2 de dezembro de 2016

Anjos: Parte I - Visão Geral

۞ ADM Dama Gótica



Anjos (latim: angelus, grego: ángeloshebraico: malach; "mensageiro") segundo a tradição judaico-cristã (mais divulgada no ocidente) e conforme relatos bíblicos, são criaturas espirituais, conservos de Deus como os homens, e que o servem como ajudantes ou mensageiros. 

Origem


O ramo da teologia que estuda os anjos é chamado de Angelologia ou Angeologia. Pode-se dizer que as bases das doutrinas angelológicas ocidentais foram formuladas por Santo Agostinho no século IV d.C. Segundo Agostinho, os anjos teriam uma natureza puramente espiritual e livre. Comentando o gênesis, Agostinho definiu as funções destes seres celestes, que seriam responsáveis pela glorificação de Deus e pela transmissão da vontade divina. De acordo com a doutrina angelológica agostiniana, os anjos estariam voltados tanto para o mundo espiritual quanto para o mundo visível, no qual interviriam com certa frequência. Para Agostinho, os homens e os anjos tinham semelhanças notáveis, tendo ambos sido criados à imagem de Deus. Ademais, ambos seriam criaturas inteligentes. Porém os anjos sendo imateriais e os homens feitos de matéria.

Mais tarde, Gregório Magno acrescentou algumas noções angelológicas ao pensamento Agostiniano. Segundo ele, o homem teria como função ocupar no Céu os lugares abandonados por anjos caídos. Gregório Magno também foi responsável por introduzir no Ocidente a lista dos nove coros celestes (serafins, querubins e tronos, dominações, potestades e virtudes, principados, arcanjo e anjos). No começo do século IX d.C., o texto "A Hierarquia Celeste", atribuído a Dioniso, o Areopagita, consolidou a noção de hierarquia angelical.


No século XI, o pensamento teológico sobre os anjos sofreu mudanças. Santo Anselmo rejeitou as relações de causalidade entre a queda dos anjos e a criação de Adão. A teologia de São Bernardo conferiu aos anjos um papel essencial na ascensão mística, uma vez que esses seres celestes seriam responsáveis por preparar a alma para a visão de Deus. Nessa época, emerge a figura do anjo da guarda individual.

No século XV, a devoção aos anjos da guarda individuais se torna regra, e a teologia passa a se ocupar desse aspecto da essência angelical. Hoje, as diferentes denominações tem diferentes tratamentos e níveis de atenção dados a doutrina. Enquanto algumas igrejas os reverenciam e os admiram, outras evitam o tópico, associando-os a idolatria e desvio de foco de atenção, mentiras, falsos sinais, e desordem de culto.

Os anjos no conhecimento popular e em outras tradições  


No conhecimento popular, os anjos geralmente têm belas asas brancas, uma auréola no alto da cabeça, tem uma beleza delicada e emanam um forte brilho. Muitas vezes são representados como crianças, por sua inocência e virtude. Os relatos bíblicos e a hagiografia cristã contam que os anjos muitas vezes foram autores de fenômenos milagrosos e segundo essa tradição, uma de suas missões é ajudar a humanidade em seu processo de aproximação de Deus.

Em muitas outras tradições religiosas os anjos são figuras importantes do passado e do presente e o nome de "anjo" é dado frequentemente a todas as classes de seres celestes. Os muçulmanos, zoroastrianos, espíritas, hindus e budistas aceitam o fato sua existência, dando-lhes variados nomes, Porém, por vezes descrevem-los como tendo características e funções bem diferentes daquelas apontadas pela tradição judaico-cristã, e até esta mesma apresenta contradições e inconsistências de acordo com os vários autores que se ocuparam deste tema.

Além disso a cultura popular em vários países do mundo deu origem a um copioso folclore sobre os anjos, que muitas vezes se afasta bastante da descrição mantida pelos credos institucionalizados dessas regiões.

Judaísmo

Para o judaísmo, anjo é um ser espiritual que serve de elo transmissor entre o homem e o Criador. Sua existência é denotada em vários trechos da Bíblia hebraica e em diversos textos da literatura rabínica e do folclore judaico. Alguns anjos são citados por nome, até mencionados em excertos da liturgia religiosa, e também servem de protetores da humanidades e das pessoas individualmente. São entes inteligentes mas vinculados e dependentes do poder Divino, que podem assumir diversos tipos de tarefas, que, aos olhos humanos, podem ser boas ou más.

Budismo e Hinduísmo

O Budismo e o Hinduísmo descrevem os anjos (ou devas, como os chamam) de maneira semelhante às outras religiões ocidentais. Seu nome deriva da raiz sânscrita div, que significa "brilhar", e seu nome significa, então, os "seres brilhantes" ou "auto-luminosos". Dizem que alguns deles comem e bebem, e podem construir formas ilusórias para poderem se manifestar em planos de existência diferentes dos seus próprios. O Budismo estabelece uma categorização bastante completa para os seus devas, em grande parte herdada da tradição hinduísta.



Islamismo

A angelologia islâmica é largamente devedora às tradições do zoroastrianismo, do judaísmo e do cristianismo primitivo, e divide os anjos em dois partidos principais, os bons, fiéis a Deus, e os maus, cujo chefe é Íblis ou Ash-Shaytan, privados da graça divina por terem se recusado a prestar homenagens a Adão.

Por outro lado, existe também no Islamismo uma categorização hierárquica. Em primeiro lugar estão os quatro Tronos de Deus, com formas de leão, touro, águia e homem. Em seqüência, vêm o querubim, e quatro arcanjos:
  • Jibril ou Jabra'il, o revelador, intermediário entre Deus e os profetas e constante auxiliador de Maomé; 
  • Mikal ou Mika'il, o provedor, citado apenas uma vez no Alcorão (2:98) e quem, segundo a tradição, ficou tão horrorizado com a visão do inferno quando este foi criado que jamais pôde falar de novo;
  • Izrail, o anjo da morte, uma criatura espantosa de dimensões cósmicas, quatro mil asas e um corpo formado de tantos olhos e línguas quantas são as pessoas da Terra, que se posta com um pé no sétimo céu e outro no limite entre o paraíso e o inferno;
  • Israfil, o anjo do julgamento, aquele que tocará a trombeta no Juízo Final; tem um corpo cheio de pelos e feitos de inumeráveis línguas e bocas, quatro asas e uma estatura que vai desde o trono de Deus até o sétimo céu. 
Por fim, os demais anjos. Como uma classe à parte estão os gênios, ou djins, que possuem muitas características humanas, como a capacidade de se alimentar, propagar a espécie, e morrer, e cujo caráter é ambíguo.

Espiritismo 

O Espiritismo faz uma descrição em muito semelhante à judaico-cristã, considerando-os seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores, sem, no entanto, tentar atribuir forma ou aparência a tais seres: seria apenas uma visão de suas formas morais. A diferença da visão espírita se faz apenas pelo raciocínio de que Deus, sendo soberanamente justo e bom, não os teria criado perfeitos, pois isso seria creditar a Deus a capacidade de ser injusto, face à necessidade que os homens enfrentam de experimentação sucessiva para aperfeiçoarem-se. O Espiritismo apresenta a visão de que tais seres angélicos, independente de suas hierarquias celestiais, estão nesse ponto evolutivo por mérito próprio, são espíritos santificados e livres da interferência da matéria pelas próprias escolhas que fizeram no sentido evolutivo e de renúncia de si mesmos ao longo do tempo, sendo facultado também aos homens atuais - ainda muito materializados - atingirem, através de seus esforços morais e intelectuais nas múltiplas reencarnações, tais pontos de perfeição. 

Segundo Allan Kardec, os anjos seriam os espíritos elevados de benignidade superior que são protetores dos necessitados e mensageiros do amor. Seriam aqueles que trazem mensagens do mundo incorpóreo. Por este motivo seriam chamados de anjos, palavra que significa mensageiros, os quais aparecem inúmeras vezes nos textos sagrados de religiões judaico-cristãs, indicando a comunicabilidade entre vivos e mortos. Ainda segundo o Espiritismo, os anjos, em sua concepção mais comumente conhecida e aceita - criaturas perfeitas, a serviço direto de Deus - seriam os espíritos que já alcançaram a perfeição passível de ser alcançada pelas criaturas. Estes, ao fazê-lo, passariam a dedicar a sua existência a fazer cumprir a vontade de Deus na Criação, por serem capazes de compreendê-la completamente.



Teosofia

A Teosofia admite a existência dos seres angélicos e de várias classes dentre eles, embora existam relativamente poucos estudos neste campo que as sistematizem profundamente, dos quais os de Charles Leadbeater e sobretudo Geoffrey Hodson são as fontes mais ricas e interessantes.

Charles Leadbeater diz que, sendo um dos muitos reinos da criação divina, o reino angélico também está, como os outros, sujeito à evolução, e que existem grandes diferenças em poder, sabedoria, amor e inteligência entre seus integrantes. Pelo mesmo motivo, o de constituírem um reino independente, com interesses e metas próprias, diz que os anjos não existem em função unicamente dos homens e seus problemas, apesar de assistí-los de uma variedade imensa de formas. Mesmo que o reino angélico como um todo esteja envolvido em muitas tarefas que não dizem respeito ao homem, Leadbeater afirma em A "Ciência dos Sacramentos" que existe uma classe deles especialmente associada aos seres humanos, a dos anjos da guarda, na verdade uma espécie de silfos, à qual se confia uma pessoa por ocasião de seu batismo, e que por seu serviço conquistam a individualização, tornando-se serafins.

Os anjos são descritos por Hodson como tendo uma atitude em relação a Deus completamente diversa da humana, não concebendo uma existência personalizada individual, mas sim uma consciência única central e ao mesmo tempo difusa e onipresente, de onde suas próprias consciências derivam e à qual estão inextrincavelmente ligadas. Sentem-se unidos a esta consciência e para eles não é possível, exatamente por esta unidade, experimentarem egoísmo, separatividade, desejo, possessividade, ódio, medo, revolta ou amargura. Apesar de serem essencialmente seres amorosos, seu amor é impessoal, sendo extremamente raras associações estreitas com quaisquer indivíduos. Em seus estudos Hodson os divide em quatro tipos principais, associados aos quatro elementos da filosofia antiga: terra, água, fogo e ar. 

Na Literatura

Pouco espaço foi ocupado pelo anjo na modernidade, sobrevivendo na literatura por meio do culto dos jovens. No entanto, perdeu seu significado original e assumiu outro: um ser romântico que muitas vezes foi "amaldiçoado" ao se apaixonar por uma humana, as histórias mais recentes são a dos livros:
  • "Fallen" que é o primeiro volume da saga composta por Tormenta, Paixão e Rapture
  • "Hush Hush" que tambem é uma saga composta por Sussurro, Crescendo e Silêncio;
  • "Halo" que trata de um amor que ultrapassa as barreiras do céu e do inferno".;
  • A saga "Os Instrumentos Mortais", também tem a temática sobre serafins, e seus descendentes na terra, os Caçadores de Sombras, que protegem os humanos de demônios.

Fonte: 
Wikipedia
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1 de dezembro de 2016

Portal no Youtube: O Demônio de Jersey

۞ ADM Sleipnir

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30 de novembro de 2016

Karna

۞ ADM Sleipnir



Karna (sânscrito: कर्ण, originalmente conhecido como Vasusena) é um dos personagens centrais do épico hindu Mahabharata. Ele foi um dos maiores guerreiros da mitologia hindu, e o único guerreiro dito ser capaz de derrotar Arjuna em batalha, uma admiração expressa pelo próprio Krishna e por Bhishma. Karna foi o único guerreiro no Mahabharata a conseguir conduzir com sucesso o Digvijay Yatra, uma campanha militar onde ele conquistou todos os reis em todas as direções do mundo, a fim de estabelecer Duryodhana como o imperador do mundo.

Karna era filho de Kunti e do deus do sol Surya. Ele nasceu antes de Kunti se casar com o o rei Pandu. Karna era o amigo mais próximo de Duryodhana (o mais velho dos irmãos Kauravas)e lutou em seu nome contra os Pandavas (seus irmãos) na famosa guerra de Kurukshetra. Karna lutou contra a má sorte durante toda a sua vida e manteve sua palavra sobre todas as circunstâncias. Ele é admirado por muitos devido a sua coragem e generosidade. 
Karna e Surya

História

Nascimento educação

Quando jovem, Kunti, a princesa do Reino Kunti, recebeu uma benção do sábio Durvasa, que lhe permitia invocar qualquer divindade a sua escolha para lhe dar um filho. Ansiosa para testar esse poder, porém ainda solteira, Kunti invocou o deus solar Surya, e o mesmo lhe deu um filho chamado Karna, que nasceu trajando uma armadura (chamada kavacha), que o tornava imune a ferimentos de flechas e também um par de brincos (kundala), que protegia toda a porção da cartilagem de sua orelha de ataques. Juntos, esses itens presenteados por seu pai Surya o tornavam invencível.

Com medo de ser uma mãe solteira, Kunti, colocou o bebê em um cesto e o colocou em um rio. O bebê foi encontrado por Adhiratha, um cocheiro do rei Dhritarashtra de Hastinapur. Adhiratha e sua esposa Radha criaram o menino como se fosse seu próprio filho, e o chamaram de Vasusena. Ele também veio a ser conhecido como Radheya, "filho de Radha".


Radha e Adhiratha segurando o bebê Karna
Ao crescer, Karna tornou-se interessado na arte da guerra e se aproximou de Dronacharya, um professor respeitado que ensinou os príncipes de Kuru, porém ele se recusou a tomar Karna como seu aluno, uma vez que Karna não era um Kshatriya (Xátria, a maior casta hindu). Após ser recusado por Dronacharya, Karna dá início a sua própria educação com a ajuda de seu irmão Shona, e nomeia o deus do sol como seu guru. Mas, Karna queria aprender habilidades avançadas de tiro com arco e, para tal, decidiu procurar Parashurama, guru de Dronacharya. 

Como Parshurama só ensinava a brâmanes, Karna apareceu diante dele fingindo ser um. Parashurama o aceitou como aluno e o treinou a tal ponto que equiparou Karna a si mesmo na arte da guerra e do tiro com arco. Um dia, já no final de seu treinamento, Karna ofereceu a Parashurama o seu colo para que ele pudesse descansar a cabeça e tirar uma soneca. Mas enquanto Parashurama dormia, uma abelha picou a coxa de Karna e apesar da dor, Karna não se moveu, de modo a não perturbar o sono de seu guru (em algumas versões, o senhor Indra temia a aptidão de Karna para o combate e ele mesmo teria tomado a forma de uma abelha e picado a coxa de Karna, a fim de beneficiar seu filho Arjuna). Ao acordar, Parashurama viu sangue escorrendo do ferimento causado pela a abelha, e deduziu que que Karna não era um brâmane. 

Parashurama amaldiçoa Karna
As Maldições de Karna

Parashurama, que havia jurado ensinar somente a brâmanes, colocou uma maldição sobre Karna, declarando que ele iria esquecer todo o conhecimento necessário para empunhar a arma celestial Brahmanda astra, no momento de sua maior necessidade. Após ouvir as súplicas de Karna, Parashurama deu-lhe uma arma celestial chamada Bhargavastra, junto com seu arco pessoal, chamado de Vijaya, em reconhecimento por Karna ter sido um estudante tão diligente.

Karna também foi amaldiçoado por um brâmane por ter matado uma de suas vacas enquanto praticava suas habilidades com arco e flecha. O brâmane ficou irritado e amaldiçoou Karna, declarando que ele seria morto por seu inimigo, num momento onde sua atenção fosse desviada no meio de um combate.

Uma terceira maldição ainda cairia sobre Karna. Certa vez ele encontrou uma criança que chorava sobre um pote de manteiga derramado. Ao perguntar-lhe a razão para o seu choro,a criança afirmou que ela estava com medo porque sua madrasta iria brigar com ela graças ao seu descuido. Karna tentou resolver o problema dando-lhe seu próprio pote de manteiga, mas a criança recusou-se a aceitá-lo, insistindo que queria a mesma manteiga que havia derrubado. Com pena da criança, Karna tomou o solo misturado com manteiga com as mãos e apertou-a com toda a força, de modo que a manteiga pingava de volta no pote. Durante este processo, Karna ouviu a voz angustiada de uma mulher. Quando ele abriu o punho, ele percebeu que a voz era de Bhumidevi, a deusa da Terra. Ela furiosamente castigou Karna por ter infligido uma dor enorme na Mãe Terra por causa de uma simples criança, e o amaldiçoou declarando que em um momento muito crucial em batalha, a roda de seu carro ficaria presa tão firmemente como ele havia apertado aquele punhado de solo. 

A amizade com Duryodhana


Para exibir as habilidades dos príncipes Kuru, o guru Dronacharya organizou um torneio amistoso. Seu aluno Arjuna, o terceiro dos irmãos Pandavas, mostrou-se um arqueiro particularmente talentoso. Karna entrou neste torneio sem ser convidado, e após superar os feitos de Arjuna, o desafiou para um duelo. Kripa (um dos sete Chiravinji, homens imortais que segundo as lendas vivem até os dias de hoje) não permitiu o duelo, perguntando a Karna primeiro sobre o seu clã e reino, pois de acordo com as regras do duelo, somente um príncipe poderia desafiar Arjuna para um duelo. Ele ainda foi insultado por Bhima, que o comparou a um cão vadio, por sua casta e linhagem inferiores. Este incidente marcou o início da rixa entre Karna e os irmãos Pandavas. Duryodhana, o mais velho dos cem filhos do rei Dhritarashtra, sabia que seus primos Pandavas eram melhores em combate. Vendo Karna como uma chance de se igualar a eles, imediatamente ofereceu a Karna o trono do reino de Anga, fazendo dele um rei e, portanto, elegível para travar um duelo contra Arjuna. 
Duryodhana entrega a Karna a coroa do reino de Anga
Nenhum deles sabia que Karna era de fato filho mais velho de Kunti, nascido do deus sol Surya. Quando Karna perguntou-lhe o que ele poderia fazer para recompensá-lo, Duryodhana disse-lhe que tudo o que ele queria era a sua amizade. Assim, Karna tornou-se um companheiro leal a Duryodhana. 

A luta contra Jarasandha

Karna ajudou Duryodhana a se casar com a princesa do reino Kalinga, Bhanumati. Duryodhana a sequestrou durante sua cerimônia Swayamvara (cerimônia na qual uma mulher escolhia um homem para ser seu marido) e fugiu com ela em uma carruagem, enquanto Karna lutava contra o resto dos pretendentes. Muitos governantes lendários como Shishupala, Jarasandha, Bhishmaka, Vakra, Kapotaroman, Nila, Rukmi, Sringa, Asoka, Satadhanwan, dentre outros, foram derrotados por Karna na ocasião. O vergonhoso Jarasandha, rei de Magadha, mais tarde desafiou Karna para um combate um contra um. Uma batalha feroz ocorreu entre eles, onde ambos usaram diversos tipos de armas, até mesmo divinas. No final os dois entraram em um combate corpo a corpo, onde Karna levou a melhor. Quando estava prestes a rasgar Jarasandha ao meio com as mãos nuas, Jarasandha reconheceu sua derrota e Karna poupou sua vida. Jarasandha deu a cidade de Malini para Karna como um sinal de apreço. 

A vitória sobre Jarasandha tornou Karna famoso em todo o mundo. Mais tarde, após sua ascensão ao trono de Malini, Karna fez um juramento de que qualquer um que se aproximasse dele com um pedido, enquanto ele adorasse o sol, não partiria de mãos vazias.



Conflito com os Pandavas

Incitado por seu tio Shakuni, Duryodhana articula um plano para matar os Pandavas, plano este que consistia em atear fogo em seu palácio em Varnavat, e que aparentemente obteve êxito. Durante todo o planejamento e execução do plano, Karna tenta convencer Duryodhana a cancelá-lo, pois ele desejava derrotar os Pandavas com honra no campo de batalha. 

Karna foi um dos pretendentes de Draupadi durante o seu SwayamvaraO pretendente à mão da princesa teria que curvar o arco para pôr a corda e atirar uma flecha de aço através do orifício central de um disco girante num alvo situado bem alto. Diferentemente da maioria dos outros candidatos, Karna era plenamente  capaz de manejar o arco e flecha, mas Draupadi se recusou a deixá-lo participar, rejeitando-o por ser um suta-putra - filho de um cocheiro. Todos os reis e as pessoas reunidas na cerimônia insultaram Karna por sua baixa descendência, exceto Duryodhana, que o apoiou e o defendeu. Os irmãos Pandavas, que para Duryodhana estavam mortos, também compareceram ao Swayamvara, porém disfarçados como brâmanes. Após assistir ao fracasso dos outros príncipes, Arjuna entrou no palco e atingiu com sucesso o alvo, ganhando a mão de Draupadi. 



Após o término da cerimônia, os reis presentes argumentaram que um brâmane não poderia participar do swayamvara, e em seguida empunharam suas armas e atacaram o disfarçado Arjuna. Arjuna lutou contra todos eles e os derrotou facilmente, com exceção de Karna. 

Karna entrou no combate para proteger seu amigo Duryodhana, e então uma terrível batalha foi travada entre ele e Arjuna. Karna não sabia que o brâmane era Arjuna, e esta foi a primeira vez que os dois lutaram um contra o outro. A batalha entre os dois guerreiros foi tão intensa que o céu foi tomado por flechas, e a visibilidade estava perdida em meio a nuvem de flechas. Como nenhum dos dois tinham vantagem, eles deixaram de lado os seus arcos, e começaram um duelo de armas celestiais, que fizeram o céu e a terra tremerem. A batalha continuava empatada, quando chegou até Karna a notícia que Sudama, seu filho de nove anos, estava morrendo.

Karna elogiou a habilidade do brâmane e comparou-a com a habilidade de Dronachaya ou Kripachaya. Não interessado em cometer o pecado de Brahmahatya (ferir ou matar um brâmane, que é considerado um pecado grave segundo as escrituras), Karna recuou do combate e correu para chegar até seu filho. Foi então revelado que Sudama havia sido atingido por uma flecha disparada pelo guerreiro brâmane enquanto este lutava contra os outros reis. Profundamente ferido pela flecha, Sudama não resistiu e morreu nos braços de Karna. Mais tarde, quando a identidade de Arjuna foi revelada, os sentimentos hostis de Karna contra ele se intensificaram, e Karna jurou matar Arjuna e sua família.

Após Shakuni vencer os Pandavas em um jogo de dados por meio de trapaça, Draupadi, agora esposa de todos os cinco filhos do rei Pandu, foi arrastada para a corte por Dushasana, irmão mais novo de Duryodhana. Duryodhana e seus irmãos tentaram despi-la. Karna insultou Draupadi, dizendo que uma mulher com mais de quatro maridos não é nada além de uma prostituta e que os Pandavas "eram todos como sementes de gergelim removidas do cerne", e que agora ela deveria encontrar novos maridos. No local, Bhima, outro dos irmãos Pandavas, prometeu que ele iria pessoalmente trucidar Duryodhana e seus irmãos no campo de batalha. Arjuna, em seguida, jurou matar Karna. 

Mais tarde, após os Pandavas serem exilados, Karna assumiu a tarefa de estabelecer Duryodhana como o Imperador. Ele comandou exércitos que marcharam para diferentes partes do país, subjulgando reis e fazendo-os jurarem fidelidade a Duryodhana, o rei de Hastinapur, ou então morreriam em batalha. Nesta aventura militar, Karna travou guerras e subjulgou vários reinos, incluindo o dos Kambojas, Shakas, Kekayas, Avantyas, Gandharas, Madarakas, TrigartasTanganasPanchalas, Videhas, Suhmas, Angas, Vangas, Nishadas, Kalingas, Vatsa, Ashmakas, Rishikas e inúmeros outros, incluindo Mlecchas (bárbaros) e tribos da floresta.

Prelúdio para a guerra

Indra, o rei dos Devas e pai de Arjuna, sabia que Karna era invencível em batalha e incapaz de ser morto, enquanto utilizasse sua armadura kavach e seus brincos kundala. Ele se aproxima de Karna disfarçado como um brâmane pobre enquanto este realizava sua adoração ao sol. Surya adverte Karna das intenções de Indra, mas Karna lhe agradece e explica que estava preso ao seu juramento, e que não poderia deixar alguém que batesse em sua porta sair com as mãos vazias. Quando Indra se aproxima, Karna revela que já conhecia a verdadeira identidade do brâmane, mas garantiu que jamais iria recusar o pedido de alguém. Envergonhado, Indra abandonou o disfarce e tomou sua forma normal. Karna então remove a armadura e os brincos do corpo e os entrega a Indra. 



Em seguida, os céus se abriram e todos os deuses e seres celestiais em todos os reinos apareceram e despejaram flores sobre Karna, elogiando-o por sua enorme caridade, a maior que o mundo já havia testemunhado. Para escapar de tamanha vergonha, Indra pediu a Karna que aceitasse um presente em troca da armadura e dos brincos. Karna rejeitou a oferta de Indra dizendo que não atendeu seu pedido esperando nada em troca. Todos os deuses, devas, sábios e seres celestiais pediram a Karna que aceitasse qualquer presente em troca, a fim de salvá-los do insulto causado por Indra sobre eles. Obedecendo aos seres celestiais e de acordo com a solicitação de Indra, Karna, como seu pai havia instruído, pediu que Indra lhe desse sua arma celestial, o dardo mágico Vasavi Shakti. Indra concordou em lhe dar a arma, porém com a condição de que Karna só poderia usá-la uma única vez.

Após as negociações de paz com Duryodhana terem fracassado, Krishna foi mandado de volta aos irmãos Pandavas por Karna. Krishna então revela a Karna que ele é o filho mais velho de Kunti, e, portanto, tecnicamente, o Pandava mais velho. Krishna implorou-lhe para que mudasse de lado e lhe assegurou que Yudhisthira lhe daria a coroa de Indraprastha e Draupadi, que o havia rejeitado iria se tornar sua esposa. Mesmo abalado pela revelação, Karna insiste em recusar essas ofertas, colocando a amizade de Duryodhana acima delas. Krishna se entristece, mas apreciando o senso de lealdade de Karna, aceita sua decisão, prometendo-lhe que sua linhagem permaneceria em segredo. Além disso, Karna ficou muito feliz ao saber que seu pai verdadeiro não era outro senão Surya. 

Após a conversa com Karna, Krishna foi até Kunti e pediu a ela para chantagear Karna emocionalmente, revelando a ele a verdade sobre seu nascimento. De acordo com Krishna quando Karna soubesse sua identidade real, ficaia emocionalmente enfraquecido, e assim Kunti poderia manipulá-lo. Krishna ainda diz a Kunti que era sua decisão escolher entre Karna e seus outros filhos. 

À medida que a guerra se aproximava, Kunti encontrou Karna, e desesperada para manter seus filhos vivos, pediu-lhe para que se juntasse aos Pandavas. Kunti revelou-lhe toda a verdade sobre o seu nascimento, enquanto Surya validava suas palavras. Como Krishna previu, Karna foi emocionalmente enfraquecido, e seu ódio contra Pandavas também.


Kunti encontra Karna
Mesmo assim, Karna rejeita a oferta de Kunti novamente. Sabendo que Karna iria lutar contra Arjuna com o objetivo de matá-lo, Kunti extraiu algumas promessas de Karna: que ele não iria matar nenhum dos Pandavas (com exceção de Arjuna) e que ele não usará uma mesma arma celestial duas vezes contra Arjuna. Este pedido em particular de Kunti, como sugerido por Krishna, levaria Karna a morte durante a guerra, pois o impediu de usar a Nagastra e a Rudraastra duas vezes contra Arjuna. 

Karna pediu a sua mãe para manter seu relacionamento em segredo até a sua morte, pois os Pandavas não iriam lutar contra o seu próprio irmão se ela lhes revelasse a verdade. Após o fim da guerra, ela poderia revelar sua identidade de nascimento a todos. Karna também lhe prometeu que ao final da guerra ela ainda teria cinco filhos.

A Guerra Kurukshetra



Abstendo-se da batalha

Bhishma foi nomeado comandante-chefe do exército Kaurava. Mas, com  o argumento de que Karna humilhou Draupadi e desrespeitou seu guru Parashurama, Bhishma se recusou a integrá-lo ao exército Kaurava. Na verdade, Bhishma sabia da verdadeira linhagem de Karna e, por isso, não queria que ele lutasse contra seus próprios irmãos. Duryodhana querai que Karna lutasse na guerra desde o início, mas Bhishma ameaçou não lutar caso Karna fosse integrado ao exército. Duryodhana chega a considerar colocar Karna como o comandante-chefe, mas devido ao baixo nascimento de Karna, ele sabia que muitos reis ameaçariam não lutar sob seu comando enquanto pessoas como Bhishma e Dronacharya estiverem presentes. 

Karna então decide que não iria lutar até a queda de Bhishma. Sabendo da situação de Karna, Krishna lhe pede que permanecesse com ele e os Pandavas no acampamento dos Pandavas, e insiste que ele poderia se juntar ao lado dos Kauravas assim que Bhishma fosse morto. Karna educadamente rejeita o apelo de Krishna, já que ele dedicou sua vida a lutar por seu amigo Duryodhana e não faria nada que fosse desagradável para ele. Somente após a queda de Bhishma, no décimo primeiro dia, Karna entraria na guerra. 

Após a queda de Bhishma, Karna o visita em meio a uma cama de flechas e Bhishma lhe revela seu conhecimento sobre o seu nascimento. Ele então explica sua atitude anterior, elogia as proezas de Karna, relata suas façanhas e lhe dá suas últimas bênçãos. Dronachaya assumiu a posição de comandante-chefe no lugar de Bhishma.



Juntando-se a batalha


Na manhã do 11º dia de batalha, Surya ofereceu a Karna sua carruagem invencível e seu cocheiro Aruṇa, da mesma forma que Indra fez em favor de Arjuna. O carro de Surya era brilhante como o sol, e puxado por 7 cavalos de cores diferentes e somente uma pessoa com visão divina era capaz de olhar para ele. Confiante em suas próprias habilidades, Karna rejeita a oferta do pai, dizendo que não queria ser lembrado como uma pessoa que dependia da força de outros para obter a vitória, referindo-se indiretamente a Arjuna que dependia de Krishna. 

Matando Ghatotkacha

Incrivelmente, a batalha no décimo quarto dia de guerra estendeu-se até tarde da noite, e em meio ao exército Pandava, havia um guerreiro que tirava total proveito da situação. Ghatotkacha, filho de Bhima e Hidimba, era metade humano, metade asura, e os asuras são seres que ganham poderes extraordinários durante a noite. Ghatotkacha sozinho destruiu as forças Kauravas e também feriu Dronacharya. Vendo a situação desesperada, Karna usou sua arma celestial Vasava Shakti contra Ghatotkacha, matando-o. Krishna fica satisfeito com o fato de Karna não poder mais usar esta arma contra Arjuna.


Karna Parva

O Karna Parva (o oitavo livro do Mahabharata) descreve o 16º e o 17º dia da guerra Kurukshetra, onde Karna assumiu o posto de comandante-chefe após a morte de DronacharyaKarna tomou seu arco Vijaya pela primeira vez na batalha, e conforme ele puxava a corda do arco, uma terrível estalo era produzido por causa da energia incomensurável que este continha, e silenciava todos os outros sons. Ouvindo isso e antecipando uma provável batalha até a morte entre ele e Arjuna, Krishna alerta Arjuna sobre Karna ser "o maior dos heróis":
"Ouça, ó filho de Pandu! Eu considero o poderoso Karna como teu igual, ou talvez, o teu superior! Em energia ele é igual ao fogo. No que diz respeito a velocidade, ele é igual à impetuosidade do vento. Na ira, ele se assemelha ao próprio Destruidor. Dotado de força, ele se assemelha a um leão na formação de seu corpo. Ele tem  oito ratnis de estatura. Seus braços são grandes. Seu peito é amplo. Ele é invencível. Ele é sensível. Ele é um herói.  Ele é, novamente, o principal dos heróis. Ele é extremamente belo. Possuidor de todas as realizações de um guerreiro, ele é um dissipador dos temores de amigos. Ninguém, nem mesmo os deuses sob a liderança de Indra, podem matar o filho de Radha. Ninguém possuidor de carne e sangue, nem mesmo os deuses lutando com muito cuidado, nem todos os guerreiros (dos três mundos) lutando juntos podem vencer o filho do cocheiro. "


O 16º Dia

Como havia prometido a Kunti, Karna tinha como objetivo matar apenas Arjuna. No décimo sexto dia, ele lutou contra todos os irmãos Pandavas, exceto Arjuna, derrotando todos eles em combate direto e poupando a vida de cada um deles após insultá-los com palavras duras. Após a terrível morte de Dushasana, Karna ordenou ao seu cocheiro Shalya que avançasse a carruagem em direção a Arjuna, decidido a acabar com ele de uma vez por todas. 

Os ataques de Karna foram tão violentos e ofensivos que as defesas de Arjuna logo se desintegraram diante deles. Karna então resolveu por um ponto final no combate. Ele empunhou sua Nagastra, a mesma arma celestial que foi usada por Indrajit contra Rama no Ramayana. Quando estava prester a atirar contra Arjuna, seu cocheiro Shalya diz-lhe para mirar o peito de Arjuna. Karna acredita que o conselho de Shayla era ruim, e ao invés de mirar o peito, ele mira a cabeça de Arjuna e atira. Krishna consegue salvar Arjuna da morte certa, abaixando um pouco a roda de sua carruagem, fazendo com que a flecha atingisse o capacete de Arjuna em vez de sua cabeça. 

Karna e Arjuna então travaram um duro combate. Como prometido a Kunti, Karna usou a arma celestial somente uma vez contra Arjuna. Recuperando a vantagem, Karna chegou a ter uma chance de matar Arjuna, mas o poupa pois percebeu que o sol estava prestes a se pôr. De acordo com algumas versões, Krishna havia percebido que somente milagres poderiam salvar seu protegido Arjuna da morte, e então fez o Sol se pôr prematuramente.

O 17º dia

No décimo sétimo dia de batalha, Karna usou a arma celestial Bhargavastra contra o exército Pandava. Esta foi a primeira vez na história em que ela foi invocada; apareceram no céu milhões e milhões de flechas ultra-afiadas e com aparência ardente. O céu ficou tão cheio de flechas que mais pareciam nuvens. A terra tremeu, e as flechas caíram do céu como chuva, atingindo e matando centenas de milhares de homens, corcéis e elefantes e destruiu incontáveis carruagens. Este astra quase exterminou os reinos Panchala e Chedi. Aqueles que se opuseram à ela morreram, e todo o exército Pandava fugiu do campo de batalha, temendo o seu poder. Até mesmo Krishna e Arjuna tiveram de fugir do campo de batalha para escapar do seu ataque mortal.



Krishna levou Arjuna para longe do campo de batalha, e visitou Yudhisthira, que já estava fora do campo de batalha, ferido pela astra de Karna. Contemplando sua situação, Karna repetidamente desafiou Krishna e Arjuna para virem enfrentá-lo na batalha, mas Krishna manteve Arjuna longe do campo de batalha. A Bhargavastra causou tamanha destruição e mortes que e a terra parecia mais um oceano de seres mortos. Yudhisthira insultou Arjuna por fugir de Karna. 

Depois que a Bhargavastra foi recolhida, a batalha recomeçou. Insultado por Yudhisthira, Arjuna voltou ao campo de batalha. Os dois inimigos, Karna e Arjuna se enfrentariam mais uma vez. Para testemunhar esta grande batalha entre os maiores de todos os heróis, os céus se abriram. Todos os seres de todos os reinos mais elevados apareceram no céu. Devas, Rishis celestiais, Apsaras, Gandarvas e todos os seres nos reinos mais elevados ofereceram flores a estes grandes guerreiros. Os Asuras e seres de todos os reinos inferiores também apareceram e se reuniram para testemunhar a batalha. Os guerreiros Pandava e Kaurava remanescentes pararam de lutar e se reuniram em seus respectivos lados para testemunhar a batalha.

Conforme a batalha recomeçou, os guerreiros no campo de batalha e os devas no céu assistiam em um silêncio espantoso, admirados com a força e habilidade desses que eram os maiores dentre os guerreiros. Karna cortou a corda do arco de Arjuna muitas vezes. À medida que a batalha se intensificava, Arjuna empurrava a carruagem de Karna cerca de 3 metros para trás cada vez que a atingia com a energia de suas flechas, mas Karna só conseguia empurrar a carruagem de Arjuna 0,6 metros para trás. Vendo isto, Krishna elogiou Karna e admirou sua habilidade.

Quando questionado por Arjuna, Krishna disse que é impossível para qualquer humano empurrar sua carruagem para trás porque ela carregava Hanuman e Krishna, mantendo assim todo o peso do universo. Até mesmo sacudir a carruagem é uma tarefa impossível, porém Karna conseguia empurrá-la 0,6 metros cada vez que a atingia com a energia de suas flechas, feito este que nenhum ser humano jamais alcançou.

A batalha entre os dois continuou nivelada, até que a roda da carruagem de Karna ficou presa numa poça de lama, como resultado da maldição que Karna havia recebido anteriormente de um brâmane. Arjuna continuou a atacar Karna, que agora só se defendia de seus ataques. Nesse momento, Karna tenta invocar a arma celestial Brahmanda astra, porém ele esqueceu os encantamentos para invocá-la, como resultado da maldição lançada por seu guru, Parashurama. 



Karna desceu da carruagem para libertar a roda e pediu a Arjuna uma pausa na batalha, lembrando-o das regras de etiqueta de guerra. Mas Krishna incentivou Arjuna a ir contra as regras e atacar Karna, e ele o faz. Karna se defende do ataque covarde de Arjuna e invoca a Rudraastra, acertando Arjuna em seu peito. Arjuna perdeu o controle sobre o seu arco Gandiva, que caiu de sua mão pela primeira vez, e em seguida caiu no chão desmaiado. Seguindo as regras de etiqueta de guerra, Karna não tenta matar o inconsciente Arjuna, mas tenta usar esse tempo para tirar as rodas de sua carruagem da lama. Arjuna recobra a conciência, e usando a Anjalika astra de seu pai Indra, decapita o desarmado Karna, que ainda tentava em vão levantar a roda de carro afundado. 



Apesar de ser altamente proibido de acordo com as regras de etiqueta de guerra atacar um guerreiro desarmado ou atacar um inimigo por trás, Arjuna foi incentivado por Krishna a fazê-lo. Mais tarde, foi revelado que Karna só poderia ser morto quando todos as suas três maldições agissem sobre ele.

Conta-se que Duryodhana nunca derramou uma única gota de lágrima para qualquer um dos seus verdadeiros irmãos que foram mortos no campo de batalha, mas quando seu amado amigo Karna foi morto, ele ficou inconsolável.

Cremação

Após o fim da guerra, uma cerimônia de cremação foi realizada para todos os caídos em batalha. Kunti pediu que seus filhos realizassem os ritos para Karna, e então revelou a eles a verdade sobre o seu nascimento. Os irmãos ficaram chocados ao descobrir que haviam cometido fratricídio. Yudhishtira, em particular, ficou furioso com a mãe e pôs uma maldição sobre todas as mulheres, onde elas nunca mais seriam capazes de guardar um segredo. 

Algumas versões dizem que Kunti revelou a verdade sobre Karna a seus filhos e ao mundo logo após a morte de Karna, assim como ela o havia prometido. Yudhishthira foi até Duryodhana e disse-lhe que sendo o segundo irmão mais velho, somente ele tinha o direito de cremar Karna. Duryodhana protestou e Krishna verificou que Duryodhana tinha o direito mais alto sobre Karna. Portanto, a cerimônia final de Karna foi realizada por Duryodhana, reduzindo os Pandavas a meros espectadores deste evento. A esposa de Karna, Vrushali, se lançou na pira de Karna durante a cerimônia. 

Posteriormente, durante o seu ritual Ashvamedha no sul da Índia, Arjuna construiu o templo Aranmula ParthasarathyA lenda diz que Arjuna construiu este templo para expiar o pecado de ter matado Karna e ido contra o Dharma de matar um inimigo desarmado. O templo é dedicado a Parthasarathy (papel de Krishna do senhor como o cocheiro de Arjuna na guerra).

Ascensão

O Mahabharata menciona que após a sua morte, a alma de Karna ascendeu ao Suryalok (a residência de seu pai, Surya), junto com seus filhos e "atingiu o status de um deus".



Outras Histórias

O Filho Superior

Um história conta que, quando Karna estava morrendo no campo de batalha, seu pai Surya e o pai de Arjuna, Indra, iniciaram um debate sobre quem entre seus filhos era superior. Eles decidem testar a generosidade de Karna e aparecem diante dele como brâmanes pedindo esmolas. Karna diz a eles que naquele momento ele não tinha nada para lhes oferecer, enquanto um dos brâmanes observa que ele tinha um pouco de ouro nos dentes. Percebendo isso, Karna prontamente pega uma pedra e quebra seus dentes, entregando-os aos brâmanes e provando assim sua superioridade.

A proteção de Dharma-Devata

Em outras versões do épico, mesmo após Arjuna ter usado a Anjalika astra contra Karna, este ainda estava vivo, ainda que seriamente ferido. Krishna descobriu que Dharma-Devata, a deusa responsável pela proteção do Dharma, estava protegendo Karna da morte e resistindo a todas as flechas enviadas por Arjuna. Krishna explica a Arjuna que a própria Dharma-Devata estava protegendo Karna da morte por causa da virtude maciça que Karna ganhou sendo caridoso durante sua vida. 

Krishna diz que onde quer que o Dharma estivesse presente, a vitória também estaria, e desta vez o Dharma estava ao lado de Karna. Então Krishna desceu de sua carruagem, e indo até Karna disfarçado como um brâmane, pediu que lhe desse o seu punya (virtude, mérito) como caridade. Karna lhe deu todos os seus méritos sob a forma de seu sangue, e uma vez que Karna lhe deu o mérito de sua vida, Krishna o recompensou com a visão de sua Vishvarupa (forma suprema). Quando Karna deu o mérito de sua vida a Krishna, Dharma-Devata desapareceu. Karna pediu a Krishna para cremá-lo em uma terra virgem, onde ninguém esteja presente. Então Krishna voltou para a sua carruagem e pediu para Arjuna disparar o tiro fatal em Karna. Mais tarde, o próprio Krishna espalhou as cinzas de Karna em Karnaprayag

O comando de Parashurama

Em algumas versões da lenda, durante a noite do 15º dia de batalha, Karna teve um sonho no qual ele visualiza seu guru Parashurama e pede-lhe para revogar a maldição que ele tinha lhe lançado anos atrás. Parashurama lhe revela que ele sabia o tempo todo que Karna era um xátria, mas como ele era um estudante digno, ele resolveu instruí-lo mesmo assim. Parashurama explica a Karna que a Brahmanda astra tinha de falhár quando ele mais precisasse dela, pois se ele matasse Arjuna, Duryodhana seria rei em vez de Yudhishthira e o caos se estabeleceria. Parashurama pediu a Karna para aceitar sua maldição e pediu-lhe para morrer nas mãos de Arjuna, para que o mundo pudesse viver em paz. Karna aceitou as palavras de seu guru e em troca, Parashurama abençoou Karna com glória imortal e fama eterna. 

A Família de Karna

De acordo com o Mahabharata, Karna era casado com Vrushali. Ele teve dez filhos: Vrishasena, Sudama, Vrishaketu, Chitrasena, Satyasena, Sushena, Shatrunjaya, Dvipata, Banasena e Prasena. Oito deles participaram da guerra de Kurukshetra. Sudama foi morto por Arjuna durante o swayamvara de Draupadi, quando tinha 9 anos. Prasena foi morta por Satyaki. Shatrunjaya, Vrishasena e Dvipata foram mortos por Arjuna. Bhima matou Banasena; Nakula matou Chitrasena, Satyasena e Sushena. 

Vrishakethu foi seu único filho que sobreviveu à guerra Kurukshetra, devido ao fato de ser muito novo na época para tomar parte dela. Mais tarde, quando soube que Karna era seu irmão mais velho, Arjuna tornou-se assombrado por sua morte, e tomou para si a responsabilidade de cuidar de Vrishakethu. 

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29 de novembro de 2016

Portal no Youtube: Baku

۞ ADM Sleipnir

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28 de novembro de 2016

Limos

۞ ADM Sleipnir


Limos (em grego: λιμός), era a deusa grega ou espírito personificado (daimona) da fome e da inanição. Era oposta por Démeter, a deusa dos alimentos e da agricultura, e as duas jamais se encontravam. Sua equivalente na mitologia romana é a deusa FamesComo outros terríveis espíritos personificados, Limos foi gerada sozinha por Éris, a deusa da discordia, porém o poeta Homero, em sua Ilíada, a nomeia como sendo filha de Zeus.

Limos desempenhou o papel de carrasco em alguns castigos infligidos pelos deuses aos mortais. Dentre estes mortais, estava Erisictão, um antigo rei da Tessália. Rico, ímpio e violento, ele não temia e nem reverenciava os deuses. Um dia, indo contra todos os argumentos de seus criados, Erisictão violou um bosque consagrado a Deméter. Munido de um machado, ele derrubou inúmeras árvores consagradas à deusa e golpeou um imenso carvalho, árvore favorita da deusa, do qual esguichava sangue a cada golpe.


Um de seus criados tentou impedi-lo de continuar, e acabou tendo a cabeça cortada em um único golpe. As dríades, divindades da floresta, também não conseguiram impedi-lo, e recorreram a Deméter, exigindo justiça.

Por intermédio das ninfas, Deméter ordena que Limos entre no estômago de Erisictão, despertando-lhe um apetite devorador, que nada é capaz de apaziguar. Em poucos dias, Erisictão consome toda a comida disponível em seu palácio e gasta toda sua fortuna para comprar mais e mais. Desesperado, ele vende como escrava sua filha Mnestra, para comprar mais comida. Esta recorre à ajuda de seu amante Poseidon, que lhe concede o dom da metamorfose, e assim consegue escapar inúmeras vezes dos seus sucessivos proprietários e voltar para o reino, onde acabava sendo vendida novamente. Mesmo assim, Erisictão não consegue saciar-se e emagrece sem parar. Enlouquecido, Erisícton começa a comer os próprios membros e acaba devorando a si próprio.

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Ruby