenatural. Ele domina os ventos e as correntes celestes, movendo-se com grande velocidade e leveza. Sua história dentro do jogo o descreve como um espírito livre ligado ao céu, simbolizando liberdade e poder natural.

fontes:


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4 de abril de 2026

Entreaberto

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O Entreaberto é uma entidade do folclore português descrita como guardiã sobrenatural de tesouros ocultos. Costuma aparecer como uma figura demoníaca ou espectral, com brasas ou fogo nas costas, sendo associada a ruínas e locais onde haveria riquezas enterradas. Os primeiros registros a seu respeito datam do século XVII, incluindo menções em processos da Inquisição. No século XIX, estudiosos como Teófilo Braga e Consiglieri Pedroso documentaram a lenda em várias regiões de Portugal.

O Entreaberto manifesta-se ao meio-dia ou à meia-noite, geralmente em locais isolados. Ao encontrar alguém, ordena que a pessoa cave um ponto no solo. Se obedecer, a vítima morre ou é soterrada. A única forma de escapar é responder “cava tu”, obrigando a entidade a cavar e revelar o tesouro antes de desaparecer. Segundo a tradição, o tesouro precisa ser “fixado” com três gotas de sangue, caso contrário se transforma em carvão ou pedra.

A lenda do Entreaberto é interpretada como um mito de origem solar ou como uma narrativa moral contra a avareza, enfatizando que riqueza fácil pode ser fatal sem astúcia e sacrifício.


fonte:

  • BRAGA, Teófilo. O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições. Lisboa: Livraria Ferreira, 1885.

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Ruby