۞ ADM Sleipnir
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O manganês é um mineral essencial para diversas indústrias, especialmente na produção de ligas metálicas e na fabricação de baterias, sendo amplamente explorado em regiões ricas nesse recurso, como o estado brasileiro do Amapá. No entanto, além de sua relevância econômica, o manganês também ocupa um lugar simbólico no imaginário popular amapaense, onde uma lenda, originada nos tempos da escravidão, busca explicar a origem desse mineral e carrega consigo um poderoso relato de resistência e sofrimento.
Segundo a lenda, um grupo de escravizados africanos fugiu para a área hoje conhecida como Serra do Navio, em busca de liberdade. Esses homens e mulheres estabeleceram duas comunidades principais: uma na região do Curiaú e outra nas proximidades do Rio Itauna — atualmente chamado de Rio Pedra Preta, um afluente do Rio Araguari. Nesses refúgios, encontraram paz temporária, vivendo da agricultura e preservando suas tradições culturais e religiosas.
A paz da aldeia de Itauna foi interrompida quando, em certa noite, homens brancos invadiram o local. Rapidamente, os invasores escravizaram os moradores e os forçaram a realizar trabalhos pesados, principalmente na extração de riquezas minerais.
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Arte de Honorato Jr. |
No entanto, um homem se destacou entre os escravizados: Itauna, um líder de feições marcantes e espírito indomável, cuja reputação o precedia como símbolo de resistência e esperança para os seus companheiros. Itauna recusava-se a submeter-se completamente à dominação dos brancos. Reconhecendo a força de sua liderança, os feitores decidiram acorrentá-lo a uma grande rocha na floresta, esperando que os animais selvagens o devorassem. Contudo, por razões misteriosas, nenhum animal ousou aproximar-se dele. Mesmo sem comida, Itauna permaneceu vivo, sustentado por um profundo desejo de vingança e pela força de sua indignação.
Enfraquecido, mas não vencido, Itauna orou à deusa Taimã, pedindo coragem e força para libertar seu povo. Então, uma fúria incontrolável tomou conta de seu corpo e ele quebrou os grilhões que o prendiam, permitindo que ele iniciasse um ataque contra os feitores. Inspirados por seu ato de rebeldia, outros escravizados uniram-se à luta. Contudo, sem armas e debilitados pelos anos de trabalho forçado, foram massacrados. Itauna foi capturado, gravemente ferido, e condenado a uma morte lenta, sangrando até a morte. Seu corpo, assim como os de seus companheiros, foi deixado para ser consumido por aves de rapina.
Após o massacre, os homens brancos abandonaram a região, levando consigo grandes fortunas, enquanto o rio foi rebatizado como Amapari. Contudo, a memória de Itauna permaneceu viva na cultura local. Nos anos 50, relatos indicam que uma grande quantidade de uma pedra escura, semelhante a sangue coagulado, foi encontrada no leito do rio, na região que passou a ser chamada de Pedra Preta. De acordo com a lenda, a deusa Taimã, ao presenciar o massacre, transformou o sangue dos escravos em pedra, para que ele não fosse absorvido pela terra em vão. Essa pedra tornou-se o que hoje conhecemos como manganês, um dos principais minerais encontrados na região.
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Arte gerada com I.A. |
fonte:
- PEREIRA DIAS., J. Mitos e Lendas do Amapá. 4. ed. Brasília: Senado Federal, 2020. v. 281
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