18 de dezembro de 2024

Pu'iito, a Personificação do Ânus

۞ ADM Sleipnir

Pu’iito é o personagem de um mito contado entre os índios Taulipang (ou Taurepang, auto-denominados Pemon), e que busca explicar a origem do ânus dos homens e dos animais. Ele foi registrado em 1905 pelo etnólogo e explorador alemão Theodor Koch-Grunberg, junto ao seu principal informante, o índio Mayuluaipu, que a narrou assim:

"No passado distante, os animais e as pessoas não tinham ânus para defecar. Acredito que eles defecavam pela boca. Pu’iito, o ânus, vagava por aí, lentamente e cautelosamente, peidando nos rostos dos animais e das pessoas, e depois fugia. Então os animais disseram: "Vamos pegar Pu’iito, para que possamos dividi-lo entre nós!". Muitos se reuniram e disseram: "Vamos fingir que estamos dormindo! Quando ele chegar, nós o pegaremos!". E foi o que fizeram. Pu’iito chegou e peidou no rosto de um deles. Eles correram atrás de Pu’iito, mas não conseguiram pegá-lo e ficaram para trás.

Os papagaios Kuliwaí e Kaliká se aproximaram de Pu’iito. Eles correram muito. Finalmente, o pegaram e o amarraram. Então chegaram os outros, que tinham ficado para trás: a anta, o veado, o mutum, o jacu, o cujubim e o pombo. Eles começaram a dividi-lo. A anta pediu ansiosamente um pedaço. Os papagaios cortaram um grande pedaço e o jogaram para os outros animais. A anta imediatamente o pegou. É por isso que o ânus dela é tão grande.

O papagaio cortou um pedaço pequeno, adequado ao seu tamanho. O veado recebeu um pedaço menor que o da anta. Os pombos pegaram um pedaço pequeno. O sapo chegou e pediu que lhe dessem um pedaço também. Os papagaios jogaram um pedaço na sua direção, que grudou nas suas costas: é por isso que, até hoje, o ânus do sapo está nas suas costas.

Foi assim que adquirimos nossos ânus. Se não os tivéssemos hoje, teríamos que defecar pela boca ou explodir."

Na avaliação de Koch-Grünberg, Pu’iito é "indiscutivelmente a personificação mais estranha de que temos registro". 

fonte:

  • THEODOR KOCH-GRÜNBERG. Mitos e lendas dos indios Taulipáng e Arekuná. [s.l: s.n.].
  • O medo dos outros. Eduardo Viveiros de Castro, Beatriz Perrone-Moisés. Revista de Antropologia, Vol. 54, No. 2 (julho-dezembro 2011), pp. 885-917 (33 pages). Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/43923890>.
  • TSAGDIS, Georgios. The Parody of Matter: Bataille, Pu’iito, Tlazolteotl, and the Filth to Come. In: # PLACEHOLDER_PARENT_METADATA_VALUE#. TU Wien Academic Press, 2024. p. 205-230.

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4 comentários:

  1. pqp qm inventou isso KKKKKKKKKK

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  2. Se a gente for cavar os mitos do Brasil profundo afora... É cada estória, viu!!!!
    Eu já li uma estória indígena da origem do "pinto", mas do "c*" descobri agora. rsrsssrs

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    Respostas
    1. Tem várias histórias indígenas recheadas dessas coisas. Vou ver se consigo trazer mais algumas.

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    2. Fico grato.
      E eu também gostaria de sugerir você postar sobre a Sereia do Abaeté, uma lenda bastante popular aqui em Salvador-BA, que conta de uma sereia que vive dentro da turística Lagoa do Abaeté, no bairro de Itapuã (que Caymmi cantava em suas músicas). Dizem que ela é a causadora dos muitos afogamentos na lagoa de águas escuras/negras, e o governo (ou prefeitura, não sei ao certo quem) há muitos anos colocou uma rede de proteção na água limitando até onde banhistas podem entrar.
      Se você buscar "Sereia do Abaeté" no Google, a I.A. vai te dar uma descrição breve da lenda e indicar sites em que se aprofundar.
      Obs.: Na pesquisa você provavelmente encontrará imagens da estátua da Sereia de Itapuã, que não se refere à mesma lenda, mas sim uma escultura da deusa Yemanjá. (Uma versão diz que a Sereia do Abaeté é Janaína, filha de Yemanjá.)

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