۞ ADM Sleipnir

Tá-na-Boca é uma entidade do folclore urbano de Teresina, capital do estado do Piauí, Brasil, associada principalmente ao bairro Vermelha. Os relatos sobre a figura circularam com maior intensidade entre as décadas de 1950 e 1970, descrevendo-a como uma aparição noturna responsável por aterrorizar moradores que transitavam pelas ruas durante a madrugada.
Descrição
Segundo as narrativas populares, o Tá-na-Boca apresentava características híbridas, sendo frequentemente comparado a um lobisomem. Era descrito como uma criatura peluda, de porte semelhante ao de um carneiro grande ou de um cachorro de grande tamanho, com cabeça que lembraria a de um carneiro. Em algumas versões da lenda, a entidade também assumia a forma de um homem trajando capa preta, com mãos semelhantes a garfos.
A aparição costumava surgir repentinamente nas ruas durante a noite, avançando sobre transeuntes solitários. Durante a perseguição, emitia um grito rouco e repetitivo — “Morou? Tá na boca!” — expressão que, segundo interpretações posteriores, utilizaria gírias da época para indicar que a vítima estava “no papo”, isto é, prestes a ser capturada ou devorada. Os relatos afirmam que a perseguição geralmente era interrompida apenas nas proximidades da casa da pessoa perseguida.

Origem da lenda
Uma das versões mais difundidas sobre a origem do Tá-na-Boca relaciona a entidade a um anão que teria vivido no bairro Vermelha por volta da década de 1950, trabalhando como alfaiate. De acordo com essa narrativa, ele mantinha um relacionamento incestuoso com a própria irmã, o que teria provocado a revolta da comunidade local. Uma multidão teria atacado a residência do casal, agredindo violentamente a mulher, que em seguida fugiu da cidade e nunca mais foi vista.
Abalado pelos acontecimentos, o homem teria passado a estudar práticas místicas com o objetivo de vingar-se dos responsáveis. Como resultado, teria aprendido a transformar-se, durante as madrugadas, em uma criatura monstruosa, dando origem às aparições conhecidas como Tá-na-Boca.
Desaparecimento e relatos posteriores
Os registros orais indicam que as aparições do Tá-na-Boca teriam ocorrido por um período relativamente curto, cessando misteriosamente ainda na segunda metade do século XX. Algumas versões afirmam que o suposto responsável pela criatura teria deixado a região após completar sua vingança, enquanto outras sustentam que a entidade ainda poderia manifestar-se ocasionalmente, embora de forma cada vez mais rara.
Há também interpretações que associam o declínio dos relatos ao crescimento urbano e à substituição do deslocamento a pé por veículos automotores, o que teria tornado inviáveis as perseguições atribuídas à criatura.

- VER. MOROU? TÁ NA BOCA! Disponível em: <https://causosassustadoresdopiaui.wordpress.com/2017/04/12/morou-ta-na-boca/>;
- LEITE, R. M. MOROU (OU TÁ-NA-BOCA), Fontes Ibiapina. Disponível em: <https://amusaesquecida.blogspot.com/2012/02/morou-ou-ta-na-boca.html>.
- LUÍS DA CÂMARA CASCUDO. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global Editora, 2012.
Tá-na-Boca
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