21 de fevereiro de 2026

Walo

۞ ADM Sleipnir

Walo é um gigante mítico pertencente ao folclore maranao, povo austronésio do sul das Filipinas. Ele é conhecido como o guardião das almas humanas e habita os reinos celestiais, mais precisamente uma área do paraíso onde as almas de todos os seres humanos são mantidas.

Segundo a tradição, Walo é um ser de aparência assustadora, dotado de mil olhos, que lhe permitem vigiar tudo ao mesmo tempo, e oito cabeças cobertas de pelos, símbolos de força e poder. Apesar de sua forma imponente, ele não é visto como um ser maligno, mas como um guardião necessário, encarregado de proteger um espaço sagrado e manter a ordem espiritual.

Contexto mitológico

Na cosmologia maranao, o universo é organizado em sete camadas. Tanto a terra quanto o céu possuem sete níveis, habitados por diferentes tipos de seres. A sétima camada do céu corresponde ao paraíso, destino das almas após a morte.

Dentro do paraíso existe um local reservado onde as almas das pessoas vivas são guardadas em jarros bem fechados. Esse espaço é vigiado por Walo, cuja função é garantir que o ciclo da vida e da morte siga seu curso natural, sem interferências indevidas.

Arte de @thatguywithapen

Walo no épico Darangan

Walo aparece no Darangan (ou Darangen), o grande ciclo épico da tradição oral maranao, especialmente nos relatos ligados à morte e ao retorno do herói príncipe BantuganSegundo a narrativa, Bantugan era um príncipe virtuoso, admirado por sua beleza, coragem e bondade, o que despertou a inveja de seu irmão mais velho, rei do reino de Bumbaran. Durante uma de suas campanhas militares, o rei proibiu o povo de falar com Bantugan sob pena de morte. Ao retornar vitorioso e encontrar apenas silêncio e rejeição, o príncipe, profundamente entristecido, decidiu abandonar seu reino e partir em viagem.

Após longas jornadas, Bantugan chegou exausto às portas do Reino-Entre-Dois-Mares, onde caiu ao chão e morreu. Sua morte causou grande comoção, e até mesmo o rei, arrependido, lamentou profundamente o destino do irmão.

Movido pelo amor fraterno, Madale (ou Madali), irmão de Bantugan, decidiu descer ao domínio espiritual para recuperar sua alma. Acompanhado do rei, ele empreendeu uma jornada perigosa pelos céus, atravessando regiões de tempestades, fogo e calor extremo, até alcançar os portais mais altos do firmamento.

Nesse ponto da narrativa, os heróis chegam à região celestial onde se encontram as almas dos mortos, guardadas em recipientes. Com astúcia, Madale consegue distrair Walo e localizar a alma de Bantugan, aprisionada em um recipiente. Ele então retorna rapidamente ao mundo dos vivos e devolve a alma ao corpo do príncipe, que desperta como de um sono profundo. O retorno de Bantugan é celebrado por muitos dias, e mais tarde ele se casa com a princesa Datimbang, selando a restauração da harmonia.

Arte de @mark0riginals

fontes:

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