20 de janeiro de 2026

Nesso

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Aaron Griffin, inspirada no Nesso da animação "Hércules".

Nesso (em grego antigo: Νέσσος, translit. Nessos) é um centauro da mitologia grega, célebre por seu envolvimento no mito de Héracles e Dejanira, episódio que desempenha papel decisivo na morte do herói. Ele aparece com frequência tanto na literatura clássica quanto na iconografia grega dos períodos arcaico e clássico, sendo tradicionalmente associado à traição, à violência sexual e à vingança póstuma.

Etimologia do nome

O nome Nesso é geralmente relacionado ao termo grego nêssos, interpretado por alguns autores como “pato”. Essa etimologia é considerada simbólica e possivelmente alusiva à função do personagem como barqueiro, responsável por atravessar viajantes por um rio carregando-os sobre o próprio corpo.

Origem e família

Segundo as tradições, Nesso era um dos centauros da Tessália. Após a guerra entre centauros e lápitas, na qual estes últimos saíram vitoriosos, ele fugiu de sua região natal e estabeleceu-se às margens do rio Euenos, na Etólia. Ali passou a atuar como barqueiro, cobrando para transportar pessoas de uma margem à outra. Sua genealogia varia conforme as fontes antigas: em Higino, Nesso é filho de Íxion e Néfele, a Nuvem; em outras tradições, menos difundidas, aparece como filho de Sileno e da ninfa Mélia.

Mito

O episódio mais conhecido envolvendo Nesso ocorre durante a jornada de Héracles com sua esposa Dejanira. Ao chegarem ao rio Euenos, Héracles atravessou a corrente por conta própria e confiou a Nesso a tarefa de levar Dejanira. Durante a travessia, o centauro, tomado pelo desejo, tentou violentá-la. Ao ouvir os gritos da esposa, Héracles atingiu Nesso com uma flecha embebida no veneno da Hidra de Lerna

Mortalmente ferido, o centauro arquitetou sua vingança ao convencer Dejanira de que seu sangue, ou uma mistura dele com seu sêmen, funcionaria como um filtro amoroso capaz de assegurar a fidelidade do herói. Anos mais tarde, temendo perder o marido para Íole, Dejanira embebeu uma túnica com essa substância e a enviou a Héracles. Ao vesti-la, o calor de seu corpo ativou o veneno, causando dores atrozes que levaram à morte do herói. Dessa forma, embora derrotado, Nesso foi responsável indireto pelo fim de Héracles, consumando sua vingança após a própria morte.

As fontes antigas divergem quanto ao local exato da morte de Nesso. Algumas afirmam que ele morreu imediatamente às margens do rio Euenos; outras relatam que conseguiu fugir para a Lócrida Ozólica, onde morreu posteriormente. Autores como Estrabão e Pausânias mencionam que seu corpo teria apodrecido sem sepultura, exalando um odor fétido que explicaria o nome da região, associado à ideia de mau cheiro.

 "Hércules e Dejanira, com o centauro Nesso moribundo". Pintura de Sebastiano Ricci (1659–1734)

Representações artísticas

O mito de Nesso foi amplamente representado na arte grega, sobretudo na cerâmica dos séculos VI e V a.C., em ânforas, cálices e hídrias de figuras negras e vermelhas. As cenas costumam retratar o momento da tentativa de rapto de Dejanira ou o instante em que Héracles atinge o centauro com sua flecha.

Na literatura clássica, Nesso é mencionado ou descrito por diversos autores, entre eles Pseudo-Apolodoro, Diodoro Sículo, Estrabão, Pausânias, Ovídio, Higino, Sêneca e Cícero. Apesar das variações narrativas, essas fontes concordam em apresentar Nesso como um personagem cuja astúcia e perfídia prolongam seus efeitos para além da morte, funcionando como um elemento trágico fundamental no ciclo mítico de Héracles.

“Hércules derrotando o centauro Nesso”, concluída entre 1595 e 1599. Artista: Giambologna

fonte:

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