21 de outubro de 2014

Oxóssi

۞ ADM Sleipnir



Oxóssi (do iorubá Òşóòsìtambém Oshosi, Ochosi, Ososi, Oxosi, ou Osawsi) é  o orixá da floresta e da caça, filho de Iemanjá e Oxalá. Seus irmãos são Ogun e ExuOxossi é o patrono dos caçadores e dos chefes de família. Ele também é o patrono e o dono de todos os animais selvagens, possuindo suas virtudes. Oxossi é sagaz como o leopardo, forte como o leão, leve como o pássaro, silencioso como o tigre, observador como a coruja. Sabe se esconder como um tatu, é vaidoso como um pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores como os macacos, conhece os animais profundamente e com eles partilha o conhecimento da natureza. 


Culto

O culto de Oxóssi encontra-se quase extinto na África, mas foi bastante difundido no Novo mundo, tanto em Cuba como no Brasil. Na Bahia, diz-se que ele foi rei de Kêtu, onde outrora era cultuado. Esse país foi completamente destruído e saqueado pelas tropas do rei do Daomé no século XIX e seus habitantes, inclusive os iniciados de Oxóssi, foram vendidos como escravos para o Brasil e Cuba.

No Brasil, seus iniciados usam colares de contas azul-esverdeadas e a quinta-feira lhe é consagrada. Seu símbolo, o ofá, é um arco e flecha em ferro forjado (hoje, outros metais) e o iruquerê (espanta-moscas), insígnia de dignidade dos reis da África. Suas danças imitam a caça, a perseguição do animal e o atirar da flecha. Sacrificam-lhe porcos e são-lhe oferecidos pratos de feijão preto ou fradinho com eran patere (miúdos de carne). Oxóssi é saudado com o grito "Okê!" O seu ritmo é o mesmo de Iansã, o aguerê, mas tocado de maneira mais cadenciada e menos rápida.

No sudeste do Brasil, Oxossi é sincretizado a São Sebastião. Quanto ao sincretismo, a história informa que São Sebastião nasceu em Milão e foi oficial da guarda pretoriana em Roma. Foi cristão convicto e ativo e por esse motivo padeceu também sob o domínio do imperador Diocleciano. Denunciado como cristão, São Sebastião foi levado perante o imperador e confessou publicamente a sua fé em Jesus Cristo. Acusado de traição foi condenado a morte. Amarrado a um tronco teve seu corpo varado por flechas. No dia seguinte constataram que não havia morrido. Levado novamente frente a Diocleciano, reafirmou novamente a sua fé, o imperador mandou então açoitá-lo até a morte. Esse fato ocorreu por volta do ano 284.


Umbanda

Na Umbanda, Oxóssi é um dos principais orixás, responsável por uma Linha que abrange caboclos e caboclas no sentido estrito (índios que usam cocares) relacionadas a conselhos sobre cura física ou espiritual. Às vezes é personificado na figura do Caboclo, isto é, do índio, ostentando um cocar e portando arco e flecha. Sua cor é o verde. Sacrificam-se a Oxóssi frangos ou galos carijós. Come milho, amendoim, coco ralado e mel. As "obrigações" de Oxóssi são feitas na mata, de preferência sob mangueira ou outra árvore frondosa. Acendem-se velas verdes e deixa-se, além das comidas do santo, vinho tinto com fitas verdes no gargalo da garrafa. Gosta de milho verde em espiga ou seco a granel, água de coco, eucalipto, girassol, latão, sândalo, calcite. É representado pelos seus falangeiros, caboclos bugres e de penas. Sua saudação é: Okê bamboclima!

Mitos

"O Caçador de uma só flecha" 


Olofin Odudua, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, esquecendo-se, porém, de fazer uma oferenda às feiticeiras. Havia grande multidão no pátio do Palácio Real. O Olofin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto que escravos o abanavam e espantavam moscas, tambores batiam e louvores eram entoados em sua honra. Os convivas conversavam alegremente, e felizes festejavam, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma. Subitamente, um pássaro gigantesco planou sobre a multidão, indo se empoleirar sobre o teto do prédio central do Palácio do Rei. Este pássaro malvado foi enviado pelas feiticeiras, chamadas Iyami Oxorongá ou Eleyé

A confusão e o desespero tomaram conta da multidão. Foram procurados, sucessivamente, quatro Oxós, caçadores guardiães da noite, chamados respectivamente de Oxotôgun, o atirador de vinte flechas, de Idô; Oxotogi, o atirador de quarenta flechas, de Moré; Oxatadotá, o caçador de cinqüenta flechas, de Ilarê; e Oxótakanxoxô, o caçador de uma só flecha, de Iremã. Nenhum dos três primeiros - todos muitos seguros de si, até mesmo um pouco fanfarrões - conseguiu atingir o enorme pássaro, apesar de possuírem, todos eles, grande habilidade. Quando chegou a vez de Oxótakanxoxô, sua mãe foi consultar um Babalaô que lhe declarou o seguinte: "Seu filho está somente a um passo, seja da morte, seja da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza". Ela foi depositar, então, na estrada, uma galinha que havia sido sacrificada, cortando-lhe e abrindo-lhe o peito, como devem ser feitas as oferendas às feiticeiras. A mãe de Oxótakanxoxô pronunciou três vezes um encantamento: "Que o peito do pássaro aceite esta oferenda!!!" Era o momento preciso em que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse a seu peito, mas foi a flecha que o atingiu. Ele caiu pesadamente ao chão, onde se debateu e morreu. Todo mundo se pôs a cantar e a dançar: " Oxó é popular! Oxo é popular! Oxowussi! Oxowussi! (Òsówusì, daí Òşóòsì, "Oxóssi"). Desde esse dia em diante, Oxótakanxoxô foi transformado em herói e passou a se chamar Oxóssi. 


Iemanjá e a evasão de seus filhos

Iemanjá e seus três filhos viviam juntos em sua casa. Por ser indisciplinado e insolente com sua mãe, Exu acabou sendo expulso. Ogum e Oxóssi se comportavam bem e permaneceram vivendo com a mãe. Ogum trabalhava no campo e Oxóssi caçava nas florestas vizinhas. A casa ficava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um Babalaô. Este aconselhou-a a não deixar que Oxóssi continuasse a caçar, pois corria o risco de encontrar Ossain, aquele que possuía o conhecimento das virtudes das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxóssi ficaria exposto, assim, a um feitiço de Ossain para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. 

Iemanjá então ordenou a Oxóssi que renunciasse suas atividades de caçador. Este, porém, possuía uma personalidade independente e continuou com suas incursões à floresta. Partia em companhia de outros caçadores que tinham o hábito de, ao chegarem ao pé de uma grande árvore, Iroco (Milicia excelsa), se separarem, indo à caça isoladamente, para se encontrarem, ao final do dia, no mesmo local. 

Certa noite, Oxóssi não voltou ao local do encontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele tinha encontrado Ossain, que o convidou à beber uma poção onde certas folhas tinham sido maceradas, caindo assim em estado de amnésia. Não sabia mais quem era nem onde morava. Ele passou a viver na companhia de Ossain, como havia previsto o Babalaô. Inquieto pela ausência do irmão, Ogum partiu à sua procura e o encontrou nas profundezas da floresta. Ogum traz Oxóssi de volta para casa, mas Iemanjá se recusou a receber o filho desobediente. Revoltado com a intransigência de sua mãe, Ogum recusou-se a continuar em casa (por este motivo que o local consagrado a Ogum encontra-se sempre ao ar livre). Já Oxóssi preferiu voltar para a floresta, para perto de Ossain. Desesperada por ter perdido seus três filhos, Iemanjá transformou-se em um rio.

Oxóssi e Oxum

Sempre que Oxóssi ia caçar ele parava na beira do rio para se refrescar, e todas as vezes que ele o fazia, Oxum o via e admirava a sua beleza. Apesar disso, Oxóssi não se interessava por Oxum, pois gostava somente das mulheres das matas. Oxum então pergunta a Exú como ela poderia fazer Oxóssi se apaixonar por ela. Exu diz a Oxum que ela deveria tomar um banho de mel e jogar folhas sobre o seu corpo, e que isso certamente iria atrair Oxóssi. No dia seguinte, Oxum fez como Exú havia lhe dito, e quando Oxóssi se aproximou da beira do rio, avistou o que pensava ser uma linda mulher das matas.Oxóssi se encantou com a bela mulher e então se envolveram. Sua relação durou por muito tempo, mas um dia Oxóssi acabou descobrindo a farsa de Oxum, e então a deixou. Quando Oxum viu Oxóssi indo embora, gritou dizendo que estava grávida, e isso o deixou muito feliz, porém não foi o suficiente para fazê-lo voltar para ela. Seu filho, chamado Logun Edé, tornou-se o príncipe dos orixás, a união das matas com os rios. Ele vivia 6 meses com o pai nas florestas e 6 meses com Oxum nos rios

Oxossi é impedido de caçar

Certa vez houve muita fome e faltava comida na Terra. Então Obatalá enviou Oxóssi para que ele caçasse e provesse o sustento de todos os que estavam sem comida. Oxóssi caçou tanto, mas tanto, que ficou obsessivo: ele queria matar e destruir tudo o que encontrasse. Obatalá pediu-lhe que parasse de caçar, mas Oxóssi desobedeceu. Oxóssi continuou caçando. Um dia encontrou uma ave branca, um pombo. Sem se importar que os animais brancos são de Obatalá, Oxóssi matou o pombo. Obatalá voltou a pedir que ele não caçasse mais, porém Oxóssi continuou caçando. Uma noite Oxóssi encontrou um veado e atirou nele muitas flechas. Mas as flechas não lhe causavam nenhum dano. Oxóssi aproximou-se mais e flechou a cabeça do animal. Nesse momento, o veado se iluminou. Era Obatalá disfarçado, ali, todo flechado por Oxóssi. Oxóssi não conseguiu caçar nunca mais. 





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