۞ ADM Sleipnir

Bunjil (também grafado Bundjil, Boonjil ou Bun-jil) é uma divindade criadora e herói cultural na mitologia dos povos aborígenes da nação Kulin, uma aliança de cinco grupos no centro-sul de Victoria, na Austrália. Ele é considerado o criador do mundo e um guardião contínuo da natureza, de seu povo e de suas tradições. Frequentemente representado como uma águia-de-cauda-em-cunha (Aquila audax), a maior ave de rapina australiana, Bunjil teria assumido essa forma após concluir sua obra de criação. Ele é também um dos dois ancestrais da metade clânica dos Kulin, sendo o outro o corvo trapaceiro Waang (também Waa ou Wahn).
Bunjil possui duas esposas (associadas ao cisne-negro em algumas versões), um filho chamado Binbeal (o arco-íris) e um irmão chamado Balayang ou Pailian (o morcego). Ele é auxiliado por seis wirmums (xamãs ou “rapazes” ancestrais que representam clãs da metade clânica Eaglehawk), com grafias variantes conforme o povo: Djurt-djurt/Djart-djart (peneireiro-nanquim), Thara (falcão-codorniz ou milhafre-de-ombros-negros), Yukope (periquito), Dantum/Dantun/Lar-guk (papagaio), Walert/Tadjeri (gambá-de-cauda-espessa ou pequeno marsupial predador conhecido como fascolgale) e Turnong/Turnung/Yurran (gambá-planador).
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| Bunjil (direita) e Waang (esquerda) |
Lendas
Uma tradição do povo Boonwurrung relata um tempo de conflito entre as nações Kulin, quando as pessoas passaram a discutir e lutar entre si, negligenciando suas famílias e a terra. O caos crescente e a desunião enfureceram o mar, que começou a subir até cobrir as planícies e ameaçar inundar todo o território. Desesperado, o povo recorreu a Bunjil e pediu sua ajuda para impedir que as águas continuassem a subir. Bunjil concordou em ajudá-los, mas apenas sob a condição de que mudassem seu comportamento, respeitando as leis e uns aos outros. Em seguida, ele caminhou até o mar, ergueu sua lança e ordenou que as águas parassem de subir.
Segundo outra tradição, após criar as montanhas, rios, plantas, animais e as leis que deveriam guiar a vida humana, Bunjil reuniu suas esposas e filhos. Então pediu a Waang, guardião dos ventos, que abrisse suas bolsas e deixasse o vento escapar. Waang abriu uma das bolsas onde guardava redemoinhos, liberando um ciclone que arrancou árvores pela raiz. Bunjil pediu então um vento ainda mais forte. Waang obedeceu, e a rajada poderosa ergueu Bunjil e seu povo para o céu. O próprio Bunjil transformou-se na estrela Altair, enquanto suas duas esposas, associadas aos cisnes-negros, tornaram-se estrelas situadas de cada lado dele.
Algumas tradições também afirmam que Bunjil deixou o mundo dos humanos a partir da ilha de Deen Maar, um local considerado sagrado em certas narrativas aborígenes.
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‘Heaven Comes Down’ – Arte de Safina Stewart |
Abrigo de Bunjil (Bunjil's Shelter)
Durante o Tempo do Sonho (período mítico da criação no qual os ancestrais moldaram o mundo), os Kulin creem que Bunjil se abrigou em uma caverna na região de Gariwerd (conhecida hoje como Grampians), parte da Reserva Cênica Black Range, perto de Stawell, em Victoria. O sítio contém antigas pinturas rupestres que representam Bunjil acompanhado por dois dingos, sendo atualmente uma atração turística e um dos principais locais de arte aborígene da região.
O local possui grande importância cultural para os Povos Tradicionais da região de Gariwerd, do Wimmera e do sudoeste de Victoria, que mantêm vínculos históricos e espirituais com esse patrimônio ancestral.

fontes:
- TAUNGURUNG LAND & WATERS COUNCIL. Creation Stories – Taungurung Land & Waters Council. Disponível em: <https://taungurung.com.au/creation-stories/>;
- Bunjil_the Great Eagle Hawk. Disponível em: <https://austhrutime.com/bunjil.htm>;
- WIKIPEDIA CONTRIBUTORS. Bunjil. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Bunjil>.
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