14 de março de 2018

Charía, A Onça Celeste

۞ ADM Sleipnir


Charía (ou Anhá) é um espírito maléfico pertencente a mitologia tupi-guarani. Os tupi-guaranis relatam os que os eclipses solares e lunares ocorrem porque este espírito, representado por uma onça celeste, sempre persegue os irmãos Guaraci e Jaci (Sol e Lua), que o importunam. Chariá se localiza em dois lugares opostos do céu e seu olho direito é representado por duas estrelas vermelhas, Antares, da constelação do Escorpião, e Aldebaran, da constelação do Touro. Essas constelações ficam em oposição no zodíaco, onde passam o Sol, a Lua e os planetas, observados da Terra.

Uma noite por mês, a Lua aproxima-se de Antares e de Aldebaran, e o Sol chega perto dessas estrelas vermelhas um dia por ano, podendo ocorrer eclipses. Na ocasião dos eclipses, os tupi-guaranis fazem uma grande algazarra com o objetivo de espantar a onça celeste, pois acreditam que ela pode matar o Sol e a Lua. Se isso acontecer, a Terra cairá na mais completa escuridão e ocorrerá o fim do mundo. 

O Mito do  Eclipse Lunar 

No início do tempo e do espaço, antes de se fixarem no céu, Guaraci, o Sol e sua irmã mais nova, Jaci, a Lua, habitavam a Terra e viviam juntos diversas aventuras. Um dia, os irmãos Sol e Lua encontraram Charía, pescando em um rio. Com o objetivo de importunar a Onça, que não tinha percebido os dois irmãos, o Sol mergulhou e mexeu o anzol, imitando um peixe grande. Charía puxou o anzol vazio, caindo para trás. O Sol repetiu o seu gesto por três vezes e em todas elas Charía caiu de costas. "Agora é a minha vez", disse a Lua sorrindo.

Então, ela mergulhou e foi deslizando na direção do anzol. No entanto, Charía foi mais rápido: pescou a Lua e a matou com um bastão de madeira. Depois, ele a levou para casa, como se fosse um pescado, para comer com sua mulher. Quando Onça e sua mulher estavam cozinhando a Lua, o Sol chegou e foi convidado por Charía para comer o peixe com eles. O Sol agradeceu dizendo que aceitaria apenas um pouco de caldo de milho e pediu que não jogassem fora os ossos do peixe, pois gostaria de levá-los consigo. Depois, recolhendo os ossos, o Sol levou-os para longe e, utilizando a sua própria divindade, ressuscitou sua irmã mais nova.

Assim, um eclipse lunar representa a Lua sendo devorada pela Onça Celeste, sendo que a cor avermelhada é o próprio sangue da Lua que a oculta. A Lua só ressurge em toda a sua plenitude, como Lua-cheia, porque o seu irmão mais velho, o Sol, a ressuscita e salva. 

Arte de Mari Morgan

fontes:
  • SABERES ASTRONÔMICOS DOS TUPINAMBÁS DO MARANHÃO, de Germano Bruno Afonso (Musa - FAPEAM/CNPq);
  • Antologia do folclore brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo;
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2 comentários:



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