15 de junho de 2022

Palhaço do Coqueiro

۞ ADM Sleipnir

O Palhaço do Coqueiro é uma lenda pernambucana, mais precisamente do bairro de Janga, no município de Paulista. A lenda fala sobre um homem, filho de um palhaço muito famoso, e que orgulhoso do que o pai fazia, desejava se tornar um palhaço tão bom quanto ele. Infelizmente, suas performances no picadeiro eram muito ruins, sendo incapaz de fazer a platéia rir.

Com o passar do tempo, esse homem acabou enlouquecendo e então abandonou o circo. Em noites de lua minguante, ele buscava subir em coqueiros para poder observá-la mais de perto, pois ela parecia ser a única a sorrir para ele. Porém, quando uma nuvem passava na frente da lua e cobria o "sorriso" dela, ele descia do coqueiro e então procurava observar outros sorrisos: os das pessoas. 

Sempre que encontrava alguém caminhando pela rua, o louco palhaço dava início ao seu show, tentando de toda forma arrancar um sorriso de seu espectador. De acordo com a lenda, aqueles que não rirem de suas palhaçadas eram castigadas por ele, muitas vezes chegando ao ponto de serem mortas. O palhaço então continua a perseguir as pessoas até que a lua minguante volte a sorrir nos céus, e ele possa voltar a admirá-la de cima dos coqueiros.

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

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14 de junho de 2022

Amatsu-Mikaboshi

۞ ADM Sleipnir


Amatsu-Mikaboshi (天津甕星, A “Temida Estrela do Céu”; também conhecido apenas como Mikaboshi ou como Ame-no-kagaseo (天香香背男, algo como "Homem Brilhante") é um kami (deus) xintoísta associado às estrelas e uma das raras divindades xintoístas a ser definitivamente retratada como malévola. Algumas fontes afirmam que ele foi uma das divindades a nascerem do sangue do deus Kagutsuchi, após o mesmo ser morto pelo pai Izanagi

Mikaboshi é mencionado no Nihon Shoki ("Crônicas do Japão") como a última divindade a resistir ao Kuni-Yuzuri (a transferência do governo do Japão dos kamis terrenos para os kamis celestes), sendo subjulgado pelo kami do trovão Takemikazuchi. Alguns historiadores teorizaram que ele era um deus das estrelas adorado por uma tribo que resistia à soberania do clã Yamato.


Sob a influência budista chinesa, Amatsu-Mikaboshi  foi identificado com Myōken como a deificação da estrela polar (Vênus),  antes de ser combinado com o deus de todas as estrelas, Ama-no-mi-naka-nushi (天之御中主神, "Senhor Divino dos céus médios") 

Cultura Popular
  • Amatsu-Mikaboshi, o Rei do Caos, aparece nos quadrinhos americanos publicados pela Marvel Comics, sendo geralmente descrito como um supervilão e um deus demoníaco do mal que é mais conhecido como inimigo de Hércules e Thor. Ele apareceu pela primeira vez em Thor: Juramento de Sangue  #6 (fevereiro de 2006). Posteriormente aparece em Ares #1-5 (março-julho de 2006), e O Incrível Hércules #117-120 (maio-agosto de 2008).
  • Em Hanyō no Yashahime (japonês 半妖の夜叉姫, "Yashahime: Princesas Meio-Youkai"), anime spinoff do mangá/anime Inuyasha, Amatsumikaboshi é o deus das estrelas que forjou e presenteou as espadas demoniacas Zanseiken e Bakuseiken aos personagens Towa Higurashi e Kirinmaru
Mikaboshi (Marvel)

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13 de junho de 2022

Bjarndýrakóngur

۞ ADM Sleipnir

Arte de 
@CharliCreatures

Bjarndýrakóngur (“rei urso” em islandês, também chamado de Einhyrningur, "unicórnio" em islandês) é uma criatura mitológica originária da Islândia, reputada como o rei de todos os ursos. Conta-se que ele é a prole de um urso polar feminino com uma morsa. Maior que um urso polar comum, um Bjarndýrakóngur possui bochechas avermelhadas e um chifre no meio da testa, com uma espécie de globo de platina na ponta. O globo emite um brilho intenso que permite ao Bjarndýrakóngur iluminar seu caminho através da escuridão.

O Bjarndýrakóngur é tão sábio e nobre quanto poderoso. Ele entende a fala humana e exige lealdade e obediência dos outros ursos polares. Embora seja capaz de matar os outros facilmente com seu chifre, ele só o faz em autodefesa ou quando é irritado.

Arte de Pat Burroughs

Uma história conta que no século XVIII, durante um culto de Pentecostes na igreja Miðgarðar em Grímsey, uma procissão de doze ou treze ursos polares foi vista se aproximando dos arredores da ilha, liderados por um majestoso e benevolente Bjarndýrakóngur. O clérigo da igreja cumprimentou-os em trajes completos, assim como a congregação, e curvou-se ao rei, que retribuiu a reverência. Após o encontro, o Bjarndýrakóngur continuou a liderar seus súditos pelo sul da Islândia. Perto de Borgamór, os ursos encontraram algumas ovelhas e o último da fila matou uma delas. Quando o Bjarndýrakóngur viu isso, ele imediatamente transpassou o urso com o seu chifre ferindo-o mortalmente. Depois disso, o grupo marchou para o sul, em direção a Grenivík, onde conta-se que eles desapareceram no mar.

O único animal dito capaz de desafiar o Bjarndýrakóngur é um Redcheek (ou Redjowl). Este é um urso polar altamente agressivo, com coloração rosa avermelhada distinta em uma das bochechas. Um Redcheek atacará qualquer animal ou homem que encontrar pelo caminho, mas no rei dos ursos ele encontra um adversário formidável.


fontes:
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10 de junho de 2022

Okpe

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Okpe é um enorme ogro quadrúpede pertencente ao folclore dos tehuelches, povo ameríndio nativo da Patagônia (e por isso também conhecidos como patagônios). Ele é bem maior que um humano e se assemelha a um porco na aparência, porém seu corpo é revestido de rochas sólidas, não possuindo pontos fracos que permitam ser ferido e tornando-o virtualmente invencível contra ataques de armas convencionais. 

De natureza carnívora, o Okpe tem como prato preferido a carne de crianças humanas. Para atraí-las, ele utiliza como isca carne assada roubada de adultos, os quais ele ataca e mata para consegui-la. Assim que uma criança sente o cheiro da carne e vem até ele, o Okpe a pega e a atira em suas costas, carregando-a até o seu covil para devorá-la. Uma vez pega, a criança só conseguirá escapar dele caso tenha a sorte de agarrar o galho de uma árvore durante o trajeto do Okpe até seu covil.

Uma história conta que certa vez, o Okpe sequestrou uma criança mais velha, que teve a coragem e a esperteza de se segurar em um galho de árvore enquanto era sequestrada por ele. Enquanto o Okpe procurava por ela, a criança retornou para a sua aldeia, e ao contar aos adultos o que aconteceu, eles armaram uma armadilha para pegá-lo. Eles abateram uma égua, e depois de remover sua pele, a esticaram no chão da entrada da aldeia. Quando o Okpe chegou correndo atrás da criança, ele acabou escorregando na pele esticada e caiu com tanta força que sua pele de pedra estalou, produzindo um barulho semelhante ao de um trovão. Não tendo conseguido recuperar sua caça, o Okpe chorou tanto que suas lágrimas provocaram uma inundação que chegou até a altura de seus dentes. Por fim, as lágrimas pararam, mas apenas porque o Okpe temia se afogar. As terras secaram depois de um tempo, e desde então o Okpe nunca mais incomodou os Tehuelches.

Arte de Ognimdo2002

fontes:

  • https://mythicalmonstersandcreaturez.blogspot.com/2018/04/argentinian-myth-monsters.html
  • https://abookofcreatures.com/

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9 de junho de 2022

Shax

۞ ADM Sleipnir

Arte de Juan del pino

Shax (também Chax, Scox, Shan, Shass, Shaz) é de acordo com a demonologia um grande marquês (ou duque) do inferno e possui trinta legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 44° dentre os 72 espíritos de Salomão. Ele aparece diante de seu invocador sob a forma de uma grande cegonha ou pombo, e discursa com uma voz rouca, porém sutil. A menos que seja conjurado dentro de um triângulo, Shax irá iludir e enganar seu invocador falando somente mentiras. 


Shax é invocado por sua habilidade de descobrir a localização de tesouros e outras coisas que estejam escondidas e não guardadas por espíritos malignos, e também de ser capaz de trazer até o seu invocador qualquer coisa que ele pedir, transportando-as de qualquer distância. Ele também pode remover a visão, a audição e a capacidade de entendimento de qualquer pessoa se assim o seu invocador desejar. Ele geralmente concede bons espíritos familiares ao seu invocador. Ainda, sob o comando do magista, Shax rouba ouro e cavalos de reis, os quais ele devolverá depois de 1,200 anos.


Selo de Shax

Cultura Popular
  • Assim como outros espíritos goetianos, Shax aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei. aparecendo também em Final Fantasy XI online;
  • Em Tome of Magic: Pact, Shadow and True Name Magic, suplemento de Dungeons & Dragons lançado em 2006, Shax aparece como um "vestígio" com o qual os personagens podem fazer um pacto em troca de poder;
  • Shax apareceu duas vezes na série Jovens Bruxas, onde se manifestou como o assassino pessoal da Fonte de Todo o Mal. Ele aparece como uma personificação maligna do ar, aparecendo e desaparecendo sobrenaturalmente em rajadas repentinas de vento, e matando seus alvos com grandes rajadas de energia eólica.
  • Em Caçadores das Sombras, Shax é o nome de uma classe de demônios parasitas;
  • No mangá Angel Sanctuary, Shax é um dos lordes demônios encontrados no inferno; 
  • No mangá e anime Magi: The Labyrinth of MagicShax é o  Djinn de Nerva Julius Caluades, príncipe imperial do Império Reim;
  • Em Mairimashita! Iruma-kun, Shax Lied é um estudante do segundo ano que frequenta a Escola de Demônios Babyls ao lado de Iruma Suzuki na Classe Anormal;
  • Shax aparece ainda em BPRD: The Soul of Venice, uma história em quadrinhos publicada em 2003  e integrante do universo Hellboy.



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8 de junho de 2022

Tamba-tajá

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

O mito de origem do Tamba-tajá é um mito amazônico comumente atribuído à tribo indígena Macuxi, e narra a história de um casal indígena que, mesmo após a morte, permaneceria unido. 

Segundo o mito, a muito tempo viveu um forte e inteligente índio guerreiro macuxi, que se apaixonou por uma bela índia de sua tribo. Ela correspondeu aos seus sentimentos, e logo tornaram-se marido e mulher. Os dois se amavam tanto que eram inseparáveis: se ele ia pescar, caçar ou roçar, ela ia junto; se ele ia se banhar, ela também ia para se banharem juntos. Eles viveram felizes por um tempo, até que uma grave doença acometeu a índia e a tornou paralítica. Para não se separar de sua amada, o índio teceu uma tipóia e a usou para carregar a índia em suas costas, podendo assim levá-la para todos os lugares que ele fosse.

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Certo dia, o índio sentiu que sua carga estava mais pesada que o normal e, ao parar um pouco para descansar, percebeu que sua amada esposa havia falecido. Carregando-a uma última vez em seus braços, o triste índio foi até a beira de um igarapé e cavou uma enorme cova. Nela, depositou não só o corpo de sua amada, mas também o seu próprio, pois para ele não havia mais razão para continuar vivendo.

Passadas nove luas, no local onde jazia o casal, surgiu uma planta nunca antes vista até então. Era a Tamba-tajá, uma planta de folhas triangulares, de cor verde escura, e que traz em seu verso uma outra folha de tamanho reduzido, cujo formato se assemelha ao órgão genital feminino. A união das duas folhas simboliza o grande amor existente entre o casal.

Ao Tambá-tajá costumam ser atribuídos poderes místicos, como uma espécie de talismã do amor. Dizem que se em uma determinada casa a planta crescer viçosa com folhas exuberantes, trazendo no seu verso a folha menor, é sinal que ali existe muito amor. Porém, se nas folhas grandes não existirem as pequeninas, é porque não há amor. Ainda, se a planta apresentar mais de uma folhinha em seu verso, acredita-se então que existe infidelidade entre o casal.


Cultura Popular

O maestro Waldemar Henrique (1905-1995) compôs no ano de 1934 uma canção inspirada nesse mito. Essa canção foi gravada posteriormente pela cantora Fafá de Belém em seu álbum de estréia, "Tambá-Tajá" (1976).

"Tamba-Tajá

Me faz feliz

Que meu amor me queira bem...

Que seu amor seja só meu, 

De mais ninguém,

Que seja meu,

Todinho meu,

De mais ninguém...


Tamba-Tajá,

Me faz feliz

Assim o índio carregou sua Macuxi

Para o roçado, para a guerra, para a morte...

Assim carregue o nosso amor a boa sorte...

Tamba-Tajá...


Tamba-Tajá,

Me faz feliz,

Que mais ninguém possa beijar o que beijei,

Que mais ninguém escute aquilo que escutei

Nem possa olhar dentro dos olhos que olhei

Tamba-Tajá..."

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

fontes:

  • https://portalamazonia.com/amazonia-az/letra-l/lenda-da-tamba-taja
  • http://vozativamadrigal.blogspot.com/2008/11/o-compositor-paraense-waldemar-henrique.html
  • http://sacizaldospereres.blogspot.com/2016/03/tamba-taja.html

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7 de junho de 2022

Illhveli, as "Baleias do Mal"

۞ ADM Sleipnir

Taumafiskur, arte de Jose Muñoz

As Illhveli, ou “baleias do mal” são um grupo composto por dez baleias míticas que dizem terem vagado durante os tempos medievais pelas águas que rodeiam a Islândia. Elas são consideradas muito perigosas, pois possuem uma obsessão realmente perturbadora em destruir navios e tirar a vida de marinheiros. Seus nomes são Lyngbakur, Nauthveli, Sverdhvalur, Raudkembingur, MushveliStokkull, Hrosshvalur, TaumafiskurKatthveli e Skeljungur. Acreditava-se que apenas mencionar seus nomes já traria infortúnios sobre aqueles que o fizessem. 

Illhvelis variam em tamanho, com algumas delas sendo menores que a maioria das embarcações (ex. Katthveli), enquanto outras são tão grandes que poderiam ser confundidas com ilhas (ex. Lyngbakur). Outra característica interessante que essas baleias possuem é que algumas delas possuem uma aparência que remete a animais terrestres, como por exemplo a Hrosshvalur que se assemelha a um cavalo e a Katthveli que possui traços felinos.

Arte de Cyclone62

Enquanto elas possuem suas diferenças entre as espécies, as Illhvelis possuem duas coisas em comum:

  1. São criaturas malignas por natureza, tendo prazer em destruir as embarcações que encontram pelo caminho. Das dez, a Skeljungur é uma exceção ocasional, possuindo inclusive histórias onde ela ajuda humanos a confrontarem outras baleias;
  2. A carne de uma Illhveli não é comestível (exceção unicamente feita à carne da Skeljungur). Tentar cozinhar a carne de uma Illhveli fará com que ela desapareça de sua panela repentinamente. Além disso, apenas a tentativa de fazê-lo era considerado um crime.

Illhvelis gostam de destruir navios cada uma à sua maneira. Um Mushveli, por exemplo, usa sua caudas para se agarrar aos navios e afundá-los, enquanto um Stokkull tem o hábito de saltar sobre os navios, caindo sobre eles e os destruindo.

Hrosshvalur, arte de Turpentyne

Existem algumas maneiras de se proteger do ataque de uma Illhveli; a maneira mais fácil é lançar barris vazios na água para confundi-la e assim ganhar tempo suficiente para escapar. Navegar a toda velocidade em direção ao sol também é uma opção, pois os raios do mesmo farão com que a baleia tenha sua visão ofuscada. Se a baleia for uma Raudkembingur, ultrapassá-la fará com que ela morra de frustração.

Dizem que a maior inimiga de uma Illhveli é a baleia azul (islandês Steypireyður), pois ela é considerada a mais poderosa dentre as "baleias do bem" e irá confrontar qualquer Illhveli que encontrar pela frente. Por esse motivo, não é prudente prejudicar as baleias azuis; na verdade, acredita-se que matar uma baleia azul pode colocar uma terrível maldição sobre seu algoz.

Em publicações futuras, pretendo trazer postagens especificas falando sobre cada uma das Illhveli.

fontes:



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6 de junho de 2022

Shen

 ۞ ADM Sleipnir

Shen (chinês: 蜃, literalmente "grande molusco"; também Chen ou Ch'en) é um monstro marinho pertencente à mitologia chinesa, geralmente descrito como sendo um marisco ou ostra gigante, eventualmente também descrito como um dragão e dito ser capaz de criar miragens em meio ao mar, na forma de torres, castelos e outras paisagens deslumbrantes. Essas miragens são criadas através de bolhas que, uma vez expelidas por ele, emergem do fundo do mar e atingem a superfície da água, onde provocam o efeito ilusório.

No Japão, o termo para miragem, shinkirō (蜃気楼 ou しんきろう), é derivado desse fenômeno. Além disso, ele serviu e ainda serve de inspiração para muitas obras de ficção japonesas. Em Naruto por exemplo, Ōhamaguri ("marisco gigante"), invocação pessoal do Segundo Mizukage Gengetsu Hōzuki, foi inspirado no Shen e inclusive seu nome é escrito com o mesmo kanji.


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