20 de maio de 2026

Guajara

۞ ADM Sleipnir

O Guajara é uma entidade do folclore dos povos Tremembé, grupo indígena presente em regiões litorâneas do estado do Ceará, especialmente na área de Almofala. Também conhecido pelos nomes de Duende dos Manguezais, Guari e Pajé do Rio, o ser é associado aos manguezais e às crenças tradicionais ligadas à pesca e à coleta de recursos nesses ambientes.

Segundo a tradição oral, o Guajara é descrito como uma entidade zombeteira e travessa, responsável por provocar medo e confusão entre pescadores, caçadores e moradores das áreas costeiras. Entre suas manifestações mais comuns estão a imitação de sons variados, como vozes de animais, assobios, gritos, ruídos de machado, árvores sendo derrubadas e barulhos associados a caçadores ou coletores de mel. Essas manifestações teriam como objetivo enganar e assustar aqueles que circulam pelos manguezais. Relatos populares afirmam ainda que o Guajara pode assumir a forma de um pato para entrar nas casas e pregar peças nos habitantes locais. Em algumas narrativas, a entidade aparece carregando galhos de mangue, utilizados simbolicamente para castigar aqueles que desrespeitam seus avisos.

Entre os pescadores Tremembé, existe a crença de que sons incomuns ou repentinos no manguezal representam um sinal de mau agouro enviado pelo Guajara. Nessas situações, recomenda-se abandonar a pescaria e retornar para casa, pois insistir na atividade poderia trazer má sorte, febre intensa e dores pelo corpo, descritas como semelhantes às marcas deixadas por açoites. Como forma de proteção, pescadores e caranguejeiros costumam deixar pequenas oferendas de fumo entre as raízes do mangue, prática vista como um gesto de respeito à entidade e uma maneira de evitar seus castigos. 


fontes:
  • FREITAS, A.C.; CARDOSO, I.S.; JOÃO, M.C.A.; KRIEGLER, N. & PINHEIRO, M.A.A. 2018. Lendas, misticismo e crendices populares sobre manguezais, Cap. 5: p. 144-165. In: Pinheiro, M.A.A. & Talamoni, A.C.B. (Org.). Educação Ambiental sobre Manguezais. São Vicente: UNESP, Instituto de Biociências, Câmpus do Litoral Paulista, 165 p;
  • LUÍS DA CÂMARA CASCUDO. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global Editora, 2012.

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