
Katthveli (“baleia-gato”, também chamada Katthvalur, Kettuhvalur, Kattfiskur (“peixe-gato”), Kisa (“gatinha”), Bísill (“felino”) ou Sea-cat (“gato-do-mar”), é uma das Illhveli (“baleias do mal”), grupo composto por dez baleias míticas que dizem terem vagado durante os tempos medievais pelas águas que rodeiam a Islândia. Em geral, ela é menor e menos destrutiva do que as demais Illhveli, e existem até relatos raros de exemplares que teriam sido parcialmente domesticadas. Mesmo assim, como todas as illhveli, sua carne é considerada imprópria para consumo, e acreditava-se que apenas dizer seu nome em voz alta no mar já seria suficiente para atraí-la. Por isso, falar sobre o Katthveli durante uma viagem marítima era visto como algo extremamente perigoso.
As descrições físicas da Katthveli variam bastante. Ele já foi comparado a uma foca, a um golfinho ou a uma pequena baleia, sempre com a parte da frente do corpo mais larga e a traseira mais estreita. Diz-se que tinha a boca de um leopardo, a força de um leão e a fome insaciável de um cão de caça. O nome “baleia-gato” vem dos longos bigodes peludos em seu focinho e dos sons que emitia: um ronronar suave ao soltar o ar, mas também miados e sibilos quando ficava agitado. Media cerca de oito metros de comprimento e apresentava um comportamento curioso, muitas vezes comparado ao de um gato. A cabeça era curta e arredondada, com saliências que lembravam orelhas. Possuía dentes pequenos e afiados na parte superior da boca e, segundo o relato de São Brandão, também presas semelhantes às de um javali. Seus olhos brilhavam de forma inquietante, as nadadeiras eram grandes e equipadas com garras curvas e perigosas. As cores variavam entre rosa, cinza, marrom escuro e padrões de coloração mais claros na parte inferior do corpo; um exemplar visto perto das Ilhas Faroé tinha o queixo claro e a pele com aspecto lanoso.
Há relatos de que Katthvelis costumavam nadar junto a grandes baleias e cardumes de peixes. Apesar de não serem enormes, eram considerados agressivos e cruéis, usando sua velocidade para passar por baixo das embarcações e virá-las. Uma delas teria perseguido um barco próximo às falésias de Skálanesbjarg, desistindo apenas quando os remadores conseguiram escapar. Outra surgiu em Héradsflói e permaneceu ao lado de um navio, impedindo os marinheiros de pescar e observando-os fixamente. Ninguém se atreveu a atacá-la com arpões, temendo provocar a criatura, que acabou mergulhando e desaparecendo ao anoitecer. Em outro caso, Ásmundur Helgason e seus companheiros foram atacados perto da ilha Seley: o animal bateu contra o barco e chegou a atravessar o casco com a cabeça. Após uma luta assustadora, conseguiram expulsá-la e alcançar terra firme. Já nas Ilhas Faroé, em Suðuroy, uma Katthveli saiu parcialmente da água, apoiou as nadadeiras na lateral de um barco e começou a sibilar, cuspir e tentar morder os tripulantes, até que um homem teve a ideia de colocar o cano da arma em sua boca e disparar, fazendo com que a criatura afundasse de volta ao mar.
São Brandão também conta ter encontrado um “gato-do-mar” do tamanho de um cavalo em uma pequena ilha. O animal teria sido levado ainda filhote por doze marinheiros peregrinos e, no início, era dócil e amigável. Com o passar do tempo, porém, cresceu rapidamente, tornou-se cada vez mais faminto e acabou devorando quase todos os marinheiros. Apenas um sobreviveu, refugiando-se em uma pequena igreja de pedra. Desesperado, ele rezou pedindo ajuda, e então uma grande baleia surgiu do mar, agarrou o gato-do-mar e o arrastou para as profundezas, onde os dois desapareceram.
Curiosamente, o peixe-lobo (Anarhichas lupus) era conhecido no inglês antigo como cat-fish ou sea-cat, o que pode ter ajudado a criar ou reforçar a lenda do Katthveli. Caso a criatura seja fruto de confusão ou exagero, estudiosos acreditam que a origem do mito possa estar na observação de grandes focas, como a morsa ou a foca-barbuda, reinterpretadas pelo imaginário medieval.
Katthveli




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