31 de dezembro de 2025

Toshigami

۞ ADM Sleipnir

Toshigami (japonês 年神 ou 歳神; literalmente “deus do ano”), também conhecido como Ōtoshi-no-kami (大年神, “grande deus do ano”), é um kami (deus) do xintoísmo associado ao ciclo anual, às colheitas, à prosperidade e às celebrações do Ano Novo japonês (Shōgatsu). De acordo com a tradição, Toshigami visita os lares humanos no início de cada ano para conceder bênçãos, boa sorte e fertilidade à terra, sendo visto como uma divindade ligada à renovação do tempo e da vida.

Algumas tradições afirmam que Toshigami habita a ilha de Shimokoshiki-shima, situada ao largo da costa da atual província de Kagoshima, em Kyushu. A partir desse local, a divindade desceria simbolicamente todos os anos para visitar os lares humanos durante o Ano Novo.

Origem e parentesco

Segundo o Kojiki (古事記, Registros dos Assuntos Antigos), Toshigami é filho do deus Susanoo e de sua segunda esposa, Kamuo Ichihime. É apresentado como o irmão mais velho de Ukanomitama, divindade relacionada aos grãos e à fertilidade agrícola, o que reforça sua ligação com a produção de alimentos e os ciclos naturais.

Toshigami teve numerosos filhos com três esposas diferentes, muitos deles associados à terra, às montanhas, aos campos e ao espaço doméstico. Com Ino-hime, teve Ōkuni-mitama, Kara-kami, Sofuri-kami, Shirahi-no-kami e Hijiri-no-kami. Com Kaguyo-hime, gerou Ōkaguyama-tomi e Mitoshi-no-kami, este último também ligado ao ciclo anual e às colheitas. Com Amechikarumizu-hime, teve, entre outros, Oyamakui-no-kami, deus das montanhas, além de divindades associadas ao solo, às residências e aos campos agrícolas.

Natureza e interpretações folclóricas

No folclore japonês, Toshigami possui uma natureza múltipla e ligada às estações do ano. Em várias tradições regionais, ele se manifesta como Ta no Kami, o deus dos campos de arroz durante a primavera e o verão, e como Yama no Kami, o deus das montanhas no outono e no inverno.

O folclorista Kunio Yanagita (1875–1962) interpretou Toshigami como uma divindade que reúne três funções principais: protetor do lar, deus da colheita e manifestação dos espíritos ancestrais que retornariam temporariamente ao mundo dos vivos durante o Ano Novo.

Culto e práticas do Ano Novo

Para receber Toshigami, as famílias realizam uma limpeza ritual da casa (susuharai) a partir de meados de dezembro, pois acredita-se que a divindade não entra em locais considerados impuros. Três elementos decorativos são tradicionalmente preparados:

  • Kadomatsu (門松), arranjos de pinheiro e bambu colocados na entrada das casas para orientar a chegada da divindade;
  • Shimekazari (注連飾り), cordas sagradas que indicam um espaço purificado;
  • Kagami mochi (鏡餅), bolos de arroz empilhados onde Toshigami é simbolicamente acolhido durante o período do Ano Novo.

Período de estadia (Oshōgatsu)

A presença de Toshigami no mundo humano começa em 1º de janeiro e tradicionalmente se estende até o sétimo dia do mês. A véspera do Ano Novo, em 31 de dezembro, é marcada pelo consumo do toshikoshi soba, associado à longevidade. No Dia do Ano Novo, são consumidos pratos considerados auspiciosos, como ozōni e osechi-ryōri, geralmente preparados com mochi. Entre os dias 1º e 3 de janeiro ocorre o hatsumōde, a primeira visita do ano a templos e santuários.

O encerramento desse período ritual acontece com o Nanakusa no Sekku (Festival das Sete Ervas) e, posteriormente, com a queima cerimonial das decorações (dondoyaki), que simboliza o retorno do espírito de Toshigami ao mundo divino.

Sincretismo

Durante o período medieval, Toshigami foi parcialmente associado a Toshitokujin, uma divindade de origem chinesa ligada às direções auspiciosas do ano (ehō). Embora ambas estejam presentes nas celebrações do Ano Novo, estudiosos consideram o culto a Toshigami mais antigo e profundamente ligado às práticas agrícolas tradicionais do Japão.

Toshitokujin


fontes:


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