31 de outubro de 2012

Saci-Pererê

۞ ADM Sleipnir




O Saci-Pererê é um dos personagens mais famosos do folclore brasileiro. Ele é uma assombração das matas e áreas rurais, descrito como um menino negro e perneta, que usa um gorro vermelho e fuma um cachimbo rudimentar (o pito). Seu mito teria surgido entre as tribos indígenas do sul do Brasil, porém o mais certo é que ele seja resultado da convergência e mistura das crenças das três etnias que, historicamente, entre a colonização e o Império, formaram o povo brasileiro: índios, portugueses e negros.

Entre os tupi-guaranis, relaciona-se a uma ave chamada Matinta-Perê (ou Matinta-Pereira) que, postada sobre uma só perna, emite um canto sombrio considerado de mau-agouro. Até hoje, uma das características e sinal da presença do saci é o seu assovio. A tradição, nascida no extremo sul, migrou com os índios para o centro-oeste e o sudeste chegando, eventualmente ao norte e nordeste do país. Os portugueses fundiram a idéia da ave com o Trasgo, duende doméstico do folclore europeu, que usa um gorro vermelho e possui poderes sobrenaturais. Mais tarde, os negros forneceram sua contribuição concebendo os sacis como almas penadas de crianças mestiças, bastardas, fruto das relações entre escravas e senhores, rejeitadas e freqüentemente abandonadas nas matas.


Finalmente, quando o mito se consolidava, entre os séculos XVIII e XIX, surgiu uma versão sobre o nascimento dos sacis, descrita posteriormente por Monteiro Lobato (que também era pesquisador do folclore nacional) em sua obra infanto-juvenil "O Saci". Segundo Lobato, os sacis nascem nas hastes do bambu gigante chamado Taquaruçu, onde se desenvolvem. Quando plenamente e magicamente formados, incluindo o gorro e o cachimbo, os sacis rompem as hastes e ganham o mundo passando a frequentar fazendas e vilarejos, onde praticam inúmeras travessuras. Eles goram ovos, chupam o sangue das vacas e cavalos, destes, também se ocupando em trançar-lhes as crinas, "rezam" o milho nas panelas para frustrar o desabrochar das pipocas, azedam o leite, roubam fumo, fazerm objetos sumirem para perturbar a ordem doméstica, confundem o caminho dos tropeiros e viajantes e assustam os animais com seu peculiar assovio. Os sacis fazem essas travessuras somente por diversão.



O Saci possui o poder de aparecer e desaparecer quando quer, e capturá-lo é um procedimento relativamente difícil. Segundo a tradição relatada por Monteiro Lobato, a circunstância ideal para se capturar um saci é em dias de ventania, quando aparecem redemoinhos de poeira e folhas secas. Produzir esses redemoinhos é uma das diversões dos sacis que, girando sobre a perna única, posicionam-se no centro da formação. O "caçador", munido com uma peneira de cruzeta (que tem duas faixas em cruz como reforço no bojo), uma garrafa de vidro bem escura e uma rolha também marcada com uma cruz na parte superior, deve se aproximar do redemoinho e lançar a peneira bem no meio, aprisionando assim o Saci. Em seguida, deve-se introduzir a boca da garrafa levantando minimamente a peneira. O Saci, buscando a escuridão, refugia-se dentro da garrafa que, então, deve ser rapidamente arrolhada. Lá, o Saci permanecerá invisível, numa tentativa de enganar o seu captor, fazendo com que pense que ele conseguiu escapar. No entanto, em um dia de muito calor, quando o captor tirar um cochilo, o Saci se mostrará. Conta-se que se quem capturar um Saci e conseguir se apossar de seu gorro, adquire poder sobre ele, transformando-o em seu escravo.

31 de Outubro, Dia do Saci


Com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao "Dia das Bruxas", ou Halloween, de tradição cultural celta, foi sancionado em 2003 um projeto de lei que estabeleceu o Dia do Saci. Ele é celebrado no dia 31 de Outubro, mesma data do Halloween.
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6 comentários:

  1. Eu acredito que exista sim! já até ouvi falar de boatos de pessoas que relatan ter visto o saci! vlw

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  2. eu quero saber uma coisa. O curupira a mula sem cabeça e o saci podem se encontrar?

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  3. Só uma coisinha, você disse duas vezes que o Saci gora ovos, quando só precisava dizer uma vez ^^ mas segundo um livro que tenho, o Monteiro Lobato deu uma suavizada na imagem do Saci: segundo contos mais antigos, ele seria todo cheio de pêlos, como um lobinho, e teria dentes bem afiados, além de uma pé bem grande em uma perna centrada no meio, ao invés de ter uma perna de um lado e um toco no outro. Mas em fim, se tratando de culturas populares, descrições sempre variam! Muito legal a postagem.

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  4. Eu estou apurando um caso de vulto do saci que ocorreu na cidade de Alenquer no Pará e eu quero saber uma coisa, o que fere de verdade ou mata essa coisa.

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