Apolo (em grego antigo Ἀπόλλων, Apóllōn), é uma das principais divindades da mitologia e da religião grega. Filho de Zeus e Leto, ele é irmão gêmeo de Ártemis e integra o grupo dos deuses olímpicos. Suas atribuições eram amplas: Apolo era associado à profecia, aos oráculos, à música, à poesia, ao arco, à cura, às doenças, à purificação e à proteção dos jovens.
Essa variedade de funções fez de Apolo uma figura importante em diferentes áreas da vida religiosa grega. Ele podia ser invocado como curador, mas também era descrito como capaz de enviar pragas. Era patrono da música e da poesia, mas também aparecia como deus arqueiro, punidor de ofensas e defensor de seus santuários. Em Delfos, era cultuado como senhor de um dos oráculos mais célebres do mundo antigo. Em Delos, era lembrado como o filho de Leto nascido naquela ilha sagrada.
Na arte grega, Apolo costuma ser representado como um jovem sem barba, de aparência idealizada, frequentemente com cabelos longos. Entre seus atributos mais comuns estão a lira ou a cítara, o arco e a aljava, o ramo ou a coroa de louro, o corvo e o trípode oracular. Em tradições posteriores, sobretudo no mundo helenístico e romano, Apolo também foi associado ao Sol, embora
Hélios tenha permanecido, em muitas fontes, uma divindade distinta.
Nascimento
O nascimento de Apolo é narrado em diferentes versões antigas. De modo geral, ele é apresentado como filho de Zeus e Leto, uma divindade filha dos titãs Céos e Febe. Após engravidar de Zeus, Leto passa a sofrer a oposição de Hera, esposa do deus. Em algumas tradições, Hera tenta impedir que Leto encontre um lugar para dar à luz; em outras, retarda o parto ao impedir a chegada de Ilítia, deusa ligada aos nascimentos.
No Hino Homérico a Apolo, Leto procura uma terra que aceite receber o filho de Zeus. Muitas regiões temem acolhê-la, mas Delos aceita ser o lugar do nascimento. Ali, junto ao monte Cinto e perto de uma palmeira, Apolo vem ao mundo. O mesmo hino associa Ártemis a Ortígia e Apolo a Delos, embora outras versões aproximem ou reorganizem esses lugares. Depois do nascimento, Delos se torna uma ilha sagrada para Apolo. Em algumas tradições, a ilha, antes instável ou flutuante, passa a ser fixada no mar.
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| "Latona e os Camponeses da Lícia" (1721), obra de François Lemoyne |
Apolo também foi associado aos Hiperbóreos, povo mítico situado em uma região distante, além do vento norte. Em relatos antigos, os Hiperbóreos aparecem como devotos do deus, celebrando-o com cantos, música e ritos. Algumas tradições ligam Apolo a cisnes e a viagens para essa terra remota, mas os detalhes variam de fonte para fonte.
Delfos e a morte de Píton
Delfos foi o principal centro oracular de Apolo. Ali ficava o famoso oráculo em que a sacerdotisa conhecida como Pítia transmitia respostas atribuídas ao deus. Reis, cidades e particulares consultavam Delfos em busca de orientação sobre guerras, fundações de colônias, decisões políticas, crises religiosas e questões pessoais.
Segundo uma tradição antiga, o local era guardado por uma serpente ou dragão chamado Píton. Apolo matou a criatura com suas flechas e tomou posse do santuário. O episódio explica a relação do deus com Delfos e também a origem do nome da Pítia. Em algumas versões, o oráculo já existia antes de Apolo e era associado a divindades como Gaia, Têmis ou Febe.
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| Arte de John Rocco |
A morte de Píton também foi ligada aos Jogos Píticos, realizados em Delfos em honra de Apolo. Esses jogos reuniam competições atléticas, musicais e poéticas. Eles faziam parte dos grandes festivais pan-helênicos, isto é, celebrações que recebiam participantes de várias regiões do mundo grego. Eram diferentes dos Jogos Olímpicos, realizados em Olímpia.
O trípode, objeto ritual de três pés, tornou-se um dos símbolos do oráculo de Delfos. Ele era associado à Pítia e à autoridade profética de Apolo. Por isso, não era apenas um assento comum, mas um objeto sagrado ligado ao funcionamento do santuário.
Apolo como defensor e vingador
Vários mitos apresentam Apolo como defensor de Leto e como punidor de ofensas contra sua família ou seu culto. Um exemplo é o mito de Tício, gigante que tentou violentar Leto. Apolo e Ártemis intervieram e o mataram com suas flechas. Em seguida, Tício foi castigado no mundo dos mortos, onde aves devoravam continuamente seus órgãos (punição semelhante a recebida pelo titã Prometeu).
Outro episódio envolve os Aloídas, Oto e Efialtes, dois irmãos gigantescos que desafiaram os deuses. Em algumas versões, eles tentaram alcançar o Olimpo empilhando montanhas e chegaram a ameaçar divindades olímpicas. A tradição sobre sua morte varia: em certas narrativas, Apolo participa de sua derrota; em outras, Ártemis provoca a morte dos irmãos por meio de um ardil, fazendo com que eles atinjam um ao outro ao tentar acertar uma corça. Como ocorre em muitos mitos gregos, o episódio aparece em versões diferentes conforme a fonte.
Outro episódio importante é o de Nióbe, rainha de Tebas e esposa de Anfião. Nióbe se vangloriou de ter muitos filhos e se colocou acima de Leto, que tinha apenas Apolo e Ártemis. Essa atitude foi interpretada como uma afronta à mãe dos deuses gêmeos. Como punição, Apolo matou os filhos homens de Nióbe, enquanto Ártemis matou as filhas. O número de filhos varia conforme a fonte: em algumas versões são doze; em outras, quatorze. Depois da morte dos filhos, Nióbe foi transformada em pedra, geralmente situada no monte Sípilo, na Ásia Menor. Mesmo petrificada, continuava a verter lágrimas.
Apolo também aparece em narrativas nas quais defende o acesso a Delfos. Em uma tradição preservada por Filóstrato, Forbas, chefe dos Flégias, bloqueava a estrada para o santuário, atacava viajantes e impedia que os peregrinos chegassem ao oráculo. Apolo assumiu a aparência de um jovem atleta, enfrentou Forbas em uma luta de boxe e o derrotou.
Na Gigantomaquia, guerra entre os deuses olímpicos e os Gigantes, Apolo também aparece como combatente. Uma tradição o associa à morte de Efialtes, atingido por flechas de Apolo e Héracles.
As disputas musicais
Apolo era patrono da música e da poesia, especialmente por meio da lira e da cítara. Por isso, vários mitos apresentam o deus em disputas musicais contra figuras que tentam rivalizar com ele.
Uma dessas histórias envolve Pã, deus ligado aos campos, aos pastores e à música rústica. Segundo a versão de Ovídio, Pã comparou sua flauta à música de Apolo. A disputa foi julgada por Tmolo, divindade associada ao monte de mesmo nome. Pã tocou primeiro e agradou Midas, que estava presente. Em seguida, Apolo tocou sua lira, e Tmolo declarou sua vitória. Midas discordou do julgamento e, por isso, recebeu orelhas de burro.
Outra disputa famosa é a de Mársias, sátiro frígio associado ao aulo, instrumento de sopro semelhante a uma flauta dupla. Em uma tradição, Atena havia abandonado o instrumento porque ele deformava seu rosto ao ser tocado. Mársias o encontrou, aprendeu a tocá-lo e passou a acreditar que podia desafiar Apolo.
A competição entre Apolo e Mársias foi julgada, em algumas versões, pelas Musas. Apolo venceu e, como o vencedor podia punir o derrotado, Mársias foi amarrado a uma árvore e esfolado vivo. Do sangue ou das lágrimas ligadas à sua morte teria surgido o rio Mársias, na Frígia.
Cíniras, rei de Chipre mencionado na Ilíada, também aparece em tradições posteriores ligado a Apolo. Algumas versões afirmam que ele prometeu ajuda aos gregos na Guerra de Troia, mas não cumpriu plenamente a promessa. Em uma tradição tardia, foi punido após uma disputa musical com Apolo.
Apolo e Héracles
Apolo também aparece em episódios ligados a Héracles (Hércules). Depois de matar sua família em um acesso de loucura, o herói consultou o oráculo de Delfos. Por meio da Pítia, Apolo ordenou que ele servisse a Euristeu e realizasse os trabalhos que lhe fossem impostos. Essa submissão fazia parte do processo de purificação de Héracles.
Em outro episódio, Héracles entrou em conflito direto com Apolo. Após matar Ífito e buscar novamente purificação, o herói foi a Delfos, mas a Pítia se recusou a responder. Irritado, Héracles tentou levar o trípode sagrado, com a intenção de fundar seu próprio oráculo. Apolo não aceitou a violação de seu santuário, e os dois entraram em disputa.
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| A disputa pelo tripé entre Apolo e Héracles (Hércules) em uma prancha extraída da obra Choix des vases peintes du Musée d’antiquités de Leide (Escolha de vasos pintados do Museu de Antiguidades de Leiden). 1854. Paris, Bibliothèque des Arts Décoratifs |
Zeus interveio lançando um raio entre eles e encerrou o conflito. Em seguida, Héracles recebeu nova punição: deveria servir como escravo por um período. Em algumas versões, esse serviço ocorre sob o comando de Ônfale, rainha da Lídia.
Apolo na Guerra de Troia
Na Ilíada, Apolo desempenha papel importante na Guerra de Troia. Ele favorece os troianos em vários momentos e age em defesa de seus sacerdotes e devotos.
Logo no início do poema, Agamêmnon captura Criseide, filha de Crises, sacerdote de Apolo. Quando Crises pede a devolução da filha, Agamêmnon o rejeita. O sacerdote ora a Apolo, e o deus responde enviando uma peste contra o acampamento aqueu. A crise só começa a ser resolvida quando os gregos reconhecem a necessidade de devolver Criseide. Esse episódio provoca a disputa entre Agamêmnon e Aquiles, que se retira do combate.
Durante a guerra, Apolo protege guerreiros troianos e interfere em momentos decisivos. Ele salva Eneias quando o herói é ameaçado por Diomedes, fortalece Heitor em combate e impede que os aqueus avancem além de certos limites. Também atua na morte de Pátroclo: quando o companheiro de Aquiles avança contra Troia, Apolo o atinge, enfraquece sua força e contribui para que Heitor possa matá-lo. Depois da morte de Heitor, Aquiles tenta desonrar seu corpo arrastando-o em torno do túmulo de Pátroclo. Apolo protege o cadáver contra a deterioração e critica a violência excessiva do herói.
A morte de Aquiles não é narrada na Ilíada. Em tradições posteriores, ela costuma ser atribuída a Páris, também chamado Alexandre, com auxílio de Apolo. Nessas versões, uma flecha atinge Aquiles no ponto vulnerável de seu corpo, geralmente identificado como o calcanhar ou tornozelo.
Amores e descendência
Apolo teve muitos amores nas tradições gregas e romanas. Seus relacionamentos envolvem ninfas, princesas, jovens heróis, mortais e figuras ligadas à profecia. Muitas dessas histórias terminam em recusa, separação, morte ou metamorfose.
Uma das narrativas mais conhecidas é a de Dafne. Nas Metamorfoses de Ovídio, Apolo provoca Eros ao se vangloriar de sua habilidade com o arco. Eros então atira uma flecha de ouro em Apolo, despertando nele paixão, e uma flecha de chumbo em Dafne, fazendo-a rejeitar o amor. Apolo passa a persegui-la, mas Dafne pede ajuda ao pai, o rio Peneu, e é transformada em loureiro. O deus declara então que o loureiro será sua árvore sagrada.
Quione também aparece entre os amores atribuídos a Apolo. Segundo uma tradição preservada por Ovídio, ela era filha de Dedalião e chamou a atenção tanto de Apolo quanto de Hermes. Da união com Hermes nasceu Autólico, enquanto de Apolo nasceu Filamão. Mais tarde, Quione se vangloriou de sua beleza e se comparou a Ártemis, que a puniu com uma flecha. Tomado pela dor, Dedalião tentou se matar, mas Apolo o transformou em uma ave de rapina.
Outra história de metamorfose é a de Ciparisso. O jovem era amado por Apolo e tinha grande afeição por um cervo domesticado. Ao matar o animal acidentalmente, Ciparisso foi tomado por tristeza e desejou chorar para sempre. Apolo transformou-o em cipreste, árvore que se tornou associada ao luto.
Jacinto também foi amado por Apolo. Segundo a versão de Ovídio, o deus passava tempo com o jovem em caçadas e jogos. Durante uma disputa com o disco, o objeto lançado por Apolo ricocheteou e atingiu Jacinto, causando sua morte. Em versões posteriores, o vento Zéfiro, movido por ciúme, desvia o disco. Apolo transforma o sangue do jovem em uma flor, preservando sua memória. Jacinto teve culto importante na Lacônia, especialmente em Amiclas, onde era celebrado em festas antigas conhecidas como Jacíntias.

Corônis aparece como mãe de Asclépio em uma das versões mais conhecidas. Amada por Apolo, ela se une a Ísquis enquanto estava grávida do deus. Ao saber da traição, Apolo provoca sua morte ou permite que ela seja morta, conforme a versão. Antes que o corpo fosse consumido, ele salva a criança do ventre da mãe e entrega o menino ao centauro Quíron. Asclépio aprende a arte da medicina e se torna tão poderoso que chega a ressuscitar mortos. Zeus o mata com um raio, e Apolo, em vingança, mata os Ciclopes que haviam fabricado o raio de Zeus.
Como punição por matar os Ciclopes, Apolo é obrigado a servir como pastor ao rei Admeto, na Tessália. Admeto trata o deus com hospitalidade, e Apolo o beneficia. Em uma tradição, ajuda-o a conquistar Alceste, filha de Pélias, ao atrelar um leão e um javali ao carro do rei. Também intervém em favor de Admeto quando sua morte se aproxima, fazendo com que as Moiras aceitem prolongar sua vida caso outra pessoa morra em seu lugar.
Apolo também se relaciona com figuras ligadas à profecia. Cassandra, princesa troiana, recebe dele o dom profético em algumas tradições, mas rejeita o deus. Como punição, Apolo faz com que suas profecias sejam verdadeiras, mas nunca acreditadas. A Sibila de Cumas, em tradição romana, recebe longa vida de Apolo, mas não a juventude eterna, envelhecendo ao longo dos séculos.
Com Cirene, Apolo teve Aristeu, associado à vida rural, à caça, aos rebanhos e a conhecimentos úteis aos homens. Com Creúsa, em algumas tradições, teve Íon, ancestral mítico dos jônios. Outras genealogias atribuem ao deus filhos como Lino, Mopso, Anfiso e Filamon, embora essas tradições variem conforme a fonte.
Culto e importância
O culto de Apolo teve grande alcance no mundo grego e assumiu formas variadas conforme a região. Além de Delos e Delfos, que estavam entre seus centros mais conhecidos, o deus recebeu culto em cidades, santuários e festivais ligados a funções específicas, como a purificação, a cura, a música, a juventude e a proteção das comunidades.
Sua importância também se deve ao papel que desempenhava na comunicação entre deuses e mortais. Por meio dos oráculos, especialmente o de Delfos, Apolo era consultado em decisões religiosas, políticas e pessoais. Essa função fez do deus uma figura associada à ordem, à medida e à interpretação da vontade divina.
Ao longo do tempo, Apolo continuou a ser reinterpretado em diferentes contextos do mundo greco-romano. Sua associação posterior com o Sol ampliou sua imagem simbólica, sem apagar completamente a distinção entre ele e Hélio nas tradições mitológicas. Por reunir música, profecia, cura, arco e purificação, Apolo permaneceu uma das divindades mais influentes da Antiguidade clássica.
Muito lindo e informativo,parabéns!
ResponderExcluirObrigado!!!
Excluirvaleu
ExcluirGostei muito, bem feito e resumidamente detalhado. Parabéns ... publicarei seu site !!!
ResponderExcluirgostei
ResponderExcluirO deus Grego do sol, Apolo. Que muitos acreditavam ser também 'veras' - não passava de um grande mentiroso. Certa vez ele passeava pelos campos verdejantes, percebeu-se que ele não era o deus olímpico assim tão formoso. Pois dois garotos o viram ficar meditando em sombras de um grande arvoredo. Depois Apolo despiu-se, e correu ao lago ( magalagyu ) esse lago tinha águas puras, e revelava a verdade a quem quer que seja. Quando Apolo saiu das águas, os garotos, Inunc e Ibanc - irmãos gêmeos - percebeu que sua pele sobre o rosto e pernas, eram de cor escura. E quando totalmente saiu do lago ( magalagyu ) Apolo então mostrou-se um homem, ou deus negro. Ele percebeu isso, e então invocou o deus Zeus, que ordenou o seu grande poder sobre Apolo, que indubitavelmente voltou a ser de cor clara, os garotos gêmeos observaram que o que caia sobre Apolo, era algo do tipo, "nebrina" afogueado.
ResponderExcluirMas um 'TOP' do sensacional EDERSON MAIA INCONCERT LITERATURA. O célebre criador de BASTARDO- O NÃO ESPERADO.
Alguém pode me informar onde encontro um mito relatando Apolo abusando sua sacerdotisa fazendo-a rebelar-se contra ele e entregando o filho da união para uma outra nação ou pastores, não lembro KKK HELP
ResponderExcluirApolo é um dos meus deuses gregos favoritos.
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