16 de fevereiro de 2026

Estátuas Dogu

۞ ADM Sleipnir

shakōki-dogū

As estátuas Dogu (土偶) são enigmáticas esculturas de argila produzidas pelos povos da era Jomon, período pré-histórico do Japão que se estende aproximadamente de 10.000 a.C. a 300 a.C.. Datadas, em alguns casos, de cerca de 5.000 a.C., essas figuras chamam atenção por sua aparência incomum e intrigante.

Visualmente, os Dogu apresentam uma estética frequentemente descrita como estranhamente “mecânica”. Em geral, possuem rostos grandes, braços e mãos pequenas e corpos compactos. Algumas figuras parecem usar algo semelhante a óculos, enquanto outras exibem faces em formato de coração. Muitas delas trazem marcas no rosto, no peito e nos ombros, interpretadas por pesquisadores como possíveis tatuagens, escarificações ou incisões feitas com instrumentos simples, possivelmente de bambu.

Origem e Distribuição

Os primeiros Dogu surgiram no início do período Jomon, mas sua produção se intensificou especialmente do Jomon Médio ao Jomon Tardio. Essas estátuas foram encontradas em praticamente todo o território japonês, embora a maior diversidade e concentração tenha sido registrada no norte do Japão, sobretudo na região de Tohoku.

Segundo o Museu Nacional de História Japonesa, aproximadamente 15.000 estátuas Dogu já foram descobertas. A maioria delas foi encontrada no leste do Japão, sendo raras no oeste do país. Atualmente, exemplares podem ser vistos em diversas instituições, como a Coleção Arqueológica Japonesa da Universidade de Tohoku, em Sendai, além de vários museus espalhados pelo Japão.

Estilos e Conservação

Assim como a cerâmica Jomon, os Dogu apresentam variações significativas de estilo conforme a região e o período em que foram produzidos. Ao longo do tempo, pesquisadores identificaram diferentes tipos de Dogu, classificados principalmente com base em suas características formais. Entre os mais conhecidos estão os shakōki-dogū, caracterizados por olhos grandes e arredondados, frequentemente comparados a óculos ou lentes, comuns no Jomon Tardio do norte do Japão. Outros tipos incluem os heart-shaped dogū, com rostos em formato de coração, os horned dogū, que apresentam protuberâncias semelhantes a chifres, e formas mais simples e estilizadas encontradas em períodos mais antigos.


Apesar da grande quantidade descoberta, a maioria das estátuas foi exumada fragmentada. Braços, pernas ou outras partes do corpo frequentemente estão ausentes, e em muitos casos há indícios de que essas quebras ocorreram de forma intencional, e não apenas por ação do tempo.

Função e Significado

O verdadeiro propósito dos Dogu permanece incerto. No entanto, há uma tendência predominante entre os estudiosos de que essas figuras funcionavam como efígies humanas ligadas à chamada magia simpática. Nessa perspectiva, doenças, dores ou infortúnios poderiam ser simbolicamente transferidos para a estátua, que depois era quebrada como forma de eliminar o mal ou encerrar o ritual.

Essa interpretação também sustenta a ideia de que os Dogu atuavam como talismãs associados à saúde, à fertilidade e à proteção durante a gravidez e o parto. O fato de muitos exemplares terem sido encontrados deliberadamente fragmentados, frequentemente em áreas de descarte, reforça a hipótese de que sua destruição fazia parte do próprio ritual, seja após o cumprimento, seja após o fracasso do pedido.

Outras teorias sugerem que os Dogu representariam divindades femininas ligadas à abundância e à regeneração, às quais os povos Jomon recorriam em busca de alimento, proteção e bem-estar. Há ainda interpretações que os veem como brinquedos infantis, oferendas funerárias ou objetos empregados em rituais hoje desconhecidos.


Teorias Alternativas e Controversas

Além das interpretações arqueológicas tradicionais, surgiram teorias mais especulativas ao longo do século XX. Alguns autores defenderam que os Dogu seriam representações de “antigos astronautas”, supostos visitantes extraterrestres que teriam influenciado civilizações antigas. Um dos principais defensores dessa ideia foi Vaughn M. Greene, que em obras como Astronauts of Ancient Japan e The Six Thousand Year Old Space Suit argumentou que os Dogu retratariam trajes espaciais.

Essas teorias costumam associar os Dogu a outras representações antigas ao redor do mundo que exibem figuras aparentemente “capaceteadas”, como os petróglifos de Val Camonica, na Itália, as pinturas do Tassili n’Ajjer, no Saara, gravuras aborígenes australianas, as estátuas dos gigantes de Tula, no México, as figuras de Tiahuanaco, na Bolívia, e estatuetas atribuídas à antiga cultura de Mohenjo-Daro, no sul da Ásia. Tais interpretações, contudo, não são aceitas pela arqueologia acadêmica, que as considera anacrônicas e carentes de evidências sólidas.

Singularidade dos Dogu

Independentemente das interpretações propostas, as estátuas Dogu permanecem únicas no mundo antigo. Sua grande diversidade formal, a fragmentação intencional e a ausência de registros escritos que expliquem seu uso exato fazem delas um dos artefatos mais fascinantes e enigmáticos da pré-história japonesa, continuando a desafiar arqueólogos, historiadores e pesquisadores até os dias atuais.


Cultura Popular

Na cultura popular contemporânea, as estátuas Dogu aparecem de forma recorrente como referências visuais ou simbólicas associadas a mistério, antiguidade e forças ocultas. Alguns exemplos notáveis incluem:
  • The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, cujos guardiões, estátuas e elementos visuais remetem aos shakōki-dogū;
  • o mangá e anime Dandadan, onde inspiraram alguns dos exotrajes alienígenas presentes na franquia;
  • a franquia Pokémon, especialmente Baltoy e Claydol, inspirados em estatuetas rituais antigas associadas aos Dogu;
  • a franquia Digimon, com Shakkoumon, cujo design é diretamente inspirado nos shakōki-dogū.
Exotrajes Takonoka Ru Patcho (esquerda) e Ta Komeshi (direita) (Dandadan)


Shakkoumon (Digimon)


fontes:
PARTICIPE! Deixe seu comentário, elogio, crítica nas publicações. Sua interação é importante e ajuda a manter o blog ativo! Para mais conteúdo, inclusive postagens exclusivas, siga o Portal dos Mitos no seu novo Instagram: @portaldosmitosblog

Nenhum comentário:



Seu comentário é muito importante e muito bem vindo, porém é necessário que evitem:

1) Xingamentos ou ofensas gratuitas ao autor e a outros comentaristas;
2)Comentários racistas, homofóbicos, xenófobos e similares;
3)Spam de conteúdo e divulgações não autorizadas;
4)Publicar referências e links para conteúdo pornográfico;
5)Comentários que nada tenham a ver com a postagem.

Comentários que inflijam um desses pontos estão sujeitos a exclusão.

De preferência, evite fazer comentários anônimos. Faça login com uma conta do Google, assim poderei responder seus comentários de forma mais apropriada, e de brinde você poderá entrar no ranking dos top comentaristas do blog.



Ruby