2 de março de 2026

Bida

۞ ADM Sleipnir

Arte de Gonzalo Kenny

Bida é uma criatura mítica da tradição oral do povo soninke (soninquê), ligada ao antigo reino de Wagadu, também conhecido como Império de Gana. Trata-se de um espírito tutelar em forma de grande serpente — cujo nome pode significar “boa” ou “píton” em soninquê — associado à proteção do reino e da linhagem governante dos Cissé. A morte de Bida é tradicionalmente empregada nas narrativas como explicação mítica para o declínio de Wagadu. Como ocorre em tradições orais, o mito apresenta numerosas variantes regionais, linguísticas e étnicas.

Descrição física

A descrição física de Bida não é uniforme. Em muitas versões, ela aparece simplesmente como uma serpente gigantesca ou píton sagrada. A representação de Bida como uma serpente de múltiplas cabeças — por vezes sete — pertence a variantes orais específicas, especialmente em tradições mandingas e diúla. Nessas versões, a serpente pode emergir do poço revelando suas cabeças sucessivamente antes de devorar a vítima, reforçando o simbolismo ritual do número sete.

Origem e papel mítico

Segundo as tradições soninquês, a origem do pacto com Bida remonta ao seu ancestral, Dinga, que teria migrado do norte da África para a região do Sahel. Seu filho, Dyabé (ou Diabé), ao se estabelecer em Wagadu, firmou uma aliança com a serpente Bida, que passou a proteger o reino e sua dinastia. Em troca, a comunidade deveria oferecer regularmente o sacrifício da jovem virgem mais bela da região, escolhida ritualmente.

Bida era concebida como habitando um local sagrado — frequentemente um poço ou aquífero próximo à capital, Kumbi Saleh — e controlava forças vitais ligadas à chuva, à fertilidade da terra e à abundância do ouro. O cumprimento do pacto assegurava a prosperidade do reino; sua violação, por outro lado, acarretaria consequências catastróficas.

A periodicidade e os detalhes do sacrifício variam conforme a versão: em algumas narrativas, ele ocorria anualmente ao fim da estação seca, presidido pelo soberano de Wagadu (o Kaya Maghan), e envolvia procissões rituais e trajes cerimoniais específicos.

Arte de Rahif El Mehdi


O sacrifício e a ruptura do pacto

Uma das variantes mais difundidas do mito envolve Siya Yatabaré (ou Sia Jatta Bari)a mais bela e pura jovem de sua geração. Embora estivesse prometida em casamento, ela foi escolhida para ser oferecida a Bida, conforme o costume. Ela estava prometida em casamento a um homem chamado Amadi, Mamadi ou Maadi (conforme a tradição local). Recusando-se a aceitar a morte da noiva, ele se escondeu próximo ao local sagrado onde ocorreria o ritual.

Quando Bida emergiu para devorar a jovem, Amadi atacou a serpente e a matou — em algumas versões, decapitando-a; em outras, golpeando-a repetidamente. Esse ato rompeu definitivamente o pacto que sustentava a prosperidade de Wagadu.

Variantes da lenda atribuem a morte da Bida não ao noivo de Siya Yatabaré, mas ao pai da jovem, Yiramakan

A maldição de Bida

Antes de morrer, Bida lançou uma maldição sobre Wagadu. Segundo a versão mais recorrente da lenda, a serpente anunciou que, por sete anos, sete meses e sete dias, não cairia chuva nem haveria ouro no reino. Com a morte de Bida, o pacto foi definitivamente rompido.

A tradição oral interpreta esses eventos como a causa da decadência de Wagadu e da dispersão dos soninquês por outras regiões da África Ocidental. Em algumas variantes, partes do corpo de Bida transformam-se simbolicamente em jazidas de ouro em regiões vizinhas, explicando a posterior prosperidade de outros reinos da região.

Arte do livro  La légende du Ouagadou Bida, por Svetlana Amegankpoé

fontes:



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1 de março de 2026

Hugag

۞ ADM Sleipnir


O Hugag é uma criatura lendária do folclore lenhador norte-americano, associada à região dos Grandes Lagos. É descrito como um animal de grande porte, superficialmente semelhante a um alce, porém dotado de características físicas incomuns e fantásticas.

Segundo as descrições folclóricas, o Hugag é um quadrúpede peludo que pode ultrapassar três toneladas de peso. Diferentemente dos alces, possui dedos em vez de cascos e uma cauda longa semelhante à de um cavalo. Sua cabeça é descrita como completamente sem pelos, contrastando com o restante do corpo, que é coberto por uma pelagem espessa. As orelhas são corrugadas, sendo frequentemente comparadas à cauda de uma anhinga, ave aquática da América do Norte. A função dessas características é desconhecida.


O Hugag apresenta um lábio superior anormalmente inchado, que se projeta quase até o solo. De acordo com o folclore, esse lábio é utilizado para raspar agulhas e pequenos galhos de pinheiros. Parte dessas agulhas seria consumida como alimento, enquanto o restante seria usado para revestir o corpo, substituindo os pelos naturais. As agulhas permaneceriam presas graças à resina de pinheiro, que escorreria dos poros do animal.

Uma das características mais distintivas do Hugag é a ausência de articulações nas pernas. Os quatro membros seriam completamente rígidos, impossibilitando qualquer tipo de flexão. Em razão disso, o animal se deslocaria de maneira desajeitada, balançando o corpo de um lado para o outro ao caminhar. De acordo com as narrativas, o Hugag seria incapaz de se levantar caso se deitasse, sendo assim obrigado a dormir em pé, apoiando-se contra árvores, especialmente os pinheiros dos quais se alimenta.

O folclore dos lenhadores também descreve um método específico utilizado para caçar o Hugag. Os caçadores identificariam os pinheiros usados pelo animal para descanso, reconhecíveis pela ausência de agulhas e pelo tronco inclinado. Essas árvores seriam então parcialmente serradas, de modo que permanecessem de pé, porém instáveis. Quando o Hugag voltava a se apoiar nelas, tanto a árvore quanto o animal cairiam ao chão, permitindo que os caçadores o abatessem enquanto estava indefeso.

Arte de Andy Vanderbilt

fontes:



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Ruby