6 de janeiro de 2015

Circe

۞ ADM Sleipnir


Circe (do grego: Κίρκη, Kírkē; "falcão") era uma famosa feiticeira da mitologia grega. Detentora de grandes conhecimentos alquímicos, Circe era capaz de produzir todos os tipos de venenos e poções mágicas. Segundo a lenda, ela viveu na ilha de Eéia, num palácio encantado cercado por leões e lobos, todos humanos transformados por ela por meio de feitiçaria. Além de poder transformar os homens em animais, Circe também era capaz de fazer florestas se moverem e tornar o dia em noite, sendo chamada de "Deusa da Noite". 

Circe era filha do deus-sol Hélios e da ninfa Perseis, ou, de acordo com outros autores, Hécate e Hélios ou ainda Hécate e Eetes. Os dois mitos mais famosos envolvendo Circe são os de seus encontros com Glauco e com o herói Odisseu/Ulisses.

O Mito de Glauco e Cila


Glauco era no início um pescador que vivia na cidade de Antédon. Um dia, após consumir uma erva mágica, sentiu um desejo enorme de se lançar ao mar. Os deuses Oceano e Tétis o observavam naquele momento, e decidiram transformá-lo em uma criatura do mar. Eles o transformaram em um ser metade homem, metade peixe, e seus cabelos tornaram-se algas. O antigo pescador se tornou uma criatura dos mares, e passou a viver entre as ondas, nadando e mergulhando o dia inteiro. Um dia, ao retornar a surperfície, ele viu e se apaixonou fulminantemente por uma bela ninfa chamada Cila, mas a mesma teve medo de sua aparência e fugiu floresta adentro. Sem poder persegui-la, Glauco tornou-se triste e amargo. Ele esperou vários dias pelo reaparecimento da ninfa, mas ela jamais retornou ao local. No limite do desespero, Glauco buscou a ajuda de Circe e pediu-lhe um feitiço que fizesse com que ele pudesse recuperar sua antiga forma e assim obter o amor de Cila. 

Ao contrário de Cila, Circe se apaixonou por ele sem se importar com sua aparência, e o aconselhou a esquecer Cila e se voltar para uma mulher que pudesse retribuir o seu amor. Glauco recusou os conselhos de Circe, pois não queria o amor de ninguém além de Cila. Furiosa e incapaz de fazer algo contra o seu amado, Circe voltou seu ódio contra Cila.  Ela preparou uma poção e entregou a Glauco, instruindo-lhe a despejá-la na fonte onde Cila costumava se banhar. Ela lhe garantiu que aquela poção faria com que Cila ficasse perdidamente apaixonada por ele, porém o efeito seria totalmente diferente do que Glauco esperava. Glauco tratou de ir logo até a fonte, e despejou toda a poção dentro dela. Tão logo Cila entrou na fonte, ela viu serpentes e outros monstros dentro da água. Ela tentou fugir, mas acabou descobrindo que os monstros que ela viu na verdade eram partes de si mesma. Desesperada, ela foge ao encontro de Glauco, mas desta vez é ele quem a rejeita. Envergonhada de sua nova forma, Cila fugiu e se refugiou numa escura caverna, onde desde então passou a atacar e estraçalhar tudo e todos que dela se aproximassem.



Participação na Odisséia

O conto mais famoso envolvendo Circe aparece na Odisséia, de Homero. Odisseu e sua tripulação voltavam da Guerra de Tróia a caminho de Ítaca, quando aportaram em Eéia. Odisseu enviou alguns homens a terra, sob a liderança de um guerreiro chamado Euríloco. O grupo chegou até o palácio de Circe, que era cercado por leões, ursos e lobos, todos homens que Circe havia transformado em animais. Em seguida, Circe apareceu e convidou os homens de Odisseu para entrarem em seu palácio para jantar e beber. Todos aceitaram o convite e adentraram o palácio, exceto Euríloco, que suspeitava das intenções dela. Após comerem a comida de Circe, ela os tocou com sua varinha mágica, os homens foram todos transformados em porcos. 


Euríloco voltou sozinho até o navio e contou a Odisseu tudo o que tinha acontecido. Após ser informado dos acontecimentos, Odisseu decide ir sozinho até o palácio de Circe. Em seu caminho, ele encontrou um jovem, que era na verdade o deus Hermes disfarçado. Hermes tentou desencorajar Odisseu de continuar seu caminho até o palácio, mas o mesmo estava determinado a recuperar seus homens. Hermes então entregou a Odisseu uma erva que iria protegê-lo dos feitiços de Circe. Ao chegar ao palácio, Odisseu encontrou Circe, que o convidou para jantar com o objetivo de encantá-lo. Após o jantar, Circe o tocou com a varinha, mas para a sua surpresa, Odisseu permanecia humano, graças a erva dada por Hermes. Odisseu desembainhou a espada e ameaçou arrancar sua cabeça. 


Sem saída, Circe caiu de joelhos perante Odisseu e o implorou por sua vida. Odisseu concordou em poupar sua vida se ela fizesse com que sua tripulação voltasse ao normal e não atentasse contra eles novamente. Circe cumpriu com sua promessa, restaurando a forma original dos homens de Odisseu, e além disso, ofereceu-lhes sua hospitalidade e algum entretenimento antes dos mesmos deixarem a ilha.Odisseu e seus homens acharam a vida na ilha tão agradável que acabaram permanecendo lá um ano inteiro antes de retomarem sua viagem de volta para casa. Circe ajudou nos preparativos para a partida e ensinou-lhes o que deveriam fazer para passar sãos e salvos pela costa da Ilha das Sereias. 

Na versão romana desta lenda, onde Odisseu é chamado de Ulisses, Circe e ele tiveram um romance e três filhos: Telégono, Agrio, e Latino. Telégono viajou até Ítaca a procura de seu pai, mas acabou matando-o por acidente. Telégono trouxe o corpo de Ulisses de volta à Éeia, acompanhado pela viúva de Ulisses, Penélope e seu filho Telémaco. Circe tornou a todos imortais e se casou com Telémaco, enquanto Telégono casou-se com Penélope. 



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Ruby