5 de janeiro de 2026

Geumdwaeji

۞ ADM Sleipnir

Geumdwaeji (coreano 금돼지, "javali dourado") é uma criatura do folclore coreano, descrito como um porco ou javali antropomórfico de pelos dourados e que, segundo a tradição, habitava uma caverna na ilha de Wolyeongdo, diante de Masan, onde atuava como um ser devorador de homens e para onde sequestrava mulheres para devorá-las ou forçá-las a servi-lo. Além de força bruta, Geumdwaeji era tido como mestre em magia e metamorfose, o que o aproxima da figura de Zhu Bajie, personagem do clássico chinês Jornada ao Oeste. No entanto, como as lendas do Geumdwaeji remontam ao período Silla (séculos VII–X), sua tradição é mais antiga que a versão chinesa.

Mitos

Um dos mitos mais conhecidos envolvendo o Geumdwaeji é o de Choe Chi-won, erudito do fim do período Silla. Conta-se que, sempre que um magistrado assumia o posto em uma aldeia de Gochang-gun, sua esposa desaparecia misteriosamente. Ciente disso, um novo magistrado costurou um fio à roupa da esposa e seguiu o rastro até a caverna, onde encontrou o monstro. Munido de pele de cervo — considerada sua maior fraqueza — conseguiu derrotá-lo. A esposa, contudo, teria concebido um filho ligado ao Geumdwaeji, identificado como o próprio Choe Chi-won. Dessa forma surgiu a crença de que o erudito descendia do javali dourado, símbolo ao mesmo tempo de ruptura da ordem antiga e do nascimento de uma nova.

Outras tradições contam a história de modos distintos: em certos relatos, o raptado é o próprio magistrado; em outros, o javali subjuga a esposa e gera um filho. Há também versões que discordam sobre o ponto fraco do monstro, mencionando não só a pele de cervo, mas igualmente a de cavalo branco ou a de carneiro como elementos capazes de derrotá-la.

Geumdwaeji também aparece em outro romance clássico, Geumbanguljeon (금방울전, 金鈴傳,“O Conto do Sino de Ouro”), onde é descrito como o rei de monstros malignos com características semelhantes às da tradição oral. Nessa narrativa, o monstro engole o herói Geumbangul, mas acaba passando mal e, após se debater, é morto brutalmente pelo protagonista Haeryong.


fontes:
  • 금돼지. Disponível em: <https://namu.wiki/w/%EA%B8%88%EB%8F%BC%EC%A7%80>;
  • MYUNG-SUB, C.; JUNG, H.-Y.; KUNGNIP-MINSOK-PANGMULGWAN. Encyclopedia of Korean Folk Literature = Han’guk minsok paekhwa sajŏn 3. Han’guk minsok munhak sajŏn. Seoul: The National Folk Museum Of Korea, 2014.

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4 de janeiro de 2026

Nihniknoovi

۞ ADM Sleipnir

Nihniknoovi é uma criatura mítica do folclore indígena norte-americano, associada aos povos Kawaiisu Tübatulabal, da região da Grande Bacia (Great Basin), no sudoeste dos Estados Unidos. Ela é descrita como um ser monstruoso de aparência aviária, semelhante a um grande falcão ou outra ave de rapina de proporções descomunais.

Segundo a tradição oral, o Nihniknoovi possui garras enormes e poderosas, com as quais captura seres humanos. A criatura é frequentemente retratada como capaz de voar longas distâncias, carregando suas vítimas presas às garras até sua morada nas montanhas. Após matar suas vítimas, ele as transporta até um poço ou lago, onde lava o sangue dos corpos antes de devorá-los.


fontes:
  • ROSE, C. Giants, monsters, and dragons : an encyclopedia of folklore, legend, and myth. New York: Norton, 2001.
  • GILL, S. D.; SULLIVAN, I. F. Dictionary of Native American Mythology. [s.l.] ABC-CLIO, 1992.

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3 de janeiro de 2026

Cloacina

۞ ADM Sleipnir


Cloacina (em latim Cloācīna, “A Purificadora”, do verbo cluo, “limpar”, do qual deriva também cloaca, “esgoto” ou “dreno”) era uma deusa da Roma Antiga associada à purificação e à higiene ritual. Ela presidia a Cloaca Maxima (“Grande Dreno” em latim), o principal canal do sistema de esgotos de Roma. Segundo a tradição, a Cloaca Máxima teria sido iniciada durante o reinado de Tarquínio Prisco, um dos reis etruscos de Roma, e concluída por Tarquínio, o Soberbo, também de origem etrusca. Em razão disso, é possível que Cloacina tenha sido originalmente uma divindade etrusca posteriormente assimilada ao panteão romano.

De acordo com um dos mitos fundacionais de Roma, Tito Tácio, rei dos sabinos, teria erguido uma estátua em honra a Cloacina no local onde romanos e sabinos se reuniram para selar a paz após o episódio conhecido como o rapto das mulheres sabinas. Nesse contexto, Tácio instituiu o casamento legal entre sabinos e romanos, unificando-os como um único povo sob o governo conjunto dele próprio e de Rômulo, o fundador de Roma.


A reconciliação entre sabinos e romanos foi marcada por um ritual de purificação com murta, realizado em ou nas proximidades de um antigo santuário etrusco dedicado a Cloacina, situado acima de um pequeno curso d’água que mais tarde seria ampliado e integrado à Cloaca Máxima. Como a murta era um dos símbolos de Vênus, deusa associada à união, à paz e à reconciliação, Cloacina passou a ser identificada como Vênus Cloacina (Venus Cloacina, “Vênus, a Purificadora”). Nessa forma sincrética, atribuía-se-lhe também a função de purificar as relações sexuais dentro do casamento.

Culto e representações

O pequeno santuário circular de Vênus Cloacina localizava-se em frente à Basílica Emília, no Fórum Romano, diretamente acima da Cloaca Máxima. Algumas moedas romanas trazem representações desse santuário. As imagens mais nítidas mostram duas figuras femininas, presumivelmente divinas, cada uma acompanhada por um pássaro pousado sobre uma coluna. Uma das figuras segura um pequeno objeto, possivelmente uma flor. Tanto pássaros quanto flores eram símbolos associados a Vênus, entre outras divindades, e essas figuras podem representar os dois aspectos complementares da divindade sincrética Cloacina–Vênus.

Santuário de Vênus Cloacina


fontes:

  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Cloacina. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Cloacina>;
  • DALY, K. N.; RENGEL, M. Greek and Roman mythology, A to Z. New York: Chelsea House Publishers, 2009.


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1 de janeiro de 2026

Changxi

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rishengrisheng

Changxi ( chinês: 常羲) também conhecida como Changyi ou Ch’ang-hsi, é uma deusa lunar da antiga mitologia chinesa, reverenciada como a mãe das doze luas e esposa do deus Di Jun. Ela desempenha um papel central na concepção chinesa do tempo e dos ciclos celestes, sendo responsável por moldar o calendário lunar ao harmonizar os movimentos da lua com os do sol.

Mitologia

Changxi é mencionada principalmente no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") onde aparece como uma deusa que banha as doze luas, suas filhas, em um lago sagrado situado no oeste da China. Cada lua representa um mês lunar, e Changxi supervisiona seus ciclos, garantindo que eles completem a jornada celestial diária. Embora o Shan Hai Jing não descreva detalhadamente as atividades das luas, a narrativa sugere que sua função era complementar os ciclos solares, de forma semelhante ao mito de Xi He, a deusa do sol, que deu à luz dez sóis e os banhava na árvore Fusang.

A tradição atribui a Changxi a tarefa de sincronizar os ciclos lunares com os solares, incluindo a inserção de um mês bissexto (um mês extra adicionado a um calendário lunissolar para realinhá-lo com o ano solar).

Influências

O mito de Changxi incorpora temas recorrentes na mitologia chinesa, como a ideia de que no passado antigo havia mais de uma lua e de que a lua nasce de uma deusa, enfatizando a ligação entre o divino e os fenômenos naturais. Outro elemento importante é o ato de banhar ou lavar as luas, que, segundo algumas tradições dos povos Miao, Buyi e Yi, servia para limpar a poeira acumulada durante seu trabalho e fazê-las brilhar novamente. Além disso, o número de luas pode variar conforme a tradição — cinco, sete, nove, dez ou doze —, sendo que a versão mais conhecida atribui a Changxi doze luas, correspondentes aos meses do calendário lunar.

Relação com Chang’e

Changxi às vezes é confundida com Chang’e, outra deusa lunar famosa por ter roubado o elixir da imortalidade de seu marido, Hou Yi, e voado para a lua. Alguns estudiosos chineses sugerem que ambas as deusas possam ter se originado da mesma figura lunar, dada a semelhança fonética de seus nomes no chinês antigo e a associação direta de ambas com a lua.


fontes:
  • ROBERTS, J. Chinese mythology : a to Z. New York: Chelsea House, 2010;
  • YANG, L.; AN, D.; JESSICA ANDERSON TURNER. Handbook of Chinese mythology. [s.l.] Oxford [U.A.] Oxford University Press, 2008;
  • WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Changxi. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Changxi>.

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Ruby