Jasão (grego Ἰάσων, "curandeiro") foi um importante herói da mitologia grega, mais conhecido por ter sido o líder dos Argonautas, um grupo de aventureiros que partiram em uma longa jornada rumo à Cólquida para encontrar o Velocino de Ouro. Embora tenha obtido sucesso nessa busca, Jasão nunca alcançou seu verdadeiro objetivo: o de tornar rei da terra de Iolcos.
Primeiros anos
Filho de Esão, rei de Iolcos e Alcimede, filha do rei Fílaco, Jasão foi enviado pela mãe para ser criado pelo centauro Quíronapós seu pai ter sido destronado por seu meio-irmão, Pélias. Quíron ensinou a Jasão a arte da caça e da guerra, música e medicina. Alguns relatos dizem que o centauro também deu a Jasão seu nome, em reconhecimento à habilidade do menino nas artes médicas.
O Retorno a Iolcos
Ao atingir a maioridade, Jasão voltou para Iolcos, determinado a recuperar o trono que lhe pertencia por direito. Durante a sua viagem, ele perdeu uma de suas sandálias enquanto ajudava uma senhora a atravessar um rio. A senhora era ninguém menos que a deusa Hera disfarçada, a qual odiava Pélias por não honrá-la, e secretamente abençoou Jasão transformando-o em um instrumento pelo qual ela planejava trazer a morte de Pélias no futuro.
Um oráculo havia alertado Pélias para tomar cuidado com um homem usando uma sandália. Quando Jasão chegou em Iolcos, ele apareceu diante de Pélias e se apresentou como o herdeiro legítimo de Esão, declarando que tinha vindo por seu trono. Impedido pelas leis da hospitalidade de atacar Jasão abertamente, Pélias recorreu à trapaça. Ele disse que se Jasão pudesse lhe trazer o lendário Velocino de Ouro, ele lhe entregaria o trono. Pélias acreditava que obter o velo fortemente guardado da terra distante de Cólquida era uma tarefa impossível.
Os Argonautas
Uma vez aceita a missão, Jasão construiu uma nau e reuniu um grupo de heróis, que foram chamados coletivamente de Argonautas, devido ao nome da embarcação, Argo. A lista e a quantidade de heróis variam de fonte para fonte. Abaixo, uma lista com os principais heróis a serem comumente citados como tendo feito parte dessa jornada:
Palemon - O reparador, filho de Hefesto capaz de consertar praticamente tudo;
Poriclimeno - Filho de Poseidonque tinha o poder de se transformar em qualquer animal marinho;
Talau - Rei de Argos;
Tífis - Timoneiro que acabou morto durante a viagem;
Anceu - Timoneiro que revesava com Tífis;
Ergino - Timoeiro que revesava com Anceu e era reserva de Tífis;
Anfiarau - Advinho célebre;
Admeto - Filho do rei de Feres;
Teseu - o lendário herói responsável por matar o Minotauro;
Órion- gigante filho de Poseidon que se apaixonou por Ártemis;
Heitor - principe de Troia;
No decorrer de sua jornada, Jasão e os Argonautas se depararam com muitas aventuras e perigos – e superaram todos eles.
A Ilha de Lemnos
A ilha de Lemnos foi o primeiro local onde os Argonautas aportaram durante a sua viagem. Governada por Hipsípila, na época da chegada dos Argonautas, a ilha era habitada apenas por mulheres, pois algum tempo antes elas haviam matado todos os seus maridos por desprezá-las devido ao mau cheiro delas (uma maldição de Afrodite) e por terem tomado concubinas trácias. Os Argonautas permaneceram por um tempo em Lemnos, dormindo com as mulheres da ilha e criando uma nova raça, chamada de Minianos. O próprio Jasão gerou pelo menos um filho com a própria Hipsípila, chamado Euneu.
Os Gegenes
Arte de Michele Parisi
Após deixarem Lemnos, os Argonautas foram para a terra dos Doliones, onde foram calorosamente recebidos pelo rei Cízico. Enquanto a maioria dos Argonautas estava em busca de suprimentos além da Montanha do Urso, sua embarcação foi atacada pelos Gegenes, os "Nascidos da Terra", uma raça de gigantes de seis braços que habitavam a mesma ilha. Héracles, que também fazia parte da tripulação dos Argonautas, conseguiu matar muitos deles antes que o restante dos Argonautas chegasse e afastasse os gigantes.
À noite, o Argo partiu novamente, mas, infelizmente, foi levado de volta à ilha por um forte vento. Lá, os Doliones, pensando que estavam sendo atacados por piratas, invadiram o navio; na batalha que se seguiu, muitos Doliones foram mortos, incluindo o próprio Cízico, que foi assassinado por Jasão. No dia seguinte, quando a luz da manhã revelou o trágico erro, os arrependidos Argonautas realizaram um funeral para o rei morto; sua esposa, Cleite, porém, não suportou a cena e se enforcou de tristeza.
Fineu e as Harpias
A próxima parada dos Argonautas foi Salmideso, na Trácia, onde encontraram o rei cego Fineu, quase morto de fome – uma vítima das Harpias, monstros ferozes enviados por Zeus para roubar sua comida diariamente. Jasão teve pena de Fineu e ordenou à sua tripulação que ajudasse o rei; após atrair as Harpias com um banquete luxuoso, os Boréades (Calais e Zetes) perseguiram as Harpias e as afastaram para sempre. Fineu, grato pela ajuda de Jasão, revelou aos Argonautas a localização de Cólquida, bem como o método pelo qual poderiam passar pelas Simplégades.
As Simplégades
AsSimplégades eram enormes penhascos rochosos que se moviam e esmagavam qualquer coisa que passasse entre eles. Fineu aconselhou Jasão a soltar uma pomba e observar se ela conseguiria atravessar, como um presságio do que aconteceria com o navio. A pomba passou com sucesso, perdendo apenas algumas penas da cauda; assim, quando o Argo passou pelas rochas, sofreu apenas pequenos danos em sua popa.
Ilha de Mísia - Despedida de Héracles
Durante uma parada na ilha de Mísia, Hilas, o jovem escudeiro de Héracles, acabou sendo raptado por ninfas após sair para buscar água. Quando Héracles percebeu que seu escudeiro havia desaparecido, ele abandonou a missão principal e saiu à procura de Hilas. Ele ficou tão obcecado em encontrar seu companheiro que acabou ficando para trás, perdendo a jornada com os Argonautas.
Após esperarem um tempo, Jasão e os demais Argonautas decidiram seguir viagem sem ele, pois não podiam se dar ao luxo de atrasar a missão. Assim, Héracles acabou sendo separado do grupo e não completou a expedição ao lado dos outros heróis.
As Tarefas de Eetes
Os Argonautas finalmente chegaram a Cólquida, onde foram recebidos pelo rei Eetes. O Velocino de Ouro estava em posse do rei, presenteado a ele por Frixo, quando este chegou ao local montado em um carneiro dourado voador anos antes. Eetes disse que daria o Velocino a Jasão se ele completasse algumas tarefas (aparentemente impossíveis) em um único dia. Ao conhecê-las, Jasão ficou completamente desesperado.
Felizmente para ele, sua deusa protetora Hera convenceu Afrodite a subornar Eros para disparar uma de suas flechas em Medéia, filha de Eetes, e fazê-la se apaixonar por Jasão. E Medéia não era qualquer uma: além de ser uma princesa, ela também era uma alta sacerdotisa de Hécate, bem versada nas artes da magia e feitiçaria.
A primeira tarefa de Jasão era arar um campo de ponta a ponta usando os Khalkotauroi, dois touros com cascos de bronze que cuspiam fogo; encorajada por sua irmã e pela promessa de Jasão de se casar com ela quando a expedição terminasse, Medéia deu a Jasão um bálsamo que o protegia do fogo e o tornava praticamente invulnerável. Com a ajuda do bálsamo, Jasão conseguiu domar os touros e arar o campo rapidamente.
A segunda tarefa de Jasão era semear dentes de dragão no campo arado; embora aparentemente fácil, essa tarefa resultou no surgimento de um exército de guerreiros de pedra que brotaram da terra. Preparado por Medéia e seguindo seu conselho, Jasão atirou uma pedra no meio dos poderosos guerreiros. Sem saber quem havia atirado, os guerreiros se voltaram uns contra os outros e, ao pôr do sol, Jasão era o único que permanecia vivo no campo.
Mesmo assim, Eetes não queria entregar o Velocino de Ouro ainda. Pelo contrário, ele conspirou com os líderes da Cólquida para matar Jasão e os Argonautas durante a noite. Temendo algo desse tipo, Medéia fugiu de seu pai e juntou-se aos Argonautas, levando Jasão a um carvalho sagrado onde o Velocino de Ouro estava pendurado, guardado por um dragão que nunca dormia. Usando suas drogas e feitiços, Medéia fez o dragão adormecer tempo suficiente para que Jasão pudesse pegar o Velocino de Ouro e levá-lo de volta ao Argo.
O Assassinato de Eetes
Após recuperar o Velocino de Ouro, Jasão, Medéia e os Argonautas deixaram a Cólquida. Eetes tentou segui-los, mas Medéia matou seu irmão Absirto e lançou seus pedaços no mar, fazendo com que Eetes parasse para recuperá-los. Zeus, furioso com o ato horrível de Medéia de matar seu próprio irmão, causou várias tempestades no caminho de volta dos Argonautas. Para se redimirem, Jasão e Medéia tiveram que parar na ilha de Eea, onde a feiticeira Circe, irmã de Eetes, os purificou do pecado, sem saber sua gravidade ou natureza. E assim, os Argonautas continuaram sua jornada.
As Sirenas e Talos
Em sua viagem de volta a Iolcos, os Argonautas enfrentaram muitos perigos, dois dos quais se destacam especialmente.Primeiro, eles encontraram as Sirenas, famosas por provocar o naufrágio de navios nos recifes devido às suas vozes cativantes, que tendiam a hipnotizar marinheiros e tripulações. No entanto, o Argo era diferente, pois tinha Orfeu a bordo. O poeta mítico tocou sua lira de forma tão bela e alta que abafou completamente as vozes das sirenas e ajudou os Argonautas a passarem por esses estranhos e sedutores monstros.
Perto de Creta, os Argonautas encontraram um perigo ainda maior: Talos, um gigante de bronze que guardava a ilha e atirava pedras em qualquer um que se aproximasse. Medeia lançou um feitiço sobre ele e conseguiu remover a tampa que mantinha o ícor (o sangue divino) na única veia de Talos. Assim, ele rapidamente sangrou até morrer.
Esão e Pélias
Os Argonautas eventualmente conseguiram retornar para casa. Como muitos anos haviam se passado, Jasão encontrou seu pai, Esão, em idade muito avançada e, angustiado com a visão, pediu a Medéia que transferisse um pouco de sua vida para seu pai. Em vez disso, Medéia cortou a garganta de Esão e deixou todo o seu sangue antigo sair, posteriormente preenchendo suas veias envelhecidas com um elixir rico. Esão acordou quarenta anos mais jovem, "com toda a vitalidade da juventude radiante, não mais magro e pálido."
Instigadas pela ainda não vingada Hera, as filhas de Pélias pediram a Medéia para fazer o mesmo por seu pai. Medéia as enganou para repetir o ritual – mas desta vez, ela garantiu que não houvesse ressurgimento. Assim, Pélias encontrou seu fim às mãos de suas filhas. Seu filho, Acasto, tornou-se rei e, naturalmente, exilou Jasão e Medéia da ilha.
A infidelidade de Jasão e a vingança de Medéia
O casal foi para Corinto, onde Jasão se apaixonou pela filha do rei Creonte, Creusa (às vezes chamada de Glauce). Medeia, enfurecida, confrontou Jasão, mas ele decidiu ignorá-la. Em vingança, Medéia matou Creusa ao presenteá-la com uma coroa e um vestido envenenado cujos efeitos lembram fortemente a túnica que o centauro Nesso havia presenteado a esposa "quando Glauce vestiu o vestido, ela foi consumida por um fogo intenso junto com seu pai, que foi em seu socorro."
Medeia então matou Mermerus e Feres, os dois filhos que teve com Jasão, seja temendo que ele os matasse como retaliação, ou querendo infligi-lo com a maior dor imaginável. Após cometer essa atrocidade, Medeia abandonou Jasão, voando para Atenas em uma carruagem puxada por serpentes enviada por seu avô, o deus sol Hélios.
"Medéia em sua carruagem dourada", pintura de Germán Hernández Amores (1887)
A Morte de Jasão
Alguns dizem que Jasão cometeu suicídio em desespero logo após os eventos trágicos. Outros são mais misericordiosos e afirmam que, anos depois, com a ajuda de seu amigo Peleu, o herói conseguiu recuperar o trono de Iolcos. No entanto, mesmo nesse caso – tendo perdido o favor de Hera após quebrar seus votos com Medéia – parece que Jasão tornou-se uma figura solitária e desolada, apenas uma sombra do influente capitão que fora. Além disso, mesmo que tenha se tornado rei, Jasão teve uma morte inadequada para um herói: uma noite, enquanto dormia sob a popa de seu outrora glorioso navio Argo, uma viga podre caiu sobre ele e o matou esmagado.
Escultura de Jasão feita por Bertel Thorvaldsen (1803)
Sverðhvalur (“Baleia-Espada”, também conhecida como Sverðfiskur ou Sverðfiskar, “Peixe-Espada; Sverðurinn, "Espadador"; Brúnfiskur, Brún-fiskur "Peixe-Marrom"; Sveifarfiskur "Peixe-Manivela"; Slambakur, "Baleia-Batida"; Staurhvalur, "Baleia-Toco"; Einbægslingur, "Uma-Barbatana"; Haskerðingur, "Barbatana-Alta", potencialmente o tubarão-elefante ou a baleia-espada; Orca) é uma das Illhveli(“baleias do mal”), grupo composto por dez baleias míticas que dizem terem vagado durante os tempos medievais pelas águas que rodeiam a Islândia. Aassim como as outras Illhveli, sua carne não é comestível e ela aparecerá se seu nome for dito em voz alta.
A característica mais distintiva de uma Sverðhvalur é a barbatana óssea afiada que cresce em suas costas, a qual pode medir entre 1,5 e 6 metros de altura. Seu corpo como um todo tem aproximadamente o tamanho de uma baleia cachalote, e seu jato de água é curto e pesado. Seu rosto lembra o de uma coruja, com um focinho pontiagudo e uma boca grande cheia de dentes perigosos. Se brúnfiskur (“peixe-marrom”) é um de seus muitos apelidos, pode-se supor que seja marrom, mas outros relatos o descrevem como tendo uma coloração cinza.
A Sverðhvalur é uma nadadora veloz, e bate a água de ambos os lados com sua barbatana quando está agitada. Frequentemente é acompanhada por uma baleia menor - talvez sua prole - que nada sob sua barbatana peitoral e se alimenta de seus restos. Sua barbatana dorsal afiada é usada como arma, e uma Sverðhvalur nadará por baixo de baleias para cortar suas barrigas com cortes cruzados. As baleias preferem encalhar em terra firme em vez de sofrerem o ataque de uma Sverðhvalur. Sverðhvalurs também são desperdiçadoras de alimento, escolhendo comer apenas a língua de suas presas cetáceas e deixando o resto para apodrecer. Barcos são tratados da mesma forma que as baleias, com a barbatana dorsal perfurando cascos ou cortando barcos menores e marinheiros.
Outros encontros, especialmente com embarcações maiores, são mais prejudiciais para a baleia. Uma história fala sobre um navio mercante que navegava do leste da Islândia para Copenhague, quando parou no meio de um grande grupo de baleias e, de repente, sentiu um forte puxão vindo de baixo. Quando o navio atracou em Copenhague, uma grande presa de peixe foi encontrada presa no casco. Outra Sverðfiskur seguiu um barco ao largo do fiorde Eyjafjörður e desistiu da perseguição apenas depois que uma arma foi disparada em sua boca escancarada.
O termo sverðfiskur ou sverðfiskr tem sido usado para se referir ao peixe-espada, ao peixe-serra e à orca. O tubarão-elefante e a orca também foram acusados de cortar navios e eviscerar baleias com suas barbatanas, e é a orca ou “baleia-espada” que parece ser o ancestral da sverðhvalur.
Kameosa (japonês 瓶長 ou かめおさ, "jarro ancião") é um yokai do folclore japonês. Ele é um dos muitos yokais do tipo tsukumogami (付喪神 - "espírito artefato"), surgido a partir de um jarro de cerâmica antigo, do tipo que era usado para armazenar água ou saquê. Mesmo após se transformar em yokai, ele preserva a forma, aparência e função de um jarro, embora passe a possuir olhos, nariz, boca e também membros que permitem com que se desloquem pela casa.
Um Kameosa está sempre cheio e nunca precisa ser reabastecido. Como todos os tsukumogamis, é um pouco travesso, mas é incapaz de fazer mal aos humanos. Na verdade, Kameosa são considerados espíritos de boa sorte e abundância extremamente sortudos de se ter em casa. Podem fornecer um suprimento interminável de água ou saquê — o que quer que eles contenham. Não importa o quanto de seu líquido seja retirado para cozinhar, limpar ou beber, um Kameosasempre permanece cheio.
Kameosa foi inventado por Toriyama Sekien para compor sua quarta e última enciclopédia yokai, Gazu Hyakki Tsurezure Bukuro ("A Bolsa Ilustrada dos Cem Demônios Aleatórios" ou " Uma Horda de Utensílios Assombrados") um livro cheio de tsukumogami baseados em trocadilhos. O nome Kameosa pode ser um trocadilho baseado em Koikawa Harumachi, um estudante de Sekien cujo apelido também era Kameosa (escrito com caracteres diferentes), e que adorava beber saquê. Como kameosa é o último yokai do livro, também é o yokai final da série de Sekien. Ele pode ter criado esse yokai de boa sorte e fortuna abundante como uma maneira de terminar seu livro e sua série em uma nota positiva e celebratória, ou até mesmo como uma maneira de passar o bastão para seu discípulo.
Boongurunguru ("porco-que-grunhe", também chamado Bonguru) é um espírito pertencente ao folclore das Ilhas Salomão, e considerado o mais perigoso dos espíritos da floresta. Ele é descrito como um terrível javali demoníaco, em cuja longa cabeça achatada cresce uma samambaia e em cuja barba há um ninho de vespas selvagens. Com um grito selvagem, o Boongurunguru corre pela floresta, liderando uma manada inteira capaz de pisotear tudo em seu caminho e até mesmo arrasar aldeias inteiras.
O Boongurunguru traz morte a todos que o temem, porém, ao aproximar-se de alguém que não sente medo ao vê-lo avançando em sua direção, o Boongurunguru e toda a sua manada de javalis demoníacos diminuirão de tamanho até se transformarem em inofensivos leitões do tamanho de ratos.
Conta-se que qualquer pessoa que tenha visto o Boongurunguru nunca deve contar a ninguém sobre seu encontro com ele, caso contrário, centenas de cobras voadoras e venenosas cairão sobre ela.
Боонгурунгуру — в фольклоре Соломоновых островов, опаснейший из лесных духов, выглядящий как ужасный кабан с растущим из головы папоротником и гнездом шершней на бороде, способный менять свой размер. Disponível em: <https://www.bestiary.us/boongurunguru>
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Usiququmadevu (ou Isiququmadevu, Isikqukqumadevu e Usikqukqumadevu, literalmente "bigodes fedorentos”; também conhecido pelos epítetos de Unomabunge ("Mãe dos besouros"), O’gaul’-iminga ("Caçadora de árvores espinhosas elevadas") e O-nsiba-zimakqembe ("Ela Cujas penas são longas e largas ”)) é uma monstruosa criatura pertencente ao folclore dos povos africanos Bantu e Zulu. Ela é descrita como tendo o tamanho de uma montanha, possuindo um corpo inchado, pelos no rosto como se fossem barbas e uma boca enorme, capaz de engolir aldeias inteiras.
Sua figura é usada como uma espécie de bogeyman (bicho-papão) em histórias para alertar as crianças contra os muitos perigos que existem nas terras do sul. Uma dessas histórias fala sobre a princesa zulu Untombinde, que certo dia partiu rumo ao mítico rio Ilulange, levando consigo duzentas donzelas para serem suas acompanhantes. Ela estava determinada a tomar banho em uma das suas piscinas, apesar dos avisos severos de seus pais sobre os perigos que haviam por lá.
Ao chegar ao rio, ela e suas damas de companhia se despiram e brincaram na água, mas ao saírem, suas roupas, suas belas pulseiras, joias e adornos haviam desaparecido. Usiququmadevuhavia levado tudo.
Naturalmente, o cortejo real ficou aflito e implorou ao Usiququmadevu que devolvesse seus pertences. - Untombinde, a filha do rei, nos trouxe aqui, ela é a culpada. Um por um eles recuperaram seus pertences, restando somente Untombinde para reclamar seus próprios pertences de volta. Mas Untombinde, provavelmente ofendida pelas acusações de seus companheiros, recusou a fazê-lo. - Sou a filha do rei - , disse ela com altivez, - e nunca suplicarei ao Usiququmadevu. Então o monstro a agarrou e a levou para o rio.
O rei Usikulumi desesperou-se por sua filha, temendo que ela estivesse perdida para sempre, e ordenou que suas tropas matassem o Usiququmadevu . Mas o monstro se arrastou para a margem do rio e engoliu todo o exército de uma só vez. Em seguida, seguiu a trilha de volta para a aldeia e engoliu homens, mulheres, crianças, cães, gado, e tudo o que encontrou por lá.
Entre suas vítimas estavam duas adoráveis crianças gêmeas, cujo pai foi o único aldeão que escapou ao ataque do Usiququmadevu. Decidido a matar a criatura, o homem armou-se com sua lança e a seguiu de volta para a floresta. Primeiro, encontrou um rebanho de búfalos, para os quais perguntou:
- Onde está Usiququmadevu? Ele levou meus filhos.
Reconhecendo sua situação, os búfalos disseram-lhe que ele estava no caminho certo com um “avante, avante!”. Em seguida, encontrou alguns leopardos e um elefante, que o aconselharam a continuar em frente. Finalmente, ele encontrou o próprio Usiququmadevu, saciado e agachado.
- Procuro Usiququmadevu, que levou meus filhos! - anunciou.
- Avance, avance! - disse o Usiququmadevu, mas o homem não era tão tolo quanto ele esperava, e o apunhalou com sua lança até que ele morreu. Então todas as suas vítimas saíram de dentro dele ilesas, com Untombinde, desafiadora e orgulhosa, saindo por último.
Outras histórias
Outra história envolvendo um Usiququmadevu fala sobre Usitungusobenthle, uma jovem que foi sequestrada por pombos para ser a rainha deles, e que é responsável por provocar a ruína da criatura. Ela volta à sua aldeia após escapar de seus captores apenas para encontrá-la vazia, com o Usiququmadevu dormindo nas proximidades. Ela o corta com uma faca e liberta todas as suas vítimas.
Outra princesa, Uluthlazase, enfrentou um Usiququmadevu, tentando recuperar suas roupas das mãos do monstro. Ela segurou suas roupas com tanta firmeza que o Usiququmadevu não conseguiu removê-la, e os dois lutaram até um impasse. Quando o Usiququmadevu saiu para buscar ajuda de outros Usiququmadevu, Uluthlazase recolheu seus pertences e escapou.
Cocijo (ou Pitao Cocijo, ocasionalmente escrito Cociyo, "relâmpago" na língua zapoteca) é o deus da chuva e das tempestades pertencente à civilização pré-colombiana zapoteca do sul do México.Ele possui atributos característicos de deidades mesoamericanas semelhantes associadas à chuva, trovões e raios, como Tlaloc, da civilização asteca e Chaac, da civilização maia.
De grande importância e veneração para os zapotecas, Cocijo foi uma das divindades mais importantes para eles, e o mais representado em sua arte. Ele era considerado o grande deus do relâmpago e criador do mundo. Na mitologia zapoteca, ele criou o sol, a lua, as estrelas, as estações, a terra, as montanhas, os rios, as plantas e os animais, e o dia e a noite, exalando e criando tudo a partir de seu sopro. Ele era também a divindade da neblina, das nuvens, do orvalho, do granizo, bem como de fontes terrestres de água.
Aparência
Na arte zapoteca, Cocijo era representado com um rosto zoomórfico com um focinho largo e grosseiro e com uma longa língua serpentina bifurcada. Às vezes, ele é representado segurando um vaso em suas mãos. Uma das características mais notáveis de Cocijo é que suas representações muitas vezes contêm alusões ao glifo zapoteca para água.
Uma escultura de Cocijo contendo o glifo para água em seu cocar. Em exibição no Museu Nacional de Antropología do México.
As representações de Cocijo combinam elementos terra-jaguar e céu-serpente, que são associados à fertilidade. Suas sobrancelhas representam os céus, suas pálpebras inferiores representam nuvens e sua língua de serpente bifurcada representa um relâmpago.
Período clássico
No sítio arqueológico zapoteca tardio de Lambityeco em Oaxaca, os bustos de estuque de Cocijo são retratados segurando uma jarra derramando água em uma mão e raios na outra. Durante o Período Clássico o jaguar foi associado, pelo menos em parte, ao Cocijo.
Período pós-clássico
Entre os zapotecas do período pós-clássico, as quatro divisões de 65 dias do calendário de 260 dias eram chamadas de cocijos, o que implica que havia um Cocijo diferente associado a cada direção cardinal. Ritos religiosos, incluindo derramamento de sangue, eram realizados para cada um desses quatro Cocijos. Como pagamento pela chuva, Cocijo frequentemente recebia sacrifícios humanos, principalmente crianças, mas também de adultos (embora fosse menos frequentes).
Período colonial
A adoração de Cocijo continuou pelo menos até os primeiros tempos coloniais. No final da década de 1540, três líderes comunitários de Santo Domingo Yanhuitlánforam acusados pelos habitantes de aldeias vizinhas de fazerem sacrifícios humanos à divindade, sendo julgados pelo inquisidor Francisco Tello de Sandoval.
Cultura Popular
Cocijo aparece em "O Último Dia", primeiro episódio da animação Onyx Equinox, inspirada na mitologia mesoamericana. Ele é um dos deuses que surgem para proteger a cidade do ataque das criaturas do submundos, comandadas por Mictlantecuhtli.Após a aparição do próprio Mictlantecuhtli, Cocijo foge.
Sinhozinho (cujo nome verdadeiro é desconhecido) era um curandeiro e pregador que viveu na região de Bonito, Mato Grosso do Sul, na década de 40. Ele se destacava por sua simplicidade, por sua baixa estatura e por ser mudo, comunicando-se através de gestos e sinais.
Sinhozinho tinha fama de curar os doentes utilizando elementos naturais como ervas, água e cinzas. Sua popularidade cresceu rapidamente, gerando tanto admiração quanto inveja entre os moradores locais. Além de suas habilidades de cura, ele era conhecido por construir pequenas cruzes de madeira e espalhá-las por diversos pontos da região, acreditando-se que essas cruzes ofereciam proteção espiritual aos habitantes.
A Cobra da Serra Limpa
Uma das histórias mais notáveis associadas a Sinhozinho é a da Cobra da Serra Limpa. Conta-se que ele aprisionou uma enorme cobra em uma caverna, selando a entrada com uma de suas cruzes. A lenda adverte que, se essa cruz for removida, a cobra será libertada e poderá causar destruição na cidade de Bonito. Muitas pessoas acreditam que essa caverna é a famosa Gruta do Lago Azul, um dos principais cartões postais da região.
O Desaparecimento de Sinhozinho
O fim de Sinhozinho é envolto em mistério. Ele desapareceu sem deixar vestígios, e surgiram várias teorias sobre seu destino. Alguns acreditam que ele foi morto por aqueles que se sentiam ameaçados por sua crescente influência, enquanto outros sugerem que ele simplesmente se retirou para uma vida de reclusão. Independentemente da verdade, sua memória e as cruzes que deixou para trás continuam a ser uma parte importante da cultura e folclore de Bonito.
Bieresel ("burro de cerveja"; também conhecido pelas grafias corrompidas Biersal, Bieresal e Bierasal) é uma espécie de kobold (espírito doméstico) presente no folclore alemão. Este espírito doméstico habita as cervejarias e as adegas de pousadas e bares. Nesses estabelecimentos, o Bieresel alegremente limpa garrafas, canecos, barris e tonéis que foram usados em troca de pagamento na forma de sua própria porção de cerveja. No entanto, quando não é devidamente remunerado, ele recorre a travessuras e vandalismo, roubando ou escondendo ferramentas e causando falhas nos equipamentos.
Geralmente, um Bieresel é descrito como um espectro com a aparência de um burro de três ou quatro patas (daí o seu nome), podendo também ser representado como um pequeno duende. Nas regiões de Turíngia, Saxônia e Vogtland, o Bieresel geralmente age como um Aufhocker (outra criatura do folclore alemão), saltando nas costas de uma pessoa e forçando-a a carregá-lo, sendo suas vítimas bêbados ou visitantes de tavernas que voltam tarde da noite. Ele também pode entrar na taverna e beber cerveja na frente dos clientes. Em Vogtland, a risada de um Bieresel é particularmente bem conhecida.
Na cidade de Torgau, na Saxônia, o Bieresel traz cerveja para dentro de casa e também realiza outras tarefas domésticas. A única recompensa que o Bieresel espera é um copo de cerveja todas as noites. Se não recebe sua cerveja, então se comporta como um poltergeist para expressar sua infelicidade.
Na antiga Boêmia de língua alemã, taberneiros inescrupulosos são ditos se transformarem em Bieresel após a morte. Esses Bieresel em particular aparecem como um boi cinza com uma espessa cabeça humana vermelha caracterizada por grandes chifres. Encontrar um Bieresel boêmio é má sorte, pois os encontros resultam em rosto inchado, febre ou até mesmo morte.
fontes:
Rose, Carol (1996). Spirits, Fairies, Leprechauns, and Goblins: An Encyclopedia. New York City: W. W. Norton & Company, Inc.