19 de fevereiro de 2026

Nun

۞ ADM Sleipnir


Nun (também chamado Nu, Nenu ou Nunu) é uma divindade primordial da mitologia egípcia, associada às águas caóticas e infinitas que existiam antes da criação do mundo. Ele representa o oceano primordial do qual surgiu o universo e do qual emergiram os deuses criadores. Diferentemente das divindades cultuadas nos templos, Nun não possuía sacerdócio próprio nem locais de adoração exclusivos, sendo compreendido sobretudo como uma força cósmica fundamental, presente em toda a criação.

Origem e papel na criação

Na teologia de Hermópolis, Nun ocupa posição central no mito da criação. Segundo essa tradição, o universo surgiu da interação de oito forças primordiais conhecidas como a Ogdóade, composta por quatro divindades masculinas (Amon, Heh, Kuk, além do próprio Nun) e suas respectivas contrapartes femininas (Amanunet, Hauhet, Kauket e Naunet). Nun e e Naunet, personificavam o elemento da água primordial, da qual todas as outras formas de existência se originaram.

Recorte de um relevo do Templo de Dendera, monstrado a Ogdóade de Hermópolis. No canto superior esquerdo estão o deus Heh e a deusa Hauhet; à direita estão Nun e Naunet. No canto inferior esquerdo estão Amon e Amaunet; à direita deles estão Kuk e Kauket.

Embora o Egito Antigo apresentasse diversos mitos de criação, todos concordavam que o mundo teve início nas águas de Nun. Algumas tradições afirmavam ainda que, ao final dos tempos, toda a criação retornaria a esse estado primordial, quando a ordem cósmica deixaria de existir.

Nun era considerado o mais antigo de todos os deuses e recebia o título simbólico de “Pai dos Deuses”. Esse título, porém, não indicava uma paternidade direta, mas sim sua precedência absoluta no tempo e sua função como fonte primordial da existência.

Relações com outros deuses

Em muitos mitos, o deus criador surge “dentro de Nun” ou a partir dele. Em Hermópolis, esse criador podia ser identificado com divindades como Thoth, Amon, Hórus ou , dependendo da tradição local. Já em Mênfis, Nun era associado ao deus criador Ptah, formando a divindade composta Ptah-Nun. Nessa concepção, Ptah teria se manifestado como Nun para dar origem à vida, ao crescimento e à ordem do mundo.

Na teologia tebana, sacerdotes defendiam que Amon foi o primeiro a emergir das águas de Nun, transformando-se no monte primordial e iniciando, a partir daí, o processo de criação dos demais deuses. Nessa visão, Nun permanecia como uma força poderosa, mas passiva, necessária para que a criação pudesse ocorrer.

Nun e o ciclo cósmico

Nun não simbolizava apenas o início do mundo, mas também a ameaça constante do retorno ao caos. Durante a cheia anual do rio Nilo, os egípcios acreditavam que o país se aproximava novamente de seu estado primordial, quando as águas cobriam a terra e a ordem da civilização parecia temporariamente suspensa.

Todas as águas — rios, mares e lagos — eram consideradas manifestações diretas de Nun. Por esse motivo, ele era visto como a fonte do Nilo e de sua inundação anual, essencial para a fertilidade do Egito. A presença simbólica de Nun também estava associada à fundação dos templos, uma vez que os egípcios utilizavam a água como referência para nivelar o terreno, ligando esse processo à ordem primordial.

Segundo a mitologia, todas as noites o deus solar Rá retornava ao abismo aquoso de Nun para ser regenerado antes de nascer novamente ao amanhecer. Estados como o sono, os sonhos, a embriaguez e a morte eram compreendidos como formas simbólicas de retorno temporário a esse abismo primordial. Em textos funerários como o Livro dos Portões, Nun aparece como uma figura colossal que ergue a barca solar das profundezas do caos e a conduz de volta ao céu.


Aspectos simbólicos e mitológicos

Apesar de sua ligação com o caos primordial, Nun não era visto como uma força destrutiva. Diferentemente da serpente Apep, inimiga de Rá e personificação do caos hostil, Nun possuía um aspecto protetor e equilibrador. Em diversos mitos, ele protege os deuses Shu e Tefnut das forças caóticas e atua como conselheiro divino em momentos de crise.

Em uma narrativa amplamente conhecida, quando os seres humanos passam a se rebelar contra os deuses, Rá consulta Nun sobre como agir. O deus primordial aconselha o envio do chamado “Olho de Rá”, identificado com a deusa Hathor, para punir a humanidade. Essa punição assume caráter destrutivo e, em algumas interpretações, é associada a uma grande inundação, reforçando a ligação simbólica entre Hathor e o poder das águas.

Culto e representações

Nun não possuía templos nem sacerdotes dedicados exclusivamente a ele. Ainda assim, estava simbolicamente presente no lago sagrado de todos os templos egípcios, representando a água primordial da qual a criação emergiu.

Na iconografia egípcia, Nun foi representado de diversas maneiras ao longo do tempo. Como membro da Ogdóade, aparecia frequentemente sob a forma de um sapo ou de um homem com cabeça de sapo, símbolo de regeneração e fertilidade. Em outras representações, era retratado como um homem barbado de pele azul ou verde, cores associadas à água, ao rio Nilo e à renovação da vida. Nessas imagens, Nun costuma surgir emergindo das águas primordiais ou sustentando a barca do deus solar, enfatizando seu papel no ciclo eterno da criação e da renovação cósmica. Em algumas representações menos comuns, ele assume uma forma andrógina, com seios pronunciados, destacando seu caráter gerador e sua função como fonte de toda a existência.

Arte de Galgannet


fontes:

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