16 de outubro de 2019

Aswang

۞ ADM Sleipnir

Arte de nonoynonie
Aswang (Asuang) é um dos conceitos folclóricos mais difundidos na cultura filipina. Em termos de popularidade, é o equivalente filipino dos lobisomens e vampiros ocidentais. É difícil resumir em uma frase o que é um aswang. Em um sentido mais amplo, o termo aswang pode ser usado para descrever toda a variedade de seres malignos no folclore das Filipinas. Em um sentido mais rigoroso, no entanto, o Aswang é um ser humano (um feiticeiro para ser mais específico) com a habilidade de mudar de forma à vontade. Durante o dia, Aswangs parecem e agem como pessoas comuns. Embora geralmente sejam tímidos e um pouco reclusos, eles podem ter empregos, amigos e até famílias.  


Durante a noite, Aswangs mudam para uma forma mais adequada à caça. Comumente, o Aswang assume uma das seguintes formas:

Humanóide - Nessa forma, o Aswang assume uma posição vertical, podendo movimentar-se de quatro. Seu corpo pode ser coberto por penas pretas e grossas, quase semelhante a pelos. A cor de sua pele pode ser de preta a cinza pálido. O corpo também pode ser oleoso devido à aplicação de um tipo desconhecido de mistura de graxa ou óleo de coco, geralmente antes de perseguir suas presas. 

Arte de EVC
Nessa forma, eles normalmente rastejam pelo chão ou ficam deitados em telhados ou empenas, procurando por algum buraco ou fresta por onde eles possam projetar sua língua e atacar suas vítimas, geralmente crianças, mulheres grávidas e pessoas doentes.


Canina - Um aswang pode aparecer como um cão grande e ameaçador, com pelos pretos e grossos e olhos vermelhos flamejantes. Eles normalmente espreitam as estradas, mas relatos afirmam que eles vagam pelas cidades ocasionalmente. Cães domésticos normalmente se escondem, uivam ou fogem quando vêem um aswang nesta forma.

Suína - a forma mais comum assumida por um aswang (a maioria das testemunhas que afirmam terem visto um aswang relatam vê-lo nessa forma), essencialmente apenas um porco possuindo as características básicas das duas primeiras formas de aswang. Sua chegada é anunciada pelo bufo e ranger de dentes característicos de um porco doméstico. Geralmente o seu tamanho, anormal para um porco comum, o denuncia.



Aviária - Às vezes chamada de Tiktik, essa é uma das formas mais sinistras assumidas pelos aswang. Nesta forma, o aswang se assemelha a um corvo ou abutre, porém possui o tamanho de um ser humano. Além do seu grande tamanho, ele consegue voar baixo e devagar sem precisar bater suas asas, mesmo que não haja vento.

Felina - uma das formas aswang menos comuns. Um aswang em forma de gato pode variar em tamanho, desde o de um gato siamês até o de um jaguar. 

Uma forma de se descobrir se um animal ou pessoa é um Aswang, é se aproximar dele e fitá-lo diretamente nos olhos, observando assim sua coloração semelhante a brasas ardentes e suas veias vermelhas. Dizem também que se olhar diretamente nos olhos de um Aswang, seu reflexo aparecerá de cabeça para baixo. Porém, se uma pessoa comum tentar fazer isso é certo de que será morta, pois Aswangs são predadores carnívoros e extremamente ferozes. Após matar suas vítimas, o Aswang leva seus cadáveres para o seu covil, onde devora toda a carne e principalmente o fígado.


Aswangs possuem vulnerabilidades, sendo a principal delas o medo de alho. Apenas ver uma cabeça de alho é o suficiente para assustá-los e afugentá-los. O cheiro de alho é capaz de deixá-los paralisados e incapazes de usarem seus poderes, e o contato com o suco do alho é fatal. Aswangs também possuem aversão a vários tipos de metais. Viajantes costumam levar moedas no bolso ou mesmo amuletos feitos de metal para mantê-los longe. Aswangs podem também serem mortos por decapitação ou se atingidos por um chicote feito especialmente com a cauda de uma arraia.


fonte:
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10 de outubro de 2019

Malebête

۞ ADM Sleipnir



Os visitantes da cidade de Angles, na Vendéia (região costeira localizada no sul do vale do Loire, oeste da França), são atraídos pela bela igreja de Notre-Dame-des-Anges (Nossa Senhora dos Anjos). Lá, no topo da torre do sino, está um monstruoso urso de pedra olhando para a cidade, e aqueles que visitam a igreja são aconselhados a evitar sua linha de visão.

Há muito tempo, diz-se que um animal terrível devastou o campo de Angles. Tinha a forma de um grande urso preto, com pelo desgrenhado e emaranhado, e ficou conhecido como o Malebête - a "Besta do Mal" . Esse monstro tinha uma predileção por jovens donzelas, as quais perseguia e devorava. Depois de alimentado, o Malebête se lavava num rio próximo, fazendo com que seus pêlos se amontoassem  e ficassem espetados.

As depredações dessa criatura demoníaca levaram a uma preocupação crescente. O rio passou a ser vermelho de sangue e a população feminina estava diminuindo. Ninguém se atrevia a abordá-lo, pois sua força era maior que a de qualquer cavaleiro. Como era uma encarnação do próprio diabo, ficou claro que apenas um homem suficientemente santo seria capaz de derrotá-lo. Os abades de Fontaines e Talmont tentaram encarar a besta, mas fugiram aterrorizados quando ela os atacou. Um enviado do papa jejuou por dois dias antes de enfrentar o Malebête, mas mal escapou com vida e jurou nunca mais voltar.

Uma pergunta pairava no ar: havia alguém santo o suficiente para derrotar o Malebête? A resposta veio na forma do padre Martin, um velho monge do convento de Angles, que passava a maior parte do tempo isolado na contemplação de Deus. Apoiado em uma bengala e vestido apenas com suas vestes eclesiásticas, o padre Martin foi até o local onde o Malebête estava. Para surpresa de todos, a besta baixou o olhar diante do eremita. “Siga-me”, disse-lhe simplesmente o padre, e o Malebête o fez - assim como toda a população de Angles. Eles seguiram o padre Martin até a igreja, onde ele disse ao Malebête para subir na torre do sino. Uma vez no topo, congelou no lugar e virou pedra.


Apesar da alegria pela derrota do Malebête, ainda havia algumas vozes de dissidência na forma de algumas meninas que provocavam o padre Martin. "Desde quando você é o pastor do diabo?", elas zombaram. O padre Martin apenas sorriu e olhou para o Malebête, dizendo: "A partir de agora, você deve se alimentar apenas da beleza das meninas de Angles". Instantaneamente, todas as mulheres presentes tornaram-se feias e correram para casa envergonhadas. Desde então, as mulheres de Angles evitam passar diante da visão do Malebête. Para adentrar a igreja, por exemplo, usam a porta dos fundos.

Essa história foi contada pela primeira vez por Benjamin Fillon, um personagem duvidoso que parece ter criado a história com todo o pano, tornando-a um tipo de neo-mito. Por outro lado, a estátua do Malebête é de origem pré-cristã, anterior à sua própria lenda; ela originalmente ficava numa posição sentada, sendo desfigurada em sua forma atual. A história de Malebête também é familiar, ecoando muitos outros contos sobre monstros antropófagos mortos por homens justos.


fontes: 
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7 de outubro de 2019

Chedi Bumba

۞ ADM Sleipnir

Arte de Francisco Badilla
Chedi Bumba é um dos deuses criadores na religião e mitologia do povo bushongo do Congo, país da África Central. Um dos muitos filhos do deus criador Mbombo, Chedi Bumba e seus irmãos foram responsáveis por concluírem a criação do mundo iniciada por seu pai. Como um dos últimos a criarem algo, e na tentativa de criar algo diferente do que seus irmãos haviam criado até então, Chedi Bumba acabou criando um pássaro falante, o papagaio.

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2 de outubro de 2019

Shinchū

۞ ADM Sleipnir


Os Shinchū (japonês 神虫 ou しんちゅう, "inseto divino") são deuses insetos que se assemelham a mariposas do bicho-da-seda, porém são maiores que elefantes. Eles possuem olhos largos, uma boca escancarada cheia de dentes afiados, oito pernas, asas enormes e um longo ferrão saindo da parte traseira do abdômen segmentado.

Shinchū são insetos sagrados. Embora eles possuam uma aparência feroz, eles não atacam seres humanos. Em vez disso, eles se alimentam de demônios e espíritos malignos. Em particular, eles atacam yokais que causam doenças e espalham epidemias. Eles rasgam suas vítimas violentamente enquanto se alimentam, deixando poças de sangue e partes de corpos em seu rastro. Seus apetites são tão grandes quanto seu tamanho. A cada manhã, um shinchū consome três mil demônios, e a cada noite devora mais três mil.

Os Shinchū são nativos das montanhas na parte sul do continente Enbutai (conhecido em inglês como Jambudvipa) na cosmologia indiana. É o extremo sul dos quatro continentes que cercam Shumisen (Monte Meru), a montanha sagrada no centro do cosmos. Enbutai é uma terra de floresta e é o único continente habitado por seres humanos. É também o único continente a partir do qual é possível alcançar a iluminação através do estudo e meditação como ser humano. Portanto, os shinchū desempenham um papel importante na proteção dos seres humanos dos espíritos malignos que podem tentar interferir no seu desenvolvimento espiritual.


As mariposas do bicho-da-seda são consideradas criaturas sagradas, e o termo shinchū tem sido usado como um nome poético para esses insetos desde os tempos antigos. Eles eram tidos como criaturas milagrosas, devido à transformação física de larvas em mariposas e à seda preciosa que produziam.

As raízes dos Shinchū estão nas antigas religiões chinesa e indiana, estando relacionados às divindades coléricas do hinduísmo e do budismo. A representação mais conhecida de um shinchū está em um conjunto de cinco pinturas que representam divindades coléricas que exterminam espíritos malignos, Hekija-e ("Extermínio do Mal"). Um shinchū é representado ao lado de outros quatro deuses protetores: Tenkeisei, o deus do castigo celestial, Sendan Kendatsuba, um deus da música, protetor de crianças e membro das Oito Legiões, Shōki (mais conhecido pelo seu nome chinês, Zhong Kui), o subjugador de demônios, e Bishamonten, líder dos Quatro Reis celestiais. Este conjunto de pinturas é reverenciado como um Tesouro Nacional do Japão.

Representação do Shinchū no Hekija-e
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14 de setembro de 2019

7 Anos de Blog!


Hoje o Portal dos Mitos completa sete anos de existência. Tem sido difícil continuar o trabalho aqui, seja por conta das dificuldades do dia a dia, seja pelo desânimo em ver o trabalho feito aqui ser pouco reconhecido e mal remunerado. Apesar de tudo, encontro sempre forças pra continuar pesquisando e trazendo o melhor conteúdo que posso. 

Obrigado a todos vocês que acompanham nosso conteúdo, em especial aqueles que o fazem desde os primórdios do blog. Eu queria fazer muito mais, mas com as dificuldades que enfrento hoje em dia e sem incentivo financeiro, é complicado. Que venham mais aniversários!


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9 de setembro de 2019

Bazaloshtsh

۞ ADM Sleipnir


Bazaloshtsh ("Lamento de Deus", também conhecida como Boialoshtsh) é uma espécie de fada/banshee pertencente ao folclore dos Vendos, um grupo étnico eslavo que habitou o leste alemão. Ela é descrita como sendo uma mulher de baixa estatura e com cabelos compridos, e vê-la é um presságio de morte. As lendas contam que ela aparece sob a janela de alguém que está prestes a morrer, onde ela se senta e chora.


fonte:
  • Encyclopedia of Spirits and Ghosts in World Mythology, de Theresa Bane.
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Ruby